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O País – A verdade como notícia

A exposição Mahotas, do fotógrafo norte-americano Daniel Jack Lyons, é inaugura próxima terça-feira, às 18h30, Centro Cultural Franco-Moçambicano (CCFM), em Maputo.

A escolha de Mahotas como fonte para esta série artística foi uma decisão consciente para oferecer uma solução positiva para a falta de serviços de saúde mental em Moçambique. Em vez de escolher um dos muitos hospitais disfuncionais em Maputo, que apenas reafirmam o problema enquanto expõem as desigualdades de saúde à distância, os retratos desta exposição envolvem os participantes e procuram honrar a sua resiliência.

Daniel Jack Lyons é um fotógrafo baseado em Nova Iorque, cujo processo é marcado pela fotografia artística combinada com uma percurso mais formal na área dos direitos humanos, pesquisa e activismo. Priorizando as experiências vivenciais de um grupo diverso de indivíduos, Lyons cumpre o seu papel como fotógrafo criativo.

O CCFM tem programado, para crianças até aos 13 anos, “Os sábados das crianças”. Todos os sábados, a partir das 10h30, estão agendadas actividades diversas, tais como cinema, desenho, leitura de contos, etc. Neste âmbito, no dia 14 deste mês haverá uma visita guiada à exposição “Mahotas”.

 

Diversas actividades artísticas estão agendadas para a cidade da Beira, a realizarem-se amanhã e terça-feira. Das actividades em causa, destaca-se o intercâmbio com agentes culturais e um encontro com professores e estudantes universitários, a acontecerem na Casa do Artista. Na verdade, A Casa do Artista e a Fundação Fernando Leite Couto realizam, na Beira, sessões culturais num contexto em que a Fundação apresenta-se pela primeira vez na cidade natal dos seus membros fundadores. A fim de se aprofundar a parceria entre a Casa do Artista e a Fundação Fernando Leite Couto terá lugar a assinatura de um “Memorando de Cooperação” entre as duas instituições culturais.

Na Casa do Artista, haverá ainda uma conversa com o escritor Mia Couto, à volta dos 35 anos do seu percurso literário. Este último evento será uma sessão aberta ao público, a decorrer no Centro Universitário de Cultura e Artes – CUCA, no dia 3, pelas 16:30h.

Todos estes eventos pretendem igualmente celebrar o 3.º aniversário da Fundação com o “regresso a casa” dos irmãos Couto: Fernando Amado Couto, Mia Couto e Armando Jorge Couto.

A Fundação foi criada pela família de Fernando Leite Couto, um impulsionador da literatura e do jornalismo no país, que viveu na cidade da Beira. O poeta Fernando Leite Couto também foi editor de muitos autores moçambicanos.

 

Depois de ser lançada na Beira, a obra “Os últimos dias de Uria Simango”, de Adelino Timóteo, chega à capital do país. Com esta aventura pelos corredores da história de Moçambique, o poeta e escritor diz que pretende dar mais valor à personalidade de Uria Simango, que foi sempre classificado como regionalista, o que, segundo o escritor, não constitui verdade.

Para Timóteo, lançar a obra em Maputo aparece em resposta a esse posicionamento, porque Uria Simango não era de uma região, era de uma nação, daí que deve ser visto como alguém que lutou pelo país.

Uria Simango trabalhou como missionário e viveu também em Maputo, o que motivou ainda mais o escritor a fazer chegar a obra à cidade das acácias. “A acção é fazer chegar este livro a um local onde ele também trabalhou e pensou enquanto nacionalista ”, disse.
Adelino Timóteo afirma que escrever esta obra não foi algo planeado, mas… “eu fui confrontando as informações e a medida que o tempo ia evoluindo, dei-me na situação de ter um material avultado. Aí achei que seria bom fazer um trabalho científico”.

O lançamento de “Os últimos dias de Uria Simango”, de Adelino Timóteo, está previsto para terça-feira, às 17 horas, no Centro Recreativo da Universidade A politécnica (CREISPU).

 

 

O Centro Cultural Franco-Moçambicano vai acolher, na próxima quinta-feira, um espectáculo de dança contemporânea ‘uma proposta feminina’, com coreografia de de Pak Ndjamena e interpretação de Daniela Coelho e Flore Chabernaud.

'Uma proposta feminina' é um trabalho artístico e coreográfico que desvenda várias histórias interligando semelhanças, diferenças e pontos comuns que revelam uma distinção de carácteres.

O trabalho, de acorco com um comunidado do CCFM,  pressupõe vários acontecimentos que envolvem o desempenho paralelo da mulher na sociedade.

Bernardo Guiamba (Pak Ndjamena) é um bailarino e coreógrafo moçambicano. Colaborou e participou em vários festivais e projetos nacionais e internacionais, especificamente como intérprete. Teve colaborações em várias peças, com coreógrafos nacionais e estrangeiros e criou projetos de co-produção com a Iodine Produções e o Festival Kinani – Plataforma Internacional de Dança Contemporânea, nomeadamente, “Corpo Voice” (Moçambique / Swazilandia) (2011), e com a Culturarte, no “Danse Dialogues Africa”, com o projecto Justaposição “Centauros”, numa tournée na Alemanha (Dresden, Dusseldorf e Hamburgo) e no CCFM com o projecto “Piscar” (2014), uma colaboração artística com o músico francês Nico M’Sagarra e ”In Kino” com Idio Chichava (2016).

 

 

 

O Ministério da Cultura e Turismo (Micultur) felicita aos fazedores das artes e cultura, no geral, e aos actores, encenadores e dramaturgos em particular, pela passagem do Dia Mundial do Teatro, que hoje se assinala e exorta ao envolvimento de todos os seguimentos da sociedade nas celebrações desta data, fazendo do teatro instrumento de exaltação e promoção da nossa identidade cultural e de afirmação da moçambicanidade, avança em comunicado, a instituição.

No país, as celebrações do Dia Mundial do Teatro realizam-se sob lema: “Promovendo o Teatro em prol da Equidade do Género, Paz e Desenvolvimento Sustentável”, e englobarão debates temáticos sobre o estágio actual do teatro em Moçambique e suas perspectivas; compreenderá diversas actividades de todas as expressões artísticas-culturais.

O Dia Mundial do Teatro foi instituído pelo Instituto Internacional do Teatro (ITI), aquando da inauguração do Teatro das Nações, em Paris, França, em 1961, com objectivo de promover a arte do teatro junto dos cidadãos e lembrar artistas e obras importantes da história do teatro.

 

Aplausos e mais aplausos. Talvez a melhor forma para caracterizar a aula de sapiência dada por Paulina Chiziane, no seminário sobre jornalismo cultural no Camões – Centro Cultural Português, em Maputo, esta terça-feira.

Paulina Chiziane e a jornalista cultural portuguesa Teresa Nicolau foram as escolhidas para debruçar sobre o tema “Cultura além da arte”. Chiziane, autora de várias obras de sucesso, aproveitou o espaço para dar a conhecer um pouco sobre a sua experiência de 35 anos, contribuindo para a cultura moçambicana e, consequentemente, para o jornalismo cultural. Paulina diz que para que um jornalista cultural a entreviste é necessário que prove que merece.

“A pessoa para conseguir uma entrevista comigo tem que me provar que realmente é jornalista e que quer realmente trabalhar comigo. O jornalista cultural tem que estudar e, se me quiser entrevistar, tem que saber quem eu sou”, disse Chiziane.

Naquela espaçosa sala, Ngoma Yethu: O curandeiro e o novo testamento, foi a obra escolhida por Chiziane, a fim de explicar o seu contributo para o próprio jornalismo cultural, numa fase em que a escritora acabou por fazer um trabalho antropólogo e sociólogo. A escritora explicou ter tido acesso às fontes e até a fotografias que sequer os reais jornalistas têm, e manifestou alguma indignação ao aperceber-se que suas obras, que retratam maioritariamente a cultura africana, em particular de Moçambique, são mais valorizadas no estrangeiro. Paulina Chiziane explicou ainda que o facto de ter escrito a obra que tinha como principal objectivo trazer a visão de um curandeiro sobre o cristianismo trouxe várias críticas internas, em que jornalistas, e não só, afirmaram que estava a escrever sobre o curandeirismo e que curandeiro é coisa do diabo. “Um dia eu fui escrever uma coisa de nome Ngoma Yethu: O curandeiro e o novo testamento. O que eu fiz naquele livro, boa gente, é aquilo que os antropólogos e sociólogos fazem de maneira fina, mas eu fiz de maneira grosseira, mas fiz! Eu fui interpretar o novo testamento de acordo com a cultura bantu, portanto não é um livro sobre curandeirismo, é um livro sobre o cristianismo”.

Já a jornalista cultural da Rádio e Televisão de Portugal (RTP), Teresa Nicolau, diz que as pessoas olham para o jornalismo cultural como sendo o mais fácil. “As pessoas acham que é fácil fazer jornalismo cultural. Mas é difícil ser jornalista cultural, porque o jornalista cultural tem de ler, tem de ouvir música, tem de ir ao teatro, tem de saber quem é que são os actores culturais do seu país e, às vezes, de todos os países à nossa volta. Portanto é um universo imenso explorando aquilo que é a arte sob o ponto de vista jornalístico, obviamente que outros géneros também são importantes”, disse a jornalista, acrescentando que o jornalismo cultural não deve se prender à agenda e que para ser jornalista cultural é necessário que se estude.

“A essência do jornalismo, seja ela qual for, é contar histórias, se o jornalista de cultura fica só na agenda é óbvio que se perde esta dinâmica das histórias. Ser jornalista cultural é das coisas mais difíceis, é preciso que se estude permanentemente”, disse Teresa.

Circle Langa, envolvido na organização do evento, diz que o evento irá estender-se a outras províncias e adianta que alguns jornalistas poderão beneficiar-se de formações na europa. “A extensão que se vai fazer às províncias consiste, fundamentalmente, em fazer oficinas, onde alguns jornalistas poderão ampliar o seu capital de conhecimento”, disse Langa.

O segundo Seminário de Jornalismo Cultural, que começou segunda-feira, termina esta quarta-feira.

 

Mais de 20 grupos foliões juntaram-se este fim-de-semana para celebrar a festa da sétima edição do carnaval Municipal. O evento movimentou munícipes de todos os bairros e contou com a participação de músicos locais e da capital moçambicana. Foram necessários cerca de 250 mil meticais em produtos para as premiações dos grupos.

A marcha e o desfile pela avenida principal que atravessa a vila sede de Massinga, denunciou logo o início das diversas manifestações culturais, da sétima edição do carnaval deste município. Ao cair da noite, o espaço tornou-se mais atractivo e acolhedor.

Aos vencedores desta edição, Fernando Aly (rei) e Celeste Isaías (rainha), foram atribuídos prémios materiais, entre os quais, antenas para TV e o respectivo aparelho, micro-ondas, geleiras, entre outros. Os concorrentes mostraram-se felizes com o evento e disseram que os prémios ganhos já tinham destinos. Ambos prometem oferecer às suas respectivas mães.

A Presidente da Mesa de Júri, Laércia Moisés, disse não ter sido trabalho fácil apurar os vencedores.

O edil do Município, Clemente Boca, fez avaliação positiva do evento, comparativamente às edições transactas.

Este é o quarto dos cinco distritos municipalizados, da província de Inhambane, que realiza o festival do carnaval.

 

O escritor português, Afonso Cruz, estará em Maputo, mais uma vez, para uma conversa moderada por Ana Miranda (diretora do Arte Institute, Nova Iorque). A conversa vai acontecer no dia 29, às 18h00, no Camões – Centro Cultural Português.

Antes desta visita, Cruz participou, em 2014, no 26º Curso de literaturas do Camões – Centro Cultural Português em Maputo. Desta vez, o escritor vem conversar sobre o seu trabalho e o papel da literatura nos dias de hoje. O público será convidado a conhecer, ler e debater textos escolhidos da autoria de Afonso Cruz.

A iniciativa do Arte Institute de Nova Iorque conta com o apoio da Embaixada de Portugal em Maputo e do Camões – Centro Cultural Português em Maputo.

Afonso Cruz nasceu em julho de 1971. É autor de obras como A Carne de Deus — Aventuras de Conrado Fortes e Lola Benites, ao qual se seguiria, em 2009, Enciclopédia da Estória Universal, galardoado com o Grande Prémio de Conto Camilo Castelo Branco; Os Livros Que Devoraram o Meu Pai, Prémio Literário Maria Rosa Colaço, Finalista do Prémio Fundação Cuatro Gatos 2016; A Contradição Humana, Prémio Autores SPA/RTP, seleção White Ravens 2011, menção especial do Prémio Nacional de Ilustração, Lista de Honra do IBBY e Prémio LER/Booktailors na categoria Melhor Ilustração Original e O Pintor Debaixo do Lava-loiças, distinguido em 2016 com o Selo Cátedra 10, da UNESCO e com o prémio FNLIJ (Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil do Brasil). Em 2012, foi o autor português distinguido com o Prémio da União Europeia para a Literatura pelo livro A Boneca de Kokoschka, e publicou também Jesus Cristo Bebia Cerveja, que foi distinguido com o Prémio Time Out — Livro do Ano e considerado o Melhor Livro do Ano segundo os leitores do jornal Público.  

Ana Miranda nasceu em Torres Vedras e tem carreira como actriz e produtora. Ao mudar-se para NY em 2006, trabalhou como jornalista para  a televisão portuguesa, mantendo a sua ligação com a comunidade artística de Nova Iorque e evoluindo enquanto produtora e realizadora. O seu percurso passou ainda pela Rádio ONU, pela Missão Permanente de Portugal  junto das Nações Unidas e pela emblemática Sonnabend Gallery. Em 2011, Ana Ventura Miranda fundou o Arte Institute, um instituto independente, sem fins lucrativos, para a internacionalização da arte e cultura contemporânea portuguesa. Ana tem sido responsável pela organização de diversos eventos culturais nos Estados Unidos, Portugal, Brasil, França, Reino Unido, Angola, África do Sul, Polónia e Austrália, incluindo o NY Portuguese Short Film Festival, as Summer Nights Series at Union Square Park, a Semana José Saramago em NY, Pessoa em NY e  Arte Institute Contemporary Dance at Alvin Ailey.

 

 

O projecto do pianista sul-africano Nduduzo Makhathini, Inner dimensions, embarcou na sua primeira tournée pela África Austral este mês e tem paragem em Maputo, quinta-feira, às 19h, no auditório do Centro Cultural Franco-Moçambicano.

Gravado no Musikerwohnhaus em Basileia (Suíça), em 2016, durante uma residência promovida pela Pro Helvetia Johannesburg, o projecto reuniu uma notável linha de músicos. O álbum de 11 faixas apresenta Fabien Iannone, no contrabaixo; Dominic Egli, na bateria; e Kalimba e o One Voice Vocal Ensemble (Lisette Spinnler, Julia Fahrer, Githe Christensen, Christa Unternährer, Ines Brodbeck, Anna Widauer, Maximillian Bischofberger e Yero Richard Nyberg) e foi gravado por Hannes Kumke.

“Sempre senti que, com o tipo de trabalho que faço, é importante encontrar uma maneira de alcançar mais pessoas, pois acredito que estou a fazer um trabalho mais cultural do que de diversão. Inner Dimensions buscam maneiras de penetrar profundamente nos reinos internos das nossas almas e encontrar aquelas melodias que trazem harmonia e esperança para todas as pessoas ”, afirma Makhathini, no comunicado do Franco-Moçambicano.

A digressão pela África Austral (África do Sul, Moçambique e Maurícias) arranca com uma apresentação no Festival Internacional de Jazz da Cidade do Cabo, seguido de uma noite no The Orbit em Joanesburgo. E, antes de seguir para as Maurícias, tem uma paragem no Centro Cultural Franco-Moçambicano para uma residência de três dias com dois artistas locais, Xixel Langa (voz) e Samito Tembe (percussão). Este encontro de colaboração foi possível através da parceria com a Pegs Music Projects e o Centro Cultural Franco-Moçambicano e conta com o apoio da Pro Helvetia Johannesburg.
 

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