O Uganda suspendeu, com efeito imediato, toda a cooperação militar e de defesa com a Turquia, na sequência de divergências entre os dois países relacionadas com a situação do blogueiro político Fred Lumbuye, crítico do Presidente ugandês, Yoweri Museveni.
Decisão surge após pressão de Ancara para extradição de blogueiro crítico do Presidente Yoweri Museveni.
O anúncio foi feito, no sábado, pelo porta-voz das Forças de Defesa Popular do Uganda (UPDF), Chris Magezi, que justificou a medida com a existência de questões pendentes de defesa mútua e cooperação militar entre os dois países.
A decisão surge depois de autoridades turcas terem pressionado Kampala para entregar Fred Lumbuye, que enfrenta 15 acusações criminais, incluindo incitação à violência, disseminação de informações falsas e uso indevido de computador.
O chefe do Exército ugandês, Muhoozi Kainerugaba, filho de Museveni e apontado como provável sucessor do Presidente, tem mantido divergências com as autoridades turcas em torno dos esforços para extraditar o blogueiro.
Na sexta-feira, milhares de ugandeses ligados à Liga Patriótica do Uganda, um grupo de pressão cívica e política associado a Kainerugaba, manifestaram-se em frente à Embaixada da Turquia, em Kampala.
Num comunicado, Chris Magezi afirmou que a suspensão da cooperação permanecerá em vigor até que sejam resolvidas as questões pendentes entre os dois países, sem, contudo, avançar mais detalhes.
COOPERAÇÃO DE QUASE UMA DÉCADA
Uganda e Turquia mantêm relações de cooperação na área da defesa há quase uma década. A parceria inclui formação militar, fornecimento de armamento e equipamentos de vigilância, transferência de tecnologia e cooperação no combate ao terrorismo e em matéria de segurança.
A crise diplomática ocorre também depois de ameaças de Kampala de cancelar um contrato ferroviário avaliado em três mil milhões de dólares, atribuído à empresa turca Yapi Merkezi, bem como de expulsar cidadãos turcos do Uganda.
A suspensão da cooperação militar representa uma nova tensão nas relações entre Kampala e Ancara, num momento em que os dois países mantêm interesses económicos e estratégicos em várias áreas.