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O País – A verdade como notícia

CCMA vai juntar música, teatro e conversa para reviver clássicos que marcaram a música alemã e uma moçambicana.

No âmbito das efemérides e também da diversidade cultural "tatuada" na programação das "Semanas da Língua Alemã", o Centro Cultura Moçambicano-Alemão vai realizar, com o apoio da Embaixada da Alemanha e a Cooperação Austríaca, um sarau de poesia e música dedicado a Mozart, Beethoven, Goethe, Brecht, Bach e Justino Chemane.

Esse recital vai contar com a participação única do pianista, Feliciano de Castro, o actor brasileiro, Expedito Araújo e a talentosa actriz moçambicana, Melanie de Vales. A tertúlia está marcada para o próximo dia 09 de Outubro, as 18:30. A arte alemã, moçambicana e seus fazedores cruzam-se, mensalmente, nos corredores do Centro Cultural Moçambicano-Alemão.

A homenagem às lendas pretende ser um momento único de cruzamento e interligação da história musical nacional e alemã. Segundo a organização esse evento não se pretende esgotar o legado deixado por essas figuras, apenas celebra-lo e coloca-lo em contacto com o contexto actual.

Desta vez será o conceituado maestro, moçambicano, Justino Chemane, que fará parte da lista dos homenageados. Chemane é reconhecido pelo talento na composição, aliás, foi pelas suas mãos que nasceu o primeiro Hino Nacional “Viva, Viva a Frelimo”, que vigorou durante 27 anos no país; tendo participado, outrossim, na elaboração do mais recente hino “Pátria Amada”. Foi a 19 de Janeiro de 2004, que perdeu a vida vítima de paragem cardíaca.

Ainda dentro desda programação o CCMA realizou, no dia 03, por ocasião do 28.º aniversário da Reunificação da Alemanha e do 26º. aniversário do AGP-Acordos Gerais da Paz, uma conversa que reuniu amantes de História; criando, assim, um momento único onde a amizade e o intercâmbio entre Moçambique e Alemanha estiveram em contacto sob o tema: Partilha de Memórias.

CCMA é um centro cultural instalado no Centro Cultural Franco-Moçambicano que propõe várias actividades, incluindo debates de temas actuais, como o empoderamento da mulher e entrevistas com académicos. Inaugurado oficialmente a 23 de fevereiro de 2017, o CCMA para além organizar actividades culturais dedica-se ao ensino da língua alemã.

Decorreu em Gaberone capital do Botswana, a final do concurso Miss Elegance 2018. O evento contou com a participação de 35 países, contando com um júri internacional composto pela Miss India, Miss Zimbabwe e especialistas da indústria de moda Universal.
 
O concurso teve como primeiro prémio a Miss Zimbabwe com 10 mil Dólares Americanos e um diamante, segundo lugar, Miss Botswana 5 mil Dólares e um diamante e a terceira classificada ficou a Moçambicana Marta Francisco Matavele com direito a 2500 Dólares  e  um  diamante. Miss  fotogénica também foi atribuída a moçambicana Maria  Ângela Ndaluza, totalizando dois prémios.

A participação de Moçambique nesta primeira edição só foi possível Graças ao apoio do INATUR( Instituto Nacional do Turismo) Instituto este, tutelado pelo  Ministério da Cultura e Turismo.

 

Estevão Chissano tem uma nova obra de música clássica. Moya (literalmente, vento em português) é o título do novo trabalho, concebido para um quinteto de cordas (dois violinos, uma viola d’arco, um violoncelo e um contrabaixo). A pretensão do aluno do Projecto Xiquitsi, nesta nova odisseia, foi a de produzir uma “ode ao vento”, tentando, através duma linguagem musical e diante das suas possibilidades, desenhar as suas diferentes facetas.

A composição da obra começou em Maio e, já no fim de Julho, Chissano já tinha montado a estrutura de Moya, voltando a mexer nela diante das sugestões que surgiram da parte dos músicos dias antes do concerto de estreia, a 21 de Agosto, no Japão.

Nesta nova obra, depois de Ku Ringisa, Estevão Chissano explora “um pouco daquilo que chamamos de técnicas estendidas, em busca de novos efeitos sonoros, por exemplo o ruído produzido quando passamos a mão sobre a madeira, neste caso o corpo do instrumento, entre outras opções. Outro ponto é a utilização de ritmos e melodias típicas moçambicanas, posso dizer que o meu lado moçambicano esteve menos tímido desta vez, algo que pretendo alimentar nas minhas próximas peças porque serve de impressão digital”, afirmou o músico, confessando que, apesar de Ku Ringisa ser mais complexa tecnicamente, Moya tem desafios localizados que podem dar algum trabalho.

Na percepção de Chissano, cada música é uma peregrinação, por isso gostava que nesta viagem as pessoas pudessem também contemplar as frases da natureza alfabeta, as quais têm uma correspondência com o que acontece na vida. Afirma o autor: “O fenómeno vento pode ser dócil, tranquilizante, pode nos dar aquele abraço naquele momento certeiro que a tristeza desmorona em nós (a brisa), mas pode ser também arrasador, destilando a sua raiva, deixando tudo de pernas para o ar (a tempestade). Se nos deixarmos possuir pelos segredos da natureza, somos capazes de dar um salto quântico e responder sabiamnte às caretas que a vida nos mostrar”.

Estevão Chissano nasceu em Gaza, em 1994. Estudante de Geologia na Universidade Eduardo Mondlane e começou a interessar-se pela música na igreja. Em 2014, já em Maputo, teve a oportunidade de aprender música junto de profissionais na área, através do projecto Xiquitsi, criado por Kika Materula, Directora Artística. Chissano participou dum workshop orientado pelo compositor italiano Maurillio Cacciatore e, no ano corrente, está sob orientação do professor Filipe Fernandes. Parte do resultado do trabalho nesta classe são as seguintes composições: Missa para o Cordeiro, o Meu Sol – Missa em Sol menor (com cinco movimentos: Kyrie, Gloria, Credo, Sanctus e Agnus Dei) para Coro e Orquestra de cordas, dois clarinetes Sib e oboé e/ou flauta – estreada na íntegra no dia 9 de Maio de 2017 em Maputo; Ku Ringisa (Divertimento para Violino Solo (com três movimentos) dedicada à violinista Maya Egashira), estreado no dia 14 de Outubro de 2017, no Japão, e em Moçambique a 9 de Maio deste ano, no âmbito da 2ª Série dos Concertos da Temporada de Música Clássica, em Maputo; Kutwanana (Harmonia) (arranjo duma música tradicional, em Changana, para Coro e Orquestra de cordas e dois clarinetes Sib. Estreado no dia 10 de Maio; e Moya, estreado no dia 21 de Setembro deste ano, no Japão.

O novo filme do realizador moçambicano vai ser rodado durante cinco semanas, faltando agora uma e meia, e retrata a história de uma população que vive num determinado bairro, cuja vida sofre uma grande alteração por causa de uma construção.

Os grandes heróis de nova longa-metragem são crianças, Jaki (Keanu dos Santos), Pi (Caio Canda), Charlita (Thainara Calane Barbosa), afinal o objectivo que move o realizador é produzir um filme que agrade quer aos mais velhos quer aos mais novos, independentemente da sua origem, educação, história ou experiência. O que se pretende é que “Avó dezanove e o segredo do soviético" seja um filme em que cada idade da vida possa encontrar coisas diferentes, tirar lic?o?es u?nicas, e gozar de maneira especial, “porque, no fundo, Avó Dezanove e o Segredo do Sovie?tico e? uma história muito simples com que e? fa?cil todos nos identificarmos… Na?o que isso facilite a nossa tarefa – a simplicidade tem as suas armadilhas pro?prias e no universo das crianças essas armadilhas são multiplicadas e amplificadas”, avança uma nota sobre o filme que deverá estar pronto para exibição até o primeiro trimestre do próxima ano.  

À imagem do que aconteceu com a primeira longa-metragem de João Ribeiro, O último voo do flamingo, nesta segunda o realizador inclui no seu elenco de trabalho actores estrangeiros. São os casos de Dimitri Bogomogov (russo) e Flávio Bouraqui (brasileiro). De Moçambique, João Ribeiro seleccinou um elenco constituído por actores consagrados e pessoas conhecidas que, não sendo actores de profissão, são chamados a desempenhar certos papeis. No primeiro caos, estão no filme Ana Magaia, Adelino Branquinho, Mário Mabjaia, Elliot Alex e Cândida Bila. Além destes actores experimentados, o poeta Filimone Meigos e a apresentadora de televisão Anabela Adrianopoulos entram no enredo para representar Rafael Truz e Avó Dezanove, respectivamente.

O guião deste novo filme de Ribeiro foi confiado a João Nunes, numa co-produção de três produtoras: Kanema Produções (Moçambique); Fado Filmes (Portugal) e Grafo Audiovisual (Brasil). O Director de Produção é Pedro Bento, tendo como Chefe de Produção Kika Chirrime. A Direcção de Fotografia compete a José António Loureiro, a Iluminação está com Helder Loureiro, Maquinaria com Pascoal Mate, Direcção de Arte com Artur Pinheiro, a Decoração com Nurodine Daúde, Direcção de Som com Gita Cerveira, Figurinos com Sara Machado da Graça e Luiggi e Caracterização com Catia Munguamba.

“Avó dezanove e o segredo do soviético" está orçado em um milhão de euros, mas a equipa está a trabalhar com 700 mil euros.

SINOPSE

Tudo se passa numa cidade para além do tempo e da geografia, num bairro não identificado, que ganha assim contornos quase mitológicos. E? ai? que vive Jaki, numa casa cheia de primos regida com mão férrea pela avo? Agnette e assombrada pela figura misteriosa da avo? Catarina. A vida do bairro e dos seus castiços moradores gira à volta da construção do Mausoléu de um Presidente falecido. Mas esse imponente monumento acaba por ameaçar a vida tranquila que todos levam quando as autoridades anunciam que as casas do bairro têm de ser dinamitadas para a obra ser terminada. Ao mesmo tempo que isto acontece a avó Agnette sofre uma infecc?ão num pé e tem de ser operada, perdendo um dedo e ganhando uma nova alcunha: Avo? Dezanove. A sua operação inspira Jaki. Tal como foi preciso remover o dedo para salvar a perna, ele e o seu melhor amigo Pi decidem remover o Mausoléu para salvar o bairro. E? um plano mirabolante que envolve o uso da dinamite da obra para "desplodir" o monumento. Um plano condenado ao fracasso, não fosse a inesperada intervenção de um soviético cheio de segredos.

 

 

Vagando Maputo é documentário e exposição fotográfica de Aurore Vinot, vai ser inaugurada esta terça-feira, no Centro Cultural Franco Moçambicano (CCFM). É um convite a descoberta e travessia artística de Maputo.

Esta narração visual é uma homenagem às actuais forças criativas do país. É também uma maneira de apreender melhor a história dessa nação onde arte e criatividade desempenharam um papel fundamental na construção da sua identidade. É também uma forma de compreender melhor a história desta nação onde a arte e a criatividade foram um factor-chave na construção da sua identidade após a independência portuguesa em 1975.

Ao mergulhar assim na efervescência cultural do país, a artista procurou representar as especificidades e as principais figuras, apesar dos obstáculos e das dificuldades. Ao vagar por Maputo, é possível descobrir os seus impulsos, as suas feridas bem como forças criativas ímpares. O filme e a exposição são um percurso urbano, humano e cultural. Eles são constituídos de aproximadamente quinze retratos enraizados na sua cidade, na sua sociedade e nos seus sonhos.

 

Desenvolver a Associação dos Escritores Moçambicanos (AEMO). Este é o interesse do candidato ao cargo de Secretário-Geral daquela instituição, Carlos Paradona Rufino Roque. Segundo o escritor, a decisão de avançar com a candidatura traduz a convicção de uma colectividade, que nele encontra os pilares para dinamizar a literatura nacional: “Quero ser Secretário-Geral da AEMO para ir ao encontro de desejos de vários confrades que confiam em mim e julgam ser eu a pessoa mais indicada para substituir Ungulani Ba Ka Khosa”.

Carlos Paradona conhece a AEMO desde a sua fundação e acompanhou os trabalhos que terminaram com a Conferência Constitutiva, a 31 de Agosto de 1982. Também por isso, o escritor acredita que é a pessoa certa para levar a bom porto os propósitos da agremiação, pois, ao longo das décadas, acumulou muita experiência, importante para um Secretário-Geral que se quer consensual.
Ao referir-se ao seu programa, Carlos Paradona sublinhou que a AEMO, neste momento, atravessa um período notável, graças ao bom trabalho desenvolvido por Ungulani Ba Ka Khosa, nos últimos anos, na valorização da literatura e da cultura moçambicana. Ainda assim, o escritor advoga que se devem abrir ainda mais as portas da casa, valorizar o que foi feito, sim, mas ampliando os horizontes com a apresentação de novos projectos e ideias.

Porque não só de livros vive um escritor, Carlos Paradona quer investir num plano de saúde para os membros da AEMO, de modo a ampará-los em casos de necessidade. De igual modo, mesmo para fortalecer a imaginação dos criadores, se for eleito Secretário-Geral, Paradona promete criar uma casa de férias, na qual os escritores e poetas possam fazer um retiro, abster-se do mundo e daí reunir as condições de que necessitam para fomentar a produção literária.

Neste percurso à liderança da AEMO, Carlos Paradona conta, na sua equipa, com Mbate Pedro (para o cargo de Secretário-Geral-Adjunto), Aurélio Furdela (vogal para área editorial), Delmar Gonçalves (Vogal para Colaboração Internacional), Filimone Meigos (Presidente da Mesa da Assembleia-Geral) e Paulina Chiziane (Presidente do Conselho Fiscal). Segundo entende o candidato, este elenco reflecte uma mistura de gerações, pois está preocupado em unir os escritores.

Mas por que os membros da AEMO devem votar em Carlos Paradona Rufino Roque? Convicto, o candidato respondeu: “os membros devem votar em mim porque trago novas propostas e apareço com nova mentalidade literária. Quero colocar os autores no centro da sua actividade literária, portanto, valorizando-lhes. Além disso, é minha pretensão aumentar o número de livros publicados pela AEMO. E a meta passa por editar obras dos autores moçambicanos noutros países, sobretudo em Angola, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Portugal e, por que não, Alemanha e Espanha”. Acrescentando, o candidato finalizou: “os livros moçambicanos devem chegar ao mundo, seja em que língua for”.
Além de escritor, Carlos Paradona é proprietário da Chil Editora. Caso venha ser eleito Secretário-Geral, garante que não haverá nenhuma colisão com a AEMO, que também edita livros.

A Assembleia Geral electiva da AEMO vai reunir-se a 6 de Outubro, e contará com Pedro Chissano, Domingos Pedro e Iracema de Sousa como membros da Comissão Eleitoral Constitutiva.
 
O TRAJECTO DO ESCRITOR QUE QUER SER SG
 
Carlos Paradona Rufino Roque nasceu a 29 de Maio de1963, em Inhaminga, Sofala. É Doutorando em Ciências Sociais e Políticas na área de Desenvolvimento Socioeconómico, no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas – Universidade Técnica de Lisboa; Doutorando em Estudos Africanos, no Instituto Universitário de Lisboa; mestrado em Sociologia Industrial e Estudos Laborais, pela Universidade de Pretória (RSA) e Licenciado em Direito, Universidade Eduardo Mondlane. É membro da AEMO desde a sua fundação, onde desempenhou a função de Secretário-Geral-Adjunto, entre 2008-2012. É Membro do Centro de Estudos Africanos e Brasileiros, na Universidade Técnica de Lisboa; Membro Fundador do Centro de Estudos Estratégicos da Universidade de Trans-os-Montes (Portugal). É professor universitário. Como escritor, colaborou com Diário de Moçambique, Jornal Domingo, revista Tempo, Charrua, Forja e Eco. Foi membro do júri do Grande Prémio SONANGOL de Literatura, de Angola. Actualmente, é Advogado e Investigador em ciências sociais. Tem os seguintes livros publicados: A Gestação do Luar (poesia, 1991), Tchanaze, a donzela de Sena (romance, 2009), N’tsai Tchassassa, a virgem de missangas (Romance, 2013), Carota N’tchakatcha, feitiços e mitos (Romance, 2018).
 

Paradoxalmente, com muita disciplina, os Indisciplinados coloriram a cerimónia de homenagem a Marcelo Panguana. Aos cinco instrumentistas em ascensão, na verdade, foi confiada a abertura e o encerramento do sarau concebido especialmente para louvar a vida e a obra de um homem que continua a dar muito de si no exercício literário. Sem trapaças, os meninos da banda Indisciplinados, formados na Escola de Comunicação e Arte (ECA) da Universidade Eduardo Mondlane tocaram corações com recurso a clássicos da música moçambicana, como é o caso do tema “Kihiene”, de Zena Bacar. Marcelo estava ali sentado. E ouviu.

Além de música, o sarau em homenagem ao “peregrino da palavra” teve peça teatral e, como é habitual nestas circunstâncias, com intervenção do autor. Ao dirigir-se ao público, sexta-feira à tarde, momentos depois do vereador Simão Mucavele, em representação do Presidente do Município de Maputo, ter lido um longo discurso, Marcelo Panguana foi leal às suas convicções, dizendo que poderia ter preparado um texto escrito para aquela ocasião solene. Não o fez porque, para si, “os discursos escritos têm a tendência de desvirtuar a alma”. Então foi falando, eloquente, tentando mergulhar nas emoções dos seus.

Durante a sua comunicação ao público, Marcelo Panguana agradeceu ao gesto do Conselho Municipal, à presença dos leitores e dos que lhe acompanham há longos anos, casos de Juvenal Bucuane, Carlos Paradona e Suleiman Cassamo, todos presentes no Tunduru. Aí, o autor fez um parêntesis para lembrar que nunca tinha sido distinguido num jardim, e rematou: “Dizem que a beleza dos jardins traduz a dos seus governantes. Se pensarmos em função deste jardim agora reabilitado, então podemos concluir que os nossos governantes estão a começar a ser pessoas bonitas”. Logo de seguida, o escritor recuou ao passado para explicar o seu trajecto literário, primeiro na Beira e, mais tarde, em Maputo, com a Charrua. Tudo para expressar um eterno agradecimento às pessoas que o permitiram crescer até merecer a homenagem. Por isso Panguana sublinhou: “Não cresci sozinho, cresci em grupo”. E alguns dos que fazem parte desse restrito grupo viram quando o escritor recebeu do vereador Simão Mucavele uma certificação da homenagem feita pelo Conselho Municipal de Maputo.

Além do papel colocado em moldura, Marcelo Panguana vai receber, do Conselho Municipal, uma transferência bancária simbólica no valor de 50 mil meticais.

Marcelo Panguana nasceu a 30 de Março de 1951, na então cidade de Lourenço Marques, hoje Maputo. Ao longo do seu percurso literário, colaborou com vários jornais e revistas nacionais, como Notícias da Beira, Notícias, Domingo, Tempo e Charrua. Panguana é escritor, cronista e tem produzido recensões críticas. A sua obra inclui livros de entrevista a autores moçambicanos e uma história de literatura infantil. Em 2011, foi Menção Honrosa no Prémio Sonangol de Literatura (Angola) e, quatro anos depois, 2015, recebeu o Prémio Rui de Noronha pelo FUNDAC. É autor de As vozes que falam de verdade, A balada dos deuses, Fazedores da alma (com co-autoria de Jorge de Oliveira), O chão das coisas, Os ossos de Ngungunhana, Como um louco ao fim da tarde, Conversas do fim do mundo e Os peregrinos da palavra.

 

Esta quinta-feira, iniciou mais uma Feira do Livro de Maputo, no Jardim Tunduru. Um dos painéis desta iniciativa do Conselho Municipal da capital do país, constituído pelos autores Mbate Pedro (moçambicano), António Cabrita (português) e Sílvia Alves (portuguesa), debateu à volta do tema “A literatura em língua(s) portuguesa(s) em perspectiva(s): conhecimento, comportamento e mudança”.

Dos três, o primeiro a intervir foi o poeta e editor moçambicano. No seu discurso introdutório, Mbate Pedro defendeu que o fortalecimento da literatura moçambicana e a sua interacção com outras dos outros países de língua oficial portuguesa é algo de difícil alcance por haver poucos leitores, fraca mobilidade de livros e livrarias a falir. Para aquele editor da Cavalo do Mar, uma literatura que se quer séria não se faz só de palavras. Mbate insiste no investimento na literatura porque, acredita, a arte das palavras serve para prover as pessoas, no caso leitores, de valores, o que é caro em Moçambique e em vários países africanos.

Numa audiência constituída por jovens e muitas crianças do ensino primário que chegaram, bem pareceu, para ver a encenação do livro de Sílvia Alves, Mbate Pedro destacou que pouco foi feito para se levar o livro aos leitores no país, daí haver um profundo desconhecimento dos autores moçambicanos e um exemplar estar para três milhões de habitantes. Apoiando-se à sua própria experiência, o poeta disse que em Moçambique há editoras, mas não editores, mesmo devido à fragilidade do mercado livreiro. Para reverter esse cenário, aconselhou: “Quem tem que investir no livro em Moçambique é a classe média, que tem o poder de compra”.

Fazendo um sim com a cabeça enquanto Mbate expunha as suas convicções, António Cabrita afirmou que Moçambique precisa investir numa rede de bibliotecas e criar formas para o livro ser sustentável. Aí o escritor português viajou pelo mundo para ir buscar um exemplo: “nos países nórdicos, a cada livro que é publicado, o Estado compra 500 exemplares. Com isso, a produção literária fica logo garantida”.

Ora, reconhecendo que a internet, actualmente, abriu portas para os novos autores moçambicanos, mudando-lhes até a sua forma de escrita, António Cabrita defendeu que a literatura moçambicana só poderá evoluir se a sociedade civil envolver-se na promoção do livro e dos autores. E, ampliando mais o raio de análise, Cabrita apresentou outro problema, o qual impede a circulação de livros na CPLP: “Os países de língua portuguesa vivem um momento político miserável. O impasse que Brasil enfrenta é péssimo porque aquele seria o país com capacidades para difundir a língua portuguesa noutros contextos”.

Nesse diapasão, Sílvia Alves afirmou que a falta de coordenação entre os países de língua oficial portuguesa está na origem de muitos problemas que afectam as literaturas daquelas realidades. A fim de alterar o quadro, Alves entende que a vontade política é determinante, o que deve ser acompanhada de uma educação desde a meninice, incluindo um insistente contar de histórias às crianças. Depois, a autora portuguesa acrescentou que é necessário, na comunidade de leitores, o marketing, pois o livro deve ser lucrativo. Na óptica de Sílvia Alves, isso será possível se o marketing estiver combinado com comunicação e publicidade.

A Feira do Livro de Maputo continua esta sexta-feira, dia em que um escritor moçambicano será homenageado. Amanhã será o último dia da presente edição 2018.

 

 

 

Quando o voo da South Africa Airways aterrou no Aeroporto Internacional de Maputo, às 11:40h de domingo, os membros da banda The Whispers não poderiam prever como seria a sua estreia no Moments of Jazz da BDQ Concertos. Longe disso. A banda norte-americana chegou a Moçambique numa mistura de curiosidade e expectativa. A viagem foi longa. Os sobrinhos do “tio Sam” saíram dos States, fizeram uma escala em Joanesburgo, e, depois de quase 24 horas de viagem, chegaram à pátria amada.

Se na véspera as dúvidas sobre o que o espectáculo prevaleceram, já no palco as mesmas esvaíram-se, afinal, mesmo estando longe de casa, o público moçambicano fez com que The Whispers se sentisse tão perto. Concorreu para isso a boa recepção e os coros cantados de cor, em alguns casos, e improvisados, noutros. Então os irmãos Scott e Leaveil Degree, vocalistas da banda, entregaram-se à conexão proporcionada pelos moçambicanos segunda-feira à noite. A música uniu-os, e, não poucas vezes, fez do Campus Universitário da Universidade Eduardo Mondlane (UEM) um palco alargado, com vocalistas espalhados por todo lado. Os americanos ficaram bem impressionados, e divertiram-se com isso.

Num ambiente contagiante, de facto, com idades diversificadas, os meninos Whispers recuperaram do seu repertório musical velhos clássicos, inclusive, com mais de 35 anos de existência. Assim, os moçambicanos foram revivendo os contextos em que a banda americana compôs temas como “Rocky steady”, “Only you” e “I’m gonna make you my wife”. O grande momento da actuação da banda, em que com maior fervor cantou-se numa só voz, ocorreu quando “And the beat goes on” foi cantada. Todos ficaram integrantes do grupo. 

Na UEM, o espectáculo dos The Whispers durou hora e meia, mais 30 minutos que o tempo que Lira levou no palco. Neste regresso ao país, a cantora sul-africana seleccionou dos seus álbuns músicas bem badaladas, com destaque para “Feel good”, “Ixesha” e “Believer”. Lira cumpriu a promessa feita há semanas, a de tornar a noite do Moments of Jazz electrizante. As suas coreografias improvisadas e o pontual contacto com o público concorreram para o efeito.

Antes de Lira, a responsabilidade de inaugurar esta edição do Moments of Jazz foi confiada a Lishannie, jovem cantora moçambicana que fez da sua performance uma oportunidade para garantir novos concertos.

Conforme o previsto, o espectáculo da BDQ Concertos terminou rigorosamente às 23:30h, e durou três horas e meia. 

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