O País – A verdade como notícia

É lançado hoje, às 18h00, no Camões – Centro Cultural Português em Maputo, o livro José Forjaz • Pensar Arquitectura. O evento contará com a apresentação do escritor João Paulo Borges Coelho. A edição é uma realização conjunta da editora Caleidoscópio, em Portugal e da Kapikua, em Moçambique.

A publicação é uma recolha antológica de textos, escritos por José Forjaz ao longo de mais de quarenta anos, em forma de reflexões, conferências, aulas, ensaios, apresentações, com um prefácio e um posfácio, traduzindo uma vida de pensamento e trabalho didático e de exercício do projecto de arquitetura e planeamento urbano, nas condições particulares do exercício profissional em contexto pós colonial, que poderão servir de referência aos interessados nesta temática.

 

Mais uma obra literária sai pela Cavalo do Mar. Depois da publicação de Os poros da concha, de Sangare Okapi, semana passada, a editora vai, agora, lançar o livro Os crimes montanhosos, da autoria de António Cabrita e Mbate Pedro. O evento de lançamento está anunciado para quinta-feira, às 18h00, no DEAL – Espaço Criativo, em Maputo.

O título deste livro, que, aparentemente, não tem nada de poesia, é uma expressão que António Cabrita colheu num jornal em Tete ou Nampula, o autor não se lembra ao certo, e que pretendia denotar o grau de um crime, o crime da vida ser uma ilha cercada de morte por todos os lados. Portanto, é o retrato da condição trágica da vida.

Além disso, Os crimes montanhosos é um gesto de amizade e traduz preocupações estéticas e literárias que une os dois autores, que, nos últimos tempo, têm partilhado muitas leituras. “Provocatoriamente até pensamos em chamar-lhe Preto & Branco, Lda. Depois, como esta é terra de fáceis melindres, escolhemos este título simultaneamente brincalhão, porque remete para um policial, um thriller, e sério”, considerou o poeta.

O lançamento de um livro de poesia da autoria de dois autores não é um evento comum no país. Sobre isso, Cabrita entende que Moçambique está virgem em múltiplos aspectos, “resta-nos desbravar”.

O livro dos dois poetas traz poemas avulsos, sem se preocupar com o problema da continuidade. Aqui, António Cabrita adoptou um estilo muito directo e espontâneo, segundo o autor, “com laivos de erotismo, num tom levemente herético e de uma certa liberdade formal”. E Cabrita acrescenta: “O Mbate respondeu bem, em tercetos, um formato que ele nunca tinha experimentado e num registo diferente, por exemplo, de Vácuos. O que só lhe faz bem e lhe permite crescer mais rapidamente. Há um poema meu, “Os poemas do meu pai”, em que respondo ao silêncio do Fernando Pessoa sobre África, pois ele viveu dos sete aos dezassete anos em Durban e fez sobre tal silêncio, o que é um dos enigmas da sua vida. Eu em três sonetos, pelo contrário, refiro o meu entrosamento”.

Esta não é a primeira vez que António Cabrita publica em co-autoria. Com a escritora Maria Velho da Costa, escreveu três roteiros para filme, um deles – sobre Camilo Castelo Branco – publicado, e um policial com o escritor português João Paulo Cotrim, O branco das sombras chinesas, “este sim a quatro mãos, pois começou como folhetim no Diário de Notícias, de Lisboa, e cada um de nós escrevia alternadamente um capítulo. Neste caso [Os crimes montanhosos] dividimos irmãmente o livro por metade e damos a cada uma das nossas partes títulos simétricos, o meu é ‘O branco colarinho dos corvos’, e o do Mbate ‘A gravata preta do corvo albino’. Mas pensamos agora fazer um livro de prosa juntos, de contos. O que permite uma escrita a quatro mãos? Humildação e um diálogo que leva à descoberta mais rápida de processos”, garante o poeta.

Uma das pretensões dos autores deste livro – escrito em Seis meses. A primeira parte munidos de bolachas Maria, a segunda de bolachas de água e sal, conforme conta Cabrita –  é que os leitores se divirtam, reflictam e percebam que a liberdade tem muitos sabores.

Depois dos versos escritos, não houve concertação para que a convergência não faltasse. Longe disso, os poetas respeitaram em cada parte o modo e o estilo de cada um.

De acordo com Mbate Pedro, ainda que autónomas, as duas partes dialogam entre si e bebem da mesma fonte, “pois, ambos abordamos as mesmas preocupações temáticas e que têm muito a ver com a condição humana. Falo aqui, por exemplo, da morte, do amor, da angústia, que são na verdade os altos e baixos nas montanhas e nas depressões da vida”.

Para Mbate, este livro permitiu-lhe interagir com um extraordinário poeta. “E permitiu-me ainda encontrar outros caminhos para a minha escrita. Sempre quis que cada livro meu fosse diferente do anterior, não só para surpreender o leitor, como também para consolidar o meu processo de escrita. E julgo que a ideia da co-autoria traz isso. E motivou-me também o desafio de interagir com alguém que eu considero como um dos melhores poetas em língua portuguesa”.

O apresentador do livro não é anunciado, afinal, nestas coisas de literatura, algumas coisas devem ser surpresas.

 

António Cabrita

Poeta

“Eu, que tenho vinte e tal livros publicados, escrevo de maneiras e em géneros muito diversos. Neste caso adoptei um estilo muito directo e espontâneo com laivos de erotismo, num tom levemente herético e de uma certa liberdade formal”.

 

Mbate Pedro

Poeta

“Sempre olho para os livros, os meus pelo menos, como um autêntico falhanço. Porque, usando a máxima de Orwell, num livro, por muito bom que seja, há sempre qualquer coisa que não devia estar lá ou há algo que está lá amais. Seja como for, o mais importante é que o escritor não deve, em circunstância alguma, esquecer a sua mão no livro”. 

 

 

 

 

Na próxima quinta-feira, celebra-se o Dia Internacional da Mulher. Para assinalar a efeméride, a Vista Alegre, produtora de porcelana e cristal no segmento premium, vai lançar a obra Entre o céu e a terra, numa cerimónia prevista para iniciar às 16.30h, na loja Vista Alegre, em Maputo.

De acordo com um comunicado enviado à Redacção, este lançamento da peça, uma das mais recentes iniciativas artísticas da marca, sublinha mais uma união histórica da marca Vista Alegre à cultura. Além disso, avança o comunicado, há um interesse de se “trazer a representação da luta diária no cotidiano dos moçambicanos, marcada pela desigualdade social, o esforço e sacrifícios para conquistar um lugar no mundo, mas onde, por entre dificuldades, se fazem sempre sentir a força e a solidariedade, em busca de algo melhor”.

Vista Alegre é um dos principais produtores internacionais de porcelana decorativa, doméstica e de hotelaria, fabricando cerca de quinze milhões de peças por ano e exportando para mais de sessenta países, informa o comunicado da entidade, realçando: “Além de serem escolhidas por personalidades como a Rainha Isabel II de Inglaterra, a Rainha Beatriz da Holanda e o Rei Juan Carlos de Espanha, e de marcarem presença em inúmeros contextos de prestígio, peças da Vista Alegre são exibidas em alguns dos mais notáveis museus mundiais, entre os quais o Metropolitan Museum of Art (MoMA), em Nova Iorque”.

A peça da Vista Alegre, Taça Africana, foi criada por Gemuce, quem fará parte da cerimónia de lançamento.

A Ilha de Moçambique celebra 100 anos de elevação a cidade, e para o efeito a Associação Kulunguana em parceria com a Associação Moçambicana de Fotografia (AMF), vai realizar um concurso fotográfico denominado “Ilha de Moçambique: A Ilha das Duas Cidades”.

Segundo o comunicado de imprensa enviado a nossa redacção, o concurso visa contribuir para o conhecimento e divulgação da Ilha de Moçambique ao nível local e internacional. A Ilha de Moçambique tem um lugar especial na história de Moçambique.

A Ilha de Moçambique foi classificada como património da Humanidade, em 1991, e para proteger o património o Governo moçambicano tem realizado várias acções.

A Ilha foi elevada a vila em 19 de Janeiro de 1763, para, em 17 de Setembro de 1818, ganhar o estatuto de cidade, sendo ainda a primeira capital da colónia de Moçambique.

O concurso está aberto para fotógrafos nacionais e estrangeiros, residentes em Moçambique e os trabalhos devem ser apresentados até o dia 13 de Julho.

Os três melhores trabalhos irão receber prémios no valor de 100 mil, 60 mil e 40 mil respectivamente. Os prémios serão entregues no salão da AMF durante a cerimónia de exposição dos trabalhos.

“Comboio de Sal e Açúcar” premiado mais uma vez. Com o filme, o realizador, Licínio de Azevedo, recebeu o prémio de ‘Melhor Realizador de Ficção’, na 26ª edição do PAFF – The Pan African Film and Arts Festival, em Los Angeles, Estados Unidos.

Desde a sua estreia, Licínio de Azevedo venceu vários prémios com o “Comboio de Sal e Açúcar”. No Festival Internacional de Cinema de Carthage venceu quatro prémios, nomeadamente: “Troféu de Ouro”, “Federação Internacional de Críticos de Cinema”, “Federação Africana de Críticos de Cinema”, e a distinção de “Melhor Fotografia”.

No Festival de Cinema Africano de Khourigba, Marrocos, recebeu dois prémios: Melhor Realizador e Melhor Guião. Na África do Sul, foi premiado como “Melhor Filme”, no Festival de Cinema de Johannesburgo. E no Festival de Locarno, foi distinguido com o prémio “Boccalini d’Oro”, na categoria de melhor produção.

O Óscar de Melhor Filme foi entregue a 'The Shap[e of Water' ('A Forma da Água'), realizado por Guillermo del Toro. O filme tinha 13 nomeações e conseguiu quatro Óscares, sendo, mesmo assim, o vencedor da noite de Óscares, em Los Angeles, escreve o Notícias ao Minuto.

O filme conta a história de Elisa (Sally Hawkins), uma empregada de limpeza que trabalha num laboratório científico com fins militares, em Baltimore. Tendo como pano de fundo a Guerra Fria (o filme tem lugar em 1962), o coronel Stickland (Michael Shannon) leva para o laboratório uma criatura humanóide capturada no Amazonas para que os seus poderes sejam usados contra a URSS. No entanto, a inocente Elisa acaba por se aproximar do anfíbio, com quem desenvolve uma relação próxima, e vai tentar salvá-lo do que parece ser a inevitável dissecação. No laboratório, um dos cientistas (Michael Stuhlbarg) é também um espião russo.

Este romance carrega todas as características de um bom filme de Guillermo del Toro: um conto de fadas negro como veículo de dramas humanos, uma personagem central doce ao serviço de uma história trágica. Traços que vimos na obra-prima em forma de fábula história que é ‘El Laberinto del Fauno’ (2006), a primeira nomeação para Óscar do realizador (Melhor Argumento Original), e sem dúvida o pináculo da sua marca, que é o equilíbrio entre inocência e a escuridão.

‘The Shape of Water’ recupera o autor de ‘O Labirinto do Fauno’ (2006), entregue há algum tempo a projetos de outras aspirações, mais comerciais, embora não com a mesma eficácia do primeiro. Este filme era um projeto desejado há muito pelo realizador mexicano, uma espécie de homenagem ao clássico ‘O Monstro da Lagoa Negra’ (1954), mas que sofreu algumas mudanças de planos. Talvez, por isso, tenha resultado numa história melhor preparada.

A longa-metragem de Guillermo del Toro descreve o romance entre um monstro e uma donzela, sendo que tanto um como outro não são nada tímidos em relação à sua sexualidade, uma combinação polémica de fantasia e filme para adultos que não entranharia, no papel, junto dos conservadores membros da Academia.

 

É o 15º livro de Adelino Timóteo. Depois de tanto navegar pela prosa e pela poesia, desta vez, o escritor resolveu seguir um caminho diferente do habitual: o percurso da História, a qual é feita de várias estórias. Assim, como culminar de um trabalho de pesquisa aturado, Timóteo prepara-se para lançar o seu mais recente livro, intitulado Os últimos dias de Uria Simango. A cerimónia de lançamento está marcada para o Novo Cine, na Beira, e vai arrancar às 16:30h.

Os últimos dias de Uria Simango é um ensaio biográfico em que o escritor se centra na trajectória de vida social e política de Uria Simango, desde os seus primórdios até ao seu exílio no Zimbabwe, a sua integração na UDENAMO e o seu envolvimento na fundação da FRELIMO, sem deixar de lado as desavenças no movimento de libertação que culminaram com o seu fim.  

Conforme conta o autor, a pesquisa permitiu-lhe reconstituir a trajectória de Uria Simango e, ao mesmo tempo, estruturar todo o seu perfil. Graças a esse procedimento, Timóteo deitou abaixo todas as conotações e carga negativa à volta de Simango. “Pude perceber, ao longo da minha pesquisa, que Uria foi vítima de uma cabala, de uma trama. Em condições normais, uma pessoa com aquele perfil nacionalista jamais mereceria a morte que encontrou”, afirmou o escritor que acaba de abandonar as baixas temperaturas na Europa para vir lançar a sua obra na terra natal.

Um facto curioso. Antes de Adelino Timóteo resolver escrever sobre Uria Simango, primeiro quis retratar em livro a vida do seu pai. Numa dessas ocasiões em que esteve em Lisboa (Portugal), o escritor procurou nos arquivos da PIDE algo que lhe revelasse em que medida o seu progenitor esteve envolvido na luta armada. “A mim também me mataram o pai. Então, quando me vi em Lisboa, quis perceber as razões que levaram à morte do meu pai. “Chegado aos arquivos da PIDE, encontrei uma fotografia do meu pai, mas, em termos de informação, fui confrontado com muita matéria sobre Uria. Assim, compilei toda a informação que encontrei”. Adiando a pretensão de escrever sobre o pai, Adelino Timóteo começou a seguir, entre várias fontes, despachos da PIDE que faziam referência quase diária do que acontecia dentro da FRELIMO. Aí os escritor conheceu as várias faces de Uria Simango: nacionalista, diplomata, religioso e combatente. “Capitalizei isso tudo dentro dos despachos. Uria tinha muitos pseudónimos, como Uria Simanta, Simangão, John Goddy, e era uma figura interessante que encontrava vários meios para ludibriar a PIDE, que o policiava 24h por dia”.

A ideia de escrever sobre o pai, morto há mais de quarenta anos, era a de eternizar a sua história. “Sou escritor, mas nem sempre devo escrever sobre ficção. Tenho também de dar aso às minhas inquietações. Com isso, julgo que o livro pode interessar a vários moçambicanos, estudantes e sociedade em geral. De facto, há muita coisa em comum entre Uria Simango e meu pai. Ambos foram mortos por uma causa política, mas nunca explicadas. Eles foram sumariamente executados num estado independente”, afirmou Adelino Timóteo.  

O novo livro de Adelino Timóteo tem 200 páginas, e foi escrito entre 2012 e 2014, em Portugal.

Esta primeira publicação de Os últimos dias de Uria Simango sai sob a edição do autor, mesmo porque, de acordo com Adelino Timóteo, toda a gente a quem manifestava o interesse de lançar o livro virava-lhe as costas. “Ainda há muito receio de se falar de Uria Simango, e muita censura. “Mas eu não tenho medo, acho que tenho um compromisso social. Sou moçambicano e muito empenhado. Amo Moçambique e amo os homens. Há necessidade de pacificar, porque muitas pessoas, inclusive as que estão envolvidas em assassínios, não estão bem com elas mesmas”.

Nesta obra, Adelino Timóteo gostava que o leitor encontrasse uma certa pulsação de sentimentos, que o tornou bastante sensível, relacionada com a injustiça de um homem contra outro homem, porque nenhum ser humano tem direito de tirar a vida do outro. “Como diz Gabriel Garcia Márquez, um homem não deve olhar a outro para o rebaixar, mas sim para o ajudar”.

Para o autor, esta é uma obra de escrita difícil, pois teve de ler vários livros sobre Uria, de modo a cruzar informação, inclusive, da CIA e Interpol, no sentido de iluminar algumas zonas de penumbra. “Na ficção há mais liberdade. Aqui não tive a liberdade de dizer o que me aprova, tudo estava condicionado pela informação documental. Fui muito aos arquivos dos jornais desde os anos 60. Foi um trabalho muito minucioso. Poderia ser fácil se as fontes orais colaborassem, mas elas franquearam-me as portas porque têm o receio de sofrer um ajuste de contas”.   

 

“– Ni-ceeee!”. Esta foi a resposta do público, dada de forma breve, em coro, à pergunta “what’s up, Maputo?”, feita por aquele multi-instrumentista que se encontrava no palco montado no Campus Universitário da Universidade Eduardo Mondlane. Era o Bona, que, depois de provar da gastronomia moçambicana, lá apresentou-se à segunda edição do Noite de Guitarra, tocando “Kalambacoro”, do álbum Munia: The tale.

Nunca se viu um camaronês tão adepto de matapa como Richard Bona. A paixão pela verdura é tanta que o baixista não se importa em repetir vezes sem conta. “Eu como matapa pela manhã, à tarde e à noite”, revelou o músico minutos depois da sua actuação. Há-de ser por isso que o autor de “Dipama”, do soberbo álbum Tiki, apresentou-se aos moçambicanos, neste regresso ao país, com um sorriso bem nutrido. Nem mais, era da matapa. E pela força proporcionada pelas folhas de mandioca misturada com outros ingredientes, Richard Bona, acompanhado da sua banda (guitarrista, trompetista, baterista e um no teclado), fez Maputo passear numa odisseia sonora feita de África, das imagens do continente pintadas com padrões universais. No baixo, o menino (agora adulto) que começou a tocar aos quatro anos de idade, tendo-se iniciado à guitarra aos 11 e, dois anos depois, formado uma banda, expressou o seu universo interior, com aquelas músicas pausadas, falou dos sentimentos que nutri por Moçambique e, antes de sair do palco, ainda abraçou o público à distância.

Quem não quis saber de abraços fictícios neste regresso do Noite de Guitarra – evento organizado pela BDQ Concertos, com forte patrocínio da Vodacom e do Banco ABC, e que é feito sobre a umbrella da plataforma Moments of Jazz da mesma entidade, que já trouxe ao país Billy Ocean, Norman Brown, Gerald Albright, Marcus Miller e George Benson – foi Jimmy Dludlu. O guitarrista moçambicano foi o último, dos quatro convidados ao espectáculo, a subir ao palco. Trajado de fato azul celeste e, como é habitual, com um chapéu à cabeça, preto, o menino de Chamanculo, superando o desempenho dos seus colegas, fez levantar até os que se julgavam estar a ver o concerto à vontade, estando sentados no VIP.

Sempre irrequieto, alegre e ao estilo homem do povo, Jimmy rapidamente abandou o palco e lá foi ter com a sua gente. No meio da multidão, enquanto tocava, o guitarrista ofereceu abraços, deixou-se fotografar em selfies e quase saiu de órbitra quando reconheceu, talvez, um velho amigo: o músico estava diante de Jeremias Langa, quem também não se poupou num abraço amistoso, electrizante.

No seu tempo de espectáculo, o “Achemist” tocou músicas bem conhecidas. São os casos de “Linda” e “Tote”, essa música recriada pela cantora Lizha James noutros tempos. E houve tantas lindas, de todas as cores, que quiseram o músico por mais tempo. Jimmy tocou corações no Noite de Guitarra, conhece bem o seu público, e ainda mostrou que em questões de dança nada lhe passa ao lado.

Além de Jimmy Dludlu e Richard Bona, em palco esteve também o anunciado Ernie Smith, quem há muito não actuava no país. Foi, por isso talvez, o guitarrista que muito impressionou. Houve, durante a actuação do sul-africano, entre os mais entendidos de afinação musical, uma espécie de paixão à primeira vista. Algo recíproco. O bafana tratou logo de explicar: “Amei o público moçambicano. Ele, realmente, ama a música. Eles amam aquilo que fazemos e fazem-nos libertar a música que há em nós. Este é um dos melhores lugares do mundo onde já actuei”.

Ao lado destes monstros, todos da música africana, também tocou e cantou Albino Mbié. Foi quem abriu o concerto, às 20h, cumprindo o desafio de se colocar ao nível dos maiores nomes que têm participado na plataforma Moments of Jazz, em geral, e no Noite de Guitarra, em particular. Para quem não conhecia, deve ter notado que há muita coisa que liga Mbié ao seu antigo professor, Richard Bona: a serenidade com que canta, por exemplo, músicas como “Mbilo & Kaya” e “Awusiwana” (com a qual se despediu do público), ambas do se disco de estreia: Mozambican dance.

Sobre a sua participação no concerto, Albino Mbié foi categórico: “fiquei surpreendido com a qualidade do show, do público e da produção. Foi um espectáculo de revelar que Moçambique pode produzir e também trazer bons músicos ao país. Foi uma grande honra fazer parte deste show”.

A segunda edição do Noite de Guitarra encerrou com a actuação dos quatro músicos em palco, com passos de dança ao estilo Michael Jackson, como já se tornou hábito ver do Jimmy Dludlu.

Mais de três mil pessoas estiveram no evento da BDQ Concertos.

 

O poeta  Armando Artur, a convite da União Africana,  participa na I Conferência dos Escritores Pan-Africanos, evento a decorrer de 7 a 9 deste mês, em Accra, capital do Ghana.  
Artur, um dos poetas da Charrua, apresentará uma comunicação subordinada ao tema “Promovendo a literatura africana e a leitura: o papel dos escritores africanos no fortalecimento da identidade cultural africana, valores compartilhados e integração continental”, num painel constituído por distintas personalidades literárias e académicas do continente africano, como são os casos de Ayi Kwei Armah, do Ghana, Adama Samasekou, do Mali, Ademola O. Dasylva, da Nigéria, Mongane Wally Serote, da África do Sul, entre outros.  

A Conferência é organizada pela Comissão da União Africana, e pretende-se que seja um encontro de reflexão sobre o papel dos escritores africanos no fortalecimento da identidade cultural africana.

O encontro discutirá  igualmente temas relacionados com o papel da literatura africana na libertação do continente e no processo do desenvolvimento e integração africana.  

Armando Artur, membro fundador da Associação Pan-africana de Escritores (PAWA), publicou "Espelho dos Dias" (1986), "O Hábito das Manhãs" (1990), "Estrangeiros de Nós Próprios" (1996), "Os Dias em Riste" (2002) – prémio Consagração FUNDAC -, "A Quintessência do Ser" (2004) – prémio Nacional de Literatura José Craveirinha –, “No Coração da Noite” (2007), “As falas do Poeta” (2012), entre outros.

 

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