Skip to main content

O País – A verdade como notícia

De Lisboa chegam novidades. Os músicos Selma Uamusse  e Stewart Sukuma  estão entre os diversos artistas convidados pela Organização Não Governamental para o Desenvolvimento (ONGD) AIDGLOBAL – Acção e Integração para o Desenvolvimento Global, de origem portuguesa e com delegação no Chibuto, para a gravação do seu hino Para quem depois vier.

De acordo com a AIDGLOBAL, os artistas moçambicanos juntam-se aos portugueses Ana Laíns, Carla Pires, Carlos Moisés, Célia Leiria, Cherry, Duarte, Joana Amendoeira, Paulo de Carvalho, Rodrigo Costa Félix, Rogério Charraz, Sebastião Antunes & Quadrilha, Silvana Peres e Marta Pereira da Costa para, a uma só voz, destacarem a importância da Educação, com enfoque nas áreas da Literacia e Cidadania Activa, os pilares da missão da AIDGLOBAL.

Para quem depois vier foi escrito e composto pelo cantor e autor Sebastião Antunes e é lançado no momento de celebração do 15º aniversário da ONGD. “Este Hino simboliza tão bem o nosso trabalho, representa 15 anos a contar histórias com finais felizes, investindo dia-após-dia numa Educação de Qualidade, através da implementação dos nossos projectos, em Portugal e em Moçambique, porque acreditamos que a Mudança acontece pela Educação”, afirma Susana Damasceno, Fundadora e Presidente da Direcção da AIDGLOBAL.

Segundo Stewart Sukuma, citado pela AIDGLOBAL, “é muito importante que a solidariedade faça parte do nosso ADN”. Referindo John Donne, o autor afirma ainda que “nenhum homem é uma ilha isolada, cada homem é uma partícula do continente, uma parte da terra. Se um torrão é arrastado para o mar, a Europa, África, América, ficam diminuídas, como se fossem um promontório, como se fossem a casa dos teus amigos ou a tua própria. A morte de qualquer homem diminui-me, porque sou parte do género humano. E, por isso, não perguntes por quem os sinos dobram; eles dobram por ti.” Para o artista, “foi um prazer colaborar com outros artistas tão valiosos, para uma causa tão nobre como a Educação. Agradeço à AIDGLOBAL o convite e a oportunidade. Juntos vamos mais longe”.   

 Na mesma nota da AIDGLOBAL, Selma Uamusse expressou: “os meus sinceros parabéns à AIDGLOBAL pelos 15 teimosos anos a acreditar que a Mudança vem através da Educação e em particular por trazerem este lema para o meu país, Moçambique. É uma grande alegria poder celebrar convosco a extensão do direito à Educação a todos, para que realmente o mundo seja cada vez menos desigual e para que as oportunidades e o acesso a este bem precioso, a Educação e Literacia, possam estar ao alcance de todos. Khanimambo pelo vosso amor, empenho e dedicação. Kulungwana!”.  

 Às 19h de dia 4 de dezembro, 21h de Moçambique, o tema  será divulgado, a partir do canal oficial de YouTube de Sebastião Antunes, “Para quem depois vier”, estará disponível nas redes sociais e Website da AIDGLOBAL e nas plataformas de streaming, sendo que por cada visualização ou audição do Hino, há um valor que reverte a favor da AIDGLOBAL para a concretização dos seus projectos em Portugal e em Moçambique, como a ampliação da Rede de Bibliotecas Escolares do Distrito do Chibuto; a criação e implementação de Escolinhas para a 1ª Infância em contextos rurais na Província de Gaza; a elaboração de recursos pedagógicos para docentes; a capacitação de professores na área da Educação e da Cidadania Activa e a sensibilização e mobilização dos jovens para o voto.

Para lançar o Hino “Para quem depois vier”, a AIDGLOBAL gravou um vídeoclipe em Portugal Continental, na Região Autónoma da Madeira – na Ilha Porto Santo, onde abriu uma delegação em 2018, e em Moçambique – Maputo e Chibuto, distrito em que se localiza a sua delegação desde 2009.

 

O evento está marcado para quinta-feira. Quando forem 18 horas, a escritora e poetisa Énia Lipanga vai realizar, na Fundação Fernando Leite Couto, cidade de Maputo, a quarta edição do Sarau Cultural Incluarte.

A edição desta semana, segundo a Tindziva, irá contar com a participação de artistas e activistas sociais, como Abdil Juma, Negro, Sizaquel Matlombe, Rafael Bata, Beatriz Majope e Mirrely Timbane.

O Incluarte de Énia Lipanga é um movimento de activistas que, através de recital de poesia, teatro e música, pretende consciencializar os promotores de eventos sobre a necessidade de inclusão em eventos públicos e espectáculos, destacando a importância do braille e das línguas de sinais na construção de uma sociedade cada vez mais para todos.

A ideia desta representação artística, avança a Tindziva, surge em Junho do ano passado, num contexto em que as pessoas com deficiência têm enfrentado diversos desafios para aceder aos recintos de espectáculos e compreender as mensagens por detrás das manifestações artísticas. Este ano, pela segunda vez, o sarau coincide com a celebração do Dia Internacional das Pessoas Com Deficiência (PcD), a 3 de Dezembro, por isso, para além das apresentações em palco, o público que acorrer à Fundação Fernando Leite Couto terá a oportunidade de adquirir a colectânea de poesia, intitulada Sonolência e alguns rabiscos, em tinta e braille, da autoria de Énia Lipanga, lançado no dia 4 de Janeiro.

 

Filme de João Ribeiro é Melhor Longa de Ficção na sétima edição do Plateau – Festival Internacional de Cinema da Praia, em Cabo Verde.

 

Este foi um ano adverso para o filme Avó Dezanove e o segredo do soviético, que teve a sua estreia internacional e nacional há mais ou menos sete meses. Não podendo estar em sala, devido ao encerramento dos cinemas, poucos o puderam ver e própria promoção da ficção moçambicana ficou “comprometida”. Ainda assim, neste finalzinho de ano, João Ribeiro recebeu uma boa notícia, domingo à noite, afinal o seu filme foi laureado Melhor Longa de Ficção na sétima edição do Plateau – Festival Internacional de Cinema da Praia, capital cabo-verdiana.

Referindo-se à distinção, o realizador afirmou que “é sempre bom quando um filme recebe um prémio, independentemente do tipo de festival e de onde se realiza. É sempre um reconhecimento pelo nosso trabalho. Por isso, é um prazer receber o prémio”, sobretudo num ano difícil como tem sido este 2020. E sublinhou: “os filmes são feitos para as salas e os festivais mudaram muito a sua dinâmica. Há uma diferença na apresentação dos conteúdos e tem sido um bocado mais difícil para a vida do filme. Esperamos que para o ano a coisa mude e que o filme possa voltar às salas e continuar a fazer os seus circuitos de festivais”.

A distinção de Avó Dezanove e o segredo do soviético é, para João Ribeiro, uma excelente notícia porque, assim, as pessoas interessam-se mais. “Isso é bom para a arte e para o cinema moçambicano, que nós fazemos tão poucos filmes”. De igual modo, o realizador explicou que os festivais de cinema andam emparelhados, de modo que, quando um filme é premiado num determinado evento, consegue argumentos para ver aumentar a sua visibilidade em eventos cinematográficos dentro e fora do país.

Mesmo devido às condicionantes causadas pela COVID-19, João Ribeiro ainda não tem data para colocar a sua longa-metragem nas salas comerciais, pois isso não depende (apenas) do produtor do filme, mas dos que o exibem. “Nós temos pouca força nesse sentido. Os proprietários das salas de cinema é que têm de se aproximar aos produtores e adquirirem os seus filmes. Obviamente que nós também fazemos a nossa parte, inclusive falando com eles. Mas a última palavra é sempre de quem tem a sala”.

Enquanto as salas comerciais não recebem Avó Dezanove e o segredo do soviético, o público tem algumas oportunidades de ver o filme no Centro Cultural Franco-Moçambicano, na cidade de Maputo. Primeiro, às 10h30 do próximo sábado, numa sessão gratuita para crianças. Já os mais velhos poderão ver o filme em duas sessões cobráveis marcadas para as 18 horas de segunda-feira e terça-feira. Sobre levar o filme às pessoas, recorrendo ao espaço de um centro cultural, Ribeiro esclareceu: “o nosso cinema não está à procura de receitas, mas de contar uma história. Cinema em África tem a sua forma de estar, a sua dinâmica e forma de ser”.

No entendimento de João Ribeiro, os prémios podem ajudar a conseguir mais apoio do sector público e privado no país, porque chamam atenção. “Quando se ganha um prémio, há sempre um movimento à volta disso e esse movimento pode ser aproveitado nesse sentido. Se um trabalho é premiado, as entidades que o apoiam também se sentem reconhecidas”.

No Plateau – Festival Internacional de Cinema da Praia, em Cabo Verde, foram distinguidos mais filmes, entre os quais Mia Couto: sou autor do meu nome, de Solveig Nordlund (Portugal), Prémio Especial do Júri. Igualmente, o evento cabo-verdiano reconheceu Luís Humberto: o olhar possível, de Mariana Costa e Rafael Lobo (Brasil), Prémio Melhor Curta Documentário; Neguinho/Blackie, de Marçal Vianna (Brasil), Prémio Melhor Curta Ficção; e Manuel D’Novas – coração de poeta, de Neu Lopes (Cabo Verde), Prémio Melhor Longa Documental.

O júri do festival foi constituído por Pedro José-Marcellino, Suely Neves e Patrícia Silva.

O Plateau – Festival Internacional de Cinema da Praia é um evento realizado anualmente na capital cabo-verdiana, em finais de Novembro. O mesmo pretende promover o cinema local, regional e dos PALOP, democratizando o acesso ao cinema, com sessões públicas nos diferentes bairros da Praia.

 

Inicia esta terça-feira, até 5 de Dezembro, na cidade de Pemba e distrito de Mecufi, em Cabo Delgado, o Ciclo de Gestão Cultural & Marketing, organizado pelo Ministério da Cultura e Turismo com financiamento da Embaixada do Reino da Espanha e Cooperação Espanhola.

De acordo com o Ministério da Cultura e Turismo, o ciclo vai decorrer em simultâneo na Ilha de Moçambique, em Nampula, concretamente nos dia 3 e 4 de Dezembro. Esta série de capacitações em Gestão Cultural & Marketing acontece em cumprimento do Plano Económico e Social – 2020 e é dirigida a autores, artistas, gestores, técnicos e promotores, visando dotar os formandos de melhores competências técnicas e metodológicas inovadoras na área cultural e cidadania a partir de um permanente diálogo entre teoria e a prática.

A gestão incluída no ciclo pretende dar resposta às necessidades decorrentes de um novo cenário cultural que se assiste nos últimos anos, como a necessidade por parte das instituições de ter profissionais qualificados e actualizados nos domínios da cultura, bem como dos novos desafios colocados aos profissionais da cultura em virtude das inovações comunicacionais e tecnológicas. Pretende-se também que o profissional seja capaz de reflectir sobre a actual situação do sector cultural em Moçambique e que desafios se colocam hoje a um profissional no domínio da gestão e manutenção dos equipamentos culturais. A intenção, avança o Ministério, é que o mesmo seja capaz de conceber, organizar e produzir eventos e projectos culturais e criativos; elaborar planos directores culturais para instituições e equipamentos culturais e desenvolver competências necessárias para uma formação avançada e prestação de consultoria nas áreas da programação cultural e gestão de projectos culturais, desenvolvimento de um projecto integrado de comunicação na área da cultura.

Na cidade de Pemba e em Mecufi, Cabo Delgado, o Ciclo de Gestão Cultural & Marketing será orientado por Raquel Carrilho e por Eugénio Santana, que também é coordenador. Na Ilha de Moçambique, em Nampula, será orientado pelo Director Nacional das Indústrias Culturais e Criativas – DNICC, Emanuel Dionísio. No fim da formação, espera-se que os beneficiários possam ter maior capacidade de pesquisar, analisar, conceptualizar, executar, promover e monitorar um projecto.

 

 

O Conselho de Ministros, reunido semana passada, na cidade de Maputo, apreciou de forma positiva a proposta de revisão da Lei dos Direitos de Autor e Direitos Conexos, que vai ser endossada à Assembleia da República para efeitos de debate e aprovação.

A proposta de revisão da Lei visa promover e proteger as obras literárias, artísticas em geral e científicas, bem como os direitos dos respectivos autores, artistas intérpretes, executores, produtores de fonogramas, de videogramas e dos originais de radiofusão. A finalidade é estimular a criação e a produção do trabalho intelectual na área da literatura, da arte e da ciência.

A Constituição da República aprovou a primeira Lei sobre Direitos de Autor e Direitos Conexos, através da Lei n.º 4/2001, de 27 de Fevereiro. A aprovação desta Lei permitiu que o país tivesse um instrumento legal que estimula, promove e defende iniciativas no domínio das artes, da ciência e da cultura. Volvidos 19 anos da entrada em vigor da Lei n.º 4/2001, de 27 de Fevereiro, tendo em conta a crescente relevância dos Direitos do Autor, nas áreas económica, cultural e social, a aprovação, por um lado, de vários instrumentos jurídicos estruturantes no país, e, por outro, com o advento das novas tecnologias que permitem a partilha de conteúdos online, muitas vezes sem o conhecimento e consentimento dos respectivos autores, a mesma mostra-se desajustada e desfasada, quer a nível nacional, assim como internacional.

A Lei dos Direitos de Autor e Direitos Conexos em vigor não faz menção aos contratos formais para a edição, interpretação ou execução de obras, prevalecendo a existência de contrato tipo pacto leonino, que consiste na atribuição dos proventos ao editor e imputação de despesas ao autor.

Outro aspecto a ter em conta, segundo o Ministério da Cultura e Turismo, é a necessidade de proteger as obras de folclore para que a sua captação, reprodução, divulgação e publicação não seja feita sem documento comprovativo de anuência ou assentimento do Estado moçambicano, bem como a protecção das obras literárias artísticas no espírito do estabelecido na Convenção de Berna da qual Moçambique é signatário.

É neste contexto que surge a nova proposta, que releva a adequação do capítulo relativo às sanções, ao Código Penal vigente, de forma a desencorajar a prática de crimes, tais como a violação de Direitos de Autor com recurso a meios informáticos, usurpação, contrafacção, entre outros.

A proposta de revisão reserva um capítulo que diz respeito à reprodução das obras em formato acessível, que facilita o acesso de obras literárias às pessoas com deficiência visual e qualquer outra deficiência que impede-as de manusear um livro.

A presente proposta de revisão que segue para Assembleia da República prevê a imperatividade de todos os livros publicados conterem obrigatoriamente a tradução para o formato braille, áudio-livro (CD, Cassetes) MP3 (telemóvel) ou digitalizado, letras ampliadas, DAISY (espécie de DVD) – tecnologia de interpretação do livro e outros suportes electrónicos, independentemente do consentimento do autor da obra.

Sendo Moçambique membro da Organização Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI) e da Organização Regional Africana da Propriedade Intelectual (ARIPO) é pertinente, para o Ministério da Cultura e Turismo, adequar esta legislação aos princípios dos Direitos de Autor e Direitos Conexos que norteiam os países membros dos referidos organismos

 

A Baía de Pemba acolheu, ontem, o maior evento cultural da província de Cabo Delgado, o Festival Wimbe.

Trata-se da 11ª edição, e este ano, pela primeira vez na história, decorreu longe de uma das mais belas praias da Baíaa, e não contou com  público, devido às medidas de prevenção do Coronavírus.

Entretanto, para não decepcionar a habitual audiência, o festival decorreu sob o lema “Cabo Delgado promovendo o turismo cultural e doméstico”, foi divulgado em directo na televisão e nas redes sociais,  e diferente de outras vezes, o festival esteve essencialmente virado a solidariedade, às vítimas do terrorismo.

“Se o problema é do petróleo, e do gás, não nos matem. Levem o petróleo, levem o gás sem nos matar, e essa é nossa mensagem como actores culturais”, desabafou João Manjate, um dos artistas participantes do festival.

Apesar da actual conjuntura mundial derivada da COVID 19, e da tristeza causada pelo  terrorismo, os artistas de Cabo Delgado, decidiram dar um pouco mais de alegria as vítimas do conflito armado, que dura há mais de 3 anos.

“Apesar de estarmos com estas situações todas não significa que temos de  deixarmos nos morrer também. Nós que estamos cá, afecta-nos psicologicamente, temos o dever e a obrigação de arranjar uma forma de um minuto de relaxamento”, explicou Carlos de Lina, Musico natural de Cabo Delgado.

O Festival Wimbe é uma iniciativa do governo, que organiza o evento na esperança de manter viva e imortal, a cultura da província de Cabo Delgado.

“Apelamos a todos para assumirem a missão de enaltecer os nossos valores culturais, imprimindo uma maior dinâmica e introduzindo métodos inovadores orientados rumo ao desenvolvimento económico e a industrialização da nossa cultura”, apelou  Yolanda Almeida, Directora Provincial da Cultura e Turismo.

O governador de Cabo Delgado que, participou do evento, apelou a acção solidária para as famílias impactadas directa ou directamente pela acção dos terroristas.

Primeira edição do Festival Wimbe, foi em 2009, e normalmente,  é realizado no último fim-de-semana do mês de Novembro.

Actualmente, é considerado o maior evento cultural da Baía de Pemba, e uma marca turística de Cabo Delgado.

 

Artista plástico moçambicano expôs uma individual nas Ilhas Reunião, intitulada silo sa mafu, constituída por 34 peças de pintura e escultura.

 

Silo sa mafu. Assim mesmo… Do cicopi, Coisas da terra, em português. Aquele é o título da exposição da autoria de Zulu, pseudónimo de Jacinto Manecas Simbine, artista moçambicano residente nas Ilhas Reunião. Naquele país, na verdade, Zulu foi convidado a expor uma mostra ao longo de 22 dias. Assim, a individual inaugurou no dia 6 e, este sábado, encerra ao público.

A mostra Silo sa mafu é constituída por 34 peças, entre telas e esculturas. Com a exposição, o artista moçambicano procurou falar de vários acontecimentos que marcaram a sua vida, desde experiências pessoais relacionadas à criatividade e a impacto das calamidades naturais na sua vida e da sua gente.

As obras que constituem Silo sa mafu são feitas de diferentes materiais reciclados, com esculturas de madeira, metal e algumas telas.

Zulu aprendeu a trabalhar com metal por influência do seu pai artista plástico, fazendo da oficina familiar, nos primeiros anos, seu espaço de recreação e descobrimento. Zulu iniciou-se no desenho e na pintura nos anos 90, na Casa da Cultura do Alto-Maé, na cidade de Maputo. De seguida, matricula-se na Escola Nacional de Artes Visuais e especializou-se em cerâmica. Em 2000, o país foi devastado pelas cheias. O bairro residencial de Zulu não escapou à destruição. Este acontecimento traumático para os moçambicanos marcou uma viragem decisiva na vida artística de Zulu, que sentiu necessidade de, rapidamente, contribuir para transmitir alegria e esperança das pessoas.

Zulu tem obras em Cabo Verde, eSwatini, África do Sul, França e Países Baixos. Além de pintar, também toca percurssão e pratica dança tradicional e contemporânea, integrando a Companhia Municipal da Matola.

Depois de frequentar regularmentea Ilhas Reunião, Zulu apaixonou-se pela sua cultura artística e musical, e, finalmente, estabeleceu-se naquele país em 2015.

Em 2016, com a autorização prévia do Município de Saint Leu, instalou-se na orla marítima de S. Leu, na onda dos jogos aquáticos, e esculpiu, ao prazer de caminhantes e curiosos, a majestosa escultura de Saint Leu.

Entre as suas exposições, destacam-se: “Reconstrução pôs-Inundações” (Maputo, 2001), “Colectiva com Anne Cotreil no Gare au theatre” (France, 2003), “Exposição da UNESCO (obra seleccionada para uma exposição na Holanda);  Colectiva com Anne Cotreil na sala Maurice Baguet, Bagnolet (França, 2004) e Oficina de Pintura em acrílico com Anne Cotreil, Matsapa, eSwatini (2006).

 

Ângelo Sitoe (A2Njando) realizou o mais recente vídeo-clip do rapper norte-americano Skyzoo, que já colaborou com Jill Scott, Lloyd Banks, Dr. Dre, Jadakiss, Talib Kweli e John Legend. O vídeo-clip promove lugares turísticos da cidade de Maputo.

“Forever in a day” é o título da sexta música do álbum In celebration of US, do rapper norte-americano Skyzoo. Lançado há dois anos, o trabalho discográfico do artista contém 15 temas, que, inclusive, estão disponível na Amazon. Mas o que a criação de um artista lá das terras do Tio Sam tem a ver com Moçambique? De facto, tem muito a ver, afinal o último vídeo-clip de Skyzoo foi gravado na cidade de Maputo, as últimas partes ainda este mês.

Com três minutos e quarenta segundos de duração, a música do rapper americano traz uma mensagem de superação, como quem aconselha aos ouvintes a investir em tudo de si nas coisas que fazem. A composição optimista sempre procura enaltecer a moral de que quem eventualmente duvida das suas capacidades ou qualidades. Com efeito, ao decidir fazer o vídeo-clip em Moçambique, Skyzoo explicou a Ângelo Sitoe (A2Njando) o conceito da música. Depois, o americano pediu que o realizador lhe apresentasse um story board, ou seja, uma concepção do que a história final seria em termos de animação visual.  Aí, como que movido pelo seu instinto patriótico, ao invés de optar por realizar um vídeo-clip num estúdio, no qual nem se perceberia que foi gravado em Moçambique, A2Njando sugeriu levar ao vídeo do rapper americano o melhor do turismo urbano da capital do país. A ideia, essencialmente, consistiu em aproveitar a arte para expor e exportar uma boa imagem de Moçambique, abordando em animação locais históricos e distintos da cidade de Maputo, inclusive, capazes de desmistificar a ideia de que Moçambique/ África é apenas pobreza e problemas relacionados. Além disso, Ângelo Sitoe quis manter o nível de estilo e qualidade dos vídeos do rapper, os quais têm como público-alvo uma classe média ou média-alta.

Assim, no vídeo-clip que estreou quarta-feira, no canal YouTube A2Njando, podem se ver locais emblemáticos como a Fortaleza de Maputo, Museu Nacional da Moeda, Mercado do Povo, Casa de Ferro, a Sê Catedral, Vila Algarve, Praça da Independência, Conselho Municipal de Maputo e ainda figuras como Samora Machel, Eduardo Mondlane, José Craveirinha e Eduardo White. Por isso, Ângelo Sitoe acredita: “Acho que o vídeo-clip da música ‘Forever in a day’ vende Maputo e vai melhorar a imagem que se tem da cidade. Sendo Skyzoo norte-americano, de Brooklyn, pode contribuir para que através da história que contamos visualmente consigamos vender bem a imagem de Moçambique”.

De acordo com Ângelo Sitoe, Skyzoo gostou muito de Moçambique e da cultura. Além de se divertir em espaços como Beergarden e Mercado de Peixe, o americano não resistiu ao chá balacate, tendo levado algumas doses consigo lá para o país de, já agora, Joe Biden.

Para o rapper gravar o vídeo-clip, ficou em Maputo dois dias, este mês. Entretanto, as gravações foram rápidas. Em seis horas já estavam fechadas, sem margem de erro, porque o tempo de permanência do americano na cidade das acácias era realmente escasso. Skyzoo veio a Maputo especialmente para gravar o trabalho, depois de um espectáculo realizado na África do Sul.

Primeiro rapper americano a gravar vídeo-clip em Moçambique

Se, por lado, Ângelo Sitoe nunca tinha gravado um vídeo-clip de um cantor americano, por outro, segundo diz, nunca um rapper dos Estados Unidos tinha filmado em Moçambique. O criativo moçambicano já teve a experiência de trabalhar com músicos estrangeiros, como Paulo Flores, mas esta foi a sua estreia em termos de realização de um artista de fora do continente. E de que país… Se isso lhe deu alguma pressão? “Não, não me senti pressionado por ele ser americano. Skyzoo deixou-me à vontade e acho que já tenho experiência suficiente para não ficar nervoso nessas circunstâncias”.

A produção e gravação do “Forever in a day” foi muita fechada. Ângelo Sitoe conta que teve de fazer tudo sozinho para que a novidade não chegasse aos jornais ou às redes sociais antes do tempo. “Skyzoo pediu-me muita descrição enquanto gravávamos”. E agora? “Espero que muitas pessoas vejam o trabalho que fizemos e que, por isso, músicos estrangeiros que forem a ver sintam-se tentados a conhecer e fazer trabalhos desta natureza em Moçambique”.

O primeiro contacto

O rapper norte-americano Skyzoo participou em duas edições do Festival Amor à Camisola, cujo director criativo é o rapper moçambicano Simba Sitoi. A última vez foi ano passado. Nesse evento em Ângelo Sitoe esteve como influencer, e ambos trocaram impressões e cada um ficou a conhecer o trabalho do outro. Um ano depois, Skyzoo voltou a Moçambique para gravar, eventualmente, o primeiro de vários vídeo-clipes no país. O rapper tanto gostou do trabalho do realizador moçambicano que nem sequer propôs rectificação. O passo que segue é, consciente ou inconscientemente para o rapper, promover o turismo da capital moçambicana nos states. Aliás, considerando a densidade populacional nos EUA, Sitoe tem esperança que esta seja uma grande abertura para a sua internacionalização naquele país, pois, assim o seu trabalho terá mais visibilidade.

Ângelo Sitoe (A2Njando) já realizou mais ou menos 100 vídeos-clipes, entre vários, de autores como  Valdemiro José, Nelson Nhachungue, Lizha James, Dama do Bling e Ubakka.  “Este trabalho com Skyzoo é mais um grande destaque ao meu currículo, depois de, no passado, ter sido o primeiro realizador moçambicano a divulgar oficialmente um vídeo-clip gravado com iPhone no país. Quando Skyzoo aprovou o vídeo sem propor alterações, a primeira coisa que me ocorreu a seguir foi: quem me dera fazer um vídeo-clip de Beyonce”.

Quem é Skyzoo?

Skyzoo é o pseudónimo de Gregory Skyler Taylor. É um actor e rapper norte-americano. Lançou vários álbuns a solo e colaborativos notáveis, incluindo Cloud 9: The 3 Day High, The Salvation, A Dream Deferred, Music For My Friends, e, recentemente, In Celebration Of Us. Até aqui, trabalhou com artistas como Jill Scott, Wale, Lloyd Banks, Tyrese, Dr. Dre, Raheem Devaughn, Black Thought, Jadakiss, Talib Kweli, Spike Lee, John Legend. Skyzoo tem feito digressões muitas vezes por ano em toda a Europa, África, Austrália e Ásia.

 

 

+ LIDAS

Siga nos

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE