O País – A verdade como notícia

No dia em que celebra 136 anos de existência, a Cidade de Maputo ganhou um novo mural, pintado por artistas nacionais, na Avenida Marginal. O mural, fruto da colaboração entre a Khuzula e os artistas Sebastião Coana, Butcheca, Chris, Pokito, Left Hand e Psiconautah visa enriquecer o cenário artístico local.

A iniciativa tem como objectivo principal a criação de mais pontos turísticos na cidade, promovendo ainda mais intercâmbios culturais e fortalecendo a narrativa por trás da ideia de tornar Maputo uma cidade criativa.

O mural é a segunda fase dessa importante missão, após a inauguração de outro mural em homenagem aos icónicos músicos, Fany Pfumo, Madala e Zena Bacar, fixado nos pilares do Viaduto Alcântara Santos.

Com propósito de transformar espaços urbanos e estimular a criatividade por meio da arte, o projecto busca encantar e inspirar tanto visitantes quanto a população local. O trabalho dos artistas envolvidos carrega traços únicos e expressões artísticas diversos, o que resulta em uma obra de arte multicultural e cativante.

“Este projeto é uma prova do compromisso da Khuzula em promover a cultura e a arte como importante ferramenta de desenvolvimento e turismo. Esperamos que esse novo mural se torne um marco na cidade e atraia visitantes de todo o mundo, enriquecendo a experiência cultural e fortalecendo a posição de Maputo como um destino criativo”, lê-se na nota de imprensa.

Recentemente, foi assinado um memorando de entendimento entre o Conselho Municipal e a Khuzula, que preconiza a realização de diversas actividades e a segmentação de criação de uma dinâmica cultural e turística na Cidade de Maputo, facto justificado pelas actividades de carácter criativa que são realizadas ao nível da cidade.

 

 

“Outros olhares inefáveis” é o título da segunda individual de Walter Zand, este ano. A mostra de artes plásticas foi inaugurada esta quinta-feira, na Galeria da Associação Kulungwana, na Cidade de Maputo.

Ao fim de cinco anos a tentar expor na Galeria da Associação Kulugwana, no terminal dos Caminhos de Ferro de Moçambique, na Cidade de Maputo, Walter Zand finalmente conseguiu a oportunidade de lá apresentar as suas obras. Na verdade, para a individual “Outros olhares inefáveis”, o artista plástico precisou apenas de duas semanas para preparar e finalizar a mostra que une pintura e desenho num registo particular.

Abordando o complexo tema do amor, Walter Zand propôs-se projectar uma exposição que, fundamentalmente, tenta apresentar as vantagens e os prejuízos do sentimento, afinal, muitas vezes inefável. “Este é um convite à reflexão, em relação ao amor”, começou por dizer, realçando a dificuldade de explicar o conceito daí consequente. “Nesta exposição, estou a tentar exprimir o que está no meu íntimo”.

Para a individual, Walter Zand combinou diferentes técnicas na composição, quer das suas pinturas, quer dos seus desenhos. Por exemplo, carvão e acrílico sobre tela. Assim, o artista conseguiu questionar a subjectividade do amor e a sua validade numa época em que o país enfrenta uma situação particular em termos sociopolíticos. “Estamos numa situação não muito boa. Acho que as pessoas precisam de pensar algo diferente destes barulhos. Acredito que a arte tem esta particularidade de trazer uma lufada de ar fresco para este ambiente que está um pouco pesado”.

Na Galeria da Associação Kulungwana, a mostra de Walter Zand conta com a curadoria de Sara Carneiro. “Acho que esta exposição nos traz o clássico do Walter Zand. Ele não nos desilude e supera as nossas expectativas em termos da capacidade de apresentar aspectos emotivos através de coisas inefáveis. Ele não se limita e cruza técnicas, o que nos faz sentir várias camadas nas suas obras”, afirmou Sara Carneiro.
A nova individual de Walter Zand, “Outros olhares inefáveis”, pode ser visitada na Galeria da Kulungwana até 15 de Dezembro.

 

 

A Câmara Brasileira do Livro (CBL) divulgou, na tarde de ontem, a lista das obras semi-finalistas da 65ª edição do Prémio Jabuti, a mais importante premiação nacional do livro e referência no mercado editorial brasileiro.

Segundo uma nota de imprensa da Editora Trinta Zero Nove, das 4.245 obras inscritas, foram seleccionados 10 semi-finalistas para cada uma das 21 categorias, que são distribuídas em quatro eixos: literatura, não ficção, produção editorial e inovação.

Assim, a Editora Trinta Zero Nove consta na lista dos semi-finalistas na categoria Livro Brasileiro Publicado no Exterior do eixo produção editorial com os seguintes títulos: “Caderno de rimas do João” e “Caderno sem rimas da maria”, de Lázaro Ramos, e ilustrados por Maurício Negro. Estes livros infanto-juvenis são uma ode do autor aos seus filhos, João e Maria, com neologismos e mensagens para inspirar auto-estima e valorização nas crianças negras; “O cabelo de Cora”, da autoria de Ana Zarco Câmara, e ilustrado por Taline Schubach, um livro que, segundo a autora, não é sobre princesas, fadas, bruxas, monstros, animais que falam, super-heróis ou lendas de folclore, mas busca antes reafirmar a beleza dos cabelos crespos.

Publicadas no Brasil, entre 2016 e 2018, pela Pallas Editora, as mesmas foram publicadas pela Editora Trinta Zero Nove em 2022 em edições bilingues de Português e Changana, Sena e Macua.

Hubert Alquéres, curador do prémio, citado na nota de imprensa da Trinta Zero, diz: “Chegar aos dez melhores em cada categoria não foi uma tarefa fácil, diante da grande qualidade das obras inscritas. O júri enfrentou o desafio com competência e nos entrega uma lista admirável”.

Os projectos conjuntos da Pallas Editora e da Editora Trinta Zero Nove são os únicos infanto-juvenis da lista, além de únicos projectos em línguas Bantu e concorrem com sete romances e obras de não ficção publicados no Médio Oriente, EUA, Itália, Portugal, Argentina e Reino Unido.

A reacção de Lázaro Ramos, numa mensagem de áudio enviada para Sandra Tamele, foi mais emotiva: “Que coisa mais linda… Eu soube agora, estou muito feliz. Parabéns, parabéns, parabéns… Estou muito feliz com este projecto”, lê-se na nota de imprensa da Editora Trinta Zero.

Já Ana Zarco Câmara, disse: “Parabéns para nós! Que notícia mais querida. Tenho que processar na mente. Viva Cora! Viva a Trinta Zero Nove e as nossas crianças!”, pode-se ler na mesma nota.

Os finalistas serão conhecidos no dia 21 deste mês, sendo cinco em cada categoria. Os vencedores – o que inclui o título de Livro do Ano – serão apresentados ao público na noite de 5 de Dezembro, num evento no Theatro Municipal de São Paulo.

 

Por: Huwana Rubi

Não é comum, no nosso meio literário, onde a crítica das artes parece hibernada na mesma cápsula onde o País se faz letargo, lermos dois exaustivos ensaios sobre a mesma obra, com os dois a convergirem na importância que a atribuem, ressaltando a sua relevância literária, neste caso, o facto de, “neste romance, a ficção e a história são habilmente combinadas.”, citada a co-autoria da Professora Ana Mafalda Leite.

Mais do que um simples reconhecimento da qualidade literária, um dos ensaios, “O insólito ficcional na narrativa moçambicana contemporânea: leituras de saga d’ ouro, de Aurélio Furdela”, do destacado estudioso brasileiro João Olinto, se mostra revolucionário no olhar que faz sobre a literatura moçambicana, a colocar no mesmo patamar de amadurecimento literário a prosa do escritor Aurélio Furdela, ao lado de Ungulani Ba Ka Khosa e Mia Couto, ao considerar:

“Decorre que, embora em períodos anteriores a prosa tenha apresentado obras que contavam sobre a realidade do – à época, colônia portuguesa – território moçambicano – a exemplos de obras como Godido, de João Dias; ou Nós Matamos o Cão-Tinhoso, de Honwana (TRINDADE JR, 2019) –, eram experimentações esporádicas, em detrimento da vocação dos moçambicanos para serem uma “pátria de poetas” (NOA, 2007, p. 284). Assim, a prosa passa por décadas até atingir o amadurecimento de um Ba Ka Khosa, um Mia Couto e, apontamos aqui, um Aurélio Furdela.”

Aurélio Furdela dizia há dias que neste preciso mês de Novembro completa 20 anos de publicação em livro, quero acreditar agora que terá motivos bastantes para celebrar: parabéns escritor!

A coreografia “Vagabundus”, de Ídio Chichava, será apresentada no Festival Souffle, próxima semana, na Ilha Reunião. O espectáculo é um exercício particular sobre a expressão do corpo e também será apresentado na bienal Kinani, dia 23.

Nos próximos dias 14, 15, 16 e 17 deste mês de Novembro, o espectáculo de dança “Vagabundus”, de Ídio Chichava, será apresentado nas cidades de Saint-Pierre e Saint-Denis, na Ilha Reunião.

Depois estreia na Bulgária, ano passado, a obra de Ídio Chichava será apresentada no Festival Souffle. Com a participação, o coreógrafo e os 13 bailarinos que viajam ao território francês, no Oceano Índico, têm expectativas altas, “Porque lá teremos uma espécie de aquecimento para apresentação no Kinani, em Moçambique. Além disso, estamos conscientes de que as as nossas futuras apresentações dependem do que faremos na Reunião”.

Para Ídio Chichava, levar “Vagabundus” a Ilha Reunião é uma oportunidade para provar que Moçambique continua com capacidade de exportar coreografias de dança ou cénicas de qualidade. Também por isso, Chichava entende que a participação no Festival Souffle, mais do que um reconhecimento, representa uma luta da Yodine, da Converge + e dos bailarinos, que consiste em sublinhar que é possível viajar com peças nacionais para o estrangeiro”.

“Vagabundus” é uma coreografia com 70 minutos de duração. O espectáculo estreou no Festival One Week Dance, na Cidade de Plovdiv, na Bulgária, ano passado. Até aqui, a versão final do espctáculo ainda não foi apresentada em Moçambique. A estreia em Maputo está maracada para dia 23 deste mês, no Grande Auditório do Centro Cultural Moçambique-China. “Espero que consigamos ter mil pessoas a ver ‘Vagabundus’, a sala tem capacidade para tantas pessoas, e mostrarmos que a dança moçambicana está viva e recomenda-se”, afirmou Ídio Chichava, durante o intervalo do ensaio desta quinta-feira.

A coreografia de ídio Chichava levou seis meses a preparar, pois Ídio Chichava esmerou-se em trabalhar experiências do corpo de cada bailarino, sem esquecer as suas tradições e as suas influências. Segundo o coreógrafo explicou, os bailarinos que fazem “Vagabundus” pretendem, através de movimentos coordenados, mostrar que em Moçambique existe a criação de vocabulários próprios, através da dança.

 

Por volta de 1995 tinha eu já a idade de homem, embora fosse o mais novo de casa e fosse vivo nessa altura o meu pai. As aldeias que nos circundavam, as quais entrávamos como suspeitos de algum crime e saíamos como se voltássemos de uma festa, tinham um aspecto à primeira vista silencioso, porém de pândega para quem olhasse com olhos de ver; mesmo que nos rostos de quem os habitasse vivesse pendurada uma lágrima. Destas lágrimas preguiçosas para cair. Anos mais tarde – era eu uma espécie de rato de biblioteca – vim a saber que aquele bairro que nos circundava – e que se encolhia ao nascente e se reanimava ao sol poente – era, afinal, um campo de refugiados. A guerra já havia terminado, é verdade. A paz nem tanto. Cada um daqueles habitantes que vinham à distância de dias e noites intermináveis tinha algures um morto por enterrar e, quem sabe, um pecado inconfessável.

As manhãs começavam com música na casa do meu pai. A menininha trazia água numa bacia metálica e pousava-a sobre a mesa. Quem me dera se eu lembrasse o seu rosto. A garotinha de idade pouco maior que a minha, mas demasiadamente inferior à do meu irmão mais velho, mesmo que só dois anos nos separassem, era solícita e vívida. Sob suas mãos, o chá escorria quente e fumegante para dentro da chávena que retinha o olhar do meu pai. A menina havia entrado pela porta de casa agarrada pelo ombro de minha mãe, que a havia encontrado algures vagamundando.

Eu podia esquecer de tudo, menos o cheiro de um pão. O cheiro da menininha esqueci, como esqueci o cheiro da casa, a cor daquele mar particular que eu via da janela, a areia que se deixava antever de longe e as palavras que pronunciavam os bêbados nos seus circos nocturnos, esquecidos da sede da matança e da fruição do medo. Sucedeu, porém, que por razões que até hoje ignoro, e que eram ainda mais confusas ou banais na altura, a meninha punha-se sempre a chorar quando fosse pontualmente dezassete horas. Daí a trinta minutos chegaria o meu pai, mão tomada por um cigarro e outra ocupada por um novelo que escondia um cesto de peixe, reclamando da severidade das ondas e da palidez que o legava a água do mar. Nunca me acostumo a essa vida – dizia. Mas no minuto seguinte era eu quem fungava e jurava aos deuses não ser capaz de tocar um fio que fosse da menininha. Não importa, o jantar estava servido. A minha mãe voltava do mercado puxando pelo braço do meu irmão. Havia sempre mais um jantar sobrando para mim.

Como eu frequentasse as aulas no período da manhã, passava toda a tarde em casa com a menina, brincando de ajudar nas tarefas domésticas. Antes de descascarmos a batata doce ou pôr de molho as folhas da aboboreira, fazíamos viagens em batéis de lata de atum, nadávamos no mar raso das folhas das mangueiras e baloiçávamos na imaginação de um dia poder vir a ter baloiços. No entanto, mal o começasse o sol a por-se e, meticulosamente calculado, a menina desatava ao choro, apontando-me com o seu indicador todas as culpas. A princípio não percebi nada, como na verdade nunca cheguei a perceber. Por dias longos, chegava o meu pai as dezassete e trinta, a mão tomada pelo cigarro e na outra o chinelo cantava.

Em “Talpa” de Juan Rulfo extraído de “El Llano en llamas”, a Virgem do Santuário de Talpa é um símbolo religioso destinado a curar os enfermos e outros problemas. Natália aventurar-se-á para aqui, guiada por um peregrino, para cumprir uma promessa. Tanilo está doente e é a ele que interessa salvar. Entretanto, é enterrado ali, com a sepultura cavada à mão, sem que ninguém ajudasse. A viagem é em suma um pesadelo, contudo Natália não derrama uma única lágrima. Talvez não a afligisse o luto, mas chegados a Zenzotla, percorridos dias e léguas de viagem, ao ver a mãe Natália despontou a chorar como se precisasse de algum consolo.

Não me cabe a mim – hoje – reflectir acerca do infortúnio de Natália ou sobre a narrativa de Juan Rulfo. Nossa terra ainda carregava a cor de chumbo. A menininha podia ser tão vítima quanto vilã, como mais tarde descobrimos em Talpa. O que sei, porém, é que um dia a minha mãe regressou mais cedo e pôs-se em tocaia algures próximo de casa. Claro, que desconfiava que alguma coisa não ia bem. Não tardou que as aves se pusesse em direccão ao sol poente e a menina ligasse a corda do seu choro, eram precisamente cinco da tarde. O choro durara os exactos trinta minutos até que no ar flutuasse o fumo de tabaco do meu pai. A minha mãe no camarote assistia àquele ensaiado ballet de lágrimas. Quando o chinelo ia começar outra vez a cantar…

Os meus pais estavam envergonhados, acreditaram por longos dias que eu tivesse violentado a menina, que fora o infantil carrasco, quando eram lágrimas de invenção. Se calhar ela não se sentisse confortável separada da sua família ou tivesse, quem sabe, motivos piores. Ninguém conhece a verdadeira dimensão da dor. A precisão com que a garota domesticava o choro, a sua duração matemática, a arte de compadecer o outro. Isso me fez acreditar que não há nada tão efémero como a felicidade, porque por mais que pudéssemos inventá-la nunca nos sairia tão perfeita e duradoira como a tristeza daquela pequena actriz da vida. Os refugiados de guerra retornaram cada um à sua maneira e nunca cheguei a vê-los chorar.

Próxima terça-feira, às 18h00, o Camões – Centro Cultural Português em Maputo vai inaugurar a exposição colectiva “Obra dádiva”, organizada pela Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto (FBAUP) por ocasião do oitavo Encontro Internacional sobre Educação Artística, que se realiza na Escola de Comunicação e Artes da Universidade Eduardo Mondlane (ECA-UEM), de 15 a 17 de Novembro (8º Encontro Internacional sobre Educação Artística.

O encontro envolve docentes e investigadores da CPLP, particularmente de Moçambique — da ECA-UEM, da Universidade Pedagógica (UP), do Instituto Superior de Artes e Cultura (ISArC), e da Escola Nacional de Artes Visuais (ENAV).

A exposição “Obra dádiva” é comissariada por Paulo Luís Almeida, artista plástico e Professor Associado da FBAUP e director da sua Unidade de Investigação. A exposição apresenta cerca de 50 trabalhos originais, todos eles produzidos em papel. São autores professores da FBAUP e estudantes de pós-graduação da FBAUP e um pequeno grupo de autores de Moçambique, que, com o ‘movimento intercultural Identidades’, se têm cruzado.

Reconhecidos como Identidades, movimento intercultural, grupo de professores, artistas ligados à Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto (FBAUP), estabeleceram, a partir de 1996, em Moçambique, laços de partilha artística e cultural.

Por: Huwana Rubi

Gonçalves Patrício para os afáveis ( Djogorro) é um nome sonante no panorama literário Moçambicano vem se consolidando através do seu legado e densidade que os seus escritos emanam. De fala mansa, disciplinado talvez pela sua profissão de coronel e também poder-se-á dizer um “zambeziano de gema” demostra no seu livro “As conversas de Nhamacata” um nicho de contos com alguns guinchos tais como memorias vagas da terra que lhe passou o “feitiço” das historias que vivenciou e de personagens disparas. O curioso do nome Nhamacata é que na província de Sofala pejorativamente reconhecida na tradução portuguesa como “homens-catanas” malfeitores que jazeram por aquelas jeremiadas. Entretanto o presente titulo do livro tem origem sobre a localidade de Nhamacata, um dos embriões da província da Zambézia.

O nicho
Trata-se de um livro que cotem vinte e dois riquíssimos contos, os retratos que carregam “historias” tais como, A chegada, João não treme, O cão de Nhamacata, Estou a vir, Ladrão de sutiã, Pegadas vagabundas.
O autor também nos remete a outros aguçares como o mistério das cores, estórias que remetem ao leitor o mais íntimo sentimento, claro com o mérito da naturalidade discretiva do autor. Os textos como, Assim há-ser, Zefa, Jamy, A chuva de setembro, são alguns dos contos que carregam consigo a lareira acesa que o autor descreve quase que em forma de provocação.
Outros temas tais como Ave Maria, Covid-19, A mesa da revolução, A ultima rede de tempo, suscitam temas contemporâneos, temas que nos chamam a uma reflexão, atiçando ao leitor um momento “Deja vu”, em que o por do sol é inesperado mas também pode ser atemporal.

“O caminho das nuvens”
Um conto que transborda poesia numa situação caótica em que uma personagem vivera.
Djogorro com a sua caneta faz uma pincelada, com seguimento das diretrizes do maior escultor Michelangelo, onde a escultura é ciência e técnica ela é crua e bela, eloquente, como a melodia e finura da quinta sinfonia do Beethoven e nota se nestas notas:

“Ao atingir o cume da montanha, essa única nuvem desceu quase a sua altura. Podia toca-la. Era de um vapor frio que se movia preguiçosa. Esta envolveu o seu corpo como se quisesse reconhece la e num enlace carinhoso guiou-na pela estrada que terminava no desfiladeiro. Estava tensa. São poucos os que haviam apalpado uma nuvem igual a ela. Se fosse os que haviam apalpado uma nuvem igual a ela. Se fosse a contar as pessoas veriam nela alguma demência. As nuvens não convivem com os homens há sempre uma distância que os separa. Quado muito são apeladas durante a estiagens, nos versos românticos dos namorados ou na dúvida de um insano (…)
Por isso, deixou se transportar, qual pena quieta nas gotículas das nuvens”.

Djogorro na sua maestria do livro remete nos a outros grandes nomes como o Alan Poe, no seu manuscrito “o corvo” e com a mesma intensidade de um expressionista abstrato como o Jackson Polloch, evidencia o belo que sai de um perfecionalíssimo exacerbado em que o talento e a técnica confundem se com a majestade da obra.

 

 

O Governo decidiu alocar brigadas do Conselho de Ministros para províncias com eclosão da cólera a partir da próxima sexta-feira. A informação foi partilhada, ontem, pelo Executivo, que revelou ainda a celebração de um acordo bilateral com Zimbabwe para cooperar na gestão dos recursos hídricos.

Arnosso Cuco
O País

Em mais uma sessão do Conselho de Ministros, realizada esta terça-feira, na capital do país, o Executivo disse que vai enviar brigadas para as províncias com eclosão de cólera como é o caso da Zambézia, Tete, Nampula e Cabo Delgado.

“Por causa da necessidade de uma abordagem mais expressiva e mais abrangente sobre a questão do lançamento da época agrária, foram despachadas brigadas do Conselho de Ministros, que poderão fazer a partir de sexta-feira desta semana”, avançou Filimão Suazi, porta-voz do Conselho de Ministros.

Nesta terça-feira, o Governo aprovou uma resolução segundo a qual Moçambique chegou a um acordo com Zimbabwe para a gestão de suas bacias hidrográficas.
“Foi aprovada a resolução que ratifica o Acordo Bilateral entre a República de Moçambique e a República do Zimbabwe, sobre o estabelecimento da Comissão das Bacias Hidrográficas do Búzi, Púnguè e Save, celebrado em Harare, Zimbabwe, no dia 17 de Maio de 2023.”

A resolução que ratifica o Acordo Bilateral entre a República de Moçambique e a República do Zimbabwe, sobre o Acolhimento do Secretariado da Comissão das Bacias Hidrográficas do Búzi, Púnguè e Save, foi celebrado em Harare, Zimbabwe, no dia 17 de Maio de 2023”, avançou.

O Conselho de Ministros aprovou, ainda, o regulamento de equivalências e homologação dos graus e títulos académicos adquiridos no exterior e no país.

De acordo com o Executivo, o decreto visa ajustar as competências de Equivalências e Homologações de Habilitações de todos os tipos e níveis de ensino obtidos no país; sanar as lacunas existentes no que concerne aos requisitos para as equivalências e homologações; aglutinar, num único instrumento normativo, os conteúdos sobre a matéria, dispersos em vários instrumentos normativos, por forma a permitir que a tramitação de um expediente do pedido de equivalência ou homologação seja mais célere e exequível, quer para o sector administrativo do Instituto Nacional de Exames, Certificação e Equivalências (INECE), quer para os cidadãos, instituições, entidades e os demais interessados que pretendam fazer valer os seus direitos previstos no Regulamento.

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