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O País – A verdade como notícia

Mais de 25 estrelas africanas participaram do Coke Studio Africa 2019, das quais cinco são moçambicanos, Trata-se dos artistas Laylizzy, Lourena Nhate, Shellsy Baronet, Messias Maricoa e Valter Artistico.

Laylizzy, considerado um dos artistas urbanos e mais talentosos do hip hop, fará sua estreia ao lado da cantora ugandesa, Fik Fameica, com suas colaborações produzidas pelo superastro da Tanzânia Lizer. Os dois já lançaram uma faixa original de R & B/ hip hop “Deck The Halls”.

Shellsy Baronet que participa pela segunda vez do Coke Studio Africa vai apresentar-se ao lado do rei da Tanzânia R & B Jux.

A dona dos hits “Nita Famba na Wena”, “A Wu Hembi” ", e Na Mbonga Papa", Lourena Nhate, fará a sua estreia no Coke Studio com o cantor etíope, Abush Zeleke, numa produção do ugandes Daddy Andre.

O Melhor Artista Africano no Afrika Awards, Messias Maricoa, que também foi indicado ao prémio MTV pelo Listener's Choice Award, faz a sua estreia no Coke Studio ao lado do artista zimbabweano Winky D.
 
Uma das estrelas que fez sua estréia no segmento Big Break este ano é a estrela em ascensão rápida Valter Artistico. Com sucessos como "Marandza", "Chefe do Quarteirão" e "Nandzzicado". Ele estará trabalhando com Rudeboy (Nigéria) e Khaligraph Jones (Quênia) no Coke Studio Africa 2019 com o par sendo produzido pelo produtor queniano Magic Mike.
 
Este é o quarto ano que artistas moçambicanos participam do Coke Studio Africa. Já participaram nas edições anteriores os artistas Dama Do Bling, Neyma, Lizha James, Liloca, Mr. Bow e Shellsy que participa pela segunda vez.

O Coke Studio Africa 2019 vai contar com artistas de vários países da região subsariana, incluindo Quénia, Tanzânia, Uganda, Etiópia, Zâmbia e Nigéria.
 

Um grupo de Jovens liderados pelo crítico literário Nataniel Ngomane criou um clube do livro em Maputo. O grupo encontra-se uma vez por semana para sentar e ler obras ao gosto do membro escolhido.
 
As árvores abanavam e zumbiam ao ritmo do vento, ao mesmo tempo que criavam uma sombra suficiente para mais de 100 pessoas no parque dos poetas, na cidade da Matola Província de Maputo.
 
Sentadas, concentradas, mas completamente tomadas pelos caminhos que cada livro leva o leitor a seguir, o grupo de quase trinta pessoas destacava-se das demais pessoas no coração do “Central Park”.
 
Ali os corpos estavam imobilizados, as almas voavam ao ritmo do Niketche, as vozes adormecidas gritavam e os flamingos voam eternamente, sem armas, sem guerra e sem barulho dos subúrbios por onde passou Meledina quando descrita por Aldino Muianga, mas tudo era intensamente vivido através da leitura.
 
“O nosso sonho é que se possa ler do Rovuma ao Maputo, do Zumbo ao Índico” idealiza o crítico literário Nataniel Ngomane, que acrescenta que “o nosso país está a precisar de ler”.     
 
A necessidade é geral, mas a sectores chave da sociedade, que podiam com relativa rapidez registar melhorias significativas com a leitura. “Uma das formas de melhorar a qualidade do ensino é colocar as nossas crianças a começar a ler muito cedo” disse, acrescentando que “esta é uma forma de exercitar os seus neurónios”.
 
A viagem pelas obras nacionais e não só é o culminar de um processo iniciado pouco depois da exposição da língua portuguesa, onde um grupo de sete pessoas decidiu manter os encontros.
 
Para o efeito, “sugeriu-se que a criação de um clube de livros” que consiste em “um grupo de pessoas que gostam de ler, que iriam se encontrar uma vez por semana e ler conjuntamente” explica.
 
A ideia colheu consenso e definiu-se que “os encontros deviam ser feitos em lugares públicos para que fossem vistos por outras pessoas que quisessem também fazer parte do grupo” conclui.
 
No clube criado, os gostos são diversificados, afinal, como diz a célebre frase do jornalista Carlos Cardozo, eternizada em várias obras literárias e não só, não se pode colocar algemas nas palavras e, nós acrescentamos, nem nos gostos literários.
 
Isso tendo em conta a conceito desenvolvido por este grupo de amantes da leitura, que abrem espaço para todos, ou seja, “a pessoa é que escolhe que género de livro pode ler ou que já está a ler, e vem ler connosco” explica Amad Balamad, um dos mentores da iniciativa.
 
Depois da leitura, os membros fazem uma roda para partilhar e colher experiencias de os outros membros do clube, criando uma “pontinha” de curiosidade sobre o livro, afinal “a leitura também é viciante” diz a poetiza Énia Lipanga.
Ela é também uma das escritoras emergentes do país, e defende que o clube de livros recentemente criado é a prova de que a tendência de leitura é crescente, pese embora persistam desafios.
“Apesar da existência de um grupo que diga que os jovens não lê, eu acho que de uns anos para cá as pessoas tem lido mais, as pessoas tem comprado mais livros” diz a poetiza e escritora.
 
Os desafios segundo ela, tem que ver com “o facto de os livros estarem muito caros”, sendo que a alternativa a falta de dinheiro, ela propõe, “é que sejam utilizados livros eletrónicos, que podem ser acedidos através de um telefone”, aliás “este clube tem, total abertura para este tipo de leitura”.
 
O clube do livro já tem cerca de trinta membros e colabora com dois clubes idênticos que se encontram nas terras de Bolsonaro, Brasil, que são coordenados (um deles) por Maria Toledo, e outro por Merces Parentes.
 
Com estes clubes, Ngomane e “companhia” já sonham em fazer uma leitura sincronizada através do Skype, apesar da diferença em termos de fuso horários. “Vamos encontrar um meio-termo para materializar este sonho” garantiu Ngomane.

O Director Nacional dos Serviços Penitenciários, Domingos Chame, lança o livro intitulado “O contributo da segurança para o desenvolvimento”. Quelimane foi o palco do lançamento da obra.

O livro de 128 páginas divididos em seis capítulos aborda aspectos transnacionais no que diz respeito a segurança . O autor da obra diz que não foi fácil escrever devido a escassez de bibliografias em português. Liberdade, segurança, economia, evolução das sociedades são dentre vários temas que a obra aborda.

Em Quelimane local onde fez o lançamento do livro pela primeira vez este sábado, O autor explicou por suas palavras a importância da segurança e liberdade nas diversas sociedades no mundo sobretudo em Moçambique.

"Este livro espero que traga contributo para todos nós porque a questão da segurança é tema actual. Uma sociedade segura é naturalmente aquela que tem condições para alcançar o desenvolvimento” disse.

Chame é natural do distrito de Angoche província de Nampula. Trabalhou por quatro anos na província da Zambézia como director da PIC actual SERNIC.

Augusta há-de ser uma figura atrevida, afinal, no seu esplendor, segurou Matias Damásio pelo braço de modo a não esquecer o caminho que vai dar a Maputo, onde, em Março, tem programados dois espectáculos musicais. Sendo nome de uma rapariga, na verdade, Augusta também é o título do mais recente álbum do cantor angolano, lançado ano passado.

Neste retorno à Pérola do Índico, o artista mangolé vai, portanto, apresentar a sua nova obra discográfica, que, uma vez mais, foi bem recebida pelos amantes do ritmo tropical e quizomba no país.

A primeira actuação de Matias Damásio na Pátria Amada, neste 2019, está marcada para 1 de Março, a qual irá realizar-se num jantar de gala para 700 pessoas, aberto ao público em geral, embora parte dos ingressos esteja reservado para os patrocinadores e parceiros da iniciativa. O evento está para o Centro Internacional de Conferências Joaquim Chissano.

Ainda a 1 de Março, toda a sessão em que Damásio será figura central terá duração de 3:30 horas, devendo iniciar com o jantar às 20 horas. Às 21:30, o músico irá subir ao palco para uma actuação de 90 minutos. Logo, hora e meia depois, às 23 horas, termina o concerto do angolano, mas não a sua intervenção. Depois das músicas cantadas, a agenda inclui ainda uma sessão fotográfica com o músico e um momento de assinatura de autógrafos ao som do DJ Sérgio Butler.

No dia seguinte, 2 de Março, haverá mais Damásio, entretanto num outro local: Campus Universitário da Universidade Eduardo Mondlane. Nesse dia, o espectáculo musical vai durar cinco horas de tempo, devendo iniciar às 19 horas e terminar à meia-noite.  

Além de Matias Damásio, ao palco montado na Universidade Eduardo Mondlane também irão artistas nacionais convidados, casos de Mimae, Júlia Duarte, Abuchamo Munhoto, Twenty Fingers, Mr Bow e DJ Supman. Do estrangeiro, Cef terá igualmente a oportunidade de promover o seu trabalho.

Quer o concerto do dia 1 quer o do dia 2 de Março surgem de uma parceria com a MOSAIK Comunicações, inserindo-se, com efeito, numa nova plataforma de eventos que a BDQ-Concertos abraça de ora em diante. Ou seja, se antes a BDQ habitou ao público moçambicano e estrangeiro a organizar shows musicais com lendas como George Benson, Billy Ocean, Norman Brown, Richard Bona, Jimmy Dludlu ou Lira, nos próximos tempos vai abranger mais amantes da música em geral, com a promoção de espectáculos com autores que cultivam, por exemplo, a quizomba.

De acordo com Belmiro Quive, da BDQ Concertos, os artistas convidados para o espectáculo de Março não foram escolhidos apenas por fazer ritmos semelhantes a Matias Damásio: “seleccionamo-lhes por acharmos que estão ao nível deste show. Temos muitos bons artistas. Infelizmente, não podíamos levar a todos. Fez-se uma selecção que se enquadrasse dentro do nosso programa, que tem como objectivo não cansar o público, proporcionar música de qualidade e melhor gestão do mesmo público”. Ainda assim, Quive garante que a BDQ Concertos não está a mudar de perfil de espectáculos, mais sim a abrir uma nova plataforma de eventos de massa, na qual, no caso, Matias Damásio enquadra-se perfeitamente, daí a pré-venda dos ingressos estar a registar muita adesão, depois de iniciada a 15 de Dezembro. “Oportunamente, iremos anunciar mais um concerto para 2019 neste segmento”, promete Belmiro Quive.

O concerto do dia 2 de Março está concebido para cinco mil pessoas, que terão a oportunidade de ouvir as músicas sintetizadas no esbelto corpo da Augusta e dos álbuns anteriores. Mais uma particularidade: “os artistas moçambicanos irão actuar num modelo de cocktail! Todos irão actuar ao vivo com uma banda local num conceito que queremos surpreender o público, daí que não vou revelar mais nada. Fica a surpresa” e o suspense de Belmiro Quive, quem acredita que o espectáculo vai trazer um novo paradigma para o público do segmento em causa. E a promessa de sempre? “Os que conhecem a BDQ Concertos sabem que a pontualidade é a nossa marca. Será um evento cultural que vai pautar pela pontualidade (hora para começar e hora para terminar). Faremos uma melhor gestão do público. Som e luz de qualidade ao nível do evento. Se no dia 1 de Março Damásio vai subir ao palco às 21:30h, já no dia 2 de Março, na UEM, vai subir às 22:30h. Isto significa que não vai ser necessário amanhecer para ver o Damásio a actuar”.

E porque a BDQ Concertos realça estar sempre preocupada com a boa organização, apela que o público compre os ingressos a tempo, mesmo porque as entradas são limitadas. “Assim evitamos transtornos de última hora. Agradecer aos meus patrocinadores e parceiros pelo apoio directo e indirecto que tem estado a dar para o sucesso deste evento”.

SOBRE AUGUSTA, A RAPARIGA QUE É CD

O álbum discográfico de Matias Damásio, Augusta, a ser apresentado em Maputo, é constituído por 12 músicas, as quais totalizam 47 minutos. Entre os títulos, encontram-se temas como “Chaves”, “Teu olhar”, “Juro por tudo”, “Só para te abraçar (com Pérola)”, “Alma gémea”, “Nada mudou” e, claro, "Voltei com ela". À imagem do que caracteriza os álbuns anteriores de Matias Damásio, Augusta investe no romântico, com sonoridades ora feitas ao estilo galanteador ora preenchidas por uma profunda melancolia. Portanto, o amor é o princípio e o fim de um autor que se vai engrandecendo na Comunidade dos Países de Língua Portuguesa.

 

 

O grupo teatral Mahamba vai estrear, ainda este semestre, um novo espectáculo, intitulado Negócios da guerra. Ainda sem data e local de apresentação ao público, a peça teatral é uma espécie de continuação de uma outra do mesmo grupo: Culpado? combati um bom combate, pois os actores sentiram a necessidade de tecer um certo complemento da história contada naquela obra.

 

Assim, o novo espectáculo de Mahamba vai mergulhar os espectadores em contextos movidos pela guerra, vai questionar ou problematizar a origem da riqueza de um certo personagem, tocando em negócios de diamantes, desvendando interesses ocultos que mexem com o controlo de minas e subornos.

 

O espectáculo está a ser preparado para ter cerca de 50 minutos, segundo o texto de Dadivo José, mas ainda é prematuro saber-se quanto tempo terá exactamente, afinal os ensaios vão começar dentro de poucos dias, pois, um dos actores, Horácio Guiamba, está ainda numa temporada com Gungu.  Além de Horácio Guiamba, integram no espectáculo mais dois actores: Dadivo José e Milsa Hussene.

 

Inicialmente, a encenação do espectáculo Negócios da guerra foi confiada a Maria Atália, mas, por se encontrar a fazer uns trabalhos na China, a artista não vai poder participar na produção da peça nessa condição. Assim, abre-se a possibilidade de o encenador ser Elliot Alex e/ou Venâncio Calisto.

 

 

 

TEATRO TRIUNFA EM 2018

Para Mahamba, e Dadivo José em particular: “2018 foi positivo, marcado por uma estreia em jeito de monólogo ‘microfone quebrado’, peça escrita e encenada por mim, interpretada por Fernando Macamo, estudante finalista de curso de teatro na ECA. Ainda em 2018, Mahamba esteve envolvido numa digressão pela Europa e África do Sul, cimentando as parcerias e perspectivas teatrais de outras paragens. Em finais de Setembro, mais uma actuação no festival internacional Botho, em Durban, com a velha conhecida peça teatral Culpado? Combati um bom combate”.

 

Diante dos feitos apontados, Dadivo José ficou com boa impressão do ano passado, no qual o seu grupo conseguiu envolver-se com as comunidades, actuando nas escolas, aonde levou educação rodoviária, ferroviária (em parceria com a Metrobus). De igual maneira, Mahamba levou mensagens relacionadas com a prevenção da malária, na Zambézia, cidade e província de Maputo. E para o país em geral, houve produtividade teatral? “Sinto que apesar das ‘mesmices’, assistimos um movimento jovem muito forte. Há ‘crianças’ fazendo um bom teatro. Exemplo de Venâncio Calisto, um jovem recém-graduado da ECA que vai trilhando já o seu caminho. O Festival de Inverno continua sendo o espaço privilegiado para os grupos amadores. Espaços como Fundação Fernando Leite Couto e Centro Cultural Brasil-Moçambique vão disfarçando a falta de espaços, ou ausência de uma programação séria e alguns teatros renomados”.

Referindo-se ao envolvimento do Ministério da Cultura e Turismo na causa dos actores, Dadivo José entende que aquela instituição já faz bem em criar condições para que o actor seja reconhecido como entidade artística local. “Entretanto vejo com alguma tristeza, alguns espaços comunitários nos bairros que dariam bons centros culturais e dinamizadores de teatro. Se o ministério quiser, estaremos muito interessados em contribuir com um movimento de revitalização de espaços comunitários locais para que o teatro seja uma festa popular, a imagem do que faz o grupo Makweru com o Festival Kupanda”, garantiu o artista, defendendo que a criação da AMOTE, a primeira associação teatral no país, constitui um dos maiores marcos do ano passado. Paralelamente a esse feito, “contribuiu para que o ano teatral fosse bom a grande produção da ECA, Mwango e Mwanga. Também gostei do espetáculo À espera de Godot, protagonizado por dois finalistas da ECA, Castigo e Fernando”.

 

 

O QUE SE DEVE ESPERAR DO TEATRO NOS PRÓXIMOS MESES

Para que o teatro moçambicano continue trilhando o seu percurso rumo ao sucesso, Dadivo José sugere que, neste 2019, os actores passem a explorar espaços que aparentemente não são propícios para a prática teatral. “No fim do dia vamos descobrir que temos tudo que precisamos: talento e obras”. E o actor acrescenta: “Trabalhar com profissionalismo, dedicação, rigor e fazer a crítica sem medo de ferir suscetibilidades. Abandonar o hábito de não tocar em velhas raposas, para promover um diálogo são entre a velha e nova geração. Aproveitar a associação AMOTE e os poucos festivais que temos para ensaiar a venda do produto. Para isso há que estabelecer uma relação muito forte com as escolas secundárias e quaisquer outros centros de concentração juvenil”.

 

O que não deve acontecer este ano, para o actor do grupo Mahamba e que não se justifica, é a péssima qualidade de alguns renomados. “Não justifica que anos depois continuemos a ver as mesmas tendências e sem crescimento qualitativo. Porque não criarmos bem para depois revindicarmos espaços e financiamentos? Outra questão, quem devia financiar tem a noção do que faz? Significa que alguma coisa está errada nos nossos consumidores. Precisamos de colocar o consumidor em posição privilegiada de escolha. Só assim saberá o que é bom e o que é ruim, que, vezes sem conta, é impingido a gostar sem saber”.

 

À parte o envolvimento governamental, Dadivo considera que o sector privado deve acreditar que o teatro pode ser uma boa propaganda para os seus produtos ou serviços. E porque o teatro moçambicano é muito urbano, em que poucos conseguem sair da sua cidade para outras do país, o artista vê um perigo: juventude contaminada pelo álcool nos subúrbios.

 

 

Já lá vão quatro décadas, desde que P Mourana começou a viagem pelo universo das artes plásticas. Para assinalar a rara efeméride, o pintor da Liberdade, natural da cidade de Maxixe, vai promover as suas obras e o seu imaginário em exposições individuais, em Maputo, nos próximos meses.

As actividades de P Mourana vão iniciar em Março, mas prevê para Junho um momento especial da comemoração dos seus 40 anos de carreira artística. A essa altura, portanto, daqui a seis meses, Mourana vai apresentar ao público a exposição Retrospectiva, na qual, depois de seleccionar as obras produzidas ao longo dos anos, irá reconfigurar o trajecto criativo por si percorrido. A ideia é que os apreciadores das artes em geral e da sua em particular possam compreender por que metamorfoses passou o autor que continua a amar a magia das cores com o mesmo fervor.

A primeira exposição de P Mourana realizou-se em 1979, com Vítor Malate, na altura em que tirava o curso de professor. Entre fantasias e determinação, as imagens da criatividade não foram sempre feitas de cor-de-rosa. Longe disso. Como em tudo, o artista enfrentou momentos menos conseguidos. Dos mais complicados, destaca os anos da década de 80, em que teve falta de material e de oportunidades para se apresentar em exposição. “Veja que, depois da minha primeira exposição, em 1979, só reapareço numa individual em 1993. Aqueles foram anos mais complicados e mais difíceis porque no país também existia uma forma de exclusão dos artistas mais novos, que apareciam com novas temáticas. Agora é diferente. Jovens aparecem espontaneamente e logo recebem apoio, desenvolvem-se e vão crescendo. Antes não era assim”

De acordo com P Mourana, as artes plásticas no país estão com boa qualidade, pois os artistas têm conseguido aprofundar mais conhecimento. Nisso, “penso que a Escola Nacional de Artes Visuais tem ajudado muito na prospeção de jovens artistas. Agora ficou mais fácil organizarmos uma exposição colectiva sem recorrermos sempre às mesmas pessoas. Temos novos valores”. O que não deve faltar, diante da qualidade aparente, é trabalho e organização, mesmo porque o público moçambicano tem ficado mais exigente. Assim sendo, Mourana avança com uma recomendação: “o artista não faz aquilo que é comum, faz algo especial em relação à maioria. Não basta só pegar o pincel e pintar. Uma obra de arte deve ter alma, mexendo com as pessoas”. 

Uma das coisas que mais marcou a carreira artística de P Mourana foi a colaboração com a BDQ Concertos, que lhe permitiu expor suas obras durante a realização de espetáculos musicais de dimensão internacional. “Sempre tive esse projecto de fazer uma exposição de um dia, num espectáculo, unindo a música às artes plásticas. Foi um grande desafios este de colocarmos espectadores a contemplarem telas num evento em que no palco estavam nomes como George Benson ou Richard Bona. Mas nós conseguimos fazer isso com êxito. Isso marcou-me muito nesses quarenta anos que pretendo celebrar durante todo 2019”.

 

A SÍNTESE DE UM TRAJECTO

P Mourana é nome artístico de Pedro Mourana. Nasceu a 14 de Setembro de 1961, na cidade de Maxixe, Inhambane. Desde tenra idade interessou-se pelo desenho. A sua obra exalta o amor, a música e temas ligadas ao meio ambiente. Interessa-se muito no diálogo entre artes plásticas e música. Ilustrou livros de banda desenhada, no Instituto Nacional do Livro e do Disco; ganhou concurso para elaboração do logotipo da CNE. Já expões em seis individuais e em mais de 20 colectivas. Além da BDQ Concertos, conta com apoio da Fundação Sérgio Gago.

À imagem do que afirmou há dias Venâncio Calisto, encenador laureado figura do ano do Prémio Artes e Cultura para categoria de teatro pela Associação Kulungwana, Gilberto Mendes também entende que 2018 foi um ano muito produtivo para arte dramática. Concorreu, nesse sentido, a execução de espectáculos interessantes, como “Mwango e Mwanga a partir de Bastien und Bastienne, de W. A. Mozart”, exibida no fecho do ano da Escola de Comunicação e Artes (ECA) da Universidade Eduardo Mondlane (UEM.

De acordo com Gilberto Mendes, houve, ano passado, um incremento de produção audiovisual. “Nós, os actores, normalmente usamos o teatro como campo de treino para fazermos cinema e televisão. E, a este nível, houve também um incremento de seriados e telenovelas que vão sair nos próximos meses. 2018 foi sem dúvida um ano muito produtivo”.

E, de tanto produtivo que foi, segundo o actor, 2019 promete porque muito do trabalho que começou ou foi produzido ano passado vai sair neste: “além de telenovelas e filmes, vão sair seriados também, feitos por actores de teatro. Digo de teatro porque existe um cinema que é feito por actores esporádicos no país”.

Mendes encara 2019 como o ano da conquista audiovisual, em que os actores vão procurar fazer com que a arte dramática passe para o pequeno ecrã e tenha a capacidade de impulsionar a adesão às salas, de modo que surjam mais grupos constantes a fazer teatro, afinal “não tem existido nenhum outro grupo, com a excepção de Gungu, que tem conseguido estar em cena todo o ano. Não tenho memória de uma outra instituição cultural que fica em cena durante todo o ano, com os seus próprios espectáculos. Portanto, o desafio é que os grupos teatrais moçambicanos consigam fazer o mesmo que a Companhia de Teatro Gungu ou que pelo menos aproximam-se dela, com muito público”.

Como forma de os grupos alcançarem a proeza da Campanhia Gungu, Gilberto Mendes propõe que os artistas do drama tenham muito foco, porque não é fácil estar tanto tempo em palco. “Nós somos capazes de ir para o Guinness, porque mesmo a nível internacional, não tenho memória de um grupo que tenha ficado 26 anos de forma interrupta nos palcos. E a arte dramática não é aquela arte popular como a música, como a dança. Por isso nos sentimos com uma sensação de dever cumprido. Sabemos que é complexo montar um espectáculo, manter a coesão, a coerência de textos e a linha de trabalho do grupo, fazendo com que o público se mantenha fiel durante 26 anos, de sexta-feira a domingo, todos os fins-de-semana.

De tanta adesão que Gungu registou, teve de criar muitos grupos dentro da companhia, que vai alternando as peças. Se de 2017 para 2018 transitou com a peça Jogo de intrigas, tendo exibido posteriormente Amor, aguenta e My Love, de 2018 para este ano a companhia atravessou com o espectáculo Mãe coragem. No último ano todos os grupos da companhia entraram em cena. O grupo principal ficou em palco um mês, em Maputo, mas teve a oportunidade de exibir espectáculos teatrais noutras províncias do país, designadamente Nampula, Sofala, Tete e Gaza. O espectáculo escolhido para o périplo foi Jogo de Intrigas e Sexo fraco. “A ideia foi levar os espectáculos aos espectadores. As pessoas que não têm como vir a Maputo devem ter possibilidades de ver nossas peças teatrais”.

Em termos de produtividade, assume o actor, Gungu manteve o ritmo. “O nosso foco é sempre ter espectaculos em todos os fins-de-semana, e isso aconteceu ao longo de todo o ano passado. Em termo de público houve muita oscilação, muito por conta da crise. Tivemos momentos de pico e alguns momentos mais embaixo. Mas, regularmente, a sala estava sempre preenchida”. A diferença é que antes a companhia esgotava mais a sala e as peças levavam mais tempo. Com uma peça esgotada, antes, uma temporada levava seis meses. Agora, o prazo diminuiu para quatro meses. Por um lado, para dar oportunidade aos grupos de rodarem, de modo que todos os grupos possam fazer representação, e, por outro lado, porque o público já não repete tanto as peças como repetia antigamente, diminuiu o fluxo de repetições.

A peça mais concorrida do Gungu, ano passado, foi My Love, mas a que mais marcou Gilberto Mendes foi Mãe coragem, segundo o artista, das mais bem conseguidas do grupo. “A peça está com uma história muito bem alcançada. A Juju, que fez a encenação desta peça, está de parabéns, fez um belíssimo trabalho, tal como os actores, que fizeram uma excelente interpretação. É das melhores peças que Gungu fez ao longo dos 26 anos”.

A peça Mãe coragem ainda está em exibição.

 

Referindo-se ao que caracteriza a situação do cinema no país, Licínio Azevedo lembrou que o grupo de cineastas em Moçambique é muito pequeno. “A maior parte de nós foi formada, já naqueles anos, no Instituto Nacional do Cinema, como Sol de Carvalho, João Ribeiro e eu próprio, que aprendi fazendo trabalhos práticos. Agora, o que precisamos fazer é apostar na nova geração. Há muitos jovens – e eu tenho visto, alguns formados no IsArc, outros na Universidade Eduardo Mondlane, penso que também tem um curso de cinema –, mesmo sem formação nenhuma na área do cinema, se calhar motivados pelos nossos trabalhos, que têm uma paixão enorme e que têm dado muito de si com pequenas produções interessantes. Esses jovens têm que ter apoio para poderem desenvolver o seu trabalho. Quem sabe no meio desses 20 ou 30 jovens possamos ter no futuro uma meia dúzia de excelentes cineastas fazendo grandes obras no futuro”, sugeriu o autor do premiado Comboio de sal e açúcar.

À imagem de Sol de Carvalho, que não compreende o tão tardio incentivo ao cinema, Licínio Azevedo também lembra que Moçambique tem uma Lei do Cinema, que foi aprovada há dois anos, a qual prevê um fundo, que, agora, com a desvalorização do metical já não deve ser grande coisa. Para o realizador é fundamental que exista um fundo nacional para o cinema e que uma grande parte desse fundo seja dirigida, primeiro, às obras, e, segundo, aos jovens talentosos que estão a sair da escola, os quais, naturalmente, não têm condições para concorrer ao fundo com cineastas que já possuem três ou quatro filmes. E Azevedo adianta: “se esse fundo existir e estiver disponível, um jovem recém-formado pode concorrer para que tenha as suas primeiras três obras financiadas, filmes pequenos, curtos, sejam de ficção ou documentário. Financiado, se ele demonstrar talento, pode participar em festivais no estrangeiro e concorrer a fundos internacionais para obras mais ambiciosas”.

De acordo com o autor de Comboio de sal e açúcar, filme adaptado do seu livro com mesmo título, essa aposta nos jovens tem que acontecer em Moçambique, de modo que daqui a cinco ou seis anos tenha-se mais cineastas dentro do universo que considera muito fechado, bastante difícil e bastante cruel.

Licínio Azevedo entende que o país tem muitos actores, mas, infelizmente, que não são actores de cinema porque os intervalos entre um filme e outro no país é prolongado. Ainda assim, “temos actores de teatro que facilmente adaptam-se no cinema. Portanto, temos material e actores suficientes, o que não temos são produções para que os nossos actores possam viver do cinema. Por isso é importante que os nossos actores possam ampliar o seu mercado, internacionalizando-se, pois assim poderão trabalhar com cineastas de outros países africanos. Depois de Comboio de sal e açúcar, Melannie de Vale conseguiu despertar em outros cineastas africanos o interesse de se trabalhar com ela”.

 

Apreciando o que foi 2018 em termos cinematográficos, Ana Magaia não tem dúvidas de que ao nível da sétima as coisas estão a acontecer, mas não como se pretende. Ainda assim, num contexto em que se registam várias vicissitudes no país, para a actriz, os artistas continuam a fazer a sua parte de maneira que a sétima arte continue bem hirta. E, neste contexto, ao contrário do que se diz mal da juventude, “os jovens vão criando, vão esculpindo, vão pintando e vão dançando bem. A cultura está viva e, para que continue, devemos apostar cada vez mais no capital humano, sobretudo na juventude, com quem devemos partilhar conhecimento porque nós da geração pós-independência não somos eternos”

Com efeito, neste ano que acaba de iniciar, Ana Magaia espera que o cinema tenha mais investimento porque é uma arte que abrange todas outras e a vida de uma sociedade. “Quando os filmes estão na tela, conseguimos retratar a nossa vida, não só de moçambicanos, mas de todo o mundo em geral”.

Em 2018, Ana Magaia representou avó Catarina no filme Avó Dezanove e o segredo do soviético, de João Ribeiro. A artista considera que o filme foi cientificamente bem conseguido “e foi bom voltar a participar como actriz, o que não fazia há muito tempo. Foi bom contracenar com um dos melhores actores que conheci na minha vida, o menino Keanu”.  

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