O País – A verdade como notícia

O artista plástico, SHOT B, irá inaugurar na galeria Kulungwana a sua exposição individual “Paragem”. SHOT B é um artista multifacetado, dividindo os seus interesses e actividades pela arte urbana, vídeos, fotografia , moda entre outros.

O artista dedica-se a uma arte encarada como uma cultura urbana marginal, que no nosso país é ainda pouco praticada, pouco valorizada e sem muitos seguidores, lê-se no comunicado enviado à nossa redacção.

“Comecei a entrar neste novo ritmo e colorido em 1990 influenciado pela cultura hip-hop, onde fascinado pelo fantástico do som e composição poética, tive a noção ou “um flash” de grafitti que acompanha como um dos elementos. Já pintava nessa altura, influenciado pelo meu pai, mas foi em 1996 que decidi que a linha que me interessava seguir no mundo das artes plásticas era o “grafitti art”, disse o artista.

A exposição, a ser inaugurada no dia 13 de Setembro, na Galeria Kulungwana, permite revisitar a produção do artista e dar ao público a possibilidade de entrar em contacto com esta arte urbana.

O grafitti é conhecido desde a antiguidade, mas o seu desenvolvimento teve origem nos Estados Unidos da América entre os séculos XIX e XX.

Desde os anos 80 esta arte que sempre esteve associada ao movimento, à circulação de ideias, cresceu, desenvolveu-se e proliferou por todo o planeta ganhando reconhecimento artístico e notoriedade e criando novas formas como os murais de Vhils ou os relevos em junk “grafitada” de Bordalo.

 

E já no próximo dia 17 que  a Ilha de Moçambique, em Nampula, comemora os seus 200 anos de elevação à categoria de cidade. Na celebração do segundo centenário da cidade mais antiga do país são esperadas mais de duas mil pessoas. Entretanto as autoridades locais falam do nível de organização e advertem que já não existe espaço para hospedagem  quando falta pouco mais  de uma semana.

A Ilha está dividida em duas partes no norte a cidade de Pedra, construída em pedra e cal  e a Sul a cidade de Macuti material de construção tradicional feito com folhas de coqueiro. Operadores de diferentes áreas dizem se preparados para oferecer o que de melhor se pode encontrar na Ilha de Moçambique.

A maior parte da população vive da pesca e de alguma actividade agrícola e de artesanato. A cidade tornou-se ponto de escala obrigatória  das viagens de ida e volta   dos navios de carreira da Índia, entre Lisboa  e Goa  e proveitoso entreposto comercial. O interesse revelado por outras potências europeias justificou a construção do seu vasto património arquitectónico. A Ilha de Moçambique adquiriu o estatuto de cidade em 1818.

 

A violência, as discussões e os confrontos entre rappers são cenários que sempre caracterizam o mundo do estilo musical rap. Nos subúrbios onde o rap é badalado, a violência é visível entre os rappers que se injuriam em músicas. Basta recordamo-nos dos amigos Tupac e Biggie que se tornaram rivais mortais ou a rivalidade entre os grupos da Costa Oeste e os da Costa Leste dos Estados Unidos da América. Cá entre nós, tivemos também um confronto muito aceso, que colocou frente a frente os rappers Duas Caras e Mega Jotta. Voltemos à rixa entre esses dois jovens rappers.

Mega Jotta esteve como convidado no programa Big Box Show, da Stv, falando sobre diversas vicissitudes pessoais e profissionais. Na entrevista em causa, revelou que, apesar de não aparecer constantemente em televisões, continua gravando e trabalhando para o fortalecimento da sua carreira profissional.

Mega Jotta revelou, nessa conversa, que se pudesse voltar ao tempo não teria começado a rixa com “Kara Boss” porque: “Duas Caras é um rapper que tanto admiro e, por acaso, manifesto essa admiração numa das minhas músicas”. Todavia, o autor do badalado “Menina” disse que Duas Caras decidiu confrontá-lo em forma de música porque queria, em parte, ascender na sua carreira. “O próprio Duas Caras disse-me uma vez que depois de ter gravado aquela música insultuosa para mim foi solicitado para fazer muitos espectáculos”, disse Jotta.

Para Mega Jotta, Duas Caras não é um micro-rapper. “Ele é um monstro do hip-hop a nível nacional e da lusofonia. Se Duas Caras sentou-se e escreveu uma música endereçada a mim é sinal de que também ocupo um lugar privilegiado”, afirma Jotta. Aquando do bife, Mega Jotta disse que não respondeu ao Kara Boss porque ele foi sempre superior quando comparado a si; Jotta reconheceu ainda que ele é que excedeu os limites que atiçaram o confronto. Entretanto, Mega Jotta lembrou-se de um episódio que tentou colocar uma “pedra” sobre esse confronto. “Num espectáculo tentei responder ao Duas Caras dizendo que me envolvi com a mulher dele; mas, tudo era uma forma de atacar o rapper porque depois da minha actuação entrava ele em palco. Tratou-se duma simples brincadeira”.

O autor de “A luta continua” revelou ainda que quando era namorado da cantora Liloca foi uma vez aos curandeiros em busca de soluções para melhorar as suas condições de vida. Todavia, essa visita foi infrutífera porque continuou nas mesmas condições. Recusou a responder se foi acompanhado pela Liloca ou não. “Ela é uma pessoa comprometida e eu sou um homem casado; respeitemos as nossas famílias”, defendeu-se o rapper. Sobre o assunto de Liloca, não escondeu que já esteve a poucos milímetros de agredir o músico Kastelo Bravo por publicar em redes sociais que ele ainda tinha um forte laço, escondido, por Liloca. “Eu sou de Xipamanine e lá aprendemos que qualquer provoco deve terminar na briga física”.

É de referir que Mega Jotta, ainda este ano, esteve envolvido em uma rixa musical com o rapper 100 Paus, parceiro de Duas Caras no grupo Gpro. Jotta foi classificado por 100 Paus como sendo o pior rapper do país. Na sequência dessa “luta”, Mega Jotta gravou e disponibilizou uma música na qual ridiculariza o percurso artístico e a qualidade artística do rapper 100 Paus. Cantando sobre o instrumental my fofo do norte-americano Fat Joe – o mesmo usado por Duas Caras para injuriar Mega em 2008.

As cantoras líricas, Stella Mendonça e Sónia Mocumbi, juntaram-se para realizar “Moçambique ciclo clássico”, uma série de concertos com a pretensão de trazer ao país um conjunto de artistas capazes de exibir o melhor de música erudita. Com isso, o evento a inaugurar às 19h desta quinta-feira, no edifício Platinum, na cidade de Maputo, pretende, igualmente, ser uma plataforma para influenciar atitudes dos que gostam de música clássica.

Ao todo, este ciclo clássico levará aos apreciadores dos acordes resultantes da mistura de instrumentos como violinos, clarinetes e violas uma sequência de seis concertos a realizarem-se em diferentes salas. Desta forma, a organização vai procurar mostrar que em Moçambique é possível levar-se a cabo eventos de música clássica ao mais alto nível.

Dos concertos em causa, alguns vão acontecer em Março e Maio do próximo ano. No entanto, o espectáculo de estreia vai iniciar com O mundo do quarteto de cordas (The World of String Quartet), pelo Zambezi String Quartet, constituído por artistas de quatro nacionalidades: Theo Bross, da Alemanha, Tara Vinson, dos Estados Unidos de América, Jeanne-Louise, da África do Sul, e Ekaterine Triana, de Cuba. As obras escolhidas para a sessão inaugural pertencem a autores como L. van Beethoven, W. A. Mozart, J. Brahmas e G. Gershwin.

De acordo com Stella Mendonça, porque a música não é algo de passivo em Moçambique, com o projecto ciclo clássico vai-se apresentar concertos profissionais para serem um espelho para os jovens, porque “eles devem perceber que não há Beethoven de primeira classe para os europeus e Beethoven de terceira classe para os africanos. Já que a música clássica está a ser mais abrangente, o que nós queremos é criar uma plataforma que sirva para o intercâmbio internacional ser mais forte com profissionais que inspirem os mais novos”.

Considerando que a música clássica no país está a evoluir, a organização de “Moçambique ciclo clássico” esperara que a iniciativa seja, em cinco anos, uma referência nacional e regional, porque Maputo é vibrante no que diz respeito à cultura. Este cálculo depende da vinda de artistas consagrados, segundo Stella Mendonça, daí ter sido convidado ao espectáculo inaugural o alemão Christian Teiber (clarinete), para quem é um prazer enorme poder actuar em Maputo.

Ainda este mês, às 11h de domingo, na Fortaleza de Maputo, os artistas vão ecoar aos ouvidos do público obras de E. Bozza, W. A. Mozart, M. Ravel, G. Gershwin, J. Strauss, Soweto String Quartet, Disney e Elton John.

“Moçambique ciclo clássico” é realizado em parceria com o Grupo Société Générale, instituição com longa história de patrocínio no mundo da música clássica, com apoio a jovens artistas e também conjuntos e actores. Para o Administrador Delegado daquela instituição em Moçambique, Laurent Thong-Vanh, a sua instituição envolve-se nesta iniciativa musical porque, primeiro, em Moçambique faltam muitas iniciativas do género, e, segundo, porque identifica-se com a entrega de Stella Mendonça e Sónia Mocumbi no processo de elevar a música clássica: “Nós não podíamos ficar sem tentar ajudar a Stella e a Sónia pelos esforços que revelam na promoção de música clássica aqui. Gostamos de trabalhar com pessoas assim, com paixão pelo que fazem. Isso adiciona outro valor a este tipo de projectos”.

Este “Moçambique ciclo clássico” vai contar ainda com os seguintes artistas: Edward Wolf (trompete), Bernardino Beggio (piano), Alena Bravo (piano), Mariana Carrilho (Mezzo soprano) e Susana Steenkamp-Swanepoel (piano).

Selma Uamusse, cantora moçambicana há muito fixada em Lisboa e que se dedica à música há quase 20 anos, edita neste mês o primeiro álbum a solo, "Mati", síntese de um som novo que identifique a sua "moçambicanidade".

"Mati", produzido pelo músico Jori Collignon, demorou pelo menos quatro anos a ser feito, trabalhado e regravado, com Selma Uamusse à procura de uma sonoridade que fosse a soma de tudo o que ela tem sido, desde que começou a cantar aos 18 anos. Selma Uamusse, 36 anos, nascida em Moçambique e radicada em Portugal desde o final da infância, está ligada ao canto gospel, passou pelo grupo rock WrayGunn, andou pelo jazz, com tributos a Nina Simone, é actriz de teatro e cinema.

"Quando comecei a preparar o meu trabalho a solo, eu não tinha muitas referências sobre como é que eu queria concretizar o que tinha em mente, que era conseguir captar tudo aquilo que era a minha aprendizagem, o meu 'background' soul, gospel, rock, e como é que o poderia canalizar para aquilo que é a minha 'moçambicanidade' também", explicou a autora de Mati.

A cantora muniu-se do conhecimento transmitido pelos pais, que vivem em cá, sobre cultura, música, instrumentos tradicionais, sobre dialectos, sempre enquadrados no contexto social e político. É por isso que "Mati" é interpretado em português, inglês e também em changana ou chope, e as melodias são interpretadas com instrumentos como timbila, mbira, kissange ou gongoma.

O álbum tem dois propósitos, disse. "É uma espécie de grito espiritual sobre amor e sobre uma maneira de estar na vida, que está muito ligada às outras pessoas" e é uma "espécie de laboratório" de sons e melodias de um país do qual diz ter "uma saudade romântica".

Aliás, Selma Uamusse reconhece que tem até uma certa responsabilidade de, vivendo em Portugal, fazer chegar mais conhecimento sobre a cultura de Moçambique, para ultrapassar qualquer visão mais ou menos paternalista pós-colonialista sobre o país.

"O paternalismo aponto-o a Portugal, e todo o processo de colonialismo muito severo e muito duro coloco aí as responsabilidades do lado de Portugal. Em relação ao que não se conhece hoje em dia [da cultura de Moçambique], coloco do lado dos moçambicanos. Os portugueses sabem muito mais sobre Angola, Cabo Verde e até sobre São Tomé do que sobre Moçambique", disse.

O músico moçambicano, Michael do Rosário, vai lançar esta terça-feira a música e o vídeo clipe do seu novo single “Jessica”.

A música conta com a participação de vários artistas como os moçambicanos Stélio Zoé e Nelton Miranda, e dos Estados Unidos Mark G e Cleudir Cardoso.

O músico canta “Jessica” em chuabo, língua da sua terra natal, Quelimane. Jessica retrata a história de uma mulher moçambicana esbelta e apreciado por todos, Para além da beleza, ela é respeitosa, doce e madura o que faz com que Do Rosário revela-se a ela como futuro esposo, lê-se no comunicado enviado à nossa redacção.

De recordar que no início da produção desta música, a produtora, Frends Studios recebeu a visita do Presidente da República, Filipe Jacinto Nyusi, que presenciou ao vivo, pelo menos, à captação de bateria e outros instrumentos.

Durante a cerimónia de lançamento será analisado o estágio actual da música moçambicana.

A oficina “Dzongo – técnicas básicas para esculpir em madeira” é para iniciantes e será ministrado pelo escultor Hermínio Nhantumbo, no dia 15 de setembro, em Cuiabá, Brasil.

O artista conduzirá os alunos a despertar habilidades para dar forma à madeira. Ao final, cada participante levará o fruto de seu trabalho. “É a tarefa de reciclar e dar uma destinação útil à madeira”, explica o escultor.

Convidado pela presidente do Instituto de Mulheres Negras de Mato Grosso (Imune), Antonieta Luísa Costa, o escultor Hermínio Luís Nhantumbo vai para Cuiabá ensinar a arte de entalhar e esculpir a madeira transformando-a em belas estátuas e esculturas para o povo de quilombos. A acção tem parceria do Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT) que é movida pelo intuito de ensinar os habitantes dos quilombos (designados de “quilombolas) mais uma forma de economicamente se auto-sustentar e chamar a atenção para a falta de apoio a essas comunidades. O escultor já fez oficinas na comunidade Mata Cavalo, em Nossa Senhora do Livramento, e ainda ministrará aulas em quilombos de Santo António do Leverger, Poconé e Barra do Brugres.

“Nós que somos escultores não queremos contribuir para a devastação da natureza. Nós queremos preservar a natureza. Precisamos do meio ambiente. O meio ambiente faz bem para o mundo. Sabemos que agora temos problemas climáticos e temos que combater. Então, a madeira que usamos é aquela que seca e perda sua vida depois de anos”, disse o escultor.

Antonieta Costa, a presidente do Instituto de Mulheres Negras de Mato Grosso (Imune), disse que: “É interessante que o Hermínio também tem obras voltadas para as mulheres negras, e por que chama atenção? Porque ainda impera o machismo e isso não é nós quem estamos dizendo, são as pesquisas. As pesquisas apontam que as mulheres negras da região Centro, Oeste são as que se encontram em piores estados de exclusão e a gente também precisa fomentar as políticas públicas para elas. E nessa oficina a gente não só ensina escultura, mas também trabalha a identidade. O Hermínio é muito bom para discutir isso”, finalizou.

A oficina básica para esculpir em madeira tem o apoio cultural do Teatro do Cerrado Zulmira Canavarros. Para a diretora do espaço cênico, Daniella Paula Oliveira, estimular tal iniciativa “é uma grande alegria”. “Estamos sempre disponíveis para firmar parcerias de incentivo à cultura, especialmente com foco em manter o maior número de equipamentos culturais abertos à sociedade. E é nossa meta transpor as paredes do Teatro Zulmira e levar as artes para todo lugar”, afirmou a directora.

Natural da cidade de Matola, Hermínio se interessou pelas artes plásticas em 2010 e teve como professor um dos grandes escultores jovens, Alex Simões Ferreira, conhecido como Alexandria, assassinado em 2013 por populares.

 

 

 

 

Há um Barrigudo por se conhecer em Moçambique: bem redondinho, daí ser alvo de muita troça num dos textos de Hélder Muteia. Na verdade, “Barrigudo” intitula o conto inaugural do novo livro do membro fundador da Charrua. A obra em causa, O barrigudo e outros contos, será lançada às 17h da próxima quinta-feira, no Auditório do BCI, em Maputo, e, segundo o autor, oferece uma visão diferente do mundo.

Os textos mais antigos desta colectânea de Muteia foram escritos há mais ou menos trinta anos, no entanto o livro inclui ainda contos produzidos na década de 90 e no princípio de 2000. Em geral, as histórias do autor reflectem não apenas a realidade da ocasião em que foram escritas, mas também as diversas facetas que o autor foi assumindo no momento em que as escreveu. Talvez por isso, explica o escritor: “Cada conto no livro tem a sua personalidade, mensagem e sugestão emotiva, porque em cada texto procuro sugerir várias emoções que terminam com uma emoção maior. Neste livro há textos virados para o amor, para o quotidiano e para o cidadão comum, com uma linguagem simples. Assim, é difícil encontrar um denominador comum”.

Ao longo das três décadas de entrega à literatura, Hélder Muteia publicou quatro obras literárias, o que não é de todo muito. Para que não haja qualquer equívoco, o escritor e poeta reitera o seu compromisso com a literatura, garantindo que continua a escrever com o mesmo entusiasmo. “O que tem falhado um pouco é a actividade de publicação. Tenho muita coisa escrita e decidi que, a partir de agora, vou começar a publicar mais. O meu percurso teve várias curvas e contracurvas, teve momentos em que participei da vida política, teve momentos em que estive mais no associativismo literário, na Charrua e na Associação dos Escritores em geral. Algumas dessas curvas e contracurvas impediram-me a actividade editorial. Mas, desde já, prometo que passo a publicar pelo menos um livro por ano, para compensar o tempo em que, digamos, estive um pouco no matope da história, do ponto de vista literário”. E o escritor diz mais: “Se em algum momento falhei no compromisso com a escrita, que fique vincado que agora vou acertar o passo com os meus leitores”.

O primeiro texto do livro, “O barrigudo”, foi escrito em memória das vítimas do bombardeamento do Apartheid, na Matola.

Desenvolvimento da literatura depende de políticas claras

Reflectindo sobre o nível de produção literária no país, Hélder Muteia não duvida de que as letras moçambicanas estão a evoluir. “Temos uma história que passou por poesia de combate, em que a Charrua contribuiu para a sua ruptura, abrindo um leque para que a nossa literatura ficasse mais surpreendente. Hoje temos uma nova geração de autores, que traz sugestões interessantes de se ler, o que revela que a literatura moçambicana vai continuar a avançar”.

Ainda assim, é preciso que algumas coisas aconteçam no que diz respeito à consolidação das políticas de apoio à cultura e à literatura. Bem dito, Muteia entende que Moçambique necessita de políticas claras para que se fomente o hábito de leitura, afinal sem leitores não há escritores e sem ambos a sociedade perde a consciência colectiva, que, de certa forma, fica maltratada quando não se partilham valores culturais: “Moçambique vale-se muito da sua diversidade cultural e grande parte dessa diversidade reflecte-se melhor através da literatura. Então, é necessário que esta arte prevaleça e os leitores compreendam as mensagens que são transmitidas por via dos livros. As políticas que promovem a leitura começam sempre na escola e até mesmo na educação pré-primária. Tenho a experiência de trabalhar em alguns países, como a Nigéria, com uma política de promoção da leitura que acontece de forma dinâmica e moderna. Por isso, ao nível das escolas nigerianas, nota-se que há uma sede pela leitura, pelo conhecimento e de percorrer as páginas dos livros e dos jornais. Isso não vem por acaso, depende de políticas claras. Nisso o Estado tem responsabilidade de, através de políticas, promover o que é bom e reprimir o que é mau”.

O barrigudo e outros contos será apresentado por António Barros.

O Centro Cultural Franco-Moçambicano acolhe no seu auditório, o lançamento do livro "Ilha de Moçambique. Uma herança ambígua", de Séverine Cachat, na próxima quarta-feira, 05 de Setembro, às 17h.

O evento enquadra-se nas comemorações do bicentenário em Setembro de 2018 do bicentenário Ilha de Moçambique, e é organizado pela Embaixada de França, em parceria com a Associação Franco-Moçambicano de Ciências Humanas e Sociais (AFRAMO) e a editora Alcance.

Séverine Cachat  é antropóloga e Directora da Casa das Culturas do Mundo (Maison des Cultures du Monde) e do Centro Francês do Património Cultural Imaterial.

Segundo um comunicado do CCFM, enviado à nossa redacção, este é o sexto livro da série "Olhares cruzados França-Moçambique" lançado em 2015 pela Embaixada de França em Moçambique, em parceria com o AFRAMO que visa publicar as obras de pesquisadores franceses e moçambicanos sobre Moçambique e o Oceano Indico, no contexto de projectos colectivos ou pessoais.

Séverine Cachat  vai efectuar uma digressão de promoção do livro por Moçambique, onde dará várias palestras, começando pela Ilha no dia 03 de Setembro de 2018, na Faculdade de Ciências Humanas e Sociais da Unilurio, em seguida em Nampula na Universidade Pedagógica, no dia 4 de Setembro e por fim no CCFM de Maputo, em 5 de Setembro de 2018.

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