O País – A verdade como notícia

A Associação Kulungwana vai organizar, na próxima sexta-feira, a terceira edição da Gala dos Prémios Mozal Artes E Cultura – um dos maiores eventos de premiação no sector das artes e cultura do país.

A atribuição anual dos sete prémios a jovens artistas de sete categorias – Artes Visuais, Cinema e Audiovisuais, Fotografia, Dança, Teatro, Design de Moda e Vestuário e Música – vem prestar reconhecimento por via de uma premiação aos novos talentos de diferentes domínios das artes, assumindo-se como uma marca que destaca os artistas, criadores ou intérpretes – com domínio da sua técnica e expressão, apresentando propostas coerentes, mostrando empenho profissional e pensamento original e inovador – na opinião do júri.

Os prémios têm como objectivo incentivar e divulgar os novos criadores, reforçando o apoio às suas criações e à promoção dos valores da arte contemporânea, com enfoque nos artistas moçambicanos em afirmação, entre os 21 e os 40 anos, residentes no país ou no estrangeiro, que se tenham candidatado com propostas realizadas no exercício da sua actividade, nos 18 meses anteriores à abertura das candidaturas.
Assim, portanto, sexta-feira será o dia do anúncio dos vencedores dos prémios que incluem uma distinção monetária individual de 120 000Mts, nas sete distintas modalidades.

No dia 19 de Outubro foram anunciados os nomeados para a edição 2023, uma lista de 19 nomeados no total: Artes visuais – Luís Miguel de Sousa Santos, Jorge Caetano Fernandes, Nuno Silas Fulane; Cinema e audiovisuais – André Bahule, Carlos Noronha, Leia Nhambe; Fotografia – Anésio Manhiça, Elísio Nguenha, Ildefonso Colaço; Dança – Mai Júli Machado, Osvaldo Passirivo; Teatro – Francisco Mário Baloi, Rita Silva Couto; Música – Case Buyakah, James Macamo, Xixel Langa; e Design de moda e vestuário – Amirah Celeste Pinheiro Adam, Alberto Correia Adelino, Elio Gabriel.

A poetisa Énia Lipanga vai lançar, no Camões – Centro Cultural Português em Maputo, às 17h30 desta quarta, o seu mais recente livro, intitulado “Ensaios da partida”, com a chancela da Gala-Gala Edições.

Composto por 80 páginas e 62 poemas, no terceiro seu terceiro livro, Énia Lipanga consolida, segundo uma nota de imprensa, a sua potente voz como poetisa moçambicana contemporânea. “As suas palavras, cuidadosamente tecidas, abrangem temas profundos e reflexões sobre a vida, o amor e a partida. O livro é um convite para mergulhar num mar de sentimentos e emoções, expressos através de uma poesia sem preconceitos, pouco ou nada pretensiosa”, lê-se na nota de imprensa.

Para o escritor e professor brasileiro, Lau Siqueira, que assina o prefácio, “Énia nos traz uma poesia toda configurada no acto de existir”. Avança, ainda, “é uma poesia de confrontos, de ruturas que produz e propõe para a própria vida”, lê-se ainda na nota de imprensa.

A cerimónia de lançamento do livro “Ensaios da Partida” vai contar com a apresentação do professor e escritor Lucílio Manjate, com a actuação de Beauty Sitoe e com leituras de Sandra Clifton.

Énia Lipanga nasceu 1993, em Maputo. É poetisa, rapper e activista social dedicada à defesa dos direitos das mulheres e à inclusão social das pessoas com deficiência. É mentora do sarau “Palavras São Palavras”, criado em 2012, e do movimento “Incluarte”. O seu poema, “Sou África”, inspirou, em 2019, uma linha de roupa da grife brasileira “Gdarkestampas”. Em 2018, Lipanga foi considerada uma das 10 mulheres mais inspiradoras de Moçambique, pela revista tanzaniana “Hamasa Magazine”. Publicou os livros de poesia “Sonolência e alguns rabiscos” (2019), o primeiro livro de poesia em tinta e braille de Moçambique, e “Para enxugar as nódoas dos meus olhos” (2021). É coordenadora na Associação H2n, onde trabalha, especialmente, com questões do género.

O Presidente da Comissão Nacional de Direitos Humanos diz que a Polícia tem cometido excessos nas manifestações contra os resultados eleitorais, divulgados pela CNE. Luis Bitone alerta à PRM para que pare de usar balas reais para reprimir os manifestantes.

Em entrevista ao “O País”, o Presidente da Comissão Nacional de Direitos Humanos,  Luís Bitone, disse que a Polícia tem de parar de usar balas reais para dispersar os manifestantes.

“A Polícia tem-se excedido na sua actuação, principalmente no uso de meios de persuasão. A Polícia continua a usar balas verdadeiras no lugar das que deviam ser usadas nas manifestações nas cidades, por exemplo, balas de borracha, gás lacrimogénio, algemas e outros meios alternativos ao uso da força real.”

Bitone afirma ainda que “esta não é a forma de intervenção numa manifestação urbana. Então, é importante que a Polícia se equipe em meios alternativos, para que qualquer intervenção não cause danos fatais”.
Sobre os actos de vandalismo e violência nas marchas da Renamo, Bitone chama atenção aos partidos políticos para o risco de perderem legitimidade.

Mais do que isso, a CNDH afirma que o Ministério Público deve sofisticar-se para lidar com casos de infiltrados nas marchas.
As marchas de contestação aos resultados das autárquicas foram convocadas pela Renamo, para decorrerem a nível nacional.

Por: Afonso Vaz Vassoa

Retrato de Checha Santana onde a cabeça e o coração se entendem

 

De forma propositada, componho estas linhas no Dia Mundial do Escritor, 13 de Outubro, para tentar, como se diz na gíria, “matar dois coelhos com uma cajadada”: em primeiro lugar, no geral, para voltar a reflectir mais um pouco acerca o processo criativo e o que pode motivar as pessoas a escreverem livros, independentemente da natureza e do estilo destes; em segundo lugar, especificamente, para entender e enquadrar a Checha Santana na sua natureza e no seu estilo literário, como escritora que brota de uma cidadã consciente e crítica.

Em termos gerais, acredito que o processo criativo varia de pessoa para pessoa e o seu fim, consciente ou inconsciente, é de resolver problemas e/ou satisfazer necessidades, sejam estes psicológicos ou sociológicos, materiais ou imateriais, mesmo que seja apenas para alimentar a alma e elevar o espírito.

Em conversa preliminar que tive com a Checha Santana, entendi que na sua marcha criativa – que consistiu em seguir os passos sugeridos na teoria da “Arte do Pensamento”, desenvolvida em 1926 pelo psicólogo inglês Graham Wallas –, a autora pretendeu resolver um problema (expresso implicitamente no véu das entrelinhas) e satisfazer alguma necessidade (expressa explicitamente fora do véu na jornada desta mãe ousada). Até certo ponto, com determinação e guiada por uma fé em acção, ela alcançou os dois objetivos ao compor este rico produto literário, onde, mostrando a sua natureza de humanismo – uma vez que coloca a pessoa humana no centro de todas as atenções –, se apresenta com um estilo cinematográfico de fazer a autobiografia.

Para começar a navegar na paisagem panorâmica, no conteúdo e no discurso que a Checha Santana nos apresenta em “Além do véu: uma jornada de uma mãe ousada”, arrisco-me em fazer um certo paralelismo entre esta obra e a da canadense Margaret Atwood, intitulada “O conto da Aia”. Nesta breve leitura comparada, o meu foco não é o estilo literário em si (uma vez que a Margaret se expressa num romance e a Checha, numa autobiografia), mas o objecto e a ideologia sobre os quais as duas escritoras se debruçam: em defesa e promoção da diversidade, inclusão, direitos e deveres das mulheres, bem como da redução do desequilíbrio da quantidade e qualidade de oportunidades entre homens e mulheres nas sociedades contemporâneas.

As cenas do romance “O conto da Aia”, escrito originariamente em 1985, acontecem, segundo alguns críticos literários, num futuro “muito próximo”, numa terra onde não há mais livros, jornais, revistas nem filmes. Não existem advogados, uma vez que ninguém tem direito à defesa. Nesse ambiente totalitário e caótico, as mulheres são as sofredoras pré-definidas, invalidadas por uma opressão indescritível. Com esta história apavorante, Margaret Atwood, conhecida por seu activismo social, ambiental e em prol das causas femininas, convida o leitor a reflectir sobre a liberdade, direitos civis, poder, o futuro e, sobretudo, o presente.

Por sua vez, tal como acontece em “O Conto da Aia”, as mulheres em “Além do véu: uma jornada de uma mãe ousada” também se ressentem de escassez de liberdades, incluindo a de expressão e a de escolher a sua própria trilha social e profissional.

Muito longe de se identificar como “feminista”, é nesta conjuntura de escassez de liberdades em que a Checha Santana também convida o leitor a se despir do preconceito e mergulhar no âmago do grito das mulheres que ela representa, visto que a autora se apresenta “em nome das sem voz, sem nome e sem lágrimas, isto é, cujas lágrimas pouco importam”.

Em “Além do véu: uma jornada de uma mãe ousada”, vive-se num contexto em que a Checha Santana expressa pensamentos, sentimentos e crenças através de um discurso inclusivo – onde, tanto nas relações sociais como profissionais, reconhece e respeita as diferenças biológicas entre homens e mulheres e as suas complementaridades naturais; mas, também, ao mesmo tempo, defende um ambiente de respeito pela diversidade, enaltecendo e acreditando em mulheres fortes, com capacidade e coragem para concretizar suas aspirações sem interferências bloqueadoras. Por isso, pela forma, conteúdo e discurso, a presente obra pode ser recomendada para todos aqueles e aquelas que se identificam com estas causas milenares que, cada vez mais, vão se replicando e metamorfoseando nas nossas sociedades.

Para melhor me inteirar na letra e no espírito deste livro, tive de fazer e refazer três tipos de leituras: obliqua, horizontal e de profundidade, tendo, nesta última fase, tentado tirar o véu para poder entrar na alma da escritora. Esta façanha foi relativamente conseguida não apenas através da análise do discurso constante nas linhas e entrelinhas, mas também por meio de uma breve conversa que tive com a autora sobre os reias motivos que a levaram a escrever esta autobiografia.

Na primeira fase da leitura, cingi-me em sobrevoar a paisagem que a obra nos apresenta de forma panorâmica. Neste breve processo ainda meio superficial, consegui observar colinas pintadas de cores quentes e frias, criando, ao mesmo tempo, um contraste de tonalidades e uma complementaridade fenomenal entre elas.

Depois deste exercício panorâmico e atmosférico, aproximei-me mais da obra para contemplar de perto o detalhe do seu conteúdo, porque, conforme a própria Checha Santana sustenta, “como em toda bela pintura, é necessário se aproximar para ver as pequenas rachaduras e imperfeições”. Foi neste contacto um pouco mais íntimo com o livro que percebi que a autora apresenta situações ora por detrás do véu, ora fora deste.

Por detrás do véu, encontram-se situações difíceis e bloqueadoras, como, por exemplo, “O mistério do pai ausente” e “O aroma da injustiça”, entre outras revelações que acontecem atrás da cortina, como sinónimo de obstáculos e injustiças de vária ordem, incluindo a falta de protecção e liberdade.

Estas cenas assombradas são contrastadas por outras que acontecem relativamente fora do véu, como, por exemplo, “As pequenas alegrias”, “Um pilar inesperado”, “A queda da máscara”, entre outras, como sinal de esperança e superação.

Esperança e superação são virtudes que a escritora sugere aos leitores, no sentido de que não se deve perder muito tempo e energia pensando nos problemas, mas na busca de soluções. Aqueles devem servir apenas como lições e uma espécie de alavanca para o alcance de algo melhor.

É por isso que, já na fase de entender o verdadeiro conteúdo desta proposta literária, ficou claro para mim que a autora, mais do que mero prazer de expor a sua história, pretende que esta sirva de fonte de reflexão e inspiração para outras mulheres e a sociedade em geral. É com este propósito que ela afirma, numa das passagens, em jeito de relativo alívio, o seguinte: Agora, olhando para trás, percebo que cada desafio, cada obstáculo e cada lágrima foram fundamentais para moldar a mulher que sou hoje. E espero que a minha história inspire outras mulheres a abraçar seus desafios, acreditar em si mesmas e encontrar força mesmo nas circunstâncias mais adversas.

Como já me referi, depois das fases de leituras panorâmicas e de conteúdo, senti a necessidade de submergir um pouco mais na obra, analisando o discurso e recorrendo, inclusive, às entrelinhas, por estar ciente de que seria importante ter em conta a intenção dissimulada na comunicação da Checa Santana, porque, geralmente, como já fiz menção em análises literárias anteriores, existe o “não-dito” numa obra, algo que fica por detrás ou no fundo da mensagem explícita.

A minha tentativa de analisar o discurso nas entrelinhas do “Além do véu: uma jornada de uma mãe ousada” faz-me inferir que a autora, ao escrever este livro, tal como acontece em muitas obras de cunho sócio-cultural, usa as categorias do discurso com um certo relativismo, pois os valores do bem e do mal, da novidade e antiguidade, da grandeza e pequenez, da beleza e feiura, da causa e efeito, bem como do maléfico e benéfico de um ser, acto ou fenómeno só podem ser comparativamente mensuráveis a partir de circunstâncias, referências e contextos de indivíduos e sociedades.

Com estas últimas reflexões asserções, pretendo inferir que foi na análise de discurso que entendi que, no livro, a Checha Santana nos apresenta um retrato em que o coração e a cabeça se entendem, porque a autora tenta equilibrar a emoção e a razão. Além disso, esta obra ostenta todos os órgãos dos sentidos, incluindo o sexto, o que faz com que o leitor sinta a magia de usá-los quase em simultâneo enquanto lê, visto que as cenas aqui contadas e cantadas têm aromas, sabores, sons e intuições; são audíveis, visíveis e tacteáveis de forma explícita e implícita, isto é, sem véu e por detrás do véu.

Maputo, 13 de Outubro de 2023

No próximo dia 11 de Novembro, quando forem 15 horas, na Serpente – Galeria de Arte Contemporânea, na Cidade de Porto, em Portugal, Miguel César vai lançar o seu romance Geba – onde o Tâmega desaguou no Índico.

A oportunidade de lançar o seu livro em Portugal, de acordo com o escritor, surgiu, por um lado, porque o romance abordada um tema que muitos tentam fazer esquecer. Por outro, a forma como a trama é conduzida causou interesse da editora. “Amigos enviaram os contactos e fiz chegar um resumo a algumas editoras e a Editorial Novembro de imediato quiz ler o livro e publicá-lo. Foi uma busca que consumiu três anos”, revela Miguel César.

Assim, Geba – onde o Tâmega desaguou no Índico será apresentado aos portugueses por Vasco Malaquias de Lemos, depois de ter sido apresentado aos leitores de Maputo e Beira, numa chancela da editora Fundação Fernando Leite Couto.

Em geral, o romance de Miguel César retrata uma história de amor, entre Augusto e Alice. Através destas duas personagens, o escritor explora vários temas actuais, como a migração, o racismo, a miséria, o movimento campo-cidade e a intolerância social motivada por determinadas diferenças entre os homens. Trata-se aqui de um livro sobre incertezas, sobre a condição do ser humano, quando confrontando por adversidades e ambiente hostil.

Na Serpente – Galeria de Arte Contemporânea, na Cidade do Porto, a cerimónia de lançamento do livro vai acontecer uma hora antes da inauguração da exposição individual Dos feitiços aos encantamentos. “Eu já tinha agendado a exposição de desenhos desde 2020 e a editora sugeriu juntar o lançamento à abertura da exposição”, acrescentou o escritor e artista plástico: “Para mim, é uma experiência não vivida, nova. As expectativas são boas, mas deixo correr e mais à frente logo se verá”.

A base da individual Dos feitiços aos encantamentos é o papel de vários tipos e espessuras. “Os desenhos transmitem as minhas visões e interpretações das pessoas, dos locais e dos interiores de cada um”.

Em termos de técnica, os desenhos da mostra de Miguel César resultam da utilização de canetas de tinta da China, tinta acrílica, pincéis e rolos. Assim, o artista construiu os mundos que lhe perseguem. Daí o titulo Dos feitiços aos encantamentos.

A artista multidisciplinar moçambicana, Withney Sabino, vai participar na sessão “Juventude do Sul global: tornando suas vozes audíveis”, do fórum “Nosso futuro: diálogos África-Europa”, a realizar-se nos dias 3, 4 e 5 de Novembro, nas Maurícias.

De 3 a 5 de Novembro, o Instituto Francês em Paris e o Instituto Francês das Maurícias e os seus parceiros locais irão realizar um fórum de debate público-regional, nas Maurícias. A inicitiva será a quarta de uma série de nove fóruns regionais África-Europa, que terão lugar nos próximos três anos, no continente africano.

Assim, no fórum “Nosso Futuro: diálogos África-Europa”, a artista Withney Sabino terá a oportunidade de trocar impressões sobre questões de interesse comum à juventude do Sul global. Afinal, o encontro intercontinental pretende promover uma discussão renovada e honesta entre os dois África e Europa e colmatar diferenças, de modo que em conjunto se encontre soluções para desafios partilhados.

Nesta sua primeira vez nas Maurícias, além da ansiedade inerente à busca do conhecimento do local que considera “bela ilha do Índico”, Withney Sabino espera trocar e confrontar as suas ideias e experiências com a juventude, num encontro de três dias, subordinado ao lema “O horizonte além das fronteiras”.
No evento, portanto, a artista vai participar na sessão com o tema “Juventude do Sul global: tornando suas vozes audíveis”, que visa reflectir sobre como os jovens do Sul global podem tornar suas vozes audíveis e capazes de gerar impacto nos seus países, no continente e no mundo.

Para a artista, o fórum “Nosso futuro: diálogos África-Europa” é fundamental porque: “Estes encontros são uma oportunidade incrível de intercâmbio cultural. Ter a oportunidade de aprender da liderança e das experiências de outros contextos, abre espaço para repensar as nossas acções, para inovar e sem dúvidas. As conexões globais transformam as vidas de quem participa a nível profissional, mas também individual”, defendeu.

Antes do fórum “Nosso futuro: diálogos África-Europa”, agendado para Maurícias, realizaram-se três, respectivamente, em Joanesburgo (África do Sul), Yaoundé (Camarões) e Argel (Argélia). O evento das Maurícias vai promover as recomendações feitas na sequência da Nova Cimeira África-França (Montpellier, 8 de Outubro de 2021).

Withney Sabino é uma jovem líder de 28 anos, defensora dos direitos das mulheres e raparigas. É artista moçambicana multidisciplinar. Activista dos movimentos feministas, é apaixonada por orientar e treinar mulheres e meninas em liderança e participação activa. Para além de ter passado pelo curso de Ciência Política, na Universidade Eduardo Mondlane, teve oportunidade de ser formada e apresentar o seu trabalho em Portugal, França, Estados Unidos, Espanha, Quénia, Etiópia, Costa do Marfim, Inglaterra e África do Sul.

Como activista e facilitadora de acções formativas, capacitou mais de 2500 mulheres e raparigas em matérias de participação política e cidadania, mentoria e liderança transformativa de género, resiliência e liderança em contexto de crise humanitária. Foi chefe do Departamento de Género do Conselho Nacional da Juventude de 2014-2020.

A nível continental, Withney Sabino foi uma das 10 jovens líderes seleccionadas para “The Africa We Want”, uma sessão TedTalk da ONU Mulheres África na Costa do Marfim, em 2019. Representou a juventude moçambicana no grupo de referência de jovens líderes africanos no contexto da Revisão da Declaração de Pequim +25.

Desde 2020, é membro do comité directivo da AWLN (African Women Leadership Network) – Mozambique Chapter, uma iniciativa continental coordenada pela União Africana, ONUMulheres e Gabinete da Enviada Especial de Mulheres Paz e Segurança. No âmbito desta rede, lidera o seguimento de Moçambique.

A nível global participou do Labcitoyen em Paris, e, em 2022, foi oradora do painel de feminismos no Fórum Imaginando os Futuros de África (IFA), na série Diálogo África-França.

No âmbito da Geração Igualdade, campanha global das Nações Unidas, coordenou o engajamento de jovens líderes moçambicanos no Fórum Geração Igualdade, em 2021, e liderou a sessão de interacção entre jovens de todas as províncias e a Sub-secretária Geral das Nações Unidas e Directora-Executiva da ONU Mulheres, no âmbito da sua visita a Moçambique. Ainda no contexto desta campanha, em 2022, liderou a organização da 1ª Consulta Nacional da Juventude sobre Género e mudanças climáticas a caminho da COP27.

Actualmente lidera a iniciativa Manas, a primeira revista social e feminista moçambicana, uma plataforma física e digital que coloca a inovação e a tecnologia ao serviço da igualdade de género. Através da Manas e com o apoio do FUNUAP, FDC e Coalizão da Juventude Moçambicana, concebeu o Cantinho da rapariga, espaço na Manas onde raparigas de diversos cantos do país contam suas estórias de sucesso e de luta. Paralelamente, actua como formadora e consultora em género, participação política e liderança.

 

 

 

 

 

 

 

“Assim não, Senhor Presidente” é a nova obra literária de Ungulani Ba Ka Khosa, lançada ontem, na Cidade de Maputo. O romance conta histórias sobre as diferenças sociais.

Inspirado pela terra que o viu nascer, no dia-a-dia, no desenrolar dos acontecimentos e na construção social, Ungulani Ba Ka Khosa reflecte em obra sobre a empatia e as relações sociais.

Com personagens diversificados, Ba Ka Khosa diz que, na obra, quis apenas reflectir, em narrativa, sobre a realidade social moçambicana, tendo em conta as diferenças existentes.

“Assim não, Senhor Presidente ” tem 204 páginas e foi chancelada pela Alcance Editores.

Esta quinta-feira, às 18h00, o Camões – Centro Cultural Português em Maputo promove uma conversa presencial entre os escritores Mélio Tinga e Cláudia Lucas Chéu, vencedores da edição 2023 do programa de intercâmbio literário em Lisboa e em Maputo.

A conversa tem como tema “Residência Literária Maputo/Lisboa: principais desafios e concretizações” e vai contar com a moderação do jornalista, crítico e escritor José dos Remédios.

Criado ao abrigo do protocolo de cooperação celebrado entre a Câmara Municipal de Lisboa (CML) e o Camões – Instituto da Cooperação e da Língua, através do Centro Cultural Português em Maputo, o programa anual de incentivo à criação literária e aposta na internacionalização da cultura destina-se a escritores de nacionalidade moçambicana e portuguesa com obra publicada e que pretendam desenvolver um projecto de criação literária.

A Cidade de Maputo vai acolher, de 20 a 26 de Novembro de 2023, a 10ª edição do KINANI – Bienal Internacional de Dança Contemporânea. Trata-se de uma edição festiva, que recebe, por isso, a programação da Bienal de Dança em África – Biennale de la Danse em Afrique, em diferentes centros culturais e espaços alternativos da capital do país.

De acordo com a comunicação do evento, o elenco de curadoria do KINANI, junto com a Bienal de Dança em África, seleccionou uma variedade de propostas concebidas sem imposição em termos temáticos, com o objectivo de estimular a liberdade de expressão artística e oferecer espaço de visibilidade a diferentes abordagens num ambiente aberto.

Na Cidade de Maputo, o festival vai apresentar peças de companhias e a solo, com performances que ilustram e valorizam a equidade de género e dimensão regional e territorial. As obras são o resultado de actividades de pesquisa e de residências criativas.

Moçambique, África do Sul, Mali, Nigéria, Tanzânia, Cabo Verde, Angola, Marrocos e Madagáscar são os países convidados para esta bienal que vai transformar a cidade das acácias na capital africana da dança e da arte contemporânea.

Os espectáculos serão apresentados na Praça da Independência, Jardim Tunduru, Centro Cultural Franco-Moçambicano, Teatro Avenida, Centro Cultural Moçambique-China, Cine-Teatro Scala, Sé Catedral de Maputo, Correios de Moçambique, Cine África, 4ª Andar e Bairro Polana Caniço.

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