O País – A verdade como notícia

Uma delegação de artistas moçambicanos partiu, segunda-feira, com destino a Cuba, para apresentar a primeira exposição de artes, denominada “Arte moçambicana em Cuba”, a ser inaugurada sexta-feira. A exposição, composta por 60 obras, entre pintura, escultura, gravura, cerâmica e artesanato de artistas de todo o país, decorrerá na Cidade de Havana, capital cubana, e terá a duração de 60 dias.

A missão moçambicana para este evento é dirigida pelo Secretário Permanente do Ministério da Cultura e Turismo, Domingos Artur, que vai procurar internacionalizar a arte e cultura moçambicana.

Domingos Artur, falando na passada sexta-feira, numa conferência de imprensa decorrida no Ministério da Cultura e Turismo, sobre a exposição, disse que as artes são um factor de intercâmbio cultural dos povos.

“As pessoas estão sedentas em conhecer a cultura africana, uma vez que as povoações cubanas são compostas maioritariamente por povo africano e a perspectiva destes é ver exibida o que Moçambique tem de melhor”, disse o Secretário Permanente.

Segundo a fonte, a exposição poderá abrir portas para que as obras sejam conhecidas internacionalmente e apareçam promotores com interesse em expô-las noutros cantos do mundo.

O Secretário Permanente do Ministério da Cultura e Turismo disse ainda que farão de tudo para tirar maior benefício desta deslocação, aproveitando nesta única viagem mostrar o grande leque criativo dos moçambicanos, e provar aos cubanos que em Moçambique há artistas com um potencial artístico muito forte.  
Ídasse Tembe, que também faz parte da delegação, em representação dos artistas, disse que os laços entre Moçambique e Cuba são seculares e a ida àquele País americano servirá também para firmar contactos com os artistas locais.

No prefácio do catálogo, da exposição, Silva Dunduro, Ministro da Cultura e Turismo, escreve que “a realização desta exposição resulta das históricas relações de amizade entre Moçambique e Cuba, há longa data. Adiantando que é no âmbito destas relações que o Ministério da Cultura e Turismo e o Ministério da Cultura de Cuba firmaram recentemente um comprometimento em promover acções com vista a assegurar uma contínua revitalização das relações de amizade e cooperação entre os dois países e povos, em particular no que se refere às actividades artístico-culturais, no âmbito da visita presidencial realizada a Cuba em Junho deste ano”.

Ainda no âmbito desta parceria, estão em curso programas de interacção entre as instituições dos dois países nas áreas de cinema, pesquisa e divulgação do património cultural, financiamento à cultura, ensino artístico, intercâmbio entre artistas e promotores de eventos culturais.

Em paralelo à exposição, serão realizadas palestras, debates sobre arte moçambicana, assim como oficinas/ateliers como forma de troca de experiências entre artistas moçambicanos e os cubanos.

 

O final do ano está a alguns passos. No entanto, antes de 2017 ir-se embora, o Museu Nacional de Arte, na capital do país, organiza a “Exposição anual MUSART 2017”, cuja inauguração terá lugar na sua sede esta quinta-feira, a partir das 18h.

Desta vez, a “Exposição anual MUSART 2017”, que estará patente nas paredes do Museu Nacional de Arte até 11 de Fevereiro de 2018, junta os seguintes autores: Achaúque, Alex Dunduro, Amisse, Augusto Aliasse, Bata, Binda, Chaná, Éneas, Famós, Fernando Machiana, Fornasini, Jonas Tembe, Kumallemo, Mahazul, Makamo, Mankew, Matomo, Mendonça, Mirel, Mugime, Muiangane, Naguib, Nené, Newton Johanet, Norberto, P. Simbine, Pekiwa, Reinata Sadimba, Rivaldo, Sebastião Matsinhe e Tsenane.

A exposição estará aberta ao público de terça a sexta-feira, das às 11h às 18h, e, aos sábados, domingos e feriados, das 14h às 18h.   

Jorge Dias é o artista vencedor da 4ª edição do programa de Residência Artística para Artes Visuais e Fotografia, em Lisboa, de acordo com uma nota enviada pelo Camões – Instituto da Cooperação e da Língua. 

Concebido ao abrigo do protocolo de cooperação celebrado entre a Câmara Municipal de Lisboa e o Camões – Centro Cultural Português em Maputo, o programa destina-se a artistas visuais e/ou fotógrafos, de nacionalidade moçambicana ou residentes em Moçambique, há mais de dez anos, que já tenham currículo na área e pretendam desenvolver um projecto coerente, consistente com o seu percurso artístico, pertinente na proposta de relação com a cidade de Lisboa e com reconhecido interesse no âmbito da arte contemporânea, informa o documento daquela instituição.

O Júri constituído por Jürgen Bock (curador independente convidado), Manuel Veiga (Câmara Municipal de Lisboa) e Alexandra Pinho (Camões – Centro Cultural Português em Maputo) avaliou onze candidaturas, uma das quais da cidade da Beira, e decidiu por unanimidade seleccionar a proposta de trabalho de Jorge Dias, pelo excelente currículo e mérito de trabalho desenvolvido ao longo da carreira artística, mas também pela sua pertinência e adequação à lógica de criação artística contemporânea que se pretende privilegiar neste programa.

O Júri considerou que a proposta de trabalho apresentada, constitui um efectivo projecto de pesquisa e questionamento, demonstrando um elevado grau de maturação e coerência com o percurso artístico do candidato.

Jorge Dias estudou Cerâmica na Escola Nacional de Artes Visuais, em Maputo, e Escultura na Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Brasil). É membro fundador do Movimento de Arte Contemporânea de Moçambique – MUVART e, actualmente, é director e docente na Escola Nacional de Artes Visuais, na capital do país

Dias Expõe regularmente desde inícios da década de 1990, tendo realizado exposições individuais em diversas instituições, entre as quais se destacam as seguintes: Museu Nacional de Arte (com Gemuce, Maputo, 2005); Centro Cultural de Lagos (com Nelson Leirner, Lagos/Portugal 2005); Centro Cultural Franco-Moçambicano (Maputo, 2007 e 2015); Camões – Centro Cultural Português (Maputo, 2010); Espaço Fundação PLMJ (com Lino Damião, Lisboa/Portugal, 2012), Mediateca do BCI (Maputo, 2014), Plano das Coisas (Maputo, 2017).

O artista participou em várias exposições colectivas, entre as quais se destacam: Réplica e Rebeldia (2007); Lisboa-Luanda-Maputo na Galeria Torreão Nascente da Cordoaria Nacional (2007); Anganza África na October Gallery (2008); Bienal de S. Tomé e Príncipe (2008); Africa Now na Sede do Banco Mundial (2009); África 2.0 na Influx Contemporary Art (2012).

Igualmente, Dias trabalhou como curador no Museu Nacional de Arte, em Maputo (2007-2010), e participou, também na área da curadoria, em vários projectos a nível nacional e internacional, entre os quais se destacam: Feira de arte ARCO´06 (Madrid/Espanha, 2006); Feira de Arte Lisboa (Lisboa/Portugal, 2004 e 2008); Expo Arte Contemporânea Moçambique (Maputo, 2004/06/08/10); como co-curador na Bienal TDM A Máquina Que Queria Voar (Maputo, 2007) e na Bienal TDM Espaços de Hoje: desafios e limites (Maputo, 2009).

Escreve sobre a produção da arte em Moçambique desde 2003 e contribui para a teorização das produções mais recentes, tendo publicado artigos nos jornais Notícias, Meianoite e O País, no blog do MUVART e na revista Artecapital (Portugal).

Jorge Dias será o artista em residência em Lisboa, entre 1 e 31 de maio de 2018.

 

Uma vez mais, o rapper Azagaia e a banda Os Cortadores de Lenha voltam a juntar-se para um espectáculo musical. Desta vez, depois da actuação na praia da Costa do Sol, no passado dia 1, o próximo local do espectáculo é o Centro Cultural Franco-Moçambicano (CCFM), na cidade de Maputo.  

Na verdade, o espectáculo designado “Probidade pública – uma narrativa audiovisual” vai servir para encerrar as actividades do Franco-Moçambicano, relativas a este ano. Assim, a partir das 20h30 da próxima sexta-feira, os músicos estarão no palco para, com punhos no ar, levar ao público as rimas que estão habituados a ouvir do Edson que dá Luz a Azagaia revestida de coragem.  

Não obstante, para haver ordem numa sociedade é necessário que haja proibições. No país, a legislação é que desempenha esse papel. A forma como os cidadãos cumprem ou resistem a essas proibições é que determina o ambiente, a qualidade de vida e o sentido de justiça que se vive. Assim, Azagaia e Os Cortadores de Lenha pretendem levar a Sala Grande, local do show, a olhar para o proibido em Moçambique, as suas razões e importância para a ordem ou caos social, de acordo com um comunicado do Centro Cultural Franco-Moçambicano enviado à nossa redacção.

Ainda segundo a mesma fonte, a actuação de Azagaia e Os Cortadores de Lenha será um espectáculo audiovisual, no qual haverá mistura de imagens de vídeo com actuações ao vivo de temas conhecidos do rapper, antigos e recentes, mas arranjados para o contexto.

O grupo será composto pelos seguintes artistas: Texito Langa (bateria), Nandele (DJ), Embrion (baixista), Mauro Stainway (teclista), Onésia e Terry (coristas) e, claro, Azagaia na voz principal.

 

 

Chama-se Hermínio Chissano, mas, nas ruas, toda a gente conhece-lhe por Duas Caras, um dos melhores rappers moçambicanos de todos os tempos. Nessa qualidade, Duas Caras prepara-se para lançar EP, numa cerimónia marcada para o próximo sábado, no Beergarden, espaço localizado no Jardim dos Madjermanes, na cidade de Maputo.

Entre 11h e 18h, Duas Caras estará com o seu novo trabalho Duditos way, obra composta por cinco músicas, as quais, em geral, trazem relatos de uma trajectória do rapper e de uma vida entregue à música. Além disso, Duas Caras aborda, no EP, questões de âmbito social, sem que isso se torne necessariamente numa apresentação de intervenção à laia de sátira. O que mais importa ao autor é reflectir sobre o seu meio, com a pretensão de fazer parte da solução. Afinal, afirmou Duas, “quando problematizamos determinada realidade, também somos chamados a apresentar possíveis soluções. Por isso preferi, nesta aparição, abordar questões que nos levem a pensar ao invés de me deixar levar apenas por uma crítica explícita. Quis algo mais subtil”.

Ora, Duditos way não se restringe apenas a rebuscar o passado do autor ou a pensar o presente. Paralelamente, neste EP, Duas Caras apresenta temas de algumas músicas com carácter exibicionista, o que revela a pretensão do autor esmerar-se na demonstração do que considera parte técnica do rap, por ser pouco explorada, mesmo ao nível dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP). “Quis fazer disso uma das minhas grandes armas. Quem for a ouvir a EP vai perceber que, mais do que eu digo, preocupo-me mais com a forma como digo. É essa arte que me interessa”.

Mesmo porque as músicas que constituem a EP são reduzidas, Duas Caras não pôde aventurar-se em vários temas. Ainda assim, o rapper garante que este trabalho funciona como antecâmara do que vai ser o seu álbum, a ser lançado em 2018. Duditos way encaixa-se num plano do que Duas Caras pretende fazer nos próximos cinco anos. Nesse intervalo temporal, Kara Boss, como também é conhecido, almeja, mais do que nunca, fazer o que, por várias razões, não conseguiu no passado. O rapper diz estar muito motivado e focado para o efeito.

Olhando para o passado, agora com mais maturidade, Duas Caras acredita que, por algum motivo, Deus quis que o seu primeiro álbum a solo não saísse na altura em que se esperava, pois era suposto que já tivesse um disco lançado há muito tempo. Porque a consumação em disco de uma carreira a solo vem tarde, o título completo deste EP não poderia ser outro: “Duditos way (o homem que chegava tarde)”. Mas por quê Duditos way? Duas explica que o título da EP é inspirado num filme norte-americano: Carlito’s way, dirigido por Brian de Palma. No filme, o personagem Carlito, depois de sair da prisão, promete a si próprio e a todos abandonar a vida que lhe custou a liberdade, como tráfico de heroína. No entanto, mesmo querendo levar vida honesta nas Bahamas, os amigos do passado regressam para o meter de novo em esquemas criminosas e perigosos. É graças a um amor antigo que Carlito encontra forças para não desistir das suas escolhas.

Com efeito, esta não é a primeira vez que Duas Caras dá um título a uma obra sua inspirado em filmes de gangsters. Há algum tempo, o rapper lançou a música “Frank Lucas”, personagem interpretada por Denzel Washington, no filme American Gangster, dirigido por Ridley Scott. Questionado sobre a permanência desse tipo de temas nas suas letras, Duas Caras disse que se revê nos filmes ao estilo gangster, nos quais, por exemplo, interessa-lhe explorar ensinamentos que enaltecem um grande sentido de pertença à família construída por laços de amizade ou afinidade.

Todas as cinco músicas de Duditos way – “Vale do rei”, “Vitz Amarelo”, “Ossos do baú”, “Não há mola” e “Põe um link” – são inéditas, e algumas contam com a participação de G2 e Cassula, uma voz que o rapper garante que vai surpreender a muitos.

Duas Caras acredita que as pessoas vão gostar da EP porque está a fazer música que não só envolve amantes do rap. “Estou num nível em que me interessa elevar a fasquia da arte de rimar, e acho que esta minha abordagem vai contribuir para se mudar alguma coisa na forma de fazer RAP”.

Além desta EP e dos discos lançados com a G. Pro (Um passo em frente, Na linha da frente e Foreva), Duas Caras lançou, há alguns anos, o single Tondje Mcee (do rhonga, “tondje”, é um calão usado para dizer macumba e/ou magia. “Mcee” provém de MC).  

As músicas do Duditos way foram produzidas por Billy Ray, Ilusionista, Trigga e Chef4Souls.

 

 

O Presidente da República, Filipe Nyusi, recebeu, na manhã de quarta-feira, Licínio Azevedo, realizador moçambicano do filme “Comboio de Sal e Açúcar”. No encontro, esteve acompanhado pelo Director do Instituto Nacional de Audiovisual e Cinema – INAC, Djalma Lourenço, de acordo com um comunicado enviado à nossa redacção daquela instituição.

Na ocasião da estreia “Comboio de Sal e Açúcar”, em salas de cinema, o Chefe de Estado encontrava-se em missão de serviço, fora de Maputo, tendo Filipe Nyusi se surpreendido ao ver  o filme durante uma viagem, num voo internacional.

Este filme foi destacado como sucesso nacional e internacional. Por isso, recebeu vários prémios importantes em festivais, e foi seleccionado como uma das seis produções africanas inscritas para concorrer ao Óscar de Melhor Filme Estrangeiro.

A pesquisa feita pelo realizador do filme para a escrita do livro que deu origem ao mesmo, em meados dos anos noventa, no trajeto ferroviário entre Nacala e Entre Lagos, foi autorizada e facilitada pelo Director dos Caminhos de Ferro de Moçambique – Norte, que na época, era Filipe Nyusi.

No encontro, o realizador ressaltou o apoio fundamental dado à produção do filme pelos CFM, Ministério da Defesa e pelo INAC.

O Presidente da República ressaltou que no seu Governo, as Forças de Defesa e Segurança irão esforçar-se no sentido de apoiar as obras cinematográficas, de forma a tornar o nome do País mais conhecido além fronteiras, uma vez tratar-se de um elemento fundamental para promoção do turismo a nível internacional. 

 

 

“Corpo e Luz”… esta é a designação do espectáculo da Associação Cultural Mono, inserida na Cooperação Cultural Moçambique – Noruega.

O evento será o ponto de convergência, no qual a música, a dança, a poesia e a acrobacia irão encontrar-se nos dias 15 e 16, no Gil Vicente. O espectáculo produzido pela Associação Mono promete trazer muita luz com a presença de artistas nacionais e estrangeiros.

O que não é surpresa é a promessa de José Mucavel, uma das figuras de cartaz, de levar o melhor de si ao público que afluirá ao local
Com o espectáculo “Corpo e Luz”, a Associação Cultural Mono pretende resgatar valores morais para a construção de uma sociedade melhor, celebrando a Cooperação Cultural entre Moçambique e Noruega.

O escritor, poeta e artista plástico, Adelino Timóteo, apresentou a obra “Os oito maridos de dona Luíza Michaela da Cruz”, em mais uma cidade europeia. Desta vez, foi Berlim, Alemanha, e o evento aconteceu quinta-feira passada, informa o órgão DW, realçando que, com o romance histórico, o autor pretende registar o poder da mulher no período colonial.

O lançamento aconteceu na Embaixada do Brasil, em Berlim, durante o evento “Convergência e Divergência: A CPLP como Espaço de Cultura e Economia e sua Percepção na Europa”, organizado pela Sociedade Alemã para os Países Africanos de Língua Portuguesa (DASP), em que foram realizadas diversas palestras sobre temas moçambicanos, de acordo co, DW.

O livro “Os oito maridos de dona Luíza Michaela da Cruz” de Adelino Timóteo é um romance histórico com notas de ficção e conta um pouco sobre a vida de Dona Luíza Michaela da Cruz, dona de um prazo, (nome dado às terras arrendadas pela coroa portuguesa em Moçambique), na província da Zambézia – no período colonial.

“Este romance procura fazer uma radiografia sobre esses territórios e, ao mesmo tempo, demarcar o poder que essa senhora tinha naquela altura e elucidar sobre até que ponto esse poder influía sobre os seus súbditos e a relação dela com um poder, digamos, hierarquicamente superior. Porque extravasava. Ela acabava tendo mais poderes do que a coroa [em Portugal],” disse Timóteo, falando sobre o livro lançado há dias na Alemanha.

Adelino Timóteo conta que escolheu dona Luíza para personagem central de seu romance porque “não se fala dela em Moçambique, praticamente não se fala – embora esteja na história”.

O autor quis, assim, cita DW, “chamar a atenção sobre uma pessoa que durante uma certa época de vida em Moçambique já tinha um certo dom, digamos, varonil. Era uma mulher que tinha uma atitude social mais empenhada, diferente, muito avançada para a época. Tinha uma atitude guerreira, era uma senhora de armas, dirigia combates e enfrentava os homens como se fossem seres, às vezes, inferiores”.
Poder e ambiguidades

Para garantir sua influência e seu poder, dona Luíza não poupava esforços. “Quem não fosse de acordo com a perspectiva dela, ela podia mandar matar. Ela tinha uma lagoa de crocodilos. Ela tinha homens, ordenava, e lançavam-no à lagoa de crocodilos”, acrescentou o escritor.
Adelino Timóteo diz que, nas suas pesquisas, leu sobre quatro maridos. Mas explica como chegou ao título “Os oito maridos de dona Luíza Michaela da Cruz”. “A imagem que ela tinha que fazia com que Portugal impusesse que o marido dela tinha de ser um português. Não podia ser um negro. Mas, ao mesmo tempo, ela fica grávida de um negro. Quer dizer, há uma ambiguidade não só de poder, há uma ambiguidade de normas que, na prática, são violadas”, avalia.

Outra personagem histórica a quem o escritor dá nova vida neste livro é o missionário e explorador britânico David Livingstone, que foi ao Vale do Zambeze para evangelizar e combater o tráfico de escravos no século XIX. Na obra, o personagem assume o papel de narrador. “O Livingstone era bastante crítico à escravatura e visitou o prazo de Guengue e, ao mesmo tempo, fez uma reportagem manifestando o seu desagrado sobre a escravatura naquela altura,” relata. “Eu aproveito essa situação, na qualidade do moralista que ele era, para aquela altura. Certamente, eu imagino, na pele dele, um indivíduo que viveu naquela altura e que vai contar a história como quem testemunhou as situações todas em Guengue,” diz o autor.

Ao recuperar a história de dona Luíza Michaela da Cruz, o escritor moçambicano pretende também levantar debates, conforme disse ao DW: “Hoje fala-se de feminismo. E o feminismo, muitas vezes, quando se aborda, é visto como algo que sai do ocidente e se expande pelo mundo. A minha ideia é mostrar que em diversas partes do mundo, em épocas diferentes, houve mulheres que tiveram poder e são independentes dessa gênese do tal feminismo que se diz,” avalia Adelino Timóteo.

Para o autor, o lançamento do livro em Berlim é o ponto alto da sua divulgação fora do espaço de língua portuguesa. “É o momento alto, na medida em que vou interagir com um público diferente, mas falante de língua portuguesa. Isso alarga um bocadinho aquela dimensão que nós temos quando criamos. Estamos a pensar num espaço geográfico e esse espaço vai se alargando,” considerou.

Agora, Adelino Timóteo, de acordo com DW, espera que haja interesse em traduzir-se o seu livro para outras línguas e, assim, dar asas, como diz, à sua publicação.

O Teatro Avenida, na cidade de Maputo, vai receber, no dia 15 deste mês, a partir das 18 horas, a segunda edição do espectáculo “A força de um sonho”, que se enquadra no âmbito das actividades da Vila Artística Dans´Artes, da bailarina e coreógrafa moçambicana Maria Helena Pinto.

O espectáculo da próxima juntará, no mesmo palco, cerca de 90 alunos de Maputo e Matola, dos quais 50 bolseiros da Vila Artística Dans’Artes. No leque das apresentações, destacam-se danças moçambicanas, ballet, moderna, contemporânea, hip-hop, valsa, canto e uma exposição de artes plásticas e artesanato produzido pelos alunos da escola.

O evento será de muita força na expressão de cada elemento artístico das áreas da dança, da música, do circo interpretado por crianças que possuem uma paixão pelas artes cénicas. Será também, o momento do lançamento da música “Dans’Artes, a força de um sonho” criada por vários membros da instituição e alguns convidados.

Refira-se que as receitas deste espectáculo serão revertidas para a construção de infra-estruturas da Vila Artística Dans’Artes, na Matola Rio.

O Dans’Artes é o culminar de um sonho de uma Vila Artística pensada primeiro para o artista e os actores culturais. Para além do desenvolvimento artístico, o Dans’Artes visualiza-se como um pólo de desenvolvimento de turismo cultural assim como comunitário e socio-económico. Trata-se, portanto da construção de uma vila artística denominada Dans’Artes, em construção na comunidade de Djonasse, Distrito de Boane.

A premissa do Dans’Artes é trazer as artes e cultura para o público em geral sem discriminação de idades e grupos sociais com a participação das comunidades. “Esperamos mudar o cenário actual do distrito de Boane criando empregos locais e permitindo uma dinâmica cultural e artística de visibilidade local nacional, regional e internacional. Esperamos contribuir para a edificação de cada um de nós através das artes e cultura. A Dans’Artes é um espaço de artes multidisciplinar”, lembra Maria Helena Pinto, fundadora do Dans’Artes, num comunicado de imprensa enviado à nossa redacção.

 

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