O insólito em a Saga d’Ouro de Auré–lio Furdela
Na obra a Saga d ??'Ouro, a voz do narrador omnisciente nos dá a conhecer a história do reinado de Gatsi rucere à decadência do império Mwenemutapa. Portando, do universo diegético apresentado, chamou-nos mais atenção a presença de realidades surpreendentes e estranhas, realidades legítimas para demonstrar elementos que concorrem para construção de fenómenos […]
A aparência deficiente
Já que estamos no ‘Black History Month’ aqui no Reino Unido, deixem-me contar-vos o que me sucedeu na semana passada. Conforme sabem, sou consultora freelancer – trabalho em vários escritórios de advogados, um de cada vez. Convém-me muito que assim seja. Mas como devem imaginar, existem períodos em que não tenho projectos. Embora nunca seja […]
XICANDARINHA DA ALMA!
Para além de ti no perfil duplo da tua cabeça quero que cante um pássaro até romper a manhã. Fernando Leite Couto, in POEMAS JUNTO À FRONTEIRA, 1959 Ao Mestre Calane da Silva! Quando fui convidado para apresentar a mensagem de homenagem ao escritor, poeta, jornalista, declamador, professor universitário, Mestre e amigo Raul Alves […]
Nós, os da cidade, temos muita pressa
O caminho é para Tete, para o planalto do Songo. O autocarro, com sinais de amolgamento na varanda das rodas esquerdas, tem preguiça de abandonar a planície da Beira. Demora-se mais de uma hora a recolher os seus ocupantes à porta das respectivas casas. A casa do último ocupante, imitando a vida de muitas pessoas […]
Recintos desportivos são…“mbobobo”!
Começo por dizer que “mbobobo”, numa explicação não muito rigorosa no ronga, aponta para: leilão, saldo, facilidades! Pois é o que está a acontecer com o mais importante para o desenvolvimento do futebol nacional: a privilegiação dos campos de futebol, para actividades não desportivas, desde que elas permitam, no imediato, receitas. Exemplos: o Estádio do […]
Eleições fraudulentas, ou simplesmente as possíveis
Sobre eleições em Moçambique, creio que nenhum acto equiparável a um simples estalar de dedos fará com que sejam transparentes, livres e justas. Por mera questão de lotaria da vida, quando os moçambicanos foram chamados pela primeira vez às urnas, em 1994, estava eu em idade de votar, e por engajamento cívico listei-me como Membro […]
Amanheceu e o meu coração não aqueceu mais
Hoje eu prometi para mim mesma que me ias ouvir. O tempo engoliu tantos dias e eu continuo presa ao mesmo instante. Envergonho-me de tudo isto, ainda não reaprendi a viver. Às vezes fico lúcida e abro os olhos. Este estado nunca deixou de me visitar. Sim, eu aceito e depois me arrependo. Não sei […]
Vendedores de liberdades
O senhor Namagulia Murara saiu quando a aurora era ainda uma utopia inimaginável. Nem a Paciência, sua esposa que se mantinha entre os lençóis encardidos, no velho colchão de molas, sentiu os passos lentos que o seu marido coreografava para não deixar quaisquer desconfianças naquele minúsculos e reles quarto, onde o seu doce, como tratava […]
DAS ELEIÇÕES AO OLHAR UNIDIMENSIONAL DE JOSEPH HANLON
Moçambique vive um momento de grande disputa política e torna-se por essa via um campo fértil ao debate, com análises do processo eleitoral marcadas por olhares abertos de diversos ângulos. Dessas análises, atraiu a minha atenção à do investigador Joseph Hanlon. Fazendo fé ao que pude ler publicado na imprensa, sobre a sua visão do […]
Ainda estamos em desgraça
Só com uma pinça consegues destrinçar as vozes que te falam por cima de nuvens famintas. O mundo não é todo ele tristonho, mas esta é mais uma voz que me rouba a serenidade. São milhares que durante o dia me torturam de boca para dentro e ao anoitecer me tomam a língua, os olhos, […]