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O País – A verdade como notícia

Somália entra em confronto com forças regionais pelo controle de cidade-chave

Forças nacionais da Somália entraram, na segunda-feira, em confronto com tropas leais ao antigo líder do Estado do Sudoeste, Abdiaziz Hassan Mohamed Laftagareen, pelo controlo da cidade de Baidoa, num novo episódio de tensão entre o Governo Federal e administrações regionais.

Segundo o Governo somali, combatentes leais a Laftagareen atacaram, por volta das cinco horas da manhã, posições do Exército na capital do Estado do Sudoeste, alegadamente com o apoio de elementos do grupo islamista Al-Shabaab. O Executivo afirmou que os atacantes utilizaram veículos carregados de explosivos e que cerca de 30 militantes foram mortos durante a resposta das forças governamentais.

Um porta-voz da administração de Laftagareen afirmou que as suas forças chegaram a controlar algumas zonas de Baidoa. Testemunhas, contudo, disseram à AFP que os combatentes foram posteriormente expulsos e que as tropas federais retomaram o controlo da cidade.

O residente Adan Nurey descreveu à AFP combates intensos em várias zonas de Baidoa, com troca de tiros nas ruas durante várias horas. Segundo o morador, as forças leais a Laftagareen acabaram por retirar-se.

A organização Médicos Sem Fronteiras (MSF), que mantém instalações na cidade, confirmou a ocorrência de confrontos e informou que várias vítimas deram entrada no hospital. A organização não avançou números, mas indicou que os combates ocorreram em duas frentes.

Outro residente, Salad Ali, relatou a existência de mortos, feridos e pessoas detidas durante os confrontos. Segundo o testemunho, foram observados vários corpos nas estradas, embora não tenha sido possível determinar o número exacto de vítimas.

A crise insere-se num contexto de profundas divisões políticas e administrativas na Somália. Em Março, o Governo Federal enviou tropas para afastar Laftagareen da liderança do Estado do Sudoeste. O antigo dirigente tentou recuperar o controlo da região em Maio, mas a operação fracassou.

O Presidente Hassan Sheikh Mohamud enfrenta igualmente uma prolongada insurgência do Al-Shabaab, grupo islamista que mantém sob seu controlo extensas áreas da região central do país.

O chefe de Estado tem defendido uma transição para eleições democráticas, com o objectivo de substituir o actual sistema baseado na escolha de representantes através de anciãos dos clãs. Contudo, o processo tem sido alvo de críticas devido à extensão do mandato presidencial e aos reduzidos progressos na preparação de eleições de âmbito nacional.

As divisões entre clãs rivais, a fragilidade das instituições e a persistente ameaça do Al-Shabaab continuam a dificultar os esforços para consolidar a estabilidade política e de segurança na Somália

 

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