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O País – A verdade como notícia

A passagem do Ciclone Tropical “Gombe” pela zona norte do país causou estragos enormes, principalmente para as famílias da província de Nampula. É que várias famílias viram suas casas desabarem devido à fúria do Ciclone.

De acordo com um comunicado de imprensa da Electricidade de Moçambique (EDM) já foi restabelecida a corrente eléctrica em alguns distritos da província de Nampula, dentre os quais, aos distritos de Moma, Larde, Angoche, Nacala Porto, Nampula, Rapale, Mogovolas e Eráti.

Entretanto, segundo a empresa, há ainda cerca de 154.325 clientes dos distritos da Ilha de Moçambique, Ribaué, Lalaua, Malema, Mecubúri, Memba, Mongicual, Liúpo, Monapo, Mossuril, Muecate, Murrupula, Nacala velha, Nacarôa e Meconta que continuam desprovidos da rede eléctrica nacional.

As equipas técnicas dos sectores de Transporte e Distribuição da EDM estão no terreno e em prontidão, intervindo na rede para uma reposição gradual do sistema. Entretanto, as condições atmosféricas têm sido grandes obstáculos.

De acordo com o Ministério da Saúde (MISAU), para além de não ter havido registo de mortes e recuperados, não houve, igualmente, registo de internados devido ao novo Coronavírus.

Assim, mantém-se o cumulativo de 2.198 mortes e 222.875 recuperados da doença viral. Entretanto, oito pessoas foram infectadas e outras duas tiveram alta hospitalar.

Com estes dados, o cumulativo de contágios subiu para 225.173, dos quais 224.804 são de transmissão local e 369 importados. A Taxa de Positividade foi de 0.66% e a Taxa de Positividade Acumulada, situou-se nos 17.54%.

Catorze pessoas continuam hospitalizadas em diferentes unidades sanitárias do país.

A população no bairro Djonasse, no distrito de Boane, sente-se abandonada e diz viver um “verdadeiro martírio”, sem serviços sociais básicos, como água, escolas, hospital, energia e transporte.

No bairro, que fica há poucos quilómetros da Cidade de Maputo, de forma concreta, há uma hora da capital do país, a forma como se vive dá impressão de estar localizado num dos lugares mais remotos do país, pois falta quase tudo, conforme descrevem os residentes daquela comunidade.

É numa lagoa artificial, com água turva, onde lavam a roupa, buscam água para beber, cozinhar e fazer outros afazeres domésticos.

“Estamos a sofrer por falta de água, aqui em Djonasse. Esta água vou levar para casa. Quando a casa, deixo por um tempo, para a sujidade ir para baixo e depois tiro e fervo, quando temos um purificador uso, mas quando não tenho tempo consumimos assim mesmo. Quando cozinhamos, o arroz branco fica castanho, por causa da cor da água”, relatou, Luísa Nhavotso, que se encontrava na margem da lagoa a lavar a roupa.

A água não é pura e, por isso, tem causado várias doenças, principalmente em crianças. Mas a lagoa não é a única opção para aquela população. Existe um fontanário, mas para uns fica distante e para outros não é necessariamente uma solução.

A água do fontanário é salubre e não dá para beber, e para ter água completamente potável, a solução é comprar através de camiões cisternas, entretanto, cada bidão de 20 litros custa 20 Meticais, um valor que o bolso de muitos não suporta.

“A nossa salvação é a água da chuva, que é segura, então tentamos juntar cada gota sempre que chove, para não passarmos mal. Essa água usamos para beber e cozinhar e recorremos a esta outra (da lagoa e fontenário) para outras actividades domésticas, e quando fica muito tempo sem chover, passamos mal, de verdade”, contou, Andrina Jandira.

Na comunidade, não há uma escola próxima, as crianças são obrigadas a caminhar pelo menos uma hora e meia para poder chegar à Escola Primária de Djonasse, que é a mais próxima.

Com o calor que se faz sentir, todas crianças são obrigadas a levar uma garrafa de água, para beber pelo caminho. E há crianças que não vão regularmente à escola, por conta da situação.

“ Há vezes que o meu filho falta, nos dias de chuva e de muito calor, ele não tem como ir à escola, porque volta a passar mal, para uma criança de sete anos, percorrer essa distância diariamente, não é fácil”, lamentou, um residente do bairro, que preferiu não ser identificado.

Transporte é outro calcanhar de Aquiles, para os moradores, daquele bairro, para chegar ao “cruzamento” como chamam, devem caminhar, também durante uma hora e meia, “a única coisa boa, é a estrada”.

Os moradores clamam também por uma unidade sanitária, pois sem transporte, quando os residentes adoecem, vive-se um martírio, para chegar ao hospital.

“Imagina se alguém adoece de noite. Nós levamos a pessoa numa carrinha de tracção manual, “tchova” para a paragem, ou usamos burro, fazemos uma caroça e isso é que nos safa”, explicou, Celeste Fátima, já irritada com a situação.

Em Djonasse, falta, ainda, um mercado, energia e posto policial, afinal a criminalidade é algo que também preocupa, segundo os moradores. Só este ano, já foram encontrados dois cadáveres na comunidade, onde também destacam-se os assaltos e casos de violação sexual.

“Já estamos cansados de pedir para as autoridades verem a nossa situação. Porque vamos para lá prometem, vamos para lá prometem, mas nada acontece. Já estamos cansados de pedir ajuda, até quando afinal”, bradou outro residente.

A equipa do jornal “O País” entrou em contacto com o chefe da localidade, que prometeu pronunciar-se, esta segunda-feira.

A partir de Julho próximo estará assegurada a transitabilidade na ponte sobre o rio Rovúbuè na província de Tete. A garantia foi dada ontem pelo ministro das obras públicas e habitação Carlos Mesquita.

Cerca de três meses depois da ponte sobre o rio Rovúbuè ter desabado e deixado isoladas as cidades de Tete e Moatize, na sequência da depressão tropical Ana, o ministro das Obras Públicas,Habitação e Recursos Hídricos,  Carlos Mesquita, está em Tete para avaliar a magnitude dos estragos ocorridos.

O governante assegurou para breve o arranque das obras de reabilitação da infra-estrutura, mas refere que parte da ponte que desabou será substituída por estruturas metálicas que já se encontram na cidade de tete.

“As peças serão muito úteis para a parte da superestrutura da ponte, na perspectiva de tentar garantir a mobilidade da população através desta ponte o mais rápido possível”, disse Mesquita.

Entretanto, para garantir a mobilidade das pessoas e bens enquanto decorrerem as obras e reduzir as longas distâncias actualmente percorridas pela população através da ponte kassuende, o Governo alocou duas embarcações da Marinha de Guerra de modo a minimizar os custos adicionais de transporte pagos atualmente.

“É claro que tem custos operacionais que o Ministério das Obras Públicas, através da ANE, vai ter que absorver, combustíveis, lubrificantes, mas com as embarcações a população não vai pagar nada”, assegurou o ministro.

Carlos mesquita visitou igualmente a zona de reassentamento de Chimbonde, onde as famílias vítimas das intempéries foram reassentadas e reconheceu a necessidade de mais apoios.

O Instituto Nacional de Meteorologia (INAM) prevê céu nublado, ocorrência de chuvas acompanhadas de trovoadas e vento a soprar, por vezes, com rajadas, na região norte e centro do país.

Na região centro, as urbes da Beira, Chimoio, Tete e Quelimane poderão registar temperaturas máximas de 32,29, 34 e 28 e mínimas e 25, 19, 26 e  23 graus Celsius, respectivamente.

As cidades de Nampula, Pemba e Lichinga, no norte do país, poderão atingir temperaturas máximas de 25, 30 e  20 e  mínimas de 20, 25 e 14 graus, respectivamente.

Para as cidades de Maputo, Xai-Xai, Inhambane e Vilankulo, no sul do país, prevêem-se máximas de 32,30,32 e 31 e mínimas de 23, 22, 25 e 2q graus Celsius, respectivamente.

O empresário moçambicano, Álvaro Cossa, residente na Ucrânia, país sob ataque russo, foi, ontem, liberto do cativeiro onde esteve preso, em lugar incerto. Cossa foi sequestrado por indivíduos até agora não identificados.

Segundo um comunicado do Ministério dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, a libertação de Álvaro Cossa foi o corolário dos esforços que o Governo de Moçambique e vários indivíduos de boa vontade empreenderam junto das autoridades ucranianas e das partes em conflito na guerra que ocorre na República da Ucrânia.

O documento refere, ainda, que Cossa, residente há mais de trinta anos na Ucrânia, goza de boa saúde e se encontra na sua residência.

Sobre os estudantes moçambicanos na Ucrânia, que se refugiaram em Varsóvia e Polónia, em fuga devido à guerra, regressam a Moçambique na próxima quarta-feira, dia 16 de Março corrente.

Sete pessoas morreram vítimas do ciclone Gombe, na província de Nampula, revelou, hoje, na África do Sul, o Presidente da República, Filipe Nyusi, após participar da III Sessão da Comissão Binacional Moçambique-Africa do Sul.

Uma das pessoas que perderam a vida foi eletrocutada. No entanto, o Chefe de Estado esclarece que os dados são ainda preliminares.

“Até agora, estão em nosso poder oito óbitos, sendo dois na cidade de Nampula, cujas casas desabaram e eles ficaram debaixo delas porque não resistiram e seis em Angoche, além de alguns feridos”, revelou o Presidente da República.

Porém, Filipe Nyusi diz que os ventos fortes já estão a abrandar e que, como tem sido habitual, seguem chuvas intensas nas zonas afectadas, que podem provocar inundações nas vilas, cidades e povoações.

“Por isso, chamamos atenção para o Rio Licungo que pode, por causa das chuvas, provocar inundações”, alertou o Chefe de Estado, quem apela a população para tomar medidas de precaução, por haver muitas árvores a caírem e fios de energia eléctrica soltos no chão.

Já na III Sessão da Comissão Binacional Moçambique-África do Sul, que levou Filipe Nyusi à terra do rand, os dois países concordam em retomar a patrulha conjunta da pirataria marítima nas suas costas e na Tanzânia.

“A cimeira refletiu a retoma das patrulhas trilaterais que fazíamos, tendo em conta que tivemos, em tempos, acordo sobre a pirataria marítima, onde Moçambique, África do Sul e Tanzânia faziam um patrulhamento conjunto, seja marítimo ou aéreo, e chegamos à conclusão que temos que retomar isso”, disse Nyusi.

Na ocasião, Filipe Nysui convidou a África do Sul a reforçar seu investimento em Moçambique.

E o Instituto Nacional de Meteorologia diz que o fenómeno já enfraqueceu, estando agora no nível de depressão tropical. Os ventos do “Gombe” baixaram, mas o INAM avisa que vai cair chuva intensa durante os próximos três dias.

As previsões do Instituto Nacional de Meteorologia apontam para a redução da intensidade dos ventos que assolaram a província de Nampula.

E foi mesmo isso que aconteceu: na tarde desta sexta-feira, segundo actualizou a instituição, “Gombe” tornou-se uma depressão tropical. Os ventos baixaram de cerca de 130 para 65 quilómetros por hora.

Porém, o Instituto Nacional de Meteorologia alerta que vai cair chuva intensa nas zonas afectadas durante os próximos três dias.

Depois da queda de chuva, o sistema voltará para o Canal de Moçambique e espera-se que não volte a entrar no continente.

Na Cidade de Maputo, os buracos, que há anos tiram sono aos munícipes, podem ficar na história. A edilidade está a investir cerca de 500 milhões de Meticais na reabilitação de ruas e avenidas degradadas, como Julius Nyerere, Avenida do Trabalho, Guerra Popular.

No lote das estradas a serem reabilitadas, o destaque vai para a Avenida Julius Nyere, que comporta dois lotes, sendo que o primeiro parte do Ministério da Defesa Nacional até à praça do Destacamento Feminino, e o outro parte da Praça dos Combatentes até à Praça da Juventude. Saturnino Chembeze, director das Infra-estruturas Urbanas no Município de Maputo, diz que, depois da reabilitação, as estradas estarão em melhores condições.

“Nós estamos a fazer reabilitação das ruas da Cidade de Maputo; a ideia é termos, no final destes trabalhos, pavimentos e passeios reabilitados, portanto como se fossem novos”, avançou Saturnino Chembeze.

A empresa seleccionada para esta empreitada é a JJR, que já está no terreno. Ainda este ano, vai entregar as estradas em reabilitação e as obras incluem a construção de um sistema de drenagem.

Os automobilistas, que sempre se queixam do mau estado das vias na capital do país, contam os dias para que as obras cheguem ao fim. E garantem colaboração à edilidade para que a empreitada seja concluída no prazo estipulado.

A Avenida da Organização das Nações Unidas, apesar do seu estado avançado de degradação, não será reabilitada na fase já em curso. O Município de Maputo garante, no entanto, que está a mobilizar recursos para também intervir nessa e noutras rodovias

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