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Soneto da Vida sem Rimas

Irei voltar…,
Irei voltar para vos oferecer palavras amigas que o tempo trouxe na melodia imaginária do meu silêncio.
Irei voltar para contar a metáfora do "sim" honesto que a humildade sussurra à consciência divina.
Irei voltar, sim, para revelar a caricatura do abraço sincero, que recorda um mundo melhor às almas
serenas e cheias de esperança no futuro.
Irei voltar para mostrar o longo caminho que conduz os corações até a linha do horizonte da vida, ao
verso que rima o soneto da esperança.
Irei voltar para descobrirmos juntos o segredo da melodia da timbila, a fantasia dos braços que
desenham a coreografia da dança Tufo e a arte que molda a máscara inspiradora dos passos da dança
Mapiko.
Irei voltar para traçarmos juntos uma sociedade sem pecados sociais, onde a educação oferece
conhecimentos que favorecem a competição ética no mundo, sem distinção de pertença social.
Irei voltar para arrancar o capim que cresce nas mentes, impedindo o florescimento da muda da paz.
Irei voltar para cantar com a criança africana a letra do silêncio e o ritmo do soneto de Hosana dos
anjos.
Irei voltar para mostrar as imagens dos momentos da travessia do deserto sem pisar na areia fina, mas
tocando a água do rio de palavras que purifica os olhos do espírito sábio.
Voltarei para evocar a saudade do tempo, recordar os bons momentos que vivemos e colher a chuva de
lembranças que fertiliza o solo das memórias, mantendo-as vivas em mentes de neurónios saudáveis.

Voltarei para recitar a poesia das noites de lua cheia, sentado à beira do Índico, a contar as estrelas que
alegram o pescador do bem.
Voltarei com a música do silêncio para fazer sorrir o coração calado. E estarei aqui e agora, com rima
sem soneto, com soneto sem rimas, para declamar a poesia do futuro que desenha estrofes do passado
e versos do presente.
Irei voltar…

 

28.02.25

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