O País – A verdade como notícia

Vagando Maputo é documentário e exposição fotográfica de Aurore Vinot, vai ser inaugurada esta terça-feira, no Centro Cultural Franco Moçambicano (CCFM). É um convite a descoberta e travessia artística de Maputo.

Esta narração visual é uma homenagem às actuais forças criativas do país. É também uma maneira de apreender melhor a história dessa nação onde arte e criatividade desempenharam um papel fundamental na construção da sua identidade. É também uma forma de compreender melhor a história desta nação onde a arte e a criatividade foram um factor-chave na construção da sua identidade após a independência portuguesa em 1975.

Ao mergulhar assim na efervescência cultural do país, a artista procurou representar as especificidades e as principais figuras, apesar dos obstáculos e das dificuldades. Ao vagar por Maputo, é possível descobrir os seus impulsos, as suas feridas bem como forças criativas ímpares. O filme e a exposição são um percurso urbano, humano e cultural. Eles são constituídos de aproximadamente quinze retratos enraizados na sua cidade, na sua sociedade e nos seus sonhos.

 

Desenvolver a Associação dos Escritores Moçambicanos (AEMO). Este é o interesse do candidato ao cargo de Secretário-Geral daquela instituição, Carlos Paradona Rufino Roque. Segundo o escritor, a decisão de avançar com a candidatura traduz a convicção de uma colectividade, que nele encontra os pilares para dinamizar a literatura nacional: “Quero ser Secretário-Geral da AEMO para ir ao encontro de desejos de vários confrades que confiam em mim e julgam ser eu a pessoa mais indicada para substituir Ungulani Ba Ka Khosa”.

Carlos Paradona conhece a AEMO desde a sua fundação e acompanhou os trabalhos que terminaram com a Conferência Constitutiva, a 31 de Agosto de 1982. Também por isso, o escritor acredita que é a pessoa certa para levar a bom porto os propósitos da agremiação, pois, ao longo das décadas, acumulou muita experiência, importante para um Secretário-Geral que se quer consensual.
Ao referir-se ao seu programa, Carlos Paradona sublinhou que a AEMO, neste momento, atravessa um período notável, graças ao bom trabalho desenvolvido por Ungulani Ba Ka Khosa, nos últimos anos, na valorização da literatura e da cultura moçambicana. Ainda assim, o escritor advoga que se devem abrir ainda mais as portas da casa, valorizar o que foi feito, sim, mas ampliando os horizontes com a apresentação de novos projectos e ideias.

Porque não só de livros vive um escritor, Carlos Paradona quer investir num plano de saúde para os membros da AEMO, de modo a ampará-los em casos de necessidade. De igual modo, mesmo para fortalecer a imaginação dos criadores, se for eleito Secretário-Geral, Paradona promete criar uma casa de férias, na qual os escritores e poetas possam fazer um retiro, abster-se do mundo e daí reunir as condições de que necessitam para fomentar a produção literária.

Neste percurso à liderança da AEMO, Carlos Paradona conta, na sua equipa, com Mbate Pedro (para o cargo de Secretário-Geral-Adjunto), Aurélio Furdela (vogal para área editorial), Delmar Gonçalves (Vogal para Colaboração Internacional), Filimone Meigos (Presidente da Mesa da Assembleia-Geral) e Paulina Chiziane (Presidente do Conselho Fiscal). Segundo entende o candidato, este elenco reflecte uma mistura de gerações, pois está preocupado em unir os escritores.

Mas por que os membros da AEMO devem votar em Carlos Paradona Rufino Roque? Convicto, o candidato respondeu: “os membros devem votar em mim porque trago novas propostas e apareço com nova mentalidade literária. Quero colocar os autores no centro da sua actividade literária, portanto, valorizando-lhes. Além disso, é minha pretensão aumentar o número de livros publicados pela AEMO. E a meta passa por editar obras dos autores moçambicanos noutros países, sobretudo em Angola, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Portugal e, por que não, Alemanha e Espanha”. Acrescentando, o candidato finalizou: “os livros moçambicanos devem chegar ao mundo, seja em que língua for”.
Além de escritor, Carlos Paradona é proprietário da Chil Editora. Caso venha ser eleito Secretário-Geral, garante que não haverá nenhuma colisão com a AEMO, que também edita livros.

A Assembleia Geral electiva da AEMO vai reunir-se a 6 de Outubro, e contará com Pedro Chissano, Domingos Pedro e Iracema de Sousa como membros da Comissão Eleitoral Constitutiva.
 
O TRAJECTO DO ESCRITOR QUE QUER SER SG
 
Carlos Paradona Rufino Roque nasceu a 29 de Maio de1963, em Inhaminga, Sofala. É Doutorando em Ciências Sociais e Políticas na área de Desenvolvimento Socioeconómico, no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas – Universidade Técnica de Lisboa; Doutorando em Estudos Africanos, no Instituto Universitário de Lisboa; mestrado em Sociologia Industrial e Estudos Laborais, pela Universidade de Pretória (RSA) e Licenciado em Direito, Universidade Eduardo Mondlane. É membro da AEMO desde a sua fundação, onde desempenhou a função de Secretário-Geral-Adjunto, entre 2008-2012. É Membro do Centro de Estudos Africanos e Brasileiros, na Universidade Técnica de Lisboa; Membro Fundador do Centro de Estudos Estratégicos da Universidade de Trans-os-Montes (Portugal). É professor universitário. Como escritor, colaborou com Diário de Moçambique, Jornal Domingo, revista Tempo, Charrua, Forja e Eco. Foi membro do júri do Grande Prémio SONANGOL de Literatura, de Angola. Actualmente, é Advogado e Investigador em ciências sociais. Tem os seguintes livros publicados: A Gestação do Luar (poesia, 1991), Tchanaze, a donzela de Sena (romance, 2009), N’tsai Tchassassa, a virgem de missangas (Romance, 2013), Carota N’tchakatcha, feitiços e mitos (Romance, 2018).
 

Paradoxalmente, com muita disciplina, os Indisciplinados coloriram a cerimónia de homenagem a Marcelo Panguana. Aos cinco instrumentistas em ascensão, na verdade, foi confiada a abertura e o encerramento do sarau concebido especialmente para louvar a vida e a obra de um homem que continua a dar muito de si no exercício literário. Sem trapaças, os meninos da banda Indisciplinados, formados na Escola de Comunicação e Arte (ECA) da Universidade Eduardo Mondlane tocaram corações com recurso a clássicos da música moçambicana, como é o caso do tema “Kihiene”, de Zena Bacar. Marcelo estava ali sentado. E ouviu.

Além de música, o sarau em homenagem ao “peregrino da palavra” teve peça teatral e, como é habitual nestas circunstâncias, com intervenção do autor. Ao dirigir-se ao público, sexta-feira à tarde, momentos depois do vereador Simão Mucavele, em representação do Presidente do Município de Maputo, ter lido um longo discurso, Marcelo Panguana foi leal às suas convicções, dizendo que poderia ter preparado um texto escrito para aquela ocasião solene. Não o fez porque, para si, “os discursos escritos têm a tendência de desvirtuar a alma”. Então foi falando, eloquente, tentando mergulhar nas emoções dos seus.

Durante a sua comunicação ao público, Marcelo Panguana agradeceu ao gesto do Conselho Municipal, à presença dos leitores e dos que lhe acompanham há longos anos, casos de Juvenal Bucuane, Carlos Paradona e Suleiman Cassamo, todos presentes no Tunduru. Aí, o autor fez um parêntesis para lembrar que nunca tinha sido distinguido num jardim, e rematou: “Dizem que a beleza dos jardins traduz a dos seus governantes. Se pensarmos em função deste jardim agora reabilitado, então podemos concluir que os nossos governantes estão a começar a ser pessoas bonitas”. Logo de seguida, o escritor recuou ao passado para explicar o seu trajecto literário, primeiro na Beira e, mais tarde, em Maputo, com a Charrua. Tudo para expressar um eterno agradecimento às pessoas que o permitiram crescer até merecer a homenagem. Por isso Panguana sublinhou: “Não cresci sozinho, cresci em grupo”. E alguns dos que fazem parte desse restrito grupo viram quando o escritor recebeu do vereador Simão Mucavele uma certificação da homenagem feita pelo Conselho Municipal de Maputo.

Além do papel colocado em moldura, Marcelo Panguana vai receber, do Conselho Municipal, uma transferência bancária simbólica no valor de 50 mil meticais.

Marcelo Panguana nasceu a 30 de Março de 1951, na então cidade de Lourenço Marques, hoje Maputo. Ao longo do seu percurso literário, colaborou com vários jornais e revistas nacionais, como Notícias da Beira, Notícias, Domingo, Tempo e Charrua. Panguana é escritor, cronista e tem produzido recensões críticas. A sua obra inclui livros de entrevista a autores moçambicanos e uma história de literatura infantil. Em 2011, foi Menção Honrosa no Prémio Sonangol de Literatura (Angola) e, quatro anos depois, 2015, recebeu o Prémio Rui de Noronha pelo FUNDAC. É autor de As vozes que falam de verdade, A balada dos deuses, Fazedores da alma (com co-autoria de Jorge de Oliveira), O chão das coisas, Os ossos de Ngungunhana, Como um louco ao fim da tarde, Conversas do fim do mundo e Os peregrinos da palavra.

 

Esta quinta-feira, iniciou mais uma Feira do Livro de Maputo, no Jardim Tunduru. Um dos painéis desta iniciativa do Conselho Municipal da capital do país, constituído pelos autores Mbate Pedro (moçambicano), António Cabrita (português) e Sílvia Alves (portuguesa), debateu à volta do tema “A literatura em língua(s) portuguesa(s) em perspectiva(s): conhecimento, comportamento e mudança”.

Dos três, o primeiro a intervir foi o poeta e editor moçambicano. No seu discurso introdutório, Mbate Pedro defendeu que o fortalecimento da literatura moçambicana e a sua interacção com outras dos outros países de língua oficial portuguesa é algo de difícil alcance por haver poucos leitores, fraca mobilidade de livros e livrarias a falir. Para aquele editor da Cavalo do Mar, uma literatura que se quer séria não se faz só de palavras. Mbate insiste no investimento na literatura porque, acredita, a arte das palavras serve para prover as pessoas, no caso leitores, de valores, o que é caro em Moçambique e em vários países africanos.

Numa audiência constituída por jovens e muitas crianças do ensino primário que chegaram, bem pareceu, para ver a encenação do livro de Sílvia Alves, Mbate Pedro destacou que pouco foi feito para se levar o livro aos leitores no país, daí haver um profundo desconhecimento dos autores moçambicanos e um exemplar estar para três milhões de habitantes. Apoiando-se à sua própria experiência, o poeta disse que em Moçambique há editoras, mas não editores, mesmo devido à fragilidade do mercado livreiro. Para reverter esse cenário, aconselhou: “Quem tem que investir no livro em Moçambique é a classe média, que tem o poder de compra”.

Fazendo um sim com a cabeça enquanto Mbate expunha as suas convicções, António Cabrita afirmou que Moçambique precisa investir numa rede de bibliotecas e criar formas para o livro ser sustentável. Aí o escritor português viajou pelo mundo para ir buscar um exemplo: “nos países nórdicos, a cada livro que é publicado, o Estado compra 500 exemplares. Com isso, a produção literária fica logo garantida”.

Ora, reconhecendo que a internet, actualmente, abriu portas para os novos autores moçambicanos, mudando-lhes até a sua forma de escrita, António Cabrita defendeu que a literatura moçambicana só poderá evoluir se a sociedade civil envolver-se na promoção do livro e dos autores. E, ampliando mais o raio de análise, Cabrita apresentou outro problema, o qual impede a circulação de livros na CPLP: “Os países de língua portuguesa vivem um momento político miserável. O impasse que Brasil enfrenta é péssimo porque aquele seria o país com capacidades para difundir a língua portuguesa noutros contextos”.

Nesse diapasão, Sílvia Alves afirmou que a falta de coordenação entre os países de língua oficial portuguesa está na origem de muitos problemas que afectam as literaturas daquelas realidades. A fim de alterar o quadro, Alves entende que a vontade política é determinante, o que deve ser acompanhada de uma educação desde a meninice, incluindo um insistente contar de histórias às crianças. Depois, a autora portuguesa acrescentou que é necessário, na comunidade de leitores, o marketing, pois o livro deve ser lucrativo. Na óptica de Sílvia Alves, isso será possível se o marketing estiver combinado com comunicação e publicidade.

A Feira do Livro de Maputo continua esta sexta-feira, dia em que um escritor moçambicano será homenageado. Amanhã será o último dia da presente edição 2018.

 

 

 

Quando o voo da South Africa Airways aterrou no Aeroporto Internacional de Maputo, às 11:40h de domingo, os membros da banda The Whispers não poderiam prever como seria a sua estreia no Moments of Jazz da BDQ Concertos. Longe disso. A banda norte-americana chegou a Moçambique numa mistura de curiosidade e expectativa. A viagem foi longa. Os sobrinhos do “tio Sam” saíram dos States, fizeram uma escala em Joanesburgo, e, depois de quase 24 horas de viagem, chegaram à pátria amada.

Se na véspera as dúvidas sobre o que o espectáculo prevaleceram, já no palco as mesmas esvaíram-se, afinal, mesmo estando longe de casa, o público moçambicano fez com que The Whispers se sentisse tão perto. Concorreu para isso a boa recepção e os coros cantados de cor, em alguns casos, e improvisados, noutros. Então os irmãos Scott e Leaveil Degree, vocalistas da banda, entregaram-se à conexão proporcionada pelos moçambicanos segunda-feira à noite. A música uniu-os, e, não poucas vezes, fez do Campus Universitário da Universidade Eduardo Mondlane (UEM) um palco alargado, com vocalistas espalhados por todo lado. Os americanos ficaram bem impressionados, e divertiram-se com isso.

Num ambiente contagiante, de facto, com idades diversificadas, os meninos Whispers recuperaram do seu repertório musical velhos clássicos, inclusive, com mais de 35 anos de existência. Assim, os moçambicanos foram revivendo os contextos em que a banda americana compôs temas como “Rocky steady”, “Only you” e “I’m gonna make you my wife”. O grande momento da actuação da banda, em que com maior fervor cantou-se numa só voz, ocorreu quando “And the beat goes on” foi cantada. Todos ficaram integrantes do grupo. 

Na UEM, o espectáculo dos The Whispers durou hora e meia, mais 30 minutos que o tempo que Lira levou no palco. Neste regresso ao país, a cantora sul-africana seleccionou dos seus álbuns músicas bem badaladas, com destaque para “Feel good”, “Ixesha” e “Believer”. Lira cumpriu a promessa feita há semanas, a de tornar a noite do Moments of Jazz electrizante. As suas coreografias improvisadas e o pontual contacto com o público concorreram para o efeito.

Antes de Lira, a responsabilidade de inaugurar esta edição do Moments of Jazz foi confiada a Lishannie, jovem cantora moçambicana que fez da sua performance uma oportunidade para garantir novos concertos.

Conforme o previsto, o espectáculo da BDQ Concertos terminou rigorosamente às 23:30h, e durou três horas e meia. 

A actriz moçambicana, Melanie de Vales Rafael, foi nomeada pela Academia Sotigui, do Burquina Fasso, para o Prémio de Melhor Jovem Actor Africano, edição  2018,  pelo seu desempenho no filme “Comboio de Sal e Açúcar”, do realizador Licínio Azevedo.

O prémio Sotigui será entregue durante o festival de cinema africano, que se realiza anualmente em Ouagadougou, de 29 de Novembro a 1 de Dezembro.

Antes de participar como actriz principal do filme pelo qual foi nomeada, rodado em 2014, Melanie havia tido a sua estreia em cinema no filme “República das Crianças”, do guineense Flora Gomes, rodado em Maputo, em 2010.

“Comboio de Sal e Açúcar” já recebeu vários prémios em festivais internacionais, sendo o mais recente o de Melhor Realizador, em Los Angeles, nos Estados Unidos, no (PAFF) Festival de Cinema Pan-Africano. Recentemente o filme teve exibição comercial em salas de cinema de vinte cidades brasileiras, tendo estado em cartaz em algumas delas por quatro semanas consecutivas, sendo um dos raros filmes africanos a conseguir esta projeção naquele país. 

 

O dia aguardado pelos apreciadores do Moments of Jazz, evento da BDQ Concertos, chegou. Na noite desta segunda-feira, no Campus da Universidade Eduardo Mondlane (UEM), na cidade de Maputo, os astros norte-americanos, The Whispers, e a diva sul-africana, Lira, vão cantar os seus grandes êxitos para o público moçambicano e de outros países da África Austral.

Os portões que dão acesso ao local do espectáculo abrem às 18:30h. Cinco minutos depois, DJ Sérgio Butler terá o compromisso de animar os que chegarem mais cedo. Passada uma hora, a cantora moçambicana convidada ao Moments of Jazz, Lyshannie, vai abrir o concerto, numa actuação que deverá prolongar-se por meia hora, segundo a artista, o suficiente para mostrar os seus créditos e garantir uma janela aberta para a carreira que está a construir há alguns anos.

Depois de Lyshannie, ao palco do Moments of Jazz, no Campus da UEM, irá a sul-africana Lira, quem promete uma noite muita animada, igual a si, cheia de alegria e memorável. Lira vai cantar durante uma hora, entre 20:45h e 21:45h.

Quem quiser ver o funk dos norte-americanos, cabeças-de-cartaz desta edição do Moments of Jazz, com efeito, terá que aguardar um intervalo de 15 minutos. A seguir a esse tempo de espera, aí sim, os The Whispers vão, finalmente, estrear-se em espectáculo no solo nacional. A banda norte-americana, que chegou a Maputo no início de tarde de ontem, nunca antes esteve em Moçambique, mas já sabe que as suas músicas foram muito tocadas nas rádios nacionais no passado, décadas de 80 e 90. Por isso, trazem o desafio de devolver aos mais velhos as memórias da sua juventude, convidando os mais novos a divertir-se na qualidade que as suas obras discográficas apresentam.

A actuação da banda The Whispers deverá durar hora e meia, portanto, entre 22h e 23:30h.

Sónia Sultuane já havia publicado Roda das encarnações no país. O que faltava era conquistar outras latitudes com a colectânea de poemas. Do Brasil surgiu a oportunidade, através da Kapulana, de a autora moçambicana publicar uma poesia que “passa pelo feminismo, tradições africanas, principalmente as de Moçambique, maternidade, assim como pelo universo sensorial e místico”, avança uma nota da editora brasileira, acrescentando: “Seus versos transportam o leitor por um universo sensorial e místico, com movimentos harmoniosos, no tempo e no espaço, muitas vezes em diálogo com a dicotomia vida e morte”.

Além de apresentar o seu livro ao público brasileiro, Sónia Sultuane realizou mesas de conversas e sessões de autógrafos em eventos nas cidades de São Paulo, Campinas, São José dos Campos e Rio de Janeiro.

Na cidade de São Paulo, Sónia Sultuane participou, no dia 12 deste mês, numa conversa inserida na “IV Feira Literária da Zona Sul” (Felizs), na Biblioteca Marcos Rey, em Campo Limpo, bairro da capital paulistana, com o professor e escritor José de Nicola e com o poeta angolano Ermi Panzo. A conversa teve como tema “Literatura Africana de Língua Portuguesa – Das heranças aos processos identitário de resistência”. Durante a conversa, Sónia contou sobre o seu processo criativo na literatura e nas artes plásticas, inclusive em relação à construção de seus poemas, dizendo, à certa altura: “a palavra, para mim, tem muito poder. Ela está sempre em trânsito, principalmente aqui no Brasil, onde pude trazer as linguagens que produzo no meu país, tendo sempre que buscar uma nova interpretação da linguagem”. E Sultuane ainda referiu-se das vantagens da arte no processo de tornar as pessoas mais ricas intelectualmente. “Sou mulher e sou da África e, destas formas, quero, de alguma maneira, escrever poemas de como enxergo o mundo”, disse a autora moçambicana.

No dia 13, na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), localizada no interior de São Paulo, Sultuane realizou uma roda de conversa com alunos do curso de Letras, sob a mediação da mestranda Jéssica Fabrícia da Silva. O evento contou com o apoio do Grupo de Estudos de Literaturas e Culturas Africanas (GELCA), do IEL-Unicamp. Sónia falou sobre as suas motivações na escrita de Roda das Encarnações: “Eu tive um câncer e poderia ser que eu não tivesse mais a possibilidade de escrever outro livro, queria terminar o Roda das encarnações pelas pessoas que eu amo e que me apoiaram. O amor se dá genuinamente sem estar à espera de nada e o Roda foi o meu acto de amor”.

Durante a sua fala, Sónia comentou sobre a interlocução com as artes plásticas e poesias: “Minha poesia vem muito do abstrato, como o cheiro, sabor e o olhar. A poesia e as artes plásticas têm lugares em diversas outras formas, principalmente em transmitirmos a nossa evolução artística para as pessoas”.

De volta à capital paulista, Sónia Sultuane esteve presente, dia 14, na palestra com os alunos da Universidade da São Paulo (USP). O evento, com coordenação de Tania Macêdo e Rita Chaves, contou com apoio do Centro de Estudos Africanos (CEA) e do Centro de Estudos das Literaturas e Culturas de Língua Portuguesa (CELP), da FFLCH-USP, e teve a moderação da pesquisadora de doutorado Jacqueline Kaczorowski. A poeta conversou sobre Literatura e o começo de sua escrita: “Fiquei grávida muito cedo, aos treze anos, e, como forma de comunhão, comecei a escrever, de modo a compartilhar os meus sentimentos”.

Sónia também falou sobre seu projecto artístico, “Walking Words”, em que se veste com uma roupa confeccionada com diversas palavras, tendo como intuito caminhar pelas ruas do país a compartilhar as variadas maneiras que a linguagem fornece: “Este projecto é essencial para tornar as palavras em algo físico, que se sente, para que elas não se diluem”.

No sábado, 15, Sónia fez parte da programação da “V Festa Literomusical” (FLIM) do Parque Vicentina Aranha, na cidade de São José dos Campos, interior de São Paulo. A mesa literária com o tema “Por dentro dos gêneros” contou com as participações de Sónia Sultuane, da poeta e editora Jarid Arraes e da cantora e compositora Ellen Oléria, sob a moderação da apresentadora do programa Metrópolis, da TV Cultura, Adriana Couto.

No Rio de Janeiro, Sónia participou de palestras e debates sobre a cultura moçambicana, nos dias 18 e 19, com alunos da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e realizou sessão de autógrafos de seu livro. O evento, intitulado “África & Brasil – trânsitos culturais: literatura, cinema e educação”, foi organizado por Cármen Lucia Tindó Secco, profesora de Literaturas Africanas na UFRJ.

Durante sua participação, Sónia falou com professores, estudantes e outros pesquisadores, sobre a sua produção poética, literatura infantil e o cinema moçambicano.

 

 

      

 

 

 

A Fundação Fernando Leite Couto e a Trassus Imobiliário informam aos candidatos e público em geral, em comunicado enviado à nossa redacção, que a 2ª edição do Prémio Literário Fernando Leite Couto, dedicado à prosa de ficção narrativa na categoria de romance não será atribuído no presente ano devido ao número insuficiente de candidaturas e participantes que justifiquem um concurso. O espectável, era cerca de 20 candidatos, no entanto, menos de 10 se inscreveram.

Este prémio literário surge em homenagem ao Patrono da Fundação, o Poeta, jornalista, editor e tradutor Fernando Leite Couto, como forma a dar continuidade ao seu legado.

A distinção é destinada ao estímulo da produção literária e promoção de novos autores cuja primeira edição teve como vencedor a obra ‘Descrição Das Sombras’ de M. P. Bonde, na categoria de poesia.

Este ano, as inscrições decorreram no período de 16 de Abril a 31 de Julho.

A 2ª edição do Prémio Literário Fernando Leite Couto foi lançada em Abril e entrega do prémio, de 150 mil meticais, estava prevista para Novembro próximo.

As obras submetidas a concurso deveriam ser inéditas e apresentadas em três cópias com um mínimo de 100 páginas e máximo de 200.

 

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