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O País – A verdade como notícia

A peça teatral “A boca”, do grupo Makwerho, volta aos palcos. A apresentação, inserida no âmbito da 12ª edição da Francofonia, vai acontecer no Centro Cultural Franco-Moçambicano (CCFM), na segunda-feira, às 19h.

A Boca é uma obra cenicamente despida (segundo Grotowski: teatro pobre), onde o corpo humano é várias vezes usado para criar o cenário. O ritmo é enriquecido pela flexibilidade dos actores, muitas vezes cantando e dançando, avança o comunicado do Franco-Moçambicano enviado à nossa redacção.

Em termos de conteúdo, A Boca fala da liberdade de expressão e das suas consequências no mundo, em particular sobre o ponto de vista político. Quem nos faz viajar nesse mundo é o personagem Jhotamo, que é um jovem de 25 anos apaixonado pelo jornalismo, porém formado na área de medicina pela mais reconhecida universidade pública do país. No dia da sua graduação, Constantino, jornalista e pai de Jhotamo, é morto a tiros. O desejo de vingança e a sua paixão pelo jornalismo fazem Jhotamo abandonar a sua área de formação e ocupar o posto do pai na redacção. Amigos do pai o aconselham a não tocar nesse assunto, destacando os perigos, e o aconselham a divulgar apenas notícias de desporto. Mas Jhotamo insiste e aventura-se na esperança de divulgar a identidade do assassino do pai.

A Boca é uma peça teatral escrita por um jovem artista moçambicano conhecido por Estreanty, que veio a conhecer as artes cénicas através do grupo teatral Makwerhu do bairro de Mavalane B, em 2003. De 2005 a 2009, Estreanty participou de diferentes oficinas organizadas por diferentes ONG maioritariamente com objectivo de formar actores-activistas. A partir de 2011, Estreanty começa a frequentar o Centro Cultural Franco-Moçambicano, onde participou em diferentes oficinas de artes cénicas como malabarismo, dança, teatro, magia, pernas de pau, acrobacias e marionetas.

Sob direcção de Estreanty, a peça terá em palco os seguintes actores : Danito Banze, Orlas Intimane, Jeff Maria, Cesária Vuendo, Jhon Thomas e Festinhas.

A peça é inspirada na tragédia que aconteceu a Carlos Cardoso, Siba Siba Macuácua e Gilles Cistac.

 

Acompanhada do saxofonista Muzila e do percussionista Tony Paco, Lucrécia Paco, leva “Zambézia, 2061: La Cité de La Grande Revolution”, ao palco do Centro Cultural Franco-Moçambicano.

Com texto e encenação de Alain Kamal Martial, a peça será apresentada esta quinta-feira, a partir das 19h00.

A obra é um monólogo musicado que pode ser encarado como uma poesia-manifesto por uma África futura. E apresenta-se como celebração de todo um povo. É, na verdade, o regresso às raízes, não para lamentar o passado, mas para celebrá-lo pelo heroísmo e desenhar novas utopias.

Lucrécia Paco já também levou aos pacos outros monólogos de Alain Martial, como “A Mulher Asfalto” e “Epílogo do Ventre”.

“Zambézia, 2061: La Cité de La Grande Revolution” marca o regresso da actriz, depois de uma paragem pelos palcos.

 

Alunos da 6ª e 7ª classe da Escola Primária Completa de Matacuane, em Sofala, visitam, no dia 16 deste mês, às 8h30, no Camões – Centro Cultural Português, pólo da Beira, a exposição A maior flor do mundo, que inaugurou no dia 20 de Fevereiro, com ilustrações de André Letria, dedicadas ao conto infantil de José Saramago (1922-2010).

Os alunos daquela escola são convidados a visitar a exposição e, depois, a assistir a um conjunto de curtas-metragens de animação que constituem parte da selecção oficial das sete edições do NY Portuguese Short Film Festival produzido pelo Arte Institute.

Esta iniciativa conta ainda com o apoio do Curso de Português (Departamento de Ciências da Linguagem, Comunicação e Arte) da Universidade Pedagógica – Delegação da Beira, que providenciou o transporte.

 

 

A Associação dos Escritores Moçambicanos (AEMO) acolhe, na sua sede, em Maputo, a Semana das Delícias do Zambeze, um evento destinado a promover a cultura da região do Vale do Zambeze que engloba áreas das províncias de Manica, Sofala, Tete e Zambézia.

Segundo Daniel da Costa, coordenador do evento, a principal atracção da Semana das Delícias do Zambeze será o pende selvagem de Cahora Bassa, peixe de água doce de classe mundial, vulgarmente conhecido por tilápia. Nas instalações da AEMO, estará aberta uma feira de peixe e serão igualmente proporcionadas as condições para uma sessão de degustação ao longo do evento.

“A ideia central do certame”, refere o escritor Daniel da Costa, “é a de promover uma maior aproximação entre as pessoas, em que a comida deve recuperar o seu lugar como a rede social mais antiga do mundo, muito antes dos aplicativos da internet”.

Além de gastronomia, integram a Semana das Delícias do Zambeze um colóquio sobre a qualidade e segurança dos alimentos, com a Prof. Dra. Custódia Macuamule, docente de Higiene e Tecnologia dos Alimentos na Universidade Eduardo Mondlane; uma exposição de artesanato, com peças da artista Emmy Xix, feitas a partir do fruto do embondeiro e a promoção de títulos de 20 escritores do Vale do Zambeze.

Falando em representação da AEMO, o secretário-geral Ungulani Ba Ka Khosa, mostrou-se satisfeito com esta experiência inovadora e sublinhou que “factos desta natureza ilustram, tal como a poeta Natália Correia dizia, que a poesia é para se comer, mostrando o quão importante são os saberes e sabores que nos diferenciam e nos unem”.

Produzida pela Loja do Pende, sediada em Tete, em parceria com a AEMO, a Semana das Delícias do Zambeze estará aberta das 10 as 19 horas, até ao dia 22 do corrente mês, com a excepção de domingo, dia 18.

 

 

A 12ª edição da celebração da Francofonia 2018 com tema “Oralidade” é celebrada em todo o país e as cerimónias centrais terão lugar em Nampula.

O programa desta edição propõe concertos, cinema, teatro, desporto, literatura e ainda um diversificado leque de eventos pedagógicos tais como: conferências, jornadas de portas abertas e concursos.

A programação é o resultado da participação dos parceiros da Francofonia em Moçambique, constituídos pelas embaixadas de países membros e observadores da francofonia-OIF (Argentina, Bélgica, Canadá, França, Marrocos, Suíça, Vietname), o Governo de Moçambique, as Universidades (UP,ISRI, UEM), as Associações (Associação Moçambicana dos Professores de Francês – AMPF), Associação Moçambicana dos Jovens Francófonos – AMOJOF), o Centro Cultural Franco-Moçambicano, o Instituto de Línguas, as Escolas secundárias Moçambicanas, a Escola francesa “Lycée Gustave Eiffel”, a Escola portuguesa, sem esquecer o apoio de diferentes patrocinadores (Movitel, Total, Namaacha e Hotel Cardoso).

A cerimónia central da celebração está marcada para dia 20 (Dia Internacional da Francofonia) no campus da UP em Nampula, com representantes do Governo e das Embaixadas assim como com a Madrinha para esta edição, a cantora Filomena Maricoa.

 

No dia 14, a artista plástica Imane Kamal Idrissi vai expor a sua nova obra: Perspectiva. A inauguração está marcada para 17:30h, no Auditório do BCI, em Maputo.

Com a nova exposição, como o título sugere, Imane Idrissi pretende apresentar um novo universo, aquele que é assumido pela perspectiva, numa tentativa de revelar a maneira como vê o mundo, afinal, o trabalhão da artista é como um espelho que se inspira no que o rodeia, reflectindo essa realidade em diferentes níveis.

O material utilizado nesta exposição varia entre o óleo clássico e a colagem em tela e é constituída por 20 obras: tela, instalações e duas estátuas. Para que ficasse pronta, Imane Idrissi precisou de um ano de preparação, pintando no seu atelier, em casa, aproveitando o que considera uma soberba vista sobre a baía de Maputo.

Esta é uma forma de homenagear a mulher, num mês que ela celebra o seu dia internacional. No entanto, o capítulo das homenagens não encerra na mulher. Perspectiva contém retratos de dois grandes líderes africanos: "Nelson Mandela e Samora Machel". Imane explica a preferência: “Ouvi tantas histórias de pessoas que os conheceram, pequenas anedotas, que resultaram numa bela inspiração, que tentei apresentar da maneira mais original para pessoas únicas como elas”.

Confrontada com a questão como é cultivar a sua arte, em termos de imaginação, num país estrangeiro?, a pintora marroquina argumentou: “Eu acredito que ser marroquina ou francesa não importa, porque a linguagem da arte é universal. Um artista, qualquer que seja sua raça ou nacionalidade, ele é sensível a tudo ao seu redor e é inspirado por tudo. Acredito que o que faz a riqueza e a abertura é a diversidade e o intercâmbio das culturas. Por isso, Moçambique e os moçambicanos apreciam também a arte que vem de outros países, e a imaginação de outros artistas que não são necessariamente moçambicanos. A arte não tem nacionalidade, excede todos os limites de raça e língua”.

Diante desta explicação, Imane Idrissi acrescentou que não se sente na condição de estrangeira em absoluto, porque tem sorte de ter bons amigos moçambicanos, que se tornaram sua família. “Eles me adoptaram e, graças a eles, sinto-me em casa. Esta é uma oportunidade incrível, agradeço-lhes por isso. A única diferença é que eu estou inspirada de forma diferente, não acredito que, se eu vivesse na França ou Marrocos pensasse, algum dia, fazer um retrato de Samora Machel.

Por via da sua exposição, Imane acredita que pode fazer as pessoas descobrirem outras perspectivas da arte. E ainda pode se encontrar uma nova técnica artística para autores moçambicanos. “Esta colecção abre o espírito e a alma do artista para nova dimensão das criações”, assegurou Imane.

Como calha em todas as criações, a artista afirma que, nesta, o que lhe deu mais gozo foi a alegria de terminar a obra com o resultado que imaginava antes de começar, “porque há muitas restrições técnicas a serem superadas e para descobrir; decisões a serem feitas, entre uma grande paleta de cores de técnica, de colagem; é uma série de decisões a serem tomadas nas várias fases da criação, que no final tornam esta criação o trabalho esperado. Às vezes cometo erros e vou tentando consertá-los, o que nem sempre é possível, mas tudo isso faz parte do processo de aprendizagem e maturidade artística. Seja como for, vejo nisso uma passagem positiva e inevitável.

A tarefa do curador imane confiou a si própria e ao marido. “Decidimos juntos. Quando se trata de configurar as obras no espaço da galeria, confio no gosto dele”.

A exposição Perspectiva permanecerá no Auditório do BCI até 26 deste mês.

 

A perspectiva de uma biografia

Imane Idrissi nasceu na cidade marroquina de Casa Blanca. Aos oito anos de idade, já ajudava o seu pai (Nordine Kamal Idrissi), pintor formado em Bela Artes, a preparar as telas. Aos 21 anos, foi docente, no interior de Marrocos. Imane frequentou o curso de Edição e Direcção de Vídeo e Elaboração de Guião, em Casa Blanca e em Marselha (França). Foi Assistente de Director em várias séries de televisão e reality shows, e mais tarde trabalhou como comissária de bordo na companhia área Emirates.

A artista vive em Maputo, onde tem realizado diversos documentários institucionais, dentre os quais o seu mais recente vídeo sobre o abastecimento de água nas comunidades rurais no país.

A sua primeira demostração de arte foi aos 20 anos, numa exposição colectiva com a participação do seu pai e de outros pintores marroquinos.

Em 2016, realizou a sua primeira exposição individual em Moçambique, intitulada “Mulheres”. A segunda exposição foi em 2017, intitulada “Art Shake”, ambas expostas na galeria do Núcleo d’Arte.

Imane Idrissi faz parte da Associação Moçambicana de Artistas e da Associação Moçambicana de Cineastas (AMOCINE), e tem obras expostas em diversas galerias na África do Sul e em Moçambique.

 

 

 

 

Inaugura-se no dia 15, pelas 18,00 horas, na Galeria  Kulungwana, sita na Estação Central dos CFM , a  nona edição da exposição colectiva “Colecção Crescente 2018”. Estão expostas obras de mais de uma centena de artistas moçambicanos e estrangeiros, residentes em Moçambique, tornando-se assim na grande mostra da criatividade nacional. Esta exposição prolonga-se até ao próximo dia 21 de Abril.

Está marcado para hoje o primeiro leilão de arte moçambicana. A cerimónia, com início às 18 horas, terá lugar no Salão Nobre do Clube Naval, na cidade de Maputo.

O leilão contará com cerca de 50 obras de artistas moçambicanos consagrados, tais como Malangatana, Shikani, Naguib, Mabunda, Pekiwa, Reinata, entre outros. Das obras incluídas, existe uma variedade de estilos e técnicas que vão desde a pintura, escultura, cerâmica e xilogravura, incluindo-se, também, algumas serigrafias.

 

O jornalismo cultural estará em debate, num seminário a realizar-se entre 26 e 28 deste mês. O programa da SóArte Media em parceria com a Associação IVERCA e o Camões – Centro Cultural Português está marcado para aquela instituição cultural, em Maputo, com duas sessões ao dia, a partir das 14:25.

Esta segunda edição do Seminário de Jornalismo Cultural é financiado pela União Europeia e Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento, e vai introduzir estágios profissionais para jornalistas moçambicanos no estrangeiro, concretamente para RTP, em Lisboa, Portugal.

Tal como ano passado, várias personalidades são convidadas a intervir, dizendo o que pensam sobre o sector do jornalismo cultural. Entre os convidados – com escritores, cantores, académicos e, claro, jornalistas – estão os seguintes nomes que vão preencher os painéis: Jeremias Langa, MC Roger, Melita Matsinhe, Severino Ngoenha, Paulina Chiziane, Júlio Manjate, Francisco Manjate, Inocêncio Albino, Pompilío Gemuce, José dos Remédios, Paulo Chibanga, G2, Amosse Macamo e Milton Machel.

Além dos jornalista nacionais, o seminário contará com a presença de jornalista estrangeira, nomeadamente: Teresa Nicolau, de Portugal. Ainda daquele país europeu, vem a pesquisadora e cineasta Catarina Simão.

O Seminário de Jornalismo Cultural procura juntar actores culturais de Moçambique que abordam temas ligados às relações das linguagens artísticas com o jornalismo, património, tecnologias de informação e comunicação, e contempla formação de jornalistas, artistas, sociedade civil nas províncias de Nampula, Sofala e Maputo sobre o uso das plataformas digitais, informa o comunicado da SóArte Media. E diz mais: “A ideia é influenciar, através do seminário, a produção de conteúdos jornalísticos sobre cultura e artes mais consistentes e que estimulem mudanças positivas. Por outro lado, pretendemos influenciar a criação de mais espaços na media para assuntos ligados à cultura”.

 

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