A família de uma mulher que morreu no Hospital Provincial de Chimoio, na província de Manica, denuncia a retirada de órgãos do corpo da falecida enquanto este se encontrava na morgue daquela unidade sanitária.
Inês Francisco morreu na última sexta-feira, vítima de doença. Dois dias depois, na manhã de domingo, familiares dirigiram-se à morgue para preparar o corpo para o funeral, mas terão sido surpreendidos ao constatar a ausência de alguns órgãos, segundo relatou Fernando João, esposo da falecida.
Perante a situação, a família decidiu suspender o funeral até ao esclarecimento das circunstâncias em que terão ocorrido as alegadas retiradas e exige a responsabilização dos eventuais autores.
O responsável pelo Departamento de Medicina Legal do Hospital Provincial de Chimoio, Manuel Dove, nega que o corpo tenha sido submetido a uma autópsia. Segundo o responsável, a retirada dos órgãos terá ocorrido nas instalações da morgue, embora não tenham sido avançados, até ao momento, esclarecimentos sobre as circunstâncias em que tal aconteceu.
O jurista Francisco Massambo, que analisou imagens dos cortes observados no corpo da falecida, considera não haver indícios compatíveis com a realização de uma autópsia.
Perante os indícios apresentados, Massambo não exclui a possibilidade de o caso estar relacionado com tráfico de órgãos. No entanto, a eventual existência de uma rede de tráfico ou a identidade dos responsáveis ainda não foi estabelecida.
A família aguarda pelo esclarecimento do caso e pela realização das diligências necessárias para determinar o que aconteceu ao corpo de Inês Francisco enquanto este permanecia na morgue do Hospital Provincial de Chimoio.