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O País – A verdade como notícia

A cidade de Lichinga, capital do Niassa, recebe, desde esta quinta-feira, artistas provenientes de todas as províncias do país para participar no X Festival Nacional de Cultura. A cerimónia de abertura foi dirigida pelo Presidente da República, Filipe Nyusi e contou com a participação de vários membros do Governo, a população da cidade de Lichinga e representantes de Angola, Guiné-Bissau, Portugal e Suécia.

Na cerimónia de abertura, cada uma das delegações desfilou devidamente trajada com vestes feitos à base da capulana, com excepção da província anfitriã que apostou em vestes tradicionais feitos à base de saco de sisal. Para abrilhantar cada vez mais, cada província escolheu uma dança para ser a bandeira da sua apresentação que era executada no momento em que os mesmos cumprimentavam a tribuna principal. A delegação da província de Maputo foi a única que se apresentou apenas com um número muito reduzido de pessoas porque por uma questão logística; apenas conseguiu chegar à Lichinga no fim do dia de hoje, por isso, não pôde estar na cerimónia de abertura.

Um dos momentos mais altos da abertura foi a apresentação de um bailado escrito e encenado pela dançarina Pérola Jaime e envolveu quase mil e quinhentas pessoas, entre crianças e adultos. A coreografia baseou-se na história dos Matacas e da Rainha Habibi Achivangila e da sua luta contra a dominação colonial. O nganda, dança tradicional típica de Niassa, acompanhou grande parte da encenação que teve a duração de quase 45 minutos.

O governador de Niassa e o Presidente do Conselho Municipal de Lichinga deram boas vindas aos participantes do festival tendo ao mesmo tempo solicitado que não fiquem apenas em Lichinga mas que arranjem tempo para ir ver o Lago Niassa, a Reserva do Niassa considerada a maior da África Subsahariana, o monumento de Matchedje, mas que também comam o tchambo do lago e os feijões produzidos naquela terra.

O governador Arlindo Chilundo ressaltou que apesar das dificuldades que o país atravessa “o governo provincial e os parceiros foram se mobilizando desde Fevereiro deste ano, para tornarmos este evento não só um êxito, mas sobretudo um momento do reencontro dos moçambicanos e da partilha de experiências e talentos entre os fazedores das artes e da cultura”, disse.

Já o Ministro da Cultura e Turismo, Silva Dunduro, disse que no evento mais uma vez os moçambicanos vão expor ao mundo o Nyau e a Timbila que foram declarados pela UNESCO como sendo Patrimónios Imateriais e Oral da Humanidade para além de várias outras riquezas que o país dispõe em termos culturais. “Esta fase é o culminar de uma grande caminhada, iniciada em Fevereiro deste ano quando fizemos o lançamento oficial do X Festival Nacional da Cultura e declaramos Lichinga capital nacional da Cultura”.

Antes de discursar, o Presidente da República foi ao pódio com os régulos que são descendentes da rainha Habibi Achivangila e pediu que dissessem algumas palavras aos presentes. Os mesmos apenas mostraram sua satisfação pelo reconhecimento e homenagem que o Festival Nacional da Cultura decidiu fazer à Rainha dos Matacas. Já no discurso, Filipe Nyusi recordou os vários momentos da nossa história que marcaram a resistência à ocupação colonial e usou a rainha Habibi para demonstrar que o lema do festival “A cultura promovendo a mulher, a identidade e o desenvolvimento sustentável” é algo que na cultura dos povos moçambicanos já é praticado há muito tempo, por isso as mulheres sempre assumiram um papel importante nas comunidades. Mas mesmo, assim o governo tem hoje a missão de promover cada vez mais as mulheres através do combate de certas práticas que relegam e marginalizam o potencial que as mulheres têm para o desenvolvimento do país.

Por outro lado, Filipe Nyusi encorajou os artistas nacionais a nunca baixarem os braços. “Apreciamos as vossas iniciativas de uso dos recursos artísticos e criativos para o fortalecimento da unidade na diversidade, um dos requisitos para a construção de um Moçambique cada vez mais próspero, em paz e que valoriza a equidade do género rumo ao desenvolvimento sustentável”, disse o Chefe de Estado para a seguir acrescentar que “esta é uma oportunidade de troca de saberes e de inspiração partilhada visando o desenvolvimento de novas competências e promoção de novos talentos assim como uma plataforma de aprendizagem e pesquisa científica da reinterpretação da história sobre as artes, cultura e do desenvolvimento económico e social no nosso país”, concluiu.

 

Faltam três dias para a sexta gala do MOZKIDS Talents. Por isso, como é de costume, os 23 concorrentes apurados encontraram-se, esta quarta-feira, em Maputo, com a professora Maria Helena Pinto para juntos acertarem pormenores e, consequentemente, garantirem uma excelente actuação.

As primeiras crianças a ensaiarem foram as irmãs Gleese e Ramla Semkiwa, concorrentes da categoria de Teatro. Para a gala do próximo sábado, a realizar-se no Cine Scala, a partir das 13h, as pequenas actrizes prepararam a peça “Deslocados de Cabo Delgado”, na qual retratam os dramas das populações afectadas pelos ataques perpetrados naquela província do Norte do país. Em causa está um enredo que projecta uma peça burlesca, no entanto, igualmente didática. Aliás, mesmo a propósito disso, a mais velha das irmãs, Ramla, tratou logo de esclarecer durante o ensaio: “Com esta peça, o nosso desejo é fazer as pessoas rirem e aprenderem”. E para que o riso não falte, as crianças investiram muito na verosimilhança, há mais de dois mil anos apontada por Aristóteles como um dos elementos fundamentais na arte de representação da realidade pelos artistas. Inclusive, o sotaque apresentado por Gleese é makhuwa, o que confere à peça esse carácter cómico e espontâneo que as duas têm preservado.

Como calha com as outras peças apresentadas por Gleese e Ramla Semkiwa, “Deslocados de Cabo Delgado” foi escrita por Sara Cossa, a mãe das concorrentes, quem, habitualmente, prepara o texto num dia, sempre considerando a personalidade de ambas. Além de escrever o texto, Sara Cossa também é responsável pelo primeiro ensaio da dupla.

Ainda hoje, participaram, no ensaio com Maria Helena Pinto, Alayna Dava, quem deixou uma promessa clara e inequívoca: “Vou fazer as pessoas ficarem muito contentes e orgulhosas de mim porque vou dar o meu melhor”, disse a menina que, na sexta gala, vai declamar um poema bem ao estilo de “Se me quiseres conhecer”, de Noémia de Sousa, declamado na quarta gala. Como a pequena Dava, outra concorrente da categoria de Poesia que está muito confiante é a Natolys Manjate. Para sábado, a declamadora mais votada na última semana preparou excertos de um poema de Mia Couto, com muitas surpresas, garante. 

Com efeito, todos os concorrentes que ensaiaram esta quarta-feira mostraram-se muito confiantes, não em ganhar o concurso, que isso não depende apenas deles, mas em dar um grande espectáculo no Scala. É o caso de Dárcia Mondlane: “Quem for a ver-me no Cine Scala não vai perder muita emoção e muita alegria”.

A dupla de dança Stivenson e Elaina, na sexta gala desta iniciativa da SOICO, em parceria com o BancABC, vai apresentar-se ao ritmo do samba, porque, segundo eles, é o género que melhor dominam.

De acordo com Maria Helena Pinto, os ensaios de hoje revelam que os concorrentes estão extremamente bem preparados para brilhar em mais uma gala do MOZKIDS Talents, que, voltou a sublinhar, já não é um concurso, é um espectáculo. 

Projecto “Xigumandzene” é o primeiro trabalho discográfico do rapper moçambicano Kloro. Depois de quatro concertos, está a caminho o espectáculo, “Zuera de Inverno”, que encerra esta saga que durou dois anos na cidade de Maputo.

Durante os dois anos vivendo o CD, Kloro aprendeu a importância do trabalho em equipa, da pré-produção, da dedicação e do foco no trabalho para o desenvolvimento cultural nas suas múltiplas vertentes.

“Foi das melhores experiências porque tivemos oportunidade de trabalhar com muitas das melhores bandas e instrumentistas do país. Aprendemos muito, para não dizer tudo, pela diversidade de estilos e formas de tocar”, realça Kloro.

“Zuera de Inverno” é um conceito propositado, pois o artista pretende desmistificar o mito de que o “showbiz” só funciona no verão. Além disso, trata-se de uma das faixas desse trabalho, que de acordo com as vendas, foi adquirido por perto de 1500 pessoas.

Marcado para o dia 25 do próximo mês, no Restaurante A3, em Maputo, Kloro vai confluir os quatro concertos num só. Vão com Kloro partilhar o palco o seu eterno grupo Trio Fam e grupo de hip-hop DRP, como também o rapper Teknik.

A arte, em particular o festival Stellenbosch, deve estar associada às necessidades das pessoas. Esta é a percepção de Luís Magalhães, pianista português interessado em formar homens íntegros por via da música. Nesta entrevista, o artista a viver na África do Sul explica como a arte pode ser importante para um país.  

O que é feito do vosso festival?

No Stellenbosch fazemos mais ou menos o que o Xiquitsi faz em Maputo. A diferença é que nós temos mais anos de existência. Actualmente, atraímos cerca de 300 participantes alunos: sul-africanos, nigerianos, quenianos e marroquinos. Temos essa ideia de integração continental, que é importante para obtermos uma estrutura que abranja outros países e mais pessoas de outras culturas, o que só enriquece os nossos jovens a viverem na África do Sul.

Os jovens são a razão pelo qual existe o Festival Stellenbosch. Porquê?

A nossa ideia não é fazer concertos, mas educar por via dos concertos e orquestras. Penso que no contexto do hemisfério Sul, em África e na América Latina, temos que integrar a expressão musical e artística dentro das necessidades contemporâneas da nossa população, dos nossos alunos, dos nossos filhos. Dissociar a expressão artística da realidade do nosso país? Mais vale não estar a fazer nada, porque vamos continuar a ser vistos como projecto elitista ou do hemisfério Norte, quase que como os projectos coloniais.

Embaraços por detrás da realização deste tipo festivais?

A cultura é um bem essencial para qualquer sociedade. O que me deixa um bocado assustado, neste trabalho altruísta que temos desenvolvido com muita dedicação dos alunos, é ver que o investimento público privado nesta iniciativa não existe. Até o momento em que os nossos governantes perceberem que o capital cultural é muito mais importante que o capital monetário, vão encontrar um êxodo de população talentosa. O país vai sair a perder com isso, porque os músicos poderão encontrar oportunidades noutros países. Esse é o meu maior medo, os miúdos terem consciência dessa realidade ainda muito jovens. É difícil para uma criança ou adolescente compreender por que não há piano, um grão de areia no Orçamento do Estado, mas que faz toda a diferença para os alunos.

O que podemos ganhar, como país, se criamos condições para não faltarem pianos e outros instrumentos para os alunos de música?

O coeficiente emocional contribui para fazer de uma pessoa um profissional de excelência. Com este coeficiente, os alunos podem ser matemáticos exímios ou contabilistas fantásticos. Mas, sem este coeficiente emocional a economia não cresce. Nós temos de viver em conjunto, fazendo parte de uma comunidade, e o que une a comunidade em qualquer país é a cultura: a música, a gastronomia, a expressão plástica e a dança. A cultura e a expressão artística é a base de qualquer sociedade.

No caso de Moçambique, o Xiquitsi teve dificuldade de formação de público de música clássica. E na África do Sul?

Também foi difícil, mas em parte por nossa culpa. Por exemplo, na primeira edição do festival em Stellenbosch, digamos, tentamos ser iguais a nós próprios, como descendentes de europeus, com programação daquelas chatas: germânica, Áustria-húngara, com noite clássica, noite barroca e contemporânea. Toda a gente ia para noite clássica e a contemporânea ficava sem ninguém. Isso foi uma lição para nós. Disso, tomamos a decisão, no final da primeira edição, de não repetirmos repertório. Ao longo das 15 edições, nunca repetimos obras. São sempre diferentes, e assim vamos continuar até acabarem – espero que não acabem. Outra coisa, a inserção de músicas de diferentes épocas é feita de acordo com a ideia estética das obras, para também haver um conteúdo com textura. Isso contribuiu para atrairmos mais público e, felizmente, temos crescido muito. Durante os 10 dias de festival temos uma circulação de 12 mil pessoas, o que, para festival de música clássica, em qualquer parte do mundo, é muito bom.

O que lhe dá mais gozo, entre tocar e organizar festival de música clássica?

Em primeiro lugar, jogar futebol. Quando era mais jovem e tivesse que escolher, teria deixado o piano. Mas como não tenho muito jeito…

O que achas do projecto Xiquitsi?

Penso que a programação que a Kika faz é excelente. Logo, mais dia ou menos dia o Xiquitsi vai alcançar uma circulação enorme de pessoas. Inclusive, estamos cada vez mais interessados em estabelecer intercâmbios artísticos entre os nossos alunos na África do Sul e os do Xiquitsi, em Moçambique.

Sugestões artísticas para os leitores do jornal O País?

Sugiro os mosaicos de Naguib, na Marginal de Maputo.

PERFIL

Luís Magalhães é pianista português. Vive na África do Sul e tem actuado com frequência por toda a Europa, bem como em Moçambique, Zimbabwe, Brasil, China, Japão e Estados Unidos. É autor de quatro discos e é co-fundador do Stellenbosch International Chamber Music Festival, o qual se tornou desde 2004 o principal festival de música clássica em África. Magalhães tem recebido elogios da crítica internacional quer como solista quer como músico de câmara.

Artistas plásticos da Ilha Reunião Kid Kréol e Boogie juntaram-se ao moçambicano Hugo Mendes para uma exposição colectiva em Maputo. Pintada a três mãos, a exposição pretende ser um veículo de aproximação cultural por via dos sentidos ligados ao mar. Daí que, juntos lançaram as sementes de um intercâmbio no centro cultural Franco-Moçambicano.

A colectiva foi feita para resgatar um património cultural, em jeito de imagens e crenças. Produzida em material reciclado, Ligados pelo Índico é um alerta à preservação do ambiente, lembrando que, embora distantes, Moçambique e Reunião são países com muito em comum.

“Esta exposição trás a superfície a relação mítica que os moçambicanos tem com o mar, o que existe também nas ilhas reunião apesar de serem países distantes ”, afirmou Hugo Mendes.

Ligados pelo Índico está exposta no Franco-Moçambicano até dia 4 de Agosto.

Espectacular. Talvez esta seja a palavra mais apropriada para resumir a actuação da aluna da 3 de Fevereiro, que, ao desafiar-se a si própria, interpretou “A vansati va lomu”, não na versão de Mingas, mas na sua própria recriação. Chama-se Tamires Moiane e tem 12 anos de idade, poucos para o talento vocal que possui. Por isso, quando sobe ao palco gera expectativa e ansiedade. Cantando como só ela sabe, a MOZKIDS fez do canto coisa fácil, na sua melhor performance nesta primeira edição do concurso infantil organizado pela SOICO e o BancABC. 

Na tarde de sábado, no Cine Scala, em Maputo, Tamires Moiane, a concorrente mais votada na categoria de Canto, pela segunda semana consecutiva, recuperou a música por via da qual conseguiu apurar-se no casting realizado no Matxikitxiki, mês passado, desta vez, homenageando a avó Cecília, tão sortuda por ter uma neta deveras talentosa. De facto, na voz de Tamires, a música ganhou outra sonoridade, mais suave, simultaneamente arrepiante. A língua portuguesa precisa de mais palavras para se descrever o fenómeno que ocorreu no palco do MOZKIDS. Talento puro. Logo, Maria Helena Pinto, um dos membros do júri, não poupou elogios. Repetiu-se, bem dito, o que já havia afirmado nos espectáculos anteriores. A Tamires é de um talento de dar inveja às melhores cantoras que a Stv formou no Fama Show e até a várias moçambicanas com longo percurso. Génio. A esta altura, esta palavra é melhor que Espectacular.

Nesta quinta gala do MOZKIDS Talents, Tamires Moiane foi uma das meninas que esteve perto da pontuação máxima no Canto. Faltou-lhe uma nota para 30, que Marcelle Claquin não cedeu por mera fatalidade. Nada que assustasse à nova estrela em formação. Saiu sorridente, como também saiu Érica Tembe, a menina que acumula duas categorias do MOZKIDS Talents: Canto e Instrumentos Musicais, não fosse ela actuar sempre acompanhada por uma guitarra disposta a seguir suas ordens. A aluna do Instituto Nília, 10 anos de idade, igualmente, somou 29 pontos, ao interpretar “Minha infância”. Foi uma actuação muito equilibrada da Érica, quem se esmera por manter o seu toque artístico nas músicas por si cantadas.

Em terceiro lugar, em termos de desempenho, na categoria de Canto, esteve Juelma Moiana, a quem Marcelle Claquin convidou para cantar nas suas aulas de dança. Juelma cantou “Eu vou seguir”, de Marina Elali, e, mais uma vez, mostrou que não está no concurso para aplaudir. Longe disso, a menina é outra talentosa, com brio e rigor vocal.

Além destas três meninas, seguem para a sexta gala mais três: Melony Macaringue, Dárcia Mondlane e Inalda Sumburane. De fora ficaram Daniela Machel e Alliyana Tembe.

O melhor trio dos instrumentos musicais

Com palmas. É sempre assim que o público reage à satisfação resultante das actuações de Fernando Tinosse no MOZKIDS Talents. No último sábado, não foi diferente, mesmo porque o menino investe sempre em tocar, no seu teclado, músicas populares. Segundo entende Maria Helena Pinto, Fernando toca como se dançasse. E, acrescente-se, como se celebrasse alguma coisa que ainda não revelou. O que revelou, de forma atabalhoado, foi que começou a tocar lá vão dois anos. Portanto, na altura tinha sete anos de idade. Foi o tio Mondlane quem lhe ensinou, mas é com o pai que ensaia. 

Não obstante, no que ao teclado diz respeito, os maiores predicados foram para Tanaya Cumbana, apreciadora de música clássica, que interpretou “Cloudy day”, com muito receio de falhar. Porque concentrou-se com perfeição, não falhou. Antes pelo contrário, acertou sempre. Então, no fim da actuação, o júri rendeu-se e atribui a classificação máxima.

Que também somou 30 pontos foi Igor Sobral. O baterista parece que entrou possuído. Actuou enérgico como nunca. Não só tocou, como fez um autêntico espectáculo, interagindo com o público sem nunca perder o ritmo. Na quinta gala, o menino que escolheu a bateria por admirar outro baterista, Joshua Zaqueus, mostrou o melhor de si até aqui e garantiu o apuramento para a fase seguinte.

Nesta categoria, de fora ficou Shabir Simango.

Ana Milena reinventa-se na poesia

A pequena declamadora cansou “de se repetir”. Então, resolveu surpreender. Ao palco, nesta gala, não foi sozinha. Consigo levou um guitarrista para se armar em produzir sons agradáveis a fim de dar outra substância à sua arte. Assim, Ana Milena recitou o poema “Capulana”, de Énia Lipanga. Nada ao acaso. Antes de a menina decidir caminhar por essa via, investigou. Foi à Internet e, depois de horas a fio à procura, eis que se deparou com o poema. Leu e logo identificou-se. Assim, levou-o ao MOZKIDS Talents, tendo, por isso, somado 30 pontos. Nesta categoria Ana Milena foi a única com pontuação máxima. Depois dela, em segundo lugar esteve Natolys Manjate, com 29. Natolys declamou “Se me quiseres conhecer”, de Noémia de Sousa, depois de Alayna Dava já o ter feito semana passada. O terceiro mais votado foi Elísio Massango, com 28 pontos, menino que recitou contra a violência doméstica causada às mulheres.

Thainara Calane foi a única concorrente eliminada na Poesia.

Teatro mais renhido

Já se previa que, na quinta gala, pelo menos um actor promissor iria ser eliminado. No caso, foram dois de uma só vez. A dupla Melvin e Denyel não somou votos suficientes para continuar no concurso. Assim sendo, “A turma do Malume” foi-se embora no meio de lágrimas, inconsoláveis pelo resultado. E têm razão, são muito bons para estarem fora do MOZKIDS Talents. No entanto, os que continuam são também muito promissores. Alguém tinha que sair. Desta vez foram eles, para “alegria” de Liane Fernandes e Denilson Manhique, mais uma vez a liderar a classificação semanal, Fernanda Raimundo e Ramla e Gleese Semkiwa.

Quanto à categoria de Dança, Ámbrosi Langa continua a convencer o júri e a somar muitos votos. Por isso, voltou a ser o primeiro classificado. O outro carismático que não desperdiça votos é Kayani Machavane, o menino de sorriso aberto. Em terceiro lugar, ficou a dupla Elaine Chavo e Stivenson da Encarnação. No quarto, quinto e sexto lugar, respectivamente, ficaram Yuran Manhiça, Anaís Macaringue e a dupla Shanaya Cumaio e Kyara Lopes.

Para sexta gala do MOZKIDS Talents passam 23 concorrentes.

Uma memória em três atos, um documentário de longa-metragem do realizador, Inadelso Cossa, recebeu o prémio especial do júri (Special Jury Award) no festival internacional de cinema de Zanzibar, na Tanzânia.

A produtora de documentários STEPS oferecerá ao filme vencedor um contrato de distribuição para o continente africano.

O filme propõe e ensaia um retrato contemporâneo de moçambique em três Atos, elaborada num estilo híbrido experimental entre a ficção e o documentário.

Inadelso Cossa é Realizador, director de fotografia e Produtor moçambicano, é autor do aclamado filme “Xilunguine”, A Terra Prometida vencedor do prémio Estação Imagem – Mora para melhor documentário no FIKE – Festival Internacional de Curtas Metragens de Évora em 2013.

Uma Memória em Três Atos é o seu primeiro documentário de longa metragem. O Realizador está neste momento a desenvolver um novo projecto híbrido intitulado:  “As Noites ainda cheiram a pólvora” e o mesmo já garantiu o apoio parcial do fundo Holandês IDFA Bertha Fund.

 

Há seis anos que o grupo Micro 2 não lançava um disco. Ao fim do maior intervalo desde que começaram a publicar em álbum, Legacy e Flash Enccy regressam aos holofotes com a proposta Planeta terra. Este é título do quarto trabalho discográfico da dupla da Matola.

Nesta obra musical, os dois rappers investem, a nível do conteúdo, em mensagens de âmbito social, abordando diferentes temáticas relacionadas ao quotidiano das famílias moçambicanas. Nesse sentido, por um lado, o CD constituído por 14 músicas explora cenários dramáticos, causados pela violência doméstica nos lares. Por outro, Planeta terra enaltece a necessidade de se ter que perdoar ao próximo pelos erros cometidos, mergulha na política, na actual atmosfera socio-económica do país, no entanto, com cuidado e subtileza para não ferir sensibilidades. Esta foi sempre a maneira de estar do Micro 2 no Hip-Hop, a intervenção social, abrangente tanto à realidade africana na mesma proporção que à ocidental. Por isso, o produto pretende conquistar mercados como Angola, São Tomé e Príncipe, Brasil e Portugal.

Planeta terra é um projecto da linhagem "Underground", dedicado a levar a verdade e o sentimento do povo aos demais. Concorre, para o efeito, as participações de Pitcho, Azagaia ou Spice nas músicas.

E porque um álbum destes é feito de sonhos e desejos, a dupla de MC espera que os temas proporcionem nos que forem a ouvir o respeito pela liberdade de expressão. Este é, igualmente, um trabalho de denúncia de factos que são vividos no mundo contemporâneo, no qual o ser humano aparece com desafios e muitas adversidades. A fim de tornar as suas pretensões palpáveis, Flash Enccy e Legacy apostaram numa mensagem bem elaborada, que, acreditam, vai garantir uma nova percepção dos factos que acontecem no país e no estrangeiro, afinal, “Esta é uma forma de manifestar a nossa filantropia, de maneira a promovermos saúde mental às pessoas. A música tem esse poder e, nós, como grupo, há mais ou menos 12 ou 15 anos temos lançado trabalhos nesse sentido, incentivando à leitura porque não devemos estar presos a aquilo que aprendemos na escola, temos de nos cultivar de várias formas, inclusive, sendo autodidatas”, afirmou Legacy, sublinhando, logo de seguida: “a música é uma ponte para o conhecimento”.

Planeta terra é um disco produzido nos estúdios nacionais, feito para preservar a longevidade criativa dos autores, sempre a pensar no desenvolvimento do movimento do hip-hop moçambicano, incluindo, igualmente, raciocínio à volta da exclusão social, vencendo a monotonia.

Partindo das abordagens do quarto álbum, os meninos do Micro 2 aproveitaram para projectar um quadro sobre a actualidade musical moçambicana. Para Flash Enccy e Legacy, a saúde da música no país está boa ao nível de quantidade, porque já existe muito produto. Todavia, entende a dupla, há questões a revelarem que Moçambique ainda se encontra numa fase muito embrionária no que diz respeito, por exemplo, à protecção dos direitos do autor. “Nós entendemos que os artistas não devem viver apenas de espectáculos ou da venda de seus artigos, há questões que devem ser acauteladas de modo que, ao fim de seis meses ou um ano possamos tirar proveito financeiro da nossa obra. Ainda assim, acredito que vamos evoluir dentro de anos, porque temos muitos talentos e estamos todos sempre aprender”, vaticinou Legacy.

Este álbum, além de ter sido feito com dedicação, é um produto de amizade entre os membros do grupo Micro 2. Talvez, por isso, ter sido natural alcançar-se o que Flash Enccy considera evolução qualitativa em relação aos anteriores três álbuns.

Planeta terra será lançado no dia 28 deste mês, no Beer Garden, Jardim dos Madjermanes, na cidade de Maputo, entre 10 e 17 horas.

DOIS MICROS NUMA SÓ LINGUAGEM

Micro 2 ou M2 é um dos principais e mais antigos grupos de Hip-Hop moçambicano. É autor de quatro álbuns. Além de Planeta terra, lançou Andando a pé (2005), Caneta e papel (2008) e A oficina do conhecimento (2012). O grupo foi formado em 2004. Na altura, Ras TM era membro integrante do colectivo e desempenhava o papel de produtor e Manager do grupo. Com o artista, o grupo concretizou o primeiro álbum.

 

A Fundação UP, em parceria com o artista plástico Naguib Abdula, celebraram, esta quarta-feira, o centenário de Nelson Mandela com um momento de pintura que envolveu cerca de 100 crianças vindas de diferentes escolas da cidade de Maputo.

Mandela 100 anos…Nelson Mandela vive em nós…Nelson Mandela é amor…essas são algumas das mensagens que, acompanhadas de cores vivas, quentes, frias e até mortas, dominavam os quadros que os petizes pintaram em homenagem ao ícone da luta contra o apartheid na África do Sul. Não era para menos. Se Mandela estivesse vivo completaria, hoje, 100 anos de idade.

Segundo a gestora de programas da Fundação UP, Teresa Jonas, as pinturas inserem-se nas celebrações dos 100 anos de Nelson Mandela e decidiu envolver as crianças na pintura porque é um lugar onde elas podem expressar os seus sentimentos em relação à figura de Mandela.

"Decidimos envolver as crianças na pintura porque é arte. É um lugar onde elas podem extravasar, estar a vontade e, também, debater e refletir sobre o legado de Mandela que é de paz, amor, reconciliação, proximidade ao outro e direitos humanos", explicou a gestora de programas da Fundação UP, Teresa Jonas.

Já para o artista plástico Naguib Abdula, parceiro da iniciativa, disse que a escolha das crianças como forma de homenagear o ícone da luta contra o apartheid justifica se pelo facto de Mandela ter levado a cabo a luta que levou, justamente, para defender o futuro que são as crianças. "Mandela era uma pessoa que amava as crianças. Aliás, a luta de Nelson Mandela foi sempre para um futuro e o futuro são as nossas crianças, então, a melhor homenagem que achamos que podíamos ter feito foi, exactamente, pintar os 100 anos de Mandela com as crianças", referiu Naguib Abdula.

Por seu turno, as crianças mostraram ter conhecimento dos motivos que lhes leva a pintar o centenário do Nelson Mandela. Achad Chirindza, aluno da Escola Primária 04 de Outubro, disse que com a pintura de quadros aprendeu que Nelson Mandela lutou contra o racismo e Tifa Matsinhe aluna da mesma escola acrescenta: "Aprendi que ele respeitava todas as pessoas, fazia tudo por nós e ele lutava por todos negros".

Nelson Rolihlahla Mandela nasceu a 18 de Julho de 1918 em Mvezo, uma pequena vila no Distrito de O. R Tambo, África do Sul. Em 1993 foi vencedor do Prémio Nobel da Paz e em 1994 tornou-se o primeiro presidente negro da África do Sul.

 

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