Descrito como “a sátira americana mais dilacerante dos últimos tempos”, “‘O Vendido’ desafia os pilares sagrados da vida urbana, da Constituição norte-americana, do movimento dos direitos civis e da relação pai-filho, feita à medida para o despontar do século XXI”, refere a editora.
A história centra-se em Me, um afro-americano, produto acabado do século XX, criado no “gueto agrário” de Dickens, nos arredores de Los Angeles, educado pelo pai, um reputado e violentamente excêntrico sociólogo obcecado pela questão racial.
“Como toda a cidade de Dickens, eu era filho do meu pai, produto do meu ambiente e nada mais. Dickens era eu. E eu era o meu pai”, diz a personagem de si própria.
Me “conformou-se em seguir o destino estéril que a vida californiana de baixa classe-média tinha para si: morrer no mesmo quarto onde nasceu ‘a olhar para as fendas do estuque do tecto que estavam lá desde o terramoto de 1968’”.
“No entanto, nada corre como planeado: está falido, o seu pai foi morto num tiroteio com a polícia e Dickens acabou apagado dos mapas americanos (para poupar a Califórnia de mais vergonhas)”, lê-se na contracapa do livro.
Assim, alimentado por uma sensação de engano e pela degradação da sua cidade perante uma América enormíssima, Me decide resolver as coisas da única maneira que vê possível: restaurando a escravatura e segregando a escola preparatória local.
“O Vendido” venceu também o National Book Critics Circle Award para Ficção e o John Dos Passos Prize for Literature.
O escritor Paul Beatty, autor de três romances, tornou-se o primeiro norte-americano a vencer o Man Booker Prize, sendo a primeira vez que é traduzido em Portugal.
O primeiro romance do autor, “The White Boy Shuffle”, também vai ser publicado em Portugal pela Elsinore no final do ano.
No mesmo dia em que sai “O Vendido” chega igualmente às livrarias outro livro da Elsinore, “A hora de acordarmos juntos”, de Kirmen Uribe, que parte da história real de Karmele e Txomin, para compor um romance sobre a história basca, espanhola e europeia do século XX, até aos dias de hoje, revelando um mundo em convulsão.
O Man Booker Prize é um prémio literário de obras de romance e ficção em língua inglesa, dirigido apenas para autores vivos.