O País – A verdade como notícia

Féling Capela é muitas coisas. Vive a poesia como poucos e fotografa como só ele sabe. Encontra-se no universo artístico há muitos anos, e, a partir daí, tem contribuído para promover artistas nacionais. Nesta entrevista, o Gestor Cultural do Centro Cultural Moçambicano-Alemão abre o seu coração para partilhar o que lá existe. Fala do seu percurso artístico, das suas experiências dentro e fora do país, critica a hipocrisia que existe no meio artístico e ainda deixa uma clara sugestão para os municípios, em particular o de Maputo.

 

Comecemos com o seu texto, “Meus poemas são vida”: “Meus poemas bem sentidos não mentem/ Meus poemas têm bombas/ Bombas da consagração da paz e amor/ (…) Meus poemas são humanistas/ Meus poemas não são racistas/ Meus poemas excluem os egoístas/ Meus poemas têm berço de Jah”. Qual é a história deste poema que foi escrito num só dia e que foi apresentado num festival de Durban?

Este poema foi escrito dessa maneira porque participei de várias residências durante a semana em que estive naquele festival com vários poetas internacionais. Aí apercebe-me que o sentido de ser poeta ou de ser poético varia de indivíduo para indivíduo. Tem a ver com a sua formação e com as suas sensibilidades. Lá apercebi-me que a maioria dos poetas africanos tinham a mesma visão, falando de amor ou narrando as suas próprias histórias. Lembro-me que esteve lá um amigo meu, americano, que, quando soube que eu era moçambicano (antes pensava que eu era português, por causa da língua), ficou muito assustado. Nesse dia estávamos com a Thuli, a filha de Jacob Zuma, uma grande poeta, e estávamos a falar entre amigos. Então, quando se apercebeu que eu era moçambicano, tentou afastar-se por Moçambique ter sido conotado como corredor de drogas, naquele caso de Bashir. Para contornar isso, eu fui buscar os meus antepassados e/ ou as pessoas que me dão vida, que guiam as minhas directrizes de luta.

 

E assim surgiu o poema… Nesse contexto, a arte serviu de ponte na aproximação ao seu amigo americano?

Exactamente. Foi isso, mas também a arte foi determinante para eu perceber como é que as pessoas olham para nós, como país, a partir da imagem que nós projectamos daqui de casa. Há aqui causa e efeito… é muito importante que o país repense na imagem que deve vender no estrangeiro. Se as pessoas de fora, sempre que vêem as notícias sobre Moçambique acompanham assuntos sobre drogas, violência doméstica e coisas assim, o país será visto dessa forma. E ficamos conotados…

 

A poesia é uma das suas motivações. Como é que esta manifestação literária se impõe na condição de alicerce do seu percurso artístico?

Eu venho do movimento Hip-Hop. A poesia, em mim, ganha expressão quando perdi o meu pai, em 1992. Nessa altura eu ficava muito isolado, até porque logo de seguida aconteceram vários outros episódios muito negativos de violência contra a minha família. Fomos despejados de casa onde moramos. A minha mãe, eu e todos nós ficamos vários dias a morar na rua. Eu encontrei respostas para a minha consolidação e integração poética (dentro do meu espaço imaginário, da minha alma e da minha mente) na obra de José Craveirinha. Eu acho que a minha construção, a minha forma de pensar e de agir devo, primeiro, a José Craveirinha, enquanto poeta. Depois vieram outros episódios, como a depressão causada pela separação de uma namorada ou como a história de Papilon, uma narrativa de amor, de liberdade e de fuga.

 

A poesia, para si, também é uma forma de fuga?

É, é uma forma de fuga da realidade, para criar os meus mundos e expressar-me. Eu encontro a fuga dos meus problemas na expressão artística. Se estou triste, por exemplo, a conduzir, ou canto uma música ou oiço, e aí instaura-se o meu momento artístico. Às vezes, estou em silêncio, a ouvir os outros; outras vezes, quero gritar, quero me libertar.  Outras vezes ainda, apetece-me escrever ou compor. Estes momentos de fuga criam uma espécie de liberdade e de paz comigo mesmo.

 

Eu já não me lembro quem disso isto. Mas a frase é mais ou menos assim: “todos aqueles que cantam, escrevem ou representam, fazem milagres todos os dias”. Identifica-se com isso?

Eu acho que sim, indo buscar esse pensamento de que os poetas são antenas da sociedade. A nossa missão, enquanto artistas, é despertar, até os governantes, e eu sou muito da arte do povo

 

É por ter arte no peito que, em 2015, o programa African Voices, da CNN, exibiu um documentário sobre si. Primeiro, o que significa, para si, ser uma voz africana? Segundo, o que significou para si o reconhecimento do seu trabalho pela CNN?

É esse chamado que não sabemos de onde vem. Por alguma razão, nós estamos a fazer arte, fazemos arte e somos activistas sociais e culturais, somos poetas, fotógrafos, retratistas da sociedade e jornalistas também. Todas são profissões nobres. Ser uma voz é um privilégio, sim, mas também, às vezes, não tens vida própria. Tens de te abster de algumas coisas…

 

Um dos projectos por si realizados, que mexe com as pessoas, é o Noite de Poesia. Que resultados esse programa lhe permitiu alcançar ao longo desses anos todos?

As Noites de Poesia deram-me tudo, o que sou hoje e o que pretendo conquistar. Com as Noites Estávamos a soldar pilares. Hoje, quando olho para trás, vejo muitos sacrifícios. Eu peguei, por exemplo, no projecto solo acústico e integrei na plataforma Noites de Poesia, quando o Amarildo foi estudar para Itália, há por aí 11 anos. Por exemplo, a vinda do CNN para fazer documentário sobre a minha vida, é também um fruto das Noites de Poesia. Além do CNN, já vieram cobrir em as Noites televisões como DW, da Alemanha, e a BBC. Tudo isso acontece depois de ter estudado fotografia na escola de Ricardo Rangel, que me recomendou ao Notícias. Lembro que todas as terceiras sextas do mês eu saía a correr do Notícias para ir fazer o programa. Nesse projecto juntamos pessoas que estavam dentro do sistema literário, pessoal da periferia de Maputo e jovens da política e de outras esferas sociais. Passou e passa pelo programa muita diversidade. Quando pensamos no Festival Internacional de Poesia, claramente que está uma construção resultante das Noites de Poesia.

 

Esse Festival Internacional de Poesia e Artes Performativas é a maneira encontrada para fazer de Moçambique um palco do mundo?

Exactamente. Só para ter uma noção, nós trouxemos para o festival, na primeira edição, mais de 20 países. O elenco todo do festival teve por aí 90 pessoas. Grande parte dessa gente veio a Moçambique pela primeira vez, e elas levaram consigo Moçambique no coração.

 

O intercâmbio cultural é um dos objectivos do Festival. O quão longe querem chegar?

O colectivo Poetas d’Alma é, aparentemente, um colectivo abstracto, mas toda a gente faz parte, logo à prior. Aonde queremos chegar? Eu disse que, recentemente, em 2014, participei no Festival Internacional Poetry Africa, na África do Sul. Esse festival albergou cerca de oito países. Nós fizemos com mais ou menos 25 países e com um nível de qualidade incomparável. Onde queremos chegar? Primeiro, queremos marcar os espaços na região africana. Queremos fazer o maior festival em África e, depois, queremos entrar para a batalha de maior festival de poesia do mundo. Garanto que nós vamos conseguir realizar. Quando o projecto surgiu, muitos não acreditaram e perguntaram-me como eu conseguiria fazer sem dinheiro. Mesmo assim, avançámos e na primeira edição não paguei caché e nem passagem de nenhum artista internacional. Estou a falar de pessoas que vinham da Suíça, Quénia, Alemanha, eSwathini, etc. Essas pessoas viajaram a custo próprio. Nós apenas garantimos hospedagem e toda logística de transporte e alimentação, e conseguimos esse intercâmbio.

 

Com quem contam para o sucesso deste festival?

Com as pessoas que gostam de nós. Quando nós começamos a correr atrás de projectos como estes, também criamos muitos inimigos e afastamentos. Se calhar, até acabamos por ficar ignorantes e até arrogantes, não por necessidade, mas porque, se calhar, começamos a abstermo-nos do palco dos nossos ambientes e do nosso habit, para nos focarmos em coisas mais concretas ou nos nossos sonhos. Então, contamos com o bom senso das pessoas e com a aposta dos artistas.

 

Enquanto preparavam a segunda edição, chegou a COVID. Como será o festival este ano?

A tal palavra mágica e famosa: reinvenção. Poetas d’Alma passou para o digital. Eu, em particular, desde que os centros culturais fecharam em simultâneo, fiquei sensivelmente três meses sem sair de casa, a aprender a usar plataformas como ZOOM e a trabalhar em outros projectos. Por exemplo, a agenda do Centro Cultural Moçambicano-Alemão, onde sou Gestor Cultural, está a ser feita de forma virtual. Nesta edição do festival queremos fazer um programa virtual que tenha impacto em Moçambique e no mundo inteiro.

 

A fotografia é outra sua grande paixão. Como é contar narrativas através de uma câmara? 

É muito loco. A primeira publicação da minha fotografia como destaque do jornal Notícias foi dos maiores orgasmos que já tive. A foto estava ali, e depois assinada com o meu nome: J. Capela. Eh pa, esta cena não existe… Foi das melhores coisas que me poderiam acontecer na vida. Eu estava a trabalhar com pessoas que fotografaram Samora Machel, figuras que tu nasces e cresces a ver… E, de repente, tu estás a cobrir a história do país e o teu nome está associado à história do povo. I’m sorry, não tem descrição possível.

 

É o primeiro moçambicano, salvo o erro, a ter uma fotografia publicada na New York Times. Como se alcança feitos desta dimensão?

É esta oportunidade de ter estado ou de estar no Notícias. Fiquei lá aproximadamente 10 anos. Aprendi com os mestres a fotografar, e a minha fotografia saiu do circuito formal de publicação no jornal para o circuito artístico através da literatura. Viajei por cerca de 15 ou mais países, justamente por causa da arte de misturar poesia e fotografia. Faço exposições de forma virtual nas minhas performances. E com exta experiência já trabalhei com National Geographic. Isso tudo deu-me habilidades. Há-de ser por isso que, por exemplo, a CNN veio para fazer documentário sobre mim.

 

E continua a colaborar com a The President?

Eu colaborei com essa revista que faz a cobertura dos chefes dos estados de todo o mundo. Eu era o fotógrafo oficial deles em Moçambique. Isso não teria acontecido se eu não tivesse passado pelo Notícias.

 

Como é que Feeling Capela se define como artista e como homem?

Acima de tudo, eu pretendo alcançar o nível de ser um ser humano. Está-se a perder muito do ser humano, todos os dias.

 

O que o anima e o que lhe perturba no desempenho das suas funções, como artista e como gestor cultural?

Hoje, estou a descobrir novas coisas. Eu não sou muito de sentar num escritório, mas quando me convidaram para fazer parte do projecto do Centro Cultural Moçambicano-Alemão, a partir da Embaixada da Alemanha, do corpo directivo do próprio CCMA, eu era repórter normal na redacção do Notícias. Saía com toda a gente para ir capturar material na rua. A minha adrenalina era essa: vida muito corrida e frenética. E, de repente, tenho de me sentar no escritório como Gestor Cultural. Aprendi a reinventar-me, trabalhando no escritório, recebendo vários artistas.

 

De facto, trabalha com vários artistas. Pode-se dizer que os artistas moçambicanos são solidários uns com os outros?

Há solidariedade, sim, de um grupo. Na posição onde eu estou, agora, sinto olhares violentos e falas por detrás, uma agressividade, porque, às vezes, as pessoas nem sabem como tu te construíste.

 

Também há falsidade nesse meio artístico?

Também há muita falsidade, muita hipocrisia. Não só nas artes, mas também no nosso meio jornalístico. Mas também há muita solidariedade. Há pessoas que eu tenho de agradecer, como Belmiro Adamugy, Frederico Jamisse, Alfredo Mueche, Júlio Manjate, Rogério Sitói, Alcides Tamele, Francisco Manjate e Gil Filipe. Pessoas que me ergueram…

 

O que está em falta nas artes nacionais, para que nos tornemos uma potência?

Temos tudo para ser uma potência. Em todas as cidades costeiras, dos países africanos e asiáticos por onde já passei, a baixa da cidade é uma zona turística, e não é sítio para fazer lojas. Do mesmo jeito que o Presidente Comiche está a tirar as pessoas dos mercados, tem que fazer uma vistoria e restabelecer com artes. Pegar nos artistas e dar emprego para criarem. Os conselhos municipais têm de ter um pelouro de cultura activo e os activistas culturais devem fazer parte desse pelouro porque são eles que movimentam a indústria criativa e até hotelaria do país. O turismo depende muitos dos artistas.

 

Sugestões de duas obras artísticas para os leitores do jornal O País?

Sugiro Não mais lavarei os pratos, de Cristiane Sobral; Men they see us, que está a passar na Netflix; TsotsiCidade de DeusAmericanah, de Chimamanda Adichie; Niketche, de Paulina Chiziane; a obra de Frantz Fanon e a poesia de Amílcar Cabral.

 

Perfil

Féling Capela é poeta, fotógrafo, produtor de eventos e gestor cultural no Centro Cultural Moçambicano-Alemão. Teve o seu primeiro emprego em 2005. Nessa altura, trabalhou na British Council, como mentor do projecto Power in the Voice. Ao longo desses anos, produziu o primeiro show ao vivo de Azagaia e do grupo Micro 2, frequentou o curso de Literatura na Faculdade de Letras e Ciências Sociais da UEM, trabalhou no jornal Notícias e como Director de Backstage do Festival Bushfire, na eSwathini, e ainda representou Moçambique na segunda conferência das culturas africanas no Cairo, no Egipto.

Corações estarão ligados à música, palpitando ao ritmo do “tun tun” do jazz, da Marrabenta e de vários outros ritmos musicais nacionais a partir das 22h, na STV.

Pode ser mera coincidência, mas, para Jimmy, o ditado “quem canta seus males espanta” assenta-lhe perfeitamente. O músico viu, pela primeira vez, o histórico presidente Samora Moisés Machel exactamente no dia da independência.

Hoje, como tributo ao que significou aquele dia, vai tocar não só pensando no passado, mas também no presente e no futuro do país.

Mister Bow, Mingas, José Mucavel e Jimmy Dludlu oferecem o presente perfeito para comemorar o dia da independência. Um espectáculo sem público e com recurso à tecnologia, mas que os artistas garantem que vai transmitir muita emoção e alegria, a condizer com o dia.

O espetáculo fará uma ponte com o passado pela voz de Mingas, celebrar o presente nos passos de Bawito e selar um pacto com prosperidade nas baladas que o país faz para os seus filhos com ajuda de José Mucavel.

O espectáculo será ajustado à realidade actual já que Mingas e José Mucavel vão fazer suas aparições a partir de suas casas, com recurso às tecnologias.

E assim será celebrar 45 anos de independência com liberdades limitadas, mas pensando em voltar para o que já se chama de “novo normal”, através duma espécie de musicoterapia a ter na STV.

Naguib, Adelino Branquinho, Mingas, Stewart Sukuma e Moisés da Conceição estão entre os artista distinguidos pelo Estado, hoje, na Praça dos Heróis, na cidade de Maputo.

 

Artistas nacionais foram, hoje, galardoados na cerimónia oficial alusiva aos 45 anos da Independência Nacional, dirigida pelo Chefe do Estado, Filipe Nyusi. Trata-se da cantora Elisa Jamisse (Mingas), do músico Moisés Ribeiro da Conceição e do Artista Plástico Naguib, que fazem parte de um total de 10 individualidades distinguidas em várias áreas, na Praça dos Heróis Moçambicanos, em reconhecimento do seu trabalho e contributo.

A cantora Mingas disse, na ocasião, que esta distinção é um grande reconhecimento e estímulo e mostra  que o trabalho das artes, e dos músicos em particular, é reconhecido. “Este reconhecimento leva-nos a crer que contribuímos para as artes, para o desenvolvimento e construção da identidade moçambicana. Acho bonito e espero que o trabalho das gerações mais novas também um dia seja reconhecido, porque todos nós trabalhamos, um na sua área, para o engrandecimento e desenvolvimento do País. É bom estimular as pessoas que trabalham arduamente”.

Reagindo sobre esta condecoração, o artista plástico, Naguib, disse estar convencido que  o sector da Cultura e do Turismo está a tomar um novo rumo e que este galardão é sinal dessa mudança e reconhecimento do seu trabalho. “Este galardão é sinónimo de que estou a dar exemplo para jovens, através do meu trabalho. Nunca é tarde para fazermos ou conquistarmos coisas. Muitos tinham a apreciação de que devia ter recebido este reconhecimento há anos, mas eu acredito que nunca é tarde para conquistas desta magnitude”.

Por sua vez, músico Moisés da Conceição mostrou-se eufórico por sucessivos reconhecimentos pelo seu trabalho ao longo dos anos. “Agradeço a todos que nos últimos tempos têm estado a homenagear-me de várias formas. Estou muito feliz por este reconhecimento de hoje. Faltam-me palavras, estou grato e não tenho motivos para lamentar. Agradeço ao Presidente da República, Filipe Nyusi e à Ministra da Cultura e Turismo, Eldevina Materula”.

Esta tarde, foram também condecorados, a nível das artes, em cerimónia separada, o músico Stewart Sukuma e o actor Adelino Branquinho. “É uma satisfação enorme. São 30 anos de trabalho. Quando trabalhamos por muito tempo e somos reconhecidos é gratificante. Que os artistas não desistam porque sempre chega o dia. Quero dedicar este galardão à Manuela Soeiro por todos ensinamentos e por ter contribuído para o meu crescimento. Dedico este reconhecimento, igualmente, a todos os artistas. Depois desta conquista, continuarei sendo o mesmo Adelino, porque fui distinguido por aquilo que fui e sou”, disse Adelino Branquinho.

A Ministra da Cultura e Turismo, Eldevina Materula, afirma que este acto é revestido de muito simbolismo pela rica contribuição que os fazedores das artes prestam à Cultura Nacional, na produção, consumo local e exportação dos seus trabalhos.

Importa referenciar que, ao todo foram galardoados, hoje, no País, 175 entidades nacionais, em várias áreas.

 

Fonte: Ministério da Cultura e Turismo.

Juzefa Cuna é a nova autora que vai lançar um livro pela editora alternativa Kuvaninga Cartão d’Arte, que produz livros com capa de cartão reciclado. O lançamento está agendado para sábado, às 11h, na sede da editora, na Baixa da Cidade de Maputo.

Mesmo por causa da COVID-19, o evento de lançamento do livro Casulo, com pinturas do artista plástico Joss, será via online, através do Facebook da editora, e será apresentado pelo crítico literário e ensaísta Dionísio Bahule e comentado pelo poeta e comunicador Negro e pela poetisa e artista plástica Muenda.

De acordo com a nota de imprensa da Kuvaninga, o infanto-juvenil cruza textos poéticos e didácticos, propondo reflexões sobre a dimensão humana e o seu meio envolvente, através de metáforas, metonímias e personificação de sentimentos como o amor, a solidariedade e a lealdade.

O livro de estreia de Juzefa Cuna está dividido em três partes: a poética, a do texto expositivo-explicativo e a do questionário. “Neste exercício único, Cuna inaugura uma linha de escrita que a editora apelidou de ‘poético-didáctico’, que permite que a poesia se cruze com outros géneros literários e se tornem num só ou, pelo menos, complementando-se. O mesmo assunto é tratado de duas formas diferentes – a poética: onde o sujeito enunciador revela os seus sentimentos e fala sobre os fenómenos que acredita determinantes para a ‘perfeição’ humana e didáctica: onde o narrador apropria-se de conceitos e estudos sobre diferentes fenómenos para explicar a essência da vida”, acrescenta a editora: “Com uma linguagem simples, cuidada e ‘maternal’, Cuna projecta-se para o interior do seu público-alvo e desencadeia uma conversa em 50 páginas. Esta conversa pretende resultar numa resposta, por isso no final de cada texto estão disponíveis espaços para responder algumas questões fruto de um exercício de interpretação. Para além de permitir um diálogo mais profícuo, esta técnica vem responder o grande desafio da editora, que é o estímulo à leitura”.

Casulo, acredita a Kuvaninga, é um contributo aos pais e encarregados de educação nesta altura de pandemia da COVID-19, de modo que tenha mais um material de aprendizagem e de cultura para os seus formandos, garantindo, assim, a continuidade das aulas.

Quando a normalidade voltar, espera-se que quando tudo voltar à normalidade o livro circule em todo o país, com principal destaque para os orfanatos, pois um dos objectivos da obra é dar alento aquelas crianças que por alguma razão estão desconfortadas.

 

Celso Muianga é dos editores literários moçambicanos mais consagrados. Exercendo a sua profissão há 15 anos, pelas suas mãos passaram obras de vários autores nacionais, como Albino Magaia, Mia Couto, João Paulo Borges Coelho, Paulina Chiziane, Aldino Muianga, Suleiman Cassamo e Sónia Sultuane. Com tanto conhecimento acumulado ao longo dos anos, nesta entrevista, Muianga explica o que é ser editor no país, refere-se aos factores que podem potenciar o mercado livreiro nacional e ainda clama por um subsídio urgente, por parte do Estado, e por apoio de instituições de boa vontade, de modo que se fortaleça a estrutura editorial moçambicana.

 

Celso Muianga, o que é esta coisa de ser editor?

É um bocadinho complicado dizer, numa entrevista como esta, mas penso que um editor é um agitador de ideias. Por exemplo, há escritores que escrevem, no entanto, não têm noção do seu talento. Então, o editor é aquela pessoa que se aproxima dos autores, porque tem “olho grande”, agita-lhes e acompanha-lhes no seu trabalho diário de construção do livro. Essa trajectória é feita com negociações intermináveis, porque há coisas que o editor vê, que o escritor não consegue, e coisas que o escritor vê, que o editor não contempla. Por isso eles interagem e discutem até haver um casamento perfeito.

 

É uma profissão gratificante ou ingrata?

Eu julgo que é gratificante, por causa da carga de emoção que transporta e do descobrir, a cada dia, de um novo universo que nos dá o ar como alimento para a vida. Esse é que é o maior proveito

 

Uma das duas funções é encontrar bons livros. Existem requisitos essenciais que o ajudam a identificar uma boa obra literária?

Não há fórmulas fixas. Isso também depende da bagagem do editor, das suas preocupações e das circunstâncias. Por vezes há o inesperado ou qualquer coisa que desperta e que aponta para algum caminho. Tem a ver com o deslumbramento e com a carga emocional que o texto provoca, e isso é daquelas coisas que não podemos quantificar. Há um certo conhecimento do mundo e do que é que a casa procura publicar e o que o editor quer projectar para o seu público, talvez para criar uma construção ou desconstrução.

 

Reconhece uma certa pressão, em termos de responsabilidade, quando está a trabalhar um livro?

Por vezes, sim. Mas isso acontece pouco. O que não falta é a ansiedade do autor terminar e publicar o livro, e isso acontece mesmo com autores que publicam há mais de 30 anos. O que o editor deve procurar fazer, nessas circunstâncias, é dosear e tentar indicar ao autor o caminho, explicando-o que, se for o acaso, é preciso deixar o livro amadurecer durante uns seis meses ou o tempo necessário. Quando o livro sai e os autores vêm o resultado, depois agradecem.

 

A figura do editor é valorizada no contexto literário moçambicano?     

Eu penso que os autores e algumas editoras reconhecem. Se calhar, aqui em Moçambique, os editores não sejam tão valorizados como no universo anglo-saxónico. A edição inglesa valoriza mais o editor, o homem invisível que mais contribui para que o texto ganhe aquela potência que deve ter, porque um livro, depois de publicado, é para toda vida. No universo saxónico, sim, o editor é valorizado. No nosso, nem tanto, até porque não temos, por definição, o hábito de reconhecer os intelectuais.

O que o seu trabalho lhe permitiu certificar ao longo desses anos nas letras?    

Isso exige uma resposta de duas horas, mas vou tentar ser sintético. Permitiu-me conhecer de perto os grandes nomes da literatura moçambicana e conviver com eles enquanto autores e pessoas, e também conhecer a realidade da valorização e desvalorização do livro em Moçambique. Nos últimos 13 anos, por isso, ando com uma preocupação na área da formação dos professores, que, muitos deles, aparecem com pouca bagagem de leitura de fruição, do conhecimento do mundo e mesmo de reflexão. Quando despontou, em Portugal, o Plano Nacional de Leitura, convivi de perto com a comissária, há mais ou menos 14 anos, e criei um plano para Moçambique, que fosse usado na área de formação dos professores. E é essa a minha angústia por não ver esse projecto realizado, porque o professor é o maior vínculo de mudança na cabeça do seu aluno. Outra coisa, testemunhei momentos em que editoras resistiram com ou sem patrocínios de livros. Lembro que por volta de 2010, quando uma das operadoras de telefonia móvel do país deixou de patrocinar os livros, tivemos de fazer um empréstimo no banco [na altura em trabalhava para editora Ndjira], de modo que publicássemos 16 títulos. Isso fez-me viajar pelo mundo e conhecer outras experiências, fazer estudo de mercados, o sul-africano, o chinês e o português. Lembro que tivemos discussões acesas com a nossa administração, na altura, e posso dizer que venci, porque o meu projecto deu resultados. Em seis meses conseguimos pagar ao banco e até hoje temos livros no mercado a circular. Há aqui uma experiência que é um ganho em termos de conhecimento do mundo e do mercado em si. Outra coisa, tive a oportunidade de acompanhar esse boom literário que o país registou nos últimos anos, com movimentos dispersos como Kuphaluxa (Maputo), Café de Debate (Marracuene), Tindzila (Inhambane), Xitende (Gaza), e etc. Penso que todos os movimentos, agora, estão a convergir para o mesmo ponto. Se as coisas continuarem assim, acho que nos próximos três ou quarto anos teremos uma geração de autores muito boa.

 

A palavra “filantrópico” é a que melhor descreve quem trabalham na área literária no país?

Eu penso que não. A filantropia sustenta o trabalho editorial. É um parceiro que dá valor. Mas, por vezes, os próprios filantropos sofrem muito na carga fiscal, quando fazem o exercício anual financeiro, porque temos aqui muitos buracos, como a Lei do Mecenato que não está regulamentada e uma série de coisas que foram aprovadas há muito tempo, mas que não estão a ser implementadas. Por exemplo, a Política do Livro, que foi aprovada em 2008, o grande marco do legado do então Ministro da Cultura, Armando Artur. Mas tudo aquilo ficou em letra morta. Nunca mais ouvimos falar da Política do Livro. E o parque gráfico moçambicano precisa ser apoiado ou de ter política a nível do Estado para a redução ou extinção do imposto sobre o papel. Isso ajudaria na impressão ou comercialização do livro a nível interno. Penso que se metade das questões que deixamos ficar no seminário de 2012 fossem atendidas, a questão do livro não seria um mito.

 

Uma vez disse, numa entrevista, que é necessário que o livro vá além da sua qualidade. O que isto quer dizer?

É o que disse Baptista-Bastos a Nelson Saúte, há 30 anos, o livro é imprescindível numa sociedade, justamente na nossa, que temos 70% de jovens. Precisamos nutrir esta juventude de espírito de pensamento, com qualquer coisa que funcione para além da aparência. Tem de haver alguma coisa de substância.

 

Como é que fazemos entender às pessoas que nós somos o que lemos, e não o temos?

É um trabalho longo. Primeiro, precisamos de formar leitores, e essa é uma das coisas que a Fundação Fernando Leite Couto, o Instituto Camões e o Centro Cultural Brasil-Moçambique têm efeito nos últimos anos: formar público consequente, que não desaponta com qualquer coisinha. Temos de ter uma linha de orientação, que inicia na escola primária, continua na escola secundária e, depois, na universidade. Eu tenho muitas dificuldades em encontrar os meus colegas das literaturas a trabalhar nessa área. Conheço o Léo Cote, o Américo Pacule e alguns mais, mas somos poucos. Somos uma pequena ilha.

 

Apesar de sermos essa pequena ilha, há esse boom literário. Como está a nossa literatura?

Com algum espanto, devo dizer que a nossa literatura está num bom caminho, e não é um bom caminho do politicamente correcto. Não sei de que fomos feitos, mas somos assim… É nesse espanto e deslumbramento que sinto que temos uma geração que nos permite pensar que a breve trecho, médio ou longo prazos, teremos grandes autores. Estou a pensar na Tassiana Tomé e Eliana N’dzualo, acredito que ela vale muito mais e que nos vai brindar com bons projectos. Também acredito na minha colega, Leocádia Valói, ela vai dar o salto. Penso que estas três mulheres ainda nos vão surpreender.

 

Estamos em Junho. Soa à independência. Na sua opinião, quais foram as grandes realizações literárias ao longo destes 45 anos?

A valorização do nosso país, como nação, que é uma construção mais prolongada. Penso que devemos à literatura o conhecimento do nosso chão, no sentido de nos conhecermos como donos de uma certa raiz e de uma voz. E o nosso hino nacional é exemplo disso.

 

Ao longo desses 15 anos na edição literária também perdeu aqueles que contribuíram para a concretização do seu trabalho. Não existem editores sem autores. Como é para si quando deixa de ter a possibilidade de trabalhar com um escritor/ poeta?

É uma coisa dolorosa, devastadora, um vazio aberto que não se preenche, ou seja, uma coisa tão profunda quanto a própria morte.

 

E quando se fica a saber que há textos inéditos, como foi o caso de Albino Magaia?

Aí renasce a esperança de que o diálogo vai continuar, num outro formato. E por ter tido um convívio prévio com ele, torna-se possível orientar até mesmo a revisão que se faz ao livro, porque se conhece as marcas do escritor.

 

Quais são os autores que, actualmente, representam o grande futuro para a literatura moçambicana?

Temos a Virgília Ferrão, das poucas mulheres na ficção narrativa. Penso que, em geral, temos de trabalhar mais na ficção narrativa. Há ali qualquer coisa que ainda não está encaixada na literatura moçambicana. Também temos o Edmilson Mavie, que é uma grande promessa na prosa; o Léo Cote, outra grande esperança para a nossa literatura, assim como Álvaro Taruma, Pedro Pereira Lopes, Japone Arijuane, Tassiana Tomé, Dany Wambire, Lino Mukurruza, Jaime Munguambe, Hirondina Joshua, Melita Matsinhe, Mélio Tinga e um talento que despontou um pouco mais tarde: Bento Baloi, que nos vai surpreender com belíssimas obras. Sónia Sultuane, Hélder Faife, Rogério Manjate, Sangare Okapi, Lucílio Manjate e Mbate Pedro já são de outra galáxia.

 

Estamos a conseguir exportar as nossas grandes promessas literárias?

A pé coxinho. Inclusive, nas últimas Correntes d’Escrita, em Portugal, estivemos com a Hirondina e quase lançamos um livro dela na Fundação Saramago. Isso não aconteceu por causa da COVID-19. Enfim, penso que institucionalmente precisamos fazer muito mais.

 

Nessa edição do Correntes d’Escrita esteve com um escritor que perdeu a vida vítima de COVID-19. Como foi para si, quando teve a notícia de que Luís Sepúlveda estava infectado?

Logo que terminou uma das sessões do Correntes eu e ele ficamos horas a conversar, inclusive me contou que passou por Moçambique. Ele contou-me que esteve preso e que teve tuberculose na prisão, e penso que isso contribuiu para que o seu sistema imunológico cedesse. Pronto, foi devastador e preocupante saber que o Sepúlveda estava infectado. É um grande amigo que se perdeu.

 

É editor da Fundação Fernando Leite Couto, que está a cinco anos a lançar novos autores. Como tem sido para vocês promover e divulgar literatura e outras artes?

São cinco anos de construção de um sonho, da família, dos filhos e de todos que quiseram imortalizar o nome de Fernando Couto. Penso que a Fundação veio mudar a dinâmica da Cidade de Maputo, quer ao nível da formação de leitores, quer ao nível de formação de público. Houve mudanças e é visível, ao nível das casas de pasto, aquele modelo que a Fundação adoptou. Quando nós abrimos não havia quase ninguém a usar aquele modelo. Mal a Fundação fez um ano ou dois foi um boom por toda a cidade, o que desconfinou o nosso convívio a vários níveis. A presença desta casa é uma grande marca, indelével, na cultura moçambicana. A Fundação, nestes cinco anos, conseguiu uma coisa que é inédita, publicar oito novos autores, que se estrearam em livro. Acho que é obra.

 

O que falta para alcançarmos, como país, em termos literários?

Precisamos, urgentemente, de um subsídio do Estado e de apoio de instituições de boa vontade, para que possamos fortalecer a nossa estrutura editorial, com autores a terem acompanhamento de qualidade, que lhes permita representar bem Moçambique, dentro e fora de portas. Precisamos muito dessa abertura, sobretudo nesta época de COVID-19, em que instituições privadas sofreram um abalo em termos de contas. Espero que o Estado rapidamente intervenha com políticas claras para salvar o sector.

 

Sugestões artísticas para os leitores do jornal O País?

Sugiro O menino que odiava números, de Celso Cossa; A história do João Gala-Gala, de Pedro Pereira Lopes e Chico António; e O homem que comeu o hospital, de Edmilson Mavie.

 

Perfil

Celso Muianga, jornalista, editor e activista cultural moçambicano.

Colabora com os jornais O País e Savana. Colaborou nos vários canais da Rádio Moçambique, emissora pública de rádio. Foi também assistente de programas, redactor e locutor do Emissor Provincial de Maputo. Coordenou um projecto de divulgação da cultura e literatura moçambicanas, pelo projecto Contar Moçambique na Voz das Palavras. Este projecto percorreu diversas escolas da cidade e província de Maputo.

Mantém colaboração na área cultural em Maputo com o Centro de Recriação Artística, Museu da Mafalala. Realizou, no bairro da Mafalala, oficinas de leitura para crianças do ensino Primário. É voluntário da Academia Aga Khan e da Escola Superior de Jornalismo, apoiando professores primários de escolas das cidades da Matola, Maputo e Boane, formando leitores e desenvolvendo acções do gosto pela leitura.

Actualmente é coordenador editorial da Fundação Fernando Leite Couto, cujo patrono foi seu mentor e mestre, entre 2002 e 2013, a quem sucedeu como editor na editorial Ndjira, filial da Editorial Caminho.

A Fundação Fernando Leite Couto tem como prioridade a tutoria e publicação em livros de novos autores, tendo publicado, em quatro anos, 28 títulos, com destaque para vários novos autores.

É formado em jornalismo, Linguística e Literatura, pela Universidade Eduardo Mondlane.

 

Actor com 30 anos de carreira decidiu investir na arte musical. No seu novo tema, “Coronavírus”, Dr. Apingar conta com a colaboração dos seus três filhos.  

 

Sempre teve uma paixão (contida) pela música. Cantar e tocar são duas demostrações indispensáveis, que complementam a necessidade que tem de se exprimir através das artes. Há um ano, Dr. Apingar resolveu dar azo a uma carreira que pode estar a gerar raízes, de modo que, mais tarde, dê frutos. Em 2019, inspirado na dor causada pelo ciclone Idai, o intérprete e guitarrista decidiu que tinha de preservar a memória de dias difíceis através de uma música a que deu o título “Eu também sou vítima”. Confessa, não foi um início muito auspicioso, mas foi de tal ordem importante que, diante de uma nova catástrofe, o artista decidiu voltar ao estúdio para gravar um novo tema: “Coronavírus”, que pretende conciliar a fruição e a consciencialização dos cidadãos.

A música com 4:23 (quatro minutos e vinte e três) segundos de duração foi escrita no princípio de Abril e conta com colaborações de Mumy Tongo Tongo (guitarra), Lázaro (teclado) e dos três filhos de Apingar: Jackson (intro, 5 anos), Cynthia e Gabriella Garcia (coros, 15 e 11 anos de idade, respectivamente). “Resolvi fazer a música com eles porque achei que iriam dar um contributo para sensibilizar outras crianças nesta luta contra a COVID-19. Vejo muitas crianças na rua, a desobedecerem o decreto de Estado de Emergência. Então, penso que uma mensagem musical de criança para criança tem mais impacto do que quando vem de um adulto”.

Na verdade, a ideia de compor a música surgiu durante o primeiro Estado de Emergência decretado. Estando em casa, entre o dever de ensinar os filhos com trabalhos de casa e os intervalos que geram sempre algum tipo de brincadeira, Dr. Apingar segurou na sua guitarra e começou a improvisar algum tipo de diversão musical com os três meninos. Contra as suas expectativas, a coisa foi ficando consistente. Quando se convenceu de que ali tinha acontecido algo notável, ligou para o produtor NP e ao fim de 10 dias a obra estava pronta para ser estreada, o que aconteceu no dia 16 Abril, numa rádio da cidade Beira. Para o autor, o seu “Coronavírus” foi tão bem recebido que mereceu um vídeo-clip pronto para estreia. Filmado lá nas bandas do Chiveve por Ahby Spalding e Binho N-Film, o mesmo foi editado por Roger Pontavida, em Portugal. “O Roger ouviu a música pela Internet, ficou sensibilizado, e ofereceu-se para editar o vídeo”.

A música de Dr. Apingar convida as pessoas a adoptarem as diferentes formas de prevenção. “É uma música abrangente, para crianças, vendedores dos mercados, funcionários públicos, e etc., porque a doença não escolhe. Chamo atenção para o número de pessoas que morrem em todo o mundo. Recomendo para que estejamos atentos a todas as formas possíveis de transmissão. A música é um hino na Beira, toca nos carros, nas rádios, na rua e, por isso, decidi logo fazer o vídeo-clip. Penso que consegui alcançar às comunidades. Se a música começar a chegar às televisões, o impacto pode ser ainda mais positivo”, prevê.

 

A carreira de um actor em 3 D de Décadas

Dr. Apingar é novo na música, mas não no teatro. Na arte do palco, o artista iniciou-se em 1990, num grupo cultural da Escola Secundária Militar, onde actualmente funciona a Universidade Católica de Moçambique (UCM), na cidade da Beira. Cinco anos depois, com jovens do bairro da Manga, cria um grupo de teatro amador, chamado Nhacuaino. Em 1996, ingressa no Grupo de teatro Massinguita, como actor, e, mais tarde, começa a encenar algumas peças no mesmo grupo. No fim do século, concretamente em 1999, participa, na cidade de Maputo, num workshop de dramaturgia e técnicas de encenação realizado pelo Teatro Avenida e Backa Teater da Suécia, sob orientação do encenador e dramaturgo Henning Mankel, Eva Bergman e Manuela Soeiro. No ano seguinte, nos Países Baixos, exibe uma peça teatral e participa numa troca de experiência entre jovens das cidades da Beira, Manágua e Amsterdão. Em 2002, participa no Festival Internacional de Teatro, em Portugal.

Dr. Apingar dissocia-se Massinguita em 2004, e, depois, funda o Grupo de Teatro Chamuarianga, com o qual trabalha até ao momento. No mesmo ano, participa como actor e director de actores na produção do filme Preto no verde, sobre queimadas descontroladas, em Sofala. Em 2007, mais uma participação, no caso, como actor no filme As teias da Aranha, de Sol de Carvalho. Há sete anos, o cantor e actor fundou e organizou a primeira edição do Festival de Teatro da Beira (FESTBEIRA).

Dr. Apingar é o pseudónimo de António Pio Nhamizinga Garcia. Nasceu a 08 de Outubro de 1977, em Manica.

 

O artista plástico P Mourana vai pintar, este sábado, um quadro com uma temática associada à COVID-19.

Ao longo de três horas, os apreciadores das artes plásticas, e da pintura em particular, terão a oportunidade de acompanhar o processo criativo do artista e também as actuações dos DJs Lelo Santos e Dr. Kapa, bem como do grupo de instrumentistas Mukhosse.

Para o artista, citado num comunicado sobre o evento, a iniciativa reveste-se de muita importância porque a pintura estará a ser usada para transmitir esperança ao mundo, em particular aos moçambicanos, na luta contra esta pandemia: “Estarei a pintar o lado positivo desta situação que estamos a atravessar e acredito que isso terá um efeito, também, positivo nas nossas vidas”, disse P Mourana.

Para a Tmcel, parceira do evento, a iniciativa promovida pela Ritmo e Arte, que se vai realizar das 16 às 19 horas, é uma forma viável de levar o entretenimento às pessoas neste período complexo: “achamos oportuno abraçar esta iniciativa, que vai levar algum entretenimento às pessoas que estão em casa por causa desta pandemia. A Tmcel sempre esteve ligada à arte porque acreditamos que ela (a arte) pode tocar as pessoas. No sábado, poderão ver como o artista se inspira e transforma esta pandemia numa obra de arte”, disse Felícia Nhama, responsável pela Unidade de Responsabilidade Social e Comunicação Corporativa da telefonia móvel.

A pintura de P Mourana será transmitida em directo através das redes sociais (Facebook e Instagram) da Tmcel, e do movimento artístico “It’s Good to See You at Home”.

A novidade foi partilhada esta tarde. O saxofonista Moreira Chonguiça é um dos artistas seleccionados para o concerto ao vivo denominado WAN Show.

De acordo com um comunicado de imprensa sobre o evento que vai decorrer com o lema Together is one, together is wan, o concerto com a duração de duas horas é organizado pela WAN – Worldwide African Network –, uma plataforma criativa que celebra a convergência da música, liderança exemplar e inovação em África e fora do continente.

Além de Moreira Chonguiça, outros monstros farão parte do concerto que tem como finalidade celebrar de forma colectiva o Dia de África, que se assinala a 25 de Maio de cada ano, nomeadamente: Youssou N´Dour, Oumou Sangaré, Baaba Mal, Lenine, Tiken Jay Fakoly, Wizkid, Hiro, Fally Ipupa, Jocelyne Beroard, Jacob Desvarieux, Cheick Tidiane Seck, Angelique Kidjo, Chris Martin do grupo Cold Play, actor de Holliwood  Djimon Houson, Femi Kuti, Cheik Lo , Mory Kante, Toumani Diabate. “Sinto-me honrado por fazer parte desta nata de artistas que vai celebrar o nosso continente. De alguma forma, todos nós iremos reflectir sobre a nova África que desejamos. Encontramo-nos numa situação atípica, por causa do Coronavírus, então todos os artistas, inovadores e líderes vão celebrar a diversidade cultural e histórica do continente através das tecnologias”.

O concerto PAN Africano será transmitido das 19h às 21h30 do dia 25 deste mês, e antes do espectáculo haverá um painel de debate às 10h30, avança a nota de imprensa. “Costuma-se dizer que é em momentos de crise que as novas tendências são criadas. Assim sendo, tocar nesta altura é uma honra e um privilégio. O mais importante é estar numa plataforma na qual estão aqueles que lideram a opinião e influenciam atitudes. Estamos a celebrar o Dia de África numa plataforma global e inclusiva”, finalizou Chonguiça.

 

 

A dissertação de Eduardo Sitoe, com o tema “Democracia, no contexto da diversidade cultural moçambicana”, está marcada para esta sexta-feira, e insere-se no ciclo de palestras “No gume da palavra”, da Associação dos Escritores Moçambicanos (AEMO). O evento com o politólogo irá iniciar às 18h e será moderada pelo poeta Nelson Lineu, podendo ser acompanhada através da plataforma de comunicação ZOOM Cloud Meeting.

De acordo com a nota de imprensa da AEMO, ZOOM é plataforma encontrada pelos escritores para manter as actividades no âmbito do ciclo de debates e palestras “No gume da palavra”.

Agora com uma sala equipada para receber eventos online, o Secretário-Geral da AEMO, Carlos Paradona, acredita, segundo avança a nota de imprensa da AEMO, que fica reforçada a visão da instituição de internacionalização da literatura moçambicana, divulgando os autores nacionais e permitindo o intercâmbio literário.

Além de politólogo, Eduardo Sitoe é docente da Universidade Eduardo Mondlane.

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