O País – A verdade como notícia

A cidade mineira de Khouribga, em Marrocos, é palco de mais um Festival de Cineastas Africanos. Para edição deste ano, 15 filmes concorrem aos prémios de um evento cinematográfico cuja cerimónia de inauguração realizou-se no último sábado. Nessa sessão, participaram, entre vários realizadores do berço da humanidade, Licínio Azevedo de Moçambique.

Na verdade, no Festival de Cineastas ainda a decorrer em Khouribga, onde os filmes são exibidos apenas numa sala, com sessão de debates que se prolongam pela madrugada dentro, o cineasta moçambicano participa como membro do júri, função que lhe foi confiada por ter sido considerado Melhor Realizador Africano 2017, com a longa-metragem Comboio de sal e açúcar, que também é Melhor Guião do ano passado, além de vários outros prémios conquistados este Dezembro.

O local do festival é um centro isolado de Marrocos. No entanto, o que importa, para Licínio Azevedo, não é o facto de Khouribga ser uma pequena cidade ou com uma sala de cinema. Para o realizador moçambicano a participação na sessão cinematográfica honra-lhe muito porque reúne diferentes cineclubistas do continente africano.

Entre os cineastas africanos que participam do festival de Khouribga encontra-se também o autor angolano Zezé Gamboa.  

Ora, no mês passado, Licínio Azevedo esteve num outro evento cinematográfico, o Festival de Cinema Árabe-Africano, realizado na Tunísia. “Este também é um festival importante porque Tunis, que é uma grande cidade, mobiliza-se para o evento. São praticamente 10 ou 15 salas de cinema que exibem cerca de 100 filmes durante uma semana. De igual modo, a cidade mobiliza um público extraordinário de mais de 200 mil pessoas. Também na Tunísia, Azevedo foi membro do júri com actrizes de Burquina Fasso, da Palestina, uma realizadora libanesa e uma crítica norte-americana”.

Sobre o festival da Tunísia, Licínio Azevedo destaca que concorreram extraordinários filmes de autores quenianos emergentes, o que lhe surpreender muito.

Portanto, o  Festival de Cineastas Africanos que se realiza em Marrocos termina próximo fim-de-semana.

 

Sasenta e quatro páginas fazem a nova proposta literária de Carlos dos Santos. O conto infanto-juvenil chegou às livrarias nacionais este mês e é intitulado Na esteira das estrelas.

A 16ª obra literária do autor moçambicano, a nona de literatura infanto-juvenil, foi editada pela Alcance Editores.

Esta nova aventura imaginada por Carlos dos Santos é para divertir e, ao mesmo tempo, educar as crianças, os adolescentes, os jovens e os adultos em geral, a partir da história da protagonista Nhiedzi, uma menina muito curiosa que foi passear sozinha por uma floresta vizinha numa certa manhã. Perdida, o que poderia ser terror, transformou-se numa deliciada e encantada aventura com a exploração da beleza dos sons, das cores, dos odores e da aprendizagem.

Com efeito, é quando a protagonista da história pretende regressar a casa, para junto dos seus amigos e familiares, que se apercebe que se perdeu. Assustada, desata a correr de um lado para o outro. E quanto mais andava e corria, mais ela se perdia. Assim desnorteada, a menina até começou a ter medo das muitas coisas que via por aquelas bandas, e que ela não conhecia. Chorou com medo, gritou por ajuda, mas não havia ninguém por perto que lhe pudesse acudir, e a viesse ajudar a encontrar-se. Até que surgem muitas surpresas, incríveis e fantásticas.

O livro Na esteira das estrelas, de Carlos dos Santos, foi ilustrado por Artur Matavele.

Além desta 16º obra literária, Dos Santos também é autor de outros livros de literatura infanto-juvenil, nomeadamente O conselho (2007), Os frutos da amizade (2008), As cores da amizade (2011), Um passeio pelo céu (2012), O mundo e mais eu” (2013), O caçador de ossos (2013 e 2018), O bichinho da curiosidade (2014), O passeio das espécies (2015) e Os pastores de letras” (2016).

De igual modo, Carlos dos Santos é autor dos seguintes livros de ficção científica: A quinta dimensão, O pastor de ondas e O eco das sombras.

 

Faltam 12 dias para o ano 2018 chegar ao fim. Para o Natal, ah, aí faltam muito menos. Então. Como que a introduzir-se no espírito desta época festiva, Neyma resolveu recuar o relógio e ir buscar, no ano 2017, uma música feita com o rapper Mano Tsotsi, e, com a mesma, gravar um vídeo-clip. O título da música em causa é “E quando chega Dezembro”, a qual apresenta-se com um ritmo dançante e mesmo à laia de celebração.

A ideia de dar protagonismo à música “E quando chega Dezembro” não vem do nada. Longe disso. De acordo com a cantora, agora com 19 anos de música ao peito, houve uma pressão dos apreciadores da sua obra. Muitos dos fãs que com Neyma convivem, agradados pela composição perguntavam-na por que não fazia um clip. Passados tantos meses e contagiada pela atmosfera natalícia, aí a cantora cedeu e juntou-se a Mano Tsotsi para produzir um vídeo de enorme qualidade de imagem.

Mano Tsotsi, na percepção de Neyma, é um rapper que merece ser ouvido, pois é “é um artista talentoso. A primeira colaboração que fizemos juntos foi da música “Mutxado”. Daí começaram a surgir outras colaborações, inclusive, de músicas que nem sequer saíram. Houve uma espécie de casamento perfeito entre nós. Sinto-me muito à vontade em trabalhar com Tsotsi e quero fazer de tudo para que as pessoas possam conhecer-lhe porque Tsotsi é um tipo que vale a pena”.

Neyma escolheu “E quando chega Dezembro” como título da música que agora merece vídeo-clip porque toda a gente sabe o que acontece, quando chega o último mês do ano. “Penso que nós, apesar das guerras, conflitos, tristezas e crises não deixamos de transmitir esta alegria e tranquilidade, possível de mostrar através deste vídeo-clip”, no qual a cantora preocupou-se sempre em inserir a realidade moçambicana. “É este espírito de festa e de partilha que eu quero transmitir às pessoas. E, durante a gravação do vídeo, contei com a contribuição de muita gente que se ofereceu em fazer parte das filmagens. Na verdade, eu queria este contacto directo com os meus fãs. E foi isso o que aconteceu”.

Referindo-se ainda a “E quando chega Dezembro”, a cantora que se identifica com a marrabenta proferiu que, a partir do momento que fez a escolha de ser vista como uma artista africana, e sobretudo moçambicana, sempre prezou promover trabalhos que caracterizam a cultura moçambicana, com letras nas quais os moçambicanos se revêem.

Para Neyma, o ano 2018 foi artisticamente positivo para a arte musical no país. “Já havia muita música moçambicana antes, mas, este ano, passamos a ter ainda mais opções, o que é de louvar porque revela que podemos fazer festas e espectáculos apenas com música moçambicana. A música tende a crescer, os artistas têm trabalhado mais e o público tende a valorizar ainda mais os músicos. Espero que em 2019 isso continue”.

No novo vídeo-clip, igualmente, Neyma quis mostrar aos seus seguidores outra parte da cidade de Maputo que dificilmente tem explorado até aqui. A ideia é sempre expor a realidade dos moçambicanos: como vivem, como se relacionam, com lugares com os quais se identificam. E porque o vídeo tem poder de vender imagens, Neyma pensou fazer desta obra um guia turístico para a capital do país”.

“E quando chega Dezembro” é um vídeo com a participação dos meninos Shad e Kayane, filhos da cantora e Eunice Andrade, respectivamente. Além dos meninos, também participam o actor Horácio Guiamba e o apresentador de televisão Sérgio Faife. Foi produzido por The King (Mito) e dirigido por Dwalak Mendes.

O compositor e intérprete moçambicano, D’Manyissa, exalta a timbila no vídeo-clip da música intitulada “Timbila-Património Mundial” que será lançado esta quarta-feira.

Uma parte do vídeo foi filmada em Moçambique e conta com imagens concedidas pelo Instituto de Investigação Sócio-cultural, tutelado pelo MICULTUR, outra parte foi filmada na Suécia, país onde coube a produção e edição do vídeo, realizados por Linda Skjevik e Darryl Thomas.

O clip conta com a participação do músico e multi-instrumentista moçambicano, Celso Paco.

“Além de Celso Paco, participaram da gravação desta música o António “Dodó” Milisse, na guitarra; Orlando Venhereque, no saxofone e o falecido músico Filipinho no baixo. Ao D’Manyissa coube os arranjos e o produção”, lê-se no comunicado enviado enviado à nossa redacção.

A música “Timbila-Património Mundial” compõe o álbum, ainda na forja, “D’Manyissa Instrumental-Volume 1”. As músicas do álbum já foram gravadas e aguardam apenas os apoios para a fase de mistura, masterização e replicação.

O seu álbum conta com vários convidados como Orlando Venhereque (flauta), Júlio Sigaúque (guitarra), Ivan Mazuze (Saxofone alto e soprano), Banda MACOZOMI, Hélder Gonzaga (Bass), Lwanda Gogwana (Trompete), Seredeal “Shaggy” Scheepers (Teclados), Galina Juritz (Violino), Kika Materula (Oboé).

A edição deste ano do Music Awards da cidade de Boston, capital do estado norte-americano de Massachussetts, o mais populoso daquele país, tem um moçambicano. Chama-se Albino Mbie, músico multifacetado que canta, compõe, toca e produz. Ao Boston Music Awards, o músico que nasceu no bairro Jorge Dimitrov, Benfica para muitos, na cidade de Maputo, foi nomeado para a categoria de Artista Internacional do Ano, na qual vai disputar o prémio com mais nove autores, nomeadamente: Balla Kouyaté, Bebo Band, Dis n Dat Band, Dub Apocalypse, Dzidzor, Kina Zoré, MIXCLA, Nichi y Chalas e Soul Rebel Project.

A nomeação à categoria de Artista Internacional do Ano no Boston Music Awards não foi por candidatura. Por isso, a notícia tanto surpreendeu o músico moçambicano quanto comoveu, pois demonstra que Mafu, seu segundo álbum discográfico, foi bem recebido nos Estados Unidos e internacionalmente, daí o reconhecimento em causa no estado de Massachussetts.

Mafu, termo cicopi que significa areia em português, é um disco com 12 músicas, nas quais o autor canta o amor e a mulher muito apegado à realidade moçambicana. Como no seu álbum de estreia, no segundo Mbie apresenta-se com acordes serenos, com mensagens que aconselham, motivam e educam. Mafu foi apresentado em concerto no “Noites de Guitarra”, da BDQ Concertos, espectáculo que se realizou no Campus da Universidade Eduardo Mondlane, na cidade de Maputo, no dia 2 de Março. No mesmo palco que Mbie, actuaram Richard Bona, Ernie Smith e Jimmy Dludlu.

A meta de Albino Mbie nos Estados Unidos de América é chegar aos Grammy. Nesse sentido, o músico vê na actual nomeação uma motivação para continuar a trabalhar, de modo a mostrar-se cada vez mais ao mundo a partir de um país onde as oportunidades são as melhores em relação as de vários contextos. “De que acordo com as informações que tenho, nunca havia sido nomeado um moçambicano ao Boston Music Awards. Esta foi a primeira vez. Então, prometo trabalhar para pôr Moçambique no mapa artístico e cultural do mundo”, e Albino Mbie acrescenta: “Fazer parte do Boston Music Awards para mim significa crescimento e visibilidade de todas as formas pois eles estão a reconhecer a minha contribuição cultural aqui em Boston e a nível internacional. É muito positivo”.

Para um músico ser nomeado àquele evento musical, além de qualidade, deve ser activo, participando em workshops, fazendo concertos a nível local e internacionalmente. Para certificar o nível de actividade dos artistas, a organização dos Awards de Boston apoia-se às matérias publicadas nos jornais, na televisão ou no YouTube.

 

O TRAJECTO DE UMA VOZ DOCE

Uma das qualidades que destaca a arte de Albino Mbie é a forma suave e doce com que narra as histórias nas suas músicas. Tal facto, já valeu prémios e distinções em diversas circunstâncias. Há anos, Mbie foi o primeiro classificado no World Music pelo International Song Writing (USA – 2014), Prémio Revelação Ngoma Moçambique (2014), nomeado para RFI (Radio France International – 2014), nomeado para John Lennon Songwriting Competition (2015) e, este ano, nomeado para Boston Music Awards ( Radio France International – 2018). Distinguiu-se ainda na produção, como produtor e mixagem de som, com “Massinguitana”, de Mr Bow (Ngoma 2014) como a musica mais popular do ano.

 

Albino Mbie é guitarrista, cantor, produtor musical, engenheiro de som, videógrafo e empreendedor. Nasceu  no bairro George Dimitrov, Maputo. Como muitos guitarristas moçambicanos, fez a sua primeira guitarra com uma lata de 5 litros de óleo, restos de madeira e cordas de cabos eléctricos.

 

Atraídos pelos sons de músicos de rua no bairro de Maputo, começou a tocar em algumas bandas locais, almejando combinar estilos.

 

Estudou na Escola de Comunicação e Artes (ECA), na Universidade Eduardo Mondlane. Enquanto lá esteve a estudar em educação musical e performance, teve a oportunidade de ir formar-se no Berklee College of Music em Boston, EUA. E assim, em 2009, foi um dos primeiros alunos a receber uma bolsa de estudos para Berklee através do programa Scholars africanos. Os seus grandes mentores são Richard Bona e Lionel Loueke, emblemáticos músicos africanos. Com o primeiro, Mbie partilhou o palco em Maputo, no concerto da BDQ Concertos, em Março deste ano.

Com o seu primeiro CD, Mozambican Dance, foi prémio World Music nos EUA, pela International Songwriting International, e Prémio Revelação pelo Ngoma Moçambique.

 

“As marcas de um crime que nunca se apagam das memórias” é o título do livro do Comandante-geral da PRM a ser lançado na próxima segunda-feira em Maputo.

A ser lançado em três línguas, português, inglês e Francês o actual Comandante-geral da Polícia diz que transporta, neste livro, a sua convivência com o mundo do crime e revela alguns episódios por si assistidos no dia-a-dia que nunca se apagaram da sua memória. Aqui o autor diz que traz o que viu e viveu como polícia. Bernardino Rafael falou sobre o conteúdo que pode ser encontrado no seu livro de memórias.

“Escrevi este livro para transportar a convivência que tenho e tive com o crime como profissional; transportei o que eu tomei como ocorrência de tantos crimes que me marcaram a memória e que nunca se vão apagar. Todo crime deixa uma marca e eu tenho muitas marcas que me ficaram”, disse o autor.

O assassinato do primeiro presidente do Conselho Municipal do Xai-Xai, Faquir Bay Nalagi, constitui uma das marcas que marcou a vida profissional do actual Comandante-geral da Polícia. Esta obra, nos dizeres do autor, é uma confissão de um profissional que viu a banalização da vida humana pelos esquemas do crime.

A obra será lançada na próxima segunda-feira na baixa da cidade de Maputo e espera-se a participação de diversos actores sociais.

As actividades artísticas programadas para este ano chegaram ao fim, no Centro Cultural Franco-Moçambicano, cidade de Maputo. De modo a encerrar o ciclo de eventos que se têm realizado naquela instituição ao longo dos 12 meses do ano, o Franco organizou um concerto designado “Festa de encerramento: Flávia Coelho live soundsystem & convidados”. O mesmo está marcado para próxima sexta-feira, a partir das 20h30, no jardim do Franco-Moçambicano.

Esta não é a primeira vez que Flávia Coelho vem a Moçambique. No último mês de Maio, foi uma das cantoras que actuou num dos palcos do Festival AZGO, realizado no Campus Universitário da Universidade Eduardo Mondlane, na capital do país. Com efeito, depois dessa performance, a cantora brasileira volta à Cidade das Acácias para encerrar as actividades do Centro Cultural Franco-Moçambicano relativas a 2018.

Com efeito, no espectáculo de sexta-feira, Flávia Coelho não vai actuar sozinha, afinal Regina Santos (vocalista dos Gran’Mah), Onésia Muholove, Ras Skunk e a sul-africana Noma Nyiki também fazem parte de um cartaz que inclui ainda Dub Rui, que fará o DJ set de abertura e encerramento do evento.

Flávia Coelho é uma autora que percorreu vários cantos do mundo, desde os morros do Rio de Janeiro, no Brasil, até às ruas pavimentadas de Paris, na França. No seu último álbum, Sonho real, assim como no palco, a cantora desdobra o seu ser e a sua alma! Com uma tradição de soundsystems jamaicanos que abalaram a sua infância no Nordeste do Brasil, Flávia equilibra os seus fluxos em ritmos originais, remixando clássicos, do Roots Reggae à Cumbia, passando pelas sonoridades mais electro.

Um raio de sol, um convite para dança!
Portanto, no derradeiro espectáculo do Franco-Moçambiicano, para este ano, o Palco do jardim será o local do encontro.

A fim de encerrar o ano académico 2018, a Escola de Comunicação e Artes (ECA) da Universidade Eduardo Mondlane (UEM) organiza “Opera Mwango e Mwanga a partir de Bastien und Bastienne”, de W. A. Mozart. O espectáculo que junta no palco estudantes e professores, artistas daquela instituição de ensino superior, vai realizar-se quinta-feira, a partir das 18h, no Centro Cultural da UEM, na cidade de Maputo.

Esta é a primeira vez que, segundo Venâncio Calisto, encenador do espectáculo, se realiza uma ópera de Mozart no país. “O que nos faz escolhe-lo é a sua qualidade, temporalidade e universalidade. Mozart marcou tanto a humanidade com a sua obra que é uma oportunidade de ampliar horizontes dos estudantes da ECA que estão a ter a oportunidade de fazer o espectáculo”, entende Calisto.

De igual modo, os organizadores desta ópera pretendem mostrar ao público moçambicano as valências dos estudantes da ECA, colocando-os a interagir com os seus docentes. Os mais implicados no espectáculo são professores e estudantes dos cursos de Música e de Teatro.

Neste espectáculo à moda Mozart, os artistas moçambicanos adaptaram muitas coisas, como os espaços e o contexto: “Fizemos adptação onomástica e geográfica da ópera de Mozart, o que implicou transformar os nomes Bastien und Bastienne para Mwango e Mwanga. Além disso, em termos geográficos a cena que se passa originalmente numa aldeia europeia passou a desenrolar-se numa aldeia de Cabo Delgado, onde fomos buscar os nomes Mwango e Mwanga”.

O espectáculo da ECA vai durar 50 minutos. No evento, os cantores vão cantar em alemão e os actores farão diálogos em português, usando a linguagem corporal, movimento e dança.

Mais de 40 pessoas estão envolvidas no espectáculo, entre actores, músicos e equipa técnica. Desse universo, os artistas principais são Horácio Guiamba (Mwango), Joana Balango (Mwanga), Dadivo José (Nyanga) e Josefina Massango (Senhora da Palhota Grande). A Coordenação-Geral do espectáculo é de Vítor Gonçalves; Direcção de Produção foi confiada a Fernando Macamo; Feliciano de Castro é o mastro; Cenografia, figurino e adereços estão na responsabilidade de Sara Graça e a preparação vocal tem direcção de Stela Mendonça.

“Esperamos que este concerto sirva para colocar o nosso público em contacto com o clássico. É importante que conheçamos os clássicos porque contribuem para a nossa formação artística. Muitas vezes as pessoas dizem que os clássicos são europeus. Não. São da humanidade”, afirmou Venâncio Calisto.

 

Adelino Timóteo vai lançar mais um livro. Intitulado A volúpia da pedra, a colectânea de poesia será apresentada ao público às 18h desta segunda-feira, no Centro Cultural Português, Pólo – Beira.

Na nova odisseia literária, o poeta quis exprimir o que considera relação biunívoca entre o sujeito poético e o objecto da sua escrita, a pedra. Esta relação é ao mesmo tempo dual, porque decorre da intimidade entre o sujeito-poético e a pessoa amada, personificada na pedra, transfigurada, também, na poesia. “No fundo, pretendi evocar uma nova inquietação dentro da minha poesia, de cunho afectiva, mas procurando salvar o que parecia gasto, inovar-me. É assim: onde antes o sujeito-poético amava uma mulher, neste livro ele fá-lo a uma pedra”.

Na verdade, neste A volúpia da pedra há muito jogo metafórico a envolver a imagem da mulher e da pedra. Sobre esta ocorrência, Timóteo explica que tal deve-se a uma catarse dentro do seu enunciado poético, afinal a escrita do livro decorre dentro de ilusões e alucinações, pois por vezes o sujeito-poético está dividido entre a pedra e a mulher, que no fundo se fundem num discurso único.

Embora o livro seja curto, possui apenas 39 páginas, o poeta investiu, como lhe é característico, num texto profundo e prolongado, porque, segundo o autor, os poetas são seres inconformados. Assim, “um poema é a reescrita do anterior, um encadeamento de várias circunstâncias e situações, na minha poesia em prosa. Daí há a persistência nas alusões e na recuperação do enunciado. Se quiser, a poesia que é, senão o eco, a repetição das ressonâncias físicas e sonoras, de há milhares de anos. Dizer a pedra, dizer a mulher, é inceptar a fuga para um tempo arcaico, remoto”. Referindo-se ainda ao novo livro, Adelino esclarece: “No fundo eu pretendia dialogar com as vozes que fundaram os textos da antiguidade, sendo a pedra um objecto primigénio, milenar, tão velho como o mundo, tão velho e novo como a própria poesia, sendo ela o rosto visível e invisível de uma mulher que pretendi esconder por detrás da pedra e da palavra, por detrás da poesia, tornando-a mítica, misteriosa, aliás, como o é a escrita própria, a própria poesia”.

Adelino Timóteo assume que tem uma relação afectiva muita antiga com a pedra. “Recordo-me, em miúdo, eu via uma pedra gira, lapidada, escultural e a recolhia ao bolso. Passaram-me muitas afectividades entre mim e ela. Mas essa afectividade precipitava e estrangulava-se sempre que um empregado em casa tomava os meus calções e os punha no lava-roupa. Vejo nisto tudo um jogo, um encanto, uma busca de leveza, mesmo sabendo que a pedra é opaca, rija e obtusa. Vejo em tudo isso, nesta afectividade, a transfiguração do humanismo, da paz, porque a pedra, domesticada, sabe ser quieta, sabe se comportar como se fora a pessoa ideal, a servir-nos, a cumprir ou dispor-se, nos meus caprichos. E isto porque não conheço poeta que não seja caprichoso, no bom sentido de pretender domesticar a ambiência ao redor”.

A volúpia da pedra foi escrito e reescrito mais ou menos 15 vezes. Adelino burilou-o até à exaustão. “Enquanto não me fartei de escrever e rescrever este livro nunca o dei por pronto. E para mim esse diálogo inscreve-se no afecto, numa relação de cumplicidade, graças a visões que recebia ao longo da escrita. Eu preferia dizer um diálogo de enamoramento entre o poeta, a pedra e a poesia. É em síntese o que pretendi que fosse A volúpia da pedra.

Nesta aventura literária, Adelino Timóteo reconhece por via da poesia o que move o homem: a dimensão física e metafísica, a sede de amar, a sede de partir ao desconhecido e chegar, a aventura. A dimensão do amor, a dimensão de afectividade.

“Este livro é também a chegada a Ítaca, com os meus mitos, os meus desejos e sonhos, depois de exorcismar os fantasmas, depois de limpar o lixo que nos envolve, faço uma longa travessia. Movo-me na direcção do essencial: a mulher”.

Adelino Timóteo espera que os seus leitores encontrem, nesta aventura, não a cisão do poeta com a poesia intimista, mas com a forma com que vai dizer e escrever a poesia.
 

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