O País – A verdade como notícia

Chama-se George Beke e é produtor executivo musical nigeriano. Recentemente, lançou um novo projecto musical, denominado “GeobekStandard”, que visa mostrar a música, os artistas e a cultura de Moçambique para o mundo, assim como capacitar financeiramente os jovens artistas moçambicanos.

De acordo com uma nota de imprensa, esta não será a primeira vez que George Beke vai investir na cultura moçambicana, pois, em 2014, apostou em Laylizzy e Ellputo para promover o hip-hop moçambicano na indústria da música africana. Também ajudou a divulgar artistas, modelos e influenciadores moçambicanos nos vídeos do Laylizzy, que foram veiculados em vários canais de renome em África. Em Outubro de 2016, Beke fez com que Laylizzy participasse no programa “African Voices” da CNN África, onde falou sobre a sua carreira e do seu impacto como “a esperança da nação” moçambicana e também da sensação de ter sido um dos primeiros rappers africanos a ser verificado no Instagram.

O produtor Beke levou Laylizzy para representar Moçambique em eventos como: Mandela Day Concert, Coke Studio Africa e Castle lite Unlocks Moçambique e África do Sul, onde dividiu o palco com artistas africanos e internacionais como Future (EUA), Meek Mill (EUA), AKA (SA), Kwesta (SA ), Runtown (Nigéria) e Cassper Nyovest (SA).

Beke também patrocina o guarda-roupa de Laylizzy e Ellputo com grandes marcas. O produtor contribuiu para que Ellputo participasse na produção musical de grandes artistas africanos como Burna Boy, Runtown e do projecto africano “Tell Everyone“, que contava com participação de Diamond Platnumz, Yemi Alade, Sarkodie, Mafikizolo, Sauti Sol, Becca, Toofan e Cobhams Asuquo. Recentemente Beke teve um grande papel para a gravação da remix do hit “Yaba Buluku” de DJ Tarico com o conceituado artista nigeriano Burna Boy, que será lançado em breve e promete ter mais repercussão a nível internacional. “Quero fazer mais pela cultura, pelos artistas e produtores moçambicanos, assim como conquistar a confiança de todos e mostrar que Moçambique faz parte da minha visão“, disse Beke, para quem é uma grande emoção anunciar o interesse em envolver Moçambique no seu novo projeto “GeobekStandard”, que vai descobrir novos talentos e pegar em artistas de renome, que precisam expandir os seus trabalhos em África, remixar as suas músicas de sucesso com artistas de consagrados ou fazer ponte para que consigam ter novas colaborações, com o objectivo de colocar o nosso país no mapa.

Iniciativa da Associação Kulemba, que se realiza a partir da Cidade da Beira, conta com a participação de autores da CPLP.

Quarta-feira. Quarta edição… Amanhã arranca o Festival do Livro Infantil da Kulemba – FLIK 2021. Desta vez, no formato online, a ser transmitido a partir da Cidade da Beira.

De acordo com a organização, esta edição, que tem como patrono Mia Couto, vai reunir autores de toda a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), com destaque para Celso Celestino Cossa (Moçambique), Lurdes Breda (Portugal), Ninfa Parreiras (Brasil), António Cabrita (Portugal) e Pedro Pereira Lopes (Moçambique). Os autores convidados vão interagir com alunos de várias escolas nacionais. Além de conversas literárias, o festival vai exibir dois saraus literários, sendo um proporcionado por leitores e escritores brasileiros e, outro, por uma actriz e cantora moçambicanas.

Na quarta edição do FLIK, serão conhecidos os vencedores dos concursos literários, de declamação de poesia e de ilustração, lançados nos meados do mês de Maio. Os três concursos são presididos, respectivamente, por Mia Couto, Ana Magaia e Mauro Manhiça.

Nesses concursos, a organização do festival espera pela publicação de um livro com os melhores contos, de um livro infantil com as melhores ilustrações e da gravação de um disco com as melhores declamações.

A quarta edição do Festival do Livro Infantil da Kulemba conta com apoio do Camões – Centro Cultural Português na Beira, Fundação Fernando Leite Couto, Cornelder de Moçambique, Parque Nacional da Gorongosa, Universidade Zambeze e Editora Fundza.

 

 

Há praticamente um mês que o decreto presidencial autorizou a reabertura de um leque de espaços culturais. No terreno, os dois principais locais de teatro na cidade de Maputo estão em cenários diferentes. O Teatro Avenida continua fechado e o Teatro Gungu já abriu as portas para o público.

O Governo relaxou as medidas de pandemia e legalmente pode-se exibir e assistir a uma peça teatral.

Sobre o assunto, a Directora do Teatro Avenida, Manuela Soeiro, sublinhou que, antes, havia necessidade de conversar seriamente com os fazedores de teatro, dado que a lei, em si, não basta.

Segundo Manuela Soeiro, o Teatro Avenida está no ponto zero. “Desde Março do ano passado, quando foram encerrados os locais públicos, de lazer, teatros, nunca mais tivemos qualquer contacto (com o Governo). Ou tínhamos contacto para nos dizer o que devíamos fazer. Nós fechamos as portas. Não tínhamos qualquer tipo de contacto”, desabafou, Manuela Soeiro.

De acordo com Soeiro, muitas vezes, o Governo e outros intervenientes esquecem-se de que os actores que põem o teatro nos palcos são profissionais e, como tal, precisam de atenção.

“Nós somos pessoas. Antes de reabertura penso que o Governo devia conversar seriamente connosco”, repisou, Soeiro.

Para a encenadora, a casa de teatro não é um lugar qualquer, senão de dignidade, então é necessário que sejam observadas todas as medidas para que o público não sofra as consequências da reabertura.

No Teatro Gungu, o ambiente é diferente. Juju Rombe diz que o abrandamento das medidas no campo da cultura foi uma medida acertada.

“É disto que a gente precisa. Nós precisamos de voltar aos palcos para sobreviver. Sem espectáculo, o artista morre. Somos muitos que dependemos do teatro, várias famílias tinham parado e com muitas dificuldades. Então, voltar aos palcos é muito bom”, avançou Rombe.

No “novo normal”, o teatro Gungu exibe, desde essa semana, a primeira peça de teatro, que se chama “Lar Amargo Lar” e conta com a interpretação de sete actores.

No dia 19 de Junho, no Bairro Chamanculo “C”, na Cidade de Maputo, será lançado o documentário Perspectivas do meu gueto, que revela o contraste existente na forma como o público olha para os bairros periféricos, explorando a perspectiva artística e a social.

De igual modo, o documentário apresentando as diferenças existentes a partir do momento que se considera os mesmos bairros históricos e ou culturalmente ricos, e, em contrapartida, assume-se os mesmos como sendo bairros inseguros, sem muito por oferecer. Assim, segundo uma nota de imprensa, com o filme pretende-se convidar o público a olhar para os bairros no seu todo e não de forma parcelada. A ideia é tornar claras as razões do contraste e as suas consequências no desenvolvimento e reconhecimento dos bairros periféricos.

O documentário conta com as principais intervenções do activista cultural Nuno Zaqueu, da especialista em Indústrias Culturais e Criativas Matilde Muocha, do antropólogo e pesquisador Salomão Nicasse.

O projecto percorreu os bairros de Chamanculo, Xipamanine e Polana (Museu), na cidade Maputo, numa produção e realização do grupo Chamanculo é Vida e Kcn filmes, nomeadamente Cecília Mahumane e Kelvin Nhatumbo. O filme conta com a parceria de Vitrine & Djinafita. Após o lançamento, no bairro Chamanculo “C”, seguir-se-ão outras apresentações na cidade de Maputo, concretamente nos espaços culturais, e noutros bairros periféricos.

O grupo Chamanculo é Vida tem feito as suas actividades em volta da comunidade do distrito de Nhlamankulu (numa primeira fase), com  o objectivo de ajudar na promoção do crescimento socio-cultural e económico de bairros como Chamanculo, Malanga e Xipamanine, criando soluções que possam permitir o crescimento das comunidades com base nas suas potencialidades.

O 17º livro de Carlos dos Santos já está disponível nas livrarias. Histórias do outro mundo foi publicado sob a chancela da Alcance Editores.

 

Histórias do outro mundo é o título do novo livro de ficção científica de Carlos dos Santos, disponivel nas livrarias desde este mês. Editada pela Alcance Editores, a 17ª obra do escritor possui 112 páginas A3 e contém um conjunto de oito narrativas que realçam o fantástico e a ficção científica.

Depois de ter lançado três livros de ficção científica no passado, A quinta dimensão, O pastor de ondas e O eco das sombras, agora, Carlos dos Santos publica Histórias do outro mundo, com narrativas que “exploram factores psíquicos que, de forma inconsciente, delineiam o quotidiano de cada um de nós, discorrendo de forma lúdica e divertida através dos sonhos e das ilusões engendradas pela nossa percepção e pela nossa imaginação, pelas nossas crenças e pelos nossos medos, que, no nosso dia a dia nos fazem ver, ouvir e sentir um mundo só nosso, fictício, mas que é completamente real para aquele que o vive”, lê-se numa nota de imprensa.

Entre as narrativas que compõem o mais recente livro de Carlos dos Santos identificam-se “A ave que queria ser árvore”, “O ilusionista”, “Escondidos na luz”, “Mundos cruzados”, “Insónia” e “Ilusão à vista”. E a propósito de ilusão, nas Histórias do outro mundo há árvores que voam, acrescenta a nota de imprensa, alienígenas de visita ao planeta Terra e viagens entre mundos paralelos, num Universo a pulsar de vida, em que a realidade e a ficção se entrelaçam de forma tão estreita que as fronteiras entre se esbatem completamente.

Carlos dos Santos publica o seu 17º livro já pensando em lançar mais dois infanto-juvenis ainda este ano, designadamente, O espelho do céu e Os pintores de sonhos.

 

Outras livros do autor

Além de Histórias do outro mundo, Carlos dos Santos tem publicados livros de cariz didáctico e técnico: Criação de animais, doenças dos animais e currais (2009), Cartilha da ética (2011) e Guião de exploração para professores e para pais (2014). Dos Santos também é autor dos seguintes livros de literatura infanto-juvenil: O conselho (2007), Os frutos da amizade (2008), As cores da amizade (2011), Um passeio pelo céu (2012), O mundo e mais eu (2013), O caçador de ossos (2013, considerado ‘Altamente recomendavel’ no Brasil), O bichinho da curiosidade (2014), O passeio das espécies (2015), Os pastores de letras (2016) e Na esteira das estrelas (2018).

 

 

O Centro Cultural Brasil-Moçambique, em Maputo, exibe “Lugar das ilhas”, a mais recente exposição de Sónia Sultuane. “Lugar das ilhas” aborda aspectos ligados a valor histórico e cultural da Ilha de Moçambique e explora o lado artístico da capulana.

“Lugar das ilhas” é um conjunto de 18 obras de arte, repleto de detalhes e feitas com base a capulana. “Eu queria tornar a capulana numa obra de arte e não pura e simplesmente que fosse um utensílio para uso banal”, disse a expositora durante a inauguração da exposição.

A exposição surgiu inspirada na Ilha de Moçambique e, para o efeito, a autora viajou mais de uma vez ao local. “Há aproximadamente dois fiz três viagens à Ilha de Moçambique e a Ilha inspirou-me.
Também em criança já tinha estado na Ilha de Moçambique e o local é muito rico ao nível de cultura, gastronomia, arquitectura, então daí o desafio’’, explicou, a autora.

Em termos temáticos, na Ilha de Moçambique, a autora fala da rota dos escravos, da porcelana, de esculturas, entre outros aspectos.

“Todas estas questões, por exemplo, de dote que fala da tradição das mulheres, da prata, do ouro e do m’siro são elementos que fazem parte das mulheres’’, acrescentou, Sónia Sultuane.

A curadora da exposição, Alda Costa, explica que Sónia Sultuane usa outras linguagens e interessa

Por: José Paulo Pinto Lobo

 

Palma. Macomia, Mocímboa da Praia, Nangade, Muidumbe.

Os bárbaros e selváticos ataques em Cabo Delgado fizeram-me insónias, logo a mim que mal pouso a cabeça na almofada, adormeço.

Vagueava o meu pensamento sonolento por entre as sombras do quarto às 4 horas da madrugada, quando subitamente a minha mente é assaltada por poetas e prosadores. Poetas? Estranho, visto que a minha relação com a poesia é idêntica à que tenho com o vinho. «Heresia!» clamam os literatos e os enófilos.

Como faço para apreciar ambos? Simples! Pergunto-me que sensações me provocam? O que me fazem sentir? Gosto ou não gosto? E pronto!

Todo este intróito para referir que Galeano foi o primeiro dos invasores, o qual valendo-se de Birri discorria sobre a utopia. «Então para que serve a utopia? Serve para isso: para que eu não deixe de caminhar.» Brilhante!

Mas… caminhar para onde?

Alguém me sopra ao ouvido «para a frente é que é o caminho». Pois… e se à frente estiver um precipício? Depois é, a minha frente ou a tua frente? Para que ponto cardeal estás virado?

Carrol responde sarcasticamente. «Estás a fazer a mesma pergunta que a Alice? Olha que a resposta é a mesma».

 

«Gato Cheshire… pode me dizer qual o caminho que eu devo tomar?

Isso depende muito do lugar para onde você quer ir – disse o Gato.

Eu não sei para onde ir! – disse Alice.

Se você não sabe para onde ir, qualquer caminho serve.»

 

Sinto então uma mão carinhosa no ombro e a voz de José Régio dizendo: «Não ligues, faz como eu».

 

«Quando me dizem: “vem por aqui”!

Eu olho-os com olhos lassos,

(Há, nos meus olhos, ironias e cansaços)

E cruzo os braços,

E nunca vou por ali…

 

Não sei para onde vou,

Não sei para onde vou

Sei que não vou por aí!»

 

Explodem-me entretanto pensamentos perturbadores. E se afinal a utopia tiver sido mais uma distopia, com os seus julgamentos sumários, com os fuzilamentos em praça pública e o terror da reeducação? Mais os assassinatos e prisões de jornalistas? E a instrumentalização do patriotismo como forma de exclusão?

Escarnece George Orwell: «Big Brother is watching you» e «Todos os animais são iguais, mas uns são mais iguais que outros».

E as nossas cumplicidades silenciosas, encapuçadas em fé cega em utopias sonhadas como realizáveis e filtradas pelos nossos olhos trópico-ocidentalizados marejados de boas intenções de princípios cristãos não assumidos e de culpas retroactivas não nossas?

Kafka acena-me de longe com “O Processo”. Quer ele assombrar-me com pesadelos surreais?

Se refutarmos crenças e dogmas dos tempos de antanho perdemo-nos de nós próprios?

Responde Jorge Rebelo: «Ora chegou um tempo…»

 

«Tenho de novo que aprender

a perturbar o universo, a recusar

o aconchego dos palácios,

a partilhar com os deserdados

o anseio da virtude.

O outro Eu me ensinara.»

 

E se a guerra tiver sido mesmo escolhida pelo descaso dado aos inúmeros sinais de insatisfação e de revolta com a injusta distribuição e pérfida ostentação de riqueza?

Porquê? Clama Noémia de Sousa, com palavras vindas do passado e tornadas tão presentes:

 

«Por que é que as acácias de repente

floriram flores de sangue?

Por que é que as noites já não são calmas e doces,

por que são agora carregadas de electricidade

e longas, longas?

Ah, por que é que os negros já não gemem,

noite fora,

Por que é que os negros gritam,

gritam à luz do dia?»

 

Vagueio por entre os silêncios atrapalhados e a auto-estima e auto-contentamento bafientos de quem eu esperava bem mais e tento escutar os tambores silenciados do mapiko em Cabo Delgado.

Repentinamente, ouço Craveirinha: «Convoca os espíritos e acompanha-me no grito».

 

«Tambor está velho de gritar

Oh velho Deus dos homens

deixa-me ser tambor

corpo e alma só tambor

só tambor gritando na noite quente dos trópicos.

 

Eu

Só tambor rebentando o silêncio amargo de [Cabo Delgado]

Só tambor velho de sentar no batuque da minha terra

Só tambor perdido na escuridão da noite perdida.»

 

Não consigo dormir, às voltas na cama e com vários nós na cabeça.

Ressoa incessantemente no meu pensamento a frase dramática da nossa vida: «Valeu a pena?»

Escuto então Pessoa:

 

«Valeu a pena? Tudo vale a pena

Se a alma não é pequena.

Quem quer passar além do Bojador

Tem que passar além da dor.»

 

E, assim, finalmente adormeço.

A Ministra da Cultura e Turismo inaugurou, esta quarta-feira, a exposição Malangatana, tatana cultura. A mostra fotográfica pode ser visitada na galeria da Associação Kulungwana, na Cidade de Maputo, até 2 de Julho.

A certa altura, no texto de apresentação da mostra Malangatana, tatana cultura, escrito por Manuela Soeiro, lê-se o seguinte: “Esta exposição de fotografia pretende fazer, sem pretenciosismos, uma amostra de Malangatana nas várias épocas da sua vida, no seu dia-a-dia, o homem, o amigo e sua dimensão como artista moçambicano e cidadão do mundo”. Realmente, estas palavras da encenadora do Mutumbela Gogo reflectem o que a Kulungwana quis fazer das histórias seleccionadas e resumidas em imagens, nas quais aparece o artista de Matalana em contextos diferenciados.

Nas fotografias patentes na galeria da Associação Kulungwana, nos Caminhos de Ferro, Cidade de Maputo, desta vez, o protagonismo não são telas pintadas por Malangatana. O silêncio das imagens narram eventos reais de um homem que viveu para as artes e da cultura do seu povo sem nunca abandonar as suas raízes. Pode-se dizer que se trata de uma mostra íntima, que recupera fotografias familiares para as apresentar com as outras mais conhecidas. Na mostra, pode-se ver Malangatana com o filho Mutxhini ao colo, ainda bebé, com a esposa no leito do hospital, com os amigos e tantos, como ele, eternos cidadãos do mundo. Por exemplo? Claro está, o escultor Alberto Chissano, que viveu tão perto de Malangatana no Bairro Aeroporto, na Cidade de Maputo.

Com curadoria e grafismo de Ciro Pereira, Malangatana, tatana cultura é uma exposição montada por Carlos Jeco e com grande contribuição de entidades que cederam fotografias, como o Centro de Documentação e Formação Fotográfica.

Ao inaugurar a exposição, a Ministra da Cultura e Turismo, Eldevina Materula, sublinhou a necessidade de celebrar a vida e a obra de Malangatana, um homem que deu tanto às artes e à cultura moçambicanas. “Malangatana foi mais que um herói. É, sem dúvidas, o nome da nossa cultura mais exposto, mais falado e que ainda sentimos a necessidade de celebrar, não só no nosso país, mas também a nível mundial. Por isso é importante celebrá-lo em jeito de exposição”.

Como que a concordar com a Ministra da Cultura e Turismo, Mutxhini Ngwenya, filho de Malangatana, reconheceu que a iniciativa da Associação Kulungwana de honrar o pai é muito boa. “Penso que é o primeiro passo para aquilo que temos vindo a discutir ao longo deste ano, que é retomar a imagem de Malangatana e tentar fazer tudo o que é possível para divulgarmos ao máximo o seu trabalho e o seu legado”.

A exposição Malangatana, tatana cultura acontece num contexto em que a Associação Kulungwana comemora 15 anos de existência. “Malangatana foi um dos fundadores da Kulungwana, foi com ele que começamos e ele é o autor do nosso nome. Nós começamos com música, mas pouco tempo depois, ele incentivou-nos a irmos a outras áreas culturais”, disse Henny Matos, da Associação Kulungwana.

A mostra inaugurada esta quarta-feira pode ser visitada até 2 de Julho.

A peça radiofónica Um almoço simples em Vällingby foi escrita pelo escritor sueco Henning Mankell, que viveu e trabalhou em Moçambique. Com 39 minutos de duração, a peça que conta com Jorge Vaz e Adelino Branquinho no elenco foi lançada esta noite, na Cidade de Maputo, numa recepção proporcionada pela Embaixadora da Suécia em Moçambique, Mette Sunnergren.

 

Entre Setembro de 1964 e Outubro de 1967, Eduardo Mondlane visitou a Suécia em cinco ocasiões com a pretensão de procurar apoio para a FRELIMO, que, na ápoca, lutava contra a dominação colonial portuguesa. Numa dessas viagens a Estocolmo, para não chamar atenção, Mondlane manteve um encontro longe dos holofotes em Vällingby, em casa de Olof Palme. Segundo lembra uma nota da Embaixada da Suécia, naquele subúrbio a oeste da capital Estocolmo muitas discussões políticas importantes ocorreram na cozinha de Palme (enquanto preparava almoços para os seus convidados: batatas fritas e salsichas), inclusive, com o então Presidente da FRELIMO.

Na verdade, este episódio verdadeiro, no entanto, pouco divulgado, inspirou Henning Mankell a escrever a peça radiofónica En enkel lunch i Vällingby, ou seja, Um almoço simples em Vällingby. No país, a peça radiofónica foi lançada esta terça-feira, numa recepção que teve a Embaixadora da Suécia em Moçambique, Mette Sunnergren, como anfitriã. Referindo-se à peça radiofónica agora lançada em Maputo, a diplomata explicou: “Ao traduzir esta dramaturgia para português e transmiti-la em Moçambique, a Embaixada da Suécia procura dar destaque à história que os nossos dois países partilham e que está profundamente ligada aos valores universais dos direitos humanos, democracia, liberdade de expressão e educação”.

Na adaptação do Mutumbela Gogo, o texto Um almoço simples em Vällingby, de Henning Mankell, traduzido por Solveig Nordlund, foi interpretado pelos actores Jorge Vaz, no papel de Eduardo Mondlane, e Adelino Branquinho, no papel de Olof Palme. A direcção da peça com 39 minutos de duração coube à encenadora Manuela Soeiro e a ficha técnica ainda inclui Julieta Mussanhane (narração), Samo Elias (sonorização e montagem).

Um almoço simples em Vällingby é resultado de uma parceria entre a Embaixada da Suécia em Moçambique, o Teatro Avenida e a Rádio Moçambique. Na Cidade de Maputo, a peça foi lançada por ocasião do Dia Nacional da Suécia, que se assinala a 6 de Junho de cada ano.

Entre os convidados à sessão de lançamento de Um almoço simples em Vällingby estiveram a Ministra da Cultura e Turismo, Eldevina Materula, o Reitor da Universidade Eduardo, Orlando Quilambo, jornalistas e actores. Em breve, a adaptação inspirada no encontro entre Eduardo Mondlane e Olof Palme chegará à(s) rádio(s) nacionais.

Olof Palme foi Primeiro-Ministro sueco. Na Cidade de Maputo, há uma avenida em seu nome.

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