Skip to main content

O País – A verdade como notícia

Criada nova plataforma online de cinema e audiovisual PALOP+TL

A nova plataforma online da Rede de Cinema e Audiovisual PALOP+TL representa “um marco” para Moçambique e para os países que integram a Rede, podendo contribuir para a afirmação do sector cinematográfico e para a definição de políticas públicas baseadas em dados, afirmou a Secretária de Estado das Artes e Cultura, Matilde Muocha.

Para a governante, a plataforma é “mais um passo na afirmação do sector audiovisual e cinematográfico nacional”, disse Matilde Muocha, no último sábado, durante a apresentação da ferramenta, no Centro Cultural Franco-Moçambicano (CCFM), em Maputo.

A governante, que falou em representação do Ministério da Educação e Cultura, destacou a importância do mapeamento de profissionais e empresas do audiovisual, defendendo que a recolha de informação permitirá ao Governo conhecer melhor a realidade do sector e definir políticas ajustadas às suas necessidades.

“Vamos poder desenhar políticas que estão baseadas na realidade”, afirmou, acrescentando que os dados recolhidos deverão fornecer “pistas e directrizes” para o desenvolvimento do cinema moçambicano.

Matilde Muocha disse ainda que o Governo está empenhado na dinamização das indústrias culturais e criativas, com especial atenção para o cinema, e anunciou a reestruturação do Fundo de Apoio à Actividade Cultural (FUNDAC), bem como a revisão do código do imposto de consumo específico sobre bebidas alcoólicas e tabaco, com vista à canalização de receitas para o sector cultural.

“A cultura não é um sector de acção fraca. É um sector de investimento”, afirmou, defendendo a necessidade de reforçar o investimento público.

A plataforma prevê igualmente a criação de uma Agência de Curtas-Metragens e o desenvolvimento de um estudo sobre a implementação de Film Commissions nos países abrangidos pela Rede, explicou a coordenadora do projecto, Diana Manhiça. A agência deverá promover a distribuição internacional de curtas-metragens através da criação de pacotes de curadoria destinados a festivais, televisões e centros culturais, universidades e escolas, procurando também gerar receitas através dos direitos de exibição.

O estudo sobre Film Commissions vai analisar modelos internacionais e avaliar quais poderão ser adaptados aos países da Rede. Em Moçambique, será preparada uma proposta de estudo de caso para Inhambane.

A Secretária de Estado defendeu que estas estruturas podem contribuir para atrair investimento, fomentar o turismo e transformar o audiovisual num sector relevante para o desenvolvimento económico, revelando que o Governo trabalha com o Ministério da Economia e Turismo na definição de zonas francas de produção cinematográfica, com incentivos e menor burocracia.

A realizadora cabo-verdiana Samira Vera-Cruz, membro fundadora da Rede de Cinema e Audiovisual PALOP-TL, sublinhou o impacto da plataforma para a circulação de obras na região. “Uma das coisas que constatámos foi que há muitos filmes feitos nos nossos países que acabam por não circular. Ficam na gaveta. Esta plataforma vai servir precisamente para difundir o que é feito na nossa região”, afirmou. “O futuro é cada vez mais coletivo, tanto em termos de financiamentos como de projetos”.

José Manuel Amaral Lopes, director do Camões – Centro Cultural Português em Maputo, classificou a ferramenta como um “instrumento essencial” para facilitar as coproduções e a circulação internacional de obras. “Esta plataforma, ao coligir toda essa informação, vai ajudar os interessados a ter informação rápida e precisa”, afirmou, sublinhando que a iniciativa alinha-se com os objectivos da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) e da cooperação portuguesa, para quem “a cultura é o sector mais duradouro e mais sólido”.

Matthieu Gardon-Mollard, coordenador do Cultiv’Arte, financiado pela União Europeia, afirmou que o projecto acompanha “um movimento de profissionalização, regionalização e de abertura para novos mercados”. “Sabemos que é estruturando este sistema que haverá melhores parcerias e mais dinâmica para promover o cinema dos países PALOP”.

José-Maria Queirós, director do Centro Cultural Franco-Moçambicano, destacou a importância de o CCFM acolher o lançamento da plataforma, sublinhando o papel da instituição como espaço de encontro e promoção das artes e da cultura em Moçambique.

A plataforma resulta do mapeamento do sector audiovisual nos PALOP e Timor-Leste e, em Moçambique, já reúne mais de 400 profissionais e empresas registados, número que poderá aproximar-se dos 700 registos nos próximos meses.

O projecto conta com financiamento do Camões, I.P., através do PROCERIS, e apoio adicional do Cultiv’Arte, financiado pela União Europeia e implementado pela Expertise France, em parceria com o Ministério da Educação e Cultura (MEC). 

Partilhe

RELACIONADAS

+ LIDAS

Siga nos