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O País – A verdade como notícia

Menos de 20% das entidades artísticas em Moçambique pagam a taxa de rodagem para que os seus vídeos possam passar nas televisões. O regulamento que obriga ao pagamento da taxa gera discórdia e o Governo quer rever.

 

A ministra da Cultura e Turismo reuniu-se, esta quarta-feira, com diferentes produtores de artes para debater os problemas que afligem as artes e cultura em Moçambique. No local, Eldevina Materula deu a entender que a maior parte dos produtores de artes ainda não paga a contestada taxa de rodagem.

A governante explicou que, nos últimos seis meses, apenas 16 entidades artísticas pagaram a taxa de rodagem de vídeos, o que equivale a 18% do universo de entidades que deviam pagar as taxas neste momento.

Por outro lado, a ministra da Cultura e Turismo avançou que tanto o regulamento que versa sobre a obrigatoriedade de pagamento de taxa de rodagem assim como outras normas que regulam o funcionamento das indústrias culturais e criativas em Moçambique serão revistos. Para já, o regulamento da indústria de audiovisual e cinema vai para o Conselho Técnico do Ministério da Cultura e Turismo para depois ser analisado pelo Conselho Consultivo do mesmo órgão para depois ser socializado na comunidade artística, antes de o Conselho de Ministros aprovar o documento. “Tenham calma e paciência. O nosso Ministério não está para prejudicar os fazedores de artes”, apelou Materula.

Os produtores de artes concordam com a ideia de rever o regulamento que versa sobre as taxas de rodagem. Mickey Fonseca, realizador e produtor de filmes, disse que há entidades que devem continuar a pagar a taxa de rodagem, sobretudo porque fazem um trabalho remunerado, mas questiona até que ponto jovens criativos que filmam com os seus telemóveis devem pagar taxa de rodagem para os seus conteúdos passarem nas televisões.

Por seu turno, o músico Roberto Isaías reconheceu que há uma abertura por parte do Governo para discutir os assuntos relacionados aos produtores de artes, tendo acrescentado que a ministra da Cultura e Turismo é também artista, sendo que as decisões por si tomadas vão repercutir no momento que não será mais governante e esta não teria a intenção de se prejudicar.

No geral, os produtores de artes questionam o benefício de pagamento da taxa de rodagem dos seus vídeos, na medida em que após cumprirem esta obrigação não há uma contrapartida. Neste momento, os produtores de artes, em particular da música, devem pagar em média oito mil Meticais, por ano, ao Instituto Nacional das Indústrias Culturais e Criativas (INICC) para que os vídeos possam passar nas televisões.

 

 

 

O Município da Matola realiza a primeira edição do “Matola Gospel Festival”. O evento de manifestação da cultura religiosa terá lugar no dia 15 deste mês Abril, às 16h, na Cidadela da Matola.

Segundo uma nota de imprensa, trata-se de um festival que serve de montra para que os artistas possam exibir os seus trabalhos. Portanto, anualmente, terão este espaço como pretexto para mostrar a sua evolução em termos artísticos.

“Matola Gospel Festival” propõe ainda uma ponte para os novos talentos do universo gospel. Para além de ser uma vitrine de revelação de novas vozes, o evento é um canal para a manifestação cultural religiosa através do gospel.
Sendo um estilo de música evangélica, tal como o nome sugere, o conteúdo deste evento cinge-se unicamente sobre Deus, com a ideia de ajudar a sociedade para que tenha valores que ultimamente tem escasseado, a exemplo da compaixão, amor ao próximo e misericórdia.

Na edição inaugural, o evento traz o melhor do gospel nacional e da África do Sul, com as vozes dos moçambicanos Mandjely Nhatelo, Princess Sophie, Pedro Sive, Alberto Gune, Coral Tchatchus, Lázaro Sampaio, Mais Bênçãos, Edu, Alfa Thulana, Coral Rejoice, entre outros, e com a participação especial dos artistas sul-africanos Rebecca Malope e Gospel Silinda. Estes são os artistas que a produção optou para esta primeira edição, por serem executores do estilo gospel e por cantarem músicas que honram a Deus, para além de granjearem boa reputação.

Para falar sobre o evento, o Município da Matola concede uma conferência de imprensa no seu auditório esta quinta-feira, 6 de Abril, às 9h, na Cidade da Matola.

 

 

 

O Museu Mafalala recebe, no dia 29 deste mês, o segundo concerto do projecto Running From the Urb. Trata-se de uma iniciativa de exaltação da periferia e seus ícones, bem como de reinvenção da memória colectiva e reivindicação de espaços marginalizados, através da música, da fotografia, vídeo e outras formas de expressão.

Na sua segunda edição, o Running From the Urb é co-produzido pelo Museu Mafalala, MAC – Creative Lines e traz para a ribalta os D.R.P (Dark Room Produtions), conjunto sobejamente conhecido pelo ritmo, arte e poesia que reproduz narrativas marcantes do dia-a-dia da cidade de Maputo, com especial enfoque para a juventude.

O concerto quer cruzar diferentes perspectivas e interpretações dos diversos elementos constitutivos e identitários da Mafalala, por extensão da periferia (Chamanculo, Xipamanine, Minkadjuíne e Mavalane) numa busca que se pretende profunda e constante do passado, ao mesmo tempo em que se abre uma janela para o futuro dos becos, da madeira e zinco e outros traços dos históricos bairros da urbe. Reclamando, também, para si o direito à cidade.

É objectivo do espectáculo revisitar figuras icónicas da periferia exaltar a renaissance suburbana de Maputo, instigando a discussão em torno do seu papel e influência na edificação da consciência colectiva, face aos eventos de sua época.

 

O professor defende que é preciso dinamizar o espaço da cultura nos órgãos de comunicação social. O académico falava, esta segunda-feira, num encontro entre universitários para discutir uma possível existência de uma escola de crítica literária no país.

Francisco Noa juntou-se a outros académicos, docentes, escritores e estudantes, na Cidade de Maputo, para discutir a possibilidade da existência de uma escola de crítica literária no país.

No encontro, Francisco Noa afirmou que a crítica literária entrou em colapso: “A crítica jornalística é que está em crise, porque, se formos a ver, na própria história da literatura moçambicana e das outras literaturas, os escritores afirmavam-se e iniciavam no jornal e na revista. Era onde se fazia todo o trabalho de legitimação e de divulgação e perdemos esse espaço”.

O académico defende que esses espaços nos órgãos de comunicação social são fundamentais, pois as obras da arte só vivem se tiverem públicos especializados a falarem sobre elas.

Para Francisco Noa, mesmo antes da existência de uma escola, falta crítica literária dos que deviam fazê-la. “Literatura sem crítica é como se fosse uma literatura sem uma especialização e isso não ajuda. O que eu sinto é que nós somos muito atomísticos, no sentido de que somos muitos dispersos. Não há uma enorme consistência na forma como nos organizamos”, acrescentou.

O ensaísta diz ainda que, para a existência de uma escola de crítica literária, deve haver organização entre os fazedores da arte, o que não há. “Deve haver uma organização por detrás disso tudo, para que exista, de facto, uma escola. Essa escola não precisa de ser necessariamente um prédio, um edifício; tem a ver com a concentração daquilo que é o conceito das pessoas sobre a literatura, que conceitos as pessoas têm sobre a sociedade e sobre o livro e elas comungam esse mesmo conceito e depois entra numa produção que está alinhada com esse conceito que as pessoas têm sobre a literatura”, defendeu Noa.

O poeta Eduardo QUive vai lançar, esta terça-feira, a partir das 17 horas, no Camões – Centro Cultural Português em Maputo, a sua mais recente proposta literária, “Para onde foram os vivos”. Trata-se de “um livro que encara os males do nosso tempo, no olhar sensível do poeta que não se conforma com o estado das coisas. Uma crónica fingida de poema sobre tempos, lugares, memória e saudade, amor e espanto”, lê-se na nota de imprensa.

“Para onde foram os vivos” é, segundo a mesma nota, “o retrato do mundo em decadência, estilhaçado, as cidades em ruínas com o silêncio ensurdecedor das almas que ainda habitam o lugar com a esperança no exercício do amor. A quem amaremos quando estamos sós, isolados num lugar de silêncios e ausências, retratos de egoísmo, violência e tensões que levam que o mundo como o conhecemos se desfaça sob o nosso olhar indiferente? Uma outra imagem das grandes cidades repletas de gente, ostentando o seu mais elevado amor material, mas ausentes em afectos. Nesta obra, a cidade e o corpo se confundem. Assim como o amor e o ódio se fundem para gerar tensões e violências”.

A nota de imprensa avança ainda que o poeta se lança com o único amor que lhe resta, para esses corpos, ora vivos, mas ausentes, apátridas, levados para lugar nenhum com sentimentos ambíguos, ora à procura de algum lugar seguro, ora à procura de melhores condições de vida. O poeta usa esses corpos, ausentes, para espelhar a sua saudade, a dor da ausência, uma dor física e espiritual, encontrando no seu amor as palavras para descrevê-lo, como quem chora ou canta, mas nunca encantado, antes impressionado com a capacidade de autodestruição dos vivos que matam para salvar vidas. É a imagem desértica do amor. É o corpo na sua própria ausência. É a vida em escombros da própria vida.

O poeta Eduardo Quive nasceu em Maputo, a 08 de Junho de 1991. É escritor, jornalista, produtor e programador cultural. Como jornalista foi editor dos semanários Dossiers & Factos e Debate – jornal de artes e cultura e ainda passou pela televisão como produtor de conteúdos e apresentador. Actualmente, é editor da Literatas – revista de artes e letras, e mantém colaborações com imprensa em Moçambique e no estrangeiro. É produtor e programador de festivais de arte e literatura e orienta oficinas de escrita criativa. Membro fundador do Movimento Literário Kuphaluxa e cofundador de Catalogus – portal de autores moçambicanos. A sua poesia está publicada em antologias em Moçambique, Brasil e Itália. É autor do livro “Lágrimas da Vida Sorrisos da Morte” (Literatas, 2012); Co-autor do livro Brasil & África-Laços Poéticos (Editora Letras, 2014); coorganizador das colectâneas “Contos e crónicas para ler em casa vol. I e vol. II” (Literatas, 2020); coorganizador do livro “O Abismo aos pés – 25 escritores lusófonos respondem sobre a iminência do fim do mundo” (Literatas, 2020).

“Para onde foram os vivos” foi editado pela Alcance Editores, e será apresentado pela professora universitária Teresa Manjate.

 

 

A actriz e actual directora Executiva da X-Hub – Incubadora de Negócios Criativos, Júlia Novela, vai assumir o cargo de Directora-Geral do Festival AZGO.

Segundo uma nota de imprensa, a indicação de Júlia Novela tem por objectivo imprimir maior dinamismo e inovação ao festival, bem como captar novas perspectivas para a marca AZGO. “Aliás, a presente nomeação surge em resposta ao desafio do crescimento do festival ao longo das dez edições, precisando por isso, de uma estrutura de direcção capaz de manter a relevância e pujança do Festival AZGO”.

Júlia Novela tem o desafio de continuar um legado iniciado pela direcção máxima da Khuzula, empresa produtora do festival, e liderar uma vasta equipe que durante 12 meses constrói o evento. Outrossim, vai assistir de forma directa o director-geral da Khuzula e fundador do Festival, Paulo Chibanga, em todos aspectos ligados à gestão e organização do festival e das iniciativas paralelas. “É um grande desafio assumir a direcção de uma marca tão relevante e impactante como o Festival AZGO. Conto com a colaboração de todas equipes do festival que melhor conhecem o projecto nas suas variadas formas. Espero dar o meu contributo para o crescimento da marca, e sobretudo, para todo ecossistema cultural do nosso país”, disse Júlia Novela.

A Directora-Geral do Festival AZGO é formada em Gestão Cultural pelo Instituto Superior de Artes e Cultura (ISARC). Iniciou-se nas artes como bailarina na Casa da Cultura do Alto–Maé, e depois integrou a Associação Cultural Girassol como actriz. Para além dos palcos, Júlia Novela, actuou no cinema, ganhando relevância na história da ficção nacional.  Foi programadora e produtora cultural do Centro Cultural Franco Moçambicano. “Actualmente, exerce o cargo de Directora-Executiva da X-Hub, a primeira e maior incubadora de negócios culturais e criativos na África Lusófona”, lê-se na nota.

A 10ª edição do Festival AZGO terá lugar nos dias nos dias 19, 20 e 21 de Maio, com diversas propostas e exploração de diversos espaços. No evento, Elvira Viegas, uma das mais notáveis vozes da música ligeira moçambicana, estreia-se no Festival AZGO. A autora de “Lirere”, “Xikala Vito”, “Grito de Criança”, entre outros clássicos, está escalada para o principal evento do festival, dia 20 de Maio, no Campus da Universidade Eduardo Mondlane.

Elvira Viegas junta-se a outros artistas e personalidades da área criativa em Moçambique que dão voz e rosto pelo evento que regressa três anos depois.

No palco do AZGO, Elvira Viegas vai preencher o programa reservado aos ícones da música popular moçambicana. Este espaço é já uma tradição do festival e tem por objectivo contribuir para a valorização e divulgação da história da música nacional e dos seus protagonistas. “O Festival AZGO sente-se honrado por receber uma voz que marcou diversas gerações de artistas e de públicos em Moçambique e não só. Temos certeza que Elvira Viegas vai colorir o AZGO com carisma e pujança”, diz Júlia Novela, a directora do Festival AZGO.

Elvira Viegas nasceu no emblemático Bairro da Mafalala, nos anos 50, muito cedo começou a cantar por influência da mãe que na altura era regente do canto coral.

Elvira faz parte de uma geração de artistas que se entregou de forma voluntária para construir um sentido de cidadania e orgulho de pertencer a um país.

Em 2022, lançou o álbum “Ora Chegou”, que segundo as suas próprias palavras representa maturidade, crescimento e contínuo aprendizado.

 

A 3 de Março iniciaram as aulas de música (online) leccionadas pelos professores do Conservatório Agostino Steffani, de Castelfranco Veneto, Itália, no âmbito da convenção de colaboração entre as duas instituições. Esta implementação, segundo a Fundação MUSIARTE – Conservatório de Música e Arte Dramática é fruto de um protocolo assinado a 14 de Outubro de 2022.

A celebração da convenção tem como pontos fundamentais a colaboração nos seguintes pontos:

partilha de programas curriculares de nível pré-académico; leccionamento aos alunos da MUSIARTE numa base semanal; preparação de alunos de nível pré-académico para ingresso ao nível superior do sistema de ensino musical na Itália; preparação de alunos que pretendem realizar mobilidade Erasmus+, projectos KA 171, com fundos do Conservatório Steffani, que decorrem há seis anos; colaboração e troca de experiência entre os professores moçambicanos e italianos; avaliação e certificação dos conhecimentos dos alunos da MUSIARTE do curso de nível pré-académico para o ingresso no nível superior; e utilização do logótipo do Conservatório Stefani a ser publicado nas diferentes ferramentas de comunicação dedicadas à MUSIARTE, como instituição convencionada.

Através do acordo, o Conservatório MUSIARTE pretende tornar-se uma referência nacional e regional na formação dos futuros alunos que pretendam realizar os seus estudos académicos superiores de música, no Conservatório Agostino Steffani e/ou em outras instituições de ensino superior a nível internacional. “Convidamos e encorajamos aos alunos das instituições parceiras da MUSIARTE no programa Erasmus+, do Conservatório Agostino Stefani, nomeadamente, a Universidade Eduardo Mondlane e a Universidade Pedagógica de Maputo, a frequentarem os cursos de instrumento musical, harmonia e outras disciplinas no Conservatório MUSIARTE para que possam beneficiar deste acordo”, lê-se na nota da Fundação MUSIARTE – Conservatório de Música e Arte Dramática.

A Fundação MUSIARTE – Conservatório de Música e Arte Dramátic, é uma instituição sem fins lucrativos, que tem como missão fornecer a mais alta qualidade em educação artística musical e geral, para crianças, jovens e adultos, proporcionando-os oportunidade de carreira e vivência musical que contribua para o seu desenvolvimento humano.

Fundado em 2013, pelas cantoras líricas moçambicanas Stella Mendonça e Sónia Mocumbi, o Conservatório de Música e Arte Dramática MUSIARTE, único no seu género em Moçambique, tornou-se referência na área da educação musical, oferecendo programas de educação artística à comunidade e actuando como defensor das artes na sociedade, através da sua promoção e criação de ligações culturais entre diferentes povos.

 

Paulina Chiziane e Jimmy Dludlu foram distinguidos na primeira edição do Prémio das Indústrias Culturais e Criativas. A sessão de gala decorreu esta quinta-feira, na Cidade Maputo.

Pela primeira vez, o Prémio das Indústrias Culturais e Criativas distinguiu artistas nacionais.

Num evento organizado pelo Ministério da Cultura e Turismo, Jimmy Dludlu subiu ao palco para ser distinguido na categoria Música.

Depois de levar a melhor, o guitarrista reconhecido com vários prémios internacionais foi um homem de poucas palavras.

“É pela primeira vez que eu recebo um prémio aqui, em Moçambique. É uma honra. Agradeço a Deus e a todos os que sempre me apoiaram”, disse Jimmy Dludlu.

E as surpresas foram tantas na primeira edição do Prémio das Indústrias Culturais e Criativas. O prémio carreira, por exemplo, foi para a escritora Paulina Chiziane.

Na categoria de Artes Plásticas, Manuel Bata foi o grande distinguido. Questionado sobre o seu sentimento após receber a homenagem, o artista não se mostrou surpreendido.

“Para mim não é surpresa; este é o meu décimo primeiro prémio aqui, em Moçambique. Estou satisfeito e vou continuar a trabalhar para continuar a colher mais frutos”, afirmou Manuel Bata.

Já na categoria Teatro, o júri premiou a dupla Lúcio Chiteve e Calene. “Eu digo, finalmente, considerando que já há muito que estávamos à espera de um evento como este”.

A primeira edição do Prémio Indústrias Culturais e Criativas foi dirigida pelo Primeiro-ministro, Adriano Maleiane, que apelou aos artistas para trabalharem mais.

A Ministra da Cultura e Turismo, Eldevina Materula, disse que a premiação constitui o regresso da união entre os artistas.

Os vencedores das outras categorias do Prémio das Indústrias Culturais e Criativas foram Nivaldo Thierry, na Moda; Mélio Tinga, no Designer; Editorial Fundza, na Literatura; Dans’artes, na Dança; e Mahla Filmes, no Cinema.

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