Skip to main content

O País – A verdade como notícia

O músico brasileiro Agnaldo Timóteo já está em Moçambique para a gala do dia dos namorados na quinta-feira. Timóteo foi recebido no Aeroporto de Mavalane por fãs onde mostrou um pouco do que vai acontecer na gala dedicada ao amor.

À chegada, o músico encontrou seus fãs perfilado no Aeroporto Internacional de Maputo, onde foi recebido com um dos seus temas: os verdes campos da minha terra. Os fãs cantavam com um sorriso estampado no rosto. Tudo em coro e dava a entender que tinha havido um ensaio.

Agnaldo, com um sorriso que o acompanhou durante a recepção, correspondeu também cantando e espalhando sorrisos para os admiradores que de seguida o entregaram um bouquet de flores. O artista brasileiro residente em Moçambique, Robson, também juntou-se ao momento.

Foi uma recepção cheia de emoção, alegria, música e amor… Aliás, é o amor que o traz a Moçambique. Agnaldo vai actuar, na quinta-feira, no Centro Cultural da Universidade Eduardo Mondlane alusivo ao dia dos Namorados, que se celebra a cada dia 14 de Fevereiro.

No aeroporto Timóteo interagiu com todos como se conhece a cada um. Os abraços, esses foram de distribuição gratuita. O que deixou emocionados e, até, hipnotizados, a olhar para aquele “velho” com cerca de 75 álbuns gravados e que registou o auge da carreira na década de 50 no Brasil e em todo mundo, até em Moçambique.

Há quarenta anos Agnaldo esteve em Moçambique, antes mesmo do nascimento de quase todas as pessoas que estiveram no aeroporto de Mavalane para o receber. Este facto deixa o artista um pouco indignado.

O músico de 83 anos de idade explica que merecia ter vindo a Moçambique porque no país dele nunca esteve ausente do teatro musical, apesar dos seus “temperamentos” de, de quando em vez, fechar-se da música. “Eu continuo inteirinho no Brasil, onde quer que estejamos, o nosso público, que é maduro, sempre está presente e solidário. Espero que aconteça o mesmo em Maputo. Vou ficar feliz da vida”.

Na sua actuação, o brasileiro vai ter companhia de alguns músicos moçambicanos, tais como Roberto Isaías e Guilherme Silva, que reside no Brasil. Uma forma de misturar o Samba e a Marrabenta.
Silva garantiu ao país que não vão faltar duetos entre os dois artistas, cada um cantando o seu país. Mas, “como sabe, eu não só canto marrabenta, canto o que ele canta, então vamos fazer boas brincadeiras”, disse Guilherme Silva.

Já Roberto Isaías diz que esta é a oportunidade perfeita de se criarem mais relações entre os países, e fazer recordar aqueles que ainda hoje estão casados e “abriram a sala com as músicas de Agnaldo Timóteo”.

O músico é trazido pelo Big Brother, que explica que o objectivo é proporcionar momentos de lazer e entretenimento aos mais velhos no dia dos apaixonados. “Geralmente, nós os promotores investimos em artistas da nova geração e os mais velhos ficam sem diversão. Então trazemos este artista para incluir também os mais velhos”, explicou Julinho, organizador do evento.

O título em causa é Our madness, o mesmo que nossa loucura, e foi exibido nos dias 26, 28, 30 e 31 de Janeiro, no Göteborg Film Festival, na Suécia. A obra cinematográfica, com hora e meia de duração, tem a realização do português João Viana, conhecido autor de várias curtas-metragens, e foi rodado em Moçambique há mais ou menos três anos.

A longa-metragem do realizador português alicerça-se à história de uma mulher para retratar contextos atinentes à realidade moçambicana, concentrando-se nos efeitos da guerra, questionando a essência da loucura e desafiando os conceitos sobre a lucidez.

Lucy é uma das personagens de Our madness, a qual, estando internada no Hospital Psiquiátrico de Infulene, arredores da cidade de Maputo, tem que conviver com a imagem distante do filho que foi arrancado dela e do marido, envolvido num conflito armado. Portanto, Our madness é uma produção sobre a realidade de um povo que ainda não se esqueceu das consequências geradas pelo som das armas, sem deixar à parte o folclore e o misticismo que caracteriza as sociedades africanas em geral.  

Este filme exibido semana passada na cidade sueca de Gutemburgo, na qual as temperaturas meteorológicas rondavam os 0 graus, é uma produção de Moçambique, Guiné-Bissau, Portugal e França, sendo que teve financiamento para pós-produção do Qatar, concretamente do Doha Film Institut, entidade que, entre muitas funções, fomenta o cinema e as produções de cineastas daquele país e estrangeiros.

Our madness integrou uma lista do Göteborg Film Festival constituída por cerca de 400 filmes de 83 países, o que quer dizer que o filme sobre Moçambique pode ser visto por milhares de pessoas no principal festival cinematográfico dos países nórdicos, o qual, nesta 42ª edição alertou aos participantes para a necessidade de preservação ambiental de forma sustentável.

Quanto ao elenco, a ficha técnica inclui: Bernardo Guiamba (Pack),Emerson Sanjane, (Enfermeira 1), Ernania Rainha (Lucy), Francisco Manjate (Enfermeira 2), Francisco Muxanga (Mau da fita), Hanic Corio (Rapaz), Janete Mutemba (Rapariga Louca 1), Jessica Laimo (Rapariga Louca 2), Mamadu Baio (Estrela Internacional), Rosa Mario (Padre). O argumento de Our madness pertence ao próprio director do filme, João Viana; o desenho de produção esteve com Marieta Mandjate e um dos produtores foi Sol de Carvalho. O desenho de som esteve com Mário Dias; a direcção de Fotografia com Sabine Lancelin; a montagem foi confiada a Edgar Feldman; a música esteve na responsabilidade de Pedro Carneiro e o som de Gabriel Mondlane. A produção foi encarregue a Les Filmes de l'aprés-midi, Telecine Bissau, Promarte  e Papaveronoir.

Our madness foi um dos 15 projectos seleccionados, em 2015, para o Cinefondation Atelier do Festival de Cannes, importante atelier que apoia realizadores com projectos inovadores, e foi distinguido no IndieLisboa com o Prémio Allianz para Melhor Longa-metragem Portuguesa, ano passado.
Além de Our madness, João Vina é autor das curtas-metragens A piscina, Alfama ou Tabatô e da longa metragem A batalha de Tabatô.
 
OUTROS FILMES EXIBIDOS
À semelhança de Our madness, na presente edição do Göteborg Film Festival foram exibidos mais obras cinematográficas africanos, por exemplo: Rafifi (Quénia), The Harveresters (África do Sul) e When arabs danced (Marrocos). Do país anfitrião, destaca-se um título cuja projecção foi muito concorrida: Koko-di koko-da, da autoria do realizador e escritor sueco Johannes Nyholm. A fim de ver aquele filme, espectadores de vários cantos do mundo lotaram, no passado dia 31 de Janeiro, a principal sala do Göteborg Film Festival: o cinema Draken, em vigor desde 1956. A longa-metragem lançada mês passado retrata os dramas enfrentados por um casal numa altura em que perdem o seu bem mais precioso: a filha. Segundo Johannes Nyholm, que respondeu às perguntas dos espectadores depois da projecção do filme, igualmente, Koko-di koko-da é uma história sobre relacionamentos e que se esmera em retratar uma circunstância de várias maneiras. Outros títulos de filmes exibidos durante uma semana e meia de festival, de 25 de Janeiro a 4 de Fevereiro, foram os suecos: Aniara, Boy in Bollywood, Moa Martinson – Landsmodern, Sasong, e Lucy one. Mas também houve propostas de outras latitudes, como as seguintes: Jumpman (Rússia), Volcano (Ucrânia), I fel good (França), 1985 (Estados Unidos), José (Guatemala), Domingo (Brasil) e Dry Martina (Chile).
 
SOBRE O FESTIVAL DE GUTEMBURGO
O Göteborg Film Festival é o maior evento cinematográfico dos países nórdicos (Suécia, Noruega, Dinamarca, Finlândia e Islândia). Foi inaugurado em 1979 e já vai na sua 42ª edição. Uma das preocupações da organização é atrair artistas e apreciadores da sétima arte à cidade de Gutemburgo, onde viveu o escritor sueco Henning Mankell, que fundou e dirigiu o Teatro Avenida, a partir de 1986, na cidade de Maputo. Anualmente, a iniciativa atrai mais de 160 mil pessoas, provenientes de vários cantos do mundo e é antecedido por um festival para crianças na segunda quinzena de Janeiro. Paralelamente com a exibição de filmes, Göteborg Film Festival inclui debates e apresentações sobre a sétima arte. A presente edição decorreu entre 25 de Janeiro e 4 de Fevereiro. Cerca de 20% de toda a população de Gotebug vai ao festival, o que, para Howard Fishman, jornalista norte-americano que participou no evento, é extraordinário, pois isso faz com que a indústria do cinema mexa com as pessoas a nível internacional e da comunidade local sueca. Até porque, “pessoalmente, sinto que qualquer boa arte tem o poder de ser transformadora para uma audiência”, considerou Fishman, confessando que ficou muito impressionado com os filmes que viu.

O músico moçambicano, D’Manyissa, recebeu Menção de Honra na categoria Christian (cristão), pela música “Let there be peace” ou seja, “Que haja paz”, depois de ter participado no Songdoor 2018 International Songwriting Competition nos EUA.

A música contou com performance vocal do músico norte-americano, Caled Allen, a parceria extravasou os dois artistas tendo chegado ao estúdio Tunedly.

A música descreve uma pessoa de joelhos a orar, pedindo a Deus para que haja paz em todas as nações do mundo.

“Como se sabe, ultimamente, a onda de violência e terrorismo no mundo está alarmante e várias pessoas inocentes estão a perder as suas vidas nesses ataques, e Moçambique não é excepção. Os brutais ataques no norte do país, há mais de um ano, são disso exemplo”, lê-se no comunicado enviado pela Tindziva.

D’Manyissa, diz ser urgente termos Deus nos nossos corações, nas nossas vidas. “É urgente o amor ao próximo”, afirma.

Esta não é a primeira música finalista de D’Manyissa. EM 2017, no concurso de composições musicais da Inglaterra Uk Songwriting Contest, o músico moçambicano chegou a final com “Timbila – Património Mundial”, música que desde finais de ano passado conta com um video-clip.

D’Manyissa encontra-se, neste momento a preparar o seu primeiro álbum discográfico designado “D’Manyissa Instrumental-Volume 1”, em que o músico cruza vários convidados especiais que se destacam na performance de um instrumento específico. São disso exemplos Orlando Venhereque (flauta), Júlio Sigaúque (guitarra), Ivan Mazuze (Saxofone alto e soprano), Banda MACOZOMI, Hélder Gonzaga (Bass), Lwanda Gogwana (Trompete), Seredeal “Shaggy” Scheepers (Teclados), Galina Juritz (Violino), Kika Materula (Oboé). Celso Paco, por ser multi-instrumentista foi convidado a fazer a performance dos vários instrumentos do seu domínio. D’Manyissa neste álbum faz a performance vocal de três músicas apenas.

O Centro Cultural Franco Moçambicano recebe “cinco fotógrafos-Um tributo a David Goldblatt”, trata-se de uma exposição fotográfica que será apresentada por Alexia Webster, Jabulani Dhlamini, Mauro Vombe, e Pierre Crocquet e dirigida por John Fleetwood e David Goldblatt..

A exposição é um reconhecimento ao fotógrafo sul-africano de renome mundial, David Goldblatt, este projecto foi desenvolvido como uma exposição de homenagem do Instituto Francês da África do Sul para celebrar a exposição retrospectiva de Goldblatt.

Cinco fotógrafos-Um tributo a David Goldblatt inclui uma série de trabalhos de cada um dos fotógrafos que farão parte da exposição
 
 David Goldblatt nasceu em 1930 em Randfontein, África do Sul, começou a fotografar em 1948. O seu trabalho pessoal consistiu numa série de explorações críticas da sociedade sul-africana, várias das quais foram expostas e publicadas em forma de livro. O seu livro, Particulars, recebeu o prémio Arles Book Prize de 2004.

Em 2006, recebeu o Prémio Internacional da Hasselbla Foundation em Fotografia e, em 2009, o Prémio Henri Cartier-Bresson. Recebeu doutoramentos honoris-causa das Universidades de Cape Town, do Witwatersrand e de San Francisco Art Institute. O seu trabalho foi exposto em museus na África do Sul, Estados Unidos, Europa e Austrália e é mantido em várias colecções públicas e privadas.

David faleceu em Joanesburgo em Junho de 2018.

Durante os primeiros anos a seguir a independência nacional, no país, levou-se muito em consideração a ideia de que o cinema é o reflexo dos povos, instrumento de aproximação e conexão.

Como que a ter em conta este raciocínio, os suecos organizam a 42ª edição do Göteborg Film Festival, evento que exibe 450 filmes de 83 países e que movimenta cerca de 160 mil pessoas de todo o mundo, incluindo Moçambique.

Uma dessas pessoas que participa da edição 2019 da iniciativa sueca é Ronny Fritsche, cujos créditos residem no facto de ter sido distinguido com “Sustainable Production Champion Award”, o mesmo que Prémio Excelência em Produção Sustentável, pela Vancounver International Film de Canadá.

Para aquele Produtor da Zentropa Sweden, é cada vez mais necessário que o cinema exerça o seu papel na questão da consciencialização ambiental de forma clara e inequívoca, de modo que os filmes ajudem a solucionar a crise climática que afecta a humanidade.  

Segundo a percepção de Fritsche, quando a indústria cinematográfica conta histórias tratando de questões ambientais, trata principalmente de filmes sobre desastres, apocalipse ou pós-apocalipse, muitos deles ambientados num mundo de ficção científica.

No entanto, avança, essa não é a melhor maneira de comunicar o desafio climático ao público, pois o desastre é apresentado como algo improvável, algo que apenas é possível ser observado no cinema e não na realidade, daí os filmes com cariz ambiental não tornarem, muitas vezes, a humanidade responsável pelo desastre reportado.

Num contexto em que a humanidade está a enfrentar grandes alterações climáticas, Ronny Fritsche entende que os padrões de vida e comportamentos culturais de mais de 7,5 bilhões de pessoas precisam mudar. “É um grande desafio de comunicação e eu acho que precisamos dos filmes para gerenciar isso.

Eu dificilmente acho que a política e a pesquisa sozinhas farão o trabalho! Eu acho que o filme hoje é uma oportunidade não utilizada para ajudar a resolver a crise climática.

Com as histórias, podemos afectar o nosso futuro. O poder mágico do filme de usar sentimentos para afectar o coração das pessoas é muito mais forte do que os números e estatísticas da pesquisa”, afirmou o produtor acrescentando que com os filmes, os artistas têm a oportunidade de atingir milhões de pessoas ao mesmo tempo.

E porque o planeta precisa de ser respeitado e acarinhado, o desenvolvimento sustentável em consideração a área ambiental é urgente para a sociedade e também para a indústria cinematográfica.

Por isso, Fritsche sugere que se inicie o desenvolvimento sustentável da produção cinematográfica já. E informa: “Caso você ainda não tenha reflectido sobre como nossa indústria realmente coloca ênfase no planeta, posso dizer que quase todas as acções no processo de filme têm uma consequência de carbono.

Ao produzir filmes, fazemos o mesmo que os indivíduos privados, mas fazemos mais intensamente.

 Nós consumimos, comemos alimentos, viajamos, usamos energia, queimamos combustíveis fósseis e produzimos resíduos.

A pergunta mais comum que eu recebo quando digo que trabalho com filmes verdes é: ‘Qual é a coisa menos amigável ambientalmente para o cinema?’ E isso depende de qual filme, mas a resposta mais plausível é viagem aérea e transporte”.

Dito isto, o produtor defende que a produção cinematográfica é provavelmente a forma de cultura ambientalmente mais stressante que é feita.

Para sustentar a sua posição cita o estudo realizado em 2006, pela UCLA, o qual descobriu que o sector de entretenimento é o segundo maior poluidor em Los Angeles (LA), atrás da indústria do petróleo.

“O acto de filmar coloca pressão no meio ambiente, por isso é importante começar a trabalhar com métodos mais ecologicamente correctos agora, para que um dia possamos produzir nossos filmes sem stressar o planeta”.

Mesmo sem ter uma fama ao nível dos Estados Unidos ou Bélgica, a Suécia é um bom país para se escolher uma produção cinematográfica ecologicamente correcta.
Tal ocorre porque o país tem um sistema muito bem desenvolvido para resíduos, boas fontes de energia e o impacto da produção de alimentos é baixo.

Mas e o que é necessário para que a indústria cinematográfica se torne mais sustentável?

“Precisamos de líderes e financiadores que assumam a responsabilidade e sejam dedicados ao meio ambiente.Todo mundo precisa de um chefe que diga quais políticas devemos seguir. Uma equipe de filmagem precisa de um produtor que administre o trabalho ambiental, e um produtor, por sua vez, precisa de demandas impostas a eles. Essas demandas devem vir dos financistas do filme, dos fundos do filme e dos institutos”.

Ronny Fritsche é produtor sueco e tem desenvolvido relatórios sobre cinema e apresentando palestras em festivais como de Cannes, de Tromsø e Gotemburgo.

A sua produção mais recente é “Wasted”, feita com uma grande consciência ambiental. Em outubro do ano passado foi premiado com o “Sustainable Production Champion Award” no Vancouver International Film Festival pelo seu trabalho.

 

Afinal, Vasco Massingue o primeiro moçambicano que vai fazer parte da maior companhia de circo do mundo, também participa do Italia’s Got Talent, e até foi apurado para a segunda fase, na qual saberá se vai a final daqui a um mês.

Depois de demonstrar o que sabe fazer (nas alturas) como riguer, montando instrumentos para que ocorram espetáculos de circo com a maior segurança possível, Vasco Massingue, mostra que tem mais “truques nas mangas”.

O jovem de 32 anos formado como artista de circo contemporâneo surge (uma vez mais), com “estrondo” na Itália, e porque não no mundo, como sendo um dos 15 apurados na primeira fase do concurso italiano chamado Italia’s Got Talent.

E foi preciso muito talento para deixar para trás os cerca de dois mil candidatos que com o mesmo objectivo, “perfumaram com o ar da sua graça” quele palco italiano, mas que por razões diversas o júri preteriu da sua presença nas semifinais, a ser realizada dentro de um mês.

Mas para chegar até as semifinais, foi determinante a performance que Amos, como é carinhosamente tratado.

A “dança dos plásticos” é inspirada no drama da lixeira de Hulene, e chama atenção a necessidade de se reciclar o lixo, e principalmente o plástico, como forma de preservar o meio ambiente.

Sem pronunciar uma palavra, Amós disse tudo que o mundo precisa de ouvir, apenas balançando o seu corpo com movimentos rítmicos e acrobacias com plásticos azuis a mistura.  

Embalados pelo ritmo de Amós, o júri, que até quis ficar calado anuindo a passagem do rapaz para as semifinais, estava completamente rendido a performance de Amós. “Amós tu és um grande artista, e o que mostraste hoje não é uma simples performance, é uma autêntica obra de arte”, disse um dos júris.

Um outro júri, com lagrimas na face, relembrou “que este é um problema que não é apenas de Moçambique, mas de todo o mundo”, e concluiu que “o espetáculo de Amós mostra que devemos pensar no que estamos a fazer com mundo”, aludindo a necessidade de preservar o meio ambiente.

METARO A CAPITAL EUROPEIA DA CULTURA 2019
Para além de malabarista, Vasco Massingue também e riguer. Aqui, a partir de Março, ele será o primeiro moçambicano a fazer parte do maior Circo do Mundo, o Cirque Du Soleil, sediado no Canadá.

O jovem artista vai trabalhar somente na parte técnica, onde entre outras actividades, vai montar liras, tecidos acrobáticos e trapézios.

Antes do contracto entrar em vigor, o jovem vai trabalhar como riguer em Matera, Itália, durante um dos maiores eventos culturais da Europa, as festividades de exaltação da capital da cultura deste ano.

Independentemente da arte, Vasco Massingue sonha um dia trazer para o (seu) país, a arte de fazer circo, uma actividade que como se sabe, ainda não existe no país.

 

 

A Friends studios assinou um memorando de entendimento com a Escola de Comunicação e Artes (ECA) da UEM visando fortalecer parcerias entre as partes na capacitação e formação de estudantes nas áreas de Sonoplastia, Luminotecnia, gestão de estúdios de gravação reprodução e edição de Música.

Ciente dos grandes desafios enfrentados na formação, a friends Studios formalizou esta sexta-feira através de um memorando de entendimento o compromisso de orientar estágios e apoiar os estudantes da Escola de comunicação e artes da UEM de modo a consolidarem os conhecimentos ao longo dos cursos.

Coube ao director da escola de comunicação e artes da UEM, João Miguel, explicar de que forma esta parceria será feita tendo em conta os três grandes pilares da instituição e da sua nova gestão.

Criado, em 2016, a friends Studios, um centro de produção musical, já abraçou várias iniciativas no âmbito do fortalecimento da indústria cultural, sendo esta a primeira vez a cooperar com a escola de comunicação e artes da UEM.
 

A partir de Março, o acrobático e malabarista Amós será o primeiro moçambicano a fazer parte do maior Circo do Mundo, o Cirque Du Soleil, sediado no Canadá. O jovem artista vai trabalhar somente na parte técnica, onde entre outras actividades, vai montar liras, tecidos acrobáticos e trapézios.

É para este espetáculo acrobático que se formou inicialmente Amós na Escola de Circo de Vertigo, na Itália, como artista especializado em acrobacias e malabarismo.

Mas devido a diversos factores como oportunidade e talento, o jovem, nascido em Ressano Garcia, na província de Maputo, preferiu especializar-se na montagem de liras, trapézios e tecidos acrobáticos, uma actividade denominada tecnicamente por riguer.

A viver na Itália, o desempenho de Amós como riguer levou-o a assinar com a maior companhia de circo do mundo, o Cirque Du Soleil, fundado em 1984 por dois artistas de rua.

O contrato em nada impede de continuar a sonhar em montar, pela primeira vez na história moçambicana, uma escola e um circo.

Amós, de nome oficial Vasco Massinge, tem 32 anos, frequentou escolas da província de Maputo e Beira, antes de rumar para Suíça, e de seguida para Itália. Para além da Itália, trabalhou na Correia, na Colômbia, Tunísia e Alemanha.

 

Uma doença calou a voz rouca, firme e determinada de Oliver Mtukudzi, músico e guitarrista que há muito deixou de pertencer apenas ao povo zimbabwiano. A um ataque de diabete fulminante, Tuku, como também é conhecido, cedeu à morte ontem à tarde, segundo o jornal sul-africano The Sun, na Avenues Clinic, na cidade onde nasceu, Harare, capital do Zimbabwe. Aquela enfermidade vinha desgastando uma das grandes referências da arte shona há alguns meses. Nisso, Mtukudzi lutou até onde pôde, mesmo débil, e, sem o calor electrizante que várias vezes aqueceu o público moçambicano, aos 66 anos de idade partiu, deixando para traz um imenso espólio musical.

Além da música, Oliver Mtukudzi abraçou várias causas socias de carácter altruísta, como activista dos direitos humanos e embaixador da Boa Vontade da UNICEF para a Região da África Austral. Foi generoso, humilde e não media esforços para manter intercâmbios musicais com outros artistas. Aliás, Tuku gravou um tema com Stewart Sukuma, “Guardians of the light”, para o álbum Os sete pecados capitais do autor moçambicano. Com aquele tema publicado em disco em 2014, os dois artistas procuraram contribuir para aumentar a consciencialização sobre os direitos da criança. “Guardians of the light” mereceu um vídeo-clip que somou mais de 73 mil visualizações no YouTube. “Durante as gravações, o Oliver foi muito espontâneo e tudo decorreu de uma forma muito intuitiva e natural. É uma honra enorme ter a voz inconfundível do Oliver perpetuada numa música que me diz muito. Ficamos amigos e ligados para sempre”, garante Stewart Sukuma.

Por Roberto Chitsondzo, Oliver Mtukudzi é descrito como um músico que se preocupou pelo bem-estar das pessoas, não medindo esforços nesse sentido. Para o promotor de espectáculos Belmiro Quive, quem organizou o último concerto do artista zimbabwiano na cidade de Maputo, a 29 de Novembro de 2017, a morte de Tuku é uma perda física, pois tudo o que ele fez de melhor vai perdurar por longos anos.
Oliver Mtukudzi nasceu a 22 de Setembro de 1952. Começou a sua carreira nos anos 70, tendo criado o estilo Tuku Music, baptizado com o seu próprio nome. Desde então, apresentou-se mundialmente. É autor de vários álbuns, ao todo 67, como Ndipeiwo Zano (1978), África (1980), Shoko (1990), Neria (2001) ou Tsimba Itsoka (2007). Foi actor, homem interventivo, desertou, mas sempre com Zimbabwe no peito. Defendia a revitalização das línguas africanas com garras, e, com efeito, o shona sempre foi dos principais veículos de expressão. Uma das suas frases que fica aqui imortalizada é extraída no tema “Neria”: “Não deixe o seu coração amargurado”

STEWART SUKUMA
Músico

Estou deveras sentido com o desaparecimento de um colega, amigo e grande ser humano. O Oliver era um músico extraordinário e também um activista social de coração grande. Uma enorme perda para a cultura musical africana, mas igualmente uma figura que permanecerá para sempre presente através das obras que nos deixou. O Oliver era um músico do mundo, não só de África. Quando convidei o Oliver para participar no tema “Guardians of the light”, do meu álbum Sete pecados, a resposta positiva foi imediata.

ROBERTO CHITSONDZO
Músico

Conheci Oliver Mtukudzi em 1980. Na altura, fui a Pemba com um grupo de professores de Inhambane. Lá havia um grupo zimbabwiano que ele integrava. Mais tarde, começamos a ouvir Mtukudzi e participamos em festivais juntos. É uma perda grande para os zimbabwianos e para os fazedores da música africana. Ele era aquele levantava alto a bandeira do Zimbabwe. Perdemos como África Austral. Vinha cá frequentemente e não escolhia pessoas com quem cantar. Gostava de lutar pela saúde dos demais. A última vez que partilhamos palco foi no AZGO.

MOREIRA CHONGUIÇA
Saxofonista

Hoje é um dia triste, não só para o Zimbabwe, mas para África e para o mundo em geral. Tive o privilégio de ser amigo de Oliver Mtukudzi. Foi-me um grande mentor, um exemplo de persistência, consistência e sustentabilidade. A última vez que estive com ele foi há um ano, no funeral de Hugh Masekela. Ele tocou no Soweto. É grande perda. Estamos a ver músicos sábios a morrer, pessoas que contribuíram para a libertação de muitos movimentos africanos, que cantaram para o povo. É dia triste, grande perda. Por isso, é altura de repensar a cultura, temos de documentar informação sobre ele.

BELMIRO QUIVE
Promotor BDQ Concertos

A morte de Oliver Mtukudzi colhe-me de surpresa. Um artista muito querido em Moçambique e que tive o privilégio de promover naquela que foi a última aparição em Moçambique, a 29 de Novembro de 2017, quando trabalhei com ele no Standart Bank Acácias Jazz. É uma perda irreparável para a cultura africana, pois a sua música, voz e dança do Tuku, como carinhosamente chamávamos, jamais será ouvida ao vivo. No entanto, ele deixa um legado imensurável da sua vasta discografia que jamais será esquecida. Que Deus lhe dê o eterno descanso.

PAULO CHIBANGA
Promotor Festival AZGO

Para mim, a morte de Oliver Mtukudzi tem muitos significados. Como africano, amante da música, ele era das nossas maiores estrelas. A notícia da sua morte é triste para os nossos irmãos do Zimbabwe. Como artista tive oportunidade de partilhar palco com ele, em vários momentos. Uma vez participei no seu aniversário de 50 anos, no Zimbabwe, numa homenagem local. Lá estive com Stewart Sukuma. Ele foi um ser muito bondoso para todos e tinha trabalho social muito importante. Esta notícia veio como torrencial na nossa ideia de o homenagear. Estamos tristes.

+ LIDAS

Siga nos