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O País – A verdade como notícia

Com a aprovação da Lei do Cinema, abriu-se uma janela de esperanças para os cineastas moçambicanos. No entanto, não se passou disso. De esperança em esperança, chegou-se à decepção, pois, segundo Sol de Carvalho, o que era para ser um ano de mudanças positivas acabou sendo mais um longo período em que os cineastas caminham sozinhos, sem apoio interno.

“Tenho pena de dizer que não posso estar muito satisfeito com o que 2018 foi em termos de cinema”. Assim começou o discurso de Sol de Carvalho ao referir-se aos feitos alcançados pelo país nos últimos meses, pois olhando para trás, o realizador vê expectativas frustradas em relação às medidas que já deviam ter entrado em vigor para impulsionar o fomento à sétima arte.

Sol de Carvalho acredita que a esta altura o cinema moçambicano pudesse estar a gozar de um bom momento, fruto de mudanças fortes porque em Janeiro de 2017 foi aprovada a Lei do Cinema e logo a seguir o regulamento, o qual dizia que no dia 31 de Outubro a instituição encarregue pelo cinema no país iria publicar no seu site ou nos órgãos de comunicação social os regulamentos dos concursos que seriam lançados no ano seguinte. A verdade é que em 2017 e em 2018 não houve mais informação a respeito. Aquilo que seria a grande mudança que os cineastas aguardavam, que era o Estado dar finalmente um apoio, não existiu, mesmo na sequência de uma Lei que tinha sido aprovada por unanimidade no Parlamento, onde nem houve conflitos de interesses dos partidos. “Sabemos, porque, enfim, a cidade é pequena e falamos uns com os outros, que alguns passos foram dados no sentido de as televisões privadas e operadores de televisão passarem a dar uma percentagem para o apoio ao cinema, mas não aconteceu nada específico até agora, pelo menos ao nível público não.

Esta situação de abandono é infeliz, segundo Sol de Carvalho, pois, explica: “nós, os cineastas, não podemos produzir filmes sem ter o mínimo de recursos financeiros. O cinema e o teatro são manifestações em que, logo à partida, temos que investir dinheiro em equipamento e tantas outras coisas.

Considerando a história do cinema moçambicano, esperávamos que esse apoio aos cineastas tivesse acontecido este ano”.

Se, por um lado, tarda a materialização de uma lei aprovada por unanimidade, por outro, o país peca por não conseguir garantir quadros qualificados para a produção da sétima arte.

“A formação que está sendo feita em Moçambique, ao nível do cinema, no meu entender, não é satisfatória, ou seja, não permite que pessoas que estão a sair da universidade com uma toga ou um chapéu possam ser lançados ao mercado e fazer cinema de Moçambique. Eles vão fazer cinema da mesma maneira que eu posso jogar futebol, sem ser um jogador profissional. Talento existe e é muito, nunca deixamos de ter ao longo desses ano que se seguiram a independência nacinal, mas a formação é fraca”. E Sol de Carvalho acrescenta, adiantando uma sugestão: “É preciso que as instituições responsáveis por esta área tomem em atenção que não basta estar a dar um curso de formação e dar um doutorado para depois dizer-se que essa pessoa pode fazer cinema. Não pode. Nada vale ter um doutorado se não se consegue correr. Temos que preparar de forma devida os nossos formandos. É uma questão de apoio e suporte. Eu trabalhei com alguns alunos para o meu último filme e fiquei espantado com a falta de conhecimento que eles tinham. Fiquei satisfeito pela disponibilidade e interesse”.

Este ano, Sol de Carvalho estreou Mabata Bata, no Cine Scala, na cidade de Maputo, filme adaptado do texto de Mia Couto, um dos que constitui o livro Vozes anoitecidas, publicado há mais de 30 anos. Neste Janeiro, a exibição terá lugar no Chibuto, província de Gaza, e em Inhambane. De acordo com o cineasta, o filme está a ser muito bem recebido. As pessoas gostam muito da ideia do filme ser falado em changana. É importante tentarmos fixar línguas locais. Internacionalmente, já ganhei dois prémios e espero coloca-lo em cinco festivais”.

BOM ANO EM TERMOS DE PRODUÇÃO
Ainda que tenha faltado apoio interno à realização de filmes, em termos de produção anual, 2018 foi um bom ano, segundo entende Yara Costa Pereira, realizadora que estrou há seis meses Entre eu e Deus, seu primeiro documentário longa-metragem, a qual teve boa repercussão. Para este 2019, à imagem de Sol de Carvalho e tantos outros cineastas nacionais, Yara Costa Pereira espera maior fomento ao cinema, desde apoio para produção das obras até à distribuição. Assim, acredita a artista, será possível contar melhores histórias sobre Moçambique e os moçambicanos.

O investigador do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra António Pinto Ribeiro afirmou, em Paris, que em Portugal há um "problema gravíssimo" de não haver listagens das obras de arte que podem ser reclamadas pelas ex-colónias.

"Em Portugal, temos um problema gravíssimo: não há listagens (de peças de arte vindas das antigas colónias) nem em relação aos museus, nem aos arquivos. Muitos destes objectos estão nas reservas, nem sequer estão expostos. Podem ser 10 mil, 50 mil ou 80 mil. Os próprios directores dos museus não sabem", afirmou o ex-curador da Fundação Gulbenkian, defendendo que esta deverá ser "uma tarefa prioritária" dos próximos governos.

O investigador, ex-curador da Culturgest, esteve na delegação da Fundação Calouste Gulbenkian em Paris, onde falou sobre a problemática da descolonização dos museus, coincidindo com o dia em que foram parcialmente conhecidas as conclusões do relatório, pedido pelo Presidente de França, Emmanuel Macron, sobre a restituição de colecções de arte africana existentes em França.

Por: Maria do Rosário Amaral, Prof., docente na Universidade Pedagógica da Beira

A obra “mundo grave” é uma narrativa policial. Considerado irmão menor das letras, o romance policial não é foco de atenção da crítica, o que leva, por vezes, ao equívoco de supor improcedente a sua análise.

Exposta a observação, foquemo-nos no livro. À semelhança de qualquer outro livro do mesmo género (lembremos Agatha Christie ou Conan Doyle e os seus investigadores Hercule Poirot e Sherlock Holmes), “mundo grave”, ainda que integre aspectos tanto do romance de detective como do de polícia, surge-nos estruturado de forma modelar e com normativos de todos conhecidos: um vilão (‘um vulto invisível’, inicialmente, e mais tarde sob o nome de “Azevedo Marroquim”) altera a ordem socialmente estabelecida, pela prática “do clássico crime perfeito” ou de vários crimes –, sobrepondo-se às leis ou à justiça, num ajuste de contas com o assassino, pela morte de uma prostituta de nome ‘Shonga’, que amara com paixão profunda e desenfreada, gerando o caos; um narrador que complexifica, adensa uma trama (dividida por vários capítulos e distribuída por duas partes), fonte de mistério, e deixa cair a dúvida, a incerteza e a hesitação sobre os ou o potencial infractor.

Um leitor entretém-se, mercê da sua própria lógica, a colocar as peças num puzzle que sabe, à partida, que só um detective ou um policial arguto – “Costley Liyongo” –, de discernimento invulgar, acabará por solucionar. É o narrador que se adianta ao leitor, sem que este dê por ela!

Um complemento à narrativa é-nos apresentado entre os capítulos vinte e oito e quarenta: o desvelamento dos antecedentes que determinam a morte da família do investigador. É a história dentro da história (a chamada “narrativa moldura”), sombras a si coladas, que contraem a obrigação de procurar no irracional a razão do aparente inexplicável e que a primeira parte deixa inconclusiva.

No relato da sequência de eventos procurou Pedro Pereira Lopes provocar, em quem lê, alguma estranheza. Transgressões às regras de pontuação, a lembrar, de algum modo, entre outros, o galardoado com o prémio Camões em 1995 e Nobel da Literatura em 1998, José Saramago, com o uso de minúsculas após ponto final ou parágrafo, ou após os nomes próprios, apelidos e as siglas das instituições; as vírgulas dobradas/aspas onde classicamente encontramos os dois pontos e o travessão. Podemos, então, falar do estilo do autor. Cada criador procura dar um cunho pessoal à sua obra, digamos, deixar a sua marca.

No “mundo grave”, Pedro Pereira Lopes insere o decorrer da acção num contexto que considera as próprias coisas, emprestando à diegese uma imagem verídica – o bar da casa da cultura no alto-maé, uma suite de hotel que ruía aos bocaditos, a frente do teatro gilberto mendes, a feira popular e a marginal ou a casa do capitão em Inhambane.

A visão da realidade também nos é dada pelo carácter de um autor que se exprime sem rodeios, de maneira crua, às vezes de digestão difícil, em temas que se sobrepõem. Um deles é o da pobreza – material e imaterial – e da sua integração no ambiente familiar. Com a conivência de todos, progenitores e descendentes, “Shonga”, aprende cedo a arte de sedução, do amor comprado e vendido, para ajudar a suprir as faltas na casa.

Formas de lenocínio podem ser encontradas noutras personagens: companheiros e companheiras mais velhas de “Shonga”, mas igualmente nos que supervisionam e coordenam acções de contra aliciamento, acabando por fruir da própria inércia e incapacidade das instituições, ou a de actuar à sua margem, p.65: depois do enterro, azevedo marroquim levou as cinco mulheres às suas casas. algumas moravam em tão remotos e novos subúrbios que o asfalto não existia, em um deles, que crescia sem alguma planificação do espaço, a água canalizada e a corrente eléctrica eram um sonho longínquo. azevedo pareceu condoer-se com o infortúnio daquelas mulheres, a vida era dura para elas do mesmo modo que fora para shonga.

Outra realidade subjacente à diegese é a da liberdade, mas também a do desregramento, da vida libertina, fronteiras ténues quando falamos da dualidade África – Eros. Ligada pelo cordão umbilical à terra fértil, fecunda, a menina africana chega cedo a mulher. E desenvolve-se agindo de acordo com as leis da sua natureza, igualando-se, nas pulsões, ao elemento masculino, a lembrar um tempo anterior aos imperativos de qualquer ordem, seja o da família – mesmo a alargada –, seja o civilizacional.

Uma das personagens do “mundo grave”, situa-a Pedro Pereira Lopes, sob o signo não da procriação, mas no da criação. Livre demonstra ser “Shonga”, quando recusa o papel (profusamente instituído em qualquer sociedade) de mulher e mãe, rejeitando qualquer dominação; ou quando, já não precisando do dinheiro para ajudar a família, mantém, por gosto, a prática da troca de favores. É a vida fascinante, temulenta, que suspende a eficácia das normas, que se acena ao leitor. É o puro prazer dos sentidos, é o dionisíaco e não o apolíneo, componente presente em todas as latitudes e em todas as épocas, aliás, tão velha quanto o tempo.

A vingança, por força do subgénero em que se inclui, é peça primordial de um jogo de que o leitor já participa desde que iniciou a apreensão do sentido do texto. Duas leituras se entrecruzam: uma, a das imagens primordiais, dos resíduos primitivos, da relação contingente entre o masculino e o feminino, que continuam a agir no seio da civilização; outra, paradoxalmente contrária, a do restabelecimento da ordem numa situação de desordem e que carrega consigo um dos elementos simbólicos que constituem o equilíbrio da convivência social, o do sentido de justiça. A inexistência de uma explicação, a ausência do nome de um culpado, mesmo que sem culpa, apenas presumível, é directamente proporcional à ineficácia da aplicação da lei. Um crime não pode ficar sem castigo.Com o objectivo de reduzir a impunidade desacreditando na polícia de investigação criminal, uma outra personagem vai eliminando, um por um, todos os que lhe parecem ser culpados, sem questionar, uma só vez, já não a legalidade, mas a legitimidade da sua actuação.

A par do plausível, crível, surge a temática canónica, do domínio do realismo mágico, que Pedro Pereira Lopes plasma ao longo de toda a intriga – a da crença, a do mundo da magia africana.

Uma forma primitiva de pensamento conduz o leitor pelo mundo do fantástico, pelas determinações eleitas por obra de um espírito que superintende, que guia as acções dos seres humanos e que exige obediência:

Pp. 61-62: “esta é a casa dos mortos!” (…) “deves procurar ajuda”, disse o velho.

azevedo marroquim assustou-se, estava sobre uma sepultura, o homem estava do outro lado …. “vai-te daqui enquanto tens tempo”

Pp. 222-223 [costley liyongo] telefonou ao curandeiro […] que perdeu ainda alguns minutos dissertando sobre os mortos [….] temos um problema … o amazimu ainda está entre nós e não vai parar enquanto não se sentir vingado.

P. 224-226: […] o livro de magia …

Totalidade dos capítulos 38 e 39:

P. 247: no mesmo instante, o curandeiro surgiu, […] e começou a dizer umas palavras sem sentido.

Não há pensamento crítico, não há lugar à capacidade reflexiva nem à discussão. Apenas um mediador, que interpreta o agir humano. A redenção, – algo que pertence ao foro do fenomenológico e não ao do ontológico –, a libertação do espírito que ficou cativo entre os vivos por uma morte fora do tempo próprio, é necessária, para a devolução da paz. O mediador, peça importante do xadrez, apenas sabe, intui e aconselha. A ordem tem de substituir o caos e assim se volta ao início da narrativa, devolvendo à terra-mãe, a materialidade, o corpo, e ao mundo dos mortos a imaterialidade.

Toda esta aparente insensatez nos é dada por Pedro Pereira Lopes, de forma criativa e bem-humorada:

Pp.193 e 194: o investigador meditava sobre a fonte daquela informação, afinal, ele mesmo tinha colocado um nome falso nos depoimentos, para fechar o número de clientes que shonga recebera horas antes da sua morte. logo que regressara de inhambane-céu, liyongo buscara pelos serviços de uma prostituta, e lhe calhara, ironia do narrador, a shonga, o resto é parte da história que lhes tenho estado a contar.

P. 203: [O director-geral da pic]: então o meu relatório! estou ansioso! Liyongo passou-lhe o relatório. [O director da pic] com um sorriso de felicidade, pensava que desta vez não lhe escaparia um alto cargo no topo do ministério do interior…era só por isso que pedira ao investigador, na noite anterior, o desfecho do caso na sua mesa.

Esta construção ou organização discursiva gera, em quem lê, uma espécie de serenidade ou aparente distanciamento, que não é, de todo, nem pacificador nem irreflectido. A ambiguidade humorística aqui patente não livra o leitor de um certo sentimento de inquietação, de um desassossego, pois aquém do riso há um incómodo que perturba e subsiste.

Transformar o pensamento em frases é uma arte e esta depende do talento de quem as sabe unir e dar-lhes sentido. Pedro Pereira Lopes está, indubitavelmente, entre os que o sabem fazer.

“Há um policiamento da própria linguagem, daquilo que é uma linguagem metafórica, poética, que parece que é uma coisa tida para os escritores, uma coisa autorizada aos poetas e isso é terrível, porque retira das possibilidades de linguagem a criação de beleza, a beleza não só na própria linguagem, mas a linguagem é uma visão do mundo e, portanto, retira beleza ao mundo e, portanto, há um empobrecimento”, considerou Mia Couto.

O escritor moçambicano foi um dos convidados do Festival Literário Tinto no Branco, em Viseu, e, perante centenas de pessoas falou de si, da sua família e da sua escrita e, num diálogo aberto com Tito Couto, seu primo, acabou por lamentar o “empobrecimento que está a acontecer na língua” a propósito do desejo do PAN de alterar os provérbios que incluam animais numa conotação negativa.

Entre uma ou outra brincadeira com alteração de provérbios, Mia Couto disse que tinha de aproveitar “e matar já todos os coelhos, com uma só cajadada, antes que depois não seja possível” e lamentou que “se empobreça a língua ainda antes de ser dita, com os policiamentos no pensamento”.

“Há uma interdição daquilo que se chama um pensamento socialmente ou politicamente incorrecto e a gente não sabe bem o que é isso e isso é uma enorme limitação, uma espécie de amputação daquilo que seria mesmo um direito de pensar errado, um direito de evitarmos isto que é um lado puritano, uma certa invasão do lado puritano, do lado que tenta purificar o mundo”, disse.

A cidade mineira de Khouribga, em Marrocos, é palco de mais um Festival de Cineastas Africanos. Para edição deste ano, 15 filmes concorrem aos prémios de um evento cinematográfico cuja cerimónia de inauguração realizou-se no último sábado. Nessa sessão, participaram, entre vários realizadores do berço da humanidade, Licínio Azevedo de Moçambique.

Na verdade, no Festival de Cineastas ainda a decorrer em Khouribga, onde os filmes são exibidos apenas numa sala, com sessão de debates que se prolongam pela madrugada dentro, o cineasta moçambicano participa como membro do júri, função que lhe foi confiada por ter sido considerado Melhor Realizador Africano 2017, com a longa-metragem Comboio de sal e açúcar, que também é Melhor Guião do ano passado, além de vários outros prémios conquistados este Dezembro.

O local do festival é um centro isolado de Marrocos. No entanto, o que importa, para Licínio Azevedo, não é o facto de Khouribga ser uma pequena cidade ou com uma sala de cinema. Para o realizador moçambicano a participação na sessão cinematográfica honra-lhe muito porque reúne diferentes cineclubistas do continente africano.

Entre os cineastas africanos que participam do festival de Khouribga encontra-se também o autor angolano Zezé Gamboa.  

Ora, no mês passado, Licínio Azevedo esteve num outro evento cinematográfico, o Festival de Cinema Árabe-Africano, realizado na Tunísia. “Este também é um festival importante porque Tunis, que é uma grande cidade, mobiliza-se para o evento. São praticamente 10 ou 15 salas de cinema que exibem cerca de 100 filmes durante uma semana. De igual modo, a cidade mobiliza um público extraordinário de mais de 200 mil pessoas. Também na Tunísia, Azevedo foi membro do júri com actrizes de Burquina Fasso, da Palestina, uma realizadora libanesa e uma crítica norte-americana”.

Sobre o festival da Tunísia, Licínio Azevedo destaca que concorreram extraordinários filmes de autores quenianos emergentes, o que lhe surpreender muito.

Portanto, o  Festival de Cineastas Africanos que se realiza em Marrocos termina próximo fim-de-semana.

 

Sasenta e quatro páginas fazem a nova proposta literária de Carlos dos Santos. O conto infanto-juvenil chegou às livrarias nacionais este mês e é intitulado Na esteira das estrelas.

A 16ª obra literária do autor moçambicano, a nona de literatura infanto-juvenil, foi editada pela Alcance Editores.

Esta nova aventura imaginada por Carlos dos Santos é para divertir e, ao mesmo tempo, educar as crianças, os adolescentes, os jovens e os adultos em geral, a partir da história da protagonista Nhiedzi, uma menina muito curiosa que foi passear sozinha por uma floresta vizinha numa certa manhã. Perdida, o que poderia ser terror, transformou-se numa deliciada e encantada aventura com a exploração da beleza dos sons, das cores, dos odores e da aprendizagem.

Com efeito, é quando a protagonista da história pretende regressar a casa, para junto dos seus amigos e familiares, que se apercebe que se perdeu. Assustada, desata a correr de um lado para o outro. E quanto mais andava e corria, mais ela se perdia. Assim desnorteada, a menina até começou a ter medo das muitas coisas que via por aquelas bandas, e que ela não conhecia. Chorou com medo, gritou por ajuda, mas não havia ninguém por perto que lhe pudesse acudir, e a viesse ajudar a encontrar-se. Até que surgem muitas surpresas, incríveis e fantásticas.

O livro Na esteira das estrelas, de Carlos dos Santos, foi ilustrado por Artur Matavele.

Além desta 16º obra literária, Dos Santos também é autor de outros livros de literatura infanto-juvenil, nomeadamente O conselho (2007), Os frutos da amizade (2008), As cores da amizade (2011), Um passeio pelo céu (2012), O mundo e mais eu” (2013), O caçador de ossos (2013 e 2018), O bichinho da curiosidade (2014), O passeio das espécies (2015) e Os pastores de letras” (2016).

De igual modo, Carlos dos Santos é autor dos seguintes livros de ficção científica: A quinta dimensão, O pastor de ondas e O eco das sombras.

 

Faltam 12 dias para o ano 2018 chegar ao fim. Para o Natal, ah, aí faltam muito menos. Então. Como que a introduzir-se no espírito desta época festiva, Neyma resolveu recuar o relógio e ir buscar, no ano 2017, uma música feita com o rapper Mano Tsotsi, e, com a mesma, gravar um vídeo-clip. O título da música em causa é “E quando chega Dezembro”, a qual apresenta-se com um ritmo dançante e mesmo à laia de celebração.

A ideia de dar protagonismo à música “E quando chega Dezembro” não vem do nada. Longe disso. De acordo com a cantora, agora com 19 anos de música ao peito, houve uma pressão dos apreciadores da sua obra. Muitos dos fãs que com Neyma convivem, agradados pela composição perguntavam-na por que não fazia um clip. Passados tantos meses e contagiada pela atmosfera natalícia, aí a cantora cedeu e juntou-se a Mano Tsotsi para produzir um vídeo de enorme qualidade de imagem.

Mano Tsotsi, na percepção de Neyma, é um rapper que merece ser ouvido, pois é “é um artista talentoso. A primeira colaboração que fizemos juntos foi da música “Mutxado”. Daí começaram a surgir outras colaborações, inclusive, de músicas que nem sequer saíram. Houve uma espécie de casamento perfeito entre nós. Sinto-me muito à vontade em trabalhar com Tsotsi e quero fazer de tudo para que as pessoas possam conhecer-lhe porque Tsotsi é um tipo que vale a pena”.

Neyma escolheu “E quando chega Dezembro” como título da música que agora merece vídeo-clip porque toda a gente sabe o que acontece, quando chega o último mês do ano. “Penso que nós, apesar das guerras, conflitos, tristezas e crises não deixamos de transmitir esta alegria e tranquilidade, possível de mostrar através deste vídeo-clip”, no qual a cantora preocupou-se sempre em inserir a realidade moçambicana. “É este espírito de festa e de partilha que eu quero transmitir às pessoas. E, durante a gravação do vídeo, contei com a contribuição de muita gente que se ofereceu em fazer parte das filmagens. Na verdade, eu queria este contacto directo com os meus fãs. E foi isso o que aconteceu”.

Referindo-se ainda a “E quando chega Dezembro”, a cantora que se identifica com a marrabenta proferiu que, a partir do momento que fez a escolha de ser vista como uma artista africana, e sobretudo moçambicana, sempre prezou promover trabalhos que caracterizam a cultura moçambicana, com letras nas quais os moçambicanos se revêem.

Para Neyma, o ano 2018 foi artisticamente positivo para a arte musical no país. “Já havia muita música moçambicana antes, mas, este ano, passamos a ter ainda mais opções, o que é de louvar porque revela que podemos fazer festas e espectáculos apenas com música moçambicana. A música tende a crescer, os artistas têm trabalhado mais e o público tende a valorizar ainda mais os músicos. Espero que em 2019 isso continue”.

No novo vídeo-clip, igualmente, Neyma quis mostrar aos seus seguidores outra parte da cidade de Maputo que dificilmente tem explorado até aqui. A ideia é sempre expor a realidade dos moçambicanos: como vivem, como se relacionam, com lugares com os quais se identificam. E porque o vídeo tem poder de vender imagens, Neyma pensou fazer desta obra um guia turístico para a capital do país”.

“E quando chega Dezembro” é um vídeo com a participação dos meninos Shad e Kayane, filhos da cantora e Eunice Andrade, respectivamente. Além dos meninos, também participam o actor Horácio Guiamba e o apresentador de televisão Sérgio Faife. Foi produzido por The King (Mito) e dirigido por Dwalak Mendes.

O compositor e intérprete moçambicano, D’Manyissa, exalta a timbila no vídeo-clip da música intitulada “Timbila-Património Mundial” que será lançado esta quarta-feira.

Uma parte do vídeo foi filmada em Moçambique e conta com imagens concedidas pelo Instituto de Investigação Sócio-cultural, tutelado pelo MICULTUR, outra parte foi filmada na Suécia, país onde coube a produção e edição do vídeo, realizados por Linda Skjevik e Darryl Thomas.

O clip conta com a participação do músico e multi-instrumentista moçambicano, Celso Paco.

“Além de Celso Paco, participaram da gravação desta música o António “Dodó” Milisse, na guitarra; Orlando Venhereque, no saxofone e o falecido músico Filipinho no baixo. Ao D’Manyissa coube os arranjos e o produção”, lê-se no comunicado enviado enviado à nossa redacção.

A música “Timbila-Património Mundial” compõe o álbum, ainda na forja, “D’Manyissa Instrumental-Volume 1”. As músicas do álbum já foram gravadas e aguardam apenas os apoios para a fase de mistura, masterização e replicação.

O seu álbum conta com vários convidados como Orlando Venhereque (flauta), Júlio Sigaúque (guitarra), Ivan Mazuze (Saxofone alto e soprano), Banda MACOZOMI, Hélder Gonzaga (Bass), Lwanda Gogwana (Trompete), Seredeal “Shaggy” Scheepers (Teclados), Galina Juritz (Violino), Kika Materula (Oboé).

A edição deste ano do Music Awards da cidade de Boston, capital do estado norte-americano de Massachussetts, o mais populoso daquele país, tem um moçambicano. Chama-se Albino Mbie, músico multifacetado que canta, compõe, toca e produz. Ao Boston Music Awards, o músico que nasceu no bairro Jorge Dimitrov, Benfica para muitos, na cidade de Maputo, foi nomeado para a categoria de Artista Internacional do Ano, na qual vai disputar o prémio com mais nove autores, nomeadamente: Balla Kouyaté, Bebo Band, Dis n Dat Band, Dub Apocalypse, Dzidzor, Kina Zoré, MIXCLA, Nichi y Chalas e Soul Rebel Project.

A nomeação à categoria de Artista Internacional do Ano no Boston Music Awards não foi por candidatura. Por isso, a notícia tanto surpreendeu o músico moçambicano quanto comoveu, pois demonstra que Mafu, seu segundo álbum discográfico, foi bem recebido nos Estados Unidos e internacionalmente, daí o reconhecimento em causa no estado de Massachussetts.

Mafu, termo cicopi que significa areia em português, é um disco com 12 músicas, nas quais o autor canta o amor e a mulher muito apegado à realidade moçambicana. Como no seu álbum de estreia, no segundo Mbie apresenta-se com acordes serenos, com mensagens que aconselham, motivam e educam. Mafu foi apresentado em concerto no “Noites de Guitarra”, da BDQ Concertos, espectáculo que se realizou no Campus da Universidade Eduardo Mondlane, na cidade de Maputo, no dia 2 de Março. No mesmo palco que Mbie, actuaram Richard Bona, Ernie Smith e Jimmy Dludlu.

A meta de Albino Mbie nos Estados Unidos de América é chegar aos Grammy. Nesse sentido, o músico vê na actual nomeação uma motivação para continuar a trabalhar, de modo a mostrar-se cada vez mais ao mundo a partir de um país onde as oportunidades são as melhores em relação as de vários contextos. “De que acordo com as informações que tenho, nunca havia sido nomeado um moçambicano ao Boston Music Awards. Esta foi a primeira vez. Então, prometo trabalhar para pôr Moçambique no mapa artístico e cultural do mundo”, e Albino Mbie acrescenta: “Fazer parte do Boston Music Awards para mim significa crescimento e visibilidade de todas as formas pois eles estão a reconhecer a minha contribuição cultural aqui em Boston e a nível internacional. É muito positivo”.

Para um músico ser nomeado àquele evento musical, além de qualidade, deve ser activo, participando em workshops, fazendo concertos a nível local e internacionalmente. Para certificar o nível de actividade dos artistas, a organização dos Awards de Boston apoia-se às matérias publicadas nos jornais, na televisão ou no YouTube.

 

O TRAJECTO DE UMA VOZ DOCE

Uma das qualidades que destaca a arte de Albino Mbie é a forma suave e doce com que narra as histórias nas suas músicas. Tal facto, já valeu prémios e distinções em diversas circunstâncias. Há anos, Mbie foi o primeiro classificado no World Music pelo International Song Writing (USA – 2014), Prémio Revelação Ngoma Moçambique (2014), nomeado para RFI (Radio France International – 2014), nomeado para John Lennon Songwriting Competition (2015) e, este ano, nomeado para Boston Music Awards ( Radio France International – 2018). Distinguiu-se ainda na produção, como produtor e mixagem de som, com “Massinguitana”, de Mr Bow (Ngoma 2014) como a musica mais popular do ano.

 

Albino Mbie é guitarrista, cantor, produtor musical, engenheiro de som, videógrafo e empreendedor. Nasceu  no bairro George Dimitrov, Maputo. Como muitos guitarristas moçambicanos, fez a sua primeira guitarra com uma lata de 5 litros de óleo, restos de madeira e cordas de cabos eléctricos.

 

Atraídos pelos sons de músicos de rua no bairro de Maputo, começou a tocar em algumas bandas locais, almejando combinar estilos.

 

Estudou na Escola de Comunicação e Artes (ECA), na Universidade Eduardo Mondlane. Enquanto lá esteve a estudar em educação musical e performance, teve a oportunidade de ir formar-se no Berklee College of Music em Boston, EUA. E assim, em 2009, foi um dos primeiros alunos a receber uma bolsa de estudos para Berklee através do programa Scholars africanos. Os seus grandes mentores são Richard Bona e Lionel Loueke, emblemáticos músicos africanos. Com o primeiro, Mbie partilhou o palco em Maputo, no concerto da BDQ Concertos, em Março deste ano.

Com o seu primeiro CD, Mozambican Dance, foi prémio World Music nos EUA, pela International Songwriting International, e Prémio Revelação pelo Ngoma Moçambique.

 

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