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Cartoze mil raparigas vão receber 100 mil meticais para iniciar negócios com apoio do Banco Mundial

Cerca de 14 mil raparigas moçambicanas vão beneficiar de 100 mil meticais cada, a fundo perdido, para iniciar negócios, no âmbito de uma iniciativa de empoderamento económico apoiada pelo Banco Mundial, anunciou o Presidente da República, na abertura da VIII Conferência Nacional sobre Mulher e Género.

O Chefe do Estado explicou que a medida está inserida nos esforços do Governo para promover a autonomia económica das mulheres e raparigas, através do acesso ao financiamento, formação profissional, empreendedorismo, tecnologia, mercados e cadeias de valor.

Segundo o Presidente, o programa já alcançou 72 mil jovens a nível nacional, das quais cerca de 56 mil são mulheres, correspondendo a aproximadamente 70 por cento dos beneficiários. As jovens serão capacitadas em matérias de empreendedorismo e, depois da formação, receberão 100 mil meticais sem necessidade de reembolso, para iniciarem os seus próprios negócios.

“Cada rapariga vai receber 100 mil meticais sem necessidade de reembolso para começar com o negócio”, afirmou o Presidente, sublinhando que a iniciativa pretende contribuir para o empoderamento económico da mulher moçambicana.

O financiamento surge num contexto em que o Governo definiu como uma das prioridades da agenda nacional para mulheres e raparigas até 2030 a liberdade da pobreza, associada à meta de zero violência.

Para o Presidente, as duas prioridades estão directamente relacionadas, uma vez que a dependência económica pode limitar a capacidade das mulheres de abandonar ambientes de violência e de tomar decisões sobre a sua própria vida.

Durante a sua intervenção, o Chefe do Estado defendeu que empoderar economicamente a mulher significa aumentar o seu rendimento e a sua capacidade de decisão, tanto no seio da família como na comunidade.

“Empoderar a mulher significa aumentar o seu rendimento, significa aumentar a sua liberdade, permitir-lhe decidir sobre os recursos que produz”, afirmou.

Investimento na mulher para combater a pobreza

O Presidente destacou igualmente a importância de programas governamentais destinados à inclusão financeira e ao apoio ao empreendedorismo feminino, entre os quais o Pro Mulher, o Meu KIT, Meu Emprego, o Fundo de Apoio às Iniciativas Juvenis e o Fundo de Desenvolvimento Económico Local.

Na sua perspectiva, os pequenos apoios podem produzir grandes transformações na vida das famílias, sobretudo quando colocados nas mãos de mulheres com capacidade de gestão e iniciativa.

Como exemplo, contou a história de uma mulher de Xai-Xai que, depois da morte do marido, em 2013, ficou apenas com 200 meticais. Com esse valor, começou a comprar pão para revender e, posteriormente, passou a produzir bolos e outros alimentos para comercialização.

Com o crescimento do pequeno negócio, conseguiu sustentar e formar os seus três filhos, sendo que uma tornou-se médica, outro advogado e a terceira encontra-se a frequentar um curso de Economia em Maputo.

“Investir na mulher moçambicana é verdadeiramente investir no crescimento e desenvolvimento da economia moçambicana”, defendeu.

Plataforma nacional para mulheres

Na conferência, o Presidente apelou ainda à criação do Capítulo Nacional de Moçambique da iniciativa da União Africana para a Inclusão Financeira e Económica das Mulheres e Jovens — Wi-Fi 2030.

A iniciativa deverá, segundo explicou, contribuir para mobilizar financiamento, criar oportunidades, partilhar conhecimento e aproximar instituições, eliminando barreiras que dificultam a participação plena das mulheres e jovens na economia.

O Chefe do Estado propôs igualmente a criação de uma rede global para a justiça social, violência zero e liberdade da pobreza para raparigas e mulheres, com o objectivo de reforçar a cooperação, mobilizar parcerias e transformar compromissos internacionais em resultados concretos nos países.

“Violência zero” como causa nacional

A par do empoderamento económico, a eliminação da violência baseada no género esteve entre as principais mensagens da intervenção presidencial.

O Presidente apelou aos homens para assumirem um papel activo na mudança de comportamentos, rejeitando a violência baseada no género e a violência doméstica, e defendendo a educação dos filhos com base no respeito e na igualdade.

“Façamos da violência zero uma causa nacional”, apelou, defendendo que a igualdade de género é uma responsabilidade de toda a sociedade.

A VIII Conferência Nacional sobre Mulher e Género decorre sob o lema “Unir para Agir, Empoderar Mulheres e Eliminar a Violência Baseada no Género”, reunindo representantes do Governo, sector privado, sociedade civil, academia, organizações não-governamentais, comunidades e parceiros de cooperação.

Na abertura, o Presidente defendeu que a conferência deve produzir compromissos concretos, com responsáveis identificados, resultados esperados, prazos e mecanismos de acompanhamento, para que o encontro não seja apenas mais uma conferência, mas um marco na transformação da condição da mulher moçambicana.

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