Skip to main content

O País – A verdade como notícia

O Município de Maputo diz que a postura sobre a poluição sonora, que está a criar descontentamento social, existe há mais de 15 anos, e que o documento posto a circular sobre os valores cobrados para a realização de festas visa denegrir a imagem da edilidade.

Um documento posto a circular revela os preços cobrados para permissão de volume alto em festas caseiras e em grandes eventos. O referido documento causou uma avalanche de críticas, o que, para edilidade, tem uma explicação.

“Trata-se de uma atitude de pessoas mal-intencionadas que visam denegrir a imagem do Município de Maputo. A Polícia Municipal condena, com veemência, essa onda de desinformação que está a ser veiculada e difundida através das redes sociais. De salientar que esta postura não é nova, foi aprovada em 2001 e foi revista em 2015. A nossa polícia vem fiscalizando esta postura há bastante tempo”, introduziu Mateus Cuna, porta-voz da Polícia Municipal, tendo, em seguida, avançado que “tivemos muitas queixas no ano de 2019, porque os munícipes iam denunciando. Tivemos a redução de casos em 2020 e 2021 devido à questão da pandemia e suas restrições que fizeram com que muitos estabelecimentos de recreação parassem de funcionar.”

A edilidade diz que os valores de permissão e multas são reais. Por exemplo, quem quiser organizar uma festa caseira com som alto deve requerer ao respectivo secretário do bairro autorização, mediante o pagamento de 250 Meticais, caso não pague, a multa é de 1000 Meticais. Esses valores de autorização podem chegar a 25 mil Meticais em grandes eventos e as multas a 100 mil Meticais. O documento também abarca as igrejas que devem pagar para provocar barulho.

“O que acontece nos nossos bairros é que os quintais não oferecem condições ou espaço para a realização de festas. Nalgum momento, os cidadãos usam as ruas para esse fim. Nesse sentido, esses cidadãos devem requerer autorização junto das estruturas locais, informar sobre a pretensão e pagar a taxa. Nem todos devem pagar, paga-se quando há violação da postura sobre poluição sonora. O que quer dizer que o som da casa do cidadão não deve interferir na comodidade auditiva dos munícipes e residentes desse bairro”, esclareceu.

E mais…a edilidade diz que o dispositivo visa proteger os cidadãos. “Este instrumento aplica-se aos veículos de passageiros, com maior realce ao transporte escolar. Neste último ponto, esse som excessivo pode resultar na apreensão do veículo para a remoção de toda aparelhagem. Não podemos confundir poluição sonora com adrenalina. Aquele é um risco físico que pode perturbar a educação das crianças. O som alto pode reduzir o aproveitamento pedagógico dos alunos. Este instrumento visa estabelecer algumas balizas no que concerne à emissão sonora. Nós procuramos educar o munícipe, mas, desde o momento em que o som interfere no sossego de uma outra pessoa, considera-se poluição sonora”, detalhou.

Para justificar que a postura já é antiga, a edilidade disse que, de 9 a 20 de Março, a edilidade multou nove entidades, o equivalente a um valor de 56 mil Meticais.

O país já tem uma unidade de saúde com serviços integrados de cuidados para os homens, localizada no distrito de Dondo, em Sofala, inaugurada ontem pelo ministro da Saúde, Armindo Tiago. Espera-se que o referido hospital contribua para o aumento da esperança de vida deste grupo.

“A maior parte dos profissionais de saúde são mulheres e o homem tem vergonha de frequentar os hospitais, porque há casos em que as profissionais pedem aos homens para tirar a camisa e o resto do veste e eles sentem vergonha. Pelo contrário, as mulheres vão ao ginecologista”, exemplificou o ministro da Saúde, para depois dizer que chegou o tempo de se mudar este paradigma.

“Vemos, com satisfação, pela primeira vez, a abertura de uma unidade que vai prestar serviços especializados aos homens, para diminuir o padrão de doenças, diminuir a mortalidade e pôr os homens na mesma senda de sobrevivência das mulheres”, perspectivou.

Contudo, a unidade de saúde não está vedada às mulheres. O hospital foi construído com o apoio da Jhpiego, e o ministro da Saúde aproveitou a ocasião para pedir a todos os parceiros com vista a investirem em infra-estruturas idênticas.

Ainda ontem, e já na cidade da Beira, o ministro da Saúde lançou, oficialmente, a primeira pedra para a requalificação do armazém central de medicamentos e artigos médicos da Beira, uma infra-estrutura que terá um grande impacto na gestão logística de medicamentos, porque irá contribuir para a redução de tempo para reabastecer as unidades sanitárias da rede pública na região Centro. O anterior armazém foi destruído pelo ciclone Idai, em Março de 2019.

“Queremos pedir ao empreiteiro que possa aumentar a fasquia de resiliência, para que, mesmo com ventos de 250 quilómetros por hora, a infra-estrutura se mantenha firme”.

A requalificação do armazém, que está orçada em cerca de cinco milhões de dólares, foi financiada pelo PNUD e terá padrões internacionais e o término das obras está previsto para Novembro deste ano.

 

RESTRIÇÕES CONTRA COVID-19 PODEM SER ALIVIADAS

O ministro da Saúde indicou ontem, na cidade da Beira, que a comissão técnico-científica poderá aconselhar o Governo a levantar ainda mais as medidas restritivas de prevenção contra a COVID-19.

“Como se sabe, desde a eclosão da pandemia da COVID-19, o Presidente da República criou uma comissão técnico-científica que deve acompanhar e aconselhar o Governo sobre as medidas que implementa na luta contra esta pandemia. Neste momento, a comissão técnico-científica está a ter reuniões de trabalhos para analisar a situação actual e vai aconselhar, em tempo oportuno, o Governo quando alterar o actual modelo de controlo da pandemia da COVID-19 em Moçambique”.

Armindo Tiago diz que a comissão vai sugerir ao Governo tendo em conta os baixos índices de contaminação, sem se guiar pelos métodos dos outros países.

“Devo acautelar que, independentemente do que acontece com os outros, o nosso país deverá usar a sua própria evidência para tomar as medidas que são as mais adequadas. A situação da COVID-19 está, neste momento, controlada. A nossa situação de números de casos é extremamente baixa, mas também a taxa de positividade está abaixo de um por cento, o quer dizer que conseguimos, todos juntos, incluindo meios de comunicação social, sociedade civil e Governo, controlar a doença”, indicou Armindo Tiago.

A previsão do tempo para está quinta-feira indica que  que as três regiões do país enfrentarão temperaturas entre 24 e 38 graus Celsius de máxima. Maputo,  Xai-Xai e Tete serão as cidades mais quentes de hoje.

Na região centro, as urbes da Beira, Chimoio, o Tete e Quelimane poderão registar temperaturas máximas de 31, 29, 35 e 32e  mínimas de 23, 16, 20 e 23 graus Celsius, respectivamente.

De acordo com a Meteorologia, as cidades de Nampula, Pemba e Lichinga poderão registar temperaturas máximas de 31,31,24 e mínimas de 22,24 e 13 graus.

Para as cidades de Maputo, Xai-Xai, Inhambane e Vilankulo, no sul do país, prevêem-se máximas de 38, 35, 33 e 32 e mínimas de 21, 20, 23 e 22 graus Celsius.

Adicionalmente, o INAM prevê ocorrência de chuvas e ventos asoprarem, por vezes, com rajadas em algumas capitais provinciais do país.

O treinamento adequado e frequente é um dos elementos mais importantes para a criação de uma equipa de fiscalização capacitada e disciplinada para combater actividades ilegais e proteger o parque com eficácia.

O nível de treinamento precisa de ser aprimorado para garantir que a equipa de fiscalização seja capaz de lidar com esses ambientes altamente voláteis.

É nesta linha de pensamento que a administração do Parque Nacional do Arquipélago do Bazaruto está a promover um treinamento em matéria de liderança para 14 fiscais, dos quais nove são líderes das equipas de fiscalização.

Segundo apurou o “O País”, este treinamento decorre na Ilha de Bazaruto (Sitone), e terá duração de 28 dias.

A Agência da ONU para os Refugiados (ACNUR), junto ao Governo de Moçambique e parceiros humanitários, agiliza recursos para ajudar milhares de famílias afectadas pelo ciclone tropical Gombe, que destruiu casas, inundou terras e forçou a deslocação de pessoas.

Gombe foi a tempestade mais forte a atingir Moçambique desde os ciclones Idai e Kenneth, que causaram estragos na primavera de 2019, matando centenas e deslocando cerca de 2,2 milhões de pessoas. “Gombe” atingiu o país em menos de dois meses após a depressão tropical Ana, que atingiu o Norte e Centro de Moçambique a 24 de Janeiro, afectando 180.869 pessoas, ferindo 207 e matando pelo menos 38, maioritariamente nas províncias da Zambézia, Nampula e Tete.

Embora a intensidade e o impacto do ciclone Gombe pareçam menos severos do que Idai e Kenneth, esta tempestade de categoria 4 trouxe ventos fortes de até 190 km/h, chuva intermitente e trovoadas, danificando infra-estruturas críticas e interrompendo o fornecimento de electricidade e comunicações na cidade de Nampula, bem como no Centro de Refugiados de Maratane, suas proximidades e nos locais de acolhimento de deslocados internos (IDPs) da província de Cabo Delgado.

Mais de 380 mil pessoas foram afectadas somente na província de Nampula, segundo as autoridades locais, incluindo dezenas de milhares de deslocados. Estas pessoas precisam urgentemente de assistência humanitária, incluindo materiais de abrigo para reconstruir suas casas, as quais desmoronaram durante a tempestade.

Entre os afectados, está uma refugiada burundesa e mãe solteira de três filhos, que disse que a sua família havia fugido para a casa de um vizinho no Centro de Refugiados de Maratane, após a sua casa ter sido completamente destruída. Um jovem disse que as suas plantações foram devastadas pelo ciclone, deixando-o com receio de não conseguir mais sustentar a si mesmo e sua família de quatro agregados.

O ACNUR está a providenciar material de abrigo e outros itens essenciais para apoiar 62.000 refugiados, deslocados internos e membros da comunidade de acolhimento. Várias instalações de infra-estrutura básica também foram danificadas no Centro de Refugiados de Maratane – que abriga 9.300 refugiados – como a escola primária, centro de saúde, armazéns do ACNUR, centro de trânsito e sistema de irrigação. É necessário mais financiamento para garantir que essas reparações possam ser feitas, evitando, assim, que os serviços básicos para os refugiados não sejam interrompidos.

O ACNUR, como agência líder do Cluster de Protecção e seus parceiros, conduziu visitas aos centros de acomodação que hospedam famílias recém-deslocadas, para avaliar as suas necessidades, como abrigo, alimentação, saúde, protecção contra exploração e abuso sexual (PSEA) e serviços de saúde mental e apoio psicossocial.

Em paralelo, o ACNUR trabalha no sentido de fornecer acesso à documentação civil aos deslocados internos, já que muitos perderam os seus documentos ao fugir de casa. Todas as regiões enfrentam riscos climáticos.

Os ciclones e outras tempestades são frequentes e graves, as inundações são mais fortes, as secas cada vez mais intensas e os incêndios florestais mais devastadores. As mudanças climáticas induzidas pelo homem são mais recorrentes e causam perturbações graves e generalizadas à natureza e às pessoas.

Aqueles com menos meios de adaptação são os mais atingidos, incluindo refugiados e deslocados internos. Mulheres, crianças, idosos, pessoas com deficiência e povos indígenas são afectados desproporcionalmente. Mais de 80% dos refugiados e deslocados internos vêm dos países mais vulneráveis ao clima em todo o mundo.

O Reino Unido está a fornecer 1,8 milhões de libras esterlinas, cerca de 152 milhões de Meticais, de ajuda de emergência às pessoas afectadas pela época dos ciclones Gombe e Ana.

Este financiamento irá apoiar a Organização Internacional para as Migrações (OIM), o UNICEF e o Programa Mundial para Alimentação (PMA) a fornecer assistência humanitária às pessoas severamente afectadas por estes fenómenos climáticos extremos.

O UNICEF fará a gestão de 1 milhão de libras esterlinas para reabilitação de infra-estruturas de água, fornecimentos e programas relacionados com as actividades, como educação, água e saneamento e saúde.

A OIM usará 500.000 libras para aumentar a sua capacidade para responder e abordar as necessidades imediatas e emergentes das pessoas deslocadas internamente e de outras comunidades afectadas no Centro e Norte de Moçambique.

O WFP fará uso de 300.000 libras esterlinas para tratar cerca de 6.000 crianças com menos de cinco anos de idade que sofrem de desnutrição aguda e moderada e também irá prover um “super cereal” adicional que permitirá reabilitar cerca de 5.700 mulheres grávidas e lactantes com desnutrição aguda nestas zonas afectadas.

Segundo os últimos relatórios, 53.913 casas foram destruídas e outras 41.587 foram danificadas, particularmente nas províncias de Nampula, Zambézia, Niassa, Tete e Sofala. Mais de 19.000 pessoas foram forçadas a fugir das suas casas e estão a ser alojadas em centros de alojamento e outras já se encontravam em centros de trânsito. O temporal que afectou a cidade da Beira pode causar mais danos para além dos já provocados pelo ciclone Gombe.

“Estamos a trabalhar com parceiros, incluindo o INGD, para fornecer ajuda emergencial às famílias afectadas pelo ciclone tropical Gombe. O Reino Unido fará tudo o que estiver ao seu alcance para ajudar quem mais precisa”, disse NneNne Iwuji, Alta Comissária Britânica para Moçambique.

O Reino Unido tem estado a trabalhar com o INGD na preparação para a época de ciclones, incluindo a utilização de drones para aceder a danos e alcançar locais remotos ou sem acesso.

Depois de nesta terça-feira a sociedade civil ter contestado o anti-projecto da Política Nacional de Terras, esta quarta-feira, vários intervenientes no processo, dos quais o Governo, reuniram-se para acertar os aspectos em desacordo e colher mais subsídios para enriquecer o instrumento, cujo processo de auscultação teve duração de 21 meses.

Na abertura da Reunião Nacional de Terras, o debate começou com a sociedade civil a apresentar as suas inquietações sobre os aspectos que deviam constar do documento legal.

Adriano Nuvunga, do Centro para Democracia e Desenvolvimento (CDD), disse que há, no ante-projecto, aspectos que não ficaram claros, como o caso de acesso à terra segura por parte dos jovens e a possibilidade de este grupo, tendo alguns hectares, poder usar o seu Direito de Aproveitamento e Uso de Terra (DUAT) para ter acesso a um financiamento bancário de modo a poder produzir.

“Há também a questão do ordenamento territorial, saber que esta terra é para produção, ou que é para habitação, ou que é reserva de Estado. Isso, neste momento, não acontece. Outro aspecto importante é o da corrupção e ligado a isto o açambarcamento da terra e a ociosidade, em que os grupos com poder açambarcam a terra e não utilizam enquanto há jovens que precisam”, apontou Nuvunga, para depois apelar que é preciso, além da revisão da política e da lei, atender às questões de governação da terra, que não estão claras.

A sociedade civil indica, ainda, o facto de a auscultação não ter sido abrangente, pois era preciso ouvir mais intervenientes, o que não aconteceu.

A ministra da Terra e Ambiente reconheceu a legitimidade de alguns aspectos apresentados e disse que a realização da reunião da Política Nacional de Terras é mais um espaço de consulta para enriquecer e sanar as possíveis lacunas existentes no documento.

“O Governo reconhece a complexidade das tarefas da Comissão de Revisão da Política Nacional de Terras” e, por isso, o processo de auscultação continuará para ouvir “todos os clamores da sociedade, registar e apreciar todas as propostas recebidas visando a busca de consensos e legitimidade sobre as soluções práticas para os reais problemas dos moçambicanos sobre a terra”.

Segundo Maibaze, depois da reunião que tem duração de dois dias, haverá, ainda, mais 30 dias para acertos até que seja submetido ao Conselho de Ministros para aprovação.

Conforme explicou, a auscultação decorreu num contexto da COVID-19, eventos climáticos e conflitos armados, o que dificultou a abrangência de parte da população e na reunião, por juntar diversos actores da sociedade como representantes dos sectores público e privado, organizações de base, presidentes dos Municípios do país e administradores distritais, de alguma forma, os 30 milhões de habitantes estarão representados.

A governante mencionou, além dos aspectos apresentados pela sociedade civil, outros que deverão fazer parte do documento.

“Prevenir situações de venda, especulação e corrupção no sector de terras, reduzir os conflitos e doutros recursos naturais,  reforçar a protecção dos direitos das comunidades locais, em especial da mulher nas zonas rurais e dos jovens, melhorar os mecanismos de consultas comunitárias e de reconhecimento das normas e práticas costumeiras e respectiva legislação”, mencionou.

Outros aspectos a ter em conta no documento são a protecção dos direitos adquiridos de todos os cidadãos sem qualquer tipo de distinção, a protecção dos direitos da mulher moçambicana sobre a terra, a promoção de maior envolvimento do sector privado para aumentar a produção e produtividade e garantir a segurança alimentar e nutricional.

Com a lei, espera-se uma gestão e administração da terra, com vista a garantir o seu uso sustentável para as actuais e futuras gerações dos moçambicanos.

As organizações da sociedade civil manifestaram interesse em participar activamente na implementação do Plano de Reconstrução de Cabo Delgado (PRCD).

A intenção foi manifestada esta quarta-feira, em Pemba, numa mesa-redonda sobre os desafios e oportunidades na implementação do PRCD organizado pelo Instituto para Democracia Multipartidária (IMD) e o Fórum das Organizações da Sociedade Civil em Cabo Delgado (FOCADE) e que juntou representantes do Governo de Cabo Delgado, políticos, sociedade civil, religiosos, académicos e parceiros de cooperação.

Intervindo no encontro, o director-executivo do IMD, Hermenegildo Mulhovo, sublinhou que as organizações da sociedade civil têm a responsabilidade de garantir que a implementação do plano tenha êxito sendo, portanto, necessário uma participação activa no processo.

“Como sociedade civil, queremos participar de forma activa na implementação do plano de reconstrução, trazendo iniciativas próprias que vão permitir que o PRCD tenha o seu devido êxito”, referiu Mulhovo, reconhecendo o mérito dos avanços verificados, sobretudo, na reposição de infra-estruturas, mas alertando para que se dê uma atenção às questões sociais.

Na mesma linha, o presidente do FOCADE, Frederico João, reconheceu a abertura do Governo e da Agência do Desenvolvimento Integrado do Norte (ADIN) em colaborar com Organizações da Sociedade Civil, mas fala de falta de clareza.

“Apesar do envolvimento da sociedade civil, através do Fórum Provincial de Coordenação na Implementação do Plano de Reconstrução de Cabo Delgado, há um sentimento nosso de falta de clareza”, disse presidente do FOCADE.

Segundo o presidente do FOCADE, tem havido muito secretismo desde a fase de elaboração até à implementação dos projectos.

Por sua vez, o chefe de Departamento de Planificação e Orçamento, na Direcção Provincial das Finanças, Amaral Dias, reconheceu as preocupações da sociedade civil e apontou o momento sensível que a província vive e receios de infiltração no grupo de trabalho, como sendo a razão da limitação da participação da sociedade civil no fórum que coordena a implementação do PRCD e pediu aos representantes das organizações e líderes comunitários para confiarem nas entidades que lideram o processo de implementação do plano.

No encontro, o representante da ADIN, Haggai Maunze, reconheceu a necessidade de se socializar o plano, considerando que, desta forma, pode mobilizar mais apoios para a implementação.

“A iniciativa afigura-se como uma oportunidade de podermos socializar com todos os actores e forças vivas que têm trabalhado na província de Cabo Delgado no sentido de apoiar o processo de implementação do PRCD 2021-2024, um instrumento do Governo de Moçambique, aprovado no ano de 2021, em Outubro. De lá para cá, tem estado na sua fase de implementação e, neste processo, temos o fórum de reconstrução que é presidido pelo secretário de Estado. A ADIN faz parte deste fórum e é responsável pela implementação da componente de reconstrução”, disse Maunze.

Os organizadores entendem que um engajamento deficiente das Organizações da sociedade civil e das lideranças comunitárias na implementação do PRCD pode eventualmente comprometer os resultados, visto que estes assumem um papel relevante na promoção da paz e reconciliação, ajuda humanitária, no reforço à prestação de serviços às comunidades, bem como, na monitoria da implementação do plano.

O abandono ao tratamento, discriminação e o estigma ainda constituem desafios no combate ao HIV/SIDA no país, numa altura em que mais de dois milhões de pessoas vivem com a doença, dos quais 124 mil são crianças dos 0 aos 14 anos, segundo a Assembleia da República.

Moçambique ainda é um dos cinco países mais afectados pelo HIV/SIDA no mundo. “Até 2021, cerca de 2,1 milhões de pessoas viviam com HIV, dos quais 124 mil eram crianças dos 0-14 anos. Ocorreram, ainda, cerca de 94 mil novas infecções e cerca de 35 mil óbitos relacionados com o SIDA”, apontou Fernando Lavieque, presidente do Gabinete Parlamentar de Prevenção e Combate ao HIV/SIDA.

Da informação partilhada com os deputados da Assembleia da República, consta que houve uma ligeira redução do número de novas infecções, desde o último estudo em 2010, se comparado a 2021.

“Embora Moçambique tenha alcançado uma redução de 35% em termos de novas infecções em relação a 2010, nota-se, ainda, uma variação significativa de novas infecções pelo HIV, por província, sendo as mais críticas as de Zambézia, Nampula, Maputo Província, Sofala e Cabo Delgado, com um peso de mais de 75% de novas infecções”.

De forma concreta, Zambézia contava com 23.777 pessoas, em 2020, contra 22.649 em 2021; Nampula com 23.039 em 2020, contra 21.577 ano passado; Maputo Província com 6.049 pessoas em 2020, contra 6.035 em 2021; Sofala com 11.417 em 2020, contra 11.547 ano passado; e Cabo Delgado com 9.637 em 2020, contra 9.581em 2021.

Mas, nem tudo está mal. Por exemplo, a taxa de transmissão vertical reduziu de 28%, em 2010, para 13% em 2020. No entanto, continua muito elevada e, como resultado, houve 13.000 novas infecções entre as crianças em 2020.

“Apesar destes desafios, notam-se avanços significativos na área dos cuidados e tratamento, ao passar de 1633 em 2020 para 1690 unidades sanitárias a administrarem os antirretrovirais em 2021, o equivalente a 97% da cobertura da rede nacional da saúde. Como resultado, Moçambique passou de 1.402.902 pessoas vivendo com HIV/SIDA com acesso ao TARV, em 2020, para 1.698.496 em 2021”, esclareceu.

Ora, apesar desta ligeira redução, o abandono ao tratamento continua um dos grandes desafios.

“No âmbito da resposta ao HIV/SIDA, há necessidade de se encontrarem mecanismos para que o Fundo Global não restrinja o financiamento apenas para as acções das grandes ONG, devendo financiar, também, as organizações comunitárias de base para que continuem a prover os seus serviços, baseados na prevenção e cuidados domiciliários. Por outro lado, o gabinete desencorajou as mulheres trabalhadoras de sexo face às vulnerabilidades a que estão expostas e o risco que as mesmas correm à contaminação de ITS, HIV e COVID-19”, disse.

Reagindo ao informe do Gabinete Parlamentar de Prevenção e Combate ao HIV/SIDA, a bancada parlamentar da Frelimo menciona as suas maiores preocupações.

“O abandono ao tratamento antirretroviral, paralisação dos projectos de combate ao HIV/ SIDA, sobretudo por causa da pandemia da COVID-19, e a existência de poucas instituições do sector privado com acções de resposta ao HIV/SIDA no local de trabalho”, disse Edson Nhangumele, deputado da Frelimo.

Já a Renamo defende uma maior resposta nas famílias e comunidades mais recônditas, pois, segundo a deputada Lúcia Afate, “é nosso entendimento que a descentralização da resposta ao HIV/SIDA deve ser uma prioridade, porque o paciente está nos bairros, nas famílias. As organizações comunitárias de base, que lutam contra esta epidemia, estão a desaparecer aos poucos”.

Por seu turno, o MDM apela para coesão das organizações estrangeiras na luta contra a doença, sem partidarismo, pois esta é uma luta de todos.

“Tratar é a mensagem que a Assembleia [da República] quer transmitir, sem divisões, sem bancadas. Há que aderir ao tratamento, mas, acima de tudo, prevenir o HIV/SIDA”, exortou Silvério Ronguane.

A plenária apreciou e aprovou, em definitivo, esta quarta-feira, o Projecto de Resolução sobre a informação do Gabinete Parlamentar de Prevenção e Combate ao HIV/SIDA.

+ LIDAS

Siga nos

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE