As últimas chuvas agravaram a erosão que fustiga 15 bairros do município de Chibuto há mais de três décadas. As autoridades locais criticam a falta de um sistema adequado de drenagem e escoamento das águas, apontando esta situação como um dos factores que intensificam o problema. A edilidade admite limitações financeiras para executar obras estruturantes e estima precisar de cerca de 300 milhões de meticais para intervir nas vias de acesso em estado crítico.
O fenómeno começou a ganhar expressão em 1995 e, desde então, continua a comprometer a mobilidade das comunidades afectadas. O chefe do bairro comunal, Júlio Malhaieie, explica que a erosão agravou-se devido à ausência de infraestruturas capazes de encaminhar as águas pluviais.
“Começou a erosão neste bairro aqui nos anos 95. Até cá, muitas vias não têm possibilidade de transitabilidade. É muito crítico, conforme está a posição do terreno.”
Segundo o responsável, entre as zonas mais afectadas estão , o bairro 3 da cidade, Nyokani e Savene, Júlio Malhaieie, aponta que grande parte da água da cidade converge para estas áreas devido à falta de valas de drenagem.
“Toda a água da cidade vem para cá. As próprias estradas da cidade não têm valetas próprias que canalizam a água até ao vale. Por isso, quando chega o tempo chuvoso, voltamos ao zero.”
A dimensão do problema levou o município a reconhecer a necessidade de uma intervenção estruturante. O vereador de Urbanização de Chibuto, Jacinto Macondzo, confirma que cerca de 15 bairros enfrentam problemas sérios de erosão e defende a realização de estudos aprofundados para encontrar uma solução definitiva.
“Temos cerca de 15 bairros com problemas sérios de erosão. Dizer quando podemos acabar a erosão é difícil porque, segundo a configuração da nossa cidade, precisa de um estudo aprofundado.”
O vereador revela que o município aguarda a elaboração de um plano de combate à erosão, com apoio financeiro do Banco Mundial, e estima que a recuperação das vias afectadas poderá exigir mais de 300 milhões de meticais.
“Para estes trabalhos de recuperação das vias, precisamos de cerca de 300 e tal milhões.”
Enquanto aguarda por uma solução de maior dimensão, a edilidade diz estar a intervir com recursos próprios na reposição de algumas vias afectadas pelas últimas enxurradas.
“Neste momento, o município com os seus meios próprios está a fazer algum trabalho de reposição de algumas vias que desde as últimas enxurradas estavam intransitáveis.”
Apesar das intervenções em curso, as autoridades reconhecem que a erosão continua a ser um dos principais desafios urbanos de Chibuto, agravado em cada época chuvosa pela falta de um sistema eficiente de drenagem.