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O País – A verdade como notícia

Sala farta de gente. Todos assentos preenchidos. Expectadores de pé. Muitos, atrasados, tiveram que percorrer bons metros da Avenida Samora Machel, ao ritmo camaleónico, expectantes em contornar a longa fila e alcançar a 25 de Setembro, em Maputo. Ali está a entrada do Cine Scala, infra-estrutura tão antiga quanto emblemática, escolhida, com efeito, para ser o palco da primeira edição do concurso infantil MOZKIDS Talents.

Ao fim de seis galas, este domingo à tarde realizou-se a derradeira, na qual cinco concorrentes tornaram-se grandes vencedores: Ámbrosi Langa (dança), Liane e Denilson (teatro), Tanaya Cumbana (instrumentos musicais), Natolys Manjate (poesia) e Inalda Sumburane (canto). Por isso, os meninos foram premiados com aplausos e, igualmente, com lembranças oferecidas pelos parceiros desta iniciativa da SOICO. Para casa, os primeiros classificados levaram uma bolsa de estudo para um curso de artes, um tablet, kit de livros oferecidos pela Alcance Editores, um kit e subscrição de cinco meses na ZAP, um ano com internet grátis e, como aconteceu com todos os finalistas, material escolar. Este foi o reconhecimento de um percurso cor-de-rosa, feito com demonstração de talentos reais, por muitos desconhecidos, daí as crianças terem-se esbanjado em pelo menos manter, na final, a qualidade da performance exibida enquanto o concurso durou. Mais desinibidos, experientes até, os concorrentes não se intimidaram com a enchente. Longe disso, abraçaram a oportunidade de se mostrarem como quem beija a graça de um talento. Aí fizeram o auditório do Scala flutuar numa dimensão ideal, onde as estrelas são feitas de carne e osso, com idades inferiores a 13 anos.  

Dos primeiros classificados do MOZKIDS, o primeiro a divertir-se no palco foi Ámbrosi, apreciador e leal ao Hip-Hop. À imagem das actuações anteriores, o dançarino explorou os ares, o chão, fazendo do estilo qualquer coisa de sedutora. Com isso, conseguiu a pontuação máxima do júri e fascinar muitos dos que, fartos de acompanhar o concurso infantil pela Stv, finalmente resolveram ir à Baixa de Maputo para testemunhar as capacidades das crianças. E que capacidades, igualmente personificadas pela dupla mais equilibrada da categoria de teatro: Liane e Denilson. À final, os actores recuperaram a peça sobre meninos de rua. Representaram-na e projectaram os dramas dos que não sabem quanto vale um afecto. E a Tanaya Cumbana? Que dedos mágicos são aqueles da aluna da Willow Internacional School? Desta vez, a menina tocou, no seu teclado, “Despacito”, de Luis Fonsi, sorrindo, de forma ingénua, quando percebeu a vénia a si no Scala.

Mantendo a vivacidade do espectáculo, Natolys Manjate, novamente, foi a princesa da declamação. Como que e a condizer com o que vai sentir agora que o concurso terminou, recitou “Saudade”, com a mensagem dos gestos a dizerem mais alguma coisa, imperceptível, sem que esse fosse o problema. Não. Não houve nenhum problema, nem durante a declamação e tão-pouco quando chegou a vez de Inalda Sumburane. A vencedora da categoria de canto interpretou Mandy More, num tema recuperado numa das galas passadas. A pequena ficou grande, e engrandeceu-se através da sua voz.

OS TALENTOS ALÉM DOS GRANDES PREMIADOS

Quinhentas crianças tentaram, durante o casting, uma vaga à primeira edição do MOZKIDS Talents. 100 conseguiram convencer o júri. Por essa razão, puderam concretizar a pretensão de pisar o palco do Scala. Dessa centena de crianças, 23 concorrentes chegaram à final do concurso infantil. Cinco foram as grandes vencedoras, é verdade, mas houve tantas que provaram ter qualidade para o efeito. São os casos de Kayanne Machavane, da categoria de dança, que teve a classificação 19 ponto, dos 20 possíveis. Na final, Kayanne soube dançar com paixão e mostrou porque ali estava. As irmãs do teatro, Ramla e Gleyse Semkiwa, hoje, recuperaram uma peça que reflecte as peripécias que colocam vizinhos em querelas. Embora conhecido, o texto gerou muitas gargalhadas, sobretudo dos mais velhos, que se divertiram como se aprendessem a ser crianças novamente.

Uma das grandes actuações do último espectáculo do MOZKIDS foi a de Igor Sobral, concorrente de instrumentos musicais que se fez acompanhar por um saxofonista. Foi algo de incrível o que o baterista fez, a ultrapassar a perfeição, no mesmo ritmo que Ana Milena, menina de poesia interventiva, que escolheu se despedir com o poema “Nhandayeyo”. E ainda houve Tamires Moiane, do canto, quem, imortalizando Witney Houston, interpretou “I will always love you”.

Além dos primeiros classificados, os segundos concorrentes mais votados de cada categoria também foram premiados: Anaís Macaringue (dança), Fernanda Raimundo (teatro), Fernando Tinosse (instrumentos musicais), Edmilton Chau (poesia) e Juelma Moiane (canto). Estas crianças foram distinguidas com um tablet, kit e subscrição da ZAP e internet durante seis meses.

Não obstante, conforme o júri anunciou na quinta gala, a final contou ainda com alguns concorrentes eliminados no concurso. Um ou uma dupla de cada categoria. Assim, “A turma do Malume” voltou a estar em cena, deixando uma confissão: “Eu não vim ao MOZKIDS para ganhar. Está bem que há prémios e tal… mas vim para mostrar a Moçambique que eu e Melvin temos um talento”. As falas sábias são de Denyel, uma das grandes revelações do concurso.

UM ESPECTÁCULO DENTRO DE OUTRO

Mesmo para animar a festa das crianças, que começou com o casting bem concorrido há mais ou menos dois meses, a organização do concurso convidou alguns artistas para actuaram no Cine Scala. O escritor Calane da Silva uniu-se à causa do grupo SOICO e BancABC e partilhou a sua vocação com os “kids”, declamando um poema em ode aos grandes “peregrinos da palavra” que o país perdeu, apenas fisicamente, para morte. Além de Calane, actuaram no MOZKIDS Talents Neyma, Ubakka – quem se comprometeu em produzir uma música para a vencedora de canto –, o grupo de teatro Madodas e More Jazz Big Band.

Festa. Muita festa. Foi o que se assistiu, esta quinta-feira, no salão de festas da Escola Secundária Francisco Mayanga, em Maputo, naquela que foi a fase final de apuramento dos representantes da região sul da sétima edição do concurso Vodacom Turma Tudobom. Os concorrentes deram o melhor de si para estar entre os 10 escolhidos.

Olimpíadas académicas, teatro, poesia, canto e dança são as cinco categorias que fazem parte desta edição. Para cada uma delas, foram apurados dois representantes. Nas olimpíadas académicas, foram apurados dois alunos da Escola Secundária de Lhanguene. Na categoria de dança, foram apurados representantes das escolas secundárias Noroeste dois e da KaTembe.

No teatro, também, foi apurado um grupo da Escola Secundária da KaTembe. No canto, foram apuradas as escolas secundárias Força do Povo e da Polana.

E a Vodacom, organizadora do evento, os júris e o Ministério da Educação fazem uma avaliação positiva das audições na Cidade Maputo. Os mesmos asseguram que a sétima edição do “Turma Tudobom” tem tudo para ser um sucesso, pela qualidade dos concorrentes que reserva muitas surpresas.

“Temos o espírito de ter conseguido resgatar o talento de todos os cantos do país, que passa para as fases regionais. Nesta edição, vamos trazer mais alunos, mais participação e mais competitividade”, disse o representante da Vodacom, Momed Mussagy.

Os membros do júri gostaram do que viram e ouviram, mas lamentam o facto de que só 10 podiam passar. “Os cantores que foram seleccionados trazem mais técnica e percebe-se que já cantam há algum tempo e penso que vão trazer mais qualidade ao concurso. Infelizmente é um concurso e há um número limitado de vagas”, lamentou Nandov Matsinhe, júri da categoria de canto.

 O mesmo sentimento foi partilhado pelo júri da categoria de teatro, Tomás Bié, que ficou encantado com o talento dos concorrentes da KaTembe. “É com muita pena que nem todo o mundo pode ir à próxima fase. Temos muito talento aqui. Todos os concorrentes são ‘tops’”, disse.

Já o Ministério da Educação destaca que o “Turma Tudobom” é uma boa iniciativa, principalmente por valorizar, também, o lado académico dos concorrentes.

Durante dois dias, pelo menos 350 alunos de várias escolas secundárias da Cidade de Maputo passaram pelo palco. A fase regional sul terá lugar no dia 1 de Setembro, na Cidade de Maputo.

 

Concorrentes do Mozkids Talents preparam-se com toda a dedicação para a grande final. Estes mostram-se confiantes na conquista de lugares de pódio do concurso. Esta quinta-feira, decidimos acompanhar mais sessão de ensaios de parte dos vinte e três concorrentes que vão dar brilho à gala final, que decorre amanhã no Cinema Scala.

Um-a-um, acompanhados pelos seus encarregados, os talentos de palmo-e-meio se exibiam a professora Maria Helena Pinto, que tratava de fazer as devidas correcções. 

Kayane decidiu mesmo que o seu ensaio fosse à porta-aberta para a nossa equipa. Sob olhar atento da professora Maria Helena Pinto, Kayane trabalhou na ginga da dança e na sua expressão para o público.

Também sob orientação de Maria Helena Pinto e com uma plateia ainda que não do tamanho do Scala, Fernanda, a contadora de estórias trabalha na sua performance.

Os ensaios para a grande final do Mozkids Talents decorrem em três sessões diárias, sendo que os concorrentes escolhem uma delas, dependendo da sua agenda.

O talento dos miúdos extravasa as categorias para as quais estão a concorrer. Eles são também natos publicitários, e trataram de pedir voto a todos aqueles que acompanham o concurso.

Para Maria Helena Pinto, a primeira edição do Mozkids Talents é a prova de que há grandes habilidades nas crianças que precisam ser despertadas e dar o devido acompanhamento.

Refira-se que foram seis galas carregadas de emoções, onde os concorrentes apresentaram os seus dotes em cinco categorias, nomeadamente, dança, canto, poesia, teatro e instrumentos musicais.

Na gala passada, os concorrentes foram agraciados com uma surpresa, com o anúncio do apuramento de todos os vinte e três participantes, para a gala final. A grande final do Mozkids Talents será neste domingo às 14 horas, no Cinema Scala.

O Mozkids Talents é um concurso promovido pelo Grupo Soico, em parceria com o BancABC, e visa despertar, estimular e encaminhar os talentos na criançada.

 

Tânia e Nelson Chongo, filhos de Zaida e Carlos Chongo, têm a uma missão que pode parecer (im) possível: organizar um tributo aos seus pais. É de bom senso dizer que parte da música popular produzida, hoje em dia, a nível nacional, tem grandes marcas de Zaida e Carlos. Aliás, alguns músicos experimentaram os palcos através desses dois músicos. Tânia e Nelson Chongo continuam a carreira dos pais cantando e dançando, mas dessa vez querem homenagear-lhes por tudo que fizeram por eles, como pais, e pela cultura nacional, como músicos.

O que pretendem com a homenagem que estão a idealizar?

O nosso objectivo é celebrar a vida e obra desse grande casal e reconhecer os seus feitos como filhos e fãs. Gostaríamos de criar um espaço em que convidássemos vários artistas, personalidades e público em geral para revivermos esse casal. Passam-se 14 da morte de Zaida e 13 anos de Carlos e queremos que o povo não se esqueça desse casal glorioso, que fez muitas histórias dentro e fora do país. Enfim, pretendemos eternizar a sua obra colectiva.

É um tributo ainda em idealização. Já possuem patrocinadores?

Estamos, neste momento, à espera de respostas das instituições aonde metemos cartas de pedido de apoio.

Eu e meu irmão temos esperança de que teremos respostas positivas e de certeza que pessoas de boa-fé ajudarão. Até então, ainda estamos à espera de patrocinadores. Queremos realizar o tributo entre Agosto e Setembro e até lá temos muita esperança que consigamos angariar patrocinadores.

Acha que o país reconhece, actualmente, a obra de Zaida e Carlos?

Sim e o reconhecimento é visível. O povo reconhece a boa deles, sim. Eles foram feitos grandes figuras pelo povo e o mesmo povo tem o dever de reconhecer a sua obra. Em muitas festas e eventos sociais tem se tocado as suas músicas, até em discotecas já se toca a música do casal.

Há coisas inéditas que o casal deixou?

Há muita coisa que o casal passou e que o povo ainda não sabe. Nós como filhos estamos a desenhar um projecto para eternizar a vida desse casal através de um livro biográfico livro que relate o percurso do casal, do início até ao auge. Fazer saber ao público sobre a caminhada desse casal. Eles não tiveram só momentos de glória, por algum momento pensaram em desistir da carreira musical, porque não era fácil. O intuito é passar a história aos mais novos para nunca desistirem perante dificuldades.

O que representa para si, como filha, o legado desse casal?

Eles representam tudo para mim. Se hoje estou formada é graças a eles. Não me lembro dos meus pais com lágrimas, mas sim com sorrisos, porque eles deixaram essa alegria que tinham. Devo dizer que eles constituem a minha fonte de inspiração e eu considero-me a fã número um deles. Foram pais que sempre transmitiram a todos de casa uma energia positiva.

Os antigos colegas de Zaida e Carlos têm-vos acarinhado? E as instituições públicas?

Os artistas acarinham-nos muito; chamam-nos de sobrinhos a mim e a meu irmão. Temos boas relações com vários artistas e muito deles reconhecem o que o meu pai fez por eles. O Governo reconheceu, mas não posso dizer que é um reconhecimento grande. Atribuiu uma avenida o nome da minha mãe, Zaida Chongo, mas isso não é suficiente, é preciso que o Governo olhe a todos os artistas com atenção não só a Zaida e Carlos, mas a todos os artistas que fizeram algo pelo país.

Terminou, esta segunda-feira, o 10º Festival Nacional da Cultura que vinha decorrendo desde a passada quinta-feira em Niassa. O festival, que levou mais de três mil artistas de todas as províncias do país, decorreu na cidade de Lichinga, na Vila Municipal de Metangula e na vila de Chimbonila. A cerimónia de encerramento foi dirigida pelo primeiro-ministro, Carlos Agostinho de Rosário, que destacou a importância do evento para a reafirmação da identidade cultural nacional e a promoção da unidade nacional.

“Durante cinco dias, o rufar dos tambores, o bailar dos artistas, o sabor da gastronomia, o requinte das obras de arte, da poesia, do canto, da dança, da moda e da exibição do Nyau e da Timbila, aqueceram os dias de inverno tropical destas terras altas dos Matakas. Foi neste ambiente festivo que Moçambique demonstrou, mais uma vez, a unidade do seu povo através da exibição do seu rico e diversificado Património Cultural. É nossa convicção que a realização deste tipo de eventos cristaliza a visão de consolidação da Unidade Nacional e promoção do espírito patriótico do povo moçambicano, disse o governante que saudou a província de Niassa pela forma como organizou o evento, apesar das dificuldades que enfrenta e que o país no seu todo com a crise económica. “Tendo em conta o que se podia esperar para uma província que tem as dificuldades que tem, teve logo três mega-eventos, em Matchedje os 50 anos do segundo Congresso da Frelimo, a Visita Presidencial e este evento, os três juntos, eles foram capazes de organizar estes eventos com muita classe, por isso, a população de Niassa está de parabéns e tem esperança de crescer mais”, disse.

Para Carlos Agostinho do Rosário, Niassa mostrou ainda que está em condições de receber grandes eventos até porque não precisou de receber grandes reforços de outras províncias para organizar o festival, que para o primeiro-ministro a província provou que, em termos organizacionais, está mesmo ao nível de outras províncias como Maputo, Nampula entre outras.

A partir do festival de Niassa, o Primeiro-Ministro quer que o sector privado possa investir cada vez mais na indústria criativa de modo a que a cultura seja igualmente geradora de renda para os artistas e faça com que estes contribuam para o desenvolvimento económico do país.

O governante destacou ainda que o Governo precisa trabalhar um pouco mais na componente de infra-estruturas para colocar a Niassa na rota de desenvolvimento tal como as outras, principalmente em relação às estradas que possam a ligar às restantes províncias bem como aos países com que faz fronteira, nomeadamente Malawi e Tanzânia, bem como a melhoria da qualidade de energia eléctrica para que o seu potencial possa se transformar num real desenvolvimento. Aproveitou a ocasião para anunciar uma boa nova para os residentes de Lichinga que é a reabilitação de 14 quilómetros de estradas da cidade até ao final do presente ano, pois quase todas encontram-se em estado de degradação acentuada.

Maputo organiza próximo festival

A Província de Maputo recebeu durante o encerramento do 10º festival a missão de organizar em 2020, dentro de dois anos, o 11º festival. A notícia foi recebida com muita alegria por parte dos delegados maputenses. O Governador Raimundo Diomba disse aos jornalistas que a sua província vai fazer de tudo para que o próximo festival seja o melhor. E que a partir de agora vai se empenhar em criar todas as condições logísticas e técnicas para que em 2020 esteja tudo a contento para que o 11º decorra sem sobressaltos.

O Ministro da Cultura e Turismo, Silva Dunduro, disse que o festival de Niassa serviu para transmitir o legado da cultura moçambicana às gerações mais novas e foi provado que a cultura não pode ser parada por qualquer tipo de crise, muito menos a financeira.

O Ministro da Cultura e Turismo da Guiné Equatorial, Rufino Don Sumotsama, diz ter ficado bastante orgulhoso com o que viu em Niassa daí que não tem dúvidas de que o Festival Nacional de Cultura é o melhor do continente africano, porque nunca antes em mais de 25 anos que é dirigente da área de cultura viu um movimento cultural igual ao que viu naquela província. Já a Secretária do Estado para a Cultura de Angola, Maria Piedade de Jesus, também diz ter ficado encantada, principalmente pelos vários temas abordados em debates que decorreram de forma paralela e que versaram sobre diversos assuntos de interesse da cultura.

As delegações regressam às suas províncias de proveniência a partir desta terça-feira.

 

Todos os 23 concorrentes que se apresentaram na 6ª gala do MOZKIDS Talents foram apurados para final, que terá lugar no próximo fim-de-semana. A grande surpresa foi anunciada no fim daquela que foi uma semi-final de tirar o fôlego

Os concorrentes do MOZKIDS Talents esmeraram-se na sexta gala para mostrar o talento que possuem, com vista a arrancar pontuação máxima do júri e “carimbar o seu passaporte” para grande final. O que eles só ficaram a saber no final da gala, é que todos já tinham sido apurados para  7ª e última gala do concurso infantil, organizado pelo Grupo Soico em parceria com o BancABC.

Porque se tratava de uma gala decisiva, os pequenos grandes artistas não pouparam esforços para dar o melhor de si. Com apresentações de tirar o fôlego de todos os presentes no cinema Scala, na tarde do último sábado, quase todos os concorrentes das categorias de Dança, Poesia, Teatro, Instrumentos Musicais e Canto conseguiram arrancar aplausos da plateia e notas máximas do júri. Nesta sexta gala, uma das estrelas que mais brilhou foi a única menina que continua no concurso na categoria de Instrumentos Musicais, Tanaya Cumbana.

Na companhia do seu piano, Tanaya fez uma viagem para interpretar “All of me” de John Legend. Não só viajou, como fez o público consigo viajar. O público não se contentou, somente, em embarcar na viagem como meros acompanhantes, mas também mostrou que a música que a “mozkid” interpretava era bem conhecida e tratou de colocar a voz no mesmo ritmo da melodia que saia do piano de Tanaya. E no fim, escutaram-se aplausos. Muitos aplausos. Quem também gostou da  apresentação foi o júri, que tratou de atribuir a pontuação máxima de 30 pontos. Na categoria de Instrumentos Musicais, seguem para a final mais dois: Fernando Tinosse, que também toca piano, e o baterista Igor Sobral. Já no Canto, uma das que mais se destacou foi Melony Macaringue ao interpretar “Love on top” da conceituada artista norte-americana Beyoncé. No palco do Scala, Melony mostrou que não só o amor estava em alto, como também a sua voz que levou o público ao delírio, quando cantou sem desafinar nas notas mais altas. O júri gostou do que ouviu e sem hesitar atribuiu a pontuação máxima, 30 pontos. Uma vez mais, Beyoncé. Depois de ter sido lindamente interpretada por Melony, a façanha repetiu-se. Mas desta vez na voz da concorrente Juelma Moiana. Escolheu o tema “Listen” e fez com que os presentes escutassem, em alto e bom som, o seu potencial vocálico. Juelma subiu ao palco, cantou, cativou e arrancou também  pontuação máxima do júri.

Quem não esteve nos seus melhores dias foi Tamires Moiana, que interpretou “I look to you”, de Whitney Houston. Arrancou aplausos do público que a muito se rendeu ao seu talento, mas não convenceu o júri. A única nota sete da sexta gala foi-lhe atribuída pelo professor de música, Ivan Manhique, justificando que a menina cantou fora do tom. Entretanto, Manhique não deixou de realçar que Tamires é um estrondo. Talvez seja por isso que recebeu notas nove dos outros membros do júri.

Também seguem para final, na categoria de Canto, Inalda Sumburane, Érica Tembe e Dárcia Mondlane.

Quanto à categoria de Dança, a dupla Elaine Chavo e Stivenson foi a mais feliz da tarde, ao levar o público do Scala a fazer uma viagem a terra do samba, ao som de Daniela Mercury, que recentemente este em Moçambique. Uma actuação que lhes valeu 29 pontos, nota máxima nesta categoria. Seguem para final, Ámbrosi Langa, Kayani Machavane, Yuran Manhiça, Anaís Macaringue e a dupla Shanaya Cumaio e Kyara Lopes.

Teatro apela ao fim dos Ataques em cabo delgado

Os pequenos actores da categoria de Teatro mostraram ter bem a noção de que, enquanto artistas, tem um papel social muito forte. Um dos concorrentes que traduziu bem isso foi a dupla composta pelas irmãs Ramla e Gleese Semkiwa. As manas representaram o drama das dezenas de pessoas que foram obrigadas a deslocar-se das suas casas em Cabo Delgado, na sequência dos recentes ataques, alegadamente protagonizados por um grupo terrorista.

Com sotaque e tudo, não só apelaram ao fim dos ataques, como também falaram dos malefícios da guerra e ainda deram uma aula sobre a diferença entre deslocado e refugiado de guerra. Todavia, foram traídas por problemas técnicos, o que lhes valeu 28 pontos do júri. Seguiu-se a outra dupla: Aliane Fernandes e Denilson Manhique. A dupla, que tem apostado em temas ligados aos direitos das crianças, abordou uma questão não menos importante: a violência contra menores protagonizada por familiares. Com uma boa dose de humor e drama, a dupla levou o público a reflectir, o que lhes valeu 30 pontos do júri. Segue igualmente para a final nesta categoria “a contadora de histórias”, Fernanda Raimundo.
 

Poetização do drama de transporte

Na categoria de Poesia, duas crianças tiveram a classificação máxima, mas foi Elísio Massango quem comoveu o público e o júri. O pequeno declamador falou de um drama que tal como referia na sua poesia é um “velho conhecido de todos”. Com ajuda de um pedaço de chapa de zinco, Elísio falou da crise de transporte na capital do país. Desde os tempos em que os semi-colectivos eram chamados “chapa 100” até agora, conhecidos como “my love” e “smartkikas”.

Uma vez mais uniu teatro à declamação, com crítica social profunda de forma impecável. Por isso, mereceu 30 pontos, tal como Alayna Dava, quem declamou o poema “negra”. Esta categoria contou com actuações de Ana Milena, que combinou canto, dança e instrumento musical na sua performance; Natolys Manjate e  Edmilton Chau, que também seguem à final.

 

 

O Primeiro-ministro, Carlos Agostinho do Rosário, visitou nesta sexta-feira o X Festival Nacional da Cultura, interagiu com expositores da feira do livro e do disco bem como da feira do artesanato.

Na ocasião, disse aos artistas que devem rentabilizar as suas criações para gerar renda e criar emprego, de forma a contribuírem para o desenvolvimento do país, e garantiu que governo vai continuar a reunir esforços para proteger os direitos dos artistas.

Os expositores mostraram-se felizes com a visita, e explicaram os objectivos. “Nos queremos encorajar aos moçambicanos a comprar o que é nosso, afinal é tudo feito pelas nossas próprias mãos e com material local”, afirmou uns dos expositores.

O Grupo Pfhuka realiza, no Museu Nacional das Artes, a terceira edição do Festival de Cultura Moçambicana, conhecido como festival Maningue.

O festival tem como objectivo divulgar a cultura, as pessoas que desenvolvem e dar espaço aos novos criativos para expôr os seus produtos além fronteira. No âmbito da terceira edição do festival Maningue estão a ser desenvolvidas actividades de carácter cultural com o objectivo de entreter o público que irá participar desta edição.

O festival será realizado no dia 04 de Agosto, a partir das 12 horas.

 

 

A Fundação Fernando Leite Couto promoveu um tributo a Mia Couto e a João Pedro Grabato Dias, numa noite que não faltou declamação de poesia e música. Tratou-se de um momento único onde textos de ambos escritores estiveram e suas vidas “cruzaram-se” no mesmo palco e nos mesmos microfones.

“Vozes Anoitecidas: ecos de uma casa chamada tempo” foi como se denominou o tributo prestado a Mia Couto e João Pedro Grabato Dias na Fundação Leite Couto. A noite começou com uma poesia cantada de Mia Couto pela voz de Cídia Isabel e Armindo Cossa. O jardim estava pequeno demais para acolher a todos que queriam participar do tributo aos autores de “Terra Sonâmbula” e “Eu, o Povo”. Mia Couto é um escritor conhecidos por todos e que ocupa um espaço muito prestigiado nas letras nacionais. E João Pedro Grabato Dias é pouco conhecido e inserido na lista de poetas onde se encontram Rui Knopfli, Reinaldo Ferreira, Eugénio Lisboa e Sebastião Alba.

Perante o tributo, Mia Couto mostrou-se indiferente, como bem disse: “eu sinto-me um pouco atrapalhado porque não sou um grande adepto de homenagens e ainda por cima homenagens feitas nessa casa, a uma pessoa que é de casa. Acho que o importante na literatura são os livros; os autores não são tão importantes”. Modesto, como sempre, colocou os seus livros em frente da sua imagem. São os livros que merecem tributos e honras porque “os escritores vão e o que fica são as suas obras”. Se João Pedro Grabato Dias fosse vivo e estivesse na homenagem, talvez repetiria a sua célebre frase: “sou o único espectador deste teatro espantoso”.

Para o “Prémio Camões 2013”, a vida dos escritores só tem sentido quando interligada aos livros, “por que vale a pena conhecer a história de como alguém se transformou em escritor para se poder encorajar outros jovens que pensam que não são capazes. A Fundação assumiu essa função; é uma casa que se tornou uma fábrica de histórias; e cada um que vem aqui deve contar a sua história artística para estimular os mais jovens”. O mesmo autor destacou ser importante que os jovens cumpram por inteiro a vocação de ser jovem; pois ser jovem é uma vocação porque depende da idade, mas é uma atitude.

Quando convidado a falar sobre a poesia que os jovens produzem, Mia defendeu a ideia de que a poesia dentro da literatura é aquilo que tem mais força. “Considero a poesia um género natural em Moçambique. Somos, afinal, um país de poetas. E Craveirinha foi quem iniciou isso. Ele não era só poeta, era o pai da poesia em Moçambique. Somos um país ligado a poesia”.

O antropólogo Guilherme Mussane, que participou do tributo como declamador, preferiu sublinhar os traços similares fundamentais entre os dois autores. Mussane reafirmou o facto de ambos serem intelectuais da esquerda, terem dedicando-se a um estilo comum: ode, e por terem tido um contacto muito directo com o teatro. “São dois artistas, dois intelectuais. Mia é biólogo e sabemos que um dos livros famosos de Grabato versa sobre a biotecnologia e ambos assinaram textos com diversos heterónimos”.

“O tributo a esses dois escritores enquadra-se na programação mensal da Fundação Leite Couto que tem homenageado diversos autores. Esse tipo de tributo constitui uma forma de valorizar a produção literária nacional. A escolha de João Pedro Grabato Dias como um dos homenageados é uma forma de mostrar que a fundação não só dá valor a figuras reconhecíveis, mas também figuras que tiveram pouco divulgação e devido reconhecimento em vida” – justificou o editor Celso Muianga.

Mia Couto completou, no dia 5 de Julho, 63 anos de idade. E é um dos mais destacados escritores moçambicanos. António Augusto de Melo Lucena e Quadros nasceu a 9 de Julho de 1933 em Viseu. Assinou vários textos com os heterónimos de João Pedro Grabato Dias, António Quadros, Frey Loannes Garabatus e Mutimati Barnabé João. Faleceu a 2 de Julho de 1994; viveu em Moçambique durante 20 anos. Rui Knopfli chamou-o de “engenheiro de almas” pelas suas diversas ocupações: pintor, cenógrafo, professor de artes plásticas e de arquitetura, letrista musical, rigoroso arquitecto, apicultor, urbanista, jardineiro e pecuário.

 

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