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O País – A verdade como notícia

A informação é avançada pelo próprio Centro Cultural Português em Maputo. Às 18h de quinta-feira, haverá a inauguração da 1ª edição da Bienal Internacional de Maputo – Habitantes do Desenho, uma mostra colectiva de 13 artistas plásticos de Moçambique, Portugal e Brasil. A cerimónia será realizada institucionalmente, com transmissão em directo pelas redes sociais e a exposição abrirá as portas ao público no dia 11, às 11h.

Segundo lembra a nota de imprensa do Camões, a nível nacional já se realizaram anteriormente duas edições da exposição Habitantes do Desenho, em 2013 e 1016, mas, pela primeira vez, a iniciativa toma o formato de Bienal, abrindo as portas ao contexto internacional e apresentando uma selecção de  mais de 50 obras inéditas de desenho da autoria de: Carmen, Engrácia Cardoso (PT), Famós, Ídasse, Luciana Hess (BR), Luís Cardoso, Luís Santos, Mendonça, Mudaulane, Neto, Samuel Djive, Silva Dunduro e Walter Zan.

A nota avança ainda que o objectivo da reunião de talento e criatividade é homenagear o desenho enquanto prática artística de representação e conhecimento do mundo, revelando-se como base de trabalho comum de qualquer um dos artistas selecionados.

O projeto da exposição Bienal Internacional de Maputo – Habitantes do Desenho conta com o patrocínio do BCI, com o apoio do Atelier Hoya, da Layout e da Moldarte e estará patente em Maputo desde dia 11 de Dezembro a 13 de Fevereiro de 2021, de segunda a sábado, entre as 11h00 e as 17h00.

Como é habitual nestes dias, a cerimónia de inauguração será reservada a um número restrito de convidados e respeitará todas as medidas adequadas de higiene e segurança.

 

 

 

A Ministra da Cultura e Turismo foi convidada a actuar no concerto de fim-de-ano da Temporada de Música Clássica de Maputo – Xquitsi. A sessão vai realizar-se às 18 horas de sábado, na Galeria do Porto de Maputo.

 

Conforme a recomendação do Presidente da República, a Ministra da Cultura e Turismo não abandou a música e tão-pouco os palcos. 11 meses depois da nomeação para integrar o Governo, Eldevina Materula ou, para quem preferir, Kika Matereula, vai apresentar-se no concerto de fim ano da Temporada de Música Clássica de Maputo – Xiquitsi.

Esta edição do programa musical terá a particularidade de contar com dois alunos do Xiquitsi que estudam na Escola Superior de Música de Lisboa, em Portugal, nomeadamente, Florêncio Manhique (Violoncelo) e Kledy Alfainho (Viola d’arco). Ambos regressam à cidade de Maputo para se juntarem aos colegas. Assim, os instrumentistas vão tocar pela primeira vez na condição de solista na Temporada de Música Clássica de Maputo.

De acordo com Eldevina Materula, este é um momento muito particular porque, quando o Xiquitsi foi criado, uma das pretensões da Associação Kulungwana foi reverter a favor dos moçambicanos a elevada participação de 99% de solistas estrangeiros convidados. “O nosso propósito foi o de aumentar o número de solistas moçambicanos. Estamos a conseguir ao longo de muitos anos de trabalho”.

Para Eldevina Materula, o concerto de fim-de-ano da Temporada de Música Clássica será muito especial, até porque, desta vez, actua na qualidade de convidada. “Eu confesso que estou muito emocionada. Este ano vou pisar o palco pela primeira vez e vamos trazer algumas surpresas com certeza”.

Porque o concerto acontece num contexto muito particular, os acordes do Xiquitsi irão levar ao público que vai acompanhar a sessão, no local ou através da página Facebook do Xiquitsi, uma mensagem de esperança. E o concerto será muito pedagógico. “Vamos mostrar que é possível juntar tantos músicos no palco e prevenirmo-nos da pandemia da COVID-19”. Reforçou a Ministra da Cultura e Turismo: “Estamos muito atentos a esta questão. Infelizmente, nos últimos tempos, temos observado, com muito desagrado, muitas infracções no âmbito da prevenção da COVID-19. Queríamos apelar, neste período de festas, e este concerto é de final de ano, para manterem a prevenção da pandemia da COVID-19. Que não nos esqueçamos que esta pandemia continua a devastar vários países do mundo. Nós, felizmente, e devido às medidas tomadas por Sua Excelência o Presidente da República, Filipe Jacinto Nyusi, aquando da declaração do primeiro Estado de Emergência, hoje, somos dos países menos afectados. Queremos assim continuar. Para tal, temos de contar com a colaboração de todos”.

O concerto de fim-de-ano do Xiquitsi conta com Direcção Musical de Eldevina Materula. Já a Direcção Coral foi confiada à portuguesa Ágata Rica, que tem colaborado com a Temporada de Música Clássica de Maputo. Outra professora que integra o elenco é a japonesa Maya Egashira.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A ensaísta e professora universitária vai lançar, às 18 horas de terça-feira, numa sessão transmitida na página Facebook do Camões, a obra Entre margens: diálogo intercultural e outros textos.

 

Uma tentativa de estabelecer diálogos entre as culturas moçambicanas e, por vezes, entre estas e a portuguesa. É assim que Sara Jona Laisse descreve o seu novo livro. Intitulado Entre margens: diálogo intercultural e outros textos, a obra da ensaísta apresenta reflexões sobre rituais, numa perspectiva de, a partir do seu significado, símbolos e funções, analisar que diálogos é que se pode estabelecer entre as culturas envolvidas.

Fundamentalmente, para Sara Jona Laisse, que este ano integrou o júri no concurso Prémio INCM/ Eugénio Lisboa, o objectivo do livro é sempre o de demonstrar que os Homens têm a mesma essência e que não existe, nem necessidade, nem critérios científicos válidos para se estabelecer subalternidade entre umas culturas e outras. Os modos de fazer podem variar, adianta a autora, mas vezes sem conta os símbolos e as funções destes, têm o mesmo significado.

Para a ensaísta, embora o livro seja um conjunto de cónicas, “são textos fundamentados num modelo de análise de culturas de Geertz, cujo cerne é explicar e interpretar a cultura, a partir da perspectiva dos seus fazedores ou sujeitos nativos. Têm sido as explicações e interpretações dos nativos que utilizo e faço o sempre aplicando o princípio do relativismo cultural”.

Entre margens é um livro com dois cadernos, constituídos por textos publicados entre 2019 e este ano, nos jornais Sete Margens, O País e Notícias.

O livro de Sara Jona Laisse conta com um prefácio da brasileira Vanessa Riambau Pinheiro, que se dedica ao estudo da Literatura Moçambicana há anos. Para a professora de Literaturas Africanas da Universidade Federal da Paraíba, no Brasil, as crónicas do livro “revelam a multifacetada cultura moçambicana, através da perspectiva notável de uma interlocutora lúcida que analisa os factos de forma endógena sem por isso deixar que se lhe abale a capacidade crítica”

Entre margens: diálogo intercultural e outros textos, com posfácio assinado pela escritora Ana Mafalda Leite, será lançado numa sessão online, terça-feira, às 18 horas, na página Facebook do Camões. Como apresentador da obra lançada pela gala-gala edições estará Cristiano Matsinhe. A moderação da sessão foi confiada ao poeta Eduardo Quive.

“Hoyo-hoyo maxaca”. O título resume uma narrativa musical preenchida de positivismo e feita para o povo moçambicano. Mesmo num momento difícil como tem sido este de COVID-19, Liloca decidiu trazer uma mensagem que sensibiliza a celebração em família, afinal as pessoas não devem deixar-se levar pelas más circunstâncias.

Além disso, falando do novo single, hoje, na cidade de Maputo, a cantora da Bawito Music lembrou: “Temos esta quadra festiva. É preciso aproveitarmos transmitir aquela alegria que é habitual do povo moçambicano. Nós somos um povo alegre, energético”.

O novo single de Liloca, ao mesmo tempo que é dançante e alegre, propõe-se abordar o amor ao próximo, pois, para a cantora, é muito importante lembrar as pessoas que a família deve estar sempre em primeiro lugar e acima de tudo.

“Hoyo-hoyo maxaca” é a primeira música de Liloca cuja composição foi feita por Mr. Bow. “É tão bom e especial falar disso. Normalmente, Mr. Bow sempre trabalha comigo em estúdio, ele faz arranjos nas minhas músicas”. Desta vez, Bow fez a composição toda, claro, o autor do Story of my life não desvalorizou nenhuma recomendação conceptual de Liloca. De igual modo, a “Boss Lady” trabalhou com Kadú na produção, Nelson Tivane nos coros e Djivas esteve na guitarra. “É um produto que foi feito com muito amor por esta grande team, para o povo moçambicano”. Reforçou.

O novo single de Liloca já tem um vídeo-clip, realizado por CRBOY, que vai estrear esta noite, quando forem 21 horas. Durante as gravações do vídeo-clip, houve divisão de equipas, devido à nova ordem. “Esta música é 100% fim-de-ano, 100% família e penso que é o princípio de festas felizes para todos. A família toda é bem-vinda para escutar, dançar e deixar-se vibrar nesta quadra festiva”.

Esta sexta-feira é dia de inauguração da exposição Memento viveri, na Fundação Fernando Leite Couto (FFLC), na cidade de Maputo. Com a colecção constituída por 14 máscaras bordadas, Maqueleva conjura uma lembrança para as gerações futuras.

Segundo a nota de imprensa da FFLC, “concebida numa altura em que as taxas de infecção da COVID-19 ainda não atingiram o seu pico em Moçambique, esta colecção regista não só a ansiedade da vivência presente como também a obstinada esperança que é necessária para que a vida continue. Desde as faces emaciadas e uma boca aterrorizada em meio-grito, aos amantes (ou amigos, ou parentes) que se distanciam fisicamente ainda que unidos pelo seu amor mútuo, nestes traços captura-se o presente em que vivemos”.

Para FFLC, outro tema facilmente discernível é o colectivo, a noção de que estamos todos juntos neste barco, independentemente das nossas diferenças individuais claramente desenhadas numa das máscaras: o vírus não vê caras, nem corações.

A nota avança que o colectivo é ainda retratado como uma massa homogénea de rostos indistintos, uma vez acompanhada pelo slogan Fight the Power, que incentiva a resistência contra a propagação do vírus. Há também o Don´t be Good, Be Great, que é simultaneamente um apelo e um imperativo. Um apelo a que, como um dever para com o colectivo, cada um de nós esteja à altura da ocasião e faça além do necessário para ultrapassar este tempo difícil. E um imperativo para que, como um dever para connosco próprios, cada um de nós aproveite este acontecimento único e potencialmente letal, para reflectir sobre o que estamos realmente aqui para fazer nesta vida, e fazê-lo bem.

Na colecção, as máscaras de linho origamasks são da designer local Iria Marina (usando um padrão “open-source”) e proporcionam o fundo ideal para o traço único de Maqueleva, com a sua linha contínua. Os masters em papel foram reproduzidos como bordados em tecido, que deverão durar tanto tempo quanto as máscaras em si, conforme observa a nota da FFLC. “Desta forma, as máscaras tornam-se arte e artefacto: algo a ser exibido, algo a ser usado, e algo que ao ser usado é exibido. A sua utilidade como artigo de protecção permanece, ao mesmo tempo que transforma cada usuário numa micro galeria de arte, levando esses registos quotidianos de desespero e de esperança para o futuro, até que eles deixem de ser necessários e tornem-se, simplesmente, memória corporizada deste tempo em que tivemos que nos lembrar de continuar a viver”.

A exposição tem curadoria de M. Gabriela Carrilho Aragão.

O autor

Celso Yok Chan, “Maqueleva”, é um artista moçambicano que trabalha principalmente com aguarela e caneta de ponta fina. O seu trabalho envolve o esboçar de forma livre sem remover a caneta do papel para assegurar a continuidade do design e da inspiração. A sua arte reflecte temas da actualidade, desigualdade e mudança social. Ele traça várias peças de uma só vez, e pinta-as somente depois. Grande parte da sua inspiração vem de estímulos visuais, incluindo pessoas e lugares em Maputo, Nova Iorque e Londres.

 

 

O Ministério da Cultura e Turismo e a Associação Para o Desenvolvimento Cultural – Kulungwana, assinam, esta sexta-feira, às 10h, no auditório do Instituto Nacional das Indústrias Culturais e Criativas (INICC), um memorando de entendimento que visa a materialização do Projecto CANTATE, a ser implementado pela Kulungwana com co-financiamento da Comissão Europeia nas províncias de Nampula, Cabo Delgado e Niassa, a partir de Janeiro de 2021.

De acordo com o Ministério da Cultura e Turismo, o projecto terá a duração de cinco anos e, entre vários objectivos, destaca-se a promoção de iniciativas de carácter educativo e formativo no campo da divulgação e consolidação da cultura nacional.

O memorando de entendimento vai estabelecer a cooperação entre as partes, no domínio das artes e da cultura, com vista a contribuir para o florescimento dum movimento sociocultural mais activo e interventivo. O instrumento será assinado pelo Director do INICC, Ivan Bonde e pela Directora Executiva da Kulungwana, Henny Matos.

Depois de muitas incertezas sobre a realização do tradicional Festival de Tofo, em Inhambane, o governo provincial diz que a XVI edição do evento vai acontecer no próximo dia 12 de Dezembro, na praia da Barra. Mas, devido às restrições impostas pela COVID-19, desta vez, a festa do turismo em Inhambane terá um novo formato.

O Festival não terá presença do público, que sempre afluiu ao local. Nesta edição, o evento será transmitido pela televisão e pelas redes sociais. Serão ao todo 15 músicos, sendo 14 locais e um de fora da província, que vão brilhar no palco da XVI edição do Festival de Tofo.

E porque o festival não é só música, a venda de outros atractivos turísticos da “Terra da boa gente” também vai acontecer. Simão Mavimbe, Porta-voz do Governo de Inhambane, disse ao “O Pais” que, durante o dia da realização do festival, haverá espaço para exibição de vídeos promocionais de outros produtos turísticos de Inhambane: históricos ou culturais.

Para a realização da XVI edição do Festival de Tofo, foram aplicados pouco mais de 3 milhões de meticais.

Mélio Tinga é o grande vencedor do Prémio Literário Imprensa Nacional/ Eugénio Lisboa. Com a distinção, o escritor encaixa 5 mil euros, cerca de 430 mil meticais.

 

Sentado numa cadeira branca, com a perna cruzada, na biblioteca da Fundação Fernando Leite Couto, na cidade de Maputo, Mélio Tinga conteve a emoção, mas não a satisfação. Naturalmente, o escritor ficou feliz com o prémio e sente que alguma coisa agradável, de facto, aconteceu-lhe num ano muito conturbado. Para o autor de O voo dos fantasmas e d’a engenharia da morte, 2020 está a terminar de feição, afinal, o Prémio Literário Imprensa Nacional/ Eugénio Lisboa por si conquistado é sempre um reconhecimento de um trabalho.

Nas suas primeiras palavras, depois de consumada a distinção literária da sua obra, Mélio Tinga referiu que um prémio como Eugénio Lisboa funciona como oxigénio, que o ajuda a respirar. A propósito de respirar, o escritor quase ficou sem ar, quando recebeu a boa nova do Camões. Uma chamada: tri, tri, tri; tri, tri, tri. Mélio Tinga levou a mão ao bolso e, como é óbvio, lá viu no ecrã do telemóvel um número que não deve ser escrito aqui. “Alô”. E lá foi a conversa… o escritor ficou a saber que era o quarto autor a vencer o Prémio Literário Imprensa Nacional/ Eugénio Lisboa, depois Sérgio Raimundo, Aurélio Furdela e Pedro Pereira Lopes. Logo a seguir, o ficcionista parou. A boa nova do Camões foi impactante. De repente, nem para onde ia soube. Os ponteiros do relógio marcavam 14h48. Localização? Perto do Hospital Central de Maputo. A caminhar. Ao lado do autor, as velhas árvores com cheiro à urina. “Fiquei parado. Acho que não estou treinado para saber reagir assim de imediato a um prémio que, além do valor monetário, tem um valor muito significativo para mim, como autor. Acho que os prémios ajudam-nos a medir para onde é que nós vamos. Funcionam como faróis. Ajudam-nos a medir e a dar-nos um retorno sobre a nossa caminhada. Tenho a sorte de perceber que o caminho é esse… O importante, agora, é dar continuidade…”

Nesta edição do Prémio Literário Imprensa Nacional/ Eugénio Lisboa, Mélio Tinga distinguiu-se com o romance Marizza, na história, nome de uma jovem poeta que tem uma relação com um escritor. A história toda acontece nos tempos actuais, em que o telemóvel, o computador, a internet e a cidade estão presentes. Na narrativa, também está presente a vida desse escritor, a sua participação em colóquios e a sua actividade como presidente do júri de um concurso literário. Estes são cenários recriados, em que Tinga tentou ir à busca do quotidiano de um escritor, retratando as suas dificuldades, os seus relacionamentos e os desafios que a vida impõe.

Mélio Tinga começou a escrever o seu romance em Março, na altura de Estado de Emergência em Moçambique. Nesse mesmo período, o escritor lançou-se ao desafio de escrever dois livros: um romance e uma novela. Marriza precisou de seis semanas para ficar pronto. Claro, depois seguiu-se o trabalho de revisão e coisas dos género.

Mélio Tinga já publicou dois livros de contos e promete continuar a escrevê-los. E esclarece. “Eu sempre escrevi textos longos, que não serviam para nada. Acho que o conto é importante para os autores que pretendem fazer textos mais longos, como espécie de uma escola para treinar a técnica narrativa. Por isso, para mim, o conto continuará a ser importante. O facto de ter vencido este prémio, com um romance, não significa que vou abandonar o conto, que, para mim, é mais exigente em termos técnicos, de gestão do tempo, do espaço limitado e das personagens reduzidas. Isso exige que o autor tenha essa capacidade de gestão. Quando conseguimos manipular todos esses elementos no conto, de alguma forma, torna-se mais fácil a transição para o romance. Depois disso, o que se exige na escrita do romance é fôlego, e não inspiração que termina em um parágrafo”.

A terminar a conversa com o jornalista, ainda com a perna cruzada, e com o semblante sisudo, Mélio Tinga sublinhou que o reconhecimento público do seu exercício literário pode permitir que as pessoas conheçam o seu trabalho. “Esse é o grande ganho dos prémios. Abrem portas e janelas para que as pessoas, por curiosidade ou interesse, procurem os nossos trabalhos”

A voz do júri

Nesta edição, o júri do Prémio Literário Imprensa Nacional/ Eugénio Lisboa foi constituído por Mbate Pedro (presidente), Sara Jona Laisse e Paula Mendes. O trio decidiu por Marizza, de Mélio Tinga, não por ela ter olhos bonitos ou ancas sedutoras. O que é que é isso, caro leitor? O júri, de acordo com informação oficial, reconheceu Tinga por causa da “criatividade com que o autor aborda um assunto do quotidiano e à qualidade e inovação estética da obra, numa narrativa coesa e coerente, na qual a forma se sobrepõe ao conteúdo. Destaca-se nesta obra, a qualidade literária de uma escrita permeada por notáveis registos poéticos. Marizza ajuda-nos a reflectir sobre o lugar da literatura e da cultura nos tempos modernos”.

Num universo de 42 trabalhos submetidos ao concurso literário, houve menção honrosa para o texto Eva, de Léo Cote.

Um excerto do romance laureado de Mélio Tinga

“Senti emergir do fundo das vísceras algo doloroso e túrgido. Uma sensação de focas a chapinhar no centro do lago. Estava pálido, como neve. Tremia com exageros. Ouvir aquela voz aguda, partia-me os ossos de modo indolente. Tinha a mão suada, o celular ao ouvido parecia em brasa, como se fosse causar uma inesperada explosão. A partir desse dia passei a crer na força do azar e a desconfiar do canto dos pardais”.

 

 

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