O País – A verdade como notícia

O Musiarte Conservatório de Música e Artes Dramáticas realizou, na noite de quarta-feira, na Fortaleza de Maputo, um concerto de apresentação da performance de 36 alunos daquela escola. A oportunidade serviu para mostrar ao público e aos financiadores das bolsas de estudo dos jovens artistas, a Ímpar, o resultado de anos de dedicação a um propósito: música erudita.

No evento bem concorrido, em relação ao que tem sido habitual segundo os alunos, a fundadora e professora do Musiarte, Stela Mendonça, defendeu que é preciso o país investir na música erudita e vencer os preconceitos de que o género é para alguns. "Nós não devemos subestimar a nossa alma, a nossa abertura ao mundo e às culturas. A arte é aquilo que não tem fronteiras, é uma forma de estar, é vida e muita coisa junta. Os moçambicanos fazem parte do mundo. Então, não há nada que proíbe que nós gostemos deste género musical ou desta expressão artística".

De acordo com Stella Mendonça, artista cujos méritos são reconhecidos internacionalmente, os alunos do Musiarte estão a estudar com perspectivas de desenvolver a própria comunicação artística no que tange à música erudita. Nesse sentido, é necessário muita restruturação e reinvenção, afinal, sublinha Stela Mendonça: "Nós, os moçambicanos, somos um povo muito sofisticado dentro de nós e das nossas almas. Dentro das nossas atitudes podemos ter esta sofisticação musical e artística". Para o efeito, é indispensável que concertos de música erudita cheguem a mais gente. Por isso mesmo, é pretensão da escola Musiarte tornar a oferta dos seus concertos algo constante.

Ao mesmo tempo que Stella Mendonça considera importante a oferta de concertos ao público, a fundadora do Musiarte chama atenção para que os fazedores de música erudita tenham a preocupação de se envolverem sem imitação e com conhecimento. "Às vezes, com emoção, porque gostamos deste estilo de música, acabamos por imitar e até transformamos aquilo que são as partituras originais. É neste capítulo que devemos ser exigentes. Devemos saber, educarmo-nos, expandir, partilhar o resultado dessa aprendizagem e deixar a alma deliciar-se".

Musiarte é um Conservatório de Música interessado em formar os talentos que o país possui. E um dos que se destacou no concerto realizado na Fortaleza de Maputo foi Carlos Nhamizima, quem assume ser complicado fazer música clássica no país. Ainda assim, o aluno do Musiarte diz que o cenário está a mudar. Concorre para a mudança o facto de, agora, existir outros grupos praticantes da música erudita, o que vai envolvendo mais interessados.

 

Sara de Almeida celebra 15 anos de carreira na área da moda. A fim de assinalar a data, a estilista, uma das grandes referências nacionais do ramo, resolveu investir mais na imagem do seu produto, criando condições para que amantes da moda de todo mundo possa chegar a si com mais comodidade. Assim, Sara de Almeida criou um site para melhor expor as suas obras.

Embora o mercado nacional seja o seu maior foco, Sara interessa-se pelo mercado internacional, com novo logotipo. A partir de agora, todas as peças da Sara de Almeida Multi-service terão a imagem de um diamante, que, na opinião da estilista, representa a beleza feminina, género que mais a procura. Aliás, a cliente mais antiga de Sara de Almeida é uma mulher, que a acompanha há mais de 16 anos, mesmo antes de criar a sua empresa de moda. Por isso, a estilista a ofereceu joias como agradecimento à confiança.

Sara começou com culinária, corte e costura. Depois veio desenho de moda, e, agora, tem aulas de moda, lojas com produtos pronto-a-vestir. Tudo pensando na beleza e na confiança dos seus seguidores.

O músico e saxofonista, Moreira Chonguiça, foi, esta quarta-feira, nomeado embaixador do Grupo Entreposto para projectos de responsabilidade social desenvolvidas por aquela agência.

Na verdade, trata-se de uma renovação de parceria já existente há mais de cinco anos entre o Grupo Entreposto e o saxofonista Moreira Chonguiça. Na primeira parceria, os acordos limitavam-se apenas a assuntos económicos. O contrato de parceria que hoje foi assinado vem, segundo o vice-presidente do Entreposto, Nuno Sousa, fortalecer o já existente, mas desta vez numa vertente mais social, com destaque para sinistralidade rodoviária e casamentos prematuros.

“Esse memorando representa uma continuidade do trabalho que já vinha sendo feito há mais de cinco anos numa determinada conjuntura e que nesta fase trata-se de uma parceria que queremos levar para um patamar, introduzindo aspectos de natureza de responsabilidade social. Um tem a ver com a problemática da segurança rodoviária, onde como Grupo Entreposto, como podemos contribuir na redução dos acidentes e no âmbito do combate aos casamentos prematuros, mas no contexto mais alargado e nacional”, referiu o presidente do Grupo Entreposto, Nuno Sousa.

Já Moreira Chonguiça disse que a parceria nos projectos de responsabilidade social serão de mais-valia uma vez que a mesma não se vai cingir em Maputo apenas, mas vai se alargar em todo o território nacional, e “temos que louvar o facto de o Grupo Entreposto ter aceitado abraçar esse desafio e visto que o mesmo se encontra em quase todos os pontos do país. Para mim já vai facilitar porque o grande problema disso é infra-estrutural. Como é que a gente se desloca para esses sítios, se comunica”.

Eparaka é o título do álbum de estreia e do próximo concerto de Deltino Guerreiro. O espectáculo “abençoado”, e esse é o significado daquela palavra emakhuwa, está marcado para o Centro Cultural Franco-Moçambicano, na cidade de Maputo, a partir das 20:30h de sexta-feira.

Durante hora e meia aproximadamente, o músico cujo talento foi revelado no programa Super Tardes da Stv vai cantar e tocar músicas do seu primeiro disco, além de algumas inéditas. Uma delas fará parte do segundo álbum e outra resulta de uma participação num workshop no Zimbabwe. E porque as novidades não param por aí, Guerreiro promete apresentar-se de uma forma diferente daqui o seu público está habituado. “Vou apresentar-me numa nova roupagem. Nunca apareci da maneira que vou aparecer. Eu e a minha banda tentamos melhorar alguma coisa, investindo mais no estilo, no ritmo e no batuque do Norte, de onde eu venho”, afirmou Deltino Guerreiro.

Para o concerto de sexta-feira, o músico conta com dois convidados. O primeiro é Azagaia, rapper que Deltino admira e que faz parte da sua história. Até porque convidando Azagaia é uma forma de honrar a sua origem: o Hip-Hop. O outro convidado do músico é Stewart Sukuma, outro autor por quem tem apreço.

A propósito de afinidade, ao concerto Eparaka, Azagaia leva amizade, afinal o rapper e o músico conhecem-se antes do álbum lançado. Os dois autores trilharam caminhos juntos na Kongoloti Records. Azagaia fará um dueto com Deltino Guerreiro na música “Sonho”. Para o efeito, o rapper leva versos inéditos, que combinam com a temática do tema. “Na verdade, os versos fiz para uma nova música, mas, porque acho que se adequam à letra do Deltino, preferi apresenta-los pela primeira neste concerto. Creio que é uma junção perfeita, com uma das melhores vozes de Moçambique, bastante profissional. No estilo de música que ele faz, consegue ir ao encontro das pessoas e da nossa cultura”, defendeu Azagaia.

Quem também fará parte do concerto Eparaka é Stewart Sukuma, que vai actuar num dueto com Deltino na música “Deixa esse aí”. Sukuma aceitou o convite porque entende que Guerreiro é um cantor incrível: “E a música que vou tocar com Deltino caiu-me como uma luva porque está relacionada com violência doméstica e eu tenho me envolvido em campanhas contra esse tipo de actos”.

O fotógrafo moçambicano, Mário Macilau, encontra-se em Luanda, capital angolana, a participar num projecto de autoria pessoal, sobre processo de produção fotográfica. O convite foi feito pela Cipro Group e Arpino Legato são instituições movidas pela excelência e procura permanente de soluções para exclusividade dos seus serviços.  

A Cipro escolheu o fotógrafo moçambicano pelo respeito e reação internacional ao seu trabalho, que vem estimulando um interesse que origina oportunidades de colaboração por todo o mundo.

Macilau disse que não é a primeira vez que apresenta seu trabalho em Angola. “Não é pela primeira vez que vou para Angola, tenho lá ido duas a três vezes por ano e quase sempre a trabalho, é uma tristeza ter de dizer que infelizmente tenho mais reconhecimento fora do meu país. Em Moçambique julgo que tenho pessoas que admiram o que faço, mas com ausência de consideração, respeito e reconhecimento não como favor ou uma obrigação, mas porque o que tentamos fazer merece uma força local que uma simples admiração temporária” disse.

O fotógrafo acrescentou ainda que, o projecto é uma forma de ultrapassar seus limites e desafios e que a Cipro Group apostou nele para dar uma identidade visual a sua empresa
 
“A arte é uma forma da empresa conseguir alcançar esse objetivo, possibilitando em simultâneo uma diferenciação em relação aos restantes competidores”.

Já esteve em Maputo várias vezes, no entanto, não se farta de vir apresentar-se ao público da pérola do Índico. Por isso, Lira aceitou o convite da BDQ Concertos para actuar no Moments of Jazz, num espectáculo a realizar-se no dia 24 de Setembro, na capital do país.

Na verdade, a cantora sul-africana vai ajudar a colorir um evento cuja cabeça de cartaz é a banda norte-americana The Whispers, que vem ao país pela primeira vez.

 A escolha da autora do álbum Feel good, muito tocado em Moçambique, de acordo com a organização do espectáculo, deveu-se ao pedido dos seus fãs, que imensas vezes manifestaram o interesse de ter a cantora na plataforma Moments of Jazz.

Almejando satisfazer os anseios dos que garantem a realização da série de concertos, a BDQ decidiu presentear o seu público com uma presença de grande nível num espectáculo que se pretende memorável. Mesmo porque, garante Belmiro Quive, o promotor do espectáculo: “a presença da Lira acrescenta valor ao evento pela diversidade de fãs que irão afluir ao Campus da Universidade Eduardo Mondlane, em Maputo. A Lira vai trazer-nos o afro/jazz que tem o seu público e os The Whispers vão trazer funk, soul & R&B que atrai outro público-alvo”.

Assim, Lira vem à capital do país com a sua banda composta por sete elementos. No Moments of Jazz, o Amor – este é o significado do nome da cantora sul-africana em sesotho – vai fazer uma actuação de aproximadamente uma hora, desfilando os seus grandes sucessos, como “Feel Good”, “Wa Mpaleha”, “Hamba”, “Ngiyazifela”, “Rise Again”, “Ixesha” e, quem sabe, “Dumissa” e “Ngiyabonga”.

As músicas seleccionadas pela cantora sul-africana para o espectáculo de Setembro não foi por acaso. Aliás, a BDQ Concertos, sempre que traz ao país músicos estrangeiros, indica aos mesmos os seus temas mais sonantes para o público moçambicano, quer porque foram muito tocados nas rádios e/ou televisão quer porque são recorrentes em festas de aniversário ou casamentos. A ideia é garantir que o auditório sai dos espectáculos satisfeitos por ouvir as músicas que mais aprecia.

Ainda que já tenha actuado no país imensas vezes, Lira ficou radiante ao receber o convite da BDQ, afinal terá a oportunidade de partilhar o palco montado no Campus da Universidade Eduardo Mondlane com uma das bandas conceituadas dos Estados Unidos:  The Whispers, além da interacção artística com Lyshannie e DJ Sérgio Butler, que também participam no espectáculo.

Colocar Lira a partilhar momentos, sonhos e perspectivas com The Whispers é um mecanismo de garantir a inserção de Moçambique na rota dos grandes concertos, o grande objectivo da organização deste evento musical. “A vinda de bandas e cantores do calibre dos The Whispers ou da Lira fazem fé a esse sonho que hoje é uma realidade. Há ganhos directos e indirectos por isso. O primeiro está na satisfação dos fãs, que tanto esperaram por este momento ímpar. Segundo, a cultura e o turismo beneficiam-se igualmente. Por fim, com grandes nomes da música, consegue-se receitas que são geradas neste tipo de eventos. Os hotéis, restaurantes, serviços de táxi, os demais serviços conexos e os moçambicanos em geral tiram proveito de oportunidades propiciadas pelo Moments of Jazz, porque nos nossos concertos sempre tentamos unir o útil ao agradável”, explicou Quive.

Mesmo a pensar na ideia de unir o útil ao agradável, o concerto de Setembro foi marcado para 24, um dia antes do feriado que celebra o início da luta armada de libertação nacional, conciliando a disponibilidade dos The Whispers, da Lira com o espírito festivo que envolve Maputo em ocasiões que se comemoram os feitos heroicos do passado.

Com efeito, o entusiamo de vir actuar em Maputo não foi exclusivo a Lira. Os The Whispers reagiram com agrado ao convite da BDQ Concertos, até porque esta será a estreia da banda no país de Samora, Craveirinha e Malangatana.

O Moments of Jazz é uma iniciativa que conta com patrocínio da Vodacom, BancABC e BDQ Mobile.

O Amor regressa a Maputo

Lira nasceu a 14 de Março de 1979, em Joanesburgo, na África do Sul. Começou a cantar ainda adolescente, e investe na fusão de soul, funk e afro/jazz. Como muitos autores do seu tempo, cresceu ouvindo Miriam Makeba, Stevie Wonder e Nina Simone. Estreia-se em disco com Feel Good, muito aclamado pelo público sul-africano, moçambicano, italiano e de outras realidades. Com o disco, Lira conseguiu várias nomeações e distinções no SAMA – Prémio Sul-Africano de Música. O prestígio musical tornou a cantora embaixadora da Audi, Shield, Samsung, MTN e BlackBerry e já apareceu nas capas de mais de 30 revistas em todo o mundo. No seu repertório musical, constam as obras Feel good, álbum platina, Return to love, no qual faz jus ao significado do seu nome, ou Born free. Seu nome de baptismo é Lerato Molapo.

A segunda edição do “Resiliência – colóquio de literatura” está de regresso. O evento realizado pelo Deal – Espaço criativo vai acontecer durante três dias, 10, 11 e 12 deste mês, em vários locais da cidade de Maputo.

Para o evento, cerca de 30 autores foram convidados. São os casos de Mia Couto, Ungulani Ba Ka Khosa, Gilberto Matusse, Severino Ngoenha, Marcelo Panguana, Sónia Sultuane, Melita Matsinhe, Sangare Okapi, M. P. Bonde e Lucílio Manjate, que vão participar em mesas redondas, lançamentos de livro, feira do livro e recital de poesia.

 Do colóquio de literatura, a organização espera algo mais includente e que atraia outro tipo de público, que procura entretenimento nos vários locais à volta do DEAL, mas que ainda tem um fraco acesso à cultura e à literatura moçambicana. “Uma parte desse público até foi educado para ler e consumir cultura, mas, por diversas razões, não o faz. É preciso deselitizar a literatura e descentralizar este tipo de eventos para os sítios não habituais. O DEAL, local onde se vão realizar a maior parte das actividades, tem uma localização privilegiada por estar rodeado de centros culturais, escolas, livrarias, casas de pasto e vários locais históricos que precisam ser revitalizados”, explicou Mbate Pedro, o curador do colóquio.

Embora a maior parte dos autores chamados a intervir no colóquio seja bem conhecido no universo literário nacional, a sua preferência não foi ao acaso. Bem dito, houve critérios que concorreram para o efeito. Primeiro, a escolha dos autores foi feita com base nos temas a serem discutidos. Por exemplo, procurou-se ter numa mesma mesa de debate participantes que tenham perfis variados  e tragam diferentes perspectivas sobre um mesmo tema. Segundo, o curador preocupou-se com a inclusão, dando oportunidade a outros escritores ou poetas, alguns dos quais publicaram bons livros recentemente, que não participaram na edição anterior ou que raramente têm participado neste tipo de actividade. O colóquio Resiliência, de acordo Mbate Pedro, baseia-se fundamentalmente na ideia da renovação e da representatividade de autores de pequenas editoras, evitando-se, quando possível, recorrer aos mesmos convidados, ainda que tal repetição aconteça.

Com efeito, o espaço Resiliência tem a pretensão de se afirmar como uma utopia, uma prova de sobrevivência de pessoas (escritores, editores, críticos literários, etc.) que, sem nenhuns recursos e apoios, decidiram investir na literatura e na cultura como uma forma de empobrecerem alegremente e de fugirem à loucura.

Esta é a segunda vez que o Resiliência acontece este ano. A partir de 2019, o colóquio vai realizar-se numa base anual, pois, segundo Mbate Pedro, não há em Moçambique escritores suficientes para que este evento seja semestral, “para além de que não temos tido nenhum apoio financeiro para custear as despesas. Todo o orçamento do colóquio, que inclui a presença de dois autores internacionais, foi suportado pela editora Cavalo do Mar. Também por isso, é desafio da organização contribuir para se melhorar o crónico desafio do acesso ao livro e à leitura; contribuir para a mudança que se quer na relação público e leitura; promover os autores e as suas obras, tendo em atenção um equilíbrio entre os diferentes géneros literários e divulgar a literatura e cultura moçambicana.

Esta edição do Resiliência vai discutir temas como “Literatura e arte no feminino”, “O fim da crítica literária em Moçambique”, “O lugar da lusofonia no panorama literário universal”, “Tradução literária e os novos rumos para as literaturas africanas de língua portuguesa”

“Quem nasceu neste país é flor”. Então, o Cine Scala, em Maputo, transformou-se num jardim autêntico e o palco lá montado uma montra do que de melhor se tem no jardim, não fosse por ali terem perfilado vaticínios de sonhos por via da revelação de aptidões ainda em formação. É o MOZKIDS Talents, iniciativa da SOICO em parceria com o BancABC, que, nesta primeira edição, continua à procura de talentos, aos quais o país vai vergar-se. Nesse sentido, na tarde de sábado, entre 14h e 17h, crianças com idades correspondidas entre os seis e os 12 anos subiram à ribalta e, sob os holofotes da televisão e do público, demonstraram, divididas em cinco categorias, o que Moçambique perdia antes de ter concurso desta natureza.

A primeira categoria aberta à gala foi Dança. Nesta, 13 crianças esmeraram-se para convencer o júri, o que não foi de todo possível. Entre boas performances exibidas, Maria Helena Pinto e Ivan Manhique escolheram as melhores. Assim, foram apurados sete candidatos. A primeira classificada, por ter adquirido maior pontuação, foi Keily Boane, menina de 11 anos, aluna da Willow International School, cujo sonho é ser advogada. Enquanto isso não acontece, a futura estudante da Faculdade de Direito inscreveu-se ao MOZKIDS Talents porque quer mostrar ao público o seu talento. A acompanhar a Keily para a fase seguinte, estão a dupla Irene Tembe e Melta Tembe; Kayani Machavane, com 9 anos de idade, grande simpatizante de Lionel Messi; Yuran Manhiça; Charlim Machava, quem acredita que vai ganhar a presente edição do concurso; a dupla Isabel Tatos e Ayusca Novela e a pequena Shirley.

À semelhança do que aconteceria em todas as categorias, os encarregados que acompanharam as crianças procuraram ser imparciais, cedendo sempre aplausos aos concorrentes que se distinguiam dos outros. Com o mesmo fair play, os participantes do MOKIDS Talents apoiaram-se mutuamente, todavia, a reciprocidade não impediu tristeza no momento derradeiro. À medida que os membros do júri chamavam os nomes dos apurados, a tensão dos petizes sujeitos à espera agravava-se. E então as lágrimas jorraram no rosto dos eliminados, depois da sentença, entre sorrisos dos vitoriosos que tiveram razões para continuar no Scala e acompanhar a segunda categoria do dia: a Poesia.

HÁ POETAS DO MOZKIDS

Se na abertura da categoria de Dança a aluna da Birlik International Scholl, Ezaly Assura, seis anos de idade, mostrou competência, o mesmo deve-se dizer do primeiro concorrente de Poesia chamado a intervir: Edmilson Chau, aluno do Colégio Arco-Íris, 11 anos de idade. Bem dito, incrível é pouco para classificar o declamador que escolheu o poema “1 de Junho” para partilhar com o público. No seu recital, cheio de classe, segurança, boa dicção e espontaneidade, Edmilson, nos seus versos, lembrou-se das crianças que não têm pais, não sabem o que é uma escola e ainda pediu afecto e amor para todas as crianças do mundo. E o declamador, cúmplice da poesia desde ano passado, ainda deixou uma sugestão: “Recomendo que todas as crianças sigam os seus caminhos, sigam os seus sonhos e não abandonem o que acreditam”.

Edmilson Chau foi o primeiro classificado na categoria de Poesia, na qual o júri selecionou cinco concorrentes num universo de 10. Os outros quatro foram: Yussile Makodzo, 11 anos de idade, da EPC do Língamo, e que gosta de ler os poemas de Anísio Buanaissa; Paula Missa, 9 anos de idade, aluna do Externato Cantinho do Céu, quem explicou, depois da actuação: “gosto de poesia porque aprecio comunicar-me com as pessoas através dos versos”; Alaina Dava e Elísio Massango.

Depois de se ouvir a beleza da palavra contida nos versos, seguiu-se a vez dos Instrumentos Musicais. Nesta categoria foram apurados três participantes, num universo de cinco. Com efeito, os concorrentes que convenceram foram Tanaya Cumbana, 12 anos de idade, quem tocou “Minuet”, e que escolheu a música para participar no MOZKIDS porque julga a arte uma maneira bonita de expressar sentimentos. Igualmente, foi apurada para a fase seguinte Maya Assane e Fernando Jaime, 9 anos de idade, da escola Junica, e que, para esta aparição, preferiu tocar a canção evangélica “Nita mutlanguela Yeova”. Aos coros, pais, irmãos e encarregados de educação corresponderam ao teclado de Fernando, com ou sem afinação.

MELVIN RAIMUNDO E DANIEL DAVID: UMA AULA DE REPRESENTAÇÃO NO MOZKIDS TALENTS

Seis concorrentes disputaram o apuramento para a fase seguinte do MOZKIDS Talents. No entanto, só a metade conseguiu alcançar tal proeza. Dos apurados, o destaque foi para a dupla Melvin Raimundo e Daniel David, com 10 e 11 anos respectivamente. Os alunos do Instituto Nília deixaram a audiência do Scala estupefactos. Os meninos foram, de longe, os melhores actores em palco, numa actuação que uniu o burlesco e o efeito didáctico de forma perfeita. O título da peça apresentada pela dupla foi “A turma do Malume”, e contaram com a preparação do professor Ventura. Foi um baile de teatro que os dois amigos deram no MOZKIDS. Inclusive, pareceu que os pequenos actores já fizessem parte de um grupo profissional de teatro há tempo, mas não. No sábado, foi a segunda vez que apresentaram-se em público, a primeira fora da escola. Segundo explicam, preferiram concorrer com teatro para o concurso porque sabem que são bons de piadas. Então, “desta maneira, queríamos fazer rir as outras crianças e ensinar-lhes alguma coisa com a nossa peça, mostrando que a escola pode ser uma coisa maravilhosa e má”, disse Daniel David, à imagem de Melvin, parecendo sempre actor, mesmo no plano real.

Na categoria de Teatro, também foram apurados Fernanda Raimundo, 10 anos, aluna do Colégio Arco Íris, e a dupla Shelton Matias, 11 anos, e Tatiana Arlindo, da Escola Unidade 22.

POR FIM O CANTO

Esta deve ter sido a categoria mais equilibrada. Das 14 candidaturas, mais da metade reuniu requisitos para passar à fase seguinte. Mas os membros do júri apenas queriam sete. Então, ao contrário do que sucedia noutras categorias, na de Canto o júri teve que pedir à apresentadora do programa, Yara da Silva, e ao Moziko, claro, seu fiel companheiro, mais tempo para seleccionar os melhores. Assim, a ventura esteve do lado, primeiro, de Juelma Moiane, menina com 11 anos de idade, aluna do Instituo Nília. A pequena cantora interpretou “Bem”, de Michael Jackson, porque aprecia a performance vocal do astro americano. No segundo lugar do apuramento, esteve Anícua Mazonda, 10 anos de idade, a estudar no Dom Bosco. Mazonda cantou “Sou humano”, de Bruna Carla. Em terceiro lugar esteve Dárcia Mondlane, 11 anos de idade, aluna da EPC de Sicuama. Portanto, para preencher a lista dos apurados, também foram apurados AlianaTembe, 12 anos, Birk Intercional School; Tamires Moiane, 11 anos, aluna da 3 de Fevereiro; Cledy Gawane, 12 anos, da Arco-íris; e Ester Maculuve.

Assim, somando todas as categorias, 25 concorrentes foram apurados para a próxima gala do MOZKIDS Talents. Já sábado, no Scala, a partir das 13h.

Três actores juntaram-se para representar “Os netos de Ngungunyane”, no Teatro Avenida, em Maputo. A peça teatral resulta da leitura feita às obras da trilogia As areias do imperador, de Mia Couto.

A peça teatral procura questionar as várias dimensões que complementam a história de um homem que oscila entre o herói e anti-herói. Suspense, sarcasmo e ornamentação da linguagem caracterizam o texto.

A ideia desta peça partiu da Companhia de Teatro portuguesa O Bando, com mais de 40 anos de história. Além do país, a peça vai ser exibida em Portugal e Brasil, sempre com o pretexto de fazer do passado um instrumento para pensar Moçambique.

Nesta primeira fase, a encenação de Bruno Huca tem 20 minutos e conta com a representação de Rita Couto e Sufaida Moyane.

Com este espectáculo, Bruno Huca, Rita Couto e Sufaida Moyane questionam que, se calhar, haja vários netos de Ngungunyane espelhados pelo mundo e que precisam encontrar-se. Enquanto o encontro mantém-se adiado, a produção da peça terá várias fases, depois de Portugal e Brasil, a última versão será apresentada no país em Fevereiro de 2019.

 

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