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O País – A verdade como notícia

O habitual cruzamento de artes e cultura moçambicana e brasileira cedeu às obras por cinco meses no Centro Cultural Brasil-Moçambique. Hoje, o espaço dedicado à promoção das manifestações culturais dos dois países, há vinte e oito anos, reabriu.
A parte de fora está renovada, novas cores fazem um mosaico que nos transporta para onde o espaço sugere: Brasil. Mais as profundas obras aconteceram no seu interior. Uma das grandes novidades é a criação de um auditório que não podia ser baptizado por outro nome, senão de um dos maiores poetas brasileiros e da CPLP, Vinícios de Morais.
Coube ao Ministro de Relações Exteriores do Brasil, Aloysio Nunes Ferreira, proceder a reabertura do centro e a inauguração do auditório, o espaço que acolheu a primeira parte do evento.
Além do ministro brasileiro, o evento teve presenças ilustres de figuras do campo político, académico e cultura, destacando o Ministro dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Oldemiro Baloi; o embaixador do Brasil, Rodrigo Baena Soares, reitor da Universidade Politécnica, Jorge Ferrão; entre outros.
Um dos momentos mais altos do evento foi a condecoração da escritora moçambicana Paulina Chiziane com o diploma de Ordem do Cruzeiro do Sul por parte do governo brasileiro.
Trata-se de uma ordem constituída logo após a independência do Brasil e que invoca uma estrela vista lá do Brasil. “Com esta constelação a senhora (referindo-se a Paulina Chiziane) é uma estrela brilhante que cultiva a língua portuguesa, que no seu trabalho procura dar voz as pessoas mais humildes, mais frágeis. Além disso, é uma militante das causas da paz”, justificou a distinção o ministro brasileiro.
Paulina Chiziane, visivelmente emocionada, disse, na ocasião, que em momentos como esses é frequente perguntarmo-nos quem somos, donde viemos e para onde vamos. Assim começava um discurso longo e carregado de muita convicção: “muitas vezes, eu tenho o hábito de dizer vim do chão, vim de lugar nenhum, caminhei pelo mundo e cheguei. Mas não caminhei sozinha. Há muita gente que comigo caminhou ao longo dos dias da minha escrita”. A posterior Chiziane agradeceu o governo brasileiro que lhe colou num pedestal mesmo vindo de lugar nem e mesmo sendo negra. Nesses agradecimentos a escritora não esqueceu ao povo moçambicano, justificando que lhe deu muita força para subir a algum lugar.
Sobre a reabertura do centro, os discursos foram unânimes de que é um sítio renovado para as artes dos dois países possam ter um espaço mais cómodo e mais aberto.
O segundo momento do evento foi marcado por aquilo que está destinado este centro: as artes. A protagonista desse momento foi Mingas. Na sua actuação, a artista acompanhada pelo guitarrista cruzou os dois países através da música. A artista interpretou poemas de Vinícios de Morais e as suas marrabentas fizeram a festa pela noite dentro.

 

Na verdade, esta sua aparição é um presente para todas as crianças moçambicanas, pois a cantora promete festejar e divertir-se com a pequenada.

A cantora diz que escolheu a sua primeira aparição num festival de crianças para mostrar a sua sensibilidade e amor pelas flores que nunca murcham. “Fui mãe recentemente e estou ainda conectada com o sentido de maternidade. Este show vai transcender do amor que tenho pela minha filha ao carinho que nutro pelas crianças.”

A cantora é convidada de um festival que tem como cabeça de Cartaz o músico Mr. Bow, mas que também vai juntar outras figuras da música moçambicana, como Lourena Nhate, Afro Madjaha, Mabermuda, Mc Roger, Bander, Kuka, Castelo Bravo e 4 Moz.

“Mais do que regressar aos palcos, para mim será um momento de celebração e de reavivamento do meu amor pelas crianças. É um convite irrecusável e uma forma muito boa de reiniciar a minha carreira artística, depois da breve paragem. Estou pronta para cantar e brincar. Neste dia vou libertar o meu sentido de criança que acredito que todos adultos tem escondido em si, vai ser bom”. Garante Liloca.

E porque é festa de crianças, não vai faltar pula pulas, escorregas, personagens infantis, palhaços e outras brincadeiras que o músico Mr. Bow preparou para a pequenada.

O Festival Bawito e a pequenada está agendado para sábado, dia 3 de Junho, com início marcado para às 10h, no Estádio Nacional do Zimpeto.

Importa referenciar que esta é a segunda edição do Festival Bawito e a Pequenada depois da primeira ter acontecido na cidade da Beira em 2016.

 

 

Pela primeira vez, o saxofonista moçambicano Ivan Mazuze vai escalar Alemanha para actuação. O instrumentista e compositor vai se estrear na cidade de Gorlitz, (a 2 horas de Berlin).
Mazuze participa na edição 22 do Jazztage Gorlitz Festival 2017, já no próximo sábado.

O músico não só participa neste festival mas é também figura de cartaz do concerto, e sobe ao palco muito bem acompanhado. O quinteto que vai espalhar seu charme na Alemanha inclui artistas de renome da França, Itália e Noruega e é constituído para além do Ivan por Linley Marthe da Franca, Enrico Zanisi – piano acústico, Bjørn Vidar Solli – guitarra, Raciel Torres – bateria.

Nas suas aparições, Ivan Mazuze tem sempre um elemento diferente no seu alenco, o que para o saxofonista é um estímulo. "É enriquecedor trabalhar com artistas diferentes de tempo em tempo, pois cada instrumentista traz uma expressão artística variada, progressiva, dinâmica e criativa de comunicação artística”, diz o saxofonista.

O instrumentista tem estado a levantar a bandeira de Moçambique pelo mundo fora, o que para o compositor é uma honra, “pois uma das grandes riquezas que o nosso país tem é a sua cultura e música diversificada. É com enorme prazer poder contribuir para a promoção da cultura, em particular da música moçambicana além-fronteiras.
O saxofonista continua a prestigiar os amantes da música com o seu álbum “Ubuntu” e considera que o repertório deste álbum dá a possibilidade de se explorar em várias dimensões conjuntas e interpretações variadas e é preciso frisar que este mesmo repertório será lançado num futuro breve num outro formato conjunto com uma interpretação artística diferente do que o original.

Recentemente, Mazuze teve duas aparições na Itália que foram bem-sucedidas e o resultado dessas aparições será a sua participação em outros festivais de música clássica e jazz durante os próximos dois meses com destaque para os festivais internacionais: Peperoncino Jazz Festival 2017 e Internacional Academy of Music Festival 2017 nas cidades da Toscana e Calabria respectivamente.

 

A noite de terça-feira, na cidade das acácias, foi brindada com música erudita. A orquestra Xiquitsi levou ao palco mais de 130 músicos para dar os parabéns à cidade capital pelo 130º aniversário, que se apro-xima. O espectáculo, igualmente, deu abertura à primeira série da Temporada de Música Clássica de Ma-puto 2017.

Violinos, violas d’arco e violoncelos são alguns dos instrumentos que combinados à voz fizeram a sala lotada, do Centro Cultural da UEM, viajar durante duas horas.

A grande convidada da noite, Xixel Langa, como de praxe, fez o público render-se ao poder da sua voz, interpretando “Cidade Menina”. A composição de Mia Couto e Hortêncio Langa ganhou um arranjo especial ao ser tocada pela orquestra. Hortêncio Langa também participou na apresentação e não escondeu a sua satisfação por ver a sua obra reproduzida num estilo clássico.

Um dos momentos mais emocionantes do show  foi a interpretação de “Missa kyrie”, “Glória”, “Credo”, “Sanctos” e “Angnus Dei”, de Estevão Chissano. O compositor é aluno do Xiquitsi e estreou-se com uma “missa”.

Para a directora artística do projecto, Kika Materula, a apresentação enche de muito orgulho a todos membros do Xiquitsi.

A noite seguiu a dentro com a interpretação do tema “Halleluia”, de Haendel. O público, mais uma vez, levantou-se e deu uma longa salva de palmas aos 130 artistas que interpretaram com a mais perfeita sintonia o clássico.

Mas este não foi o fim. Havia ainda uma carta debaixo da manga. A maestrina, Kika Materula, orientou os seus músicos e saudaram Maputo com dois temas sagrados da Marrabenta: “Laurinda” e “Ngomara saia” foram o auge da festa. Levantada, a sala cantou e dançou para a cidade das acácias.

A primeira série da Temporada de Música Clássica continua a espalhar a classe em diferentes salas da cidade de Maputo até domingo.

 

Há dois anos que o grupo teatral Makwerhu esmera-se na produção da peça intitulada “A Boca”. Só há duas semanas é que a obra de uma hora e que envolve oito actores foi finalizada. O resultado desse exercício pode ser testemunhado no palco do Cine Gil Vicente, nos próximos dias 13 e 14, às 18h00.

Escrita e encenada pelo jovem actor Ernesto Langa ou Estreanty, “A Boca” – peça inspirada na morte do jornalista Carlos Cardoso – retrata a questão da problemática da liberdade de expressão que se nota um pouco por todo lado, incluindo no nosso país.

Segundo o grupo, “um jovem recém-formado em medicina, mas que sonhava fazer jornalismo vê seu pai ser morto durante a festa da sua licenciatura e assim decide abraçar o jornalismo para reescrever a história e denunciar os corruptos.”

A expectativa é que a peça seja bem recebida pelo público moçambicano e que seja um instrumento de reflexão por parte de toda a sociedade, tendo em conta que a liberdade de expressão ainda é um grande desafio no país.

O grupo teatral Makherhu nasce no bairro de Mavalane com intuito de preencher as lacunas na área cultural e de entretenimento juvenil numa comunidade religiosa daquele bairro e pouco a pouco começa a fazer actuações fora da mesma. Foi assim que desde 2009 começou a participar com regularidade no FITI – Festival de Inverno.

Em 2016, esteve no Festival Internacional de Teatro do Cazenga (FESTECA), onde foi galardoado com o prémio de melhor grupo mais criativo, melhor trabalho estrangeiro e grupo revelação.

A primeira parada de Matsinhe, no velho continente, é em Roma. Lá o artista participa do “festival dell`arte de Roma”, a proposta do festival é juntar artistas de várias partes do mundo e promover o encontro de culturas distintas. “Levo obras que retratam o amor e união para este evento, visto que a ideia é criar a harmonia na diversidade artística mundial”, explicou.

Já em Portugal, pretende dar continuidade aos seus estudos sobre arte sacra, iniciados em 2016. As suas fontes de conhecimento, para este estudo, serão as cidades do Porto e Viana do Castelo.

Ainda nas terras lusas, está agendado um workshop com artistas locais. As obras exibidas na Itália também serão apreciadas na oficina de artes plásticas. “Levo comigo seis obras da minha última exposição e vou colocá-las à disposição dos artistas e de quem quiser a adquirir”, frisou Matsinhe.  

E porque o artista tem a vontade de continuar a levar a sua arte pelos quatro cantos do mundo, a sua passagem pela Europa é uma excelente oportunidade para pesquisar a possibilidade de fazer uma exposição em Portugal.

 

Ungulani Ba Ka Khosa, Lucílio Manjate e Sangare Okapi, escritores nacionais com livros publicados pela Kapulana, cumpriram uma extensa agenda de actividades durante a sua estadia no Brasil, tendo estado nas cidades de São Paulo, Poços de Caldas e Campinas, durante a realização da feira do livro, Flipoços, pode-se ler no site daquela editora brasileira.

Em 28 de Abril, pela manhã, a comitiva moçambicana, da qual faziam parte os três escritores moçambicanos da Kapulana, autoridades nacionais e outros escritores, foi recebida com um café da manhã de boas-vindas na Câmara Brasileira do Livro, em São Paulo, em cerimônia conduzida por seu presidente, Luís António Torelli. A directora da Editora Kapulana, Rosana M. Weg, participou da mesa de recepção aos autores nacionais, ao lado, entre outros, de Gisele Ferreira, curadora do Flipoços, Roberto Dove, representante do Ministério da Cultura de Moçambique, e Romualdo Jonhan, cônsul de Moçambique no Brasil.

No dia seguinte, 29 de Abril, a comitiva moçambicana partiu para Poços de Caldas, MG, sede da 12.ª Feira Nacional do Livro de Poços de Caldas e FliPoços 2017 – Festival Literário de Poços de Caldas. Durante a abertura oficial do FliPoços 2017.

No dia 1 deste mês, Ungulani Ba Ka Khosa, Lucílio Manjate e Sangare Okapi participaram de sessões de autógrafos de seus livros. Na ocasião, foram lançados dois novos títulos: “A triste história de Barcolino, o homem que não sabia morrer”, de Lucílio Manjate. Sangare Okapi autografou “Mesmos barcos ou poemas de revisitação do corpo”.
No dia 2 de Maio, pela manhã, na esplanada do “Café Concerto”, no Parque José Afonso Junqueira, em Poços de Caldas, a comitiva de escritores de Moçambique, composta pelos escritores da Kapulana, Ungulani Ba Ka Khosa, Lucílio Manjate e Sangare Okapi, e os escritores Paulina Chiziane, Mbate Pedro, Rui Laranjeira e Dani Wambire, participou de uma sessão ao ar livre de entrevistas e leituras de textos literários, conduzida pelo jornalista e escritor Claufe Rodrigues, para o programa televisivo Globo News Literatura.

Nos outros dias do importante evento literário, Ungulani Ba Ka Khosa, Lucílio Manjate e Sangare Okapi participaram de várias actividades, como encontros com outros escritores, rodas de conversas com leitores, mesas temáticas, sessões de autógrafos no stand da Kapulana/Inalivros, sessões de fotos e filmagens.

No dia 3 de Maio, os escritores da Kapulana, acompanhados do escritor Mbate Pedro, participaram da “II Jornada de Teoria Literária e Literaturas Africanas”, na Universidade Estadual de Campinas, Unicamp. O evento foi organizado pelo GELCA (Grupo de Estudos de Cultura e Literatura Africanas) e pelo IEL (Instituto dos Estudos da Linguagem), com o apoio da Kapulana, conforme a informação a notícia publicada no site da editora.

 

Os sons da nova Temporada de Música Clássica já ecoam aos ouvidos dos espectadores. Depois do lançamento do evento, semana passada, o projecto Xiquitsi tem data e hora marcada para arrancar com a primeira série relativa a este ano. Os acordes irão começar a soar a partir das 19h30 de amanhã, num concerto a realizar-se no Centro Cultural da Universidade Eduardo Mondlane, em parceria com o Conselho Municipal da Cidade de Maputo, no âmbito das celebrações dos 130 anos da Cidade das Acácias.

À imagem do que tem sido habitual, a abertura da primeira série da Temporada de Música Clássica de Maputo traz consigo vários artistas nacionais e internacionais, que, juntos, vão garantir que a sonoridade eduque até os ouvidos mais apurados. Para o efeito, a sessão inaugural conta com W. A. Mozart, num “Eine Kleine Nachtmusik”; com A. Vivald, num “Concerto para dois violinos e cordas em lá menor”; com Hortêncio Langa/Mia Couto, a evocarem “Cidade menina”, entre outros. Não obstante, a primeira noite do Xiquitsi não irá se esgotar apenas naqueles nomes. Afinal, Estevão Chissano, aluno do projecto, vai encher o Centro Cultural da Universidade Eduardo Mondlane com a sua primeira obra musical – uma “Missa” com cinco andamentos: “kyrie, Glória, Credo, Sanctus e Agnus Dei”.

Além de Chissano, outros alunos do Xiquitsi entrarão em cena. São os casos de Yannick Jafar e António Nhancale, ambos no violino. A acompanhar-lhes, nesta celebração à música clássica, estarão Xixel Langa (voz), Kika Materula (direcção orquestral), Carlos Pereira (direcção coral), Orquestra e Coro Xiquitsi, os grupos Santa Cecília, Sociedade Presbiteriana dos Jovens do Khovo e Coro Juvenil Maria Rivier.

 

O escritor João Paulo Borges Coelho defendeu, semana passada, que é preciso facilitar o acesso aos livros no país, num encontro realizado em Maputo, por ocasião do Dia da Língua Portuguesa e da Cultura na CPLP.

“Em Moçambique, por exemplo, um estudante pobre precisa de seis meses para comprar um livro. Isso é uma vergonha. É necessário que se adoptem medidas para facilitar o acesso aos livros”, frisou o escritor.
Para o autor, é preciso levar os livros à juventude, evitando a uma certa elitização da literatura.

Borges Coelho lançou o apelo durante uma conversa com o romancista e investigador literário Helder Macedo, promovida pelo Centro Cultural Português e pela Fundação Calouste Gulbenkian, que preside actualmente à Comissão Temática da Língua Portuguesa em Portugal.

Além de ser necessário facilitar o acesso aos livros, os dois autores apontaram mais batalhas por travar.

Helder Macedo apontou o facto de a maior parte dos moçambicanos não terem o português como a primeira língua como um desafio para os escritores do país na actualidade.
“Eu presumo que um dos maiores desafios para Moçambique a nível da literatura é o facto de (a língua portuguesa) não ser falada pela maior parte da população”, referiu o autor de ‘Partes de África’.

Por outro lado, defendeu que a literatura nos países africanos de língua portuguesa tem o desafio de redefinir a sua posição, considerando que a narrativa da “transição revolucionária” está esgotada.

“A mim interessa-me bastante ver agora o que se segue. Aquela fase de transição revolucionária já passou, passaram-se 40 anos”, declarou, acrescentando que o grande ideal da consolidação das identidades nacionais já acabou.

“Há, na verdade, várias literaturas que usam a mesma língua. É fundamental ver os desenvolvimentos específicos”, observou, acrescentando que ainda há muito espaço para as novas gerações na literatura de língua portuguesa.

Borges Coelho considerou importante a “agitação” literária que a lusofonia está a viver e apontou que “o grande desafio é o da publicação”, referiu o autor de “O olho De Hertzog”.

A conversa entre os dois autores juntou várias personalidades no Centro Cultural Português, em Maputo, entre académicos e escritores, com destaque para nomes como Mia Couto e Brazão Mazula.
João Paulo Borges Coelho recebeu o Prémio José Craveirinha em 2006 com “As Visitas do Dr. Valdez” e o Prémio Leya em 2009 com “O Olho de Hertzog”.

 

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