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O País – A verdade como notícia

“As marcas de um crime que nunca se apagam das memórias” é o título do livro do Comandante-geral da PRM a ser lançado na próxima segunda-feira em Maputo.

A ser lançado em três línguas, português, inglês e Francês o actual Comandante-geral da Polícia diz que transporta, neste livro, a sua convivência com o mundo do crime e revela alguns episódios por si assistidos no dia-a-dia que nunca se apagaram da sua memória. Aqui o autor diz que traz o que viu e viveu como polícia. Bernardino Rafael falou sobre o conteúdo que pode ser encontrado no seu livro de memórias.

“Escrevi este livro para transportar a convivência que tenho e tive com o crime como profissional; transportei o que eu tomei como ocorrência de tantos crimes que me marcaram a memória e que nunca se vão apagar. Todo crime deixa uma marca e eu tenho muitas marcas que me ficaram”, disse o autor.

O assassinato do primeiro presidente do Conselho Municipal do Xai-Xai, Faquir Bay Nalagi, constitui uma das marcas que marcou a vida profissional do actual Comandante-geral da Polícia. Esta obra, nos dizeres do autor, é uma confissão de um profissional que viu a banalização da vida humana pelos esquemas do crime.

A obra será lançada na próxima segunda-feira na baixa da cidade de Maputo e espera-se a participação de diversos actores sociais.

As actividades artísticas programadas para este ano chegaram ao fim, no Centro Cultural Franco-Moçambicano, cidade de Maputo. De modo a encerrar o ciclo de eventos que se têm realizado naquela instituição ao longo dos 12 meses do ano, o Franco organizou um concerto designado “Festa de encerramento: Flávia Coelho live soundsystem & convidados”. O mesmo está marcado para próxima sexta-feira, a partir das 20h30, no jardim do Franco-Moçambicano.

Esta não é a primeira vez que Flávia Coelho vem a Moçambique. No último mês de Maio, foi uma das cantoras que actuou num dos palcos do Festival AZGO, realizado no Campus Universitário da Universidade Eduardo Mondlane, na capital do país. Com efeito, depois dessa performance, a cantora brasileira volta à Cidade das Acácias para encerrar as actividades do Centro Cultural Franco-Moçambicano relativas a 2018.

Com efeito, no espectáculo de sexta-feira, Flávia Coelho não vai actuar sozinha, afinal Regina Santos (vocalista dos Gran’Mah), Onésia Muholove, Ras Skunk e a sul-africana Noma Nyiki também fazem parte de um cartaz que inclui ainda Dub Rui, que fará o DJ set de abertura e encerramento do evento.

Flávia Coelho é uma autora que percorreu vários cantos do mundo, desde os morros do Rio de Janeiro, no Brasil, até às ruas pavimentadas de Paris, na França. No seu último álbum, Sonho real, assim como no palco, a cantora desdobra o seu ser e a sua alma! Com uma tradição de soundsystems jamaicanos que abalaram a sua infância no Nordeste do Brasil, Flávia equilibra os seus fluxos em ritmos originais, remixando clássicos, do Roots Reggae à Cumbia, passando pelas sonoridades mais electro.

Um raio de sol, um convite para dança!
Portanto, no derradeiro espectáculo do Franco-Moçambiicano, para este ano, o Palco do jardim será o local do encontro.

A fim de encerrar o ano académico 2018, a Escola de Comunicação e Artes (ECA) da Universidade Eduardo Mondlane (UEM) organiza “Opera Mwango e Mwanga a partir de Bastien und Bastienne”, de W. A. Mozart. O espectáculo que junta no palco estudantes e professores, artistas daquela instituição de ensino superior, vai realizar-se quinta-feira, a partir das 18h, no Centro Cultural da UEM, na cidade de Maputo.

Esta é a primeira vez que, segundo Venâncio Calisto, encenador do espectáculo, se realiza uma ópera de Mozart no país. “O que nos faz escolhe-lo é a sua qualidade, temporalidade e universalidade. Mozart marcou tanto a humanidade com a sua obra que é uma oportunidade de ampliar horizontes dos estudantes da ECA que estão a ter a oportunidade de fazer o espectáculo”, entende Calisto.

De igual modo, os organizadores desta ópera pretendem mostrar ao público moçambicano as valências dos estudantes da ECA, colocando-os a interagir com os seus docentes. Os mais implicados no espectáculo são professores e estudantes dos cursos de Música e de Teatro.

Neste espectáculo à moda Mozart, os artistas moçambicanos adaptaram muitas coisas, como os espaços e o contexto: “Fizemos adptação onomástica e geográfica da ópera de Mozart, o que implicou transformar os nomes Bastien und Bastienne para Mwango e Mwanga. Além disso, em termos geográficos a cena que se passa originalmente numa aldeia europeia passou a desenrolar-se numa aldeia de Cabo Delgado, onde fomos buscar os nomes Mwango e Mwanga”.

O espectáculo da ECA vai durar 50 minutos. No evento, os cantores vão cantar em alemão e os actores farão diálogos em português, usando a linguagem corporal, movimento e dança.

Mais de 40 pessoas estão envolvidas no espectáculo, entre actores, músicos e equipa técnica. Desse universo, os artistas principais são Horácio Guiamba (Mwango), Joana Balango (Mwanga), Dadivo José (Nyanga) e Josefina Massango (Senhora da Palhota Grande). A Coordenação-Geral do espectáculo é de Vítor Gonçalves; Direcção de Produção foi confiada a Fernando Macamo; Feliciano de Castro é o mastro; Cenografia, figurino e adereços estão na responsabilidade de Sara Graça e a preparação vocal tem direcção de Stela Mendonça.

“Esperamos que este concerto sirva para colocar o nosso público em contacto com o clássico. É importante que conheçamos os clássicos porque contribuem para a nossa formação artística. Muitas vezes as pessoas dizem que os clássicos são europeus. Não. São da humanidade”, afirmou Venâncio Calisto.

 

Adelino Timóteo vai lançar mais um livro. Intitulado A volúpia da pedra, a colectânea de poesia será apresentada ao público às 18h desta segunda-feira, no Centro Cultural Português, Pólo – Beira.

Na nova odisseia literária, o poeta quis exprimir o que considera relação biunívoca entre o sujeito poético e o objecto da sua escrita, a pedra. Esta relação é ao mesmo tempo dual, porque decorre da intimidade entre o sujeito-poético e a pessoa amada, personificada na pedra, transfigurada, também, na poesia. “No fundo, pretendi evocar uma nova inquietação dentro da minha poesia, de cunho afectiva, mas procurando salvar o que parecia gasto, inovar-me. É assim: onde antes o sujeito-poético amava uma mulher, neste livro ele fá-lo a uma pedra”.

Na verdade, neste A volúpia da pedra há muito jogo metafórico a envolver a imagem da mulher e da pedra. Sobre esta ocorrência, Timóteo explica que tal deve-se a uma catarse dentro do seu enunciado poético, afinal a escrita do livro decorre dentro de ilusões e alucinações, pois por vezes o sujeito-poético está dividido entre a pedra e a mulher, que no fundo se fundem num discurso único.

Embora o livro seja curto, possui apenas 39 páginas, o poeta investiu, como lhe é característico, num texto profundo e prolongado, porque, segundo o autor, os poetas são seres inconformados. Assim, “um poema é a reescrita do anterior, um encadeamento de várias circunstâncias e situações, na minha poesia em prosa. Daí há a persistência nas alusões e na recuperação do enunciado. Se quiser, a poesia que é, senão o eco, a repetição das ressonâncias físicas e sonoras, de há milhares de anos. Dizer a pedra, dizer a mulher, é inceptar a fuga para um tempo arcaico, remoto”. Referindo-se ainda ao novo livro, Adelino esclarece: “No fundo eu pretendia dialogar com as vozes que fundaram os textos da antiguidade, sendo a pedra um objecto primigénio, milenar, tão velho como o mundo, tão velho e novo como a própria poesia, sendo ela o rosto visível e invisível de uma mulher que pretendi esconder por detrás da pedra e da palavra, por detrás da poesia, tornando-a mítica, misteriosa, aliás, como o é a escrita própria, a própria poesia”.

Adelino Timóteo assume que tem uma relação afectiva muita antiga com a pedra. “Recordo-me, em miúdo, eu via uma pedra gira, lapidada, escultural e a recolhia ao bolso. Passaram-me muitas afectividades entre mim e ela. Mas essa afectividade precipitava e estrangulava-se sempre que um empregado em casa tomava os meus calções e os punha no lava-roupa. Vejo nisto tudo um jogo, um encanto, uma busca de leveza, mesmo sabendo que a pedra é opaca, rija e obtusa. Vejo em tudo isso, nesta afectividade, a transfiguração do humanismo, da paz, porque a pedra, domesticada, sabe ser quieta, sabe se comportar como se fora a pessoa ideal, a servir-nos, a cumprir ou dispor-se, nos meus caprichos. E isto porque não conheço poeta que não seja caprichoso, no bom sentido de pretender domesticar a ambiência ao redor”.

A volúpia da pedra foi escrito e reescrito mais ou menos 15 vezes. Adelino burilou-o até à exaustão. “Enquanto não me fartei de escrever e rescrever este livro nunca o dei por pronto. E para mim esse diálogo inscreve-se no afecto, numa relação de cumplicidade, graças a visões que recebia ao longo da escrita. Eu preferia dizer um diálogo de enamoramento entre o poeta, a pedra e a poesia. É em síntese o que pretendi que fosse A volúpia da pedra.

Nesta aventura literária, Adelino Timóteo reconhece por via da poesia o que move o homem: a dimensão física e metafísica, a sede de amar, a sede de partir ao desconhecido e chegar, a aventura. A dimensão do amor, a dimensão de afectividade.

“Este livro é também a chegada a Ítaca, com os meus mitos, os meus desejos e sonhos, depois de exorcismar os fantasmas, depois de limpar o lixo que nos envolve, faço uma longa travessia. Movo-me na direcção do essencial: a mulher”.

Adelino Timóteo espera que os seus leitores encontrem, nesta aventura, não a cisão do poeta com a poesia intimista, mas com a forma com que vai dizer e escrever a poesia.
 

A Fundação Fernando Leite Couto vai dedicar o dia 11 de Dezembro ao livro “A descrição das sombras” de M. P. Bonde. Trata-se de um festim literário diário que se enquadra na iniciativa “Vamos celebrar a literatura”. A iniciativa teve início no dia 07 e terminará no dia 21 de Dezembro. Os livros que são promovidos neste “Natal Literário” contam com 30% de desconto na compra.

“Espero conversar com o público sobre o meu processo criativo, minhas influências e sobre a jovem literatura moçambicana”, disse o poeta M. P. Bonde que recentemente ficou em segundo lugar no Prémio Escriba da Poesia 2018, no Brasil.

“A Descrição das Sombras” foi a obra vencedora, em 2017, da primeira edição do concurso literário Fernando Leite Couto. Na altura o júri adjectivou a obra como sendo uma produção poética que se constrói num discurso centrado no “eu” lírico e na visão contemplativa do autor.

Luís Carlos Patraquim, o 4.º lugar, Prémio Oceanos de literatura de língua portuguesa, “o deus restante” escreveu sobre “A descrição das sombras”: “a poesia de Bonde tem como patrono um poeta lírico, delicado e luminoso e universal, que pegue no cajado nodoso do pastoreio dos gados de deus e lhes alime as farpas e as aguce se necessário e lentamente, por uma vida longa, ao menos contemple o ouro alquímico”.

A última longa-metragem de Licínio Azevedo, Comboio de sal e açúcar, continua a destacar-se no estrangeiro. Depois de Melanie de Vales ter recebido o prémio para “Melhor Jovem actriz Africana”, reconhecimento da Academia Sotigui, o actor angolano, Matamba Joaquim, protagonista de Comboio de sal e açúcar, com o papel Tenente Taiar, foi distinguido como “Novo Talento” na 11ª dos Prémios para Actores de Cinema da Fundação G.D.A. – Gestão dos Direitos dos Artistas, numa cerimónia realizada na capital portuguesa, última terça-feira.

Além da distinção dos principais actores da longa-metragem de Azevedo, Comboio de sal e açúcar já recebeu vários prémios em festivais internacionais, tais como o Tanit de Ouro do Festival de Carthage, na Tunísia, para a Melhor longa-metragem de Ficção.

Para Licínio Azevedo, os últimos prémios, e que foram ganhos em simultâneo, nesta semana, foram inesperados pois o filme praticamente já encerrou a sua apresentação em festivais. “Foi uma surpresa muito agradável por este motivo e por serem os prémios que faltavam, prémios para os actores, os dois actores principais. Assim o filme encerra o ano com chave de ouro”, confessou o cineasta, convicto de Comboio de sal e açúcar valoriza muito o trabalho dos actores envolvidos, daí Melanie e Matamba terem sido laureados.

Até há dias, o filme de Azevedo havia ganho prémios para a obra no seu conjunto, como prémio de imagem, de guião e realização. Com a consagração de Melanie de Vales, sábado, no Burquina Fasso, e Matamba Joaquim, terça-feira, em Portugal, as coisas não poderiam ser tão formidáveis para Azevedo.

Acumulados tantos prémios, qual pode ser o ganho directo ou indirecto do facto de o filme estar a destacar-se tanto no estrangeiro? Licínio Azevedo responde: “Espero sempre o mesmo, que o reconhecimento da qualidade do nosso último trabalho facilite a existência do próximo. O nosso último filme tem que ser sempre o melhor da nossa carreira, se não for assim fica difícil conseguir juntar os recursos necessários para o próximo”.

Se, por um lado, Comboio de sal e açúcar destacou-se, primeiro, no estrangeiro, por outro não deixou de se valorizar internamente. Concorreu, para o efeito, a exibição nas salas de cinema e pelo Cinemarena (Cinema Móvel, da Amocine) nas estações de comboio da linha norte, onde a história se passa, durante o mundial de futebol, tendo sido visto por mais vinte mil pessoas.

Mesmo estando a destacar-se tanto com o seu último filme, as coisas não ficaram facilitadas para a produção da próxima obra de Licínio Azevedo. O cineasta vai lutando, com esperanças de que o sucesso de Comboio de sal açúcar vai abrir-lhes portas e janelas, afinal o cinema vive de financiamento e coisas de género.

Já agora, qual é o prémio que lhe falta ganhar com o filme? “O prémio será conseguir, exactamente, realizar o meu próximo projecto com as condições necessárias. Prémios em si, para o filme, já recebemos todos os possíveis, nas diversas áreas que envolvem a sétima arte”.

Há muito tempo que Anita Macuácua vem confeccionado os seus “xidossanas”. Finalmente, a obra está pronta e já pode ser partilhada com o público. O aguardado acto de lançamento do mais recente trabalho discográfico de Anita Macuácua será  na próxima sexta-feira no Big Brother, palco que há muito, não recebia espectáculos, e que pela primeira vez recebe mais de 30 músicos num único espectáculo.

“Estou a festejar o lançamento de mais um filho, que tem músicas já conhecidas, e também trago no álbum faixas novas para surpreender aos meus fãs e ao público em geral”, explicou a autora do álbum.

O “doce” de Anita Macuácua tem no total 15 faixas, duas das quais são músicas bónus e, conta com a participação de artistas de renome como são os casos do músico António Marcos.

A fim de divulgar o seu novo disco, a cantora está a preparar um espectáculo marcado para próxima sexta-feira no Big Brother, um evento que se espera que seja para todas gerações.

“O álbum tem ritmos diferentes, são músicas carregadas de emoção, mas cada música a puxar pela nossa emoção, e cada uma puxa para uma vertente diferente” explicou a cantora que se fazia acompanhar por parte dos artistas que irão participar do espectáculo.

Uma das estrelas, e porque não lendas da música moçambicana que a acompanhava, era António Marcos, fonte da receita para produzir xidossanas. Para ele, palavras são desnecessárias porque o disco de Anita Macuácua é a prova de que o legado foi passado.

“É uma honra continuar vivo e ver o fruto do que plantei” começou por dizer o dono da célebre música intitulada “Antoninho Mayengane”, tendo depois acrescentado que “espera que os restantes irmãos e irmãs dela também dêem a mão o mais forte possível, e que sigam o exemplo da Anita Macuácua”

Mas no palco não serão servidos apenas os doces de Anita Macuácua e António Marcos. De igual modo, cantoras como Dama Bling vão levar ao público emoções destes e de outros tempos.

“Foi a melhor altura que escolheste para fazer este evento, porque quando chega este mês de Dezembro, todos nós ficamos focados em diversão” disse a notável Rapper, que também garantiu que vai actuar de forma electrizante neste espectáculo.

Dias depois de vencer o Prémio INCM/ Eugénio Lisboa, Aurélio Furdela protesta contra o silêncio da crítica literária moçambicana e minimiza o valor monetário há pouco encaixado.  

Aurélio Furdela é um escritor já habituado a vencer concursos literários. Um ano depois de ter sido laureado Prémio Literário 10 de Novembro, eis que o escritor volta a destacar-se como o grande vencedor do Imprensa Nacional Casa da Moeda (INCM)/ Eugénio Lisboa.

Apesar de não se apegar ao valor monetário dos prémios, que neste caso oferece cinco mil euros, cerca de 350 mil meticais, o prémio conquistado, para Aurélio Furdela, reveste-se de um grande significado, sobretudo nesta fase em que, segundo o escritor, a crítica não acompanha a qualidade literária dos autores moçambicanos. “Os escritores no nosso país estão marginalizados pela ausência da crítica literária. Por isso, infelizmente, há uma tendência de se pensar que o que legitima o escritor são os prémios. Já ninguém presta atenção no que se está a escrever actualmente, e isso não deve continuar assim”, afirmou Furdela, amuado.

Colocando as coisas no domínio da questão estética, o novo prémio INCM/ Eugénio Lisboa encontra neste reconhecimento um farol que lhe ajuda a perceber em que nível se encontra,  sublinhando: “Mas não me deixo iludir pelos prémios literários, que dependem dos membros do júri, da avaliação de quem lê. Se calhar, se fossem outros membros de júri nem ganharia esta edição. Os prémios pouco importam”.   

A obra de Furdela premiada é intitulada Saga d’Ouro. Na altura em que submeteu o texto, o autor estava a escrever dois romances em simultâneo. Optou por aquele que se encontrava mais ou menos pronto para concorrer quando o regulamento chegou-lhe às mãos. Além desses dois romances, Furdela tem um livro de contos pronto para sair. Enquanto isso não acontece, o escritor revela que sempre teve um projecto literário, que atravessa etapas, as quais, inclusive, obrigaram-no a voltar à carteira para estudar História, por ter uma paixão pelo romance histórico. Paralelamente a essa paixão, Furdela quer voltar a recuperar a escrita do texto dramático, que abandonou há anos. E quanto à Saga d’Ouro? “Espero que os meus leitores encontrem neste livro um Furdela mais maduro, ousado e que se identifiquem com o texto”.

Saga d’Ouro foi escrito em mais ou menos quatro anos e é o segundo prémio INCM/ Eugénio Lisboa, depois de Mundo grave, da autoria de Pedro Pereira Lopes, distinguido ano passado.  

O júri que decidiu premiar Saga d’Ouro foi constituído por Ungulani Ba Ka Khosa (Presidente), Teresa Manjate e Paula Mendes. De acordo com uma nota enviada pelo Camões – Centro Cultural Português, citando a acta do júri, a atribuição do Prémio Literário INCM/Eugénio Lisboa a Saga d’Ouro, num universo de 15 candidaturas, “deve-se ao facto da escrita acurada a nível linguístico e por manifestar um domínio sobre as técnicas da narrativa. Nesta edição do prémio, houve ainda uma menção honrosa à obra Sonhos manchados, sonhos vividos, de Agnaldo Bata.

O LIVRO PREMIADO

Saga d’Ouro é uma história cuja trama assenta-se no choque cultural gerado pelo contacto entre África Ásia e Europa, recuperando como conflito a expedição militar de Francisco Barreto, em 1571, enviada pelos portugueses de vingar a morte do padre Gonçalo da Silveira, que, a misturar algumas frustrações amorosas, é acusado, por instigação de quem defendia interesses asiáticos, de prática de feitiçaria e  morto por decreto do soberano africano. No entanto, o enredo não perde de vista os interesses económicos da expedição portuguesa, virada à conquista das zonas produtoras do ouro. Esta é uma história de ficção que Furdela pretende explorar em três volumes.

 A BI(BLI)OGRAFIA DE UM AUTOR

Aurélio Furdela nasceu em 1973, em Maputo, e é licenciado em História, pela UEM. É escritor, dramaturgo, guionista e letrista. No seu percurso literário publicou: De medo morreu o susto; O golo que meteu o árbitro; As hienas também sorriem. Escreveu e publicou peças originais para o programa de teatro radiofónico “Cena Aberta”, da Rádio Moçambique, como “Gatsi Lucere”, publicada posteriormente em livro. Como letrista é autor da canção oficial da X Edição do Festival Nacional da Cultura – 2018, realizado no Niassa . Além do Eugénio Lisboa, Furdela foi, entre vários, distinguido com os prémios: Revelação de Literatura AEMO/Instituto Camões (2003); Prémio Revelação de Texto Dramático AMOLP/Instituto Camões (2003) e 10 de Novembro (2017).

Pela primeira vez, a colectiva “Gerações wagaya” é apresentada na Cidade de Maputo. A exposição está patente Centro Cultural Brasil-Moçambique e foi inaugurada pelo ministro da Cultura e Turismo.

Movidos pelo mesmo ideal de cantar o imaginário ligado à província de Inhambane, 11 artistas plásticos juntaram-se para expor “Gerações wagaya”. A colectiva patente no Centro Cultural Brasil-Moçambique (CCBM), na cidade de Maputo, até dia 28, é constituída por obras de A. Razão, Arlindo Massingue, Azevedo Munhaua, Chana de Sá, Huwana Rubi, Egídio Mugime, Mangga, Muando, P. Mourana, Rita Macarrala e Sebastião Matsinhe.

A cerimónia de inauguração da exposição realizou-se na noite desta terça-feira, tendo contado com a presença do Ministro da Cultura e Turismo, igualmente artista plástico. Na verdade, Silva Dunduro é o autor moral da realização da quarta edição de “Gerações wagaya” na capital do país. Tudo começou quando o governante, numa visita à Casa da Cultura de Inhambane, há três anos, apreciou uma exposição permanente dos artistas residentes naquela província. Nisso, Dunduro propôs que os artistas plásticos ousassem levar o movimento a outras salas. Calhou o CCBM, na cidade de Maputo, espaço muito concorrido no dia inaugural da exposição.
Debruçando-se sobre a colectiva, Silva Dunduro afirmou estar à espera que autores de outras províncias das regiões Centro e Norte sigam o exemplo para que o país se reencontre através das artes e da cultura.

“Gerações wagaya” é uma colectiva organizada pelo Ministério da Cultura e Turismo e tem como curadores Fernando Rafael Fanheiro e Jorge Dias, Director do Centro Cultural Brasil-Moçambique. Nas obras que a constituem, podem encontrar-se técnicas e estilos bem diferentes. Desde desenho à escultura, abstracto à paisagem, do acrílico à reciclagem, “wagaya” (que em português quer dizer da terra), destaca o protagonismo da cor viva, unindo o tradicional e o contemporâneo.

Dos 11 artistas plásticos em exposição na colectiva, duas são mulheres: Rita Macarrala e Huwana Rubi.

 

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