O País – A verdade como notícia

Numa centena de páginas, o reitor da Universidade Pedagógica, Jorge Ferrão, trata da distribuição dos animais mamíferos no território nacional e refere-se aos bichos em extinção.

Logo após a hora do almoço de sexta, Jorge Ferrão lançou a obra Mamíferos – uma selecção da nossa fauna. A cerimónia do lançamento do livro que chama atenção para a protecção dos animais, sobretudo os que estão em vias de extinção, aconteceu no Auditório do BCI, na cidade de Maputo, tendo como apresentador Mia Couto.

Referindo-se ao livro publicado sob a chancela da Texto Editores, Mia Couto começou com uma pergunta retórica, ao questionar por que é necessário a preocupação pelos bichos, se há problemas maiores que afectam as pessoas. Respondendo a si próprio, o escritor e biólogo logo rematou que a questão, colocada daquela forma, está mal feita, porque a separação sobre o que é das pessoas e o que é dos bichos não deve ser feita daquele modo. Na percepção do Prémio Camões 2013, a humanidade adquire uma personalidade graças a sua relação com os bichos: “Nós aprendemos a ser pessoas através dos animais. Uma grande parte dos nossos valores humanos e morais nascem quando nos contam histórias. E em todas as culturas do mundo as histórias da infância são muito fundadas nos animais, de onde saem os valores positivos. Os animais ajudam-nos a construir a nossa própria humanidade”. Para Mia, assim é porque, em diversos países, com particular destaque para Moçambique, a riqueza está na vida, que é feita com base em todos os seres vivos: “os homens, sozinhos, nem que por segundos, não conseguiriam sustentar-se neste planeta”.

No livro de Jorge Ferrão estão 45 espécies de mamíferos, dos quais o autor destaca a extinção do rinoceronte preto e branco ao longo do território nacional. Por isso, advertiu o apresentador da obra, quem quiser ver esse bicho só pode ir a África do Sul ou ao Quénia. “E a pergunta que se coloca é: Quem é que se beneficiou com isso? Ganhamos? Perdemos todos”, frisou Mia Couto.

Mamíferos – uma selecção da nossa fauna é um livro composto por 128 páginas, e, de acordo com o autor, surge, igualmente, da necessidade de contribuir para corecção de equívocos relativos à fauna moçambicana, perpetuados com a chegada dos portugueses. “A presença colonial em Moçambique também teve muitos erros”, começou por dizer Jorge Ferrão. “A administração colonial, não conhecendo a fauna que tinha, pegou em nomes portugueses e tentou adaptá-los aos animais moçambicanos. Era a única forma deles poderem mostrar algum conhecimento, porque não ficaria muito bem ir ter com os nativos para perguntar o nome de um animal. Foi nesta senda que eles começaram a tratar o nosso cabrito do mato por gazela, mas, na verdade, o nosso ecossistema não tem gazela. Nós estamos a perpetuar um erro, de alguém que nunca conheceu um animal africano”. E Ferrão apontou mais um erro colonial, ao referir-se que Moçambique não tem javalis, que esse bichinho é da Europa. Logo, assim entende o autor de Mamíferos – uma selecção da nossa fauna, há que se recuperar os nomes certos dos animas.

A cerimónia de lançamento do livro, que teve animação humorística e musical, de Pedro Muiambo e Roberto Chitsondzo, respectivamente, não terminou sem antes Jorge Ferrão acrescentar mais uma informação, ao dizer que o pangolim é um animal que sofre em maior escala os efeitos da caça furtiva, embora, de forma generalizada, só se fale de elefantes e rinocerontes. De acordo com Ferrão, o pangolim é traficado vivo e morto e passa despercebido porque ninguém cuida do animal.

 Maputo estará na rota internacional da música jazz ao testemunhar a primeira edição do Festival A Luta Continua, um festival que vai juntar no mesmo palco estrelas nacionais da música jazz, afrojazz e marrabenta. Trata-se  das bandas Ghorwane, Kapa Dech, para além dos conceituados músicos Jimmy Dludlu, Stewart Sukuma, Isabel Novela, Deltino Guerreiro, Lourena Nhate e Justino Ubaka .

Gilberto Manuel Pumule Júnior (Lapaman Pumule), em representação da produção de eventos, explicou que o projecto que tem como lema “Pela Arte e Desenvolvimento do nosso País, juntos somos mais sólidos” é uma demonstração de que o brio que os artistas tem na diáspora, entre moçambicanos é possível.

“Apenas trazemos artistas nacionais de carreira internacional para este evento, afirmou  Pumule, acrescentando que a figura de cartaz do evento, são artistas e bandas nacionais.

Lapaman diz ainda que a noite vai merecer ainda um After Party com os Djs Danny T Moz, Andy e Pynolas, sendo que “os bilhetes são limitados”.

Numa iniciativa da Zep Estúdios e mozGIN&FRIENDS, o espectáculo terá lugar no centro de Conferências Joaquim Chissano, no dia 28 de Setembro a partir das 20 horas.

 

O poeta angolano e colunista do jornal O País, Lopito Feijóo, vai lançar um livro em Portugal. Intitulado Doutrinárias lâminas doutrinárias, a obra do mangolé será apresentada próxima sexta-feira, a partir das 19 horas, na Sala de Conferências do edifício sede de Casa de Angola, em Lisboa.

Doutrinárias lâminas doutrinárias é um livro cujo desenho da capa foi feito pelo artista plástico moçambicano, João Timane, e é constituído por 60 textos poéticos, dividido em três partes. Este é o primeiro livro de uma trilogia poética em que a última obra deverá ser publicada até Novembro do próximo ano. No caso de Doutrinárias lâminas doutrinárias, Feijóo explora o passado de Angola, aproveitando a estrutura da tradição oral para escrever sobre aspectos de âmbito social e político. No segundo volume do livro, o escritor angolano continua a escrever poesia na mesma linha de pensamento que o primeiro, entretanto, focando-se no presente do seu país, e, por fim, no terceiro, à laia de vaticínios, escreve sobre o que poderá ser o futuro de Angola. Todos estes livros têm o desenho da capa feito por João Timane.

Em Portugal, este primeiro volume da trilogia será apresentação por Margarida Gil dos Reis, da Faculdade de Letras de Lisboa, e pelo jornalista e crítico de arte, Rodrigues Vaz.

Depois de apresentar Doutrinárias lâminas doutrinárias, Lopito Feijóo promete trazer o livro para o leitor moçambicano próximo mês, quando vier participar na feira do livro organizado pelo Movimento Kuphaluxa.

Lopito Feijóo é membro da União dos Escritores Angolanos (UEA), onde exerceu o cargo de Secretário das Relações Internacionais, e co-fundador da Academia Angolana de Letras. Há quatro anos, preside a Sociedade Angolana do Direito de Autor (SADIA. É autor de várias obras literárias: Doutrina (1987), Me ditando (1987), Rosa cor-de-rosa (1987), Cartas de amor (1990), O brilho do bronze – Haikais (2005), Marcas da guerra, Percepção Íntima & Outros Fonemas Doutrinários  (2011), Imprescindível Doutrina Contra (2017), entre outros.  Além de colunista deste jornal, é membro correspondente da Academia Brasileira de Poesia “Casa Raul de Leoni”, Membro da International Poetry dos EUA e da Maison Internationale de la Poesie, sediada em Bruxelas, Bélgica. Feijóo tem livros traduzidos para o francês, inglês, italiano e, tem colaboração dispersa em publicações de Angola, Portugal, França, Espanha, Brasil, Estados Unidos da América (EUA), Moçambique, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Nigéria.

Num total de 28 peças, Ulica construiu uma exposição de pintura, a qual está patente no Centro Cultural Franco-Moçambicano (CCFM), na cidade de Maputo. Pintada com base em acrílico e caneta sobre madeira, a obra da artista moçambicana procurou revitalizar o que para muitos era dado como lixo. Assim, foi à praia da Macaneta, no distrito de Marracuene, recolher restos de barcos em madeira. Depois disso, Ulica procurou conhecer e envolver com cada habitante da madeira encontrada.

A pintura da exposição obedeceu a estrutura dos objectos, em alguns casos, usando as cores que já lá estavam. “Foi esse o conceito para encontrar esses habitantes, que, no fundo já estavam nas madeiras encontradas na praia. Na verdade, trouxe-os para que as pessoas pudessem ver esses habitantes que eu já os via”, afirmou Ulica, esclarecendo que, quando preparou a exposição foi a pensar nela mesma, mas depois percebeu a actualidade ali existente.

“Habitantes da madeira” é, na verdade, uma reutilização de materiais, uma reciclagem feita com intenção de incentivar mais pessoas a darem importância aos objectos que, aparentemente, não têm valor. Ainda assim, Ulica não se preocupou em ser uma artista ambientalista, mesmo porque, frisa, o processo foi muito pessoal, num momento de descoberta, afinal esta é a primeira exposição da engenheira civil.

O processo de exposição de Ulica começou há um ano, tendo contado com o impulso de Filipe Branquinho e Pablo Ribeiro.

Ulica nasceu em Luanda, capital de Angola, e veio a Moçambique, onde adquiriu a nacionalidade, aos 2 anos de idade. A sua exposição primeira exposição individual estará patente no Franco até 12 de Outubro. 

 

No dia 6 de Outubro, a Associação dos Escritores Moçambicanos (AEMO) vai reunir-se em Assembleia Geral electiva, a qual contará com Pedro Chissano, Domingos Pedro e Iracema de Sousa como membros da Comissão Eleitoral Constitutiva. Um dos escritores que concorre ao cargo de Secretário-Geral daquele organismo é Luís Cezerilo, quem se desafia a suceder Ungulani Ba Ka Khosa. Para o efeito, aquele autor produziu um programa no qual se compromete em contribuir para impulsionar a actividade cultural e literária na AEMO.

De acordo com Cezerilo, ao longo dos dois mandatos anteriores a direcção da AEMO teve sucesso, a instituição cresceu culturalmente e socialmente. Ainda assim, escreve no seu manifesto, “é o tempo de gerir o sucesso de lhe dar mais vitalidade e sustentabilidade de olhos virados para o futuro. Neste Programa não fazemos apenas promessas, apontamos caminhos, porque AEMO é por aqui. Prometemos o que sabemos poder cumprir. Com a confiança dos confrades, unidos pela mesma causa embora a diversidade de pensamento”.

A ambição de Luís Cezerilo e a sua equipa é fazer da AEMO, em três anos, um espaço activo no debate das questões atinentes à construção da cidadania, de forma independente, inclusiva e abrangente.

Os três pilares do programa de Luís Cezerilo são cultura, coesão social e autonomia financeira, com sustentabilidade que assenta na defesa de princípios orçamentais rígidos e na criação de capacidade financeira que permite aos parceiros investir na AEMO, nas infra-estruturas, nos equipamentos, na realização de feiras de livro e na publicação de livros, estabelecimento de parcerias publico privadas, reforço da cooperação nacional e internacional.

Não obstante, os objectivos do programa de Cezerilo passam por manter a coesão da AEMO, dinamizar a actividade literária, internacionalizar a literatura moçambicana e seus fazedores, garantir a sustentabilidade económica da AEMO, garantir a massificação e promoção da leitura, fazer da AEMO um centro de debate de ideias e interventivo na vida social do país.

Luís Cezerilo prevê, para a sua equipa, corpo directivo constituído por Calane da Silva (Presidente da Assembleia-Geral), Tânia Tomé (Vice-Presidente), Alex Dau (Relator), Henriques Marcelino (Presidente do Conselho Fiscal), Amosse Mucavele (Vice-Presidente do Conselho Fiscal), Izidro Dimande (Vogal), Márcia dos Santos (Secretária-Geral-Adjunta) e Japone Arijuane (Vogal).

Perfil do candidato a Secretário-Geral
Luís Abel dos Santos Cezerilo é Pós-Doutorado em Estudos Literários e Doutor em Letras em Estudos Comparados de Literatura Africana de Língua Portuguesa. Possui mestrado e graduação pela Universidade de Évora. Actualmente, é Professor Auxiliar na Universidade Eduardo Mondlane-Faculdade de Letras e Ciências Sociais e na Academia de Ciências Policias (ACIPOL). Foi Assessor da Ministra da Justiça para Área Prisional e do Ministro da Educação e Cultura. Foi Membro Fundador do Núcleo de Pesquisa de Literaturas Africanas de Língua Portuguesa da Universidade Camilo Castelo Branco. Entre 2005-2007, foi Secretário-Geral-Adjunto da AEMO.

Cinquenta e oito pessoas, das quais 46 no palco, realizaram o espectáculo “No tempo dos tocadores–um tributo à música moçambicana”. Para o efeito, depois de uma pesquisa aturada, o grupo TP50 recuou aproximadamente 100 anos da história do país de modo a contar a evolução da música nacional, sobretudo a que foi produzida na região Sul. Com esta iniciativa que, além da investigação, incluiu muita imaginação para aglutinar a herança artística de um povo em duas horas, TP50 esmerou-se em promover parte do que melhor foi feito no território nacional no século passado, reconfigurando contextos da época, vergando-se aos exímios tocadores da pátria amada.

Com efeito, o espectáculo realizado sexta-feira à noite, no Centro Cultural Franco-Moçambicano, na cidade de Maputo, teceu o tecido de uma história musical que se vai perdendo a cada ano. Tudo começou com a intervenção de Horácio Guiamba e Fernando Macamo. Representando duas gerações diferentes, com preferências e entendimentos assimétricos em relação à arte, ambos os actores introduziram o público, que foi reagindo como pôde, às canções populares, casos de “Cântico de nascimento”, “Watiwashana” e “Mbalele”. Quase sempre, as músicas ou canções tocadas foram antecedidas por explicações de cariz didática, numa encenação feita de humor. Portanto, com o teatro alicerçando o espectáculo em todos os momentos, TP50 apresentou autores, reconfigurou as suas circunstâncias e ecoou melodias com sonoridades aproximadas às originais. Assim ouviu-se “Mova”, um clássico com 80 anos de existência, da autoria de Daniel Marivate, cantado por Joel Libombo e Hortêncio Langa. Se nessa actuação o auditório teve que se deixar levar pelo ritmo melancólico, minutos depois o palco ficou bem animado, afinal dançou-se e cantou-se “Makwaela”, de Gil Mabjeca. A onda continuou electrizante com a sedução das makhuwas sintetizada na dança Tufo, que, tendo-se enraizado no subúrbio da Mafalala há anos, tornou-se um ritmo tão de Maputo quanto de Nampula, província onde predomina.

À medida que a noite prolongava-se, “No tempo dos tocadores” foi-se tornando uma sessão agradável. De outra forma não seria, com a invocação das afamadas “Laurinda” e “Elisa” no palco, essas beldades da Orquestra Djambu que não envelhecem, o Franco deixou de ser Moçambicano e passou a ser um autêntico Bar dos Comorianos, onde a conversa dos actores acontecia, no qual nenhum bêbado foi autorizado a entrar. Ali os bêbados só saiam, embriagados de música boa e de palavra abençoada, não fosse Calane da Silva ter declamado “Daiko”, de José Craveirinha, e “Samba”, de Noémia de Sousa. Tudo a condizer com música.

Entre vários, um dos momentos mais engraçados foi proporcionado por um casal de velhotes, que mostrou aos mais novos como se dança em bom compasso “Sanza zomi na mibale”, de Dr Nico. Viu-se coisa bonita no Franco, quer dizer, no Bar dos Comorianos, numa curtição às antigas. E porque não só temas de autores nacionais edificaram parte da identidade musical dos moçambicanos, no tributo dos TP50 cantou-se, igualmente, sons de músicos estrangeiros, “I who have nothing”, de Tom Jones, “Georgia”, de Ray Charles, e “Carta a Miguel Djedje”, de Zeca Afonso, português que encontrou em Moçambique terra para amar, quando deixou Portugal durante o regime salazarista. Depois disso, uma rapsódia empolgante com músicas de Dilon Djindji, quem gostava de ver a iniciativa repetida, Gabriel Chiau, Xidiminguana e, claro, Fany Mpfumo, “representado” pela filha e neta no espectáculo.

Na percepção de António Prista, Direcção-Geral dos TP50, a maior dificuldade na preparação deste tributo à música moçambicana foi seleccionar as músicas e o que se pretendia contar. Nada que comprometeu o objectivo da iniciativa: a transmissão de valores fora de moda, aparentemente caducados.

No próximo dia 24, à noite, um dos grandes nomes da música africana vai pisar o palco do Moments of Jazz, no Campus Principal da Universidade Eduardo Mondlane, em Maputo. Chama-se Lira, e vem à capital do país para ecoar aos ouvidos do público nacional e de outras proveniências o que a caracteriza como artista que acredita na Humanidade. Nesta entrevista, a cantora sul-africana, detentora de vários prémios, promete aos moçambicanos uma performance enérgica no evento organizado pela BDQ Concertos – com músicas animadas –, assume a sua admiração por algumas cantoras da pátria amada e ainda reconstrói o percurso do seu sucesso.

A sua música é bem conhecida pelos moçambicanos, mas poucos sabem que, no início da sua carreira, teve que travar muitos “combates” para poder cantar. Por quê?
Venho de uma família de professores, contabilistas e engenheiros informáticos. Foi-lhes, portanto, um espanto ao descobrir que eu queria seguir a carreira musical. Eles receavam que eu não conseguisse uma vida estável com a música, mas a minha mãe deu-me apoio e o resto da família só o fez no início do meu sucesso.

Portanto, não contou com apoio de outros membros da família, no início?
Sim, eles estavam receosos que a música não fosse uma carreira estável. Mas quando notaram que estava determinada, eles abençoaram-me.

A Lira é a única a cantar na família?
Tal como maior parte das famílias africanas, a minha mãe, tias e tios cantam na igreja, mas nenhum deles se considera um cantor.

Começar é sempre um grande desafio. Como descreve o início da sua carreira e quais foram os principais obstáculos por si travados?
O início foi-me fácil, quase um milagre. Eu trabalhava como controladora de crédito e auditora interna, mas queria desistir do meu emprego e seguir a carreira de música pela qual estava apaixonada. Duas semanas depois de ter abandonado o emprego, consegui um contrato de gravação… eu vi-me literalmente no lugar certo e na altura certa. Abracei esta perfeita oportunidade. Era justamente no dia do meu aniversário e eu havia conseguido um contrato de gravação. Mas essa foi a parte mais fácil. Avançar com a carreira musical foi incrivelmente difícil. Assinei para uma pequena editora chamada 999 Music, cujo principal foco era Kwaito. Fui promovida, pois eles queriam bastante lançar um novo artista R&B, mas me senti engolida pela editora e não tive atenção focada no género de música da qual gostava. Até hoje, as pessoas estão convencidas que eu era uma artista Kwaito, mas nunca o fui. Comecei a entender que não podia criar um futuro dentro dessa editora ou mesmo crescer como um artista. Então, abandonei a editora e comecei a criar minhas próprias oportunidades, actuando em espectáculos e promovendo-me mais rápido quanto possível. Durante três anos, apostei no desenvolvimento das minhas qualidades artísticas e empresariais na indústria da música. Cresci bastante. Senti-me desafiada com poucos recursos, mas estava decidida a fazer as coisas funcionar. Isto me manteve em movimento. Conheci meu marido e após um ano de namoro entrei no estúdio e gravei o álbum “Feel Good”, que o meu amigo apresentou a Sony. Consegui contrato por meio deste álbum, o resto é história.

Quando decidiu avançar com a música, recebeu apoio de outros artistas?
Na indústria da música, todos estão à sua sorte. Mas tive apoio incrível dos DJ e chefes de estações de rádio – DJ Fresh, mais tarde, Khabzela de YFM fame e Lawrence Dube do Metro. Eles foram os primeiros DJ a expor minha carreira no ar.

Como se sentiu enquanto trabalhava no seu primeiro álbum?
Esperei dois anos para gravar e tive de lutar até pela oportunidade de entrar num estúdio. Por isso, estava entusiasmada na produção deste álbum. Escrevi cada canção e ajudei na produção das canções mesmo sem receber nenhum crédito por isso. Estava feliz por finalmente trabalhar o meu álbum.

Assume-se uma compositora por excelência?
Escrevi todas as canções dos meus sete álbuns, excepto duas canções (“Iris”, composta por RJ Benjamin, e “Something inside so strong”, de Labbi Siffre. A escrita é feita em qualquer lugar a qualquer momento. Estou feliz com o telemóvel, pois é nele que guardo minhas anotações.

O que lhe move no seu processo criativo?
Sou inspirada pela vida e pelo amor, a maneira como nós, seres humanos, navegamos pela vida e tudo vai cruzando o caminho. Aposto em mensagens positivas nas minhas músicas, pois acredito que o poder das palavras em forma de melodia e emoção cria um impacto ou influência nas nossas vidas. Faço disso uma causa para curar e construir, ao invés de destruir.  

Já ganhou vários prémios. Qual é, actualmente, o maior objetivo da sua carreira?
Estou determinada a conseguir uma carreira de sucesso internacional. Há vários anos que me dedico a isso. Dos meus sete álbuns, venci cinco prémios, em áreas de composição e produção. Ousei algo novo e tenho-me sentido bastante desafiada. Este é meu terceiro lançamento internacional e gostaria de vencer um prémio e mostrar o apreço pelo apoio de Sade e John Legend.

Vem a Maputo para actuar no Moments of Jazz. O que se pode esperar da sua performance?
Boa música, muita energia e boa actuação. Os fãs podem esperar por uma noite memorável.

Quais temas e tópicos você abordará?
Grandes vibrações, amor e belas memórias.

Vem com sua banda. Quem são os membros e que instrumentos cada um deles vai executar?
Victor Mngomezulu, no teclado; Siya Hlengethwa, no baixo, e Synth, Urban Nobela, na guitara, e Tino Dambaneunga, na bateria.

Já agora, conhece a música moçambicana?
Mingas é minha favorita. Aprecio Lizha James.

Está aberta a intercâmbios artísticos com artistas moçambicanos?
Seria uma honra trabalhar com artistas moçambicanos.
De que maneira a proximidade geográfica pode ajudar a indústria musical de Moçambique e a região sul da África a desenvolver-se.

Precisamos de mais artistas moçambicanos para África do Sul. Temos muitos festivais superlotados. A vantagem está em sermos vizinhos e não precisamos de pagar tanto pela viagem.

A terminar esta conversa, o que mais lhe vai à alma?
Estimo o amor e o apoio que Moçambique me tem dado ao longo de todos estes anos. Amo Moçambique e o seu povo.
 
PERFIL
Lira é uma cantora sul-africana. Nasceu a 14 de Março de 1979, em Joanesburgo. Começou a cantar ainda adolescente, e investe na fusão de soul, funk e afro/jazz. Como muitos autores do seu tempo, cresceu ouvindo Miriam Makeba, Stevie Wonder e Nina Simone. Estreia-se em disco com Feel Good, muito aclamado pelo público sul-africano, moçambicano, italiano e de outras realidades. Com o disco, Lira conseguiu várias nomeações e distinções no SAMA – Prémio Sul-Africano de Música. O prestígio musical tornou a cantora embaixadora da Audi, Shield, Samsung, MTN e BlackBerry e já apareceu nas capas de mais de 30 revistas em todo o mundo. No seu repertório musical, constam as obras Feel good, álbum platina, Return to love, no qual faz jus ao significado do seu nome, ou Born free. Seu nome de baptismo é Lerato Molapo.
 

Dez antigos concorrentes do concurso MOZKIDS Talents, organizado pelo Grupo Soico, foram este sábado, Homenageados pelo município da Matola. Calisto Cossa disse que a iniciativa visa enaltecer os talentos existentes naquele município.

A homenagem foi relizada no Auditório Municipal Carlos Tembe, na Matola. O Auditório Foi palco para performances de dez antigos concorrentes do concurso MOZKIDS Talents, das categorias de Poesia, Canto e Dança. Por tratar-se de alunos de escolas da Matola, o Conselho Municipal da Matola (CMM) decidiu prestar-lhes uma homenagem.

Entre os homenageados, esteve Inalda Sumburane, vencedora do primeiro lugar na categoria de Canto.

Os certificados de mérito foram entregues pelo edil da Matola, Calisto Cossa que começou por felicitar o Grupo Soico pela organização do concurso MOZKIDS Talents. Afinal, foi naquele concurso onde foram descobertos os talentos que o município quer fazer o acompanhamento e estimular outros.

Os concorrentes gostaram da iniciativa e contam que há novidades a caminho.

O concurso MOZKIDS Talents foi organizado pelo Grupo SOICO, e prevê-se a segunda edição para o próximo ano.

 

“Memórias Póstumas de Brás Cubas” é o nome da peça apresentada na quinta-feira, ao público, no Centro Cultural Brasil Moçambique (CCBM). Trata-se de uma obra adaptada do famoso romance do escritor brasileiro, Machado de Assis.

O CCBM voltou ao tempo e viu em palco a encenação de um dos mais aclamados livros da literatura brasileira: "Memórias póstumas de Brás Cubas". A interpretação, em forma de monólogo, esteve a cargo do actor Buanamade Amade. A complexidade dos personagens foi um dos desafios encontrados pelo actor, Buanamade Amade.

"A fraqueza é a primeira virtude de um defunto" diz Brás Cubas numa das passagens. Mas a encenadora, Gigliola Zacara disse que não houve fraqueza para trabalhar essa obra-prima. Foram 45 minutos de viagem pela vida e morte de Brás Cubas. Trabalhar uma obra de Machado de Assis é sempre um exercício infinito, mas não impossível, reconhece a encenadora.

Após sua morte em 1869, Brás Cubas resolve contar a história da sua vida através de uma selecção dos episódios mais relevantes. Inicia pelo seu delírio e morte, depois conta o seu nascimento e vai alternando, sem linearidade e sempre com uma alta dose de humor e uma visão pessimista.

Joaquim Maria Machado de Assis foi um renomado escritor brasileiro, autor de vasto legado que inclui romances, contos, poesias, peças de teatro, críticas, crônicas e correspondências.

 

+ LIDAS

Siga nos