O País – A verdade como notícia

Amosse Mucavele apresenta o seu segundo livro de poesia esta quinta-feira, na cidade de Maputo. A cerimónia de apresentação do livro pode ser acompanhada pelas redes sociais da Alcance Editores.

 Não se trata de uma pedagogia comum. O que Amosse Mucavele vai apresentar ao público, esta quinta, é da ausência. Melhor dizendo, Pedagogia da ausência, um livro de poemas escrito como se o autor rebuscasse a infância para contar a sua história e, assim, costurar memórias. Através do seu novo livro, o poeta pretende enaltecer a importância das pessoas que, actualmente, estão ausentes da sua vida. De igual modo, Amosse Mucavele propõe-se, através da sua versificação, revisitar lugares e os desígnios que incorporam o seu meio familiar.

Pedagogia da ausência é uma espécie de manual de instruções para afogar as mágoas. O autor tem o livro como retrato fiel daquilo que é como pessoa e como poeta. O livro é de carácter muito intimista, cujos versos carregam uma narrativa imaginária e entrelaça-se entre a história, a imaginação e a memória.

De facto, Pedagogia da ausência é o segundo livro de Amosse Mucavele. No entanto foi escrito antes da publicação de Geografia do olhar. O poeta não o publicou antes do livro de estreia porque calculou que os poemas não estavam prontos, na altura, afinal foi, para si, de uma escrita muito complexa. “O livro exigiu de mim uma introspecção muito forte e um trabalho de pesquisa em relação à memória da família. Trabalhei muito e chorei quando escrevi sobre a minha mãe e sobre os meus avôs, que me construíram como pessoa. O desaparecimento deles deixou um enorme vazio em mim” – Entre os poemas mais difíceis de escrever, afirmou Amosse Mucavele, estão “A casa” e “Reencontrar o amor”, escritos em quatro meses.

Mucavele revela que escreveu o livro como se montasse uma exposição fotográfica, em jeito de uma espécie de retrato fiel da sua casa. “Escrevi este livro, primeiro, para mim mesmo, para tentar compensar as ausências”.

O poeta esclarece que escolheu o título do livro por representar o itinerário do silêncio que a mãe e os avôs deixaram, que partiram muito cedo, “antes de me fazer homem. Queria os ter pelo menos por mais 10 anos, para que vissem que tipo de homem me tornei. A minha mãe partiu em 2010 e os meus avôs em 2015 e 2016”.

Ainda que o livro parta de uma experiência vivencial, Mucavele garante que quem for a ler o livro não lhe vai conhecer melhor por isso. “As pessoas podem aproveitar a leitura do livro para um autodescobrimento dos seus próprios silêncios. Penso que os leitores podem se reencontrar e aproximar-se a partir desta poesia, até porque escrevo sobre a ideia de que a minha dor, o meu silêncio e o meu medo podem ser dos outros também. Este livro é uma espécie de relatório de expedição de um poeta que está em via de transição a cada dia que passa”.

Pedagogia da ausência é constituído por duas partes, designadamente: ”seminários sobre lugares”, onde há procura das pessoas que partiram sem despedida, secção de medos de rios e mares. “Eu tenho uma relação de amor e ódio com os rios e o mar, que é intrínseca à minha formação poética”. A segunda parte é intitulada “Migrações”, onde se podem evidenciar mais ou menos a procura de mapas sobre certos lugares e geografias.

Por fim, este segundo livro de Amosse Mucavele é sobre navegações de um espaço físico variável, íntimo, único. “Viajo por uma pirâmide sobre a solidão e a ausência. São poemas que resumem os meus mapas interiores”.

O livro de Amosse Mucavele será apresentado por Carlos Mondlane e Rui Lamarques.

Juvânia Ércia Munguambe e Inérzio José Macome, ambos alunos do projecto Xiquitsi, ganharam bolsas de estudo para Licenciatura em Música, variante Execução, na Escola Superior de Música de Lisboa, em Portugal.

“Esta bolsa, para mim, significa benção de Deus! Jesus se manifestou na minha vida. E que Xiquitsi continue a capacitar os alunos para que possam atravessar além fronteiras, que não parem de estudar, que continuem trazendo professores qualificados para capacitar e melhorar o nível dos alunos”. As palavras são de Juvânia Ércia Munguambe, uma das aulas que conseguiu a bolsa de estudos do PROCULTURA. Para a jovem artista (violino), naturalmente, esta é uma rara oportunidade de aprofundar os seus conhecimentos, de modo que cresça e evolua na carreira que escolheu.

Igualmente satisfeito está o outro aluno que venceu o concurso para atribuição de bolsas de estudo no âmbito do projecto PROCULTURA, financiado pela União Europeia, co-financiado pela Fundação Calouste Gulbenkian e ainda co-financiado e gerido pelo Instituto Camões, IP: Inérzio José Macome, para quem “ter esta oportunidade é algo muito especial e motivador para mim, porque irei dar continuidade… fazendo o que mais gosto (música). Acredito também que, através desta bolsa, irei adquirir mais conhecimentos para poder ajudar no desenvolvimento da música clássica em Moçambique. Ao Xiquitsi, gostaria de expressar o meu mais profundo agradecimento por contribuir no meu desenvolvimento como estudante de música e como pessoa”, afirmou o jovem artista (violoncelo).

Os dois alunos, Juvânia Ércia Munguambe e Inérzio José Macome, não são os primeiros do Xiquitsi a vencer um concurso de atribuição de bolsas de estudo. Na verdade, ambos vão juntar-se, em Portugal, a Kleyd Alfainho, Márcia Massicame e Florêncio Manhique, que também ganharam bolsas de estudo, no ano passado.

Juvânia Ércia Munguambe nasceu em Maputo e tem 24 anos de idade. Faz parte do Xiquitsi desde 2014. A aluna do Xiquitsi teve várias participações internas de destaque e participou no Festival de Primavera em Viseu, em Portugal; e no Festival Internacional de Música da Câmara, em Stellendboch, na Cidade do Cabo, na África do Sul.

Já Inérzio José Macome nasceu em Maputo e tem 19 anos de idade. Integra o projecto Xiquitsi desde 2016. Através do Xiquitsi, participou no Festival de Música de primavera em Viseu, em Portugal (2018); no Festival internacional de Música da Câmara, em Stellendboch, Cidade do Cabo, África do Sul (2018); e no Festival de Música de Santa Catarina, no Brasil (2020). No ano passado, Inérzio ganhou o Prémio Melhor Aluno Xiquitsi – 2019.

Os jovens artistas alunos do Xiquitsi irão viajar para o país de Camões dentro de dias.

Primeiro romance de Afonso Vaz Vassoa será apresentado por Sara Jona Laisse, sexta-feira, a partir das 16h, numa cerimónia (online) restrita, devido à prvenção da COVID-19.

Há mais ou menos 21 anos, Afonso Vaz Vassoa iniciou o processo de escrita do seu primeiro romance. Na altura, encontrava-se a estudar no Brasil. Intitulado Cambalhotas de dedos marcados, o livro constituido por 460 páginas surge como escape à actividade estudantil e, de acordo com o próprio autor, pode ser lido considerando-se várias perspectivas.

Cambalhotas de dedos marcados é uma história  sobre cinco amigos, que se conheceram depois da proclamação da independencia de Mocambique. A narrativa inicia num lar de estudantes, nos anos 70, e, o que era para ser algo simpático, cheio de alegria, involuntariamente, se transforma num caos na sequência de um incêncido provocado num pequenique de despedida do grupo de amigos, em Marracuene, que gera desejo de vingança a uma velha senhora. “Espero que os leitores encontrem alguns valores sobre o amor próprio e o amor ao próximo”, disse o autor, adiantando que no romance há muito suspense, característico de histórias policiais.

Em termos do que ainda se pode ler nesta ficção de Afonso Vaz Vassoa, sobre o patriotismo, a tradição e etc, lê-se no preâmbulo: “No meio de emersões e imersões em fenómenos multifaceta­dos, materiais e imateriais, singulares e colectivos, procura-se, em Cambalhotas de dedos marcados, observar e mexericar, escutar e duvidar, viver e conviver, criar e recriar, apresentar e represen­tar as essências de seres, motivações, linguagens e mensagens de algumas almas silenciosas e ruidosas, nacionais e internacio­nais, identificáveis e não-identificáveis. Nesses cenários emersos e submersos, em se tratando de almas caladas e estrondosas, uma luz mostra que tudo se faz, se desfaz e se transforma, no ódio e no amor, na discórdia e na concórdia, no frio e no calor, na guerra e na paz, no lar e no la­bor, em baixo e em cima, em suma, na vida terrena e espiritual de hoje e de amanhã – uma vida baseada na existência, vivência, convivência e conivência do ontem”.

O lançamento do primeiro romance de Afonso Vaz Vassoa irá acontecer online esta sexta-feira, às 16 horas, em directo no Facebook e no Instagram da Alcance Editores. O livro que conta com patrocínio da Empresa Nacional de Hidrocarbonetos será apresentado pela professora universitária e ensaísta Sara Jona Laisse.

 

O autor

Afonso Vaz Vassoa nasceu no dia 19 de Março de 1966, na província de Nampula. É doutor em Linguística, pela Universidade Eduardo Mondlane (UEM, 2015); Mestre em jornalismo, pela University of North Texas, EUA (2005); Licenciado em Comunicação Social, com habilitaçãoem Relações Públicas, pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Brasil (1999); e Bacharel de Desenho, pela UEM (1985). É membro da Associaçãodos dos Escritores Moçambicanos ( AEMO), da Associação de Profissionais de Relações Públicas de Moçambique (APRPM), da Associação Moçambicana de Ciências da Comunicação e da informação (ACICOM) e da Rede de Profissionais de Relações Públicas, Marketing e comunicação da Associação das Universidades da Commonwealth. Na UEM, Vassoa desempenhou as funções de Chefe do Departamento para a Qualidade Académica na Escola de Comunicação e Artes (2014-2019); Director do Gabinete do Reitor (2001-2012); Director-adjunto do Gabinete de Relações Públicas (1991-1994); e Chefe do Departamento de Desenho na antiga Faculdade de Educação (1987-1988). Actualmente, é docente das cadeiras de “Comunicação África Austral”, “Temas Contemporâneos de Moçambique” e “Planificação de Ralações Públicas” na ECA da UEM. Além do romance que será lançado sexta-feira, Vassoa é autor das seguintes obras: Comunicação social e relações interculturais: desafios e oportunidades da África contemporânea, editada em Maputo pela Ndjira, em 2010; e África: o berço da humanidade e a fonte da eternidade, editada pela AGE, em 1998, em Porto Alegre, Brasil, e reeditada em Maputo pela Imprensa Universitária, em Março de 2003.

Músico Mr. Bow conta sua história de vida no novo álbum como forma de inspirar milhões de moçambicanos e africanos.

Story of my life ou “história da minha vida”. Eis o título do novo álbum discográfico de Mr. Bow. Previsto para ser lançado em Novembro, o disco do músico traz um artista ainda mais maduro, com interesses além da música.

Na verdade, o autor de Story of my life quer, através do novo álbum, levar aos seus admiradores, aos moçambicanos e aos africanos em geral um conjunto de situações verosímeis, suscetíveis de se afirmarem como força motriz. “A minha história de vida provavelmente seja de uma boa percentagem de moçambicanos e africanos. Sinto-me no dever de a partilhar com o propósito de inspirar pessoas que estejam a passar por dificuldades e que pouco acreditam em alcançar os seus objectivos. Faço questão de partilhar a minha história para inspirar as pessoas”.

Numa entrevista cedida ao Jornal da Noite da Stv, esta segunda-feira, Mr. Bow lembrou que a sua carreira de sucesso não é fruto de uma ascensão supersónica. Para chegar onde chegou, o músico proveniente de classe social muito humilde teve de enfrentar todas as fases negativas da sua condição e ultrapassa-las. “Desde que comecei a minha carreira musical, tudo acontece em fases. Nada aconteceu ao mesmo tempo. Sempre que lancei uma música, por exemplo, tive muita atenção no que estava a fazer”. Logo, o retorno dos fãs sempre foi positivo. Por isso, realçou o músico, “acredito que os fãs vão ouvir e gostar do meu novo álbum”.

Story of my life é um trabalho ousado, no qual Mr. Bow desafiou-se em termos criativos e de implementação das suas ideias. Durante o processo criativo das 18 músicas que compõem o disco, o autor investiu na inovação, sempre com um toque de moçambicanidade. Sobre isso, o artista sublinhou: “Eu sou artista e moçambicano. 100% das minhas influências são nacionais. Mas quero estar ligado ao mundo, sem abandonar as minhas raízes”. Assim sendo, o artista inclui no seu Story of my life conteúdo de interesse nacional e que ao longo dos anos constituem a marca Mr. Bow. “É isso o que me faz original e desperta interesse naquelas pessoas que não entendem as línguas em que eu canto as minhas músicas”.

O Jornal da Noite da Stv desta segunda-feira exibiu partes do vídeo-clip que intitula o novo álbum de Mr. Bow. No contexto da apresentação do seu novo trabalho original, Bow assumiu que, com Story of my life, está a exercer activismo social, afinal, lembrou mais uma vez: “quero que a minha carreira inspire pessoas. Este é o meu contributo nacional”.

Story of my life conta comparticipações de músicos nacionais e estrangeiros.

Mr. Bow é o nome artístico de Salvador Pedro Maiaze. É músico, empreendedor e empresário da indústria criativa e do entretenimento, sendo proprietário e Director-Geral da Bawito Music.
A sua carreira musical começa a apesentar sinais evidentes quando, em 2007, integra a N´Studio, de onde conseguiu produzir e lançar o seu primeiro Álbum musical, em 2008, denominado Meu sonho. Dois anos depois, Bow lançou Kota de família. Em 2012, chegou o seu terceiro álbum, denominado Sinal de vitória, que já anunciava a chegada na arena musical moçambicana de um grande cantor, algo concretizado em 2016, com o álbum The king of Mozambique, com os grandes hits “Vida boa”, “Nitafa nawena”, “Akuna munwane” e “My number one”. Em 2017, o músico lançou o álbum Mr Romantic, um álbum de consagração de Mr Bow, onde temas como “Guilhermina”, “NitiKhetelile”, “I´m ready” entre outros passaram a fazer parte da trilha sonora da vida de muitos moçambicanos, pois daí Mr. Bow passou a ser o artista de eleição para cantar em eventos como casamentos, aniversários, cerimónias públicas entre outros. Actualmente, Mr. Bow é um cantor já de créditos firmados na arena musical moçambicana e internacional e com uma grande legião de seguidores.

A perspicácia de Mr Bow mostrou que a crença nos seus sonhos e o trabalho faz com que estes sejam alcançáveis. Por isso, quer que, através da música, o público que lhe segue compreenda que é dono do seu próprio destino. “Tudo depende de fé e dedicação”.

A música promocional Story of my life conta a verdadeira história do músico Mr.Bow, desde a sua terra natal até aos dias de hoje, como se disse, “uma história que mostra que com trabalho árduo tudo é possível. Uma história que incentiva aos jovens a correr atrás dos seus sonhos com foco e determinação”.

Paulino Paulo Fumo, Nobre dos Santos e Martins Mapera lançaram, na Universidade Pedagógica de Maputo, livros ligados ao ensino de português, à literatura, à linguística e à cultura.

O Campus Principal da Universidade Pedagógica de Maputo, na capital do país, voltou a abrir-se ao público para promover lançamentos de livros ligados ao ensino de língua portuguesa, à literatura e à cultura em geral.

Na última sexta-feira, Paulino Paulo Fumo lançou o livro intitulado Referenciação e argumentação no ensino do português em Moçambique, sob a chancela de uma editora brasileira. Segundo o autor, professor naquela universidade, o seu estudo “é um livro que se constrói a partir da análise de produções escritas de alunos do ensino secundário moçambicano. A partir dessa análise, o livro pretende mostrar que há muitos elementos linguísticos e discursivos que muitas vezes não são tratados no processo de ensino e aprendizagem e que são fundamentais na construção da argumentação”, afirmou Paulino Paulo Fumo.

Na mesma cerimónia, Nobre dos Santos e Martins Mapera lançaram dois livros dedicados à educação e à cultura, dando a devida importância a questões relacionadas com a língua portuguesa, essencial na carreira escolar do aluno. O primeiro estudo publicado em livro pelos dois professores universitários foi Didáctica, leitura e escrita. De acordo com Nobre dos Santos, este “é um livro que trata da estratégia de ensino da leitura e da escrita. No seu começo, o livro foi projectado para o espaço pedagógico, especialmente para a formação de professores”.

Além do livro escrito a pensar-se no contexto de sala de aula, com mais colaboradores, Nobre dos Santos e Martins Mapera também lançaram, na Universidade Pedagógica de Maputo, o livro Educação, cultura e linguagem em Moçambique, que reúne artigos de vários estudiosos, atinentes a áreas como literatura, sociologia, antropologia, filosofia e linguística.

Os livros de Nobre dos Santos e Martins Mapera foram lançados sob a chancela da Editora Fundza, na cerimónia representada pelo escritor e editor Dany Wambire: “com estes livros enveredamos por uma área nova, a científica, com outro nível de exigência. Estamos a prepararmo-nos para que possamos responder à exigência do campo científico”.

Os três livros lançados na Universidade Pedagógica de Maputo são da autoria de professores doutorados que se dedicam aos estudos linguísticos e culturais.

A partir desta terça-feira até dia 30, a YODINE Produções apresenta a Semana de Dança Contemporânea 2020, um evento que será realizado no Centro Cultural Franco-Moçambicano (CCFM), na cidade de Maputo. A Semana de Dança Contemporânea é um laboratório artístico experimental e proporciona o intercâmbio entre artistas multidisciplinares com enfoque na dança, teatro e música. A programação é contemplada por artistas nacionais que, durante quatro dias, vão compartilhar os seus trabalhos com o público.

De acordo com a nota do Franco-Moçambicano, nos primeiros dias do evento (de 27 a 29/10) será realizado um workshop sobre técnicas de dança intitulado “Corpo Híbrido”, orientado pelo bailarino e coreógrafo Lulu Sala e virado para os novos talentos e amantes da dança contemporânea. A essência do workshop consiste em organizar e difundir um determinado conhecimento sobre o corpo e as possibilidades dos movimentos existentes. O produto final desta actividade será apresentado no último dia do evento (30/10), na sala grande do CCFM, a partir das 18h30.

Em termos de espectáculos, a presente edição oferece dois trabalhos de artistas nacionais. O primeiro que será apresentado no dia 28/10, pelas 18h, com título “Kuloya”, da autoria de Ernesto Langa e a participação de Osvaldo Passirivo, Fenias Kurió e NBC Gás Butano. O segundo, intitulado “Vinde Arte” é da autoria da coreógrafa e bailarina Francisca Mirine e conta também com a presença de Nelson Magul, a ser apresentado no dia 29/10, às 18h30.

A programação, acrescenta o Franco, também conta com três encontros temáticos. O primeiro sobre “Pesquisa e criação coreográfica” e estará ao cargo dos bailarinos e coreógrafos Panaibra Canda e Virgílio Sitole. O segundo sobre “Dança no Digital” estará ao cargo dos renomados artistas Pak Ndjamena, Ivan Barros e Adriana Jamisse. O terceiro e último encontro estará focado no tema “Legalização e profissionalização de companhias” que terá como convidados: Ivan Bonde – Director do Instituto Nacional de Indústrias Culturais e Criativas, Quito Tembe – Director do KINANI e Belarmino Lovane, Pesquisador em Estudos Culturais na moderação da conversa.

A Semana de Dança Contemporânea é um evento que antecede a Plataforma Internacional de Dança Contemporânea KINANI e possibilita sobretudo que os amantes das artes em Maputo possam explorar os seus interesses artísticos a partir da perspectiva do processo de construção por detrás da obra. Esta iniciativa conta com a parceria do Centro Cultural Franco-Moçambicano, Instituto Francês e Lalambik.

 

Desde esta segunda-feira, estão abertas as candidaturas para o Prémio de Poesia Gala-Gala, que, nesta edição, tem por objectivo galardoar trabalhos de poesia de autores moçambicanos sem obra editada.

De acordo com a organização, o tema para a presente edição é o réptil/lagarto “Gala-Gala”. Os trabalhos deverão ser apresentados em língua portuguesa, na forma de poesia versificada ou prosa poética. É permitida a inscrição para poetas moçambicanos maiores de 18 anos e residentes em qualquer região do país, desde que não tenham publicado um livro de poesia. A inscrição é gratuita e poderá ser realizada no período de 26 de Outubro de 2020 a 09 de Novembro de 2020, através do e-mail galagalalivros@gmail.com. Nesta dição, cada autor poderá enviar somente um poema, que deverá ser inédito no meio impresso ou nas plataformas digitais.

O poema em causa deverá ser enviado em formato doc (Word, Open Office, etc.), com fonte Times New Roman, tamanho 12, e não deve exceder o limite de 02 (duas) páginas A4. Os textos deverão estar sob pseudónimo. Em outro arquivo, que deverá ser igualmente enviado, deverá constar o título do poema, o nome completo do autor e o seu pseudónimo, a data de nascimento, o endereço completo e o telefone.

No regulamento do concurso, a organização adianta que os poemas seleccionados serão publicados em livro, podendo ser e-book ou impresso. Serão eleitos três poemas vencedores, que receberão destaque no livro, na imprensa e redes sociais. Seus autores receberão a seguinte premiação: 1º Colocado: Diploma; 5,000 mil Meticais e 10 livros de poesia de poetas moçambicanos. 2º Colocado: Diploma; 3,500 mil Meticais e 7 livros de poesia de poetas moçambicanos. 3º Colocado: Diploma; 1,500 mil Meticais e 5 livros de poesia de poetas moçambicanos. Os resultados serão divulgados entre a última semana de Novembro e a primeira de Dezembro de 2020, na página do facebook da Gala-Gala Edições e na imprensa. Os autores seleccionados para o livro serão informados por e-mail.

O Júri desta edição será composto por Matteo Angius (Bibliotecário do Instituto Camões), Sangare Okapi (poeta) e M. P. Bonde (poeta). Ora, além dos três primeiros colocados, o júri seleccionará outros 40 poemas para a publicação do e-book. A editora poderá encontrar um meio viável para a publicação do livro em formato impressom sendo que a Gala-Gala Edições detém todos os direitos de publicação e distribuição da obra.

A 25 de Outubro de 2002 surge a Stv. Feitas as contas, já lá vão 18 anos. Para celebrar a efeméride, o canal televisivo organizou dois espectáculos musicais e com bailado à mistura. O primeiro será exibido às 14 e o segundo às 21 horas, sempre neste domingo.

No que se refere ao bailado, a coreografia foi confiada à Companhia Nacional de Canto e Dança, que vai contar as memórias, as narrativas, os contextos e as circunstâncias que engradeceram a Stv com recurso ao corpo e ao movimento.

Essencialmente, os espectáculos irão levar aos telespectadores o melhor do entretenimento, afinal, segundo Válter Tembe, um dos apresentadores, rosto dos eventos: “como toda a gente sabe, a Stv é líder nesta questão de trazer bons conteúdos, principalmente no que diz respeito à música. Estes shows estarão repletos de música boa, glamour e conteúdos incríveis. Tudo a pensar no nosso telespectador”.

Em termos de propostas musicais, os telespectadores irão ver e ouvir as actuações de autores como Valdemiro José, Humberto Luís, Lalah Mahigo. Todos eles são descobertas da Stv. Aliás, Valdemiro José completa, neste 2020, 15 anos de carreira graças à sua participação no programa Fama Show da Stv. O cantor afirmou que o canal foi determinante para o seu percurso artístico. Quem também assume a importância da Stv na sua carreira é Lalah Mahigo: “o que seria de Lalah Mahigo sem a Stv? Foi aqui que tive a expansão do meu nome e iniciei a minha carreira a solo”.

Para Tchaka (dos xithokozelos), igualmente convidado à celebração dos 18 anos do canal: “a Stv mostra-nos que é possível, com uma vontade férrea, trazer uma nova forma de fazer televisão. Antes, nós, éramos telespectadores passivos, mas, agora, a Stv tornou-nos telespectadores activos”.

À celebração dos 18 anos da Stv, Tchaka irá levar os seus xithokozelos, juntando à modernidade artística o enaltecimento da tradição moçambicana.

Os dois espectáculos deste domingo, obviamente, podem ser acompanhados pela Stv.

O Conselho Municipal de Maputo homenageou, esta sexta-feira, a escritora Paulina Chiziane por contribuir para emancipação da mulher e da cultura moçambicanas. Para Eneas Comiche, laurear a autora de O sétimo juramento ou Balada de amor ao vento.

 

O segundo dia da Feira do Livro de Maputo foi reservado à homenagem a Paulina Chiziane. No Átrio do Paços do Município, na tarde desta sexta-feira, a escritora viu a sua obra adaptada para a representação numa performance que contou com Lucrécia Paco e Eunice Mandlate em cena. Foi um dos melhores momentos da tarde. Emocionante. Cativante. Bem ensaiado.

A obra de Paulina Chiziane ganhou outra vida e outras personagens, e, a certa altura, aquela mulher tão forte e guerreira, cedeu e libertou algumas lágrimas. Muitos no auditório não perceberam. Mas ali também revelou-se o lado delicado da escritora que encontra na escrita uma razão de ser.

A propósito de ser, momentos depois de Mingas ecoar música aos poucos apreciadores de literatura presentes na cerimónia de homenagem, devido aos cuidados exigidos neste período de pandemia, Paulina Chiziane teve a oportunidade de dizer algumas palavras como que a dar lições de vida. Para a autora de O sétimo juramento, Niketche ou O canto dos escravos, tem havido um retrocesso social em Moçambique. E explicou. “Muitas vezes, nós conjugamos o verbo ser na negativa e não no equilíbrio ou no desenvolvimento”. A seguir a estas afirmações, rematou: “Se queres ser um homem livre, conjuga o verbo ser em todas as dimensões. Todas. Conjugar no equilíbrio e não na auto negação”.

Paulina Chiziane defendeu que saber conjugar o verbo ser e ter é essencial para que o povo moçambicano se valorize e alcance os seus próprios propósitos, sem se deixar dominar. “Eu sou, sim, e eu tenho. E ninguém me vai dizer que não. Foi com essa teimosia que cheguei onde cheguei. Não preciso contar mais histórias, porque todos me conhecem. Confusa quando eu quero”. Nisso, não se esqueceu de agradecer ao Conselho Municipal de Maputo pelo gesto. “Neste momento emocionante, agradeço ao Presidente do Conselho Municipal de Maputo, aos membros da Assembleia Municipal, aos meus queridos amigos artistas e a todos os que me acompanham”.

Na homenagem, o Presidente do Conselho Municipal de Maputo, Eneas Comiche, entregou à escritora alguns objectos simbólicos e um cheque gigante no valor de 120 mil meticais. Sobre o dinheiro, consoante experiências anteriores, a autora revelou: “Aquele dinheiro vou investir na concretização de um trabalho artístico. Eu nunca tenho dinheiro, porque sempre que tenho algum invisto em alguma coisa de arte. A minha vida sempre foi esta eterna busca pelo meu ser”. Já a terminar a sua intervenção: “Dedico este momento à liberdade. Eu não sou muito de fé, mas de certeza. A luta continua!”.

Antes de Paulina Chiziane ir ao pódio para tecer algumas palavras de circunstância, o Presidente do Conselho Municipal de Maputo explicou por que a Feira do Livro decidiu homenagear a escritora: “Nesta edição da Feira do Livro de Maputo decidimos, com unanimidade, homenagear Paulina Chiziane, por questões ligadas à coerência e à lucidez. Paulina escreve sobre Moçambique e sobre as nossas várias culturas de forma abundante. Além disso, critica e condena as assimetrias tipicamente machistas que subalternizam a mulher”. Para Eneas Comiche, Niketche, O sétimo juramento ou A balada são livros de um amor sincero, os quais são atravessados por experiências que dão sentido à nossa existência colectiva. “Homenagear Paulina Chiziane é reconhecer uma autora além-fronteiras, reivindicada por leitores de vários cantos do mundo. Quem a lê e a estuda, seguramente, entra em contacto com a cultura do nosso país”. Por isso, acrescentou, “o Conselho Municipal de Maputo está a laurear uma verdadeira embaixadora cultural de Moçambique”.

A homenagem a Paulina Chiziane coincidiu no ano em que a escritora celebra os 30 anos da publicação do seu livro de estreia: Balada de amor ao vento, publicado em Setembro de 1990.

 

 

 

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