O País – A verdade como notícia

Em representação do Presidente da República, Filipe Nyusi, o primeiro-ministro, Carlos Agostinho do Rosário, participa esta quinta-feira na investidura do Presidente eleito da Tanzânia, John Joseph Magufuli.

A cerimónia terá lugar no Jamhuri Stadium, em Dodoma, República Unida da Tanzânia.

Depois da investidura, prevê-se que Carlos Agostinho do Rosário “mantenha um encontro de cortesia com John Magufuli, recentemente reeleito para um segundo mandato na condução dos destinos do povo e do Estado tanzaniano”, refere uma nota enviada ao “O País”.

Na sua deslocação àquele país, o primeiro-ministro far-se-á acompanhar por Manuel Gonçalves, vice-ministro dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, e por quadros dos gabinetes das duas instituições.

O Governo anunciou, esta terça-feira, a disponibilização de 5 milhões de Meticais para o concurso de financiamento e apoio ao audiovisual e cinema. De acordo com os cineastas Sol de Carvalho e Gabriel Mondlane, a iniciativa governamental é um alento para os cineastas moçambicanos.

 

“Não discuto se o dinheiro é muito ou é pouco, a constituição do júri ou o regulamento. Saber que os cineastas podem apelar, todos os anos, a apoios para produção de filmes é muito bom”. As palavras são de Sol de Carvalho, um dos cineastas que esteve na cerimónia de lançamento do concurso para o financiamento e apoio à actividade audiovisual e cinematográfica. Na óptica do realizador do premiado filme Mabata bata, esta é a primeira vez que em Moçambique acontece uma iniciativa assim, em 45 anos de independência. Por isso, o Governo já não deve voltar atrás. “Saúdo a decisão ao Governo. Nós, os cineastas, sempre insistimos nisto. O cinema é uma arte cara, o dinheiro é pouco. Essa é uma luta que vamos continuar daqui para frente, mas é um passo muito decisivo”.

Outro cineasta que se sente satisfeito com a iniciativa do Governo é Gabriel Mondlane. Na cerimónia realizada na Galeria do Porto de Maputo, o realizador de O silêncio da mulher  disse, igualmente, que o apoio é muito bem vindo, pois quando as pessoas não conseguem se expressar e mostrar o que sabem e gostam de fazer, sentem-se frustrados. “Este gesto que hoje o Governo de Moçambique mostra foi a grande batalha dos cineastas. É o culminar de um momento que muitos de nós se bateram para conseguir”.

Segundo Gabriel Mondlane, sem apoio financeiro, que é a base de tudo, as pessoas até conseguem produzir a sua primeira obra cinematográfica. Entretanto, rapidamente apercebem-se que a sétima arte é cara e já não conseguem seguir em frente. “O cinema é uma área que, por causa da sua natureza, trabalha com fundos mais complexos, o que acarreta muitos custos. Era necessário haver fundo de cinema com objectivos concretos, de modo que o país olhe de outra maneira para esta arte. O país já foi reconhecido como referência no cinema”, lembrou.

Do lado do Governo, a anunciar a disponibilização do fundo para o audiovisual e cinema esteve a Ministra da Cultura e Turismo. Segundo disse Eldevina Materula, o concurso para o financiamento e apoio à actividade audiovisual e cinema vai abranger todo o país. “Pretendemos, anualmente, incentivar e promover novos talentos assim como consolidar a classe do cineasta. Estamos cientes que o valor disponibilizado está longe de esgotar as necessidades de toda área, mas num momento em que o país tem múltiplos desafios, este apoio deve ser visto como um sinal claro e inequívoco de que  o Governo não está alheio a esta classe”.

Eldevina Materula disse também que é no cumprimento do compromisso que o Estado tem com a sétima arte que “anunciamos formalmente o lançamento e disponibilização de 5 milhões de MT para o concurso de financiamento e apoio para a actividade de audiovisual e cinema”.

A cerimónia aconteceu dois dias antes de se comemorar o Dia Mundial do Cinema.

 

Ministra da Cultura e Turismo, Eldevina Materula, procede à apresentação oficial do concurso de cinema, cuja cerimónia será dirigida esta terca-feira, na cidade de Maputo.

No dia 5 de Novembro, celebra-se o Dia Mundial do Cinema. No contexto das festividades alusivas a data, o Instituto Nacional das Indústrias Culturais e Criativas-INICC (Instituição tutelada pelo Ministério da Cultura e Turismo), leva a cabo diversas actividades com destaque para projecção de filmes nacionais, realização de debates, feiras e exposições em todo o país.

De acordo com uma nota de imprensa, como parte destas celebrações que vão marcar a semana, há que destacar a apresentação oficial do concurso sobre cinema, cuja cerimónia será dirigida pela Ministra da Cultura e Turismo Eldevina Materula.

A celebração do Dia Mundial do Cinema, avança o Ministério da Cultura e Turismo, justifica-se pelo facto da sétima arte ser uma forma dominante de expressão artística e cultural na sociedade, para além de constituir um factor central da afirmação da cultura e propagação de valores que unem os povos e contribuem para o desenvolvimento social. “Apesar da crescente produção cinematográfica, que se vislumbra pela crescente produção, há inúmeros desafios no campo do cinema, e nesta vertente a Lei n.1/2017 de 6 de Janeiro, traz um grande desafio: o de promover e incentivar ainda mais as produções nacionais com incremento de fundos para a prospecção de novos talentos. Neste contexto, importa fazer referência a contribuição anual global do cinema em Moçambique (aos cofres do Estado) que ronda os 25 milhões de meticais”.

Para Ivan Bonde, Director do Instituto Nacional das Indústrias Culturais e Criativas, o INICC pretende que a semana do cinema seja um momento de festa e de maior aprofundamento do papel da sétima arte na educação e formação de uma sociedade.

Na esteira das celebrações, que terão o seu pico no dia 5 de Novembro, está agendada a projecção do filme moçambicano intitulado “Resgate”, uma produção de Mickey Fonseca e Pipas Forjas, o primeiro filme moçambicano a entrar no catálogo da Netflix e que amealhou os prémios de Melhor Roteiro e de Design no African Movie Academy, em 2019, e conquistou também o prémio de Cinema Corajoso do austríaco Film Fest Zell.

A produção cinematográfica conta a história de um jovem que se vê forçado a entrar para o mundo do crime e tem de lidar com as consequências das suas escolhas. Retrata também a realidade dos raptos de empresários moçambicanos no país.

O filme será exibido quinta-feira, no Auditório do INICC (extinto INAC) às 14h00.

 

Eliana Silva estreou-se em livro. Pela Plural Editores, a escritora portuguesa residente em Moçambique publicou Bina, a descobridora do Índico, um infanto-juvenil que mescla inocência, sonhos, coragem, atrevimento e vários contactos culturais. A protagonista da história é uma menina portadora do albinismo. Nada ao acaso. Através da personagem muito parecida consigo, a autora quis demonstrar que “é fundamental que a construção artística tenha uma mensagem” além do estético, portanto, útil à sociedade.

 O título do seu primeiro livro é Bina, a descobridora do Índico. Por que não Bina, a descobridora do mundo?

Quando comecei a construir a personagem e este universo que parte de Moçambique, para mim, era importante falar sobre as cores do Índico. Não sabia muito bem qual seria o desenrolar da história, mas era importante manter uma ligação geográfica a esta zona de Moçambique. Por isso tentei fazer uma ligação directa à geografia, e quero muito que Bina seja a descobridora do mundo.

Quis fazer do Índico um começo para algo maior?

Exactamente. O Índico é o ponto de partida onde a Bina começa a descobrir todas as geografias e todas as culturas que ela tem por descobrir. É a ponte de entrada para uma nova descoberta.

Que cores do Índico tornam este espaço diferente de outros lugares que a Eliana conhece?

Acho que o Índico é um oceano muito especial. Parece mais calmo, mas tem muita força. Uma coisa que era muito importante para mim é o sítio onde a Bina nasce, a Ilha de Moçambique, um lugar mágico. É difícil pôr em palavras aquilo que se vive na Ilha de Moçambique. Eu quis mostrar essa singularidade, daquelas águas cristalinas e daquela atmosfera ambiental, que é completamente inspiradora.

 Admite o seu interesse em contribuir para tornar o espaço Ilha de Moçambique algo além da razão?

Eu tentei tornar esse espaço efectivamente especial, para as pessoas perceberem que a Ilha tem uma aura e uma vibração muito específica – e olha que eu já viajei um pouco por este mundo e o que encontrei na Ilha de Moçambique é mesmo especial: as pessoas, a história, os cheiros. Quis trazer um bocado desse misticismo e essa fantasia com uma paleta de cores visuais para que o leitor jovem ou adulto pudesse ter indícios daquilo que é o universo do Índico.

Considero que a Bina voa de bicicleta, daí estar em tantos lugares e a conhecer pessoas diferentes. Quem é essa personagem infantil na sua percepção?

Quis que a Bina fosse uma personagem rebelde, mas no sentido positivo. Ela é uma personagem muito curiosa, destemida e muito corajosa. Depois, ela tem a felicidade de se cruzar com pessoas que impulsionam essa forma de ser, sempre com respeito e com condições de perceber o que está a fazer.

Essa foi a forma que encontrou para quebrar estereótipos, já que, no contexto machista em que é gerada, a menina impõe as suas pretensões como é raro na sua idade?

Sem dúvida. Não seria verdadeira se dissesse que isso não foi importante para mim. Quando construi a história, não pensei contra nada, mas quis valorizar, acima de tudo, o papel que a educação tem no crescimento de jovens raparigas. É importante conhecermos os lugares e questionarmos as coisas. Eu gostava muito que esta personagem fosse uma referência. Ela é portadora do albinismo e isso foi importante para mim porque acho que as pessoas devem se rever na literatura. Ela tem albinismo, sim, mas isso nunca é um entrave. Nesse sentido, eu gostaria que mais Binas existissem ao nosso redor: meninas portadoras de albinismo que não sintam que o mundo é um entrave ou que acreditem que podem descobrir o mundo que quiserem com coragem. É fundamental que a construção artística tenha uma mensagem. É isso o que me motiva.

Tive a percepção de que esta história não existiria se a Eliana não tivesse passado pelos espaços ficcionados. Além da Ilha, Brasil, Angola, Franca e Japão. Concorda?

Sem dúvidas. Não sei se tem a ver com o meu próprio alter-ego, que acabei por transpor muito daquilo que eu sou e vi. Sem dúvidas, a história da Bina é um reflexo das minhas experiências, das pessoas que tive a sorte de me cruzar e das culturas que tive a sorte de visitar. Felizmente, tive a liberdade de fazer da história aquilo que eu quis, o que me deu muito gozo. E acho que uma das coisas bem conseguidas neste livro é mesmo essa de nos dizer que não há fronteiras para a nossa imaginação. O livro permite-nos a viagem que nós quisemos.

Que mundo a escrita desta história permitiu-lhe conhecer?

Honestamente, foi mais um mundo da literatura. Compreendi, enquanto escrevia, que escrever para crianças é uma grande responsabilidade. Às vezes pensamos que, ao escrever para crianças, podemos descorar algumas coisas. Na verdade, depois percebemos o poder da palavra e da criação do universo e de imaginários. Transpor esses valores para as crianças é formar e acho que essa acaba sendo a grande descoberta que tive.

Como surge a ideia de escrever a história da Bina?

A ideia surgiu há muitos anos. Nos meus tempos de jornalista, eu sempre tive uma grande curiosidade pelos portadores de albinismo. Sempre tentei perceber o estigma à volta deste problema. Por volta de 2010 comecei a investigar para perceber o que se passava. Aí encontrei vários trabalhos feitos sobre os ataques aos albinos no Norte de Moçambique e na Tanzânia. Passados alguns anos, ocorreu-me criar uma personagem albina que viaja pelo mundo de bicicleta. Tinha de ser albina porque não existem referências literárias dessas. Há cerca de dois anos, fiz uma proposta à editora, que aceitou.

Acho a Bina muito parecida consigo?

Há quem diz isso e eu acredito que sim. Não sei se é por ser o meu primeiro livro ou e imaturidade de escritora, mas foi inevitável eu passar-lhe os meus valores e alguma inquietude que tenho em relação ao mundo. Cada vez mais apercebo-me que fui honesta em relação aos motivos que me fizeram escrever o livro. A minha imperfeição passou para a perfeição da personagem.

Sugestões artísticas para os leitores do jornal O País?

Sugiro Pão de açúcar, de Afonso Reis Cabral, e
Neighbors, de Lília Momplé.

 

PERFIL

Eliana Silva nasceu em Lagos, Portugal. Assume-se como uma lacobrigense de gema. Com um pai caracteristicamente alentejano e uma mãe irreverentemente angolana, teve o privilégio de usufruir, segundo afirma, do melhor que a lusofonia trouxe ao mundo, desde cedo. Mudou-se para Maputo em 2014, tendo desde então lutado por singrar no mundo da publicidade, activação de marcas e comunicação estratégica.

 

 

 

 

 

 

Sanda Tamele participa, desde este domingo, na 39ª Feira Internacional do Livro de Sharjah, nos Emirados Árabes Unidos. Naquele país asiático, a editora e tradutora está pelo segundo ano consecutivo, e falou na abertura da 10ª Conferência de Editores.

 

A editora Trinta Zero Nove, de Sandra Tamele, candidatou-se uma vez mais a uma bolsa da maior feira do mundo árabe: A Feira Internacional do Livro de Sharjah, que, este mês, acontece pela primeira vez no contexto de COVID-19. Ao contrário do que se passou com a Feira de Londres, que foi cancelada, e com a Feira de Frankfurt, cuja edição foi online/ digital, a Feira de Sharjah optou por reduzir o número de participantes, de 650, número do ano passado, para 130 nesta edição, dando privilégio a encontros presenciais aos editores.

Essencialmente, Sandra Tamele está a participar de uma Conferência de Editores que vai durar deste domingo até terça-feira, com sessões plenárias e momentos dedicados a negociação de direitos autorais que terão apoio financeiro de 330 mil dólares, cedidos pelo Sheik Sultão Muhammad Al Qasimi, para a tradução literária. Afinal, na opinião do mecenas, as editoras conseguem fazer mudanças nas sociedades através da palavra escrita e traduzida.

O painel em que Sandra Tamele participou, na Conferência de Editores, de facto, debateu sobre tradução de livros e sobre como encontrar novos leitores. Nesse encontro, a editora e tradutora moçambicana esteve com Hassan Yaghi, Director Editorial da Dar al-Tanweer do Líbano; Marcia Lynx Qualey, Editora Fundadora da ArabLit de Marrocos; e (como moderador) Trevor Naylor, Director Associado da Universidade Americana do Cairo, no Egipto. “Basicamente, nós falamos do que é publicar livros traduzidos e como conseguir novas audiências para quem lida com autores nunca antes traduzidos. No painel tentamos responder a várias perguntas, desde as relacionadas com a qualidade da tradução, aceitação e viabilidade”.

Além disso, na Conferência dos Editores, Sandra Tamele apresentou a história da Trinta Zero Nove, “que está ligada à minha história pessoal e ao meu percurso profissional. Eu venho de uma família trilingue, na teoria, mas que, na prática, acaba sendo monolingue. O meu pai é machangana e a minha mãe é kinwani, e eu acabo tendo português como língua materna. Isto gerou em mim esta vontade de querer traduzir, esforçando-me em traduzir textos de línguas originalmente europeias para as bantu de Moçambique”.

Durante a intervenção na sessão deste domingo, Sandra Tamele explicou como o percurso da Trinta Zero Nove a fez mudar da sua profissão de arquitecta para a de editora e os desafios que isso acarreta, desde a criação de uma nova geração de leitores, que é a sua paixão. “O contacto com as crianças encheu-me de alento e elas têm curiosidade em saber o que eu publico. Essa curiosidade fez-me procurar títulos que os adquiri (dois) aqui na Feira de Sharjah, ano passado, designadamente, Sabes o que eu vejo?, que publicamos no Dia da Bengala Branca, 15 de Outubro, em formato digital e em áudio-livro em braile. A outra história é A Ana e os três gatinhos”.

A nova aposta da Trinta Zero Nove, em relação aos infanto-juvenis, vem ao mesmo tempo que a editora lançou uma loja online. Tudo isto foi apresentado numa audiência que, segundo a tradutora, estava à espera que a editora moçambicana fosse ao evento com narrativas choramingueiras. “Eu disse que era um momento de deixarmos disso, que, apesar de todas as dificuldades ligadas aos índices de analfabetismo e desenvolvimento humano, há que pensar que temos iniciativas pequeninas, mas excelentes. Estou a investir em minhas poupanças pessoais. Mesmo assim, o nosso website já tem contos nas línguas moçambicanas: cicena, emakhuwa e xichangana, tanto para adultos como para crianças, disponíveis a 20 MT, mesmo para tentar contrariar aquilo que as pessoas falam. Se compram três cervejas a 100MT, eu quero que amanhã possam comprar três livros ao mesmo preço”. Quando Sandra Tamele disse isso, a audiência riu-se, porque para eles é um conceito diferente. “Tive um feedback muito positivo porque as pessoas não sabiam nada sobre Moçambique e temos boas reacções da nossa participação”.

 

O Município de Arcos de Valdevez (Portugal) ofereceu oito paletes de livros ao Município de Maputo. Os mesmos chegaram há semana, no decorrer das celebrações da sexta edição da Feira do Livro de Maputo.

Na capital do país, o Presidente do Conselho Municipal de Maputo, Eneas Comiche, agradeceu a iniciativa através de uma cerimónia na qual os dois concelhos estiveram ligados por videoconferência. Para tal, foi estabelecida uma ligação vídeo onde os dois edis, Eneas Comiche e João Manuel Esteves, na presença da Embaixadora de Portugal em Moçambique, do Director do Instituto Camões e de outros representantes de ambos os países, de acordo com Blogue do Minho, manifestaram o seu empenho em trabalhar em prol da promoção da língua portuguesa e da educação.

Ainda segundo a mesma fonte, a cerimónia foi o culminar de um processo que teve como âncora a primeira edição do Dia da Língua Portuguesa, 5 de maio de 2020, conforme determinado pela UNESCO. “O Município de Arcos de Valdevez demonstrou desde logo  interesse por essa importantíssima data, bem como, em estreitar relações com outros países desta vasta comunidade linguística. Assim,  através da Biblioteca Municipal, decidiu lançar uma iniciativa com o objectivo de oferecer à Cidade de Maputo livros actuais e em bom estado de conservação, focando várias temáticas e destinados a diversas idades.

Através da oferta de livros ao Município de Maputo, o Município de Arcos de Valdevez pretendeu contribuir para a promoção da cultura e ciência em língua portuguesa junto dos munícipes maputenses, nomeadamente estudantes de todos os níveis de ensino, desde o ensino básico ao ensino superior e, simultaneamente criar boas relações entre Maputo e Arcos de Valdevez.

 

A Nova Zelândia aprovou, em referendo, a eutanásia voluntária com cerca de 65% dos votos. Por outro lado, o país rejeitou a legalização da marijuana para uso recreativo com 53% dos votos contra.

O ministro da Justiça neozelandês, Andrew Little, citado pelo Observador, declarou que a lei eleitoral de Fim de Vida vai entrar em vigor no dia 6 de Novembro de 2021, um ano após os resultados oficiais serem publicados.

Little acrescentou ser muito improvável que os resultados preliminares da votação sobre a legalização da marijuana recreativa mudem durante a recontagem dos votos especiais, ou seja, os que são emitidos do estrangeiro ou fora do distrito eleitoral.

“A probabilidade é tão baixa que é praticamente improvável”, disse, em uma conferência de imprensa transmitida pela Radio New Zealand.

A 4ª edição do Seminário “A Língua Portuguesa na Educação, na Literatura e na Comunicação”, organizado pela Comissão para Promoção de Conteúdo em Língua Portuguesa (CPCLP), decorre de 9 a 14 de Novembro através da Internet.

O escritor e editor da Fundza, Dany Wambire, vai participar, no dia 11 de Novembro, entre 11h e 12h30, no debate sobre “Ensino de português e a questão da leitura: experiências em Moçambique, Brasil e Timor Leste”. No encontro a ser moderado por Cristiano Aguiar e que pretende abordar as relações entre o ensino da língua portuguesa e a formação de leitores, Wambire irá reunir-se com José Castilho Marques Neto (docente e editor) e Zelina Roteiro (professora e vice-diretora do ensino básico na Universidade Nacional de Timor-Leste).

O convite a Dany Wambire surge na sequência de uma comunicação que o escritor e editor fez em 2016, quando lançou o seu livro infantil Quem manda na selva?, no Camões, na cidade de Maputo. Na altura, os que agora contribuíram para que Wambire participasse no seminário ficaram entusiasmados ao perceberem a entrega do autor na formação de leitores, na escola primária onde lecionava. Nessa mesma comunicação, o escritor e editor referiu-se às actividades da sua Associação Kulemba na promoção da leitura em distritos como Gorongosa, Cheringoma e Dondo.

Com esta participação no seminário, “Espero que a experiência que fazemos em Sofala possa ser conhecida pelo mundo”, até porque a Associação Kulemba tem realizado actividades que envolvem mais de cinco mil crianças, o que é considerável em Moçambique.

A 4ª edição do Seminário da CPCLP, cujo tema central é a educação, irá decorrer de 9 a 14 de Novembro e reúne grandes nomes da literatura e do ensino de diversos países de língua oficial portuguesa, além de representantes de projectos sociais. Este ano o seminário volta-se aos professores das escolas públicas e privadas, de países e comunidades de língua portuguesa. O evento também reúne autores, editores e académicos.

O seminário é composto de diversas mesas de debate, que acontecem diariamente, sempre às 11h, e contará com o lançamento do livro Travessias imaginárias: literaturas de língua portuguesa em nova perspectiva, organizado por Mirna Queiroz e publicado pelas Edições Sesc.

O evento é realizado pela Câmara Brasileira do Livro (CBL) em parceria com o Sesc São Paulo, por meio da unidade do Centro de Pesquisa e Formação (CPF Sesc), sob a coordenação geral de Francis Manzoni. Apoiam o seminário o Instituto Camões, a Universidade Presbiteriana Mackenzie, Edusp, FGV, Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, Oficina de textos e Ordem do Graal da Terra.

A Comissão para Promoção de Conteúdo em Língua Portuguesa é um órgão da Câmara Brasileira do Livro (CBL) formado por editores, professores e agentes culturais. Em actividade desde 2016, a comissão tem por objectivo estimular e fomentar acções de promoção da língua portuguesa, em diálogo com a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O ensaísta português, Vítor Manuel de Aguiar e Silva, é o vencedor do Prémio Camões. O júri justificou a escolha do seguinte modo: “A atribuição do Prémio Camões a Vítor Aguiar e Silva reconhece a importância transversal da sua obra ensaística, e o seu papel activo relativamente às questões da política da língua portuguesa e ao cânone das literaturas de língua portuguesa”.

No âmbito da teoria literária, acrescentou o júri na acta, “a sua obra reconfigurou a fisionomia dos estudos literários em todos os países de língua portuguesa. Objecto de sucessivas reformulações, a Teoria da Literatura constitui-se como exemplo emblemático de um pensamento sistematizador que continuamente se revisita. Releve-se igualmente o importante contributo dos seus estudos sobre Camões.”

Vítor Manuel de Aguiar e Silva nasceu em Penalva do Castelo, em 1939. Ensaísta e professor universitário. Tendo obtido todos os seus graus e títulos académicos na Universidade de Coimbra, foi professor catedrático da Faculdade de Letras da mesma Universidade até 1989, ano em que solicitou a sua transferência para a Universidade do Minho. Nesta Universidade, foi professor catedrático do Instituto de Letras e Ciências Humanas, fundou e dirigiu o Centro de Estudos Humanísticos e a revista Diacrítica e desempenhou as funções de vice-reitor de Junho de 1990 a Julho de 2002, data em que passou à situação de professor aposentado.

Aguiar e Silva tem-se dedicado especialmente ao estudo da Teoria da Literatura, domínio em que a relevância do seu ensino e da sua investigação é nacional e internacionalmente reconhecida, e da Literatura Portuguesa do Maneirismo, do Barroco e do Modernismo. Os estudos camonianos têm constituído objecto constante da sua actividade de investigador. Entre vários prémios, a Universidade de Évora atribuiu-lhe o Prémio Vergílio Ferreira de 2002. Em 2007, foi-lhe atribuído o Prémio Vida Literária, instituído pela Associação Portuguesa de Escritores e pela Caixa Geral de Depósitos. Em 2018, recebeu o Prémio Vasco Graça Moura de Cidadania Cultural.

O Prémio Camões, instituído por Portugal e pelo Brasil em 1989, é o prémio de maior prestígio da língua portuguesa. Com a sua atribuição, é prestada anualmente uma homenagem à literatura em português, recaindo a escolha num escritor cuja obra contribua para a projecção e reconhecimento da língua portuguesa.

O júri da 32ª edição do Prémio Camões é constituído por Clara Rowland, professora universitária (Portugal); Carlos Mendes de Sousa, professor universitário (Portugal), António Cícero, professor universitário (Brasil); António Hohlfeldt, professor universitário (Brasil); Tony Tcheka, escritor (Guiné-Bissau); Nataniel Ngomane, professor universitário (Moçambique).

 

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