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Mais uma vez, as lentes do Dj Marcel captaram os artistas que há 10 anos tinham tomado rumos diferentes. O novo vídeo-clip do colectivo é claramente um marco que consolida o reencontro do grupo. O cenário por eles escolhido é por si denunciador de um bom trabalho que se aproxima. O vídeo foi gravado no interior do Aeroporto Internacional de Maputo. A razão não é por mero capricho. A Bang Entretenimento usou as aeronaves como seu pano de fundo. A primeira parte do vídeo foi gravada na parte exterior, onde um helicóptero servia de fundo. Logo à tarde, foi no interior de um dos edifícios, já na avioneta. 
A música (e o respectivo vídeo) serve de presente para o público da cidade de Quelimane que há muito aguarda a reedição do espectáculo “Reencontro” alusivo aos 15 anos da Stv. Para Bang, este trabalho justifica-se, porque não poderiam ir à Quelimane de mãos a abanar.
Além de brindar os quelimanenses, esta música tem como pretexto resgatar a música pandza. “Nós ficámos muito tempo sem produzir pandza. A ideia é trazer de novo a nossa identidade, a música feita pelos jovens moçambicanos, enfim, levar o pandza para outro nível”.
O vídeo não só contou com Ziqo, Mauro (novo elemento), Lizha James, Dama do Bling e Marllen, como também juntou outros artistas do colectivo e bailarinos.
Este trabalho pretende ser lançado oficialmente cinco dias antes do espectáculo. Tal como Maputo vibrou com “Tseke”, Quelimane fará barulho com nova música.

Foi com aplausos que Paula Fernandes foi recebida hoje, no auditório do BCI, na cidade de Maputo. Na conferência de Imprensa com alguns artistas nacionais que vão fazer parte dos concertos, casos de Robson, Yolanda da Banda Kakana e Euridse Jeque, a artista brasileira confessou que há muito queria vir a Moçambique.

A artista traz na bagagem uma das músicas mais conhecidas, “Pássaro de fogo”, entre outras. Mas Fernandes frisa que não é só música, isso é apenas um pretexto para se encontrar com os moçambicanos.

Para Yolanda e Euridse Jeque, é um prazer partilhar o palco com uma das melhores vozes da actualidade no Brasil. As duas artistas que também cantam o amor prometem um espectáculo à altura.

No final da cerimónia, uma sessão de fotografias carimbou a primeira estadia no país da cantora de 34 anos, sete álbuns, um conjunto de prémios e digressões pelo mundo.

 

A Fundação Fernando Leite Couto e a Cooperação Austríaca para o Desenvolvimento vão realizar a sessão de apresentação pública do livro “Ignição de Sonhos”, esta quinta-feira, às 18h00, na sede da Fundação Couto. A obra será apresentada pelo académico Nataniel Ngomane.

Trata-se de uma obra de estreia da artista Melita Matsinhe. Reúne poemas escritos nos últimos cinco anos. Melita Matsinhe é activista cultural, tendo colaborado no Movimento Café com Livro. Foi nesta agremiação que se consolidou a sua vontade de se afirmar nas letras. Melita participou em diversas sessões literárias, desde debates, saraus e oficinas de poesia havidas na Fundação Fernando Leite Couto. Ela teve a tutoria dos escritores e poetas Mia Couto e Luís Carlos Patraquim.

Prefaciando o livro, o poeta Luís Carlos Patraquim revela-nos sobre “Ignição de Sonhos” «Livro de estreia, há nele hesitações, por vezes realizações fulgurantes, sínteses que confirmam o empenho da autora num trabalho poético que existe de par com a sua condição de música e de compositora. Do intervalo de silêncio que a define, à música, na percussão que anuncia o tempo, Melita Matsinhe quer juntar o «arco e a lira».

Melita Matsinhe, que também bebe na poesia em língua castelhana e nos ritmos e saberes e na poiesis que há por dentro das línguas moçambicanas, onde cabe o português, ensaia com este livro de estreia, um novo empíreo. Pressentimos os seus deuses, revela-nos quando esconde, ironiza, invoca. O sonho há-de chegar.

Realizou-se, ontem, no Centro Cultural Brasil Moçambique (CCBM), a abertura da exposição Audiovisual “À Sombra da Mangueira” do ilustrador brasileiro Ângelo Abu e dos alunos do Centro Hakumana, instituição filantrópica situada em Maputo.

“À Sombra da Mangueira” é um projecto que consiste na exibição de ilustrações das crianças orientadas pelo ilustrador Ângelo Abu, acompanhadas por gravações de áudio das histórias narradas por essas crianças.

De um lado, 17 quadros ilustrando as histórias contadas pelas crianças do Hakumana, do outro uma sala ao lado da galeria com uma tenda preta e no centro imagens projectadas no chão, como se fosse uma fogueira, com pufos rodeando a sala para quem quiser sentar ou simplesmente deitar-se para ouvir histórias. “A ideia é criar a sensação de estar acolhido pelas crianças contando suas histórias”, partilhou o ilustrador.

As histórias foram contadas em português e changana, da mesma forma que foram contadas ao ilustrador. “Acredito que as pessoas vão entender do mesmo jeito que eu entendi”, acredita Abu.

Tudo começou quando foi convidado para fazer a ilustração das capas dos livros do autor moçambicano Mia Couto e na capa do segundo livro sentiu que seria muito mais rica a experiência se conhecesse Moçambique, tanto para o seu próprio prazer, assim como para o seu trabalho. “Uma amiga sugeriu o Centro Hakumana e vim pela primeira vez ano passado para uma oficina de ilustração”, disse Abu.

Na oficina de ilustração, trabalhou pela primeira vez com as crianças do Centro Hakumana. Segundo Abu, num belo dia decidiu dar aula ao ar livre e pediu para que cada criança contasse uma história e que pudessem criar o que quisessem. “Fiquei muito maravilhado, as crianças expressam -se muito bem e achei culturalmente rico”, disse, acrescentando que começavam a contar as histórias em português, depois em changana e as vezes contavam prosa, começavam a cantar e voltavam para a prosa.

Regressou ao Brasil e propôs a editora Companhia das Letras, a maior do país, fazer um livro infantil de preferência um áudio book. A editora aprovou e voltou a Moçambique para fazer o trabalho, com a promessa de se fazer o livro para todos países falantes da língua portuguesa do mundo, se o projecto der certo, claro.

Esta é a segunda vez que Abu vem a Moçambique para fazer o livro e aproveitou para mostrar o projecto ao CCBM.

As crianças aparecem como personagens na história do ilustrador no livro e para além de ser escrito em português, incluirá o changana e terá tradução em português. “Para mim é muito importante que o changana faça parte desta obra, porque faz parte da cultura, das raízes daqui”, afirmou.

São no total 50 histórias para o livro e 17 pinturas seleccionadas para a exposição. O livro será lançado próximo ano. “Vou fazer de tudo para fazer o lançamento aqui em Moçambique”, disse acrescentando que cada quadro custará em torno de dois mil meticais e o valor será revertido para o Centro Hakumana.

Abu é responsável pelos desenhos das capas de 15 livros do conceituado escritor Mia Couto para a editora brasileira Companhia da Letras.

A Bowito Music está engajada na promoção dos artistas, particularmente da música moçambicana. É neste sentido que os Afro Madjaha passam desde já, a integrar a Label que também congrega músicos como Liloca, Mabermuda para além do King Bow que pela qualidade das músicas que tem brindado os moçambicanos arrasta multidões.

O grupo composto por quatro artistas talentosos necessita de visibilidade que merece, algo raro de se concretizar, mas que se vai tornar realidade graças a Bowito Music, pois, o grande interesse da Bowito é puxar pelos músicos que estão preocupados em produzir músicas de qualidade para o público, tendo em conta que uma das grandes responsabilidades é contribuir para o crescimento dos artistas e enriquecimento da arte musical.        

Na verdade, esta label, na qual integra a maior estrela da actualidade musical do país, Mr. Bow, abriu as portas ao Afro Madjaha para que assim o grupo pudesse alcançar longos voos rumo a afirmação da sua identidade artístico-cultural.

Com esta iniciativa, a pretensão da Bowito Music consiste em realizar o que defende desde a sua fundação: intervir no país com músicas que mexem com as pessoas, mostrando-as que, mesmo em épocas difíceis, há sempre razões para, à moda africana, cantar, dançar e celebrar a arte moçambicana.

 

Qual é a cidade, excepto Maputo (por ser capital claro), onde a cultura ferve? Quem assumir Quelimane, com certeza, seleccionou a cidade certa. Ora, quem tiver dúvida, revisite os grandes espectáculos que se absteram da cidade capital e o local onde o carnaval é uma presença obrigatória, por isso é a mais conhecida por “Pequeno Brasil”.

Razões existem, até de sobra, para que a Stv leve a sua caravana do Espectáculo “Reencontro” para o centro do país. Este é o primeiro espectáculo alusivo aos 15 anos da televisão que se reedita. Percebe-se. Junta, afinal, nomes que inauguraram uma nova era, quando o assunto é entretenimento no país: Bang Entretenimento.

Mais do que uma label de sucesso, ainda que fora dos radares há 10 anos, foi inspirando muitos jovens em quase todo o país. As grandes lições deste colectivo extravasam a eficiência musical; roçam outros saberes ligados ao show bizz: o marketing, a imagem dos artistas, enfim, o novo paradigma da indústria cultural. E Quelimane não esteve alheio a essa influência. Uma das provas é que Valdemiro José (filho legítimo do “Pequeno Brasil”) foi um dos membros da Bang (não o promotor) e teve neste grupo as lições que precisava para se fazer artista, comprometido mais com a música do que outra coisa. Mas recorde-se que o seu pontapé de partida deu-se no realiyt show da Stv, onde uma lista extensa de músicos de sucesso também emergiu. Logo, nesses 15 anos de vida, a cultura sempre respirou na tela mágica desta televisão.

Os artistas juntaram-se, ontem, uns em Maputo e outros em Quelimane, para falar do evento. Em Maputo, a Conferência de Imprensa foi conduzida por Bang, quem garantiu que o palco, as luzes, o som, a produção e toda técnica usada no mítico concerto do dia 5 em Maputo vai viajar a Zambézia. Para o promotor, mesmo assim, este concerto se prevê melhor. A razão é simples: os erros do espectáculo anterior serão suplantados pela boa limpeza na organização.

Os artistas admitem em uníssono que vai ser um grande espectáculo, pois prometem muito mais do que ofereceram em Maputo. Este evento, ainda que de forma inocente, vem confirmar o lema dos jovens: “Bang Entretenimeno for life”. Aliás, é por isso que a cada intervenção a frase atropelava o raciocínio. E pelos sorrisos e alto-astral dos artistas, certeza há que o anterior espectáculo foi do agrado deles.

“O governador e o Município nos gabinetes, Sétimo Nível na rua” (risos). Essas são as palavras de Dinho Puro, o co-produtor deste espectáculo. Como anfitrião o agitador das noites daquele lado do país diz ser uma honra receber a família Bang Entretemimento numa altura de festa em Quelimane. Os 75 anos celebrados ontem não teriam melhor presente.

Ziqo e Lizha James eram os únicos ausentes da conferência. Não desistiram do evento, muito pelo contrário. Eles juntaram-se aos artistas de Quelimane e de lá, quase ao mesmo tempo, aconteceu outra Cerimónia de Imprensa. Os artistas estiveram em Quelimane para primeiro dar certeza ao público de que a festa realmente vai acontecer, como também para encontrar os músicos locais. Logo, este evento será também uma oportunidade para que os músicos conceituados partilhem a experiência que os 10 anos forjou com os mesmos.

Alguns presentes na conferência agradeceram a Bang Entretenimento pela oportunidade e prometem muito e bom espectáculo.

Klemente Tsamba, actor moçambicano radicado em Portugal, vai participar do Circuito de Teatro em Português, este domingo (27), em São Bernardo do Campo, Brasil. 

O circuito reúne produções de países de língua oficial portuguesa, como Angola, Brasil, Cabo Verde, Portugal e Moçambique, e teve início sexta-feira (18), no teatro Sérgio Cardoso, em São Paulo.

Tsamba irá representar Moçambique com a peça “Nos tempos de Gungunhana”, texto construído a partir do livro “Ualalapi”, do conceituado autor moçambicano Ungulani Ba ka Khosa. Na peça, o actor encarna vários personagens para contar a história do rei Gungunhana, intercalando com cânticos e ritmos africanos em que o público é convidado a participar.
O actor dá início ao grande “karingana” ou conto tradicional sobre a vida de um simples guerreiro da tribo Tsonga, chamado Umbangananamani, que fora em algum tempo casado com uma linda mulher da tribo Macua, de nome Malice. 
Porém, o enredo, rapidamente, se transforma em uma sequência de outros pequenos “karinganas” que relatam aspectos curiosos ligados à vida do Rei Gungunhana. O texto mostra a crueldade e as mortes que, por vezes, misturam-se com o humor em cada “karingana” contado e cantado com a graça dos ritmos tradicionais de Moçambique.
A programação do Circuito de Teatro em Português reúne nove grupos e 11 espectáculos em homenagem aos 500 anos da obra “Auto da Barca do Inferno”, do poeta português Gil Vicente. 
Esta não é a primeira aparição do actor em palcos brasileiros, Tsamba esteve em Junho do ano em curso no Brasil para ministrar uma oficina e fazer um show musical e ainda apresentar o espectáculo teatral "Nos tempos de Gungunhana". 
Klemente Tsamba nasceu em Maputo. Desde cedo envolveu-se com “a música de rua”, hip-hop, teatro amador e outras artes. Desempenha inúmeras funções, desde a criação cenográfica, a criação dos jogos rítmicos ou composição musical até a representação de personagens em palco. 
Foi a arte que o levou a radicar-se em Lisboa, Portugal, dando importantes passos na carreira de actor. 
Não é só teatro. Música, artes plásticas e arte-educação alinham-se no seu portefólio. Mas é como actor que as suas acções se evidenciam, já participou em peças clássicas como o “Conto de Natal” e “Peter Pan”, mas ganhou destaque principalmente com trabalhos voltados à cultura moçambicana. Actualmente lecciona expressões artísticas integradas em algumas escolas de Lisboa e desenvolveu um projecto, Poesia com Tempero, com uma actriz brasileira, no qual seleccionam poemas cujos autores escreviam em um português característico da sua própria proveniência. 

Hoje é o último dia de Jimmy Dludlu em palcos brasileiros, concretamente em São Paulo. O guitarrista tem até Julho do próximo ano para mostrar ao mundo tudo que “bebeu” dos quadrantes por onde passou. A caminhada ainda é longa, mas se fosse hoje o fim da digressão mundial diríamos que foi fenomenal.

Os brasileiros não acreditaram no que viram. Os moçambicanos residentes no Brasil pedem por mais espectáculos, pois não há forma mais ideal de se reconciliarem com o seu país e abafarem a nostalgia. É que “In the Groove” – o álbum que está na sua mala de viagem – faz uma clara incursão pelos ritmos moçambicanos e, consequentemente, pelo nosso ser identitário. “Ha deva”, “Masseve”, “Saul”, “Waretwa” e “Mutumbelelwana” confirmam a riqueza dos valores locais e a consciência de partilha pelo mundo das “nossas verdades”.

Foi o que se viu em concertos que, com certeza, a memória brasileira não irá deixar morrer. Aliás, o artista não só tocou, o que melhor sabe fazer, como também concedeu entrevistas, a destacar um dos maiores jornais de São Paulo: Estadão.

O “Estadão” chama Jimmy de “George Benson africano” e diz ser “especialista com uma rara visão, de dentro e de fora”. Ainda bem que os brasileiros perceberam isso. Seria doloroso para nós (os moçambicanos) se as qualidades deste artista passassem ao lado da crítica brasileira. O jornal disse mais, numa entrevista que aconteceu antes do penúltimo espectáculo do artista, no Festival Jazz na Fábrica, do Sesc Pompeia: “É precioso poder conhecer um homem de carga musical fora dos padrões do que se aprende a ouvir como jazz. Sua guitarra não é isolada. A vivência pelos Estados Unidos lhe deu o sotaque de George Benson em improvisos do instrumento dobrados pela voz, mas as semelhanças não vão muito além. Dludlu canta quase sempre em um dos 11 dialetos que sabe falar (feito normal para os povos daquelas regiões) e faz incursões por ritmos africanos contagiantes”.  

É pela primeira vez no Brasil, mas a sua guitarra parecia já conhecer aquele público. A sintonia foi visível! As suas cordas não só exploraram o seu mais recente álbum, o grande propósito desta digressão, como também revisitaram outras criações.

O jornal O País teve acesso às imagens do terceiro espectáculo, que se realizou ontem, no Bauru. Tal como é a sua marca, o “monstro do jazz”, em algum momento do concerto, desceu à plateia com a sua fiel guitarra como se fosse uma criança ao colo. O artista não continuou “jazzando”. Fez o que aquele público mais aplaude: sambou. Sim, Dludlu colocou toda a sua banda a tocar samba. E os brasileiros, encantados, aplaudiram vivamente.

Este, tal como os outros concertos, tiveram lotação esgotada 15 dias antes, feito jamais registado por um artista moçambicano naquele país. Os brasileiros não só foram em massa como também ficaram maravilhados com a sua performance.

Um casal de espectadores disse ter gostado muito do espectáculo e que até dá vontade de conhecer Moçambique. A outra espectadora brasileira disse ter-se arrepiado com a apresentação; elogiou a performance no palco, a sintonia com a plateia e pediu que Dludlu voltasse mais vezes pois deixou uma boa impressão.

Já os moçambicanos residentes em São Paulo disseram ter-se sentido em casa ao ver o concerto. Eles também rogam que Jimmy Dludlu não leve mais 30 anos de carreira para ir novamente ao Brasil.

É caso para dizer que o perfume do jazz moçambicano já se espalhou pelo brasil.

 

Obras de arte e de artesanato vão passar a ter licença e selo para a sua comercialização e exportação. A proposta de regulamento foi apresentada hoje pela Direccão Nacional das Indústrias Culturais e Criativas do Ministério da Cultura e Turismo.
A iniciativa visa perceber de que forma estas obras contribuem para o desenvolvimento da economia do país.
A licença está dividida em três dimensões, variando dos dois mil quinhentos a 10 mil meticais. Quanto aos selos, os valores vão ser estipulados mediante cada tipo de obra. Para aqueles que não tiverem condições financeiras para o efeito, o Ministério da Cultura e Turismo sugere que os criadores de arte se juntem em associações ou sociedades.
 

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