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O País – A verdade como notícia

Por: Arsénia Ressique Amade

 

Arrumar o quarto para organizar a vida é o nome de uma das minhas playlist`s, título bem descritivo este, a razão pela qual essa minha lista de músicas composta pelas músicas mais tristes e deprimentes do mundo, como “need some sleep”, chamar-se assim é bem simples. Sinto que a minha vida está uma merda e o meu quarto com o cesto de roupa suja ao lado do cesto da roupa limpa cheio de roupa por cima que não sei dizer qual delas é limpa ou suja demostra isso.

Quando sinto que a minha vida é uma merda, acredito que escutar Sam Smith me ajuda a ver as coisas mais claras, pois escutar música, independentemente do estado da vida ou do quarto faz bem.

Quando o meu quarto está desarrumado, é porque não lhe dou a atenção devida, não cuido dele, como não presto atenção devida a mim mesma, autossabotando-me, alimentando paranoias, pensamentos negativos e obsessivos sobre situações da minha vida, que consomem a minha energia de tal forma que me esqueço que o sol nasce todos os dias. Mesmo com o sol nublado, escuto uma música.

Não que não tenha razões para me alegrar ou agradecer, mas que me sentir uma merda, às vezes, faz parte, como as estrelas, a lua e todos os planetas existentes fazem parte da grandiosa galáxia.

Queria poder descrever o quão bela é a vida quando estou deprimida ou conseguir explicar para mim mesma que tudo passa, até mesmo a falta de vontade de fazer as coisas, os pensamentos e sentimentos obsessivos e negativos, pois também já estive super feliz e empolgada com a coisas. Já quis gritar para todo mundo como a vida é incrível e é tão bom viver. Engraçado, já escutei Jay Arg no meio da madrugada porque acordei e espelhei-me, cheia de vontade de aproveitar o dia ao lado das pessoas que eu amo. Enfim, momentos como arrumar o quarto a chorar, ouvindo Khalid fazem parte de um processo, o qual cada uma das pessoas vive e sente a sua maneira.

Sei que, quaNdo estou muito triste, concentrada em coisas que só contribuem para o aumento da minha insegurança, enquanto ser humana, o que faz com que a cada minuto me torne uma pessoa egocêntrica, egoísta e muito mais tóxica, é muito bom escutar uma música que me vai fazer libertar toda a tensão e sentimentos negativos que advêm destas paranoias. Vou olhar o meu reflexo no espelho, fingir que estou no vídeo-clipe.

“Someone like you” faz secar a minha cara molhada por causa das lágrimas e baba, pois quando chego nessa música já não tenho razões para chorar. Nesse momento, decido fazer um plano de acção, com os meus objectivos de vida, com um cronograma organizado e seguir só. Aí vêm músicas motivacionais que deixam o meu astral melhor.

Carrego comigo medos e inseguranças que deixam a minha alma muito pesada. Então uma hora de Poesia Acústica, mais duas horas de Hernani da Silva, Jhane Aiko, conduzem-me a um estado inicial de coragem. E quando dou por mim, estou a fazer coisas, as quais receava.

A música tem um poder tremendo. Por isso que tenho uma playlist para cada actividade que faço e estado de espírito. Então, escutem músicas. Se não te fazem dançar, faz-te sorrir, chorar, pensar e muito mais, pois a música, como qualquer outra arte, dá mais sabor à vida.

 

 

Por: Huwana Rubi

 

Pedro Mourana é um nome que dispensa apresentações, um decano por excelência das artes plásticas nacionais e não só, pois, a sua pintura é transcendental em termos de técnica, movimento e temáticas. E não é por mero acaso que influência um leque de artistas nacionais. A sua pintura busca sempre compreender recortes reais, imaginários, dentro dos contextos da sua exímia dialética e das várias mitologias que com o traço muito firme, compreende a harmonia das cores, transformações e deformações muito bem concedidas para que a leitura seja uma sensação própria de quem lê e vê. Estes elementos, técnicos e pictóricos, podem notar-se na sua obra “Quelimane”, patente na presente exposição O murmúrio dos búzios e as miudezas da alma, no Centro Cultural Brasil-Moçambique, cujo o curador é professor Jorge Dias, actual Director da instituição.

Outrossim, trata-se de uma exposição completa, onde duas individualidades das artes plásticas se reencontram neste murmúrio dos búzios.

A presente exposição é composta por uma entrega e busca de pensamentos e sempre no movimento triangular do lógico, fictício e do eu enquanto a figura principal.

Os “movimentos ” do realismo e do surrealismo confundem-se na beleza e profundidade das palavras do autor do livro com a mesma temática, o Falso Poeta.

Nada é falso.

A pintura “o pecado do Adão” é exactamente um “mirror” dos significados e ressignificados das realidades actuais e mitológicas, um veludo das paixões “não ortodoxas”, mas que buscam uma permanente beleza, encantos e laços, tais como os contrastes que se fundem nestes vários triângulos.
As obras, o labor e a vaidade, sereno silêncio sonoro e a longa espera, esta última condiz com as palavras do artista, “tem uma história para contar”.

A obra “meu canto…” é a essência do perfume das tintas, do caos e de um lugar solitário e rico, onde o artista vive mesmo que fora da tela, memórias do passado, o espanto da personagem e do cotidiano de um espaço sagrado que é o seu atelier em perspectiva, dimensões e focos de fuga.

De forma lacónica, urge que os artistas plásticos sejam mais entendidos, não como em 1993, mas como uma actualidade de dialética e com mestria.

É uma honra e é um momento prazeroso poder compartilhar este momento, O murmúrio dos búzios e as miudezas da alma, que ecoam no mar dos pensamentos que o mestre Pedro Mourana emana.

 

O Centro Cultural Franco-Moçambicano inaugurou, esta terça-feira, a exposição Viagem imaginária II, da autoria da congolesa Gosette Lubondo. A mostra realça vários aspectos sobre o universo feminino e pretende celebrar a mulher.

 

O Dia Internacional da Mulher não passou em branco, no Centro Cultural Franco-Moçambicano, na Cidade de Maputo. Esta terça-feira, o Franco inaugurou a exposição fotográfica Viagem imaginária II, da autoria da congolesa Gosette Lubondo.

As várias fotografias que compõem a individual, na verdade, instauram um diálogo bem acentuado com a realidade rural moçambicana, retratando a rapariga como prova do seu próprio destino. Nas fotos, podem-se ver raparigas a interpretarem um determinado papel, como a exaltarem o presente e o futuro que as espera. Geralmente, há ali um cenário pedagógico, a servir de mote para uma perspectiva de vida muito apoiada ao que a aprendizagem pode proporcionar.

Na abertura da exposição, o Director do Centro Cultural Franco-Moçambicano, Vincent Frontczyk, referiu que Viagem imaginária II é relevante porque, primeiro, é da autoria de uma fotógrafa mulher. Segundo, “estamos a celebrar o mês da mulher e a francofonia, o que vai acontecer durantes duas semanas”. E reforçou: “Claro, as fotografias são de uma alta qualidade”.

Para Vincent Frontczyk, a mostra fotográfica de Gosette Lubondo encaixa-se muito bem nas duas celebrações referenciadas, afinal, uma das ideias do Franco-Moçambicano sempre passa por criar pontes entre Moçambique e o que considera mundo francófono. Por isso mesmo, Gosette Lubondo irá visitar Moçambique no próximo mês.

Na sala de exposições do Franco-Moçambicano, estiveram algumas mulheres a visitar a mostra. Entre elas Denise Muianga: “Este conjunto de fotografias faz-me voltar à minha infância e traz-me aquela imaginação de que uma mulher é capaz de ser tudo e explorar todas as vertentes da vida. A mulher pode ser tudo o que quer”.

Do mesmo modo, Graça Magaia, um “pouco suspeita” por trabalhar no Franco, comentou que, se não soubesse, diria que as fotografias pertencem a um artista moçambicano. “São obras com cenários muito idênticos à periferia de Moçambique, lembra-me muito a minha terra natal: Marracuene”.

Na Cidade de Maputo, Viagem imaginária II acontece em parceria com o Musée du Quai Branly – Jacques Chirac, de Paris, França. No Franco-Moçambicano pode ser visitada entre 8 de Março e 9 de Abril.

 

 

Nos anos do “fumo branco”, os escritores elegiam o Secretário-Geral na sala nobre da AEMO. É um espaço exíguo, claramente, insuficiente para receber tantos membros que aderiram à Assembleia-Geral deste sábado. Prevendo o nível de adesão ao evento, os confrades reuniram-se no átrio, num espaço aberto, à sombra de algumas árvores, mesmo a condizer com as medidas de prevenção contra a COVID-19. O problema é que bem ao lado do local onde os escritores se sentaram para eleger o novo líder, havia uns baldes de piripiri à venda a 200 meticais. Houve até quem pensou em arrancar um “ramozinho” para lá ir semear em casa, ao invés de pagar por um produto que é mais balde do que piripiri. Se isso aconteceu, os olhos do jornalista não captaram, mas parece que a tensão do evento pode ter surgido daquela malagueta ou sacana bem picante.

Especulações à parte, o facto é que muitos dos que participaram na Assembleia-Geral deslocaram-se à sede da AEMO convencidos de que até por aí meio-dia a coisa da eleição estaria toda resolvida. Segundo disseram em off muitos confrades, duas horitas, no máximo, bastariam para arrumar a agenda, que, o resto do dia, podia ser aproveitado na afamada esplanada da AEMO. Erro de cálculo. Parece que os escritores apenas entendem de letras. De números, zero.

Primeiro, a sessão que devia ter iniciado às 10h, atrasou mais ou menos meia hora. Normal, pois há sempre qualquer coisa para acertar. No entanto, quando começou, nunca mais terminou. E lá foram uma, duas, três, quatro, cinco, seis, sete, oito horas de discussão acesa sem o já referido “fumo branco”. Das duas, uma: ou os escritores não gostam de fumo ou então nada aprenderam das lições do Vaticano, nome que não mais será mencionado neste texto.

O que importa mesmo reter é que naquele endereço localizado entre a Avenida 24 de Julho e Amílcar Cabral não houve, de longe, equilíbrio suficiente para a eleição do novo Secretário-Geral. Para quem viaja de chapa, imagine numa Assembleia-Geral estar um cobrador a discutir com um passageiro e este com o cobrador ou com um outro passageiro que pisou o seu sapato. No chapa, muitas vezes, essas discussões acabam sempre mal. Com uns filhos da p… para aqui ou vai à mer… para lá. E, por mais que uma pessoa sensata tente acudir, observa-se um efeito dominó e todos são apanhados numa bola de neve que rola, rola e rola até um certo precipício. Os escritores, no auge da sua intelectualidade, lamentavelmente, foi mais ou menos esse o quadro que pintaram. Esqueceram-se eles que de pintura entende o Ídasse, que ali esteve, igualmente, a acompanhar a pouca vergonha. O jornalista até pode ser criticado pela crónica/opinião. Mas foi mesmo isso o que aconteceu entre às 10h30 e às 18h30 deste sábado: pouca vergonha. Aliás, quando se propôs o adiamento da eleição por desentendimentos entre as listas de Carlos Paradona, candidato à sua própria sucessão, e a de Lucílio Manjate, Tomás Vieira Mário, com o jornalismo nas veias, advertiu: Será uma vergonha, amanhã, as manchetes dos jornais referirem que não fomos capazes de eleger um novo Secretário-Geral por questões de irregularidades/ não observância dos estatutos. Escrito de cor, foi isso que Vimaró disse. No entanto, ninguém capaz de devolver os homens da palavra à razão conseguiu reverter o cenário. Entre gritos, falas simultâneas, falta de respeito, tom azedo e etc., a Assembleia-Geral foi sempre um campo de batalha, qual ringue de boxe com vários Lucas Sinoias em potência. Uns tentavam dar um pronto K. O. aos outros. Os outros esquivavam-se como podiam e lá esticavam um pontapé bem improvisado. Esqueciam-se, eles, que no boxe não se usam os pés para atingir o adversário. Foi a luta das listas, como se disse em voz alta, entre os que mamam e não mamam nas tetas da AEMO.

Convidado a analisar a sessão para a Stv, Luís Cezerilo, membro efectivo da AEMO, que nas últimas eleições perdeu a disputa para Carlos Paradona, disse o seguinte: Acompanhei o processo eleitoral e devo dizer, com muita tristeza, é a primeira vez que assisto a uma circunstância desta, em que houve atropelo a todo calendário, não houve eleições, mas, sobretudo, pelos argumentos que não dignificam a classe dos escritores. Nós somos uma classe pensante, de intelectuais. O que nós hoje demonstramos nessa nossa não Assembleia-Geral, porque não houve Assembleia-Geral, foi exactamente o contrário daquilo que se espera de uma classe como esta: de escritores, de intelectuais e de pensadores.

O problema é que ao longo das décadas, nunca se observou a critérios jurídicos no processo eleitoral ou na admissão de novos membros. Quer dizer, os critérios de ordem legal, digamos assim, sempre estiveram elencados às vontades políticas daqueles que pretenderam liderar a AEMO. Nesta sábado, cada lista invocou a observância dos estatutos consoante os seus próprios interesses, como quem puxa a sardinha à sua brasa. E com stock de piripiri ali ao lado, uma sardinha vinha mesmo a calhar. Mas não houve sardinha para ninguém. Houve lapsos administrativos que se verificaram quando o secretariado apresentou a lista dos nomes dos recém-admitidos novos membros da AEMO. Depois desses mesmos membros terem votado pela aplicação da agenda da Assembleia-Geral, quando chegou o momento da votação levantaram-se várias vozes a defenderem que, uma vez novos, não podiam votar no Secretário-Geral. A lista de Carlos Paradona discordou. E o próprio escritor explicou: O que acontece é que há mais de três anos que a AEMO recebia candidaturas e não fazia admissão dos novos membros. Decidimos admitir e inscrever os membros que entregaram candidaturas há três anos. Quando foi convocada a Assembleia-Geral, foi divulgada o regulamento eleitoral que dizia que os membros admitidos há menos de um ano não teriam direito de voto. A candidatura oponente apresentou um recurso a dizer que era preciso que todos os membros, independentemente da sua data de admissão, tivessem direito a voto. Nesse sentido, houve a correcção do regulamento. Mas, nesta sessão, o que verificamos é que aqueles que queriam que assim fosse já não querem que os recém-admitidos votem.

Também por isso, segundo Paradona, era de se esperar que não houvesse votação, porque a lista oponente sempre pautou em declarações lesivas que atentam à honra e à dignidade de outras pessoas que compõem a minha lista de candidatura. A lista contrária sempre lutou para que o processo eleitoral passasse por cima dos estatutos da AEMO. Eu, como candidato à Secretário-Geral, e porque ainda sou Secretário-Geral em exercício, tenho por tarefa fazer cumprir com os estatutos da AEMO. Ou seja, é o secretariado o guardião dos estatutos.

A visão de Lucílio Manjate, com efeito, é deveras diferente da avançada pelo seu oponente. Segundo entende aquele candidato, durante o processo eleitoral, houve uma série de atropelos aos estatutos. Nós submetemos a nossa candidatura no dia 18 de Fevereiro, portanto no último dia. A lista do confrade Paradona submeteu a 21 de Fevereiro. Depois dessa irregularidade, apareceu um segundo regulamento que prorrogava a data de submissão de candidaturas até dia 23 de Fevereiro. Mas esse regulamento só foi conhecido no dia 21. Ou seja, depois deles terem submetido a sua própria candidatura. Portanto, não se entende como isto acontece, nem na ficção, apesar de sermos escritores.

E Lucílio Manjate não ficou por aí: Hoje, a primeira gralha foi a Mesa da Assembleia não saber quem faz parte da própria Mesa. Vimos aqui o Presidente da Mesa da Assembleia a perguntar quem são os outros membros da Mesa. Não se percebe como é que um órgão da AEMO não se conhece entre si.

E quanto aos 40 novos membros admitidos, o grande tema de debate? Deviam ter apresentado à Comissão eleitoral a acta da ratificação, pelo Conselho, destes 40 membros. Vimos o próprio Secretário-Geral cessante a dizer que essa acta não existe. Logo, eles não podiam votar. Nós devíamos ter prosseguido com a eleição sem os 40 membros que deram entrada no dia 3 de Março. Isto é, dois dias antes da eleição.

Depois de se ter ouvido palavras como arruaceiros, imbróglio, porcaria, quem és tu, e etc., a Mesa decidiu adiar a eleição do novo Secretário-Geral, contra a vontade da lista de Lucílio Manjate. Ainda numa tentativa quase desesperada de salvar a Assembleia-Geral, os escritores improvisam um encontro à porta fechada entre as duas listas concorrentes, de modo a resolverem o imbróglio, essa palavra difícil e que só os escritores sabem muito bem pronunciar. Durou mais ou menos 20 minutos. À saída, os rostos diziam tudo. Falta de consenso. Logo, a tensão, a animosidade e as bofetadas invisíveis adivinharam-se. Na verdade só faltou isso e ainda bem que não se chegou a tanto. Não há espaço para Sinoias na AEMO.

Paradona e Manjate mal se olhavam. E, quando o foco fugia deles, confrades como Luís Nhachote, Hosten Yassine, Shakil Aboobacar, Gilberto Matusse, Hélder Martins e Jorge Matine faziam-se ao microfone. Este último confrade, no fim, defendeu que a sessão devia ter sido um momento de recuperação da tradição das assembleias-gerais da AEMO, o que falhou. Muita gente não teve documentos importantes. As duas listas têm posições extremas e é preciso mais trabalho para que esses problemas sejam resolvidos.

Sem dramas, Suleiman Cassamo recusou-se a aceitar que os escritores moçambicanos estão em crise. Nas suas próprias palavras, serenas e ponderadass, afirmou: Não é propriamente um momento de crise, mas de crescimento da própria AEMO. Quando se discute e quando há um aprofundamento da análise dos próprios documentos que orientam a casa, isso significa crescimento. Há-de sair daqui algo mais renovado e funcional.

Sem muito a dizer, e já esgotado, o Presidente da Mesa, Filimone Meigos, concluiu que não haviam condições para votação. Por isso, até porque o Presidente da Comissão Eleitoral, Jorge de Oliveira, já tinha abandonado a Assembleia-Geral, Meigos interrompeu a sessão, que ainda não está terminada. Mas até isso não foi consensual. Portanto, terça-feira, uma equipa constituída por cinco pessoas, Armando Artur, Luís Cezerilo, Gilberto Matusse, Isa Manjate e Filimone Meigos, vai reunir-se para quebrar a maldição daquele piripiri malvado e, assim, encontrar alternativas para uma eleição menos tensa e mais transparente.

Salve-se quem puder é o título da nova telenovela brasileira que estreia na Stv, depois do Jornal da Noite. A produção traz uma história sobre a justiça num tom que dialoga com realidade moçambicana.

Na telenovela brasileira Salve-se quem puder, Alexia (Deborah Secco), Luna (Juliana Paiva) e Kyra (Vitória Strada) presenciam um assassinato do poderoso juiz Vitório e são obrigadas a fingir que estão mortas, aderindo, consequentemente, a um Programa de Protecção à Testemunha. De seguida, as personagens são enviadas a uma pequena cidade de São Paulo, mudando os nomes para Josimara, Fiona e Cleyde, respectivamente, sendo dadas como mortas para as proteger dos assassinos.

Quem deseja a morte das três jovens, na verdade, é a inescrupulosa Dominique, vilã, uma das líderes da facção envolvida num esquema de corrupção, e a tia de Renzo, que teve um tórrido romance com Alexia no México, embora viva um dilema ético por não compactuar com as ilegalidades da família.

Este, essencialmente, é o enredo de Salve-se quem puder, uma telenovela que estreou no Brasil em Janeiro de 2020. No entanto, porque a estreia aconteceu enquanto se gravavam novos episódios, quando a COVID-19 impôs-se naquele país, depois de exibidos 54 capítulos, saiu do ar. Os espectadores brasileiros, com efeito, voltaram a acompanhar as emoções de Salve-se quem puder, escrita por Daniel Ortiz, em Maio do ano passado. Agora, chegou a vez dos moçambicanos, telespectadores da STV.

Com a excelente actriz brasileira no elenco, Deborah Secco, a desempenhar o papel de Alexia, a telenovela brasileira apresenta um enredo intenso e cheio de emoção, igualmente, envolvendo momentos fortes de drama e humor.

A abordagem incisiva ao crime, à justiça, ao medo, à moral e à ética reflectem elementos que permitem a telenovela dialogar com a realidade social de Moçambique. Afinal, à imagem do universo da ficção, já se assassinou um juiz em Moçambique. Além disso, a corrupção é, igualmente, um tema muito presente, o que também não deixa de comunicar com os moçambicanos.

Com direcção de Marcelo Travesso, Salve-se quem puder é uma aventura sobre a verdade, em jeito de comédia. Por isso, o telespectador da STV deverá rir ate à exaustão.

Morreu, ontem, o músico moçambicano, Ozias Langa. Segundo informações avançadas pela família, o artista perdeu a vida vítima de doença.

É mais uma voz da música ligeira moçambicana que se cala. Ozias Langa foi-se e deixou a sua marca registada na cultura do país.

Com mais de 40 anos de carreira, foi compositor e intérprete. Nas suas composições destacava muito o valor das crianças no seio social. Popularizou-se na música ligeira com várias músicas, como “Mamana ni heketi” lançada nos anos 80.

Há quatro anos, Ozias Langa lançou a música “Va lhekelela”, que retrata a dura realidade por si vivida ao ser abandonado pela sua mulher, quando ficou doente.

Ozias Langa morre aos 64 anos de idade e deixa 19 filhos e 22 netos.

A obra de Ricardo Santos, Escutador de silêncios, foi lançada esta terça-feira, na Cidade de Maputo, sob a chancela da Alcance Editores.

Durante cinco anos, Ricardo Santos publicou textos no Facebook. Pois é, os poetas também postam nas redes sociais. E como postam… Como que sem saber muito bem o que os textos eram, algumas vezes ouviu os seguintes comentários de amigos e de pessoas próximas: “Ó, Ricardo, tu tens que publicar aqueles poemas em livro, que aquilo são coisas engraçadas”. Dando ouvido a essas vozes, o autor reuniu os textos publicados e, esta terça-feira, na Cidade de Maputo, foram lançados em livro, intitulado Escutador de silêncios.

Segundo Ricardo Santos, os poemas que compõem o livro constituem a sua maneira de ver o mundo. “Eu tenho uma visão que alguns consideram poética. Ou seja, é uma maneria poética de olhar o mundo, a vida e a realidade”.

Para escrever os poemas agora publicados em livro, Ricardo Santos precisou de escutar aqueles que, aparentemente, não têm voz, mas têm. “É preciso trazer essa voz cá para fora”, afirmou, quase ríspido, minutos antes da apresentação do livro ao público.

Durante a escrita dos textos poéticos, Ricardo Santos não procurou manter ou cuidar de um estilo poético claramente definido. Mas admite: “Naturalmente, eu sou herdeiro das minhas leituras. Portanto, de alguma forma, as minhas leituras estão presentes nos meus textos”. E parte dessas leituras são os textos de Craveirinha e Nogar – lá vamos.

Na cerimónia de lançamento de Escutador de silêncios, a tarefa de apresentador foi confiada ao escritor Léo Cote, para quem, em termos estruturais, o livro oscila entre o verso e a prosa poética. Quanto à componente temática, o livro é muito misturado. E Cote acrescenta: “A única coisa que é uma espécie de pano de fundo é que a representação social é frequente. A tendência prosaica dos textos são invariavelmente iguais em quase todos”.

Ainda no entendimento de Léo Cote, as características estilísticas fazem com que haja um fio que liga o primeiro ao último texto. “Este livro é cravado por uma espécie de lirismo, mas é um lirismo que, às vezes, é épico, outras vezes, mais intimista”. No intervalo entre uma e outra coisa, reforçou Léo Cote, há um cruzamento das vozes de José Craveirinha e de Rui Nogar – as tais leituras a que o poeta se referiu.

Escutador de silêncios foi lançado no Boske, Cidade de Maputo sob a chancela da Alcance Editores. De facto, numa cerimónia que houve um pouco de tudo: conversas, encontros, amigos, sorrisos, artistas, desabafos e gracejos. Claro, menos silêncios.

A editora e tradutora Sandra Tamele está a traduzir para a língua portuguesa a novela Miramar, do Prémio Nobel da Literatura Naguib Mahfouz. O livro será editado no país pela Trinta Zero Nove.

 

Entre 28 de Janeiro e 1 de Fevereiro, Sandra Tamele participou na 53a edição da Feira do Livro do Cairo, no Egipto. Além de visitar as Pirâmides de Gizé, a editora e tradutora tratou de livros, no programa profissional Cairo Calling, para editores, com vista a estabelecer pontes literárias entre o universo árabe e o resto do mundo afinal.

Como se diz na gíria popular, Sandra Tamele não voltou do Norte de África  com as mãos a abanar. Pelo contrário. No Egipto, conseguiu um contrato para traduzir para a língua portuguesa a novela Miramar, de Naguib Mahfouz. “Estou extremamente orgulhosa e, ao mesmo tempo, temerosa porque sou esta mulher pequena que tem nas mãos a tarefa de trazer esta importante obra para os moçambicanos”, confessou, esta segunda-feira, a tradutora.  

O exercício de tradução da obra do escritor egípcio, Prémio Nobel da Literatura em 1988, na verdade, já iniciou. Trata-se de um livro editado pela primeira em 1967, de um dos mais notáveis autores africanos, com cerca de 50 obras literárias publicadas, em 70 anos de percurso. Além de literatura, o escritor egípcio colaborou com o cinema, sempre marcando, como autor, várias gerações de escritores africanos, inclusive moçambicanos.

Considerando o perfil de Naguib Mahfouz, Sandra Tamele assumiu que “orgulhosa” e “realizada” são duas palavras que definem exactamente aquilo que está a sentir desde que conseguiu o contrato de tradução, embora esta não tenha sido a primeira vez a lidar com a obra de um Nobel da Literatura como tradutora. Há alguns anos, traduziu o livro A morte e o cavaleiro real, do escritor nigeriano Whole Soyinka, Prémio Nobel da Literatura em 1986, para a editora moçambicana Ethale Publishing. “Fui uma menina que descobriu o Whole Soyinka nas prateleiras do meu pai. Então, ver o meu nome associado ao Prémio Nobel da Literatura, nesta minha tradução que saiu pela Ethale Publishing, é uma honra”.

O convívio com os Nobel da Literatura pode ter começado com Soyinka, no entanto, a tradutora guarda lembranças e conversas simpáticas que tem mantido nas suas viagens por diferentes feiras do livro. Com outros Nobel da Literatura. Por exemplo, o escritor turco Orhan Pamuk e o mais recente Nobel da Literatura, o tanzaniano Abdulrazak Gurnah. Segundo disse esta segunda-feira, ambos entusiasmaram-se ao saber que era moçambicana. Será que aí vem mais traduções de obras literárias de autores premiados com o Nobel da Literatura? Sandra Tamele não se referiu a nada disso, mas o tempo, quem sabe, trará respostas. 

O Fundo Bibliográfico de Língua Portuguesa alocou, recentemente, livros e caixas de madeira para a conservação de obras literárias, designadas bibliotecas-caixa, às escolas primárias das três regiões do país.

O projecto que permitiu a alocação de bibliotecas-caixa, por parte do Fundo Bibliográfico de Língua Porugeusa, foi desenvolvido no âmbito de um memorando de entendimento com o Banco de Moçambique, com vista a dotar as escolas primárias moçambicanas de livros para leitura complementar. Em Moçambique, existem cerca de 17 mil escolas primárias; a maioria, porém, sem uma biblioteca, donde esta iniciativa para minorar esse défice.

Segundo a nota de imprensa do Fundo Bibliográfico, estando numa fase inicial, o projecto abrange escolas de três distritos, nomeadamente, região Norte: Namuno, Província de Cabo Delgado (EP1 e 2 de Cumone “A”, EP1 da Vitória, EP1 de Namiure, EP1 e 2 de Bem-vindo, EP2 de Namuno, EP1 e 2 de Napito, EP1 de Sanjane, EPC de Milipone, EPC de Namrapa e EPC de Nicane); região Centro: Angónia, Província de Tete (EPC Ulónguè, EPC 25 de Junho, EPC Unidade Ulónguè, EPC Massiria, EPC Chindeque, EP1 Maphiri, EPC Matewere, EP1 Nthawira, EP1 Campitu, EP1 Mitengo), cujas entregas foram efectuadas nos dias 22 e 23 de Fevereiro corrente; e região Sul: Chongoene, Província de Gaza (EPC de Chongoene, EPC de Nhoncoene, EPC Emília Daússe, EPC de Siaias, EPC de Nhampfuine, EP1 de Ngoanine, EP1 de Cumine, EPC de Maciene, EPC de Cumbene, EPC – por identificar). A entrega, nesta última região, terá lugar no dia 8 de Março próximo.

As Bibliotecas-Caixa são, como sugere o nome, constituídas por caixas de madeira, em forma de mala, contendo, cada uma, 45 livros de literatura infanto-juvenil e litertura moçambicana em geral. Estas Bibliotecas funcionarão num regime de rotatividade entre as escolas beneficiárias. Igualmente, estas escolas receberam/receberão um conjunto de livros composto por dicionários diversos, gramáticas e prontuários para uso permanente da escola.

O objectivo desta acção é garantir a disponibilidade do livro e incentivar o gosto pela leitura aos alunos, ainda no ensino primário.

Adicionalmente, este projecto apoia bibliotecas públicas em dotações bibliográficas, tendo já alocado 750 livros de temática diversa, designadamente, literatura infanto-juvenil, literatura moçambicana, legislação, nutrição, ciências sociais e naturais, culinária, entre outras, a três instituições: região Norte – Biblioteca Pública Provincial de Niassa; região Centro – Biblioteca Pública Provincial de Sofala; e região Sul – Biblioteca Pública Distrital de Massingir, Província de Gaza. O projecto continuará escalando outros distritos

 

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