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O País – A verdade como notícia

A literatura infanto-juvenil ainda é escassa no país. A pensar nisso, Paulo Chemane escreveu “As brincadeiras da minha rua – a rua animada”, mesmo com o propósito de ampliar, colorindo, o universo dos mais novos.

O livro bilingue, português e inglês, tem 34 páginas e apresenta peripécias de uma geração passada, tendo as brincadeiras como factor didático e de desenvolvimento. Na primeira pessoa, Chemane explica por que escrever a obra: “Fiz este livro para compartilhar com a nova geração as brincadeiras que nós, os adultos de hoje, tivemos quando fomos mais novinhos. Hoje, as crianças têm formas diferentes de se entreter que, inclusive, as afasta umas das outras. O livro aparece a recuperar um fragmento do nosso passado colectivo, documentando brincadeiras e aspectos da nossa cultura. Portanto, há uma pretensão de salvaguardar um repertório nosso”.

“As brincadeiras da minha rua – a rua animada” foi escrito em verso, com muita aposta nas imagens que complementam as palavras. Com as figuras, Paulo Chemane espera atrair muitas crianças, levando-as a compreender o que lá está descrito. A ilustração foi feita pelo próprio autor, quem contou com apoio de Fernando Luís, que o permitiu usar uma música sua no livro. Graças a Rob Barners e Heather, músicos australianos, a obra de Fernando Luís teve pauta “As brincadeiras da minha rua”.

As 34 páginas de “As brincadeiras da minha rua” foram escritas em Newcastle NSW, na Austrália, onde Paulo Chemane vive há 10 anos.

Numa primeira fase, o autor escreveu o livro em português. Por almejar ser compreendido por mais crianças, na Austrália, Paulo Chemane traduziu a obra para a língua inglesa e, assim, produziu um livro bilingue.

Já com o livro na mão, na pátria amada, agora, a vontade de Paulo Chemane é encontrar uma oportunidade para o lançar no país, até dia 30 deste mês. Para o efeito, trouxe consigo 30 exemplares. Na Austrália ficaram mais. Depois de 30 de Janeiro, o escritor das crianças regressa a Austrália, onde trabalha.

Em “As brincadeiras da minha rua”, as principais brincadeiras retratadas são a cheia, hamatue tue, jogos com bola, latoleta, cabra-cega, jogos com pneus, jantes, papagaios, cabo-de-guerra ou puxa-puxa, e há ainda a neca e karingana wa karingana, “que reflecte a convicção de que os mais jovens precisam manter uma relação com o passado, à volta da fogueira”, afirmou o escritor. Nas últimas páginas, o livro apresenta a pauta da música o “Sorriso das crianças”, de Fernando Luís.  

De acordo com Paulo Chemane, o livro está a libertar a ideia, nas crianças australianas, de que os mais novos devem se desligar um pouco da tecnologia e voltarem-se para as brincadeiras de rua, nas quais podem desfrutar do meio ambiente, mesmo porque as brincadeiras permitem uma melhor socialização entre as crianças.

Paulo Chemane nasceu em Maputo, a 5 de Setembro de 1976. O interesse pela literatura infanto-juvenil é motivado pelas suas duas filhas.

 

 

Houve quem julgou que estivesse acabado e que as músicas tão tocadas nas rádios não chegariam a um disco compacto. Por longos anos, falar do músico equivalia a referir-se a um fragmento artístico do passado, portanto, acabado. Mas é como Lavoisier dizia, na natureza nada se perde, tudo se transforma. Como se quisesse dar eco às palavras do pensador francês, eis que, das cinzas, ressurge Gabar Mabote, uma voz autoritária quando se fala de música popular moçambicana, depois de tantas lutas travadas, sonhos e desistências. Neste regresso à ribalta, Gabar não vem com mãos vazias. Consigo, contra todas expectativas, inclusive suas, reaparece com Unganipoile, título do tão aguardado disco de estreia.

Unganipoile é composto por 14 músicas, das quais dez antigas (umas gravadas, outras longe disso) e quatro inéditas. A produção do álbum iniciou em Novembro do ano passado e foi todo produzido no país. Assim, num ano novo, Gabar Mabote prepara-se para concretizar o objectivo pelo qual lutou boa parte da sua vida: lançar um disco, no qual exprime seus mundos e suas entidades.

Com efeito, o lançamento do álbum será no dia 13 deste mês, no terminal dos transportes do bairro de Malhazine, a partir das 12h, de modo que as pessoas possam ter a possibilidade de comprar a obra e testemunhar o momento bem especial para o músico. E Gabar explica porquê. “Fiquei muito emocionado, quando vi os exemplares deste meu primeiro CD oficial. Há muito que aguardava por esta oportunidade e por este momento. É uma honra porque, quando comecei a cantar nas salas de cinema e nas casas de pasto fiz o meu nome, lá vão 30 anos. No entanto, mesmo assim, não consegui lançar o tão almejado álbum. Lembro-me que gravei músicas nos estúdios da Rádio Moçambique, em 1986, e houve tempos que tentei negociar a gravação de um disco meu. Não tive possibilidades e, a partir daí, comecei a afastar-me”.

Unganipoile, de Gabar Mabote, é um título muito intimista, com o qual o autor pretende passar uma clara mensagem. Unganipoile, traduzido do rhonga, significa não goze comigo, em alusão à sua condição. O título também é um alerta, para que as pessoas não gozem consigo porque as coisas podem mudar, mesmo não se tendo nada. E mudaram, de facto. Hoje, o autor de “Dana ndzole” mostra que com perseverança pode se chegar a algum lugar.

Neste CD, o foco de Gabar Mabote é emitir mensagens que sirvam às pessoas, com sugestão e crítica. Tal é o caso de “Mama wa Mateu”, que narra a estória de uma mulher que larga os filhos em Gaza para ir abraçar a prostituição na capital sem se preocupar com a condição dos petizes. É também o caso de “Lirandzo”, uma crítica às mulheres que acreditam que, recorrendo aos curandeiros, irão conseguir prender os maridos. Outros títulos do disco são: “Unganipoile”, que intitula o álbum, “Sala mamane”, “Ndjungua”, “Djokotane”, “Helenane”, “Lhupeco”, “Mantenga”, “Musotchua”, “Tintombe ni madjaha”, “Dana Ndzole”, “Tlanga upimela”, “Makhumba”.

Depois de lançar este primeiro álbum, Gabar Mabote espera que mais oportunidades apareçam porque ainda há muito a cantar. “Tenho uma bagagem que me está a pesar. Estava à espera desta oportunidade para descarregar em disco. Possuo muitas músicas porque nunca parei de compor. Se houver mais oportunidades, entro no estúdio e gravo temas com qualidade”.

 

Há mecenas em Malhazine

A gravação e o lançamento de Unganipoile é patrocinada pela PALVIC Ltda., parque de estacionamento localizado no bairro Malhazine, na cidade de Maputo. Na verdade, tudo começou numa conversa entre Gabar Mabote e Paulo Tinga, proprietário da instituição. A ideia é apoiar músicos da velha guarda e a PALVIC decidiu começar com Gabar porque acredita no seu potencial e porque o músico fez-se homem em Malhazine, onde vive.

“A empresa quer apenas projectar o músico, sem fins lucrativos, de modo que os seus temas possam ser escutados em álbum e, com isso, o músico possa conseguir algum sustento. Vale a pena apostar neste projecto, no caso de Gabar, porque possui músicas educativas, com mensagens importantes para as pessoas”, afirmou Paulo Tinga, prometendo que os próximos discos a serem lançados serão de Magid Mussá e Luís Macandza.

A capa e as fotos do disco de Gabar Mabote foram feitas por Virgílio Tinga (designer). A gravação esteve a cargo da De Novo Produções (duas músicas) e Humberto Benedito (duas músicas). As restantes 10 foram gravadas nos estúdios da Rádio Moçambique.

 

 

Xitiku ni Mbawula conseguiu, depois de vários anos, lançar o seu álbum de estreia lá vão poucos meses. A recepção, não poderia ser a melhor, afinal, as 500 cópias de A kaya, título do disco do grupo constituído por dois membros, esgotou logo na semana a seguir ao lançamento, daí ter-se solicitado o segundo lote para colmatar a procura.  

O sucesso do álbum, de acordo com os integrantes, não vem ao acaso. A kaya está a ser bem recebido porque, explica Dingzwayo, antes de as músicas serem feitas, há uma atenção à forma como as pessoas se comportam e como se relacionam num determinado meio. Depois disso, Xitiku ni Mbawula tenta transcender para uma dimensão imaterial, donde, tendo constatado um problema, avança com a sugestão de uma provável solução. “Essa transcendência é importante porque, como pessoas, fazemos parte dos problemas que constatamos, mas, estando num outro nível, como artistas, conseguimos nos abstrair para olhar a realidade de outra forma”.

E porque fazer música em dupla não é tão simples como fazer individualmente, Dingzwayo explica que daí não surge nenhum problema. O rapper revela que o grupo sempre defendeu que a sociedade moçambicana deve se esmerar em encontrar um ponto óptimo, quando se confronta com conflitos. “A diferença de personalidades também é um conflito, principalmente no que diz respeito à música. SGee vem com ideias que eu rejeito e eu também apareço com ideias que ele recusa. O mais importante é mesmo esse ponto óptimo. Afinal, as diferenças podem nos fazer bem se nós as aceitarmos”.

Em A kaya, Xitiku ni Mbawula aborda o HIV/SIDA, na música “Tlanga upimela”, pois o grupo está convicto de que ainda é necessário. No entanto, mais do que falar da doença ou da prevenção, a dupla entende que é crucial que se fale bem sobre o tema que ainda não está esgotado. “Parece que o nível de ignorância em relação à doença evoluiu para pessoas entendidas. Então, temos que comunicar bem a mensagem sobre o HIV/SIDA. Se conseguirmos veicular a mensagem como deve ser, podemos, inclusive, contribuir para reduzir os níveis de seroprevalência”. E, tendo o texto numa batida de RAP, para o grupo, é uma vantagem porque o ritmo abrange muitos jovens. “Temos, de facto, de moçambicanizar a mensagem à volta do SIDA e esse é o nosso foco, a partir do nosso estilo”.

Na percepção de SGee, depois de tantos anos a enfrentar conotações pejorativas, hoje o RAP está a conquistar mais público, com mais abertura. “Hoje em dia o RAP/ Hip-Hop já é objecto de estudo nas academias. Os próprios fazedores do RAP, estilo de reivindicação, fizeram com que o estilo se incorpore noutros. E isso é bom porque vai ganhando diferentes formas. “O RAP é uma maneira de intervenção social e intelectual”, rematou Dindzwayo. Não querendo ficar calado, SGee sublinhou a seguir: “E o RAP vai continuar a ser um instrumento de luta, reivindicação e educação, tanto que, sendo eu professor, uso o RAP como instrumento didático em alguns momentos da aula, e tenho conseguido resultados positivos do ponto de vista do desempenho académico dos meus alunos”.

No sexto tema deste A kaya, “Afrika”, uma voz sugere para que o continente não aceite que os estrangeiros façam e desfaçam. O grupo entende que a mensagem é oportuna porque África ainda não sabe para onde deve caminhar. “Há um reeditar do passado colonial, quando olhamos para África, neste momento. Estamos numa nova corrida para o continente, com pilhagens de recursos como madeira, enquanto temos escolas em que as crianças aprendem sentadas no chão. Então, temos que repensar na forma de perseguirmos esse nosso objectivo comum de levar o continente avante”, consideram Dindzwayo e SGee.

 

Xitiku ni Mbawula: a missão, o agradecimento e a gratidão

Para Xitiku ni Mbawula, ter microfone na mão representa a responsabilidade de dizer o que os outros gostariam de dizer. “E com o microfone conseguimos fazer com que as pessoas reflictam um pouco sobre as suas vidas e aprendam com o que nós sabemos, afinal Xitiku ni Mbawula não somos apenas nós, mas todos que se identificam com a nossa causa, este fórum de contar estórias com objectivo de dar direcção”.

O CD, constituído por 19 temas, contou com a participação de Isabel Novella, Hawayu, Iveth, Simba, Azagaia e Face Oculta. Estes são os rostos que o grupo acreditou neles para lhes ajudar a fazer o álbum. A kaya tem três cantoras. Nada fortuito. O grupo quis garantir a inclusão da mulher, que é celebrada numa das músicas.

Um dos temas mais conhecidos deste disco é “Samora Machel”, porque, para o grupo, calha sempre bem cantar aquele que ofereceu uma nação aos moçambicanos, uma pessoa com atitude e que trouxe o conceito de unidade nacional ao país.  

A música mais nova do disco é “Khanimambo”, gravada como single, mas inserida em A kaya para agradecer ao apoio recebido.

 

 

 

O compositor e intérprete moçambicano D’Manyissa, nome artístico de Demócrito Manyissa, foi um dos finalistas na edição 2017 do concurso de composições musicais da Inglaterra denominado Uk Songwriting Contest. D’Manyissa é único africano a chegar na fase final deste certame de âmbito internacional, onde participam compositores de vários quadrantes do mundo, independentemente do seu estilo musical.

A lista dos finalistas foi divulgada no dia 25 de Dezembro, no website do UK Songwriting Contest. Na página do concurso está patente o nome de cada finalista por categoria, Pop, R&B, Rock, Instrumental, Jazz, entre outros estilos. Os certificados de participação, por sua vez, são disponibilizados no respectivo website, disponíveis para download pelo próprio finalista.

D’Manyissa concorreu com a música “Timbila – Património Mundial”, na categoria World Music, com a participação de Celso Paco, seu convidado especial, músico moçambicano radicado na Suécia, país em que será produzido em breve o vídeo-clip da respectiva música. Paco eternizou na música os seus dotes de multi-instrumentista ao executar a bateria, percussão, udo e timbila. A música é mesmo uma homenagem a este instrumento que foi proclamado património oral e imaterial da humanidade pela UNESCO.

Além da prestação de Celso Paco, participam da música outros instrumentistas de luxo: António “Dodó” Milisse, na guitarra, Orlando Venhereque, no saxofone, e o recém-falecido Filipinho, no baixo. Ao D’Manyissa, mentor da obra, coube os arranjos (juntamente com Celso Paco, Dodó, Filipinho e Orlando Venhereque) e comandou a produção. A música foi gravada em Moçambique, na Zep Estúdios, por isso a satisfação do artista que se vê projectado pelo mundo, pois só chega à final 1% do vasto universo de participantes. Para o artista, neste momento, resta-lhe um sentimento de gratidão ao Celso Paco, que aceitou ser o seu convidado especial e a todos os outros músicos envolvidos.

Trata-se de uma música que se vai juntar a outras 14 e compor o seu primeiro projecto discográfico “D’Manyissa Instrumental – Volume 1”. E porque são mesmo instrumentais, descontando três faixas em que o autor aventura-se pelas performances vocais, conta com executores de vários instrumentos: Orlando Venhereque (Flauta), Júlio Sigaúque e Allou April (guitarra), Ivan Mazuze (Saxofone alto e soprano), Banda Macozomi e Hélder Gonzaga (Baixo), Lwanda Gogwana (Trompete), Seredeal “Shaggy” Scheepers (Teclados), Galina Juritz (Violino) e Kika Materula (Oboé). Neste álbum, Celso Paco, como se pagasse pelo seu dom, não podia ficar de fora. O artista que respira ares europeus foi convidado a fazer a performance de vários instrumentos do seu domínio. O álbum está totalmente gravado, faltando apenas apoio para a fase da mistura, masterização e a sua replicação. Até ao momento contou com apoio da EDM, CFM e South African Airways (SAA), para a sua gravação.

Não é a primeira vez que D’Manyissa participa deste concurso. Esta foi a sua terceira viagem. Tudo começa em 2015 com a música “Conta comigo”, uma composição interpretada pela cantora brasileira, Bárbara Silva, formada em música pelo Berklee College of Music nos Estados Unidos de América. Esta música, para a dupla satisfação do artista, foi finalista em duas categorias: Jazz/Blues e naquilo que o certamente considera Open Category (categoria aberta). No ano seguinte, em 2016, D’Manyissa regressa ao concurso já com “Força Interior”, música que conta com os sopros de flauta de Orlando Venhereque, para ser finalista na categoria Jazz/Blues.

O júri do concurso é constituído por profissionais renomados da indústria da música, entre eles compositores, arranjistas e produtores. Eles têm na bagagem trabalhos com artistas de renome mundial como Mary J. Blige, Tina Turner, Diana Ross, Chaka Khan, Robyn Williams, Cher, entre outros. Alguns inclusive já compuseram músicas para trilhas sonoras e outros projectos distantes da música.

 

 

A fadista portuguesa, Mariza, poderá cooperar com as escolas moçambicanas de música no ensino da arte de cantar, a convite da vice-ministra da Cultura e Turismo, Ana Comoana.

A cantora portuguesa está em Moçambique de férias e, esta quarta-feira, foi recebida pela vice-ministra da Cultura e Turismo. A fadista ofereceu discos das suas músicas à governante moçambicana e contemplou, na oferta, o Presidente da República, Filipe Nyusi, e o Ministro da Cultura e Turismo, Silva Dunduro.

No momento da oferta, o astro da música portuguesa fez a questão de dizer que em todos os países por onde passa reitera que é moçambicana, por isso está orugulhosa em pisar a terra que a viu nascer.

A visita serviu igualmente de reencontro com a cantora moçambicana Mingas e o músico Moreira Chonguiça, presentes no evento e que viram uma oportunidade de combinar os ritmos moçambicanos com o fado. Aliás, todos são unânimes em dizer que não existe barreira nenhuma capaz de parar a música, mesmo porque, apesar de Portugal e Moçambique estarem separados por vastos quilómetros, existem vários aspectos culturais que unem as duas nações, sendo uma delas a língua portuguesa.

Experiência de Mariza associada ao conhecimento para as escolas

Ainda no encontro desta quarta-feira, a vice-ministra da Cultura e Turismo propôs colaboração da cantora portuguesa nas escolas moçambicanas de música.

“Tendo em conta a sua esperiência, acreditamos que de alguma maneira está associada a um conjunto de conhecimentos, quer de instiuições, que estejam ligadas à área de formação como as nossas. Não queremos exactamente que a Mariza diga neste encontro que tipo de apoio pode encontrar, mas queremos que leve na sua bagagem à nossa preocupação”, rematou Coana.

O convite da vice-ministra foi aceite, mesmo porque Mariza acredita ser possível juntar o fado aos ritmos nacionais.

“Gostei muito de voltar a ver a Mingas, infelizmente não estive com ela a cantar, porque seria ainda muito mais interessante. Mas, é sempre bom estar com músicos moçambicanos. Gostava muito de voltarmos a encontrarmo-nos no palco”, disse a fadista, prosseguindo: “Existe público para todos estilos de música. Há uma frase muito interessante que diz: só existem dois tipos de música, a boa e a má. Não interessa se é fado ou marrabenta, o que interessa é que seja bem feita”, esclareceu.

Em relação à proposta feita pela vice-ministra, Mariza considera ser interessante, o que se deve fazer é descubrir quais são as necessidades do dia-adia nas escolas, para, a partir daí, se chegar “a bom porto”.

Músicos dispostos a misturar fado com ritmos moçambicanos

A cantora moçambicana Mingas e o saxofonista Morreira Chonguissa consideram bom o posicionamento da Mariza, mas reconhecem que é necessário fazer muitas pesquisas na área.

Mingas falou do reencontro que para ela significa “bom início de ano” e, comentado sobre a possibilidade de a cantora Mariza colaborar na arte de cantar com os moçambicanos, disse: “todas as colaborações normalmente são interessantes e boas. Mas, na verdade, é preciso que a gente trabalhe muito, para que o casamento saia perfeito. Juntar dois estilos totalmente diferentes não é fácil, é preciso que dediquemos muito tempo para isso. É o que vamos começar a fazer para ver se esse casamento pode sair bem”.

Por seu turno, Morreira Chonguissa reagiu afirmando que na música não existem fronteiras, mas sim espaços para que ela nasça. Por exemplo, o saxofonista recorreu à ópera de Luciano Pavarotti, que fez uma fusão com Bryan Adams e Sting, para mostrar que tudo é possível”.

“Não seria algo de novo, mas sim inovador. É só querer e fazer. Se calhar o que vai acontecer é termos um novo paradigma na música moçambicana”, mostrou-se confiante Chonguiça.

Refira-se que Mariza nasceu em Maputo e é filha de pai portugês e mãe moçambicana. E como quem sabe não teme, no encontro deu um “cheirinho” da sua voz aos presentes, que aplaudiram efusivamente, como quem diz queremos mais.

 

Os artistas Mr Bow, Liloca, Julia Duarte e o angolano Yuri da Cunha, que se encontram na cidade da Beira, a fim de participar numa mega festa alusiva a transição do ano, apelaram, num contacto com a imprensa, aos moçambicanos e de forma particular aos beirenses para na transição de 2017 para 2018, a esquecerem as mágoas do passado e levarem para o novo ano muito amor e carinho, facto que para eles poderá contribuir para consolidar a união.

Quanto a festa de transição do ano, onde todos os detalhes estão a ser preparados cuidadosamente para animar os beirenses, Mr Bow acredita que vai ser uma noite de muito amor.

A cantora Júlia Duarte, um dos produtos dos programas de entretenimento e descoberta de talentos da STV, promete uma festa de arromba. 

A série televisiva “A Game of Thrones” ou "A Guerra dos Tronos", em português, voltou a ser o programa televisivo mais pirateado a nível mundial, pelo sexto ano consecutivo, segundo uma compilação feita pela página especializada Torrentfreak, indicada pelo Notícias ao Minuto.

De acordo com uma publicação do Torrentfreak, "apesar de não ter havido um novo recorde de descargas, a nível de tráfego o interesse foi muito", tendo alcançado um pico de 400 mil partilhas em simultâneo depois de o final da sétima temporada ter sido colocado na Internet.

Os autores da análise alertam contra leituras sobre um crescimento ou diminuição da pirataria digital a partir destes números, uma vez que os 'torrents' (que permitem a descarga de algo através da ligação partilhada por vários utilizadores) são apenas uma parte dessa realidade, salientando a propagação de páginas que permitem o 'streaming' (visionamento de um determinado programa sem necessidade de o descarregar) de forma ilegal.

A sétima temporada de "A Guerra dos Tronos", transmitida este ano, foi atingida por vários problemas, entre os quais um ataque informático à HBO, que levou a que argumentos da saga fossem colocados online antes da exibição dos episódios.

A oitava e última temporada da série, que tem por base os livros de George R. R. Martin, vai estar em filmagens até ao próximo verão, tendo 2019 como provável data de exibição dos seis episódios já anunciados, de acordo com entrevistas de vários actores do elenco publicadas nos últimos meses.

O pintor moçambicano, Sebastião Matsinhe, foi recebido pelo governador de Inhambane, Daniel Chapo, para um encontro em que o pintor pretendia apresentar projectos que visam incrementar a cultura e o turismo na cidade de Inhambane.

Embora considere a cidade turística, Matsinhe acredita que esta precisa de mais atractivos.

Acompanhado pelo vereador da Cultura no Conselho Municipal da Cidade de Inhambane, Dias Letela, o governador acolheu a iniciativa e prometeu tudo fazer para que as ideias trazidas pelo artista sejam implementadas.

"A cidade de Inhambane tem vários locais bonitos e atraentes, que com a veia artística do Mestre Sebastião Matsinhe  vão dar mais visibilidade e que serão um ponto de referência, nacional e internacional", disse.

Para além de ser um dos melhores destinos turísticos do país, Inhambane é também uma província que viu nascer muitos artistas, dentre eles, Sebastião Matsinhe, Otis, Chico António, Jimmy Dludlu, Magid Mussá, Roberto Isaias entre outros.

Não é de hoje que as artes moçambicanas servem objectos de estudo no estrangeiro. Desta vez, uma defesa de dissertação intitulada “Intersecções dialógicas entre A confissão da leoa, de Mia Couto, e a série fotográfica “Muthianas e capulanas de Moçambique”, de Albino Moisés: Focalização e Enquadramento do Feminino”, da autoria de Joseana Stringini da Rosa, jornalista e professora de fotografia brasileira foi apresentada há dias, na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) do estado de Rio Grande do Sul no Brasil.  

A série de fotografias foi exposta por Albino Moisés em 2015, na cidade de Belo Horizonte, no Brasil. A mesma faz um interface com a narrativa do romance “A confissão da leoa”, de Mia Couto, tendo dado lugar à tese de mestrado em Letras, enquadrado no Programa de Pós-Graduação em Letras naquela universidade brasileira.

Joseana Stringini da Rosa autora da tese, desenvolveu um trabalho de pesquisa que envolve a representação da mulher retratada na literatura e na fotografia moçambicana. Ou seja, Mia Couto e Albino Moisés convergem num tema comum: a mulher. Ambos apresentam como pano de fundo o universo feminino. Por exemplo, “A confissão da leoa” é inspirada numa experiência real do autor, que teve lugar numa pequena comunidade da província de Cabo Delgado. O escritor explica, nas primeiras notas, que o romance surge de sua experiência como biólogo.

Quanto, às fotografias de Albino Moisés, foi apresentada no Festival de Artes Negras na cidade de Belo Horizonte-Minas Gerais, que contou com a curadoria do senegalês Olúségun Akinruli; projecto gráfico de Maria Luiza Viana e Adriana Araújo (produção executiva). É uma série de 22 fotografias a cores, que faz um hino à beleza da mulher moçambicana. É ainda um tributo à capulana, um dos símbolos mais representativos de identidade moçambicana. As imagens resultaram de viagens efectuadas nas regiões Norte, Centro e Sul do país entre 2012-2015. Para além da capulana, a série fotográfica realça ainda algumas marcas e simbolismos tradicionais, como o “Mussiro” da mulher macua, a tatuagem maconde, as cores e diferentes maneiras de amarrar a capulana etc. 

A exposição, de acordo com o autor, teve, durante a apresentação, grande impacto social e cultural junto do público local, tendo proporcionado uma informação necessária sobre questões culturais do nosso país.

A defesa de dissertação da professora de fotografia Joseana Stringini da Rosa enquadra-se no Programa de Pós-Graduação em Letras e o trabalho de pesquisa durou aproximadamente dois anos. 

Albino Moisés fotografa desde 1990. Em 2013, apresentou a sua primeira exposição “Mwana-Mwana: Pérolas do Índico” em Belo Horizonte, Brasil, sob curadoria de Rosália Diogo. Naquela cidade também orientou um workshop sobre iniciação em fotografia para 164 crianças de escolas de ensino Médio e Fundamental. Em 2014, participa na exposição colectiva “Mulheres da Minha terra”, alusiva ao Dia de África, no Município Presidente Prudente, Estado de São Paulo. Ainda no Brasil, participou num festival de curtas-metragens nas cidades de Ouro Preto e Belo Horizonte, o documentário “Shilambo ashi shetu – esta terra é nossa” que realizou em 2010.

 

 

 

 

 

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