O líder máximo da Igreja Católica, Papa Leão XIV, endereçou uma carta ao Presidente da República manifestando interesse no decurso das investigações à volta do assassinato do arcebisto de Quelimane, Dom Osório Citora. A igreja, de acordo com o arcebispo de Maputo, está preocupada com a falta de informação junto das autoridades policiais.
Quase dois meses depois do assassinato do arcebispo de Quelimane, Dom Osório Citora, ainda são desconhecidos os autores e as motivações do caso.
A Igreja Católica diz que continua a depender da imprensa para obter informações, daí que pediu o apoio do Chefe de Estado moçambicano para ter mais actualizações sobre o caso.
A informação foi partilhada pelo arcebispo da Diocese de Maputo, Dom João Carlos Nunes.
“A nível do cardeal Parolin, que esteve aqui também e fez uma visita, o Santo Padre endereçou uma carta à Sua Excelência, o Presidente da República, a manifestar essa nossa preocupação sobre esta situação, que apresentou também na carta as condolências pelo sucedido, mas manifestou o interesse também, sobretudo da Conferência Episcopal, que tenha conhecimento sobre como está o decurso das investigações, porque nós, até aqui, o meio de informação que temos é a imprensa, é o que se comunica a nível da imprensa, e é importante reconhecer que nós também somos interessados, queremos saber efectivamente o que se passou”, disse.
Para fazer face à falta de informação, a igreja já se reuniu e tomou algumas medidas.
“O que fizemos, até agora, é eleger dois bispos, nossos irmãos, que poderão também ajudar um pouco o administrador apostólico de Quelimane, porque vemos que é uma situação delicada que está a vivenciar, uma situação difícil, e provavelmente sozinho possa não conseguir efectivamente responder a todas as solicitações que esta situação demanda. Então, até aqui, mostramos essa proximidade, nomeando dois bispos, que ajudarão também a acompanhar a situação e ver se conseguimos aquilo que nós queremos, que é conhecer a verdade, o que se passou, e podermos também melhor prevenir situações como estas.”
A confimar-se o envolvimento de um padre no assassinato do arcebispo, Dom João fala da necessidade de purificação da igreja.
“A nível da história da igreja, sempre houve situações de Judas. Nós vemos logo no início, os apóstolos, houve alguém que traiu o mestre. Portanto, não é algo fora do comum. Provavelmente, possam ocorrer situações em que temos essa situação em que há padres que não vivem fielmente as suas obrigações, não cumprem o Evangelho. Pode ser que sim, mas mais do que para nós apontar este ou aquele, o que importa é saber em que situação estamos, concretamente, o que se passa. É real essa situação do envolvimento de pastores no assassinato? Aí, se ocorrer uma situação que se saiba, então é necessário purificar”, concluiu.
A nível da conferência episcopal, está prevista uma assembleia extraordinária, onde os bispos do País vão reunir-se e analisar a morte de Dom Osório.
Com esta morte, a diocese de Quelimane passa para gestão de um administrador apostólico, juntando-se a Beira e Xai-Xai, que funcionam sem arcebispo.