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O País – A verdade como notícia

Foto: Wilford Machili

 

A nona edição do Indian Ocean Music Market/ Mercado de Música do Oceano Índico (IOMMa) arranca esta segunda-feira, na Cidade de Saint-Leu, na Ilha Reunião. Uma das actuações será de TRKZ, cantor moçambicano residente em França.

 

A primeira vez que TRKZ actuou no Indian Ocean Music Market (IOMMa), na Ilha Reunião, foi em 2019, com o grupo Continuadores. Dois anos depois, o artista moçambicano residente em Paris voltou a ter a possibilidade de pisar o palco daquele evento cuja nona edição arranca esta noite, a partir das 18 horas, no Museu Stella Matutina, Cidade de Saint-Leu.

A performance de TRKZ vai durar cerca de meia hora, entre 21h e 21h30 locais (19h e 19h30 de Maputo). Nesse intervalo temporal, o artista vai cantar temas como “Hell in Paradise/ Yinga yang”, “Indian Ocean”, “Água e sal”, “Blu”, “Wordless chorus”, “A longa espera” e “Noite tranquila”. Sobre esta selecção musical, TRKZ afirmou, esta segunda-feira: “Preparei um repertório que é uma mistura de diferentes álbuns que lancei ao longo da minha carreira. Optei, sobretudo, em escolher composições simples, que realçam o instrumento principal, que é a voz”.

Segundo entende TRKZ, o IOMMa é importante porque “nos põe em contacto a nível do oceano e descobrimos muitos músicos interessantes, provenientes das ilhas que são os nossos vizinhos, perto de Moçambique. É muito importante entrar em contacto com uma parte da nossa descendência e da nossa origem, sabendo que houve muitos escravos de Moçambique que foram enviados para Ilha Reunião. Então, a relação que temos com a Reunião é muito forte e histórica”.

De igual modo, nesta sua segunda vez no evento, o artista moçambicano vê uma possibilidade de trocar impressões com outros artistas e profissionais da área artística e cultural. “O IOMMa é uma possibilidade de expor os nossos trabalhos, de partilhar e trocar experiências, conhecimentos e cultura”. Por isso mesmo, TRKZ espera que a experiência será muito especial.

Logo à noite, o auditório do Museu Stella Matutina poderá ver uma experiência minimalista, no que a TRKZ diz respeito, uma parte do que tem vindo a trabalhar. O cantor, entretanto, reconhece que sente alguma pressão porque sabe que há muita gente que o vai observar ao mínimo detalhe. Há nisso um stress positivo, segundo disse. Talvez, por essa razão, TRKZ lamentou não poder contar com o calor dos seus conterrâneos no evento, como Albino Mbie e Gran’Mah. Seja como for, TRKZ agarrou a oportunidade de expor o seu trabalho e de representar Moçambique no IOMMa.

Na nona edição do IOMMa, TRKZ vai pisar o palco depois da actuação de Tim Zeni, da Ilha Reunião, que apresentará a sua performance entre 20h e 20h30 locais, sempre no Museu Stella Matutina.

 

AILTON JOSÉ MATAVELA

TRKZ (Ailton José Matavela) nasceu em 1994, em Maputo. Obteve o seu grau de licenciatura em Psicologia Social e do Trabalho. Actualmente, dedica-se inteiramente à música, como cantor, rapper, compositor, beatmaker, produtor e possui um potencial para expressar a sua música através de diferentes linguagens.

TRKZ fez parte do Coro e Orquestra Xiquitsi, em 2016, tendo sido um dos vocalistas principais. No mesmo ano, no dia 23 de Novembro, lançou o seu primeiro projecto musical oficial com a Kongoloti Records, intitulado “Filhos da terra”.

Em 2017, fez parte da trilha sonora para a exposição visual Bits of Maputo, do artista moçambicano Ricardo Pinto Jorge. Trabalhou também na trilha sonora do documentário 90’s project, da fotógrafa Iria Marina.

 

O IOMMa…

O IOMMa é uma iniciativa que, desde 2011, esmera-se na profissionalização da cena musical no Oceano Índico, conectando profissionais de diferentes proveniências. A iniciativa inclui formações, reuniões e workshops feitod ao longo do ano.

Dos países banhados pelo Oceano Índico, o IOMMa já contou com mais de 700 grupos, por exemplo, de Reunião, Moçambique, Tanzania, Comores, Austrália, Índia, Tailândia, África do Sul, Maurícia e Madagáscar.

Além dos artistas que actuarão esta noite (TRKZ, Tim Zeni e Simangavole), também participam na nona edição artistas como Ahamada Smis, Aurus, Gwendoline Absalon, Msafiri Zawose, Thandiswa Mazwai, Tine Poppy, Trans Kabar e Zeco.

 

Celestino Mudaulane foi eleito Presidente do Núcleo de Arte nas eleições deste sábado, na Cidade de Maputo. Mudaulane promete dinamizar o Núcleo de Arte e contribuir para a dignidade das artes e dos artistas plásticos.

 

As eleições no Núcleo de Arte, no último sábado, foram bem concorridas. A disputa durou, praticamente, até ao último voto, pois, desde o princípio, o equilíbrio entre as duas listas candidatas foi visível. Assim, dos 134 membros que aderiram às eleições, 67 votaram em Celestino Mudaulane (Lista B) e 65 optaram em José Manhiça “Vovo’s” (Lista A). Os outros dois votos foram considerados nulos.

Para o candidato vencedor, o processo eleitoral, desde o princípio, foi muito duro, pois a lista adversária, Lista A, estava muito forte. Por isso, a Lista B teve duas semanas de intenso trabalho. Realizadas as eleições, a grande preocupação de Celestino Mudaulane e dos integrantes da sua lista é garantir dignidade aos membros do Núcleo de Arte. “Há uma percepção de que o Núcleo de Arte não tem muito peso, então eu quero trazer dignidade ao Núcleo e aos artistas plásticos como tal. Uma das coisas que o meu grupo vai apostar é a profissionalização das artes plásticas, porque as artes plásticas, no meu entender, estão muito banalizadas. As pessoas vendem obras a qualquer preço e de qualquer maneira. Não há dignidade do artista. Trabalhando com todos, eu quero ter essa dignidade”.

Uma das coisas que Mudaulane quer impulsionar durante o seu mandato é o pagamento de cotas e clarificação dos critérios sobre as comissões da venda de obras de arte. Também por isso, admitiu: “Sinto que tenho uma responsabilidade enorme para corresponder ao anseio dos artistas em geral”.

Além disso, o Presidente Eleito do Núcleo de Arte pretende internacionalizar a arte moçambicana, porque Moçambique não é uma ilha. “Então temos de divulgar o nosso trabalho”. No calor da vitória, Mudaulane acrescentou: “Nós temos uma galeria, mas não percebo como é feita a venda das obras. Precisamos de organizar a nossa galeria e profissionalizar o nosso artista, no sentido de que ele pode viver daquilo que faz. Hoje em dia, os artistas, incluindo eu, têm dificuldades de viver daquilo que fazem”.

As eleições deste sábado, numa das principais casas da arte no país, foram, de acordo com a observadora Aissa Mithá, calmas e transparentes, desde a verificação do caderno eleitoral, a conferência dos boletins do voto e a contagem. “Foi muito positivo e muito harmonioso. No processo de contagem dos boletins haviam membros das duas listas e todos viram e reconheceram o número de pessoas que votaram. Foi bastante equilibrada a votação”.

Na óptica de Aissa Mithá, as eleições demostraram que os artistas se identificam com o Núcleo de Arte. “Isso deu azo a esta votação bastante renhida”.

Ao contrário da observadora, para a Lista A, a derrotada com diferença de dois votos, a contenda não foi de todo pacífica. Bena Filipe, artista plástica e porta-voz da equipa de Vovo’s, disse, depois do anúncio do vencedor: “Quero felicitar a lista vencedora. A diferença foi muito pequena, de dois votos. Em relação ao processo eleitoral, não me sinto feliz e tranquila em dizer que foi justo, mas temos de trabalhar pelo Núcleo”.

De acordo com Bena Filipe, houve situações que devem ser melhoradas nas próximas eleições, como o atraso da entrega da lista, por parte da equipa de Celestino Mudaulane e a inclusão de elemento que não devia lá estar, por ter sido membro de uma direcção passada (Ouri Pota). “Isso incomodou-nos e fizemos uma queixa por escrito, mas não tivemos resposta. Isso nos desconforta, mas não será motivo de guerrilha. Podemos deixar aqui uma chamada de atenção para a própria casa e para a própria comissão para seguirem à risca as regras da casa”.

Na petição submetida, a lista de Vovó’s pediu a anulação da candidatura da lista de Celestino Mudaulane, por considerar que cometeu “um crime público, com propaganda enganadora, agravada com a entrega da 1ª e 2ª candidatura fora dos prazos”.

Seja como for, os envolvidos no processo eleitoral concordaram que há condições para os membros das duas listas trabalharem juntos pelo desenvolvimento do Núcleo de Arte.

O artista plástico Elias Naguib inaugurou a “flor-de-paixão”, uma exposição que, segundo o autor, expressa o seu estado interior e visão sobre o mundo. A amostra está aberta ao público na Fundação Fernando Leite Couto, Cidade de Maputo, até dia 13 do mês em curso.

Na exposição, o artista plástico ilustra um drama, como forma de expressar o seu sentimento, mostrando que, apesar das dificuldades sociais, há que aproveitar as boas coisas e bons momentos.

“Existem momentos bons, momentos íntimos, momentos nossos”, disse o autor para, em seguida, exemplificar esses momentos bons: “Quando estamos com a nossa família, nossa mulher em casa ou com os nossos filhos, quando estamos a ouvir uma boa música. Existem momentos também em que nós somos nós.”

Naguib diz que “flor-de-paixão” é uma forma que encontrou para expressar o seu estado interior, pelo que viu a necessidade de partilhar a sua visão com o mundo, mesmo sem condições espaciais. “Há coisas presas dentro de nós que devemos tirar, o que significa que, para fazer uma boa exposição, não é necessário um grande espaço”.

Durante a inauguração da exposição, o artista lamentou o facto de não se terem realizado espectáculos e exposições artísticas durante o ano devido à pandemia da COVID-19. Por isso, neste momento em que teve possibilidade de o fazer, “é um prazer estar a contribuir com a venda de uma boa parte das obras de arte”.

 “FLOR-DE-PAIXÃO” CONTEMPLA A IMPORTÂNCIA SOCIAL DA MULHER

A exposição “flor-de-paixão” contempla também a importância da mulher na sociedade moçambicana, disse Naguib, olhando para uma sociedade onde “52% é feita por mulheres e os outros 48% são os filhos delas”.

Segundo o artista plástico, “a mulher está num outro patamar, é a dona deste país, é nossa mãe, se essas 52% de mulheres não existissem, não haveria 48% de homens, filhos delas”.

Por sua vez, a ministra da Cultura e Turismo, Eldevina Materula, que esteve na inauguração da exposição em alusão, destacou a ligação da “flor-de-paixão” com a realidade feminina.

“Encontramos [na exposição flor-de-paixão] uma ligação com as mulheres e isso mostra também o lado humano e sensível [de Naguib] e sua forma de mostrar o grande amor”, anotou a governante.

O júri da quinta edição do Prémio Literário Imprensa Nacional decidiu não atribuir este ano o galardão. O júri entende que as obras concorrentes não correspondem aos padrões exigidos. A informação foi avançada na tarde desta terça-feira.

Entre 2 de Agosto e 24 de Setembro de 2021 foram recebidas 23 candidaturas à quinta edição do Prémio Literário Imprensa Nacional/ Eugénio Lisboa.

O trabalho premeia trabalhos inéditos de grande qualidade no domínio da prosa literária, produzidos por cidadãos moçambicanos ou a residir em Moçambique, há pelo menos 10 anos. Além de uma componente pecuniária de 5000 euros, contempla igualmente a publicação de obras distinguidas por em cada edição.

O prémio Imprensa Nacional/Eugénio Lisboa foi criado em 2017, pela Imprensa Nacional dando corpo à sua missão de promoção e preservação da língua portuguesa da língua portuguesa e tendo em consideração a revelação de Eugénio Lisboa, enquanto cidadão e homem de cultura nascido em Moçambique.

O júri da quinta edição do Prémio Literário Imprensa Nacional decidiu não atribuir este ano o galardão. O júri entende que as obras concorrentes não correspondem aos padrões exigidos. A informação foi avançada nesta tarde.

Entre 2 de Agosto e 24 de Setembro de 2021 foram recebidas 23 candidaturas à quinta edição do Prémio Literário Imprensa Nacional/ Eugénio Lisboa.

O trabalho premeia trabalhos inéditos de grande qualidade no domínio da prosa literária, produzidos por cidadãos moçambicanos ou a residir em Moçambique, há pelo menos 10 anos. Além de uma componente pecuniária de 5000 euros, contempla igualmente a publicação de obras distinguidas em cada edição.

O Prémio Imprensa Nacional/Eugénio Lisboa foi criado em 2017 pela Imprensa Nacional dando corpo à sua missão de promoção e preservação da língua portuguesa e tendo em consideração a revelação de Eugénio Lisboa, enquanto cidadão e homem de cultura nascido em Moçambique.

Quatro polos de criação artística contemporânea serão apoiados pelo programa PROCULTURA em Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe.

O apoio, no total de 200 mil euros, financiará projectos de quatro estruturas artísticas nestes países, no âmbito do PROCULTURA PALOP-TL, uma parceria da Fundação Calouste Gulbenkian com o Camões – Instituto da Cooperação e da Língua, I.P.

As associações vencedoras do concurso vão desenvolver a investigação artística e criar novas produções nos próximos dois anos e meio. Foram contempladas com este apoio a Roça Mundo – Associação para a Cultura e Desenvolvimento, em São Tomé e Príncipe, a cooperativa Geba Filmes, da Guiné-Bissau, a associação Mindelact, de Cabo Verde, e a associação cultural Warethwa, de Moçambique.

Ao selecionar os vencedores, um júri independente apreciou a relevância, a qualidade e coerência do programa, o alcance e disseminação, a capacidade operacional e financeira, e o impacto e sustentabilidade dos projetos.

A Roça Mundo tem como objetivo capacitar a CACAU – laboratório de criação enquanto polo de criação artística no setor do teatro e da dança, com uma programação que incluirá residências artísticas e espetáculos, também noutros espaços fora da cidade de S. Tomé como a Roça Criação artística, o PICA – Ponto itinerante de cultura e ambiente e a FACA-Fábrica das artes e cidadania ativa, em Água Izé. A associação de artes performativas Folha de Medronho é parceira desta iniciativa.

O projeto da cooperativa Geba Filmes, denominado Abotcha, que significa “na terra” em balanta, consiste num programa de encontros e atividades criativas que promovem o diálogo, teatro, cinema e música, na Mediateca Onshore, espaço que se pretende que se estabeleça como campo de produção e encontro cultural de e para as comunidades locais. Conta com a parceria do grupo de Teatro do Oprimido.

O Mindelact apresenta o Tripé- três ilhas, três artes, um projeto que junta três associações cabo-verdianas da área das artes cénicas – teatro, dança e performance – de São Nicolau, São Vicente e Santiago. A ideia central é a produção de residências de criação artísticas e apresentação de obras, com o objetivo de potenciar o alargamento da comunidade criativa e do seu público em Cabo Verde. O Mindelact tem como parceiros a associação Raiz de Polon e o coletivo de artistas Projeto Chiquinho.

A associação moçambicana Warethwa venceu este concurso com o projeto Vasicati: trilhas afro-atlânticas, que pretende criar um programa de intercâmbio musical através do desenvolvimento de residências artísticas, performances ao vivo e tournées digitais, com a participação de artistas mulheres de Angola, Brasil e Cabo Verde. Este projeto contempla ainda a realização de masterclasses com estudantes universitários da área da música e tem como parceiro a Nzango Artist Residency.

O objetivo deste concurso, que decorreu em duas fases e que disponibilizou aos finalistas um workshop na área da Direção e Gestão Artística (temáticas-chave para o desenvolvimento dos projetos), é a consolidação de polos de criação artística nestes países. Espera-se que após os dois anos e meio os polos tenham ganho uma maior autonomia para o seu funcionamento e que tenham beneficiado mais de 150 artistas.

Este concurso é uma iniciativa PROCULTURA PALOP-TL, uma ação do Programa Indicativo Multianual PALOP – Timor-Leste e União Europeia, financiada pela União Europeia. É também cofinanciada e gerida pelo Camões, I.P. e cofinanciada pela Fundação Calouste Gulbenkian, com o objetivo de contribuir para a criação de emprego em atividades geradoras de rendimento na economia cultural e criativa nos PALOP e em Timor-Leste.

O mais belo fim do mundo é o título da exposição de fotografia e literatura de José Eduardo Agualusa. No Camões – Centro Cultural Português, Cidade de Maputo, a mostra será inaugurada no próximo dia 1 de Dezembro, a partir das 18h30.

Referindo-se à individual, esta quinta-feira, José Eduardo Agualusa explicou como surgiu a ideia de expor um exercício que tem na Ilha de Moçambique (Nampula) base importante. Na verdade, antes da exposição, houve um livro, intitulado Gramática do instante e do infinito, com imagens da Ilha de Moçambique e poemas do escritor angolano lá escritos. Com efeito, a ideia de editar Gramática do instante e do infinito não foi de Agualusa, mas de uma designer brasileira, Lucia Bertazzo, que também é a curadora da exposição O mais belo fim do mundo.

Essencialmente, segundo lembrou José Eduardo Agualusa, Gramática do instante e do infinito é um livro-arte, feito à mão, em que cada um é único e todos são diferentes. Por isso são caros. Então, “Lucia Bertazzo teve a ideia de fazermos uma exposição com estas fotos e aí eu decidi juntar também uma série de retratos de escritores, sobretudo africanos, que eu fui fazendo ao longo dos anos. Eu acho que alguns desses retratos são bons”.

Segundo revelou José Eduardo Agualusa, os melhores retratos da série que compõe a individual O mais belo fim do mundo são os que foram feitos a Mia Couto e a Uzodinma Iweala, escritor nigeriano. Portanto, além das imagens da Ilha de Moçambique, a exposição de Agualusa inclui retratos.

Para o Camões – Centro Cultural Português, a exposição O mais belo fim do mundo “é uma celebração da amizade construída através do amor à língua portuguesa. A língua viaja pelo mundo e com ela também o amor à palavra, tão presente na plasticidade da língua portuguesa, em todos os continentes”.

O texto de apresentação de O mais belo fim do mundo é assinado por Mia Couto, que observa: “Diz-se que uma imagem vale mil palavras. O inverso também é verdade: uma palavra pode dizer mais do que mil imagens. Neste caso, não sei se vejo, se escuto”.

A individual do escritor angolano que vive na Ilha dos Poetas, claro, a Ilha de Moçambique, pode ser visitada no Camões até dia 12 de Fevereiro de 2022, de segunda a sábado, das 10h às 17h. Uma nota: de 18 de Dezembro de 2021 a 15 de Janeiro de 2022, o Camões estará encerrado.

Ano passado, Calane da Silva conquistou o Prémio Guerra Junqueiro Lusofonia. Entretanto, porque perdeu a vida, no início deste ano, não recebeu o prémio. Assim, esta quarta-feira, a viúva do escritor, Maida Calane da Silva, recebeu, em Maputo, das mãos da ministra da Cultura e Turismo, Eldevina Materula, a atribuição a título póstumo.

De acordo com a nota de imprensa do Ministério da Cultura e Turismo, a cerimónia de atribuição foi breve, mas carregada de simbolismo e muita emoção. A viúva de Calane da Silva e Eldevina Materula não conseguiram conter as lágrimas pela grandeza que o gesto representa. “Como Ministério da Cultura e Turismo, acreditamos que o prémio atribuído em homenagem póstuma não só vem reconhecer o percurso literário de Calane da Silva, mas também a sua Humanidade. Por isso, deve continuar a inspirar não só a família de Calane, mas a juventude da nação moçambicana. Este prémio, que vem dos lados do Atlântico e do Tejo, deve ser bem enraizado cá dos lados do Índico e do Zambeze, para que a vida e a obra de Calane da Silva estejam sempre presentes e celebradas pela Nação moçambicana. Como Governo, recebemos este Prémio com honra e entregamos, igualmente, à família Calane da Silva com honra, Humanidade e fraternidade”, disse Eldevina Materula, segundo a nota de imprensa.

Por sua vez, a viúva do escritor, Maida Calane da Silva, citada na mesma nota, disse que “é gratificante receber este prémio das mãos da Ministra da Cultura e Turismo e é, acima de tudo, uma honra. Calane já não existe entre nós, mas está nos nossos corações. Agradeço tudo que os moçambicanos fizeram por ele. Ele sempre dizia que era um homem do povo.

Estava destinado ele próprio receber o seu prémio, mas o destino assim quis que eu recebesse o prémio no dia do meu aniversário. Só Deus sabe melhor o que isso significa. Quero agradecer a todos no nosso país e pelo mundo inteiro”.

O Prémio Literário Guerra Junqueiro é promovido no âmbito do Freixo Festival Internacional de Literatura, que se realiza desde 2017, em Freixo de Espada à Cinta, Portugal.

O lançamento do livro de Lino Mukurruza vai acontecer amanhã, no Centro Cultural Português – Pólo da Beira, às 18h. Durante a cerimónia, a obra será apresentada pelo professor e crítico literário Cristóvão Seneta.

De acordo com a editora gala-gala, que edita o livro, “Em seu novo livro de poemas, o terceiro, Lino Mukurruza apresenta-nos um sujeito-poético consciente e maduro, com uma poesia que roça a própria desmaterialização da poesia, com versos duros e herméticos, quiçá, a lembrar-nos o Luís Carlos Patraquim ou o Paul Celan”.

A extinção da cinza, segundo uma nota de imprensa da editora, um “’manual de sobrevivência’ em forma de tomos, quatro tomos, precisamente, ‘A sombra dividida’, ‘O luto na extinção da sombra’, ‘Silêncio em estado líquido’ e ‘Cores na água do rosto’, que perfazem 66 páginas. Poesia de expiação, de consolação, como anuncia o primeiro caderno: ‘o poeta não duvida das possibilidades de sentidos minerais, opacos ou fosforescentes […] lamenta, afirma e aponta, mas não duvida nunca, sequer questiona’, escreve o poeta e professor brasileiro Ricardo Pedrosa Alves, que assina o posfácio”.

A extinção da cinza sai depois de Almas em tácitas, publicado em Portugal em 2015, e é o volume 5 da colecção Biblioteca de poesia Rui de Noronha.

Lino Mukurruza nasceu no dia 04 de Maio de 1989, na Cidade de Lichinga. É formado em Ensino de Língua Portuguesa, pela Universidade Pedagógica de Moçambique/Niassa.

Publicou os livros de poemas Vontades de partir & outros desejos (FUNDAC, 2014) e Almas em tácitas (Lua de Marfim, 2015). Participou das colectâneas Clepsydra (Coisas de Ler, 2014), Vozes do hinterland (Letras de Angola, 2014), Premonições (Lua de Marfim, 2015) e Idai – marcas em verso e prosa (Gala-Gala Edições, 2020).

Obteve, em 2015, uma menção extraordinária no Prémio Mundiale di Poesia Nósside. É fundador do Clube de Leitura de Angoche (CLA) e professor na Escola Secundária Hamdan Bin Rashid e do Instituto Politécnico da RHDC, em Angoche, onde reside.

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