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Esta quarta-feira arrancou a Feira do Livro de Maputo. Na cerimónia de inauguração, a Ministra da Cultura e Turismo e o Presidente do Município de Maputo realçaram a importância da literatura, primeiro, na construção da cidadania e, depois, da nação.

Numa cerimónia restrita, devido à COVID-19, a Ministra da Cultura e Turismo felicitou ao Município por ter mantido a tradição de realizar a Feira do Livro, um verdadeiro exemplo de reinvenção tendo em conta o tempo em que se vive. “Ao realizar esta feira, o Município contribui na implementação de política cultural do país”. E frisou: “o livro educa e forma o Homem. Estamos aqui a preparar os nossos futuros críticos, pensadores e até mesmo líderes políticos. Diz a política cultural do nosso país que a literatura e a escrita desempenham um papel importante no desenvolvimento da criatividade e na veiculação de valores universais”. Por isso, de acordo com a Ministra, o Governo vai continuar a apoiar iniciativas do género, por serem momentos importantes para as crianças e para os jovens.  

Com apoio do Governo às feiras, o desafio é promover o gosto pela leitura,  segundo disse a Ministra da Cultura. “Se queremos uma sociedade culta, precisamos educar as nossas crianças. E não basta só matricular. Os pais devem participar e continuar em casa o que foi iniciado na escola. A família deve ler livros às crianças e comprar-lhes. Aí, sim, estaremos a formar uma sociedade melhor”.

Para Eldevina Materula, o país tem um alto potencial cultural. Cabe a cada moçambicano fazer de nós mesmos uma grande potência. Como que a frisar a posição da Ministra, Eneas Comiche disse que foi com sentido de responsabilidade que, numa época tão difícil como esta, o Município voltou a realizar a Feira do Livro de Maputo, de modo que com debates e reflexões dos autores se cumpra a estética da recepção.

Para Eneas Comiche, “Moçambique não seria esta pátria de heróis sem a literatura. No passado, os poetas e os escritores moçambicanos adiantaram-se no projecto ousado de contribuir para a construção da nação. Muitos passaram privações, foram presos e torturados em nome da causa moçambicana”, disse o edil, realçando que os autores cumpriram o papel de cantar a liberdade. E ainda sublinhou o interesse do Município de inscrever Maputo como uma cidade literária, reconhecida internacionalmente.

Comiche quer, com a Feira, contribuir para atrair o turismo interno e externo à “Cidade das Acácias” e vê nas lives ferramentas para o efeito.

Esta edição da Feira do Livro de Maputo decorre sob o lema “(re)pensar a criação literária em tempos da pandemia”, e esta sexta-feira irá homenagear a escritora Paulina Chiziane, que esteve na cerimónia de abertura e ouviu a leitura se excertos da sua obra feita pela actriz Ana Magaia.

Portanto, antes de declarar aberta esta edição da Feira, Comiche citou Gabriel García Marquez: “Como nos diz o escritor colombiano no seu Cem anos de solidão, o mundo estará perdido de vez no dia em que os homens viajarem em primeira classe e a literatura no vagão de carga”.

No dia 28 deste mês, Mia Couto vai lançar o seu novo romance. Intitulado O mapeador de ausências, o livro será apresentado pela primeira vez na cidade natal do escritor, Beira, concretamente, às 16 horas, na Universidade Católica local. No dia seguinte, o autor terá uma sessão de conversa com José Eduardo Agualusa, no espaço Solange. A propósito do novo livro, Mia Couto concedeu-nos uma entrevista espontânea, descontraída, feita em 13 minutos, na qual nos revelou o seu maior prémio literário. Teve-o, claro, na cidade Beira.

 

Mia, o que é este O mapeador de ausências?

Este O mapeador de ausências é sobre alguém que está a tentar encontrar a sua infância, o seu passado, mas que se apercebe que esse passado é inventado como sempre todo passado é uma recriação nossa. Aquilo que ele pensa que são presenças concretas, afinal são ausências, e é sobre essas ausências que ele está trabalhando. Isto tudo parece um pouco abstracto, mas, na verdade, o que posso dizer é que é a história do meu pai, é a história da minha infância e uma celebração a cidade que me trouxe ao colo e que me contou histórias: a cidade da Beira. Por isso, o primeiro lançamento deste livro é minha cidade.

 

Este livro é feito de outras narrativas, além das que referiu. Quais são?

Eu sempre tenho para comigo como é que faço para resgatar esse passado plural, feito de vários passados. Um dos passados que tento trazer à visibilidade está escondido na história do massacre de Inhaminga, que, mesmo entre nós, moçambicanos, é pouco conhecido. Nós conhecemos muito do massacre de Mueda, de Wiriyamu, mas esse massacre ficou oculto. E o próprio lugar de Inhaminga ficou esquecido na história, como se fosse um lugar da margem. Além disso, também falo de alguns casos que marcaram uma sociedade colonial, racista, que hoje, tanto numa certa má memória europeia, tentam esquecer. Parece que esse passado foi harmonioso, como se se fizesse uma espécie de substituição na história. De vez em quando é preciso fazer esses golpes com a história, que cortam, que rompem com o que é injusto e é imoral. A cidade da Beira, em 1973, vivia uma situação mais ou menos delirante, quer dizer, uma guerra – como esta que estamos vivendo actualmente, infelizmente – que se acreditava estar longe, por acontecer em cabo Delgado, Niassa, em Tete. E, de repente, a guerra apareceu a bater à porta da cidade. Toda aquela minoria branca que vivia na cidade entrou em delírio, sem maneiras de resolver a proximidade dessa ameaça. Acontece que a Beira resolveu essa ameaça através de uma certa loucura. Este meu livro percorre essas pequenas histórias e delírios que iam acontecendo na cidade.

 

Quis fazer deste livro uma espécie de alusão à época colonial para nos mostrar como vai o mundo, hoje, e, a partir daí, intervir como o fazem os seguidores de movimentos como Black Lives Matter?

Sim, mas de uma maneira literária. A mim interessa abordar e combater isso, fazendo arte, fazendo literatura. Depois, como cidadão, posso fazer outras coisas e aderir a movimentos e inscrever-me em associações cívicas. Acho que a principal maneira, não existe só uma, de a literatura combater o racismo é mostrando que cada pessoa é uma pessoa inteira, que tem a sua individualidade e direito à sua interioridade total. Não porque é negro, branco ou indiano. Apesar de viver numa condição social e histórica, que determina que sendo de uma certa raça não pode ter um certo tipo de privilégios, apesar disso, essa pessoa tem direito a ter uma história própria e individual. A literatura vai buscar isso, que são as pessoas… esse é um instrumento de trabalho que o escritor tem.

 

Temos no livro um espaço e um tempo concreto?

Temos dois tempos. Há um poeta, vagamente sou eu, mas não sou eu, que vai visitar a sua cidade, vai receber um prémio na cidade. Quando acontece a visita, há ali um caos amoroso e ele fica preso à própria visita. De repente ele percebe que tem de resolver assuntos que são do seu próprio passado, que só podem ser resolvidos naquele lugar. Esse é o tempo presente… há um tempo imediatamente anterior ao ciclone Idai. Portanto, cada dia que vai passando ele vê nas notícias que o ciclone vai se aproximando, como se houvesse uma ameaça de que o ciclone vai varrer esse lugar da sua infância – e isso, de facto, eu vivi enquanto estava escrevendo o livro. Depois, tem esse ano de 1973, porque alguém lhe entrega uma caixa com documentos que ele vai revisitando.

 

O ciclone Idai foi determinante para escrever o livro?

O livro já estava em andamento. Quando das várias vezes que fui à cidade da Beira – eu não ia pesquisar nada, eu ia pesquisar a mim próprio, para saber o que a cidade me dizia, como é que eu casava e namorava com aquele espaço, como é que aquele espaço me rejeitava e aceitava-me – descubro que vai haver um ciclone, a viagem foi cancela, eu apanhei esse avião e fui parar a Ilha de Moçambique. No regresso da Ilha de Moçambique, o avião já aterrou. Eu lembro que o piloto do avião era meu amigo e ele disse que iria sobrevoar aquela zona. Aquilo não se distinguia do mar. Quer dizer, nós percebemos que estávamos sobre terra porque víamos árvores que emergiam naquele lençol de água. Eu chorei, sinceramente chorei – e eu nem sou uma pessoa de chorar facilmente – ao ver a cidade tão martirizada, tão vazia. Eu disse bom: a minha infância foi-se. Liquefez-se. Foi para dentro do mar. Mas depois revisitei a cidade, mais tarde, e vi uma coisa maravilhosa: os beirenses a pôr mãos à obra sem estar à espera de apoios. Esse refazer da cidade ajudou-me a mim. Aí eu disse: eu não vou abandonar esta história.

 

A propósito da Ilha de Moçambique, a foto da capa é de Agualusa…

Exactamente, essa foto foi tirada na Ilha de Moçambique, por ele. Quando eu fui à Ilha de Moçambique, fui ter com ele e com a mulher dele, a Yara, e ali eu estava doido parar voltar a Beira. Queria o primeiro avião que me pudesse deixar na Beira, e, quando aconteceu isso, foi terrível. Quando o avião aterrou, já não parecia um aeroporto, parecia um acampamento militar, com gente que não é do próprio “fórum do aeroporto”, chamemos assim, mas era gente especializada em socorro, salvamento e etc. Eu pensei assim: eu já não tenho mais regresso.

 

Tantos anos depois, o que ainda constitui escrever para si?

Normalmente, quando acabo um livro, eu penso que já me acabei e está tudo feito. Mas depois percebo que eu não tenho outra maneira, estou condenado… quer dizer, eu não sou escritor porque escrevo apenas. Eu sou escritor porque vivo assim. Vivo de uma maneira a realidade como conto história. Não sei viver de outra maneira. No dia em que eu perder essa relação de encantamento com as pessoas, em primeiro lugar, e, depois, com a vida, acho que não me vai apetecer estar mais aqui.

 

Terminar um livro é uma janela para começar outro?

No meu caso, eu sempre tenho alguns temas que foram sendo rejeitados, quer dizer, a minha história é como uma árvore que vou deixando arvorecer. Depois vou cortando, vou podando, e essas coisas que caem vou pegando e fazem-se pequenos contos e poemas. Não quero encarrar aquilo como sobras. Em alguns casos aquilo é o rumo de uma nova história. Mas a gente sai um bocado vazio, porque são três anos a trabalharmos e é algo muito obsessivo. Eu estou ali, vivo aquele livro, as personagens estão comigo, são minha família, dormem comigo e, de repente, vão se embora.

 

À beira da Beira…

A Beira tem uma gente muito particular. É muito típico de uma segunda cidade. As segundas cidades são assim, estão em confronto com a primeira cidade e ao mesmo tempo têm inveja. Mas, quando tu fazes uma coisa lá, a posição, às vezes, é de uma certa arrogância, do tipo trouxeram para cá o músico tal, mas eu não vou lá. Mas todo o ano andaram a queixar-se que não se leva o músico para lá. Há um pouco desta relação que é um bocado estranha. Mas as pessoas são muito carinhosas. No meu caso, as pessoas param, saúdam-me como filho da terra e, ao mesmo tempo, perguntam se você está a voltar para a sua terra ou vendeu-se para Maputo? É muito bonito.

 

O melhor prémio literário de Mia Couto…

A última vez que estive na Beira, depois do ciclone, tive talvez o melhor prémio literário da minha vida. Estava um homem muito idoso, sentado num banco, ao lado de muitas pessoas da família dele. Ele acenou-me e eu fui lá ter com ele. Tive de lhe ajudar a levantar porque disse que me queria dar um abraço – ainda se podia dar abraços naquela altura, não havia COVID. Ele explicou para os filhos, netos e bisnetos: “estou a abraçar este senhor porque quero dizer obrigado”. E olhando nos meus olhos: “obrigado por ter sido um pouco de todos nós”. Eu logo pensei que nunca tive um prémio tão… se um escritor quer ser alguma coisa, é ser os outros. Se ele consegue atingir uma pessoa, valeu apena.

 

O que é preciso é amor é o título da exposição fotográfica de Iria Marina, Mário Cumbana, Yassmin Forte, Tomás Cumbana, Tina Kruger e Adiodato Gomes. A colectiva foi inaugurada esta quarta-feira, no Balcão Premier do Absa Bank Moçambique, na cidade de Maputo.

Com a curadoria do fotógrafo espanhol Héctor Mediavilla e produção e montagem de Filipe Branquinho, a mostra narra as várias formas de amor, pelas pessoas, pelos animais, pelos objectos e pelas circunstâncias. Na verdade, a exposição é resultado duma formação de fotografia organizada pelo programa ACERCA, da Cooperação Espanhola, que busca, além da capacitação, criar vínculos internacionais entre artistas. Trata-se de um projecto coordenado pela Embaixada da Espanha em Moçambique, com efeito, realizado por seis fotógrafos, dos quais cinco são moçambicanos e uma residente há muitos anos, que escolheram, individualmente, um aspecto vinculado ao amor para desenvolver os seus projectos, numa perspectiva visualmente rica e impactante.

Para o fotógrafo Adiodato Gomes, a colectiva com a temática que tem se justifica porque não há nada melhor do que o amor. “Acredito que ninguém quer estar triste neste mundo, sobretudo agora, com esta pandemia”.

A exposição é constituída por obras de fotógrafos profissionais, “e julgamos que era uma boa oportunidade para trabalhar com colegas que não se vêem, e, assim, partilhar trabalhos”, disse Iria Marina.

A exposição O que é preciso é amor foi inaugurada na presença da Ministra da Cultura e Turismo. Eldevina Materula disse que a exposição a levou a reflectir sobre a descrição do resultado do amor, que são as relações pessoais. “Estão aqui patentes várias formas de amar. De facto, o que nós precisamos é o amor e aqui temos o amor em forma de fotografia”.

Do lado da organização, interveio Rui Barros, do Absa Bank Moçambique: “estamos muito contentes com o lançamento desta exposição em parceria com a Embaixada da Espanha de Moçambique, que financiou este projecto e lançou o desafio a jovens moçambicanos a fotografarem a nossa cultura sobre o tema O que é preciso é amor e a sua interpretação tão diferentes entre si”.

O que é preciso é amor estará patente no Balcão Premier do Absa Bank Moçambique até 21 de Novembro.

 

 

 

 

Durante três dias, a Feira do Livro de Maputo volta a juntar autores, editores e leitores. Entretanto, este ano, por causa da pandemia, as sessões serão emitidas através das plataformas digitais. Nesta edição, a escritora homenageada é Paulina Chiziane.

 

O mês de Outubro é dos Nobel e, localmente, da Feira do Livro de Maputo. Por isso mesmo, quando forem 15h05 desta quinta-feira, no Átrio do Paços do Município, Grande Homem irá tocar melodias acústicas como que a introduzir os apreciadores de literatura a mais uma edição da Feira do Livro de Maputo. 10 minutos depois, irão iniciar uma série de discursos proferidos pelo Presidente do Conselho Municipal de Maputo, pelo representante dos centros culturais da capital, pelo Embaixador da França e pela Ministra da Cultura e Turismo – este último acontecerá depois da actriz Ana Magaia ler excertos da obra de Paulina Chiziane. Esta sessão formal poderá ser acompanhada em directo pela plataforma ZOOM e através dos Facebook do Conselho Municipal e da Feira do Livro de Maputo.

Também em directo a partir do Átrio do Paços do Município, será projectada uma visita virtual à exposição de livros e a centros culturais. Só depois disso seguirá a palestra inaugural desta edição, num momento protagonizado pela professora da Universidade de Brasília, Regina Dalcastagnè, moderada por Nelson Lineu. A palestra vai durar 80 minutos.

A primeira mesa literária está prevista para 18 horas, e estará subordinado ao tema “Cartografias literárias, mobilidades virtuais e alteridades”, juntado Paulina Chiziane, Eurídice Monteiro (Cabo Verde), Hélder Simbad (Angola), Marília Miranda Lopes (Portugal), Luís Cardoso (Timor-Leste), Ana Manso (Espanha) e Jessemusse Cacinda, como moderador.

Já no dia seguinte, sexta-feira, entre as 13h30 e as 14h, o público virtual terá nas referidas plataformas digitais a performance com base na obra de Calane da Silva, para público infanto-juvenil, em formato de poesia, teatro e canto. Ainda a pensar nas crianças, a actriz Eunice Mandlate apresentará uma narração de contos.

O grande momento da Feira do Livro estará reservada à homenagem à escritora Paulina Chiziane, numa sessão a realizar-se entre 15 e 17 horas de sexta-feira. Mas o dia não irá terminará por aí, afinal numa sessão moderada por Eduardo Quive, Armando Artur, Lopito Feijóo (Angola), Ana Elisa Ribeiro (Brasil), Sara Jona e Marcela Rosales (Argentina) discutirão sobre “Dialécticas literárias em tempos de crise: que ideias para o futuro?”.

No último dia da Feira, às 11 horas, Eneas Comiche irá proceder à entrega de prémios aos vencedores dos concursos literários de poesia e prosa das escolas. Já à tarde, a partir das 14h, Cristina Taquelim (Portugal), Gilberto Milice (Fundo Bibliográfico de Língua Portuguesa), e Alda Moreira (UCLLA) debaterão o tema “Formação de novos leitores a partir da animação de leitura”. De igual modo, Lucílio Manjate, Kátia Casimiro (Guiné-Bissau), Jarid Arraes (Brasil) e Rogério Manjate, às 16h, propõem-se a conversar sobre o tema “Literaturas de língua portuguesa pós-COVID: desafios e perspectivas”.

Antes de a Feira encerrar, Ana Mafalda Leite, Tony Tcheka (Guiné-Bissau), Esteve Bosch de Jaureguízar (Espanha), Cri Essencia, Danny Spínola (Cabo Verde) e João Nuno Azambuja (Portugal) irão reflectir sobre o tema “Literatura e resistência: para uma história do possível”, na última mesa literária desta edição.

Este ano, a Feira do Livro de Maputo decorre sob o lema “(re)pensar a criação literária em tempos da pandemia”.

 

 

 

Foto: Julian Manjahi

 

A editora Ethale Publishing levou a série de debates sobre questões contemporâneas africanas, designada Ethale Talks, à a Feira do Livro de Frankfurt, realizando uma conversa entre James Murua, jornalista e escritor queniano, e Jessemusse Cacinda.

De acordo com a Ethale Publishing, James Murua tem sido considerado como um dos mais notáveis divulgadores da literatura africana através do seu blog de literatura africana e afrodiaspórica, assim como através de colaborações em medias estabelecidas. Na sessão  defendeu que a internet está hoje a permitir maior colaboração na literatura africana. “Os círculos literários trabalhavam separados, mas a penetração da internet no continente africano permitiu que muitas barreiras físicas e linguísticas fossem quebradas e hoje estamos a ver muitos profissionais da indústria literária africana e de vários países fazerem antologias, festivais, tertúlias e várias actividades literárias juntos”, disse Murua.

Ainda de acordo com Murua, as tecnologias de informação e comunicação estão a facilitar maior ligação entre os actores literários do continente. Por isso, quanto maior for o investimento nas infra-estruturas que ligam os países e povos, melhor será para a indústria literária.

A sessão dos Ethale Talks na Feira do Livro de Frankfurt teve como tema geral, o que as instituições culturais europeias podem fazer para apoiar no desenvolvimento da indústria africana. Em resposta à questão, James Murua disse, avança a nota da editora Ethale, que apoio financeiro, técnico e programas de exportação da literatura africana para europa, através de traduções e edições para o mercado europeu são algumas das acções a ter em conta.

Quando questionado se a literatura produzida nas línguas africanas poderiam constituir uma oportunidade de negócio para as editoras europeias, o jornalista queniano disse que sim, tendo apresentado como exemplo o grande interesse que o mundo hoje tem pela literatura do mundo swahili.

“A participação da Ethale Publishing na Feira do Livro de Frankfurt incluiu também a exposição de livros desta editora moçambicana na feira para além de participar como ouvinte em diversas mesas que discutiram tópicos relevantes para o desenvolvimento da indústria do livro no mundo”, realça a editora.

 

Tânia Tomé lança o seu mais recente livro, Conversas com a sombra 2.0, no próximo dia 11 de Novembro. A sessão live de lançamento vai acontecer através das redes sociais da autora, a partir das 18 horas. O romance é prefaciado pelo famoso actor de telenovelas, Paulo Betti, e chancelado pela editora Luso-Brasileira ChiadoBooks.

 

Em 2011, Tânia Tomé teve uma primeira versão poética do seu livro mais recente. Nessa altura, entre ruídos e poeiras projectou-se como uma história de amplas reflexões filosóficas carregadas de poesia. “O meu amigo  e prefaciador da primeira versão, o professor e poeta António Cabrita, sugeriu certos trechos do mesmo para coloca-lo
em formato poético. ‘Sua poesia aqui está arrebatadora, disse-me ele’. E foi o que fizemos. Pegamos em alguns trechos mais poéticos do livro e lançamos o primeiro Conversas com a sombra em Moçambique, em 2011, em poesia”. O livro de poesia também foi lançado em Angola, por uma editora local.

Entretanto o livro original era per si uma narrativa em ficção. A autora continuou escrevendo e alimentando cada vez o seu lado ficcionista, fazendo aproveitamento integral do livro original, “uma história do homem do chão e suas conversas com a sombra”. E neste processo, muito recentemente, a Editora Chiado teve interesse em publicar Conversas com a sombra 2.0,  um  romance filosófico, como sugere o escritor brasileiro Eldes Saulo, autor do posfácio.

Como lhe é habitual, Tânia Tomé começou a escrever o seu romance com as influências de acontecimentos quotidianos e em interacção com diversas coisas. “Gosto de pensar que o início se deu com  meu envolvimento mais profundo com os desafios que a nossa humanidade tem na desconstrução de diversos paradigmas, para construir o novo futuro, possível apenas com a mudança de mentalidade e com a descolonização das nossas mentes. E isso só pode surgir se conversarmos connosco num processo introspectivo”.

Paulo Betti rendido à escrita de Tânia Tomé

O prefácio de Conversas com a sombra 2.0 foi escrito por Paulo Betti. O actor brasileiro de telenovelas da Globo e filmes diz, a certa altura: “A escrita de Tânia Tomé se aproxima de dois dos escritores brasileiros que mais admiro: João Guimarães Rosa e Manoel de Barros. A invenção de palavras. A forma, às vezes aparentemente estranha, as múltiplas vezes que o narrador troca de lugar, um narrador que às vezes é homem, às vezes um velho, e depois passa a ser uma menina. E nos possibilita virar de cabeça para baixo. O filósofo Walter Benjamin dizia que ‘o capitalismo coloniza tudo, menos a estranheza’. Andei prazeirosamente do início até ao fim, Tânia Tomé é uma escritora maravilhosa”.

De acordo com Tânia Tomé, Conversas com a sombra 2.0 é o prenúncio de um outro livro seu, Succenergy, “que é a fase da evolução da consciência para uso da nossa potencialidade para uma lógica de lideranças individuais para as colectivas. O livro ficou na gaveta, até que a Editora Chiado veio a namorar com ele. E hoje ele está aqui ávido
e aceso para o mundo”.

Em 120 páginas, neste novo livro, Tânia Tomé propõe que dancemos com a nossa sombra, para nos entendermos melhor na compreensão do outro e do mundo. “Uma urgente reflexão com o nosso mundo interior. Uma maior ligação entre nossas frequências energéticas. Não dá para explicar ao certo. Tudo que explique de nada adiantará. O próprio livro tem sua maneira de estar e agir, e só o leitor lendo o livro poderá sentir o que ele pretende dizer. Quanto a mim, sou apenas a mensageira. Mas advirto que eu própria estou em dança profunda com a minha sombra e gosto profundamente”.

Conversas com a sombra 2.0, disponível na Amazon, já está em pré-venda e é distribuído no Brasil e em Portugal. Em Moçambique também existem exemplares físicos, mas limitados. No dia 11 de Novembro, através das redes sociais da autora, o livro será lançado e a partir dai será a Editora Chiado que distribuirá o livro entre Portugal, Brasil e o mundo. No mesmo dia do seu aniversário, Tânia Tomé também irá lançar oficialmente o seu
livro de desenvolvimento pessoal, Succenergy, até aqui apenas lançado no Brasil, EUA e Serra Leoa. A terceira edição do mesmo tem o prefácio da empresária brasileira Luiza Helena Trajano, dona no grupo bilionário Magazine Luiza e também está disponível na Amazon.

Conversas com a sombra 2.0 não é a primeira aventura de Tânia Tomé pela ficção, mas, confessa, nunca tinha sido efectivamente publicada com esse enfoque. “Tenho outras várias aventuras pela ficção, creio que publicaremos mais em breve. Adianto muito em breve mesmo.  Todo processo criativo é muito da ficção, mesmo a própria poesia. Tenho em mente que nem sempre é um desabafo, e se for, pode ser desabafo imaginário. Estou escrevendo muito romance, mas há sempre uma poesia e um canto que me embalam”.

A multifacetada Tânia Tomé é empreendedora, economista, escritora e palestrante internacional. Os seus livros vão deste ligados a Economia e Gestão, até poesia e ficção. Agarra-me o sol por trásSuccenergy – activa sua energia são algumas de suas outras obras. A autora participa de diversas antologias internacionais, é publicada em vários países e em várias línguas.

Sinopse de Conversas com a sombra 2.0

A história do homem do chão, contada por ele próprio, numa dimensão intemporal, onde a indagação do mundo e a liberdade só podem acontecer, num encontro com ele próprio. Uma vivência dos sentidos, os sentimentos mais profundos – a dor, o medo, o perdão para encontrar a estrutura do autoconhecimento e do próprio nascimento. O mais belo encontra-se nas coisas mais simples, da natureza para o universo e vice-versa. Por ele passam vários outros personagens profundamente distintos, num diálogo contínuo e uma acesa conversa no escuro, às vezes na solidão para fazer emergir o mais importante da vida – O Ser. Com extasiantes reflexões interiores com o “eu” que vive dentro de cada ser humano, a própria sombra, cuja consciência da sua existência e o seu entendimento, são a mais profunda forma de viver e ser feliz.

O Presidente da República, Filipe Nyusi, destacou hoje a importância da agricultura para o desenvolvimento sustentável e apontou o exemplo do projecto SUSTENTA, que tem como pilares essenciais a aposta na investigação, provisão de insumos para se produzir durante todo o ano, melhoramento da comercialização agrícola, entre outras acções.

O Chefe de Estado falava durante a sua participação na conferência Virtual “Investindo no Futuro de África”, co-organizado pelo Atlantic Council e pela US Interntional Development Finance Corporation (DFC), segundo um comunicado da Presidência, enviado ao “O País”.

Na sua intervenção, Filipe Nyusi afirmou que os recursos provenientes da exploração do gás natural serão investidos noutros sectores prioritários, sobretudo na agricultura, que deve ser a maior fonte de subsistência.

O Chefe de Estado “apontou o exemplo do lançamento do SUSTENTA, que tem como pilares essenciais a aposta na investigação, provisão de insumos para se produzir durante todo o ano, melhoramento da comercialização agrícola e incentivo do processamento dos produtos no país, acções que irão criar 200 mil empregos directos, e mais de um milhão de auto-emprego”.

“Queremos com o investimento na agricultura criar oportunidades para mais 200 mil empregos e mais de um milhão de auto-emprego dos moçambicanos, com destaque para o empoderamento da mulher e dos jovens, o que vai nos permitir alimentar Moçambique rumo à FOME ZERO. Por isso queremos empresários norte-americanos a apostarem no investimento na agricultura do país”, afirmou o Presidente Nyusi.

Segundo o estadista, os projectos de gás estão já em acção, só que ainda não estão a produzir receitas para o país, mas ao ser produzidas, essas receitas devem ser derivadas para outras áreas com o intuito de diversificação da economia, destacando a agricultura como a área com maior potencial, visto que o mercado regional da SADC comporta mais de 300 milhões de consumidores, e o africano mais de um milhão e duzentos.

“Queremos promover a cadeia de comércio regional e africano e dinamizar as trocas comerciais. Queremos ser modelos na aplicação do investimento em África”, afirmou, de acordo com a Presidência.

O Presidente da República anotou ainda que desde a independência nacional, é a primeira vez que se aloca 10 por cento do orçamento do Estado para a agricultura, acompanhada pela criação de zonas francas assim como pela introdução de incentivos fiscais para investidores na área.

O Presidente da República agradeceu ainda o Development Finance Corporation pelo trabalho desenvolvido em Moçambique, nos sectores de gás, energia e financiamento de projectos sócio-económicos.

De referir que o Development Finance Corporation já investiu em Moçambique um total de 1.7 biliões de dólares norte-americanos nas áreas de gás e geração de electricidade a partir do gás natural, refere a nota que citamos.

Mingas volta à Sala Grande do Centro Cultural Franco-Moçambicano, na cidade de Maputo, para mais um concerto. Desta vez, o título da performance musical é “O segredo do acústico” e o concerto irá realizar-se esta sexta-feira, a partir das 18h30.

De acordo com o Centro Cultural Franco-Moçambicano, no aconchego do acústico Mingas convida ao público a viajar no seu horizonte, que remete a algumas ligações da sua infância.

No concerto desta sexta-feira noite, Mingas será acompanhada por Carlos Gove (baixo), Dodó (guitarra), Nelson Mondlane (percussão), Alena (piano), Moisés Cossa (violino), Alcídio Pires (mbira) e ainda terá como convidados especiais Ungulani Ba Ka Kossa e Adriana Jamisse.

Mingas é compositora, cantora vencedora de vários prémios e também activista na defesa de direitos humanos. A sua integração no Grupo RM e na Orquestra Marrabenta Star de Moçambique ajudou-a a estabelecer o seu nome na arena musical do país. Com a Orquestra Marrabenta fez as suas primeiras digressões europeias, entre 1987 e 1988. Nesse período, recriou e gravou a solo os clássicos moçambicanos, ‘Ava sati va lomu’ e ‘Elisa gomara saia’. A sua consagração internacional foi, em 1990, ao conquistar, em parceria com Chico António, o ‘Grand Prix Découvertes’, da Radio France Internacional, com a canção “Baila Maria”. Na sequência, grava em Paris o disco “Cineta” com o projecto Amoya, um esforço de internacionalização do Grupo RM.

Antes de lançar a carreira discográfica a solo, Mingas passa grande parte da década de 1990 como corista de Miriam Makeba, escalando os melhores palcos do mundo e criando bases para a etapa seguinte.  Lançou o seu primeiro disco,‘Vuka África’, em 2005; e o segundo, ‘Vhumela’, em Dezembro de 2013. Tem também o DVD ‘Mingas ao vivo’, gravado no espectáculo dos seus trinta anos de carreira e, actualmente, prepara o seu terceiro álbum a solo.

Na vertente humanitária e de defesa de direitos, além de ter criado a sua organização, Mingas foi, em 2010, indicada Enviada dos Objectivos do Desenvolvimento do Milénio das Nações Unidas para África; e, em 2013, nomeada Embaixadora de Boa Vontade dos Objectivos do Desenvolvimento do Milénio das Nações Unidas para Moçambique. Em reconhecimento do seu contributo na cultura mundial em 2013, o governo francês atribuiu-lhe a ordem “Cavaleira das Artes e Letras”.

Tomás Vieira Mário tem um novo livro. Intitulado Carta ao meu pai e outras memórias, a obra literária será lançada as 16 horas de sexta-feira, no Instituto de Formação Profissional da Telecom Moçambique (Tmcel), na cidade de Maputo.

Nesta nova aparição em livro, o escritor e jornalista narra suas vivências humanas desde a adolescência no meio rural em que nasceu e cresceu, na província de Inhambane, e peripécias do seu percurso profissional, de mais de quatro décadas.

Carta ao meu pai e outras memórias apresenta-se como uma homenagem do jornalista aos seus pais já falecidos, ao mesmo tempo que assinala os seus 43 anos de carreira jornalística, iniciada na Rádio Moçambique em Outubro de 1977. Em termos estruturais, o livro de Vieira Mário divide-se em cinco capítulos, que captam vivências registadas a partir de igual número de lugares, nomeadamente a sua aldeia natal, Nzualo, no distrito de Homoine, e, sucessivamente, as Cidades de Maputo, Lichinga, Lisboa e Roma.

Recorrendo a técnica de pequenas histórias, onde a crónica jornalística, baseada em factos, confunde-se com o conto, adianta uma nota de imprensa sobre o livro, o autor viaja no tempo e no espaço, entrando pela porta do sistema de ensino colonial no meio rural, dominado pela Igreja Católica Romana, para logo a seguir mergulhar nos anos gloriosos da independência nacional, a que se segue a revolução popular, que o jornalista vai viver intensamente a partir da Província do Niassa, onde passa os primeiros três anos da sua carreira. Inevitavelmente, a memória do sacrifício consentido, em nome da promessa do “Homem novo”, a emergir das “zonas libertadas” de Mavago é invocada.

O livro de Vieira Mário tem o prefácio de Almiro Lobo, que afirma: “Da sua experiência no Niassa – mítica província nortenha de felicidade adiada – despontam algumas das perplexidades que irrompem do confronto com a realidade que os discursos triunfalistas não traduziam”, lê-se na nota sobre o livro, onde se acrescenta: “Os ciclos de Maputo e de Lisboa vão coincidir com os anos da guerra fratricida que, ao longo de 16 anos, vai dilacerar o país, então em confrontação violenta com o regime do Apartheid da África do Sul, em cujo território vai morrer o Presidente Samora Moises Machel e sua comitiva, de mais de 30 membros. Quando o avião transportando Samora Machel cai nas montanhas de Mbuzini, um dos colaboradores mais próximos do estadista moçambicano, o escritor Luís Bernardo Honwana, então Secretário de Estado da Cultura, encontra-se em missão oficial em Portugal. No mesmo avião morre o seu irmão mais novo, Fernando Honwana. E o autor de ‘Nós Matamos o Cão Tinhoso” vai balbuciar: “De novo, a Historia de Moçambique surpreende-me no caminho… foi também assim no dia da proclamação da independência nacional’. Uma estória humana profundamente comovente, que preenche algumas páginas da Carta ao meu pai e outras memórias”.

De acordo com a nota, entre as memórias da sua passagem por Lisboa, há uma viagem ao arquipélago dos Açores, aonde o jornalista vai seguir as peugadas do Imperador Gungunhana, exilado na Ilha Terceira, desde 1896, na companhia de seus aliados, Mulungo e Zilhalha, e do filho Godide. E vai, aqui, cruzar-se, cara a cara, com uma memória viva da humilhação colonial: a figura de Roberto Frederico Zichacha, terceiro descendente do Régulo Ronga, Zilhalha Nwamatibjana, que ali deixara um remédio para a tosse, uma solução que leva, exactamente, o nome de  Xarope Zichacha, ainda hoje muito usado na Ilha atlântica.

Igualmente, a saga de mais de 40 anos de profissão desemboca na capital italiana, Roma, a chamada “Cidade Eterna”, onde o jornalista afirma ter conhecido melhor Moçambique, ao fazer a cobertura jornalística das históricas conversações de paz, que culminaram com a assinatura do Acordo Geral de Paz, num processo catártico que viria a pôr termo à guerra de 16 anos, entre o Governo e a Renamo. “Em Roma ganhei uma doença que nunca tinha tido antes: a enxaqueca aguda”, recorda o autor.

O novo livro de Vieira Mário termina com um “Ciclo universal”, o qual, por sua vez, fecha com uma história que, sendo proveniente do Quénia, bem pode ser transposta para a realidade actual de Moçambique. A história tem como titulo: “É a nossa vez de comer”!

 

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