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O País – A verdade como notícia

O poema “Sugar a tempestade da infância” do poeta M. P. Bonde ficou em segundo lugar no Prémio Escriba da Poesia 2018. O poema faz parte de um projecto, poético, já terminado intitulado “Se eu pudesse agora e sempre produzir alvoradas”. “Ensaios Poéticos” foi o conjunto de textos que lançou o poeta às prateleiras literárias nacionais. Depois veio o livro “A descrição das sombras” – Prémio Literário Fernando Leite Couto.

“A minha participação neste concurso visava procurar uma maior visibilidade do meu trabalho visto que a literatura não tem fronteiras. Sendo de um país periférico a nossa inserção no sistema literário passa também por participar em antologias e concursos literários organizados em países falantes de Português”, disse o Poeta.

Por outro lado, o autor de “A descrição das sombras” refere que talvez essa distinção, nas terras de Vinícius de Moraes, possa ser um estímulo para conseguir uma boa distribuição e muitos leitores dentro do espaço literário brasileiro e não só. “O Brasil nos últimos anos tem tido preocupação com a literatura feita em África e neste sentido, achei importante participar deste concurso”.

Sobre a poesia de Bonde, o poeta moçambicano Luís Carlos Patraquim disse: “a poesia de Bonde tem como patrono um poeta lírico, delicado e luminoso e universal, que pegue no cajado nodoso do pastoreio dos gados de deus e lhes alime as farpas e as aguce se necessário e lentamente, por uma vida longa, ao menos contemple o ouro alquímico”.

O concurso é organizado pela Prefeitura do Município de Piracicaba, por meio da SemacTur (Secretaria Municipal da Ação Cultural e Turismo) e Biblioteca Pública Municipal “Ricardo Ferraz de Arruda Pinto” do Estado de São Paulo.

O Prémio Escriba é um concurso literário de projecção que recebe trabalhos em português vindos de todo o Brasil e também de outros países, notadamente Portugal, Angola, Moçambique, Estados Unidos, Japão, entre outros. O Prémio teve sua primeira edição em 1990, na modalidade Poesias. Em 1997, foi instituída a edição para Contos, e, a partir de então, os dois géneros passaram a se alternar a cada ano. Em 2011, foi criado o Prêmio Escriba de Crónicas, completando o anseio da Organização e dos Participantes de abarcar mais amplamente os géneros literários. Dessa forma, alternando anualmente Poesias, Contos e Crônicas, o Escriba chega, em 2018, com o 14º Prêmio Escriba de Poesia, a sua 26ª edição.

M.P.Bonde nasceu a 12 de Janeiro de 1980 em Maputo. Foi membro do projecto (JoAC) Jovens e Amigos da Cultura entre 2003-2004. Em 2004 é convidado para fazer parte do grupo Arrabenta Xithokozelo onde animam as noites de poesia e música no Modaskavulu do Teatro Avenida. Tem textos publicados na colectânea Arqueologia da Palavra, e em revistas electrónicas.

 

A Galeria Kulungwana acolheu, na sexta-feira, o lançamento de um projecto que visa imortalizar os artistas e figuras nacionais. O primeiro escolhido, pelo projecto, é o fotojornalista moçambicano: Ricardo Rangel.

Entre o jazz, a fotografia e conversa foi celebrado Ricardo Rangel na galeria Kulungwana; aliás, a noite foi denominada "a lente e o jazz". Rangel foi celebrado no âmbito do lançamento do projecto onde Stewart Sukuma é mentor.

O projecto visa imortalizar e divulgar os feitos de artistas que se dedicaram à arte e cultura moçambicana.

É importante revalorizar a cultura e as artes nacionais e uma das formas é rescrever a trajectória dos homens que fizeram e deram suas vidas às artes e culturas, disse Sukuma.

E como o dia era de Ricardo Rangel, João Costa ou simplesmente Funcho, sublinhou o espaço especial que a obra do seu antigo colega das lentes ocupa nas linhas da história do fotojornalismo nacional.

Rangel além de ser um homem que vivia entre lentes, era um devoto de jazz. E para conciliar a fotografia exposta no Kulungwana com o jazz, o Malhangalene Jazz Quartet animou a noite.

 

Sérgio Muiambo vai apresentar o seu primeiro CD "Moringane", em concerto, no dia 27 de Outubro, no Centro Cultural da Universidade Eduardo Mondlane (UEM). Trata-se de uma obra rica em ritmos, com destaque para o afro-jazz.

Uma mensagem musical que mergulha e se recompõe no multilinguístico e no multi-rítmico; assim pode ser classificado o "Moringane" de Sérgio Muiambo. Um CD que, depois da pré-venda, será colocado na prateleira pública, no dia 27 do mês em curso, no Centro Cultural da UEM.

Sérgio Muiambo quer transformar esse concerto em um verdadeiro momento de interlace de ritmos, línguas e novas possibilidades musicais.

"Moringane" é um CD que surge da mão dum artista multifacetado. Esse CD é Também um registo histórico, em formas de notas, que conta o percurso artístico de Sérgio Muiambo. De bailarino ao canto e do canto ao CD.

O concerto de apresentação de "Moringane" contará com a participação especial de Zoco Dimande, Wazimbo, SG e Tchakaze. O mesmo conta com 15 faixas musicais.

 

25 mil dólares é taco. E o valor não se estima calculando o que pode comprar, mas, neste caso, pelo simbolismo que transporta. Foi esta a ideia que Ungulani Ba Ka Khosa transmitiu ao auditório que aderiu à cerimónia na qual foi laureado Prémio José Craveirinha 2018, realizada na vila do Songo, no distrito de Cahora Bassa, em Tete, na última sexta-feira.

Visivelmente emocionado quando a Mestre-de-Cerimónias pronunciou seu pseudónimo, convidando-lhe para ir receber o cheque gigante, com aqueles números tão sedutores quando acompanhados das letrinhas mágicas USD, o escritor levantou-se com prontidão, virou-se para o público – maioritariamente constituído por alunos da escola secundária trajados de uniforme verde e branco –, levantou bem hirtos os braços como se festejasse um golo decisivo, que os mambas nunca marcam, e sorriu, como se gritasse: “o taco é meu. É meu e agora é que aqueles dois quartos que estou a construir com a minha mulher em Marracuene finalmente terminam”. O que até aí era uma cerimónia formal, com protocolos, foi transformado por Ungulani num encontro de amigos, gerando gargalhadas acompanhadas de palmas espontâneas.

Foi naquele ambiente que Ungulani Ba Ka Khosa recebeu o reconhecimento por, de acordo com os membros do Júri, constituído por Gilberto Matusse (presidente), Fátima Mendonça, Manuel Tomé, Armando Artur e Artur Bernardo (vogais), inspirar novos autores moçambicanos, que, inclusive, adoptam a forma de escrita do autor recém-laureado. Paralelamente a esse feito, a decisão de premiar Ungulani prendeu-se ao facto do escritor ter: co-fundado a revista Charrua, que contribuiu para robustecer a literatura e cultura moçambicanas, com a sugestão de um novo modelo de escrita; desempenhado funções de relevo, com impacto no país, como guionista no Instituto Nacional do Cinema, Secretário-Geral na AEMO e director no Instituto Nacional do Livro e do Disco. Na percepção dos membros do Júri, igualmente, Khosa, contribui para o crescimento da literatura e cultura moçambicanas através de intervenções e edições da sua obra no estrangeiro e por ter escrito um dos melhores livros africanos do séc. XX.

Momentos depois de receber o Prémio José Craveirinha, o escritor não se deixou levar por falsas humildades. Foi directo ao afirmar que já previa obter tal reconhecimento, pois, segundo suas próprias palavras, de todos que a HCB pagou a passagem para participarem da cerimónia, não viu um candidato tão favorito quanto ele. Mesmo sem ninguém ter-lhe dito alguma coisa, confiante, Ungulani ligou para Salomé, a esposa, e adiantou que o prémio seria seu. Previsão acertada, o autor de Ualalapi somou mais um reconhecimento literário nesses mais de 30 anos de dedicação à escrita.

MAIOR PRÉMIO LITERÁRIO DO PAÍS

O Prémio José Craveirinha foi instituído em 2003. Desse ano até 2007, o prémio distinguiu o melhor livro do ano. A partir de 2009, foi remodelado, passando, desde então, a laurear a carreira de um escritor, poeta ou ensaísta moçambicano cujo impacto da sua obra seja acentuado para o enriquecimento da arte literária e cultura moçambicanas.

Ungulani Ba Ka Khosa é o sexto autor a ser atribuído o prémio carreira que já conquistou em 2007, quando se distinguiu o livro Os sobreviventes da noite. Antes de Ungulani, venceram o prémio carreira Fátima Mendonça (2016), Luís Bernardo Honwana (2014), Lília Momplé (2012), Calane da Silva (2011) e Aldino Muianga (2009).

O Prémio José Craveirinha é uma iniciativa criada pela AEMO com patrocínio exclusivo da HCB. Com esta premiação, Ungulani Ba Ka Khosa leva para casa cerca de 1 500 000 meticais.

 

FEIRA DO LIVRO DO SONGO

A cerimónia de premiação de Ungulani Ba Kh Khosa coincidiu com a abertura da sétima edição da Feira do Livro do Songo, igualmente patrocinada pela HCB, empresa que subsidia o preço do livro em 30%, para que as comunidades e mais potenciais leitores possam conseguir pagar. O evento teve intervenção do Governador de Tete, Paulo Auade, quem considerou: “É de grande orgulho para a nossa província, quando, uma empresa de prestígio internacional, como é HCB, patrocina eventos culturais que são já uma referência a nível nacional e internacional. A Feira do Livro do Songo é uma oportunidade para os residentes desta parcela do país conhecerem de perto e interagirem com grandes nomes da literatura moçambicana”.

O principal orador na cerimónia foi Filimone Meigos, quem colocou a importância da leitura no mesmo nível que o da alimentação, pois, para o poeta, enquanto os alimentos satisfazem o organismo, a leitura enriquece a alma. E Nataniel Ngomane, presidente do Fundo Bibliográfico de Língua Portuguesa, parceiro da HCB nesta iniciativa, frisou: “Se nós lermos o bastante, vamos crescer bem e buscar melhores soluções para os problemas que afectam o país”.

 

UNGULANI BA KA KHOSA

Prémio José Craveirinha 2018

Um escritor, meus amigos, nunca pensem que tem dinheiro. Mas temos uma coisa: a paixão de escrever. E vocês, acima de tudo, vocês estudantes que têm sempre a paixão de escrever, não pensem que são melhores ou piores que os outros. Não. Todos nós somos como qualquer um. Ser escritor é paciência; ser escritor é encontrar-se. Tenho 61 anos, não tenho nada, mas há uma coisa, sou recebido por governadores. Recebem-me e recebem-me como gente.

PEDRO COUTO

PCA da HCB

O Prémio José Craveirinha é o maior de literatura nacional e um dos maiores dos países de língua oficial portuguesa. O mesmo foi instituído visando impulsionar e alargar a criação e produção literária de qualidade, distinguindo escritores nacionais que se evidenciam pelo seu mérito na concretização desse desiderato. Agradeço à Associação dos Escritores Moçambicanos por se associar à HCB, mantendo vivo o Prémio de Literatura José Craveirinha.

 

CARLOS PARADONA

Secretário-Geral da AEMO

A HCB e a AEMO, com este Prémio José Craveirinha, colhem os frutos que dignificam as nossas artes e o país em geral. Com a instituição desde galardão, os escritores moçambicanos alcançaram maior respeitabilidade nos diversos quadrantes do mundo, porque não passa despercebido do plano internacional. Este prémio foi instituído para fazer jus à dimensão do nosso poeta-mor e queremos enaltecer o comprometido da HCB com a nossa literatura.

 

GILBERTO MATUSSE
Presidente do Júri

Os membros do Júri deliberaram atribuir, por unanimidade, o Prémio José Craveirinha, edição 2018, ao escritor Ungulani Ba Ka Khosa. A decisão do Júri fundamenta-se no seguinte: o escritor, desde o lançamento da sua primeira obra, tem-se assumido como uma voz emblematicamente comprometida com trabalho original e ousado que ano após ano apresenta aos diferentes tipos de leitores inovações nos planos estético-literário, linguístico, filosófico e histórico.

 

 

 

 

Escritor publica livro a pensar na promoção da escrita de autores moçambicanos. A cerimónia de lançamento, que terá o Presidente do Fundo Bibliográfico de Língua Portuguesa como apresentador, vai realizar-se no Auditória do BCI.

Amanhã à tarde, quando forem 17h, Juvenal Bucuane vai lançar o segundo volume da trilogia Arresto de vozes (ou cúmulo discursivo literário). Enquanto no primeiro livro, lançando ano passado, Bucuane publicou textos de outros autores sobre a sua obra, neste segundo volume resolveu compilar seus prefácios, ensaios e intervenções feitas por si nas cerimónias de lançamento de livro, algumas nunca publicadas. O livro é constituído por três capítulos, dos quais um é dedicado ao período em que o autor exerceu a função de Secretário-Geral da Associação dos Escritores Moçambicanos (AEMO).

Juvenal Bucuane decidiu publicar em livro textos sobre obras de outros autores moçambicanos, neste Arresto de vozes, por julgar que tal acto é didático. “Nós sabemos como é que anda a nossa literatura em termos de publicação das recepções dos livros dos nossos escritores. Há muitos textos que são lidos apenas nas cerimónias de lançamento. Depois disso, são várias vezes esquecidos. Não se fala mais do livro. É o problema da crítica literária. Então, decidi levar os textos sobre os livros que escrevi aos leitores para evitar esse esquecimento”. Segundo entende Bucuane, os moçambicanos teimam em perder a memória literária, o que julga derivar da perda do sentido de orientação. Assim, a sociedade torna-se mais consumista do ponto de vista comercial. E acrescenta: “Coisas espirituais, que envolvem a leitura, como discutir a literatura estão muito longe das pessoas. Penso que a nossa sociedade desviou-se um pouco do hábito de leitura, onde descobrimos outras formas de vida”.

Para que o livro chegue a mais pessoas no país, de acordo com o escritor, é preciso que incida mais nos alunos secundários, “porque notamos que há muitos casos de jovens que vão à universidade com défice de conhecimento que se busca nos livros. O ministério da educação deve ocupar-se dessa tarefa. Só assim podemos reverter a situação do défice de leitura, sem grande pressão”.

Deste segundo volume do Arresto de vozes, Juvenal Bucuane espera que mais leitores conheçam as obras dos autores moçambicanos, pelo menos dos que são retratados na obra. Afirmou: “Penso que este é um bom ponto de partida para as instituições que ensinam literatura”.

A cerimónia do lançamento do segundo volume de Arresto de vozes (ou cúmulo discursivo literário) realizar-se-á no Auditório do BCI, na cidade de Maputo. Nataniel Ngomane será o apresentador do livro.

Licínio Azevedo foi o convidado, na tarde desta quarta-feira pela revista Literatas para falar da sua experiência como jornalista e cineasta. O convite foi no âmbito da exposição Pensar Futuro organizado pela revista Literatas.

O Centro Cultural Moçambicano-Alemão (CCMA) foi o local onde jornalistas, estudantes e diversos actores sociais conversaram com o director do Comboio de Sal e Açúcar. Simples no falar, dono de uma memória fina, exacta e, acima de tudo, concisa nas datas e acontecimentos: assim se mostrou o cineasta. Esta conversa foi pensada dentro da exposição Pensar Futuro. Aliás, Azevedo ocupou páginas da edição especial da revista Literatas.

Antes de "esconder" o rosto e a voz por detrás das telas, Azevedo foi jornalista que se dedicava a contar estórias e histórias da América Latina e do Mundo inteiro. Isto serviu de pretexto para accionar a conversa com o cineasta. "Eu antes de fazer cinema fui jornalista no Brasil. Conheci muitos países da América Latina por conta da profissão de jornalista. Fiz uma transição do jornalismo para o documentário e assim cheguei à ficção. Considero-me um filho do jornalismo. Muitos escritores americanos que admirava muito tinham passado pelo jornalismo. E assim segui. Era encantado pelo jornalismo americano". Assim confirmou o cineasta.

O momento serviu para reflectir, em paralelo, a situação da sétima arte a nível nacional. Para Azevedo tinha que se dar muito valor ao cinema, pois essa arte consegue levar a cultura de qualquer país para o palco do mundo. "Em moçambique o problema dramático e trágico é a inexistência de fundos para o cinema. Temos jovens que querem fazer cinema, jovens formados, todavia acabam não tendo muito sucesso para iniciar por falta de fundos. Mas é também um problema de muitos países do Mundo, expecto os Estados Unidos. Por essa dificuldade fazemos três a quatro filmes em cada três anos. E isso é muito pouco". A falta de financiamentos aos filmes acaba condicionando a sua produção e isso leva o cineasta a dizer que já não pode discutir tanto a questão da falta de críticos de cinema: "Por falta de uma produção massiva não podemos falar de críticos de cinema. Os críticos existem onde há produção de filmes com frequência. É preciso que se façam filmes para se ter críticos. Se fazemos um filme por ano que crítica teremos?"

Por sua vez o director da revista Literatas, Eduardo Quive, disse haver necessidade de sempre aproximar artistas e coloca-los a pensar. A pensar sobretudo o futuro da arte e a arte do futuro.

"O objectivo é colocar o público a dialogar com aquele que muitas vezes tem ficado muito distante: o cineasta. E deste modo pretendemos criar um espaço de conversação entre Licínio Azevedo e jornalistas. É uma forma de celebrar os seis anos do Literatas e criando este espaço de diálogo. Licínio é um artista com um pensamento sobre o país, tem memória sobre o mesmo, isso pode ser visto em seus filmes e livros. Em linhas gerais pretendemos pensar a arte do amanha a partir de hoje".

Licínio Azevedo nasceu em 1951 em Porto Alegre, Brasil. É um realizador e escritor brasileiro. Radicado em Moçambique desde 1975, é um dos fundadores da empresa moçambicana de produção de cinema Ébano Multimédia e produtor de vários longas-metragens e documentários No INC (Instituto Nacional de Cinema de Moçambique), participou em experiências de Ruy Guerra e de Jean-Luc Godard. Os seus diversos documentários foram premiados em todo o mundo. A sua primeira ficção (média-metragem) O Grande Bazar foi apresentada em inúmeros festivais.

A Colheita Do Diabo (1988), Marracuene (1990), Adeus RDA (1992), A Árvore dos Antepassados (1994), A Guerra da Água (1996), Tchuma Tchato (1997), A Ilha dos Espíritos (2010), Virgem Margarida (2012) e Comboio de Sal e Açúcar são algumas produções desse cineasta.

Desde o dia 16 de Outubro, está aberta a exposição de capas da 10ª edição da revista Literatas. A mesma, está patente no CCMA até dia 31 de Outubro e é aberta ao público.

 

 

Mais uma vez, Mia Couto é levado ao teatro. No caso, por via de um texto dramatúrgico adaptado por Joaquim Matavel, do Girassol. Assim, na versão daquele grupo teatral, Mar me quer é uma peça em que Zeca Perpétuo dedica-se a conquistar o amor da sua vida, Luarmina, numa relação que se constrói à beira mar.

O espetáculo teatral está em exibição no Teatro Avenida, na cidade de Maputo, desde dia 13 e o mesmo foi preparado durante três semanas, das quais a primeira foi dedicada ao texto e as outras duas ao cenário materializado com técnicas apreendidas da companhia de teatro João Garcia Miguel de Portugal.

Na versão do grupo Girassol, Mar me quer foi estreada no Circuito Internacional de Teatro de Luanda, em Angola. E, este mês, eis que se criou a oportunidade de apresentar ao público moçambicano.

A encenação do espectáculo teatral coube a Joaquim Matavel, mentor do Festival Internacional Teatro de Inverno, e explica a razão da preferência: “Nós pegamos nesta história de um dos nossos grandes escritores por ter a ver com o amor. Nós precisamos de nos amar cada vez mais. Além disso, esta é uma história que nos aproxima ao mar, a nós, os moçambicanos, que somos banhado pelo oceano Índico. Sentimos que de uma ou de outra forma esta peça narra a história de cada moçambicano na relação que se tem com os antepassados”.

A representar o papel de Zeca Perpétuo está, na peça, o actor Horácio Mazuze, quem considera que o espectáculo do Girassol leva ao palco uma mensagem boa de ser partilhada, “numa história bonita e que reflecte muito o amor, a compaixão e amizade comum”.

Se, por um lado, o amor está sempre no ar, por outro, há um personagem determinante na aproximação de Zeca Perpétuo e Luarmina: Avô Celestiano, o conselheiro que aparece para dar luz ao sentimento que o neto tem por Luarmina. Celestiano é o personagem de Rafael Vilanculos na peça que, na sua percepção, justifica ter sido produzida porque “Mia Couto é um escritor de dimensão internacional, com uma escrita muito funcional nos palcos, quer dizer, é muito mais fácil adaptar obras de Mia Couto para o teatro do que qualquer outro escritor moçambicano”.

A última exibição do espectáculo teatral Mar me quer está marcada para próximo sábado, às 18:30h, no Teatro Avenida, em Maputo. 

 

Sol nascente é a nova aposta da Stv para o horário nobre. A telenovela brasileira estreia depois do Jornal da Noite.

A força do querer, telenovela brasileira realizada por Glória Perez e exibida pela Stv, terminou sexta-feira. No entanto, os telespectadores daquele canal televisivo têm razões para continuarem atentos à televisão, não fosse esta segunda-feira haver uma estreia de Sol nascente, nova telenovela que vai entreter e educar os moçambicanos ao longo dos 120 episódios.

 

Sol nascente, da rede Globo, é uma história de amizade, na qual Mário (Bruno Gagliasso) e Alice (Giovanna Antonelli) crescem juntos e, desde a infância, são muito cúmplices. A amizade das famílias a que pertencem os dois personagens começa há mais de cinquenta anos. Apesar das diferenças culturais, os dois clãs familiares ajudam-se muito à chegada ao Brasil e ao longo da vida.

No enredo, o japonês Kazuo Tanaka (Luís Melo), pai de criação de Alice, e os italianos Gaetano de Angeli (Francisco Cuoco) e Geppina de Angeli (Aracy Balabanian), pais de Vittorio (Marcello Novaes) e avós de Mário, estabelecem-se numa sofisticada cidade turística, com praias paradisíacas, música, juventude e muito romance. Nessa atmosfera, Mário e Alice sempre passam férias juntos, com direito a muitos mergulhos. Quando a amiga perde a mãe, ainda criança, é Mário quem mais a ampara. O bom humor e o companheirismo do Bello, como Alice acostuma-se a chamá-lo, são importantíssimos para que ela supere o momento mais difícil de sua vida. Mas o tempo passa e, enquanto Alice se torna uma mulher objectiva e racional, Mário ainda carrega a imaturidade dos tempos da adolescência. Ainda assim, e apesar da diferença de idade, a parceria entre os dois só aumenta ao longo dos anos, e a amizade permanece sólida.

 

Não obstante, tudo muda, quando Alice afasta-se por dois anos para estudar no Japão. Mário percebe então um sentimento antes desconhecido, uma inesperada paixão pela amiga de infância. E, para conquistar a mulher que descobre ter sempre amado, ele vai precisar provar ser o homem dos sonhos dela, terá que amadurecer e transmitir-lhe segurança.

No entanto, Alice logo encontra a estabilidade emocional que tanto valoriza na figura do manipulador Cesar (Rafael Cardoso), que ela conhece no Japão. Hábil e estrategista, ele é o que se pode chamar de lobo em pele de cordeiro. O rapaz vê em Alice o alvo perfeito. Ela se encanta pelo seu jeito atencioso, determinado e maduro, e os dois começam um relacionamento. Quando retornam ao Brasil, Cesar está pronto para, com a ajuda da avó, a inescrupulosa dona Sinhá (Laura Cardoso), casar com Alice e apossar-se da empresa de pescados dos Tanaka. Mas seus motivos não são apenas financeiros, há também desejo de vingança. Um segredo do passado entre as famílias Tanaka e Cardoso será revelado no tempo certo.

Portanto, Sol Nascente, telenovela que hoje estreia na Stv, depois do Jornal da Noite, narra a improvável história de amor entre um homem e uma mulher de temperamentos opostos ligados por uma forte amizade de infância; de duas famílias de culturas bem distintas unidas por uma cumplicidade que atravessa gerações; e de uma cidade que inspira paixões, convidando visitantes e moradores a desfrutar o melhor da vida.

 

 

O pequeno escritor é o título que Júlio Silva escolheu para o seu décimo filme, concebido a pensar nos amantes da literatura moçambicana. Essencialmente, a longa-metragem retrata a paixão de uma criança pelo livro, uma criança que vai crescendo com a paixão de declamar poesia, sempre agarrada aos livros moçambicanos. Em causa está um menino humilde, que, por não poder comprar uma obra sequer, anda de casa em casa para as obter, pedindo-as. Essa paixão da criança passa a despertar interesse dos estudantes, que a procuram por reconhecer nela um mestre da poesia moçambicana.

De modo a ter no filme o maior número de livros possível, nesta tentativa de tributar a literatura e os autores nacionais Júlio Silva conta com a colaboração de alguns poetas e escritores, que lhe enviam os seus originais. O realizador adianta: “Este filme é uma aula sobre a literatura e, em particular, sobre a poesia moçambicana, com jovens que têm capacidade de declamar. Espero que este filme e disco circulem pelas escolas do país, de modo que as crianças comecem a interessar-se pela literatura, com informação sobre os nossos escritores”.

O pequeno escritor está a ser rodado nos arredores de Maputo e em Gaza, em ambientes pelo realizador/escritor considerados pobres, pois com isso pretende demostrar que a literatura não é uma arte elitista.

Paralelamente ao filme produzido pela Associação Cultural Mozbeat, Júlio Silva vai lançar, em breve, um livro, o sexto na conta pessoal, o qual leva o título As palhotas dos meus contos. A colectânea de sete narrativas retrata tudo aquilo que o autor observava nos casebres onde dormia ao longo do território nacional, quando se encontrava a fazer trabalhos de pesquisa ou a rodar filmes. Na obra, Silva aglutina o que absorveu das populações e das circunstâncias em forma de ficção. “A força do povo é oral e eu simplesmente escutava e, depois, quando ia às palhotas a fim de descansar, escrevia para não esquecer de vários momentos. Isso faz com que eu beba muito de várias culturas do país, o que me permite que escreva contos que, depois, levo-os ao cinema, como aconteceu com filme Xikwembu, Correntes da Zambézia, Montanha misteriosa e Lágrimas”.

Esta é forma encontrada por Júlio Silva para levar aos moçambicanos e aos estrangeiros o que caracteriza a cultura moçambicana, os sonhos do povo, os mitos, as crenças, as forças, as fraquezas e inspiração constante sobre a natureza. 

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