O País – A verdade como notícia

As receitas geradas pelos museus caíram em cerca de 81 por cento entre 2019 e 2020, devido à pandemia da COVID-19. A informação foi partilhada esta terça-feira, Dia Internacional dos Museus, pela ministra de Cultura e Turismo, Eldevina Materula.

“Estamos a falar de uma queda de 124 mil para 24 mil visitantes nos museus durante o período em referência”, apontou Eldevina Materula.

Como quem diz, depois da tempestade vem a bonança, Eldevina Materula sublinhou que a situação dos museus já está a registar melhorias, com a reabertura destes locais à luz do decreto em vigor.

“Estamos, também, numa fase de adaptação para a nova realidade que estamos a viver. Para além de visitas físicas, já é possível fazê-lo via online nas plataformas do Ministério”, avançou.

Sobre a degradação destas infraestruturas turístico-culturais, a titular da pasta de cultura afirmou que poderão, em breve, ser reabilitadas.

“Existem vários projectos que estão em curso nesse sentido e, aprovados, poderão beneficiar tanto museus públicos como privados”, acrescentou.

Eldevina Materula falava na cidade de Maputo à margem do lançamento da Semana do Dia de África, a decorrer entre 18 e 25 do mês em curso.

O Dia de África é comemorado a 25 de Maio, data da criação da Organização da União Africana, actualmente, União Africana (UA).

A propósito desta ocasião, Materula apontou para amizade e solidariedade como alguns dos valores nobres que não se podem perder entre os africanos.

“A semana africana, que hoje lançamos, é fruto de valores de pan-africanismo, é o momento de renovar valores de que a União Africana se guia”, sublinhou Eldevina Materula.

O Dia de África é celebrado anualmente em vários países africanos e fora do continente. No país, os sete dias serão marcados por várias manifestações artísticas e o momento mais alto será no dia 25 de Maio.

Por: Belchior Eduardo

 

A zona encontrava-se no status quo de antes. Faziam duas semanas que a mercearia fora aberta. Na entrada, encontravam-se Habib e Jossias a gastarem conversa de juventude com uma cerveja nacional de baixo das suas cadeiras. Era possível sentir-se uma ligeira mudança comportamental no Habib. Falava numa responsabilidade e num ambiente facial meio cabisbaixo. Jossias é o espelho de Habib. As ruas eram movimentadas na maior tranquilidade de sempre. Eu, sentado no mesmo local, em frente àquela mercearia, observava tudo. Via o tempo inocentemente passar.

De repente, as ruas ficaram atordoadas pelo barulho das sirenes. Um carro policial… Vi o assistente e o inspector colados numa motocicleta com um ar de vencedores. As pessoas ficaram com medo e eu não fui uma excepção, juntamente com Jossias e Habib. Vi o chefe do quarteirão e o secretário do bairro numa andança de correrias para ver o que se estava a passar.

Habib levantou-se para ver aquilo que realmente não acreditava que estava a ocorrer. Jossias levantou-se a seguir e virou para a direcção da sirene.

A rua toda estava imóvel, as pessoas paradas, eu a seguir, com as minhas dores de coluna, levantei-me da minha cadeira para testificar o que realmente acontecia. O carro parou exactamente em frente à mercearia, os agentes da polícia saltaram do carro e rodearam Habib e Jossias. Habib, na maior calma, permaneceu ali parado, Jossias quase que perdia o fôlego.

O assistente do inspector parou a motocicleta e esperou o seu chefe descer.

– O que se passa, jovem? Perguntou o inspector ao Jossias.

– Nada não, chefe.

– Quem é você?

– Eu… eu… eu!?

– Tu mesmo. Pensas que sou algum palhaço? Com quem estou aqui a falar?

– Eu sou amigo de Habib, amigo de infância.

– Ahhh, é você o famoso Jossias, né?

– Sou eu, sim, o Jossias.

Nesse mesmo momento, chegou o secretário e o chefe do quarteirão e infiltraram-se na multidão que havia cercado os agentes da polícia que estavam ao redor à mercearia.

Quando tudo acontecia, Habib gritou:

– Afinal de contas o que se passa aqui na minha mercearia, senhor inspector?

O Inspector virou-se para Habib e com um semblante meio que preocupante, respondeu.

– O seu antigo empregado foi morto nesta madrugada, estrangulado o pescoço, tal como a sua mãe.

A multidão toda admirou-se: ahhhhhh, soltando um grito.

– E eu já sei quem matou a dona Índia e o seu empregado. Disse o inspector.

Novamente a multidão parou num minuto de silêncio e murmúrios começaram ouvir-se.

– Senta-te, jovem, vais precisar. Disse o inspector ao Jossias.

A multidão continuou os seus murmúrios, ouvindo-se, quem foi? Quem foi?

O inspector virou-se à multidão e gritou bem alto:

– Silêncio! Deixem-me trabalhar.

E ouviu-se um silêncio mudo em toda multidão.

– Quem foi esse filho da mãe que matou minha mãe?

Se continuares a interromper-me, vou mandar que te prendam por desacato e obstrução do trabalho da polícia, ouviu, fedelho?

Habib calou-se e cruzou os braços. O inspector tomou a palavra e continuou:

– Sou inspector desta cidade há sete anos. Trabalhei na cidade capital como chefe do departamento da polícia por 10 anos. Ingressei na corporação há mais de 30 anos, ainda bem novo. Patrulhei as ruas, passei por adequação de quadros na capital do país, fui instrutor da polícia, fiz parte de comissão conjunta entre a SISE, a Policia de Protecção e as FADM para desmantelar grandes quadrilhas e não é numa cidade pequena como esta que terei trabalho em pegar um invejoso qualquer.

Novamente o Habib interrompeu o inspector:

– Invejoso como? Foi você, Jossias!? Perguntou Habib, abarbatando a camisa de Jossias. Este olhou-o com cara de arrependimento e lágrimas nos olhos.

– Foi você? Responde idiota.

– Eu bem te disse e repito: se continuares a atrapalhar-me juro que te prenderei.

Habib largou Jossias e pegou seu rosto.

O inspector tomou a palavra e disse:

– A dona Índia era uma boa senhora, a todos ajudava. O seu suor e sangue ficaram cravados nesta terra, porquê tamanha maldade contra ela?

E vi o seu assistente sussurrando algo nos ouvidos no momento em que o inspector discursava, ele não parou, apenas deu um abanão de cabeça como se de algo estivesse a concordar. Parou por um segundo, pegou o ombro direito do assistente e este continuou no seu lugar. Virando à multidão, prosseguiu:

– A dona Índia morreu pelos pecados do seu filho: a protecção demasiada, os mimos, o carinho que ela durante a vida demostrou, isso a condenou até o dia da sua morte.

Naquele instante, uma tentativa de interromper o inspector protagonizada por Habib:

– Morreu por meus pecados, como assim?

O inspector olhou-o e continuou:

– A pessoa, ou melhor, o assassino da dona Índia é alguém que se acha tal como a finada era: protector. Mas este é um protector, como ele pensa, da zona toda.

A multidão ficou ainda mais confusa, questionando-se: como assim?

O inspector, naquele momento, aumentou o tom de voz e continuou?

– Com estas características e mais outras que acrescentarei, vocês o identificarão pessoalmente.

Naquele momento, fiquei confuso, tal como muitos outros que se encontravam na multidão.

– O assassino é alguém confiado na zona, prestativo a todos e aparentemente cultiva um senso de moral alto.

Na multidão, ouve-se logo um “fale logo quem foi, senhor inspector”.

– Deixem-me falar, meus senhores. Disse o inspector em um tom alto.

Ouviu-se um silêncio total naquele instante.

– Tudo começou naquela madrugada, ou então, aquele foi o trampolim para que tudo acontecesse. A mágoa era antiga. O assassino da dona Índia e seu empregado foi movido por inveja pura à mercearia. É alguém que há anos tentou fazer o mesmo negócio, mas não deu certo. Disse o inspector.

E, de repente, o Habib dirigiu-se para onde eu me encontrava e fixou seus olhos em mim.

O inspector, olhando para mim, continuou seu discurso.

– O assassino sabe dos nossos passos, o que equivale a dizer que poderia ter contactos com a polícia, ou tenha lá trabalhado, ou então, na pior das hipóteses, tenha amigos lá. Frisou o inspector.

De repente, vi a multidão olhando para mim, e fiquei mais preocupado.

– Foi você, vizinho!? Perguntou-me Habib.

Fiquei imóvel, sem sequer saber o que deveria responder naquele instante.

– Foi você, vizinho!?

Naquele mesmo momento, ouvi o silêncio do discurso do inspector.

– Foi você, vizinho? Responde filho da mãe.

E ouvi o inspector, dizendo-me:

– O senhor está preso por duplo homicídio da dona Índia e do seu empregado.

Naquele mesmo instante, senti um punho de Habib na minha cara.

– Porquê você fez aquilo, que mal a minha mãe te fez? Perguntava Habib, chorando e sendo pego por dois polícias.

Eu, caído, recordei que naquela mesma madrugada entrei para consolar a dona Índia. Tentei aconselhar e mostrar-lhe que deve ter errado na educação do seu filho, ficou furiosa e expulsou-me de sua casa. De seguida, com a minha fragilidade, peguei-a contra a parede, perdeu o ar e imediatamente faleceu. E retirei-me sem que tivesse sido visto por alguém. Recordei-me, também, que o empregado tivesse uma prova contra mim: um objecto meu que encontrou no local e que depois devolveu-me. Quando achou o corpo, acenei-o para que se retirasse do local logo que a polícia chegou.

Sete meses depois, vi a policia mexendo novamente no caso, a ser explicada pelo Habib onde o empregado morava. Peguei uma picada mais rápida, cheguei antes da polícia e matei-o da mesma forma.

O inspector ordenou minha prisão naquele momento e toda multidão com o ar de decepção, olhando-me, todos admirados. Fui algemado e colocado naquele carro e todos olhando-me, incluindo o Habib e o Jossias que os vi abraçando-se e dando mãos ao inspector e o seu assistente.

 

A iniciativa 60 segundos é da Associação Kulungwana e os interessados podem submeter as curtas-metragens até 24 deste mês.

 

Quem são, como pensam e o que querem as mulheres moçambicanas do séc. XXI? Estas são algumas perguntas que poderão ser respondidas na primeira edição do concurso de vídeos de curtas-metragens da Associação Kulugwana.

Ao concurso designado 60 segundos, os interessados deverão levar vídeos de curtas-metragens com um minuto de duração, gravados através de um telemóvel ou de um tablet.

Conforme explicou Sara Machado, da Associação Kulungwana, o objetivo do concurso é estimular a criatividade dos que se interessam em contar histórias através de mecanismos visuais, no caso curtas-metragens. Quem pretender concorrer, com efeito, deve ser maior de 18 anos e propor-se a apresentar o que a Associação Kulungwana considera “novos discursos sobre as mulheres moçambicanas do séc. XXI, dando-lhes voz em discurso directo. Os proponentes deverão realizar estas curtas-metragens de 60 segundos através dos aparelhos móveis (celular ou tablet)”.

Ainda que as narrativas que interessam à Associação Kulungwana sejam sobre as mulheres moçambicanas do séc. XXI, Sara Machado advertiu que não se pretendem produções sobre clichés ligados às questões de género. A ideia é que os concorrentes apresentem vídeos originais que ajudem a compreender, lá está, quem são, como pensam e o que querem as mulheres moçambicanas deste século.

A inscrição no concurso, segundo o regulamento, deve ser individual, mas pode-se ter orientação ou construção colectiva. Além de ser maior de 18 anos, o proponente deve ser residente em Moçambique e concorrer apenas com uma curta-metragem.

Ora, as curtas submetidas ao 60 segundos serão analisadas e selecionadas por um júri e, depois, publicadas no canal YouTube da Kulungwana para visualização e votação do público, que vai seleccionar os três melhores trabalhos.

A inscrição gratuita, aberta a 26 de Abril pode ser feita até 24 deste mês, através de um formulário online.

A Associação Kulungwa irá receber curtas-metragens de todos os géneros (ficção e não ficção, em FullHD 1920×1080) e o concurso é válido a nível nacional, desde que os filmes sejam legendados em língua portuguesa, mas não é obrigatório o uso de texto ou diálogos. Isto quer dizer que a narrativa pode ser apresentada através de imagens.

Nesta edição do 60 segundos serão premiados os três melhores filmes, com 25 mil, 20 mil e 15 mil meticais.

A editora moçambicana Trinta Zero Nove é finalista dos Prémios Excelência da Feira Internacional do Livro de Londres 2021, o que acontece pela segunda vez consecutiva.

De Inglaterra chegou, uma vez mais, boa novidade para Trinta Zero Nove. A editora moçambicana é uma das finalistas dos Prémios Excelência da Feira Internacional do Livro de Londres 2021, com 15 países representados de cinco continentes.

Segundo avança a editora, os prémios, realizados em parceria com a Associação de Editores e agora no seu oitavo ano, celebram o sucesso editorial em sete categorias, reconhecendo as organizações e indivíduos que demonstram notável originalidade, criatividade e inovação dentro da indústria. A lista de finalistas para cada categoria de prémios foi seleccionada por um painel de júri composto por especialistas do sector. Quatro organizações foram pré-seleccionadas e concorrem para o Prémio para Iniciativa de Tradução Literária este ano, designadamente, Editora Trinta Zero Nove (Moçambique), Elizabeth Kostova Foundation (Bulgária), Tender Leaves Translation (Singapura) e Uebersetzen (Alemanha).

Como é óbvio, Sandra Tamele, fundadora da Trinta Zero Nove, reconhece estar entusiasmada por receber a notícia de que a sua editora foi seleccionada para o Prémio Iniciativa de Tradução Literária dos Prémios de Excelência Internacional da Feira do Livro de Londres 2021. “Sendo uma micro-editora moçambicana, é uma imensa honra ter os nossos esforços reconhecidos pelo maior evento global para escritores e editores. A exposição resultante desta nomeação pela Feira do Livro de Londres terá um grande impacto na visibilidade da iniciativa tanto no país como no estrangeiro e poderá resultar em novas parcerias para aumentar a escala da iniciativa”, prevê a tradutora e intérprete.

Sobre os finalistas do concurso inglês, Andy Ventris, Director da Feira do Livro de Londres, afirmou o seguinte: “É inspirador ver o incrível trabalho feito pelos finalistas dos Prémios de Excelência da Feira Internacional do Livro de Londres 2021 num ano difícil para todas as facetas da indústria editorial. Enfrentando obstáculos sem precedentes com determinação e criatividade, estes quinze candidatos demonstram a paixão que alimenta a indústria editorial em todo o mundo. Os livros têm sido um refúgio especial para muitos de nós nos últimos tempos, e temos a honra de celebrar o papel que os nossos finalistas têm desempenhado para levar a leitura e o conhecimento às suas comunidades e para além delas”, lê-se na nota da Trinta Zero Nove sobre o evento.

Em Moçambique, Sandra Tamele criou o Concurso de Tradução Literária, em Julho de 2015. A iniciativa insere-se na Política de Responsabilidade Social da sua micro-empresa, SM Traduções, e acontece todos os anos de 1 de Julho a 30 de Setembro, data estabelecida pela UNESCO como Dia Internacional da Tradução, para comemorar a vida e obra de São Gerónimo, tradutora da primeira versão da Bíblia Sagrada em latim e padroeiro dos tradutores, lembra em comunicado de imprensa a editora Trinta Zero Nove.

Esta é a segunda vez consecutiva que a editora moçambicana é finalista nos Prémios Excelência da Feira do Livro de Londres.

 

 

 

 

Por: Hermínio Alves

 

As áreas urbanas (que reúnem o maior número de instituições de ensino em Moçambique) são locais de fácil acesso a ferramentas tecnológicas, pela cobertura de redes de telefonia móvel, mecanismos essenciais para o acesso à internet. A maior cota da população moçambicana digitalizada pode aceder à internet, através de smartphones, tablets e computadores, ou seja, dispositivos com inúmeras possibilidades para o acesso a informação.

O advento da pandemia do SARS-CoV-2, reforçou os esforços para implementação de programas de digitalização de serviços, acelerou, nacionalmente, incentivos para que os cidadãos façam o uso das diferentes tecnologias disponíveis no mercado, como por exemplo, aceso a pacotes promocionais nas transações comerciais com o uso de aparelhos electrónicos como método de pagamento de serviços e produtos.

O encerramento das escolas, para evitar contágios e aglomerados de pessoas, trouxe a necessidade de adaptação do nosso sistema nacional de ensino para responder aos desafios de saúde pública, usando as várias possibilidades digitais (aplicativos e sites de internet) para dar prosseguimento ao programa curricular durante o período em que perdurar o estado de emergência nacional e, com isso, não colocar em causa o programa curricular das instituições de educação.

No entanto, se a dimensão tecnocientífica para a educação nos parece um caminho promissor, o relacionamento cultural das instituições de ensino com estas novas tecnologias de comunicação e informação tem sido problemático ao longo dos anos, impactando, especificamente, no relacionamento ensino e aprendizagem dentro do recinto escolar.

Ao longo dos anos, foi desencorajado, pelas instituições de educação, o uso das redes sociais virtuais dentro do recinto escolar, pois, havia a perceção de que, as redes virtuais, distraiam os estudantes dos assuntos pertinentes e importantes ao processo de aprendizagem escolar e essas tecnologias não podiam ser aproveitadas para exactamente, facilitar ou simplificar esse processo.

A necessidade de um apoio pedagógico, demonstrado pela rebeldia dos estudantes em se distanciar dos aparelhos móveis dentro das salas de aulas e se comunicarem através destas redes virtuais durante as aulas, mostrava o poder progressivo destas novas ferramentas de comunicação, um poder que as escolas continuaram a negar e, sobretudo, instigaram os professores e encarregados a combater veementemente.

Contudo, é esta relação problemática, entre as redes sociais virtuais e as instituições de educação que, actualmente, vem dificultando a implantação de um sistema de educação remoto, mediado pelas novas tecnologias de comunicação e informação. Ou seja, os nossos estudantes estão acostumados a enxergar a tecnologia como uma ferramenta única e exclusiva para o entretenimento e separada dos processos educativos formais e essa abordagem deve-se a forma como as nossas instituições de ensino encararam a internet quando começou a ganhar espaço na população jovem nacional.

Serviços de mensagens usando a internet, como por exemplo, do aplicativo mig33, que fez furor, principalmente, durante os anos 2007 a 2010, não foi aproveitado pelo sistema formal de educação, pelo contrário, o apego dos estudantes pelos telefones celulares causou uma “claustrofobia” às instituições de ensino, sobretudo secundário, pois, este aplicativo fora usado, maioritariamente, pelos jovens e adolescentes em ambientes de socialização informal.

A proibição de entrar em sala de aulas com o telemóvel ou mexer no telemóvel durante a aula eram duas das normas mais conhecidas e temidas pela população estudantil, e relembremos que, nessa época, mecanismos de busca na internet faziam parte do nosso dia-a-dia, através do sistema GPRS, muitos dos jovens e adolescentes urbanos se deliciaram com a internet lenta, mas eficiente, baixando jogos, conversando com conhecidos e estranhos, disponibilizando e adquirindo músicas e vídeos. Se em instituições do ensino primário e secundário a internet e algumas tecnologias viradas para o usuário foram banidas, no ambiente informal, depois da sala de aulas, ela era e continua a ser o assunto do momento.

Impedidos de levar esta revolução à sala de aulas, ao meio educativo escolar, os jovens direcionaram o uso destas inovações ao seu universo particular, dotando-o de uma linguagem própria – a exemplo disso, foi o fenómeno de atropelos a gramática nas provas escritas dos alunos do ensino secundário, na época, usavam a linguagem das redes sociais, neste caso, do mig33 e das SMS’s, encurtando as palavras, como por exemplo, o uso de “exe” para “esse” e do “tbm” para “também”.

Esses fenómenos culturais, em vez de estudados com profundidade para que sejam compreendidos, foram ostensivamente ridicularizados e tomados como actos de burrice. Pelo contrário, existia ali a expressão da inovação, por mais distorcida parecesse. A criação de uma linguagem própria compreendida e usada pelos usuários dessa rede social virtual foi revolucionário, não que devesse se institucionalizar, mas sim, uma oportunidade de entender para direcionar e aproveitar-se do seu modelo. O triste facto é que, este tesouro cognitivo foi deixado de lado pelas instituições formais da educação, por causa de complexidade e combatido com veemência dentro das escolas.

A escola e as tecnologias de troca de mensagens e de socialização, como é o caso do Facebook, WhatsApp, Twitter, Instagram e YouTube, as tecnologias que dominam, actualmente, ao nível nacional, necessitam de reconciliação, pois, ao longo dos anos, elas percorreram destinos perpendiculares, impossível de se conciliarem, diferente de grandes softwares que exigem um investimento económico, como por exemplo, Microsoft Office, incentivado para o uso dentro do recinto escolar. No entanto, poucos têm condições para adquirir estás ferramentas pagas, contam-se aos dedos pessoas particulares com poder de compra de licenças de softwares Office, a população com capacidade para adquirir um computador é bastante reduzida e os smartphones não são vistos, pelos alunos, como uma viável alternativa para o computador, em termos de execução de tarefas remotas.

Em suma, o processo de aculturação para as novas tecnologias de comunicação e informação foi mal abordado pelo sistema nacional de educação.

A pandemia veio nos despertar a necessidade de olhar a educação como um sistema progressivo que é, incapaz de se estagnar e necessitando de contínua autossuperação para reconfigurar seus cânones actuais como método de resposta aos imperativos culturais.

Se a escola já compreendeu que a tecnologia se tornou uma parte de si, essa mensagem ainda não chegou ao sistema como um todo, ela funciona como um fenómeno isolado, ou seja, as tecnologias de comunicação existem, as instituições de ensino existem, mas elas precisam se reconciliar dentro do espectro estudantil, de modo que, a estranheza de ter estas ferramentas de simplificação e facilitação dentro do convívio estudantil seja superada e sejam criados mais conteúdos académicos nacionais disponibilizados na rede de internet, como também, maior abrangência e competitividade no fornecimento destes serviços aos estudantes.

 

Por: José Paulo Pinto Lobo

 

Há uns anos, numa sessão de formação para empresários em Portugal, afirmei que vivíamos actualmente numa situação de escravatura, numa dicotomia entre Escravatura do Sucesso (da carreira, do carro topo de gama, etc.) e Escravatura do Emprego (do pavor de o perder, da pressão das prestações…). Desenvolverei noutra ocasião este tema.

Falava então da necessidade de tornarmos as coisas simples e nos guiarmos por palavras inspiradoras, tendo dado como exemplo o triplo A: Amar, Acreditar, Alcançar e o triplo E: Exemplo, Ética, Educação, de que vos falei em textos anteriores.

Lançaram-me então o desafio de escrever o A,E,I,O,U do sentido da vida, desafio esse que prontamente aceitei. Tarefa bem difícil a que me esperava!

Encontrar palavras iniciadas com i que sejam positivas, incentivadoras, quando é tão mais simples lembrarmo-nos de palavras em sentido contrário.

Lembrei-me de INTELIGÊNCIA, algo que muitos de nós deixamos à porta do escritório, das fábricas, das organizações, até da nossa própria casa. Talvez não seja inteiramente verdade, visto que a utilizamos para realizar ou desenvolver algumas tarefas mais ou menos complexas, mas…

Entretanto, foi bem mais fácil relembrar outros termos mais comuns e que também são trazidos para dentro das organizações: inveja, individualismo, ignorância, imbecilidade, incúria, incompreensão, inflexibilidade e por aí adiante.

Quando falo de Inteligência reporto-me sobretudo à Inteligência Emocional, à capacidade de relacionamento interpessoal, de organizar o trabalho em equipa em prol de um bem-comum, de negociar soluções, à empatia e à sensibilidade social, para além do auto-controlo emocional e auto-motivação.

Se quisermos, podemos juntar-lhe a Imaginação, para dirimir conflitos, resolver problemas, para inovar, para nos reinventarmos a cada momento para enfrentarmos os desafios da vida.

Estamos no entanto mais habituados ao “cada um por si e Deus por todos!”.

A segunda palavra que me ocorreu foi INTEGRIDADE, idoneidade, a coerência de princípios e valores, como a honra, a ética, a educação.

O que eram valores adquiridos ou consensuais no tempo dos nossos pais e avós (pelo menos dos meus), como a honestidade, o sentido de justiça e equidade, a solidariedade, podem hoje ser facilmente abandonados em nome de valore$ mai$ alto$.

A plasticidade, a elasticidade de princípios e valores está agora na moda, em nome de… números! Como tudo seria mais fácil se não existissem pessoas…

Cáustico e amargo? Nada disso! Constato apenas a realidade, observando a prática do Poder.

Para quem tiver paciência e se quiser divertir um pouco, recomendo a leitura do livro “As leis fundamentais da estupidez humana” de Carlo Cipolla, já citado anteriormente. Nesse livro, apesar de escrito em 1988, o autor formula uma 3ª Lei Fundamental (Regra de Ouro) que ajuda a explicar, em parte, a origem da crise e da situação actual em que nos encontramos:

 “Uma pessoa estúpida é aquela que causa um dano a outra pessoa ou grupo de pessoas, sem que disso resulte alguma vantagem para si, ou podendo até vir a sofrer um prejuízo”.

Imaginem a aplicação desta lei num qualquer sistema democrático, com eleições gerais regulares e ao funcionamento do sistema financeiro e tirem as vossas conclusões.

Daí que tenha surgido a terceira palavra, INTERVENÇÃO. Em que medida uma acção nossa ou a ausência dela, faz com que se perca ou ganhe e qual o impacto nos outros, na família, nos amigos, nos colegas de trabalho, na sociedade, o que nos remete para a primeira palavra, Inteligência (emocional) e para a necessidade de empreendermos acções que providenciem vantagens mútuas.

Esclarecendo, Cipolla considera que um indivíduo que realizou uma acção em que ambas as partes intervenientes obtiveram vantagem, é uma pessoa inteligente. Acho melhor nem olhar para o meu histórico de acções…

A Associação Cultural Kulungwana premiou, esta quinta-feira, três artistas plásticos no concurso “Prémios Melhor Futuro”, nomeadamente: Faira Beatriz, P. Maumby e Vado.

A cerimónia de entrega dos prémios realizou-se esta quinta-feira na Galeria Kulungwana, na baixa da Cidade de Maputo. Visivelmente satisfeitos, os três artistas laureados Faira Beatriz, P. Maumby e Vado (Valdemar Mariano) receberam da organização lembranças como a certificação da vitória.

Reagindo ao prémio, Faira Beatriz disse que se sentia honrada por merecer o reconhecimento do júri do concurso “Prémios Melhor Futuro”, iniciativa da Associação Cultural Kulungwana wm parceria com a Hollard Seguros. A seguir, a artista em fase inicial de carreira acrescentou que o seu privilégio estende-se à participação na série de exposição colecção, que, este ano, teve adesão de 147 artistas provenientes de oito províncias nacionais.

Logo depois da cerimónia terminar, falando igualmente da distinção, Vado defendeu que a iniciativa da Associação é interessante para artistas plásticos que se querem expor numa plataforma com impacto, daí ter-se candidatado.

Com o tema “Futuro”, a exposição Colecção Crescente 2021, que dura há 10 anos consecutivos, de onde foram retirados os três vencedores,
junta 323 obras e é realizada em parceria com a Hollard Seguros Moçambique. “Esperamos com esta parceria poder contribuir para um futuro melhor dos artistas moçambicanos”, afirmou Henri Mittermayer, CEO da Hollard Seguros Moçambique.

Entre os nomeados desta edição dos “Prémios Melhor Futuro”, além dos três vencedores estiveram Butcheca, Pinto Zulo, Tsenane e Zadoc.

 

OS PRÉMIOS
Por terem sido distinguidos nos “Prémios Melhor Futuro”, Faira Beatriz, P. Maumby e Vado irão participar numa residência que vai durar uma semana no Artist Proof Studio de Joanesburgo, conforme realça a Associação Kulungwana, um dos mais prestigiados estúdios de gravura na África do Sul. As despesas de viagem, acomodação e alimentação estarão garantidas pela Hollard Moçambique.

Durante a residência artística, avança Kulungwana, Faira Beatriz, P. Maumby e Vado terão a oportunidade de aprender novas técnicas, como linogravura, ponta-seca e monotipia. Igualmente, os três artistas deverão integrar exposições na Galeria White River na África do Sul, no segundo semestre.

A celebração do livro infantil organizada pela Associação Kulemba inicia no dia 16 de Junho e vai prolongar-se até 20 do mesmo mês. O festival tem como patrono Mia Couto e contará com a participação de escritores da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

 

O que se pode considerar pré-lançamento do Festival do Livro Infantil da Kulemba (FLIK) aconteceu esta quarta-feira, na Fundação Fernando Leite Couto, na Cidade de Maputo. Na sessão informal, estiveram Mia Couto, patrono do festival, e Dama do Bling, uma das escritoras convidadas para a edição deste ano.

Entre lembranças e abraços virtuais, afinal Mia Couto assinou o prefácio do livro de estreia de Dama do Bling, Melissa e o arco-íris, os dois autores concordaram sempre no que se refere à importância da celebração do livro infantil no país. O primeiro a falar da iniciativa da Associação Kulemba foi o Mapeador de ausências. Segundo disse, o festival é um evento raro, jovem, que pretende espalhar a palavra literária e a criação artística, orientado para escola, para aqueles que devem saber que não podem ser formados se não se entregarem ao livro e à narração de histórias. Além disso, há também um lado afectivo que leva Mia Couto, em particular, e a Fundação Fernando Leite Couto a associar-se à iniciativa da Kulemba. “Nós somos da Beira. Então, termos este festival a realizar-se lá diz-nos muito. É como se fosse um vínculo”.

A presente edição do Festival do Livro Infantil da Kulemba vai decorrer através das plataformas digitais. No evento não faltarão conversas com crianças, debates, lançamento de livro, representação/ performance e três concursos: literário, de redacção e ilustração. Sobre os concursos, Mia Couto, que vai presidir o júri do prémio literário, afirmou: “Acho que é importante que o jovem tenha um estímulo para competir, mas precisa de compreender que essa competição não é ao nível individual. Ou seja, não escrevemos para ganhar os outros, mas para ganhar com os outros”.

Quem também não resistiu ao convite de participar nesta edição do FLIK é Dama do Bling. A cantora e escritora disse que se sente privilegiada por poder conversar à volta do seu livro Melissa e o arco-íris no festival. “Sempre que posso, associo-me a este tipo de movimento que envolve a leitura, pois a leitura está muito associada àquilo que queremos trazer a um Moçambique perfeito. Quando fiz Melissa e o arco-íris, com prefácio de Mia Couto, uma daquelas coisas que me faz pensar que vou morrer realizada, escrevi trazendo o intuito de deixar mais do que música como legado”.

Bling lembrou que trabalha muito com crianças e adolescentes. E sublinhou: “Fazer a obra e dar palestras com crianças é um acto de libertação. Temos de dar continuidade às coisas que fazemos. Espero contribuir bastante neste projecto”.

Apesar de ser conhecida como cantora, Dama do Bling sente-se realizada na escrita. Mas advertiu que não é fácil ser escritora e ainda explicou por que é importante estar com outros autores: “O amor pelas coisas que fazemos só importa quando é partilhado. Estes intercâmbios são importantes para perceber que caminhos devemos seguir na nossa arte”.

O FLIK 2021 vai acontecer em parceria com o Centro Cultural Português em Maputo. “É uma bela iniciativa, que nós temos muito orgulho em estarmos associados. O festival vai promover a literatura moçambicana e em língua portuguesa”, afirmou João Pignatelli, Director do Centro Cultural Português em Maputo.

A partir da Cidade da Beira, onde vive, o Director do FLIK referiu-se aos objectivos e ao que move a iniciativa. “O Festival do Livro Infantil é um prolongamento das actividades da Associação Kulemba e tem como objectivo promover a leitura. Achamos que, ao invés de forçarmos as crianças a ler, devemos encontrar um conjunto de actividades entre lúdicas e sérias para que sejam levadas à leitura. Com esta actividade, estaremos a estimular o gosto pela leitura e pela escrita, o que contribui para educação em Moçambique e para o desenvolvimento psíquico das crianças”, esclareceu Dany Wambire.

 

 

No dia 19 de Maio, às 17h30, o Camões – Centro Cultural Português em Maputo e a Delegação da União Europeia em Moçambique inauguram uma exposição de fotografia intitulada “HOMO URBANUS EUROPEANUS “, uma selecção de obras do fotógrafo francês Jean Marc Caracci. Esta exposição integra as atividades alusivas à Semana da Europa 2021 e faz parte da programação cultural que a Presidência Portuguesa do Conselho da União Europeia está a promover em diversos países.

HOMO URBANUS EUROPEANUS apresenta imagens a preto e branco de 27 capitais europeias. Os habitantes urbanos e o seu ambiente foram o mote que levou este fotógrafo francês a percorrer todas as capitais europeias e a registar momentos inéditos e muito peculiares que relacionam o cidadão com a arquitectura e urbanismo e se distinguem de outras fotografias tradicionais de espaços icónicos e turísticos que habitualmente são associadas a estas cidades. O olhar atento e muito particular de Jean Marc Caracci permite ao público viajar pela Europa, contemplar a sua diversidade e imaginar um discurso particular em cada uma das imagens apresentadas nesta mostra organizada para Maputo.

A série HOMO URBANUS EUROPEANUS, que tem sido muito apreciada internacionalmente já foi apresentada em mais de 50 exposições, em 26 países diferentes. Em Maputo, estará patente ao público no Camões – Centro Cultural Português de dia 20 de maio a 11 de junho de 2021, de segunda a sábado, entre as 11h00 e as 17h30 (entrada gratuita).

No âmbito do contexto actual a cerimónia de abertura será reservada a convidados e respeitará todas as medidas adequadas de higiene e segurança definidas pelas autoridades competentes.

 

 

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