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Turmas vão continuar a estudar ao relento em Nampula

Com o ano lectivo à porta, volta o debate de turmas ao relento e o seu impacto pedagógico. É que nos dias de chuva, milhares de alunos ficam sem estudar. Nampula equaciona recorrer aos parceiros de cooperação para a montagem de tendas para aulas.

O ano lectivo 2026 inicia a 27 de Fevereiro, com abertura oficial, e as aulas arrancam em todo o país no dia 2 de Março. As escolas preparam-se para receber os alunos, com os professores já na fase terminal das dosificações.

“E já fizeram actas, já fizeram planificações quinzenais, quase já receberam o material, já está tudo pronto. Nós só estamos à espera do dia chegar e daí arrancarmos”, confirmou Horácio Luís, Director-adjunto Pedagógico de uma das escolas de Nampula.

Entretanto, há uma situação que inquieta: Novo ano, e velhos problemas.

A Escola Primária do 1º e 2º Graus da Pedreira vai funcionar com mais de 3500 alunos e porque as salas convencionais são poucas, muitos alunos estudam ao relento, para a preocupação de pais e encarregados de educação.

“Quando chove não há nada, não costumam dar aulas porque os alunos ficam debaixo das árvores. Aí não tem chance de ficar para estudar”, lamenta Cidália João, encarregada de educação.

Durante o período lectivo, as árvores servem de salas de aula. São turmas que correspondem a cada árvore. É lá onde parte dos alunos da Escola Primária do 1º e 2º Graus da Pedreira vão iniciar o ano lectivo e o chão está húmido, justamente porque ainda é período chuvoso.

E em Nampula são muitas escolas que estão na mesma situação e condições, onde os alunos poderão ter suas aulas debaixo das árvores.

Horácio Luís confirma que a situação vai continuar, até porque não houve acréscimo das salas de aula. “No ano passado nós tivemos 30 salas ao ar livre, no relento, e espero que também este ano este número vai permanecer porque as salas que tivemos no ano passado são as mesmas”, disse.

Ou seja, cresce o número de alunos a cada ano e o ritmo de construção de novas salas é muito baixo. Na falta da melhor solução, a direcção provincial de Educação em Nampula pensa em recorrer às tendas.

“Estamos num período chuvoso, estamos a rezar para que não haja catástrofe, mas como sabem nós trabalhamos com parceiros, sempre temos tido backups. A educação sempre sofreu por conta das épocas chuvosas, como também da época ciclónica”, frisou William Tuzine, Director de Educação em Nampula.

Até ao ano passado, ao nível da província de Nampula, estimava-se que cerca de 290 mil crianças estudam ao relento, pelo menos no ensino primário, um cenário que provavelmente não vai alterar bastante, mas para pior.

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