O País – A verdade como notícia

O “rei da marrabenta”, Dilon Djindji, será homenageado no Festival Marrabenta deste ano, pelos seus feitos em prol da cultura em geral, e da música moçambicana em particular.

A homenagem pretende exaltar os feitos do pilar da música moçambicana pela passagem dos seus 90 anos de idade, dos quais, mais de 70 dedicados à música.

A festa terá lugar no distrito de Marracuene, sua terra natal, no dia 2 de Fevereiro, às 15h30. A cerimónia vai marcar o início do primeiro e principal dia da 11ª edição do festival

Mais de 30 artistas, de gerações e ritmos diferentes, vão cantar e dançar Dilon Djindji, fazendo jus ao seu talento e carisma. O concerto fará uma retrospectiva das sete décadas que “o rei da marrabenta” brilhou, dentro e fora do país, e terá ritmos como “Podina”, “Maria Teresa”, “Muhinhana” e, claro, “Marracuene”.

Mais do que a longevidade do músico, o tributo será pelo talento, dedicação e promoção da música popular moçambicana, e pelo seu carácter jovial, sendo, por isso, uma lição aos mais jovens para que tenham uma vida saudável, longe dos vícios e maus hábitos.

O espectáculo terá um registo audiovisual para posterior produção de um DVD que servirá de marco na vida e obra do embondeiro da música.

O concerto de Marracuene, que vai decorrer no Monumento Gwaza Muthini, inicia após chegada do Comboio-Marrabenta, que parte da Estação Central dos Caminhos-de-Ferro (CFM), na cidade de Maputo, às 14h30, depois de uma sessão de música no Museu da Estação Central dos CFM, às 13h00.

Um dos mais jovens e talentosos saxofonistas da África do Sul, Sisonke Xonti, inicia amanhã sua digressão por Moçambique. As performances de Sisonke Xonti no Uptown Café (25), Hotel Terminus (26) e Ibiza´s Bar (28), terão o acompanhamento de talentosos e célebres músicos da África do Sul.

Depois dessas actuações, à mistura com um wokkshops no Lima´s Bar (27), no Bairro da Mafalala, o músico regressa a Johanesburg para uma performance no The Orbit.

Com apenas 28 anos de idades, o saxofone-tenor já conseguiu chamar a atenção de veteranos, como o baterista de Blue Notes, Louis Moholo-Moholo, Andile Yenana e Herbie Tsoaeli, só para citar alguns.

Tendo tocado com muitos artistas aclamados e em eventos musicais de prestígio, como o Festival Internacional de Jazz da Cidade do Cabo no ano passado, Sisonke sentiu que precisava lançar seu próprio álbum.

Com isso, ganhou muita experiência e exposição, o que com o tempo se transformou em inspiração para o lançamento de “Iyonde”, que significa ser apreciado, e também é o seu nome do meio.

O “Iyonde Tour” de Sisonke Xonti é apoiado pela Concerts SA, através do Music Mobility Fund, um mecanismo de financiamento que oferece oportunidades para músicos sul-africanos realizarem turnês de música ao vivo. Suporte adicional foi fornecido pelo Ginho Sibia Events & Artist Management e o Hotel Términus.

A dor da morte de Hugh Masekela extrapola os limites territoriais da África do Sul, até porque o trompetista ostenta o rótulo do pai do jazz africano. Moçambique, país que por várias vezes visitou e deixou o perfume do seu talento também chora o seu desaparecimento físico. Através das redes sociais, os moçambicanos mostraram a tristeza e a grandeza do homem que se apresentava por detrás do trompete. Alguns artistas moçambicanos que tiveram a oportunidade de partilhar palco com Masekela lamentaram a perda e o descreveram como um homem de fortes ideias, sendo que a sua obra ficará para sempre.

Moreira Chonguiça conhece-o há mais de 20 anos e teve oportunidade de partilhar o palco e ideias em momentos distintos. Chonguiça não escondeu que ficou chocado com a notícia da morte do artista. “Estou muito triste. Sou felizardo porque a relação que tinha com ele transcendia a música. Tive a honra de o conhecer como pessoa. Foi um pai, avó, irmão, enfim, este pacote todo. O que ele fez por mim, nesta minha curta carreira, não sei como dizer obrigado”, descreveu o saxofonista para depois avançar que teve o último contacto com Hugh Masekela em Agosto de 2017, onde mais uma vez, aquele mostrou ter convicções fortes. “Estávamos num dos hotéis da cidade de Maputo e perguntou se havia naquele local, mulheres que traziam tissagens. Algumas levantaram as mãos e ele disse que não tiraria fotos com elas. Ele ensinava com um tom de brincadeira. Naquele dia, queria transmitir a elas que deveriam gostar da sua origem como africanas. Masekela defendia bastante a autoestima dos africanos, era um homem de ideias próprias. Teve um papel fundamental para emancipação do povo sul-africano, foi o tipo de homem que eu me revejo e digo que gostaria de ser como ele”, disse Chonguiça.

Por seu turno, Humberto Carlos Benfica, mais conhecido por Wazimbo conta que conheceu o artista de jazz em 1987, na capital do Zimbabwe, Harare, onde teve oportunidade de dividir, pela primeira vez, o palco. “Foi muito interessante porque só ouvia falar dele. Estivemos com grandes vozes como Oliver M’tukudzi, Miriam Makeba entre outros. Estamos todos chocados por esta notícia. Ele deixa um legado aos mais novos, eles devem se espelhar e tentar seguir o que ele fez pela música e pela África no geral. Temos que imortalizar a sua figura seguindo os seus ideias, os seus ensinamentos”, disse Wazimbo que não esqueceu de se referir o jeito frontal com que o artista defendia as suas opiniões. “Era músico, mas também político. Ele não tinha receio de exprimir as suas opiniões independentemente das pessoas que estavam ao seu redor. Era dono do seu pensamento e exprimia sem medo e receio”, terminou.

 

A cantora moçambicana, Lourena Nhate, lança hoje o videoclipe da música ‘Kussasseka’. Na música, a cantora aborda a temática do amor, como tem vindo a fazer nos últimos trabalhos. No ano passado, Lourena Nhate venceu o prémio da canção mais popular no Ngoma Moçambique 2017, com a música ‘Auhembi’.

Lourena Nhate, recorde-se, foi participante da 1ª edição do Fama Show, programa de descoberta de talentos promovido pela Stv, tendo ficado na segunda posição.

A estréia será  às 16 horas de hoje,  em todos os canais nacionais.

O Hotel Rovuma tem acolhido, todas as quartas-feiras, desde Agosto do ano passado, concertos da cantora moçambicana, Xembha.

Nas suas sessões musicais, a jovem cantora tem convidado músicos da “velha guarda” para participações especiais. E já nesta quarta-feira, o companheiro com quem Xembha vai partilhar o palco, num ambiente acústico, será ninguém mais e ninguém menos que Chico António.

O palco do Rovuma, tem servido para a cantora promover o seu último álbum, “Rhula África”, lançado em Junho do ano passado, bem como preparar a projecção da sua carreira além-fronteiras, desafio este que tem para o presente ano.

 “Xembha e as velhas glórias” é um projecto que pretende durar muito tempo. Aliás, estas pequenas sessões servem de ensaio para um grande concerto que a cantora vai realizar em breve com diferentes músicos com uma longa estrada.

Suas sessões às quartas, já receberam músicos como António Marcos, Rosália Mboa, Aniano Tamele, Hortêncio Langa, Chico António, entre outros convidados da artista. Na guitarra, Xembha é acompanhada por Zoco Dimande.

Helena Massango, ou simplesmente Xembha, tem dois álbuns, o primeiro, era de kwaito, e o último, “Rhula África” resulta da fusão de marrabenta, jazz e afro-jazz e é composto por onze (11) faixas musicais.

O álbum, preparado em 2013 e lançado em 2017, aborda questões como a paz, amor, família, abandono. E conta com temas como “Nhembete”, “Marrabenta”, “Hlalelani”, “Mutchado”, “Rhula África”, por sinal, também nome do álbum.

 

Lançada em Portugal, Brasil e Angola, a primeira obra da jornalista e coach profissional angolana, Luísa Santos, chega à Moçambique, com lançamento previsto para o dia 17 desde mês, na Associação dos Escritores Moçambicanos (AEMO).

Intitulada “Juventude de hoje… porque age assim?!”, a obra contará com apresentações da poetisa Énia Lipanga, do escritor Hosten Yassine e da activista Maria Natália João. O livro será lançado juntamente com o projecto social intitulado “A Juventude e o Consumo Excessivo de Bebidas Alcoólicas Porquê?”

Prefaciado pelo escritor português Porfírio Pereira da Silva e com o posfácio do escritor moçambicano Hosten Yassine, o livro aborda questões que chamam a atenção para a degradação da pessoa, alertando, especialmente, os jovens para os males contemporâneos.

A literatura infanto-juvenil ainda é escassa no país. A pensar nisso, Paulo Chemane escreveu “As brincadeiras da minha rua – a rua animada”, mesmo com o propósito de ampliar, colorindo, o universo dos mais novos.

O livro bilingue, português e inglês, tem 34 páginas e apresenta peripécias de uma geração passada, tendo as brincadeiras como factor didático e de desenvolvimento. Na primeira pessoa, Chemane explica por que escrever a obra: “Fiz este livro para compartilhar com a nova geração as brincadeiras que nós, os adultos de hoje, tivemos quando fomos mais novinhos. Hoje, as crianças têm formas diferentes de se entreter que, inclusive, as afasta umas das outras. O livro aparece a recuperar um fragmento do nosso passado colectivo, documentando brincadeiras e aspectos da nossa cultura. Portanto, há uma pretensão de salvaguardar um repertório nosso”.

“As brincadeiras da minha rua – a rua animada” foi escrito em verso, com muita aposta nas imagens que complementam as palavras. Com as figuras, Paulo Chemane espera atrair muitas crianças, levando-as a compreender o que lá está descrito. A ilustração foi feita pelo próprio autor, quem contou com apoio de Fernando Luís, que o permitiu usar uma música sua no livro. Graças a Rob Barners e Heather, músicos australianos, a obra de Fernando Luís teve pauta “As brincadeiras da minha rua”.

As 34 páginas de “As brincadeiras da minha rua” foram escritas em Newcastle NSW, na Austrália, onde Paulo Chemane vive há 10 anos.

Numa primeira fase, o autor escreveu o livro em português. Por almejar ser compreendido por mais crianças, na Austrália, Paulo Chemane traduziu a obra para a língua inglesa e, assim, produziu um livro bilingue.

Já com o livro na mão, na pátria amada, agora, a vontade de Paulo Chemane é encontrar uma oportunidade para o lançar no país, até dia 30 deste mês. Para o efeito, trouxe consigo 30 exemplares. Na Austrália ficaram mais. Depois de 30 de Janeiro, o escritor das crianças regressa a Austrália, onde trabalha.

Em “As brincadeiras da minha rua”, as principais brincadeiras retratadas são a cheia, hamatue tue, jogos com bola, latoleta, cabra-cega, jogos com pneus, jantes, papagaios, cabo-de-guerra ou puxa-puxa, e há ainda a neca e karingana wa karingana, “que reflecte a convicção de que os mais jovens precisam manter uma relação com o passado, à volta da fogueira”, afirmou o escritor. Nas últimas páginas, o livro apresenta a pauta da música o “Sorriso das crianças”, de Fernando Luís.  

De acordo com Paulo Chemane, o livro está a libertar a ideia, nas crianças australianas, de que os mais novos devem se desligar um pouco da tecnologia e voltarem-se para as brincadeiras de rua, nas quais podem desfrutar do meio ambiente, mesmo porque as brincadeiras permitem uma melhor socialização entre as crianças.

Paulo Chemane nasceu em Maputo, a 5 de Setembro de 1976. O interesse pela literatura infanto-juvenil é motivado pelas suas duas filhas.

 

 

Houve quem julgou que estivesse acabado e que as músicas tão tocadas nas rádios não chegariam a um disco compacto. Por longos anos, falar do músico equivalia a referir-se a um fragmento artístico do passado, portanto, acabado. Mas é como Lavoisier dizia, na natureza nada se perde, tudo se transforma. Como se quisesse dar eco às palavras do pensador francês, eis que, das cinzas, ressurge Gabar Mabote, uma voz autoritária quando se fala de música popular moçambicana, depois de tantas lutas travadas, sonhos e desistências. Neste regresso à ribalta, Gabar não vem com mãos vazias. Consigo, contra todas expectativas, inclusive suas, reaparece com Unganipoile, título do tão aguardado disco de estreia.

Unganipoile é composto por 14 músicas, das quais dez antigas (umas gravadas, outras longe disso) e quatro inéditas. A produção do álbum iniciou em Novembro do ano passado e foi todo produzido no país. Assim, num ano novo, Gabar Mabote prepara-se para concretizar o objectivo pelo qual lutou boa parte da sua vida: lançar um disco, no qual exprime seus mundos e suas entidades.

Com efeito, o lançamento do álbum será no dia 13 deste mês, no terminal dos transportes do bairro de Malhazine, a partir das 12h, de modo que as pessoas possam ter a possibilidade de comprar a obra e testemunhar o momento bem especial para o músico. E Gabar explica porquê. “Fiquei muito emocionado, quando vi os exemplares deste meu primeiro CD oficial. Há muito que aguardava por esta oportunidade e por este momento. É uma honra porque, quando comecei a cantar nas salas de cinema e nas casas de pasto fiz o meu nome, lá vão 30 anos. No entanto, mesmo assim, não consegui lançar o tão almejado álbum. Lembro-me que gravei músicas nos estúdios da Rádio Moçambique, em 1986, e houve tempos que tentei negociar a gravação de um disco meu. Não tive possibilidades e, a partir daí, comecei a afastar-me”.

Unganipoile, de Gabar Mabote, é um título muito intimista, com o qual o autor pretende passar uma clara mensagem. Unganipoile, traduzido do rhonga, significa não goze comigo, em alusão à sua condição. O título também é um alerta, para que as pessoas não gozem consigo porque as coisas podem mudar, mesmo não se tendo nada. E mudaram, de facto. Hoje, o autor de “Dana ndzole” mostra que com perseverança pode se chegar a algum lugar.

Neste CD, o foco de Gabar Mabote é emitir mensagens que sirvam às pessoas, com sugestão e crítica. Tal é o caso de “Mama wa Mateu”, que narra a estória de uma mulher que larga os filhos em Gaza para ir abraçar a prostituição na capital sem se preocupar com a condição dos petizes. É também o caso de “Lirandzo”, uma crítica às mulheres que acreditam que, recorrendo aos curandeiros, irão conseguir prender os maridos. Outros títulos do disco são: “Unganipoile”, que intitula o álbum, “Sala mamane”, “Ndjungua”, “Djokotane”, “Helenane”, “Lhupeco”, “Mantenga”, “Musotchua”, “Tintombe ni madjaha”, “Dana Ndzole”, “Tlanga upimela”, “Makhumba”.

Depois de lançar este primeiro álbum, Gabar Mabote espera que mais oportunidades apareçam porque ainda há muito a cantar. “Tenho uma bagagem que me está a pesar. Estava à espera desta oportunidade para descarregar em disco. Possuo muitas músicas porque nunca parei de compor. Se houver mais oportunidades, entro no estúdio e gravo temas com qualidade”.

 

Há mecenas em Malhazine

A gravação e o lançamento de Unganipoile é patrocinada pela PALVIC Ltda., parque de estacionamento localizado no bairro Malhazine, na cidade de Maputo. Na verdade, tudo começou numa conversa entre Gabar Mabote e Paulo Tinga, proprietário da instituição. A ideia é apoiar músicos da velha guarda e a PALVIC decidiu começar com Gabar porque acredita no seu potencial e porque o músico fez-se homem em Malhazine, onde vive.

“A empresa quer apenas projectar o músico, sem fins lucrativos, de modo que os seus temas possam ser escutados em álbum e, com isso, o músico possa conseguir algum sustento. Vale a pena apostar neste projecto, no caso de Gabar, porque possui músicas educativas, com mensagens importantes para as pessoas”, afirmou Paulo Tinga, prometendo que os próximos discos a serem lançados serão de Magid Mussá e Luís Macandza.

A capa e as fotos do disco de Gabar Mabote foram feitas por Virgílio Tinga (designer). A gravação esteve a cargo da De Novo Produções (duas músicas) e Humberto Benedito (duas músicas). As restantes 10 foram gravadas nos estúdios da Rádio Moçambique.

 

 

Xitiku ni Mbawula conseguiu, depois de vários anos, lançar o seu álbum de estreia lá vão poucos meses. A recepção, não poderia ser a melhor, afinal, as 500 cópias de A kaya, título do disco do grupo constituído por dois membros, esgotou logo na semana a seguir ao lançamento, daí ter-se solicitado o segundo lote para colmatar a procura.  

O sucesso do álbum, de acordo com os integrantes, não vem ao acaso. A kaya está a ser bem recebido porque, explica Dingzwayo, antes de as músicas serem feitas, há uma atenção à forma como as pessoas se comportam e como se relacionam num determinado meio. Depois disso, Xitiku ni Mbawula tenta transcender para uma dimensão imaterial, donde, tendo constatado um problema, avança com a sugestão de uma provável solução. “Essa transcendência é importante porque, como pessoas, fazemos parte dos problemas que constatamos, mas, estando num outro nível, como artistas, conseguimos nos abstrair para olhar a realidade de outra forma”.

E porque fazer música em dupla não é tão simples como fazer individualmente, Dingzwayo explica que daí não surge nenhum problema. O rapper revela que o grupo sempre defendeu que a sociedade moçambicana deve se esmerar em encontrar um ponto óptimo, quando se confronta com conflitos. “A diferença de personalidades também é um conflito, principalmente no que diz respeito à música. SGee vem com ideias que eu rejeito e eu também apareço com ideias que ele recusa. O mais importante é mesmo esse ponto óptimo. Afinal, as diferenças podem nos fazer bem se nós as aceitarmos”.

Em A kaya, Xitiku ni Mbawula aborda o HIV/SIDA, na música “Tlanga upimela”, pois o grupo está convicto de que ainda é necessário. No entanto, mais do que falar da doença ou da prevenção, a dupla entende que é crucial que se fale bem sobre o tema que ainda não está esgotado. “Parece que o nível de ignorância em relação à doença evoluiu para pessoas entendidas. Então, temos que comunicar bem a mensagem sobre o HIV/SIDA. Se conseguirmos veicular a mensagem como deve ser, podemos, inclusive, contribuir para reduzir os níveis de seroprevalência”. E, tendo o texto numa batida de RAP, para o grupo, é uma vantagem porque o ritmo abrange muitos jovens. “Temos, de facto, de moçambicanizar a mensagem à volta do SIDA e esse é o nosso foco, a partir do nosso estilo”.

Na percepção de SGee, depois de tantos anos a enfrentar conotações pejorativas, hoje o RAP está a conquistar mais público, com mais abertura. “Hoje em dia o RAP/ Hip-Hop já é objecto de estudo nas academias. Os próprios fazedores do RAP, estilo de reivindicação, fizeram com que o estilo se incorpore noutros. E isso é bom porque vai ganhando diferentes formas. “O RAP é uma maneira de intervenção social e intelectual”, rematou Dindzwayo. Não querendo ficar calado, SGee sublinhou a seguir: “E o RAP vai continuar a ser um instrumento de luta, reivindicação e educação, tanto que, sendo eu professor, uso o RAP como instrumento didático em alguns momentos da aula, e tenho conseguido resultados positivos do ponto de vista do desempenho académico dos meus alunos”.

No sexto tema deste A kaya, “Afrika”, uma voz sugere para que o continente não aceite que os estrangeiros façam e desfaçam. O grupo entende que a mensagem é oportuna porque África ainda não sabe para onde deve caminhar. “Há um reeditar do passado colonial, quando olhamos para África, neste momento. Estamos numa nova corrida para o continente, com pilhagens de recursos como madeira, enquanto temos escolas em que as crianças aprendem sentadas no chão. Então, temos que repensar na forma de perseguirmos esse nosso objectivo comum de levar o continente avante”, consideram Dindzwayo e SGee.

 

Xitiku ni Mbawula: a missão, o agradecimento e a gratidão

Para Xitiku ni Mbawula, ter microfone na mão representa a responsabilidade de dizer o que os outros gostariam de dizer. “E com o microfone conseguimos fazer com que as pessoas reflictam um pouco sobre as suas vidas e aprendam com o que nós sabemos, afinal Xitiku ni Mbawula não somos apenas nós, mas todos que se identificam com a nossa causa, este fórum de contar estórias com objectivo de dar direcção”.

O CD, constituído por 19 temas, contou com a participação de Isabel Novella, Hawayu, Iveth, Simba, Azagaia e Face Oculta. Estes são os rostos que o grupo acreditou neles para lhes ajudar a fazer o álbum. A kaya tem três cantoras. Nada fortuito. O grupo quis garantir a inclusão da mulher, que é celebrada numa das músicas.

Um dos temas mais conhecidos deste disco é “Samora Machel”, porque, para o grupo, calha sempre bem cantar aquele que ofereceu uma nação aos moçambicanos, uma pessoa com atitude e que trouxe o conceito de unidade nacional ao país.  

A música mais nova do disco é “Khanimambo”, gravada como single, mas inserida em A kaya para agradecer ao apoio recebido.

 

 

 

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