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“A outra face do mundo” é a designação de uma exposição organizada pela Casa Provincial da Cultura de Inhambane, em parceria com a Organização as Raízes. A exposição, que é fruto de um projecto de transformação de lixo plástico em obra de arte, com objectivo de preservação do meio ambiente, será exibida até próximo ano, em diversos pontos do país e um pouco pelo mundo, de acordo com um comunicado enviado pelo Ministério da Cultura.

A exposição “A outra face do mundo” reúne cerca de 40 obras de artesanato e artes plásticas, que são produto de material plástico reciclado, retirado do oceano.

A exposição está, agora, patente na Galeria da Toga, em Tofo, onde deverá permanecer durante dois meses, depois de ter estado exposta na Casa Provincial da Cultura. De Tofo será projectada para Maputo e África do Sul, como forma de dar eco à luta por um meio ambiente saudável.

A transformação do lixo plástico, submerso nos oceanos, em obras de arte, é fruto de uma campanha internacional de combate à poluição de oceanos, tendo como tema “Nossos oceanos nosso futuro”.

 

  

Na última segunda-feira, a Universidade Lúrio (UniLúrio) acolheu, no Campus de Marrere, uma cerimónia de recepção de 22 mil livros de diversas áreas de estudo, desde a economia, ciências sociais e humanas, inglês, ciências de computação, engenharia matemática, dicionários, enciclopédias, entre outros, doados pela organização americana Books for Africa, evento que culminou com a inauguração de uma Biblioteca provisória no Campus de Marrere.

Reagindo e agradecendo o gesto de Books for Africa, o Reitor da UniLúrio, Francisco Noa, não deixou de frisar que foi graças ao embaixador de Moçambique nos Estados Unidos de América que se materializou a doação que triplica o acervo da UniLúrio. É um motivo, segundo Noa, para dizer que “investir em parcerias tem-nos garantido apoios significativos que permitem a fortificação da universidade”, e as doações são um reconhecimento das actividades da UniLúrio, sustentadas pela ideia de que a base do desenvolvimento é o conhecimento.

A oferta dos livros em inglês acontece numa altura em que a UniLúrio investe fortemente na formação de seus quadros e estudantes para que a língua inglesa seja uma língua de trabalho.

De modo a melhor organizar o material doado, os responsáveis da documentação vão garantir que os livros estejam classificados, registados, catalogados e estampados para depois serem disponibilizados aos estudantes. Aliás, agora está-se a trabalhar no registo manual dos livros, que depois será seguido pelo registo digital, para facilitar o processo de gestão do material bibliotecário.

Uma parte dos livros doados será oferecida às escolas secundárias adjacentes a UniLúrio, e a biblioteca terá que estar aberta o maior tempo possível para inculcar nos estudantes o hábito de leitura.

O Hotel Radisson Blu, o mais novo parceiro do Festival Internacional de Jazz de Maputo, acolheu, este sábado, o encerramento da programação de espectáculos que durou cerca de um mês. O evento foi abrilhantado com vozes como de Roberto Chitsondzo e Regina dos Santos.

O saxofonista e patrono do festival, Moreira Chonguiça, juntou no espaço várias personalidades e amantes de uma das manifestações artístico-musical mais antigas da história. O artista diz que o jazz pode servir de uma plataforma de promoção do turismo cultural.

O último dia do Festival More Jazz contou com a participação da More Jazz Big Band, a futura geração de músicos moçambicanos apadrinhados por Moreira Chonguiça, Rialdo e Idálvia, Regina dos Santos e Roberto Chitsondzo.

Os artistas enalteceram a promoção deste tipo de eventos no país, mas dizem que ainda há muitos desafios a se ultrapassar para que esta manifestação musical seja mais valorizada.

Nalini Elvino de Sousa, uma portuguesa nascida no seio de uma família de Goa, trabalha há três anos num documentário sobre Aquino de Bragança, um homem de múltiplas pátrias que "lutou a vida inteira pela paz em África", avança Lusa.

No documentário 'Enviado Especial', a realizadora, radicada há 20 anos em Goa, procura retratar a "figura invulgar e com uma visão humanista e de abertura ao mundo" de Aquino de Bragança (1924-1986), que conviveu de perto com líderes dos movimentos de libertação das antigas colónias portuguesas, como Samora Machel, ao lado do qual viria a morrer no acidente de aviação de 1986. Foi o acaso que lhe despertou o interesse: "Estava a fazer uma pesquisa sobre as relações entre África e Índia e encontrei um blogue sobre Aquino de Bragança. Rapidamente, veio a memória do acidente que vitimou Samora Machel e quase toda a sua comitiva: Eu tinha 13 anos e era o dia do meu aniversário, 19 de Outubro", explica à agência Lusa.

O político Aquino teve múltiplas facetas, mas foi sobretudo um homem dedicado à libertação dos povos, uma causa que abraçou muito para lá das fronteiras de Goa, onde nasceu. No entanto, há uma a que Nalini Elvino de Sousa confere especial importância, de acordo com a Lusa: a de humanista. "Muito se conta sobre os líderes africanos das ex-colónias portuguesas, porém, pouco se conhece sobre os que atuaram nos bastidores", enfatiza, exemplificando: "Poucos sabem que foi o enviado especial de Samora Machel a Portugal em 1974, após o 25 de Abril, para uma análise política".
'Enviado Especial' foca "este período da vida e do trabalho de Aquino que constitui um contributo essencial para o Acordo de Lusaca, assinado em 7 de Setembro de 1974, [entre o Governo português e a Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO) que preparou a independência do país em 25 de Junho do ano seguinte]", destacando "os momentos históricos" que o tornaram "num incondicional homem do mundo".

Aquino de Bragança foi Conselheiro do Estado moçambicano, jornalista, diplomata, político e, durante a presidência de Samora Machel, desempenhou altas funções para o país. Aquino contribuiu sobremaneira para a criação do Centro de Estudos Africanos (CEA), da Universidade Eduardo Mondlane, onde lecionou.

O documentário 'Enviado Especial' pretende, de acordo com a autora, mostrar "a capacidade de análise política, imparcial e a longo prazo" de Aquino de Bragança.

 

 

A gala final do Vodacom Turma Tudo Bom decorreu, este sábado, na capital do país. A Escola Secundária Samora Machel, em Manica, Escola Comunitária Maria Mazzarello, em Cabo Delgado e a Escola Secundária Machava-Sede, em Maputo, foram as vencedoras do 1º, 2º e 3º lugares, respectivamente, na categoria de olimpíadas académicas.

Já na categoria novos talentos (canto, dança, representação e declamação), a subcategoria de canto foi a grande vencedora, com três premiadas: Inês Mulaicho, da região sul, Nalmi da Graça, região centro e Deusia Chanongola, região norte, que ficaram na 1ª, 2ª e 3ª posições respectivamente.

Os vencedores das duas categorias levam como prémio, 150 e 75 e 50 mil meticais para suas escolas.

Os parceiros e os membros de júri fazem uma avaliação positiva ao concurso e mostram-se felizes com os vencedores. Deles esperam mais engajamento na escola e na carreira e dizem que o concurso deve continuar a promover a educação e cultura.

A obra “As visitas do Dr. Valdez”, de João Paulo Borges Coelho, será adapatada para o teatro. O responsável do feito é Venâncio Calisto, estudante finalista do curso de Licenciatura em Teatro, ramo de Encenação e Dramaturgia pela Escola de Comunicação e Artes da Universidade Eduardo Mondlane (ECA-UEM), quem será acompanhado pelos actores Eunice Mandlate, Samuel Nhamatate e Sufaida Moyane, no dia 19, às 18:30h, no Teatro Avenida, em Maputo. Na verdade, o espectáculo teatral é o exame público para a disciplina de Encenação.

Na versão teatral, “As Visitas do Dr. Valdez” é uma peça que discorre sobre a estória de duas irmãs, Sá Amélia e Sá Caetana, que depois de terem tido uma infância traumática e uma vida adulta angustiante, já idosas e ambas viúvas, decidem se refugiar na cidade da Beira como forma de fugir da guerra que invadira a sua terra natal, Mucojo, província de Cabo Delgado. Estamos nos anos 1960/70 e a guerra é contra a dominação colonial. Tal como sucede no original.

Na Beira, as duas velhas senhoras vivem com o Vicente, um jovem criado que trouxeram da terra. Estas três personagens, exiladas na impossibilidade de nada poder fazer contra o passado, para sobreviver ao derrubamento do velho mundo (colonialismo) e nascimento do novo (independência) vestem-se de máscaras de ilusão e jogam, como o fazem os actores, para consertar as suas vidas desavindas. É nesse jogo que se evoca o Dr. Valdez, um médico falecido há décadas, mas agora vivo dentro do corpo de Vicente, que de combinação com a Patroa Grande, Sá Caetana, representa para a sua patroinha, Sá Amélia, e esta para não estragar o jogo, como boa espectadora, finge acreditar na encenação, aproveitando-se da mesma para cobrar à irmã dívidas antigas.

São as visitas do Dr. Valdez o pretexto para tudo o resto, para a descoberta da condição destas personagens encurraladas por um passado medonho e desafiadas por um futuro incerto.

Esta produção conta com o apoio do Teatro Avenida, da professora e figurinista Sara Machado e do designer Adelium Castelo.

 

A editora Kuvaninga Cartão d’Arte realiza, esta sexta-feira, um sarau cultural com vista a lançar livros de poesia escritos e produzidos manualmente por alunos a viverem na Aldeia SOS-Maputo. O evento a iniciar às 14h terá como animação poesia, dança, canto e teatro por parte das crianças e do grupo convidado Teatro em Casa. Este é o quinto e último dia de actividades que a editora que produz livros com capa de cartão leva a cabo na naquela instituição qe acolhe crianças necessitadas.

Antes, das 10h às 13h, haverá oficina de cosedura de livros de cartão e apresentação de uma peça teatral e, posteriormente, conversa com o grupo Teatro em Casa.

É pela quarta vez que a Kuvaninga lança livros virados a um público de palmo-meio, numa plataforma denominada Projecto-Escola, em que um dos grandes objectivos é levar o livro às escolas e centros infantis e fazer com que sejam eles mesmos os autores dos textos e os criadores dos livros. Desta forma, tal como assume Fátima Furuma, Oficial de Educação da Aldeia SOS, num texto que consta do livro, esta actividade procura estimular o raciocínio e a inteligência humana; contribui para a formação da personalidade do indivíduo e a formação pelo gosto; desenvolve, no indivíduo, a percepção, a imaginação e a observação. Furuma diz ainda que se tratando de um orfanato, onde existem crianças de várias etnias e culturas, a arte pode desenvolver nelas habilidades que contribuam no seu processo educativo, no seu dia-a-dia, bem como na escolha de uma profissão.

São mais de 30 alunos, dos 9 aos 19 anos, que produziram poemas à margem dos temas como HIV/SIDA, Direitos da Criança, igualdade de género, preservação do meio ambiente e sobre a Paz. Para que pudessem ter mais subsídios sobre os temas em causa, foram exibidos diversos vídeos que abordam essas questões e houve conversa com os mesmos. A seguir, cortaram e pintaram o papelão e coseram-no com o miolo.

Esta actividade, com o lema “Livro para saber Ler, Reciclar e Ser”, contou com os apoios do Observatório Cultural de Moçambique (Ocultu) e a Cooperação Suiça, e teve como parceiro a Aldeia de Crianças da SOS-Maputo.

 

O Auditório Vinicius de Moraes no Centro Cultural Brasil-Moçambique (CCBM) foi minúsculo para acolher o concerto agendado para noite desta quinta-feira. E não era para menos, quando se tinha como músico Stewart Sukuma, quem, aliás, mostrou que a sua praia não só é marrabenta; a sua actuação centrou-se na Música Popular Brasileira (MPB), com um pouco, claro, do seu tempero. 

Acompanhado de banda, Stewart não apenas cantou, mas encarnou Djavan, para trazer aos presentes o que de melhor há na MPB. Sukuma disse-se honrado por interpretar artistas que desde cedo o inspiraram.

Mas enfim… ladainhas à parte e vamos ao concerto, ou melhor, espectáculo, porque afinal de contas, é isso que foi… 

Para o "welcome drink", Stewart Sukuma serviu “Mera Luz”, do músico que o fez brilhar durante a noite, Djavan… E depois? Veio das mais populares do Brasil: “Garota de Ipanema”, de Caetano Veloso, que serviu para o público mostrar que estava presente. 

Entre Djavan, Caetano Veloso, Gilberto Gil, entre outros, Stewart Sukuma foi interpretando vários sons, até chegar ao momento, aliás a um dos momentos, porque foram várias as músicas que levaram o público a viajar pela terra do samba à moda moçambicana. 

Entremos então para o tal momento: É verdade que diplomatas só tratam de acordos e cooperações e não cantam? "Mas que nada", engane-se quem  pensou que sim…. Stewart Sukuma convidou ao palco o embaixador do Brasil, Rodrigo Soares, que, como bom anfitrião, mostrou que sabe fazer as honras da casa: ao som de Jorge Ben Jor fez o dueto de "Mas que nada" com o convidado, para alegria do público.

Na sua apresentação, Sukuma não só ganhara um parceiro para si, mas também para a sua banda… Quando interpretava "Flor de Lis", de Djavan, o músico convidou a um dos presentes para explicar a história da música e eis que este trazia um Pandeiro (instrumento musical). Depois da explicação, foi convidado a permanecer no palco. E concerto foi acontecendo…

Para encerrar a noite, Stewart Sukuma preparara uma 'fuga colectiva' ao som de Gilberto Gil; o tema "vamos fugir" colocou todos a fugirem, sem, no entanto, sair do lugar… A música com a qual o artista esperava terminar a noite foi cantada e dançada por todos.

Quando ia abandonar o palco, veio o pedido do público: mais uma, mais uma… e a sortuda, é sempre ela…"Felisminha", que no final, também recebeu o tempero brasileiro com o pandeiro do "estagiário" da banda.

 

O músico Stewart Sukuma tem um espectáculo marcado para noite desta quinta-feira, no qual fará interpretações ao seu estilo de diversos artistas e temas brasileiros, em única apresentação no Centro Cultural Brasil-Moçambique, na cidade de Maputo. A actuação de Sukuma vai começar a partir das 19h, e o evento marcará o encerramento da programação cultural do Centro Cultural para este ano.

De acordo com uma nota de imprensa enviada à nossa redacção, com 32 anos de carreira, Stewart Sukuma “é unanimemente considerado o mais dinâmico músico da actualidade moçambicana e um símbolo da cultura de Moçambique e da preservação da Marrabenta”. E o comunicado lembra ainda que, desde 1997 até hoje, o antigo integrante de Orquestra Marrabenta Star, Alambique, Mbila e Formação 82, gravou vários trabalhos discográficos, com participações de conceituados músicos de todo o mundo, e é convidado a partilhar o palco com os maiores nomes da música internacional, tendo, com a sua Banda Nkhuvu (fundada pelo músico e já com sete anos de existência) importantes tournées em África, Europa, Ásia, Estados Unidos, América Latina e Caraíbas.

Além da arte de cantar, o músico que leva um pedaço da América Latina ao Centro Cultural Brasil-Moçambique é activista social por causas humanitárias. É este o artista que vai subir ao palco do CCBM, depois de, mês passado, ter cantado pelos 130 anos da capital do país, na última série da temporada de música clássica, Xiquitsi, realizado pela Associação Kulungwana.

 

 

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