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Zambézia espera produzir mais de 145 mil toneladas de arroz

Na Zambézia, perspectiva-se uma boa campanha agrária no distrito de Nicoadala, com destaque para o arroz, cultura de bandeira. Nicoadala tem uma área de 40 mil hectares lavrada de um total de perto de 42 mil. Espera-se produzir mais de 145 mil toneladas da cultura de arroz.

A chuva que para uns foi prejudicial para outros foi feliz. 

Nicoadala tem uma população camponesa estimada em perto de 42 mil, e pratica-se a actividade em três regadios: Mucelo, Ilalane e Muziva – todos em regime de sequeiro. De Mucelo e Ilalane não estão operacionais há bastante tempo. Aliás, os regadios não têm estação de bombagem nem canais de irrigação, enquanto o regadio de Muziva, que já tinha sido reabilitado e entregue provisoriamente, o ciclone freddy veio deitar a baixo todo o investimento do Banco Mundial em mais de um milhão de dólares .

Ainda assim, os camponeses estão ávidos e esperam uma boa colheita. O sorriso da Mina Damião denuncia este facto. “Tenho prova de que vou produzir neste ano, mas nem sei quantas toneladas”, disse, realçando que, ao nível dos campos de produção, tudo tem corrido bem.

“Antes, nós sofríamos um pouco de sol. Quando lançávamos sementes, não saía, não germinava, agora está tudo bem. Eu tenho aqui um hectare”, continuou Mina Damião.

De Mucelo homens e mulheres chegam e saem em carros de caixa aberta, também conhecidas por “my love”. Na hora em que foi produzida a reportagem havia um casal de funcionário públicos, que se deslocou para a “machamba” para aproveitar o facto de ter chovido para transplantar o arroz.

“Viemos aqui no fim-de-semana, porque somos funcionários públicos. Não tínhamos muito espaço para vir para aqui. Às vezes vimos só aos sábados e domingos”, disse Jonas Elias, que acrescentou que, apesar de ter chovido, no princípio a água estava em quantidade elevada, mas baixou nos últimos tempos. 

“Para aquele que tem tempo para essa actividade, vai ter de ter resultado mesmo”, frisou.

Já Maria da Conceição, também camponesa, espera ter uma produção de cerca de uma tonelada de arroz na sua “machamba”, em cada hectare. 

“Para quem consegue acompanhar bem a época, sai uma tonelada sem problemas. Basta ter chuva, mais nada. Mas aquela chuva que é da produção, não essas últimas chuvas de ciclone”, disse.

A directora distrital das actividades económicas de Nicoadala, Zélia Sabão, diz que, depois de um período de escassez de água, choveu e perspectiva-se boa colheita do arroz.

“Os produtores foram semeando, tiveram queda por causa do intenso sol, voltaram a fazer a sementeira e depois tivemos um cumulativo de precipitação de 450 ml. Isto veio a alavancar os produtores de arroz, assim como de milho, mas tivemos ainda mais essa intensa chuva”, disse Zélia Sabão.

Aliás, a  directora distrital das actividades económicas de Nicoadala assegura que em cada hectare se produzem 1,9 toneladas em rendimento.

“Para a área de arroz, nós temos 40 732 hectares, e estamos à espera de uma produção de 145 632 toneladas. Mas também, no global, temos uma área lavrada de 874 mil hectares, e esperamos ter uma produção global do distrito de 366 832 toneladas”, esclareceu Zélia Sabão.

Se por um lado a chuva complicou a vida de algumas comunidades com a passagem da depressão tropical Jude, no regadio de Mucelo, em Nicoadala, as famílias camponesas estão felizes com a chuva, sendo que esperam boa produção.

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