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O País – A verdade como notícia

El Niño ameaça mais de 260 mil habitantes em Chibuto

Mais de 260 mil pessoas poderão sofrer os efeitos da seca associada ao El Niño em Chibuto. Governo distrital e docentes universitários propõem soluções para as áreas mais críticas, que abrangem mais de 30 mil produtores. Enquanto isso, decorre o levantamento global da população em risco nos restantes distritos da província. 

Depois de Chicualacuala, Chibuto é o segundo distrito da província de Gaza a divulgar dados oficiais sobre a população que poderá sofrer os efeitos da estiagem provocada pelo fenómeno El Niño. Alto Changane, Changanine e Godide estão entre as comunidades consideradas mais vulneráveis, por se localizarem em zonas semiáridas e mais afastadas do Vale do Limpopo, onde a escassez de chuvas têm contribuído para a perda de colheitas e o agravamento da insegurança alimentar.

“Nós estamos a falar de todo o distrito, vai sentir o efeito de El Niño. Estamos a falar de 263 mil habitantes que estão aqui, vão sentir o efeito de El Niño, Ainda temos um bocadinho de humidade, vamos intensificar a produção e evitar a venda dos cereais, porque vamos precisar. Neste momento, estamos a falar de acima de 30 mil agricultores que receberam sementes e que todos eles plantaram”, avançou Cacilda Banze, administradora do distrito de Chibuto.

Os dados foram avançados na Universidade Eduardo Mondlane, em Chibuto, onde decorreu, esta quinta-feira, o encerramento das 7.ª Jornadas Científicas. Na ocasião, docentes universitários apresentaram medidas para mitigar o impacto do fenómeno climático, com enfoque na conservação de alimentos e no aproveitamento racional dos recursos disponíveis.

“Nas sétimas jornadas foram trazidas soluções para essa população mesmo de baixa renda, agricultores de subsistência, como melhor conservar os alimentos em épocas chuvosas e em épocas de seca”, explicou Shelcia da Cádima, docente universitária.

Para Efraime Gobeia, engenheiro agrónomo, os fenómenos climáticos extremos vieram para ficar, sendo necessário apostar em mecanismos de gestão da água.

“É preciso investir em todo tipo de medidas que permitam a captação, o armazenamento, a recirculação e reutilização da água quando estamos em períodos de abundância.”

Já David Langa, director da UEM em Chibuto, destaca a hidroponia como uma alternativa para a produção agrícola com menor consumo de água.

“O sistema hidropónico permite produzir num ambiente controlado com um recurso a pouca água. Só um tanque de água vai acrescentando e põe as soluções na própria água, e tudo é gerido ao longo do tubo de água.”

Segundo Langa, o sistema pode ser adaptado às comunidades rurais através do uso de energia solar.

“Quando for de energia para os territórios rurais, sim senhor, porque aquele sistema primeiro é para funcionar com energia solar. Tem que fazer esse contributo para a comunidade e as associações circunvizinhas, que sobretudo vivem aqui no Baixo Limpopo, que queiram continuar a produzir ao longo de todo o ciclo, de todo o ano. Essas coisas são uma solução.”

Enquanto isso, o Governo e parceiros fazem o levantamento global da população que poderá ser afectada pelo fenómeno na província, para mobilizar recursos, num contexto de redução do financiamento humanitário e de crescente concorrência com outras crises globais.

“Ao nível global houve uma redução significante de financiamentos, mas também reconhecendo que Moçambique está a competir com outras crises globais, que há um conjunto de levantamentos que a ONG está a fazer. Então, tendo em conta os números que poderão surgir das pessoas impactadas pelo El Niño, a nossa obrigação e nosso mandato orienta-nos para que possamos assistir no mínimo 10% destas famílias”, explicou Vicente Adriano, representante dos parceiros.

O responsável acrescentou que a resposta ao El Niño deverá concentrar-se nas províncias de Gaza e Inhambane, com atenção particular à disponibilidade de água.

“E a nossa resposta para o El Niño vai se concentrar nas províncias de Gaza, província de Inhambane, olhar qual é a disponibilidade de água nesses locais e tentar responder de forma muito antecipada, para evitarmos impactos severos.”

A estiagem prevista para os próximos meses surge numa altura em que a província de Gaza já tem mais de 400 mil pessoas a consumir água imprópria e comunidades do norte enfrentam dificuldades para garantir água para o gado.

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