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Às 18 horas desta quarta-feira, na Livraria Fundza, na cidade da Beira, Daniel da Costa vai lançar o seu mais recente livro de contos. Intitulado Kushoto-Kulia, será apresentado pelo jornalista Belmiro Adamugy.

Editado pela Fundza, Kushoto-Kulia é um livro constituído por 14 histórias, que denunciam a viagem do autor a um tempo que permite compreender as peripécias sociais de um país em constante mudança. Entre os contos do livro, constam “Contas de família”, “O brinquedo dos generais”, “A cama perfeita”, “A fúria do dragão”, “Os fuzileiros” e “O petisco”.

Na nota de abertura do livro, Daniel da Costa afirma: “Propus-me prestar um pequeno tributo a essa época marcadamente castrense, através da presente colectânea de histórias, indo buscar, simbolicamente, à língua swahili a expressão usada no título, as palavras da dedicatória e a numeração dos conteúdos do livro”.

Ao olhar para o passado do seu país, Daniel da Costa cria, em Kushoto-Kulia, equilíbrios harmónicos entre a ficção e a crónica. No primeiro caso, pesa o efeito estético e imprevisível das histórias. No segundo, a verosimilhança e o diálogo com a realidade que considera castrense.

Daniel da Costa nasceu em Tete, em 1964, e ingressou no jornalismo em 1987. Trabalhou na então Televisão Experimental de Moçambique como repórter, e na Rádio Moçambique como produtor de programas. Exerceu a crítica de teatro e literatura. Tem colaboração dispersa pelos principais semanários de Moçambique. Foi coordenador da Gazeta de Artes e Letras, suplemento literário da prestigiada revista Tempo. Foi membro de vários júris, incluindo o dos Prémios Gazeta, da revista Tempo, e o Prémio Nacional de Literatura, instituído pela Associação dos Escritores Moçambicanos. É autor dos seguintes títulos de ficção narrativa, editados pela Ndjira: Xingondo (2003), A ciência de Deus e o sexo das borboletas (2007) e A flauta do Oriente (2008).

A artista moçambicana, Fauziya Fliege, expõe “Em homenagem a minha avó”, mostra de artes plásticas patente na Galeria Nacional, na cidade de São José, na Costa Rica. Trata-se de uma exposição que se encerra este domingo, depois de um mês aberta ao público, entre terça-feira e domingo.

Com a mostra, Fauziya Fliege partilha a história de uma mulher excepcional, cuja história é comovente e merece ser conhecida por muitos. É uma narrativa de bravura e auto-aperfeiçoamento que começa com a sua infância numa aldeia como filha do chefe local.

Aos 13 anos, a sua vida mudou drasticamente, foi dada de presente a um colonizador branco português num casamento que lhe roubou a juventude e a inocência. Apesar de viver num palácio, o seu espírito sempre ansiava pela liberdade e alegria que lhe foram negadas na juventude.

Ao longo da vida, a avó de Fliege enfrentou inúmeros sacrifícios e dificuldades, mas permaneceu determinada. Tornando-se mãe aos 15 anos, os seus dias foram marcados pela saudade da vida que nunca pôde desfrutar, pelas aventuras e experiências que lhe foram negadas. “Esta mostra é uma vitrine que reflecte a força e o legado da minha avó, uma mulher excepcional”, partilha a artista, acrescentando que, através de suas histórias, “minha avó transmitiu valiosas lições de vida e nos ensinou a nunca desistir, não importa os desafios que enfrentamos. Sua história de resiliência e superação das adversidades é um testemunho inspirador da capacidade humana de enfrentar obstáculos e encontrar o sucesso.”

Nesta exposição, conta a artista, “tentei captar essas histórias em imagens, particularmente as de mulheres – as mulheres que dançam com graça e liberdade, as rainhas que governam com sabedoria e força, e as mães que dão vida e amor incondicional.”

Cada obra, entre as 13 presentes, representa uma imagem dos contos da sua avó, uma janela para o seu mundo, o poder e a beleza das mulheres.
A mostra encerra-se no domingo, mas abre uma série de projectos para 2024. Por exemplo, a artista prepara-se para uma exposição colectiva no Museu Diocesano de Milão e Capitólio de Terni, na Itália, para além de duas exposições individuais em outros museus da Costa Rica. Um deles é o Museu Municipal de Cartago, património que constitui parte da memória histórica da Costa Rica.

FAUZIYA FLIEGE: ARTISTA COLOCA MULHER NO CENTRO DAS SUAS CRIAÇÕES

Fauziya Fliege (38 anos) é artista e activista moçambicana. Natural de Chimoio, Manica, está radicada na Costa Rica desde 2019. É uma mulher do mundo, com passagens por Malawi, Angola, Alemanha e Tanzânia, graças aos trabalhos de diplomacia do seu marido. Nestes lugares, Fliege conheceu vários artistas e frequentou várias exposições, onde tenciona levar à sua arte brevemente.

É fluente em português, inglês, alemão e espanhol. Para além de artista, é membro da Associação Diplomática de Ajuda à Costa Rica e, nos tempos livres, é praticante de boxe.

Dedica-se às artes plásticas desde 2021, mas desde criança, inspirada pelo pai, treina a pintura e o desenho.

Em 2022, doou duas telas à Associação Diplomática de Ajuda à Costa Rica, durante um evento beneficente em que conseguiu vendê-las e tem uma pintura intitulada “A paz”, que está fixada junto à bandeira da Colômbia, na residência do embaixador, na Costa Rica.

Fliege já participou de várias exposições colectivas em vários lugares da Costa Rica. Tal como nesta exposição, tem maior paixão por pintar mulheres, sobretudo as corajosas, fortes, lindas, trabalhadoras e sensuais, mas também mulheres tristes e sofridas. Ainda que invista em arte figurativa, a artista também se aventura pelo abstracto através da técnica acrílica, a óleo e mista.

O poeta e escritor Nelson Lineu vai lançar, quarta-feira, pelas 17h30, na Galeria do Porto de Maputo, o seu novo livro “Sopro”. Com a chancela da TPC, a obra literária será apresentada pelo Professor e Ensaísta Aurélio Ginja.

O livro de contos de Nelson Lineu aborda a corrupção, o custo de vida, o trabalho infantil, a ausência de um sonho moçambicano, a dicotomia individualismo e colectivismo, e a supremacia de um grupo sobre os outros como consequências do mal-estar no país, não como as suas causas.

Nos enredos das histórias, a ficção busca suporte da realidade para convencer o leitor e os factos apelam verosimilhança à ficção numa cumplicidade que se torna o valor estético da obra, como atesta o professor de Literatura e crítico literário Albino Macuácua: “A ‘condição prosaica’ das personagens presentes nos textos enforma-se a partir de episódios e situações comuns do nosso dia-a-dia, que se misturam com o universo místico, mas com a particularidade de terem fins surpreendentes e inimagináveis”, lê-se na nota de imprensa.

O livro “Sopro” é o quarto de Nelson Lineu, depois de ter publicado “O Passo certo no Caminho Errado” (Literatas, crónicas, 2020), “Asas da Água (TPC, poesia, 2019) e “Cada um em mim, poesia, 2014”.

 

Na semana passada, entre os dias 22 e 24, 10 jovens, na Província de Cabo Delgado, provenientes da Cidade de Pemba, e dos centros de reassentamento de deslocados de Saul, Tratara e Ngalane, no Distrito de Metuge, tiveram a oportunidade de participar numa capacitação em empreendedorismo e geração de renda, no Centro Yopipila.

A capacitação teve como principal objectivo oferecer conhecimentos e ferramentas que aos beneficiários, de modo que possam desenvolver os seus próprios negócios.

Segundo uma nota de imprensa sobre o evento, a capacitação faz parte da actividade de mentoria em negócios, no quadro do Música Para Todos “Eco´band “, que é uma iniciativa inovadora e pioneira que conecta abordagens ecológicas e criativas na construção de instrumentos musicais sustentáveis.

No final da capacitação, os participantes beneficiaram-se de kits completos para pedreiros, carpinteiros, serralheiros, costureira e electricistas, para iniciarem os seus negócios e garantirem o auto sustento de acordo com a natureza de trabalho de cada um.
A capacitação foi ministrado por facilitadores da Fundação Azul, no quadro das sinergias com as Fundações MUSIARTE e Hakuna Matata.
Alguns dos participantes são residentes nos centros de deslocados e, devido aos ataques vividos nas suas zonas, perderam as suas ferramentas de trabalho. A capacitação serve também de esperança para as suas vidas.

Assia Serafim, uma das beneficiárias do treinamento, é residente no Centro de Deslocados Internos de Saul. Devido aos ataques protagonizados na sua zona de origem, viu-se obrigada a abandonar a sua casa e o seu negócio, neste caso, a sua máquina de costurar. Com a capacitação, teve a oportunidade de se beneficiar de uma máquina de coser e reiniciar o seu negócio. “Estou muito feliz por voltar a ter uma máquina. Com esta minha máquina, vou poder voltar a cozer os vestidos para poder vender”.

O projecto Música Para Todos está inserido no Procultura e é financiado pela União Europeia e co-financiado e gerido pelo Camões IP e as embaixadas da Irlanda e Suíça.

Ao todo, o novo exercício literário de Mia Couto tem 142 páginas. Com o título “Compêndio para desenterrar nuvens”, a obra literária é uma viagem pelo universo do conto, onde o autor escreve, principalmente, sobre as relações humanas e sociais.

Editado pela Fundação Fernando Leite Couto, o livro “Compêndio para desenterrar nuvens” será lançado em cerimónia esta terça-feira, a partir das 18 horas, no recém-inaugurado Centro Cultural Moçambique-China, localizado no Campus Principal da Universidade Eduardo Mondlane, na Cidade de Maputo.

Segundo a nota da editora, antes dos textos de Mia Couto serem contos, foram crónicas publicadas na imprensa, o que se pode constatar na nota do editor do próprio livro; “Os contos recolhidos nesta colectânea foram publicados mensalmente na revista Visão [Portugal]. O autor aproveitou esta oportunidadade para introduzir pequenas alterações”, que, ao longo das histórias, transportam o leitor a uma dimensão sustentada por diferentes crises e peripécias.

Neste livro, Mia Couto revive o ambiente social do seu país, coloca as personagens a personificarem sentimentos e emoções carregadas de acontecimentos quotidianos.

Na mesma nota de imprensa, a Fundação Fernando Leite Couto avança que “Estas estórias flutuam entre o real e o imaginário, territórios quase invisíveis se pensarmos no universo moçambicano, habitado por muitas histórias. Mia Couto traz personagens e cenários improváveis, com a poeticidade que lhe é característica, com uma narração que dá tempo ao leitor para levantar o seu próprio voo para um mundo em que todas as coisas tem vida própria”.

“Compêndio para desenterrar nuvens” é constituido por 22 contos, entre os quais “O culto dos pesarosos”, “O nome do pai”, “O eterno retorno”, “Viver de graça, morrer de raça”, “Lição de caligrafia” e “Desenterrar nuvens”.

Por: Nyimpini Khosa (Dulcídio Cossa)

 

A conheço desde os tempos de “nha cretcheu”, mas posteriormente um momento específico marcara nossa relação.
Passam-se alguns anos que escrevi minha Tese de Doutorado, e nesse longo processo de escrita, maravilhoso, fortalecedor e às vezes doloroso, duas artistas, ou melhor, irmãs foram fundamentais: SARA TAVARES e Lenna Bahule. Foi justamente nessa época que a minha relação com estas mulheres transcendeu a compreensão humana. A intimidade com o álbum Xinti de Sara Tavares e Nômade de Lenna Bahule foi espiritual. Os sons destes álbuns tornaram minha escrita e vida leves como pluma.

Mana Sara, mana Lenna, jamais fui o mesmo desde que as conheci. E por isso, ainda em vida, dediquei-lhes uma vênia em minha Tese.
Hoje, mana Sara, “do lado de cá”, do meu mais profundo lado moçambicano- changano-tsonga, é a ti e para ti que escrevo, trêmulo, mas com a certeza de que me ouves “do lado de lá”. Sem erudição nas palavras quero na simplicidade dizer-te “coisas bunitas” e o quanto amo-te. Como não dizer-te, se “esse teu sorriso é que me kuiô BUÉ”?

Muitos choram, deprimidos, com a tua transcendência a outro plano, mas eu, “i feel good, very nice”, “i got good, good, good vibes”, porque tú és meu “PONTO DE LUZ”, “que me conduz, aceso na alma”. Tal como o Edson, fizeste de mim um bom “CAMINHANTI” com “PÉ NA STRADA” da Luz.

“Já chega hora di bai, hora di bai já chega”!? Dá um aperto no peito, mas não, você é “DI ALMA”, e uma alma jamais se vai. “Di alma, bô ê nha família”, “bô ê fidja di sol di dia”, “di noite és a lua que tá guia”. Ancestral-guia.

Estou pensando em ti, na tua melodia, pensando em nós, de olhos fechados viajo na fantasia. Só imagina. “Xinti”. “SÓ D´IMAGINA” já sinto esperança, só de imaginar já sinto criança de luz na tua leveza humana ancestral. Meu ritual.

“Aqui vou eu em KEDA LIVRE” numa viagem longe sem sair do sítio, dando “a volta ao mundo e na curva redonda do teu gingar”. “Aqui vou eu em keda livre”. “Eu contigo, tu comigo, Ser Humano é Ser Divino”.

Que posso mais dizer-te? Não te quero dizer mais nada, quero é sentir tua “VOZ DI VENTO”, na onda do teu mar, onde “tem serenata pa luar”, “don di natureza”.

Quero sentir teu cheiro, que a natureza “EXALA”. “Palavras atafulham minha fala”.

“Saiba que tudo que o amor não cala, exala”.

Agora entendo e percebo, quando disseste-me: – “não procures por mim, serei tua borboleta, não procures entender, não tentes perceber!”. Ouvi o sussurro da tua alma com calma, sinto tudo contigo, sinto perto de ti abraço apertado no meu peito, no fundo do meu coração. Agora entendo e percebo, “ciência está em saber ser”. Vivo eu “pelas asas da surpresa”. “FUNDI KU MI”, sejamos um só.

Sou apenas um “MININO”, e quero dar-te um pouco mais de mim como “QUANDO DÁS-ME UM POUCO MAIS” de ti. Afinal, tú ensinaste-me que ao acordar devo pensar logo positivo e, não devo deixar de dizer “bom dia” com um sorriso. Ponho alegria em tudo aquilo que faço, porque “não vale a pena viver a vida como um castigo”. Hoje, não só “poderia ser um bom dia” como é um Bom dia.

Amanhecendo celebrando ouço-te cantando com os ancestrais, “dando graças ao Papá”, por tudo aquilo que nos dá.

Sei que encontraste tua “liberdade na doce verdade”, e vais para a “terra prometida viver a eterna Vida”. Mas fique mais um pouquinho, hoje é um Bom dia. Ou leve-me contigo.

Mana, maninha, “é poderosa a fé”, eu acredito, “o amor é bué”, tú mesma disseste-me isso, e eu acredito. Tenho fé.

Mana Sara, do lado de cá sigo “MANSO, MANSO”, mesmo que haja “dias em que o sol não sai à rua”, “há sede de beber a água viva, água viva que me refresque e lava tudo, tudo cá dentro”. “Quero um pouco de água e um pouco de céu, quero um pouco de terra e um pouco de chão, e um tanto de música no meu coração”…

“SUMANAI”…

Quero abrir as asas, voar e encontrar-te como “o dom das palavras que voam no vento”. Tal como tú, voaste. Afinal, “há que ouvir a voz que grita cá dentro”.

 

À Rainha Sara Tavares (1978 – 2023)

Ngonyama ya kaGaza
Aracaju/Sergipe, 20/11/2023

 

A Directora-Geral e o Director-Artístico do Paris Dance Project, Solenne Hays Mascré e Benjamin Millepied, deslocaram-se à Cidade de Maputo com a pretensão de procurar parcerias na área da dança contemporânea. Segundo disseram esta sexta-feira, esperam que os artistas africanos e europeus possam trocar diálogos que enriqueçam mutuamente as suas sociedades.

 

Na última terça-feira, Solenne Hays Mascré e Benjamin Millepied aterraram, pela primeira vez, no Aeroporto Internacional de Maputo. À capital moçambicana, os directores franceses do Paris Dance Project deslocaram-se com o objectivo de encontrar parcerias originais e inovadoras, quer com programadores da área da dança contemporânea, quer com bailarinos e coreógrafos moçambicanos e de outros países africanos.

De modo que as suas pretensões fossem alcançadas, Solenne Hays Mascré e Benjamin Millepied viajaram para Maputo numa altura em que a cidade acolhe duas bienais de dança contemporânea: Kinani e Dança em África.  “Este é um momento-chave de consciencialização em matérias de dança. Inclusivamente, nestes dias em que nos encontramos em Maputo, já identificamos artistas com propostas muito fortes, os quais queremos convidá-los a fazerem parte dos nossos projectos, de modo a valorizarmos as suas propostas”, disse a Directora-Geral de Paris Dance Project, Solenne  Hays Mascré.

Para francesa, a dança é uma manifestação maior da arte, pela possibilidade de expressão de ideias sem o recurso à palavra que muitas vezes pode dividir o entendimento sobre as coisas. A dança facilita o diálogo entre os indivíduos e as sociedades. Também por isso, Solenne Hays Mascré agendou momentos de intercâmbio com artistas que, à sua semelhança, encontram no corpo uma ponte rumo às culturas de outros espaços e/ou de outros continentes. E ainda acrescentou: “Eventos como as bienais Dança em África e Kinani permitem aos artistas moçambicanos ou africanos e franceses ou europeus entrarem em contacto com artistas de regiões diversas”.

Como que a complementar o raciocínio da sua compatriota, o Director-Artístico do Paris Dance Project, Benjamin Millepied, salientou que, quer a bienal Dança em África, quer o Kinani são fundamentais porque facilitam encontros que, de outra forma, talvez não aconteceriam. Assim, os países desses artistas saem a ganhar, porque, através da dança, se exprimem ideias fortes como aquelas que traduzem uma visão parcial ou abrangente da sociedade. Logo, considerou, “Esta nossa estadia em Maputo tem sido um momento de grande êxito, porque vimos coreografias modernas que queremos mostra-las em países como França ou Estados Unidos”.

Na percepção de Benjamin Millepied, o Kinani é um momento-chave para os programadores e coreógrafos apresentarem os seus trabalhos em público. “Aprendemos muito nestes dias”, reconheceu.

Solenne Hays Mascré e Benjamin Millepied conheceram-se numa altura em que a francesa trabalhava para uma grande sala de espectáculo em Paris. Depois de ter programado um espectáculo de Benjamin Millepied, ambos resolveram desenvolver um projecto artístico com um valor social, o Paris Dance Project.

O Paris Dance Project concentra-se na juventude, com uma forte dimensão educativa. Inclusive, regularmente, a iniciativa tem convidado artistas para conversar com os alunos nas escolas, levando, igualmente, a arte a espaços que não são comuns. “O nosso propósito também é trabalhar em lugares simbólicos e contar as histórias invisíveis desses mesmos territórios”, reforçou Benjamin Millepied, que nasceu em França e cresceu no Senegal, país que tem uma grande influência na sua maneira de pensar a dança contemporânea. “Por causa dessa influência, eu e a dança somos a mesma coisa”.

 

 

No próximo dia 29, quarta-feira, a Associação Internacional de Estudos Literários e Culturais Africanos/Afrolic e o Núcleo de Estudos e Pesquisas Africanidades e Brasilidades – Nafricab/Ufes vão galardoar o escritor Carlos Paradona Rufino Roque, com o Troféu Afrolic 2023.

A cerimónia de premiação terá lugar no Campus Goiabeiras da Universidade Federal de Espírito Santo, na Cidade de Vitória, no Brasil, durante o IV Congresso Internacional da Afrolic, e “deve-se à contribuição da sua escrita no estabelecimento de caminhos literários entre Brasil e África”, segundo se lê numa nota de imprensa.

Para Carlos Paradona, “A atribuição do Troféu pela Afrolic significa um reconhecimento internacional do papel e do valor da literatura moçambicana no mundo e no Brasil em particular. Reflecte a vontade do reforço das relações culturais entre a República de Moçambique e a República Federativa do Brasil”, acrescentou Carlos Paradona: “Como escritor agraciado, sinto honra e privilégio de contribuir, com a minha escrita, para a divulgação e o reconhecimento internacional da literatura moçambicana no Brasil e no mundo”.

Carlos Paradona estreou-se na literatura em 1980, com a publicação dos seus primeiros poemas na página Diálogo, do extinto jornal Notícias da Beira. Publicou ainda poesia, contos e ensaios nas páginas Diálogo do Diário de Moçambique, Letras e Artes do Jornal Domingo, nas Revistas Tempo, Charrua, Forja e Eco ao longo das décadas de 80 e de 90.

Em 1991, publicou o livro de poemas A gestação do luar; os romances Tchanaze, a donzela de Sena (2009), obra vencedora do Prémio Internacional PEN Translate-2022 da Inglaterra; N’tsai Tchassassa, a virgem de missangas (2013); Carota N’tchakatcha, feitiços e mitos (2018) e Mueda, nos labirintos dos ritos de iniciação (2022).

O escritor Carlos Paradona Rufino Roque tem obras publicadas em Portugal e Espanha e consta numa antologia bilingue de contos de escritores da CPLP, editada em 2022, em Macau, China, e representa Moçambique, desde 2009, no Corpo de Jurado do Grande Prémio SONANGOL de Literatura, da República de Angola.

Na quarta e quinta-feira, o projecto Música Para Todos realizou uma série de actividades artísticas e didácticas no Centro Yopipila e nos centros de deslocados internos de Saul, Tratara e Ngalane, no Distrito de Metuge, na Província de Cabo Delgado.

As iniciativas que abrangeram 370 pessoas, entre crianças, adolescentes e adultos, tiveram como pretensão, em geral, levar às vítimas do terrorismo em Cabo Delgado alguma esperança, através de manifestações artísticas. Assim, os beneficiarios tiveram a oportunidade de participar em oficinas de representação teatral e pintura livre, sempre com a possibilidade de improvisar segundo os seus próprios instintos.

Em Yopipila, Saul, Tratara e Ngalane, as actividades foram conduzidas pelo artista peruano Rafo Diaz, que vive em Moçabique há vários anos. Com a acção, a Música Para Todos quis fazer da arte uma forma de terapia, levando âmparo e conforto aos beneficiários. Por consequência disso, as crianças puderam sonhar e sorrir sem limitações, ao deixarem-se levar pela criatividade de Rafo Diaz.

Em Cabo Delgado, o projecto Música Para Todos está a ser desenvolvido pela Fundação Hakuna Matata e pela Direcção Provincial da Cultura e Turismo de Cabo Delgado. Já em Maputo, Música Para Todos está a ser levado a cabo pela Fundação Musiarte. O projecto está inserido no Procultura e é financiado pela União Europeia e co-financiado e gerido pelo Camões IP e as embaixadas da Irlanda e Suíça.

Sobre Música Para Todos

O projecto Música Para Todos tem o objectivo de desenvolver a capacidade das instituições e dos recursos humanos dos PALOP (Moçambique e Angola) para prestar serviços de educação de qualidade na área da música, com vista à maior profissionalização do sector da música e criação de oportunidades de emprego a longo prazo.

O projecto espera contribuir para o aumento da qualidade do ensino musical em Moçambique e Angola, através do fortalecimento da capacidade organizacional e institucional dos parceiros; da criação de um projecto piloto de uma nova escola de música em Pemba; do aumento da capacidade e empregabilidade dos professores e outros profissionais na área de música em Moçambique e Angola; da criação de novos empregos no sector de ensino musical e gestão cultural, com foco nos jovens e nas mulheres ou raparigas, em particular.

Ao todo, estima-se que mil crianças poderão se beneficiar do projecto de iniciação musical e/ou ensino musical elementar/básico em Moçambique e Angola, com criação de pelo menos 40 empregos durante o seu período de implementação e 20 postos de trabalho mantidos após o fim do projecto, que deverá terminar em Junho de 2024.

Música Para Todos arrancou em Janeiro de 2022 e tem como parceiros a Escola Artística do Conservatório de Música Calouste Gulbenkian de Aveiro (Portugal), Fundação Musiarte – Conservatório de Música e Arte Dramática de Maputo (Moçambique) e Direcção Provincial de Cultura e Turismo de Cabo Delgado (Moçambique) e Fundação Hakuna Matata de Pemba (Moçambique).

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