Graça Machel diz que a Lei de Conteúdo Local é omissa em relação aos direitos das mulheres, e não reconhece o seu papel na democratização da economia. Uma vez aprovada a legislação, a activista apela para que a regulamentação seja sensível ao género. Graça falou na abertura da Conferência Mulher na Economia.
A quarta edição da Conferência Mulher na Economia, promovida pelo Fundo para o Desenvolvimento da Comunidade (FDC) reflecte sobre os desafios de formação para potenciar as mulheres a liderar em sectores estratégicos da economia como o da indústria de petróleo e gás.
“Queremos transformar toda a cadeia de valor, de maneira que as mulheres tenham um lugar de destaque, que possam influenciar decisões e contribuir para novos horizontes de onde a economia do país deve e pode ir”, explicou Graça Machel, patrona do FDC, abrindo um novo capítulo sobre as mulheres e a lei do conteúdo local recentemente aprovada pelo Parlamento.
“Eu revi, por exemplo, a lei do conteúdo local. Fiquei muito triste. Não menciona sequer a questão do género. Fala de empresas, fala de muitas outras coisas e não menciona que um dos aspectos fundamentais de democratização da economia é exactamente a presença das mulheres nesses sectores estratégicos e em lugares de direcção”, rematou.
Uma vez aprovada a legislação de conteúdo local, Graça apela para que a sua regulamentação seja sensível ao género.
Figura de destaque no evento, Clara de Sousa, economista do Banco Mundial com passagem por vários países do Sahel, ignora a indústria de GNL pela sua finitude e reduzido número de empregos que cria, e apontou a digitalização como o maior investimento que Moçambique pode fazer pelas mulheres.
“A digitalização bem utilizada pode ajudar-nos a ultrapassar muitas barreiras e acelerar o processo de desenvolvimento que nós gostaríamos de ter. É assim que as mulheres devem ser apoiadas, não apenas como utilizadoras, mas como criadoras, técnicas, programadoras. Utilizadoras de dados, sim, mas, mais do que isso, elas têm de liderar a transformação digital”, desafiou a economista.
A ministra do Trabalho, Género e Acção Social, Ivete Alane, que abriu o evento, dirigiu-se ao auditório apresentando muitos.
“Em que lugar da economia estão as mulheres moçambicanas? A pergunta não é só se participam. Elas participam, e muito. A pergunta é: participam apenas onde se trabalha ou onde também se decide? Nos pequenos negócios ou também nos grandes contratos? Na formação ou também no emprego qualificado e na liderança? Estar presente na economia não significa, por si só, ter poder económico”, disse.
O evento juntou reitores de instituições de ensino superior, a banca, multinacionais e gestores de pequenos e médios negócios.