O País – A verdade como notícia

A Fundação Fernando Leite Couto vai dedicar o dia 11 de Dezembro ao livro “A descrição das sombras” de M. P. Bonde. Trata-se de um festim literário diário que se enquadra na iniciativa “Vamos celebrar a literatura”. A iniciativa teve início no dia 07 e terminará no dia 21 de Dezembro. Os livros que são promovidos neste “Natal Literário” contam com 30% de desconto na compra.

“Espero conversar com o público sobre o meu processo criativo, minhas influências e sobre a jovem literatura moçambicana”, disse o poeta M. P. Bonde que recentemente ficou em segundo lugar no Prémio Escriba da Poesia 2018, no Brasil.

“A Descrição das Sombras” foi a obra vencedora, em 2017, da primeira edição do concurso literário Fernando Leite Couto. Na altura o júri adjectivou a obra como sendo uma produção poética que se constrói num discurso centrado no “eu” lírico e na visão contemplativa do autor.

Luís Carlos Patraquim, o 4.º lugar, Prémio Oceanos de literatura de língua portuguesa, “o deus restante” escreveu sobre “A descrição das sombras”: “a poesia de Bonde tem como patrono um poeta lírico, delicado e luminoso e universal, que pegue no cajado nodoso do pastoreio dos gados de deus e lhes alime as farpas e as aguce se necessário e lentamente, por uma vida longa, ao menos contemple o ouro alquímico”.

A última longa-metragem de Licínio Azevedo, Comboio de sal e açúcar, continua a destacar-se no estrangeiro. Depois de Melanie de Vales ter recebido o prémio para “Melhor Jovem actriz Africana”, reconhecimento da Academia Sotigui, o actor angolano, Matamba Joaquim, protagonista de Comboio de sal e açúcar, com o papel Tenente Taiar, foi distinguido como “Novo Talento” na 11ª dos Prémios para Actores de Cinema da Fundação G.D.A. – Gestão dos Direitos dos Artistas, numa cerimónia realizada na capital portuguesa, última terça-feira.

Além da distinção dos principais actores da longa-metragem de Azevedo, Comboio de sal e açúcar já recebeu vários prémios em festivais internacionais, tais como o Tanit de Ouro do Festival de Carthage, na Tunísia, para a Melhor longa-metragem de Ficção.

Para Licínio Azevedo, os últimos prémios, e que foram ganhos em simultâneo, nesta semana, foram inesperados pois o filme praticamente já encerrou a sua apresentação em festivais. “Foi uma surpresa muito agradável por este motivo e por serem os prémios que faltavam, prémios para os actores, os dois actores principais. Assim o filme encerra o ano com chave de ouro”, confessou o cineasta, convicto de Comboio de sal e açúcar valoriza muito o trabalho dos actores envolvidos, daí Melanie e Matamba terem sido laureados.

Até há dias, o filme de Azevedo havia ganho prémios para a obra no seu conjunto, como prémio de imagem, de guião e realização. Com a consagração de Melanie de Vales, sábado, no Burquina Fasso, e Matamba Joaquim, terça-feira, em Portugal, as coisas não poderiam ser tão formidáveis para Azevedo.

Acumulados tantos prémios, qual pode ser o ganho directo ou indirecto do facto de o filme estar a destacar-se tanto no estrangeiro? Licínio Azevedo responde: “Espero sempre o mesmo, que o reconhecimento da qualidade do nosso último trabalho facilite a existência do próximo. O nosso último filme tem que ser sempre o melhor da nossa carreira, se não for assim fica difícil conseguir juntar os recursos necessários para o próximo”.

Se, por um lado, Comboio de sal e açúcar destacou-se, primeiro, no estrangeiro, por outro não deixou de se valorizar internamente. Concorreu, para o efeito, a exibição nas salas de cinema e pelo Cinemarena (Cinema Móvel, da Amocine) nas estações de comboio da linha norte, onde a história se passa, durante o mundial de futebol, tendo sido visto por mais vinte mil pessoas.

Mesmo estando a destacar-se tanto com o seu último filme, as coisas não ficaram facilitadas para a produção da próxima obra de Licínio Azevedo. O cineasta vai lutando, com esperanças de que o sucesso de Comboio de sal açúcar vai abrir-lhes portas e janelas, afinal o cinema vive de financiamento e coisas de género.

Já agora, qual é o prémio que lhe falta ganhar com o filme? “O prémio será conseguir, exactamente, realizar o meu próximo projecto com as condições necessárias. Prémios em si, para o filme, já recebemos todos os possíveis, nas diversas áreas que envolvem a sétima arte”.

Há muito tempo que Anita Macuácua vem confeccionado os seus “xidossanas”. Finalmente, a obra está pronta e já pode ser partilhada com o público. O aguardado acto de lançamento do mais recente trabalho discográfico de Anita Macuácua será  na próxima sexta-feira no Big Brother, palco que há muito, não recebia espectáculos, e que pela primeira vez recebe mais de 30 músicos num único espectáculo.

“Estou a festejar o lançamento de mais um filho, que tem músicas já conhecidas, e também trago no álbum faixas novas para surpreender aos meus fãs e ao público em geral”, explicou a autora do álbum.

O “doce” de Anita Macuácua tem no total 15 faixas, duas das quais são músicas bónus e, conta com a participação de artistas de renome como são os casos do músico António Marcos.

A fim de divulgar o seu novo disco, a cantora está a preparar um espectáculo marcado para próxima sexta-feira no Big Brother, um evento que se espera que seja para todas gerações.

“O álbum tem ritmos diferentes, são músicas carregadas de emoção, mas cada música a puxar pela nossa emoção, e cada uma puxa para uma vertente diferente” explicou a cantora que se fazia acompanhar por parte dos artistas que irão participar do espectáculo.

Uma das estrelas, e porque não lendas da música moçambicana que a acompanhava, era António Marcos, fonte da receita para produzir xidossanas. Para ele, palavras são desnecessárias porque o disco de Anita Macuácua é a prova de que o legado foi passado.

“É uma honra continuar vivo e ver o fruto do que plantei” começou por dizer o dono da célebre música intitulada “Antoninho Mayengane”, tendo depois acrescentado que “espera que os restantes irmãos e irmãs dela também dêem a mão o mais forte possível, e que sigam o exemplo da Anita Macuácua”

Mas no palco não serão servidos apenas os doces de Anita Macuácua e António Marcos. De igual modo, cantoras como Dama Bling vão levar ao público emoções destes e de outros tempos.

“Foi a melhor altura que escolheste para fazer este evento, porque quando chega este mês de Dezembro, todos nós ficamos focados em diversão” disse a notável Rapper, que também garantiu que vai actuar de forma electrizante neste espectáculo.

Dias depois de vencer o Prémio INCM/ Eugénio Lisboa, Aurélio Furdela protesta contra o silêncio da crítica literária moçambicana e minimiza o valor monetário há pouco encaixado.  

Aurélio Furdela é um escritor já habituado a vencer concursos literários. Um ano depois de ter sido laureado Prémio Literário 10 de Novembro, eis que o escritor volta a destacar-se como o grande vencedor do Imprensa Nacional Casa da Moeda (INCM)/ Eugénio Lisboa.

Apesar de não se apegar ao valor monetário dos prémios, que neste caso oferece cinco mil euros, cerca de 350 mil meticais, o prémio conquistado, para Aurélio Furdela, reveste-se de um grande significado, sobretudo nesta fase em que, segundo o escritor, a crítica não acompanha a qualidade literária dos autores moçambicanos. “Os escritores no nosso país estão marginalizados pela ausência da crítica literária. Por isso, infelizmente, há uma tendência de se pensar que o que legitima o escritor são os prémios. Já ninguém presta atenção no que se está a escrever actualmente, e isso não deve continuar assim”, afirmou Furdela, amuado.

Colocando as coisas no domínio da questão estética, o novo prémio INCM/ Eugénio Lisboa encontra neste reconhecimento um farol que lhe ajuda a perceber em que nível se encontra,  sublinhando: “Mas não me deixo iludir pelos prémios literários, que dependem dos membros do júri, da avaliação de quem lê. Se calhar, se fossem outros membros de júri nem ganharia esta edição. Os prémios pouco importam”.   

A obra de Furdela premiada é intitulada Saga d’Ouro. Na altura em que submeteu o texto, o autor estava a escrever dois romances em simultâneo. Optou por aquele que se encontrava mais ou menos pronto para concorrer quando o regulamento chegou-lhe às mãos. Além desses dois romances, Furdela tem um livro de contos pronto para sair. Enquanto isso não acontece, o escritor revela que sempre teve um projecto literário, que atravessa etapas, as quais, inclusive, obrigaram-no a voltar à carteira para estudar História, por ter uma paixão pelo romance histórico. Paralelamente a essa paixão, Furdela quer voltar a recuperar a escrita do texto dramático, que abandonou há anos. E quanto à Saga d’Ouro? “Espero que os meus leitores encontrem neste livro um Furdela mais maduro, ousado e que se identifiquem com o texto”.

Saga d’Ouro foi escrito em mais ou menos quatro anos e é o segundo prémio INCM/ Eugénio Lisboa, depois de Mundo grave, da autoria de Pedro Pereira Lopes, distinguido ano passado.  

O júri que decidiu premiar Saga d’Ouro foi constituído por Ungulani Ba Ka Khosa (Presidente), Teresa Manjate e Paula Mendes. De acordo com uma nota enviada pelo Camões – Centro Cultural Português, citando a acta do júri, a atribuição do Prémio Literário INCM/Eugénio Lisboa a Saga d’Ouro, num universo de 15 candidaturas, “deve-se ao facto da escrita acurada a nível linguístico e por manifestar um domínio sobre as técnicas da narrativa. Nesta edição do prémio, houve ainda uma menção honrosa à obra Sonhos manchados, sonhos vividos, de Agnaldo Bata.

O LIVRO PREMIADO

Saga d’Ouro é uma história cuja trama assenta-se no choque cultural gerado pelo contacto entre África Ásia e Europa, recuperando como conflito a expedição militar de Francisco Barreto, em 1571, enviada pelos portugueses de vingar a morte do padre Gonçalo da Silveira, que, a misturar algumas frustrações amorosas, é acusado, por instigação de quem defendia interesses asiáticos, de prática de feitiçaria e  morto por decreto do soberano africano. No entanto, o enredo não perde de vista os interesses económicos da expedição portuguesa, virada à conquista das zonas produtoras do ouro. Esta é uma história de ficção que Furdela pretende explorar em três volumes.

 A BI(BLI)OGRAFIA DE UM AUTOR

Aurélio Furdela nasceu em 1973, em Maputo, e é licenciado em História, pela UEM. É escritor, dramaturgo, guionista e letrista. No seu percurso literário publicou: De medo morreu o susto; O golo que meteu o árbitro; As hienas também sorriem. Escreveu e publicou peças originais para o programa de teatro radiofónico “Cena Aberta”, da Rádio Moçambique, como “Gatsi Lucere”, publicada posteriormente em livro. Como letrista é autor da canção oficial da X Edição do Festival Nacional da Cultura – 2018, realizado no Niassa . Além do Eugénio Lisboa, Furdela foi, entre vários, distinguido com os prémios: Revelação de Literatura AEMO/Instituto Camões (2003); Prémio Revelação de Texto Dramático AMOLP/Instituto Camões (2003) e 10 de Novembro (2017).

Pela primeira vez, a colectiva “Gerações wagaya” é apresentada na Cidade de Maputo. A exposição está patente Centro Cultural Brasil-Moçambique e foi inaugurada pelo ministro da Cultura e Turismo.

Movidos pelo mesmo ideal de cantar o imaginário ligado à província de Inhambane, 11 artistas plásticos juntaram-se para expor “Gerações wagaya”. A colectiva patente no Centro Cultural Brasil-Moçambique (CCBM), na cidade de Maputo, até dia 28, é constituída por obras de A. Razão, Arlindo Massingue, Azevedo Munhaua, Chana de Sá, Huwana Rubi, Egídio Mugime, Mangga, Muando, P. Mourana, Rita Macarrala e Sebastião Matsinhe.

A cerimónia de inauguração da exposição realizou-se na noite desta terça-feira, tendo contado com a presença do Ministro da Cultura e Turismo, igualmente artista plástico. Na verdade, Silva Dunduro é o autor moral da realização da quarta edição de “Gerações wagaya” na capital do país. Tudo começou quando o governante, numa visita à Casa da Cultura de Inhambane, há três anos, apreciou uma exposição permanente dos artistas residentes naquela província. Nisso, Dunduro propôs que os artistas plásticos ousassem levar o movimento a outras salas. Calhou o CCBM, na cidade de Maputo, espaço muito concorrido no dia inaugural da exposição.
Debruçando-se sobre a colectiva, Silva Dunduro afirmou estar à espera que autores de outras províncias das regiões Centro e Norte sigam o exemplo para que o país se reencontre através das artes e da cultura.

“Gerações wagaya” é uma colectiva organizada pelo Ministério da Cultura e Turismo e tem como curadores Fernando Rafael Fanheiro e Jorge Dias, Director do Centro Cultural Brasil-Moçambique. Nas obras que a constituem, podem encontrar-se técnicas e estilos bem diferentes. Desde desenho à escultura, abstracto à paisagem, do acrílico à reciclagem, “wagaya” (que em português quer dizer da terra), destaca o protagonismo da cor viva, unindo o tradicional e o contemporâneo.

Dos 11 artistas plásticos em exposição na colectiva, duas são mulheres: Rita Macarrala e Huwana Rubi.

 

Já está em Maputo Marlise Sacoor a vencedora do concurso Miss University África 2018. A nova rainha da beleza universitária do continente africano confessou que o concurso foi exigente e que a sua vitória prova que as jovens moçambicanas têm muitas potencialidades que podem ser exploradas.

Marlise Givragy Sacur é Moçambicana, de 21 anos e recentemente licenciada em Arquitectura. Ela é a grande rainha africana, título conquistado na final realizada no passado dia 30 de Novembro, no International Convention Center, em Owerri, na Nigéria.

Depois de 17 dias de intensa competição, que envolveu 52 países africanos, e após 4 tentativas nos anos anteriores desta vez a candidata conseguiu trazer o título de Miss University África para Moçambique. Trata-se de uma competição que valoriza a beleza e a inteligência das universitárias africanas. Para além da representante moçambicana, ter demonstrado as suas qualidades individuais, a rainha moçambicana conseguiu expor, a vasta riqueza turística que agracia Moçambique e expor o seu nível de sensibilidade sobre os problemas que afectam a sociedade em geral e em particular á mulher e a criança.

As duas semanas de competição envolveram actividades de carácter cultural, desportivo e de responsabilidade social; para além de terem sido antecedidas por exposição de vídeos de divulgação do potencial de cada um dos países envolvidos.

A actriz moçambicana Melanie de Vales, 23 anos de idade, recebeu o prémio para “Melhor Jovem actriz Africana”, dado pela Academia Sotigui, sediada no Burquina Fasso.

A cerimónia de gala da terceira edição dos prémios da Academia, o mais importante festival africano de cinema, teve lugar na noite deste sábado, em Ougadougou, capital da Burquina, com a presença da actriz, que era uma das dez nomeadas para o prémio.

Melanie recebeu o prémio pelo seu desempenho no filme “Comboio de Sal e Açúcar”, do realizador Licínio Azevedo, no qual foi actriz principal, interpretando o papel de enfermeira Rosa.
“Comboio de Sal e Açúcar”, uma viagem através do país dilacerado pela guerra civil, já recebeu vários prémios em vários festivais internacionais, tais como o Tanit de Ouro do Festival de Carthage, na Tunísia, para a Melhor longa-Metragem de Ficção. Recentemente, o filme teve exibição comercial em salas de cinema de vinte cidades brasileiras, tendo estado em cartaz em algumas delas por quatro semanas consecutivas, sendo um dos raros filmes africanos a conseguir esta projeção naquele país.  

Antes de participar como actriz principal do filme pelo qual foi premiada pela Academia Sotigui, Melanie havia participado em apenas outro filme, quando tinha 14 anos, “República das Crianças”, do guineense Flora Gomes, rodado em Maputo.  

 

 

Este fim-de-semana todos os caminhos vão dar a praia da Barra, para as comemorações da 14ª edição do Festival do Tofo, que junta 44 artistas num só palco, entre locais, nacionais e estrangeiros.

O director provincial da Cultura e Turismo de Inhambane, Fredson Bacar garante que tudo esta apostos para a festa. “Toda estrutura ligada ao equipamento de som já esta instalada. Os artistas que são os protagonistas desta grande festa já aqui estão”.

Bacar disse ainda que irão subir ao palco 44 artistas, dos quais 26 são locais, 16 nacionais e 2 internacionais.   

Os artistas prometem oferecer um bom espetáculo ao público, onde espera-se pouco mais de 800 mil espectadoras.

Coube a cantora Juliana de Sousa dar a recepção de boas vindas aos seus colegas, que na ocasião disse “somos terra de boa gente porque recebemos bem as pessoas e tudo isso esta controlado naturalmente”.  

Por sua vez, o cantor Messias Maricoa prometeu encantar o público com as suas melhores músicas, como por exemplo “Nhanhado”.  

Já a cantora angolana Edmázia revelou que é a primeira vez que actua naquela província e disse que preparou um show com muito amor e carrinho com a banda moçambicana que tem lhe acompanhado. “Vou cantar ao vivo musicas que o público gosta e que o público escolher”.

Valdemiro José disse que para além das músicas populares que tem tocado, vai tocar as músicas do novo disco intitulado “Salama” que significa saudar em Swahili.  

O arranque do festival está marcado para tarde de hoje e termina domingo, dia 2 de Dezembro.

 

O xichangana, uma das línguas do Sul do país, tem, no seu rico vocabulário, a palavra 'moya', em português 'espírito / alma'. Foi àquela língua que Ivan Mazuze foi buscar o título do seu novo álbum, segundo a crítica, rico em delícias melódicas e rítmicas que foram carinhosamente seleccionadas e esculpidas de músicas tradicionais africanas e indianas.

O novo álbum de Mazuze pertence ao género world jazz e é constituído por 11 músicas, as quais totalizam 56 minutos. Os temas são: “Rohingya”, “Mantra”, “Masessa”, “Moya”, “Lunde”, “Wemba Wa”, “Nchisi”, “Griot”, “Asante”, “Baobá” e “Khuloiya”.

Produzido por Ivan Mazuze, este trabalhado discográfico conta com saxofones, flauta, palmas das mãos e sons vocais do autor. De igual modo, tem a participação de Hanne Tveter (vocal), Olga Konkova (Piano), Bjørn Vidar Solli (guitarra), Raciel Torres (tambores), Ibou Cissokho (kora), Sidiki Camara (percussão, tambores), Sanskriti Shretsha (tablas, vocais).

SOBRE OS SONS DO MOYA

A faixa de abertura de Moya, "Rohingya", pesar de ritmicamente relaxada, tem um toque meditativo e reflexivo e foi inspirada pelo povo Rohingya de Mianmar, que foi deslocado de sua terra natal, em 2017. “Mantra” é uma visão de costume comum entre algumas práticas religiosas africanas importantes. Um mantra é um enunciado sagrado, um grupo de sons ou palavras que se acredita terem poderes psicológicos e espirituais. A faixa combina um mantra de fogo rápido com interação instrumental convincente e soberbo sax solo alto de Ivan Mazuze.

“Masessa” é, historicamente, um sobrenome desenvolvido para classificar as pessoas em grupos – por ocupação, local de origem, parentesco e até mesmo características físicas. A faixa abre percussivamente levando a uma declaração temática estimulante e assim a solos destros da pianista Olga Konkova e Ivan Mazuze, quem concebe a música "Moya” como alma, vento e uma conexão em um contexto espiritual, “o que para mim significa simplesmente em busca de almas musicais. Sondar piano e saxofone abrem caminho através de uma faixa cativante e encantadora, que pode ser considerada a peça central do álbum”.

"Lunde" foi inspirado pela música folclórica norueguesa tradicional e relaciona-se especificamente com a região de Telemark, onde Ivan passa uma grande quantidade de tempo auto-reflexivo na abundante beleza natural da região. A faixa inclui um tremendo solo de guitarra do guitarrista Bjørn Vidar Solli.

"Wemba Wa" foi inspirado pelo falecido artista pop congolês Papa Wemba, que desfrutou de uma reputação internacional na música mundial. Wemba significou muito para a compreensão, pesquisa e desenvolvimento musical de Ivan Mazuze.

“Nchisi” foi inspirada na paisagem e nas pessoas do distrito de Nchisi, no Malawi. ”A faixa oferece uma deliciosa combinação de saxofone, kora tocada por Ibou Cissokho e percussão fornecida pelas palmas do autor.

“Griot” da África Ocidental é um trovador, o equivalente do menestrel medieval europeu. O griot sabe tudo o que está acontecendo, ele é um arquivo vivo das tradições do povo. Os talentos virtuosos dos griots comandam a admiração universal.

"Asante" é uma palavra swahili que significa "obrigado". A faixa apresenta os talentos virtuosos do baixista Per Mathisen, Ivan no saxofone alto e guitarra de Solli. Como em todo o álbum, o baterista Raciel Torres é sensacional. É, na sua totalidade, um vigoroso tour de force!

A árvore "Baobab" é conhecida como "a árvore da vida". Pode fornecer abrigo, roupas, comida e água para os habitantes humanos e animais das regiões de savana africana. A faixa inclui um evocativo tema vocal / instrumental, um solo de piano ultra-jazzístico, um ágil solo de baixo acústico e um solo final do Maestro Mazuze.

"Khuloiya" significa "ancestralidade" na língua xichangana. “A faixa é dedicada ao meu falecido amigo, um baixista chamado 'Filipinho' que realmente deu nome a esta música quando a compus há 15 anos”, disse Mazuze.

“Este álbum é verdadeiramente cativante. É uma mistura do velho e do novo, uma fusão do Leste e do Oeste, uma mistura de estilo e substância. “Dizemos‘ asante ’para Ivan Mazuze e sua‘ tribo ’escolhida para um experimento musical que teve sucesso em todos os sentidos.” afirmou David Fishel Music & Media.

PERFIL

Ivan Mazuze é um artista, compositor, académico e viajante que encontrou o seu lar na Noruega. Ele é inspirado por diferenças culturais e mergulha no estudo dos elos que conectam a música tradicional à música contemporânea. A escolha de instrumentos neste álbum varia de sax, piano, guitarra, baixo, tablas, kora e cabaça. O material deste novo álbum, Moya, explora a música religiosa usada nas práticas durante o ritual de transe de possessão espiritual chamado Xikwembu.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Ivan Mazuze é um compositor norueguês, saxofonista premiado e artista de jazz mundial de origem moçambicana. Iniciou os seus estudos em música na sua terra natal, Moçambique, na Escola Nacional de Música, em 1987, tendo o piano como primeiro instrumento. Após 7 anos de formação em piano clássico, Mazuze juntou-se à secção de sopros de madeira na mesma escola com uma abordagem de estudo de jazz e com foco na improvisação. Depois de terminar a escola básica de música, Mazuze se formou no Departamento de Jazz e Etnomusicologia da Universidade da Cidade do Cabo, na África do Sul, com um diploma de Honra em Estudos de Jazz e Composição e é um graduado de mestrado. Mazuze venceu o Concurso de Múltiplos Jazzes de Composição na Cidade do Cabo, na África do Sul. Seu álbum de estreia, Maganda (2009), foi indicado ao prémio de Melhor Grupo Afro World, Oslo World Music Festival 2009. Seu álbum Ndzuti (2012) foi escolhido como álbum recomendado na African Jazz Network 2012 e como um dos principais álbuns do ano de 2012, Music Information Centre Noruega (MIC) 2012. Mazuze lançou seu terceiro álbum Ubuntu em 2015, um álbum altamente aclamado dentro dos críticos de mídia nórdicos.

+ LIDAS

Siga nos