O País – A verdade como notícia

O artista plástico José Eugénio Cossa (Matxakhosa) está em exposição individual no ICEMA – Fábrica de cerâmica de Maputo, com a obra “Maputo Modja”.  

Na verdade, a mostra foi aberta ao público no dia 2 deste mês, e encerra dia 8, às 16h.

No mesmo local onde o artista expõe, no dia 3, dois Workshop de iniciação à modelagem da cerâmica foram promovidos, e contou com a participação de crianças e adultos.

Do dia 4 a até esta quarta-feira, estão previstas visitas guiadas, entre 10h-16h.

“Modjar” é uma expressão do calão que surgiu no mercado informal de trabalho e, tem sentidos diversificados, tais como: chamar clientela, batalhar e, desenrascar a vida. Desta forma, o artista toma desta realidade uma oportunidade para a mostrar em obras de arte, assim como homenagear a todos os moçambicanos que duma forma honesta trabalham para o seu sustento.

Nas Instalações fabris da  ICEMA e nas suas galerias de fabrico, os artistas em residência se apropriam das matérias e do espaço, moldam o barro e criam formas, dando lugar a peças únicas.

 

 

A cerimónia da primeira edição do Fashion Awards, no âmbito do Vodacom Mozambique Fashion Week, cuja selecção dos nomeados esteve a cargo de pessoas que trabalham no sector da moda, cultura, arte e entretenimento, aconteceu, sábado, no Conselho Municipal de Maputo, com objectivo de celebrar a indústria da moda e do entretenimento nacional.

Na lista nos nomeados, em diversas sub-categorias estão os seguintes nomes: Melhor Modelo Feminino: Salva Paulino; Melhor Modelo Masculino: Inácio Fernandes; Apresentadora Mais bem Vestida; Tatiana Sumburane; Apresentador Mais bem Vestido: Dudas Aled; Cantora Mais bem Vestida: Euridse Jeque; Cantor Mais bem Vestido: Stewart Sukuma; Projecto de Moda Inovador: Fraternidade sem Fronteiras e The Kins.

Stewart Sukuma sublinhou que é bem-vinda a iniciativa do MFW em nomear as personalidades que se destacam no mundo da moda. “Este tipo de evento incentiva os moçambicanos a acreditar na capacidade criativa. Penso que existem muitos músicos que se vestem muito bem, em Moçambique. Não tenho nenhuma pretensão de ser modelo. Houve uma altura que apostei muito no uso da capulana, mas agora estou empenhado em ter detalhes. Estou muito feliz e espero que este tipo de evento continue para mostrar a cultura dos moçambicanos a nível internacional”.

Para a Melhor Modelo Feminino, Salva Paulino o reconhecimento foi possível graças ao esforço de modelos e estilistas. “Muito obrigada pela força. Não esperava que eu fosse vencedora”.

Por seu turno, o Director-geral da DDB Moçambique, Vasco Rocha destacou que o Vodacom Mozambique Fashion Week ao longo dos 13 anos de existência, aumenta o “orgulho dos moçambicanos em usar produto nacional e valorizar aquilo que nós chamamos de criatividade nacional”.

O reconhecimento consistiu na entrega de troféus que retratam a valorização das artes locais com materiais tipicamente encontrados em peças de artesanato como o Pau-preto e a Capulana. A produção dos referidos troféus esteve a cargo dos artesãos moçambicanos, relevando dessa forma, o seu carácter personalizado e único. Na parte posterior dos troféus, encontram-se cravadas à mão as categorias e respectivos nomes dos vencedores. Tudo isto numa peça simples, com classe e grande identidade local.

Na mesma cerimónia, houve o reconhecimento das marcas que ao longo de vários anos apoiam o desenvolvimento do Vodacom Mozambique Fashion Week.

 

A Fundação Fernando Leite Couto vai lançar, esta quarta-feira, o livro intitulado “A descrição das sombras”, da autoria de Macvildo Pedro Bonde ou M. P. Bonde, como é conhecido.

O livro a ser lançado na sede daquela instituição, em Maputo, é composto por quatro partes e é resultado da primeira edição do prémio Fundação Fernando Leite Couto. 

Segundo Bonde, o livro é uma prosa poética dividida em quatro momentos. No primeiro, terceiro e quarto, o poeta fala de seus “eus” e daquilo que apoquenta a sociedade. No segundo momento, fala do amor. “Não vale apena só falar de mim, mas também olhar para os males que apoquentam a sociedade que também sou membro. E como cidadão, tenho também de manifestar a minha simpatia ou não perante a sociedade”, referiu.

Este é o segundo livro de Bonde, depois de “Ensaios Poéticos”, lançado em Março deste ano. Por isso, nos próximos tempos, o poeta quer apenas deixar que as suas obras ganhem própria vida. “Neste momento tenho sete projectos terminados, mas o processo de publicação é outra coisa. E depois de ter dois livros em um ano não estou muito agora preocupado em lançar um livro. Estou num período `sabático´ de ponto de vista de publicação a não ser que seja aliciado por um projecto interessante. Tenho que deixar os livros ganharem a sua vida e as pessoas também consumirem”, referiu Bonde.

 

 

 

Foram, ontem, apurados representantes para a Região Sul do concurso Vodacom Turma Tudo Bom. A Gala de apuramento teve lugar na cidade de Maputo, e, assim, passaram para a fase nacional na categoria Olimpíadas Académicas as escolas Secundárias Machava-Sede e Josina Machel, de Maputo Província e Cidade, respectivamente.

Já na categoria de Novos Talentos, foram apurados os The Twins, na subcategoria de Dança; no Canto, foi apurada Inês Mulaícho; e no Teatro, foram apuradas Lubeila e Yura.

Encerradas as fases regionais, segue-se a primeira gala nacional, já a decorrer no dia 13 do mês em curso e em palco estarão os representantes das três zonas do país.

 

 

Moda e empreendedorismo. Esta é a nova aposta da estilista Sara de Almeida. Para a concretização do intento, o grupo Sara de Almeida Multi Services inaugurou, sexta-feira, a loja S.A. Store, na cidade de Maputo. O evento teve lugar no Maputo Shopping Center, e surge com o objectivo de impulsionar o percurso de Sara de Almeida, sempre na perspectiva de oferecer roupa de qualidade aos moçambicanos.

Com efeito, a S.A. Store é uma loja que fornece roupa desenhada pela estilista e assessórios diversos para todas as idades, mas também roupa importada como forma de diversificar as peças e oferecer propostas de padrão nacional e internacional. “No nosso país a ideia do empreendedorismo tem sido a palavra de força para a juventude, é neste prista que o grupo Sara de Almeida estende os seus serviços apostando na abertura de uma loja, como forma de estar mais perto do cliente”, disse a estilista, na sessão de abertura da loja.

A nova aposta da estilista moçambicana surge, igualmente, para contribuir para redução da taxa de desemprego no país. “Este projecto é também a forma que o Grupo Sara de Almeida Multi Services encontrou para empregar moçambicanos”, afirmou.

A cerimónia de inauguração da S.A. Store contou com vários convidados do mundo da moda e diversas individualidades.

 

 

 

 

 

Fosse guitarra uma bola e a música um Nou Camp, definitivamente, dir-se-ia que Jimmy Dludlu é um Lionel Messi. Não pela altura, que o menino de Chamanculo nem é baixo, mas pelo talento, tão espontâneo quanto incrível. O Standart Bank – Acácias Jazz Festival sabe das qualidades do Jimmy, nos dribles, por isso, convidou o guitarrista como figura de cartaz para colorir a primeira edição do evento que também contou com outros grandes nomes da música africana: Oliver Mtukudzi e Judith Sephuma.

Ao espectáculo de ontem à noite, Jimmy Dludlu aglutinou a sua actuação a uma hora intensa, preenchida de alto e bom som como se tocar fosse sinónimo de celebrar uma festa à moda africana, cheia de vida, cor e sorrisos.

O guitarrista subiu ao palco do Hotel Polana, cidade de Maputo, depois de um suspense necessário. E enquanto o momento mais aguardado da noite não acontecia, com a excepção da área VIP, todo o auditório pôs-se em pé, quiçá, perspectivando o que iria acontecer de seguida. Foi então que um menino com aproximadamente 50 anos de idade e tantos outros de percurso artístico, preenchido de prémios e reconhecimento inquestionáveis, apareceu tocando Moçambique, nas notas de um jazz misturado com cancioneiro popular. Foi uma espécie de um prelúdio, porque, de seguida, o guitarrista recuou anos para ir revitalizar um dos seus grandes sucessos “Linda”, do álbum “Echoes from the past”, passando por “Masseve”, do In the Groove, seu último disco, sem se esquecer de brincar aos “hama tué tué”, tocando. O back the tinme continuou ainda com outro grande sucesso na inauguração do Standart Bank – Acácias Jazz Festival, “How about the ones in the village”, cumprindo um rigor que já é uma marca sua: “tocar como sempre e brilhar como nunca”. Aí, antes mesmo de tocar “The greatness of Jesus”, como forma de agradecer ao Criador, pelas bênçãos e pela felicidade de ali estar, como fez menção, Jimmy ressuscitou Michael Jackson, interpretando-o com guitarra nas mãos. E, lá mais para o fim, “Há deva” trouxe de volta, aos aplausos, a obra de Alberto Machavele.

Jimmy encerrou a sua actuação com “Pátria amada”, e, no palco, esteve com vários músicos, como Nelton Miranda (baixo), Stélio Mondlane (bateria), bem como Onésia e Sheila nos coros.

Ainda na abertura do Standart Bank – Acácias Jazz Festival actuaram Judith Sephuma, Oliver Mtukudzi e Banda Kakana. Destes, antecedeu Jimmy a sul-africana, quem levou ao Polana “One Word”, título do seu novo álbum, composto por 11 músicas. No entanto, Sephuma não se restringiu à novidade. Longe disso, tendo tocado pouco daquele disco, investiu muito nas músicas dos anteriores. Assim, fez ecoar “Le tshephile mang”, “A cry, a smile, a dance”, “Iya iyo” ou “Mme motswadi”. Quem pôde, há-de ter reinventado um passado, curtindo a quinta-feira como se do dia seguinte nada importasse. Nem mesmo o patrão.

Do estrangeiro, esteve ainda, mais uma vez no país, Oliver Mtukudzi. O zimbabwiano cantou, tocou, dançou e ainda recebeu um gracejo, afinal, quando os instrumentos cessaram por alguns instantes, lá no fundo, uma voz, sem rosto, declarou-se: “I love you, Oliver”, dito gritado, mas suficientemente excitante. O músico estava distante, mas deve ter ouvido, pois, instintivamente respondeu com o polegar a dizer em silêncio: “se estivesses perto, dava-te meu número do celular”. Mas a dona da voz não percebeu. Então, ficou quieta no seu assento.

À parte os celulares que estiveram constantemente a filmar, Mtukudzi fez o que lhe competia, cantar músicas como “Ndakuvara”, “Neria”, “Ndima ndapedza” e “Todii”.

A primeira edição do Standart Bank – Acácias Jazz Festival foi aberta pela Banda Kakana, que, “Juntos”, cantando amor e fraternidade, lá levaram suas serenatas, ao nível dos grandes que almejam ser.

Com efeito, o festival, assim, encerrou o mês em que a cidade de Maputo completou mais um aniversário, condenando cerca de 800 pessoas que estiveram na tenda do Polana ou a dormir até bem tarde, com um sonho colorido, ou a terem que adormecer no serviço. Hoje é dia de trabalho.

 

 

O romance A Noite, do escritor moçambicano Aurélio Furdela, é o vencedor da edição 2017 do Prémio Literário 10 de Novembro, instituído em 2005, pelo Conselho Municipal da Cidade de Maputo e a Associação dos Escritores Moçambicanos, AEMO, com o alto patrocínio da MCEL, para celebrar o Dia da Cidade das Acácias.

Este prémio distingue obras literárias de ficção escrita em língua portuguesa, por escritores residentes nesta Cidade.

O Laureado, em declarações feitas no acto da divulgação do vencedor, doou 10 % do valor monetário a que tem direito, à Cruz Vermelha, na ideia desta abrir uma conta bancária na qual quem estiver interessado poderá depositar o equivalente a um dólar, no sentido de ser canalizado aos milhares de jovens africanos que em pleno século XIX se debatem com as garras da escravatura, em busca de melhores condições de vida em solo europeu.

Sobre o romance A NOITE, o júri refere que é um original que denota uma grande capacidade técnica de construção narrativa, apesar da complexidade do tema, relações de poder e trocas comerciais no Mwenemutapa, o autor consegue manter uma coerência  do enredo, explorando várias situações de conflito entre personagens de diferentes dimensões. A descrição dos diferentes cenários e acções das personagens revela um grande trabalho de pesquisa e capacidade de efabulação. Diálogos muito bem colocados, que não deixam dúvidas sobre a experiência e maturidade literária do autor.

Com o Premio 10 de Novembro, em edições anteriores, foram distinguidos outros nomes sonantes da nossa literatura, tais como: Calane da Silva, Amin Nordine, Lucílio Manjate, Alexandre Chauque, entre outros.

António Cabrita e João Donato lançam, hoje, às 17h30, o livro O Blue da Majika, no Camões – Centro Cultural Português, em Maputo.

O Blue da Majika resulta de um desafio que o escultor João Donato lançou ao escritor António Cabrita para escrever sobre as suas mais recentes peças de cerâmica: quinze recriações de instrumentos musicais tradicionais moçambicanos.

António Cabrita, actualmente professor da Escola de Comunicação e Artes da Universidade Eduardo Mondlane, recordou a mítica histórica da Música das Esferas, que supostamente governaria a harmonia do cosmos, divertiu-se a buscar uma origem para a criação destes instrumentos musicais e vitais para propagarem a comunhão dos ritmos e a empatia entre os humanos tão permeáveis à indiferença e à discórdia. É também descrito nestas fábulas que os animais deixaram de falar no instante em que rejeitaram a grande oferenda do Vento ao mundo: a música.

 Com este argumento, e criando igualmente canções para alguns instrumentos, António Cabrita escreveu dezassete poemas que ilustram as peças de cerâmica correspondentes. São assim convocados a esta orquestra a Mbila, o Pankwé, a Chigovia, a Gocha, a Majika, o Mpundo, o Trompete, a M’bira, o Chitende, o Masseve, a Malimba, o Xirupe, os Tambores, o Makwilo, entre outros, numa pauta com novas melodias, embora também se forneçam notas descritivas sobre cada um dos instrumentos, as suas características técnicas, morfológicas e a sua inserção na vida material e simbólica das comunidades.

O Blue da Majika pretende, através da reflexão e da diversão, ser um objecto pioneiro na articulação entre as artes e a poesia.

As 15 peças de cerâmica de João Donato estiveram expostas no Núcleo de Arte, numa exposição individual que esteve patente ente 14 e 20 de Novembro.

 

A Sociedade Moçambicana de Autores (SOMAS) juntou a sua voz ao repúdio contra o que tratamento dado ao mural do artista plástico, Malangatana Valente Ngwenya, no recinto do Centro dos Estudos Africanos (CEA), na Universidade Eduardo Mondlane (UEM).

Depois da indignação que iniciou com um artigo de opinião da autoria do escritor Nelson Saúte, com amparo de outros segmentos da sociedade, a SOMAS divulgou, ontem, uma nota vincando a sua indignação.

“A SOMAS considera a colocação de furos e tubagem da casa de banho no mural do poeta e artista Malangatana uma violação ao direito do autor, para além de denotar falta de cultura, de civismo institucional e de respeito para com as artes, não apenas da parte do CEA, mas da própria UEM”, refere um comunicado de imprensa que tivemos acesso.

O guardião dos direitos autorais no país considera que há mesmo indícios criminais e defende, deste modo, que tem de haver uma intervenção do Ministério Público.

“Um desrespeito que urge repudiar e exigir responsabilidades, não apenas disciplinares, mas o respectivo procedimento criminal pelo Ministério Público”, vincaram no comunicado.

A SOMAS deplora ainda o facto de ser numa entidade como a UEM a acontecer o que classifica de “horripilante” gesto.

“É exactamente nesta Universidade, detentora de um inestimável património cultural, e que se espera ser a instituição que cultiva e mantém viva a memória de Malangatana, enquanto filho amado da nação moçambicana, que ocorre a mais gritante e horripilante violação a cultura e legado de Malangatana e do povo moçambicano” frisa.

O ministro da Cultura e Turismo, Silva Dunduru, visitou recentemente o mural e manifestou tambem desagrado pelo que viu, tendo considerado a acção como “um atentado grosseiro às artes”.

De acordo com informações que tivemos acesso, de fontes oficiais, “o restauro do mural vai acontecer num esforço conjunto entre o Ministério da Cultura e Turismo e a Universidade Eduardo Mondlane”.

Com efeito, o Ministério da Cultura e Turismo já mandou ao local um especialista para se inteirar dos níveis de intervenção a serem levados a cabo para solucionar os danos causados ao mural.

Segundo Afonso Malace, do Museu Nacional de Arte, curador e especialista na área de conservação e restauro, o mural deverá passar por um restauro total, pois “para além dos locais furados, verificam-se lacunas na camada cromática. Isso deverá, também, ser solucionado”.

Aquele especialista disse que, neste momento, se está num processo de levantamento das necessidades e destacou a complexidade do processo.
“Temos que procurar materiais semelhantes ou iguais àqueles usados na obra original.

A indignação de Nelson Saúte
“Perante esta ultrajante imagem, perante este vitupério, perante este insulto ao Mestre, sou incapaz de redigir estas palavras de forma desapaixonada. Isto revela algo de grave. Muito mais grave do que a irresponsabilidade de um incauto canalizador. Vivemos um tempo em que o sucesso material tem concitado o entusiasmo de quem ignora a cultura. Por outro lado, não se fala nem se ensina sobre os nossos artistas. Lá fora, os miúdos vão aos museus ver as obras que estudaram na escola. Aqui existe um real desprezo pela cultura. A cultura – ou melhor, o folclore – serve para abrir comícios. Para muitos, cultura é apenas quando se levanta poeira. Dançar e cantar. Não existem outras manifestações culturais” escreveu Saúte, num artigos publicados neste jornal.

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