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O País – A verdade como notícia

Maria Helena Taipo vai a tribunal, amanhã, contar a sua versão sobre o desvio de 113 milhões de Meticais da Direcção do Trabalho Migratório, depois de os seus antigos subordinados, co-arguidos no processo, terem dito que parte do saque teve a sua autorização.

Sim, é desta vez que a antiga ministra do Trabalho será ouvida em Tribunal, depois de a data da sua audição ter sido alterada por duas vezes.

A que era titular máxima do Ministério do Trabalho deverá explicar como saíram os 113 milhões de Meticais da Direcção do Trabalho Migratório e qual foi o seu papel.

Parte deste valor desviado vinha das empresas mineiras da África do Sul, atravessava a fronteira para Moçambique com o objectivo de servir aos interesses dos mineiros quando estivessem no solo pátrio. E porque não os serviu, por desvio, Maria Helena Taipo terá de atravessar uma ponte, para ir se explicar no Tribunal Judicial do Distrito Municipal Katembe, Cidade de Maputo.

Dos arguidos já ouvidos, o dedo é apontado à antiga governante como quem autorizava as várias transferências e os levantamentos ilegais. Aliás, terá sido com base nas suas autorizações que foi possível até forjar contratos inexistentes, para se desviar dinheiro. A verba desviada foi usada para compra de cabazes, almoços de confraternização; de bicicletas, motorizadas e outras despesas teriam sido custeadas com o dinheiro que saía da Direcção do Trabalho Migratório.

A explicação de grande parte das razões, quer das transferências, quer dos levantamentos, veio do então chefe de Repartição Financeira da DTM. José Monjane confirmou ter assinado duas transferências para a Premier Group, com a finalidade de comprar cabazes. E, quando perguntado quem autorizou, o nome Helena Taipo era apontado.

Projectos como o de aquisição de 50 bicicletas em Quelimane, compra de motorizadas, reabilitação e construção de edifícios, projectos de reinserção social de ex-mineiros, como os que resultaram em contratos fraudulentos, são também algumas das matérias que Monjane teve de explicar. De novo, o nome de Helena Taipo estava lá, até porque o arguido disse que todos os projectos eram do conhecimento da antiga ministra.

O mesmo homem acusado disse, no primeiro dia da sua audição, que os 200 mil Meticais, que passou ao então chefe do Gabinete da ministra do Trabalho, tinham a ver também com Helena Taipo, mesmo sem especificar a finalidade.

Na vez do arguido Pedro Taimo, também foi questionado sobre a compra de 50 bicicletas em Quelimane para mineiros e seus familiares. Não quis dar detalhes, preferiu abster-se, mas garantiu que nenhum projecto avançava sem o conhecimento de Maria Helena Taipo.

Na verdade, só não fizeram menção ao nome de Helena Taipo os arguidos que não eram funcionários da Direcção do Trabalho Migratório ou do Ministério do Trabalho.

E pelos factos acima mencionados e outros que constam da acusação, a antiga ministra é acusada de crimes de peculato, abuso de confiança e participação económica em negócio.

Da acusação e do exposto em tribunal, que dirá Maria Helena Taipo?

O país nipónico doou, hoje, material de controlo de fronteiras para reforçar a vigilância nas zonas fronteiriças de Niassa e Cabo Delgado. A doação visa travar a entrada de terroristas por aquelas duas províncias.

Cabo Delgado e Niassa são duas províncias com registo de ataques terroristas e onde se tornou imperativo um maior controlo das fronteiras, depois de se ter constatado que é por meio delas que chegam ao país os terroristas.

O Japão assegura estar ao lado de Moçambique nesta missão, por isso anunciou, esta segunda-feira, uma doação de equipamento para de controlo e monitoria de fronteiras no país, com destaque para as províncias acima referidas.

O material inclui rádios, instrumentos de inspecção por raio-x para bagagens, scanner corporal e viaturas de patrulha.

Segundo o Embaixador Extraordinário e Plenipotenciário do Japão em Moçambique, Kimura Hajime, o material tem o potencial de contribuir para a estabilidade social no país, sobretudo nas áreas afectadas pela violência armada.

“Vamos continuar a trabalhar com o Governo moçambicano no combate ao terrorismo na província de Cabo Delgado, porque o mais importante para nós é a paz que tanto se almeja”, afirmou Kimura Hajime.

O donativo é um reforço que vai ajudar a ter maior e melhor controlo sobre as fronteiras. O executivo lembra que esta não é a primeira ajuda do Japão nos esforços contra a violência armada no Norte do país.

Ismael Valgy, da Direcção para Ásia e Oceânia, destaca, por exemplo, a disponibilização, por parte do Governo de Japão, de um navio de patrulha que está a operar nas águas moçambicanas.

“O Japão tem-se destacado através da sua intervenção, nas áreas-chave do plano quinquenal do Governo, tais como agricultura e segurança alimentar, recursos minerais e energia, infra-estruturas de transporte e comunicação, entre outros domínios do âmbito económico e social”, destacou Ismael Valgy.

O equipamento resultou de um acordo sobre troca de notas entre os dois Governos e está avaliado em mais de quatro milhões de dólares americanos.

Os réus das dívidas ocultas poderão, na próxima semana, apresentar os seus posicionamentos sobre o processo de arresto de bens. A sessão de contraditório diferido será conduzida por Efigénio Baptista por decisão do Tribunal Superior de Recurso de Maputo que concluiu que não existe inimizade entre o juiz e o réu Renato Matusse.

Depois de ter sido adiada, no dia 24 de Fevereiro, a audiência para a discussão sobre o arresto de bens no “caso dívidas ocultas”, poderá decorrer na próxima semana.

A discussão sobre o arresto tinha sido adiada porque, só naquela data, os advogados receberam a totalidade dos documentos referentes ao processo cível.

Segundo fonte próxima ao processo, a sessão, em que os réus serão ouvidos sobre o requerimento do Ministério Público que pediu ao tribunal para arrestar os bens que terão sido adquiridos com os subornos efectuados pelo Privinvest, vai ter lugar nas instalações do Tribunal Judicial da Cidade de Maputo e não na tenda da Cadeia de Máxima Segurança.

A mesma será conduzida pelo juiz Efigénio Baptista, pois o Tribunal Superior de Recurso já decidiu que não é suspeito para não estar à frente deste processo. O posicionamento do Tribunal de Recurso consta de um documento e é o resultado de um requerimento submetido pelo advogado do réu Renamo Matusse que alegava que Efigénio Baptista tem inimizade com Matusse.

A sessão para discutir arresto de bens deve decorrer antes da leitura da sentença, entretanto não altera os prazos para o veredito final sobre o processo de querela 18/2019-C.

Nos últimos dois anos, o país já sofreu quatro ciclones, um número superior ao que foi registado em 10 anos entre a década de 80 e 90. Especialistas defendem que o país precisa de investir urgentemente em tecnologias capazes de dar, com maior precisão, a ocorrência de eventos climáticos severos, para evitar mais mortes.

Um estudo divulgado na última semana pelo Instituto Nacional de Meteorologia chancela o que já se previa, o pior pode estar por vir. O documento revela que há mais ciclones no país do que nas décadas passadas. Entre a década de 80 e 90, por exemplo, apenas três ciclones atingiram o território. Esse número quase duplicou entre 2000 e 2010, período em que foram registados cinco ciclones. Entre 2010 e 2020, o número de ciclones também subiu para sete.

E a questão que não quer calar é: o que nos reserva a década 2020-2030? O certo é que, em apenas dois anos, o país já registou quatro ciclones, um número superior ao dos 10 anos entre a década de 80 e 90.

Face às estatísticas, o futuro parece cada vez mais perto. Os especialistas defendem, por isso, que o país precisa de começar a adaptar-se a esses fenómenos, de modo a reduzir os seus impactos. Mas tal adaptação depende também da qualidade de informação fornecida às instituições e às populações, para melhor tomada de decisão, mas o país ainda tem fragilidades. O INAM lamenta que o país não tenha vários dispositivos tecnológicos que poderiam ajudar na identificação precoce de eventos climáticos severos, como radares meteorológicos, satélites e boias.

 

INAM QUER EQUIPAMENTOS PARA EVITAR MORTES POR DESCARGAS ATMOSFÉRICAS

A entidade diz que também se deve investir para evitar mortes por descargas eléctricas, outro desafio para as comunidades. “Precisamos de uma rede de estações de monitoria de descargas eléctricas para que, se houver alerta em zonas onde há probabilidade de ocorrência, a população possa abrigar-se em locais seguros, e deste modo, evitar mortes e destruição de infra-estruturas”, precisou Adérito Aramuge, director-geral do INAM.

Recentemente, o Presidente da República lançou a iniciativa “Um Distrito, Uma Estação Meteorológica”. O projecto suscitou questionamentos sobre o porquê de se fazer o mesmo investimento em cada distrito, ao que o INAM se justificou. “Não só é importante para a transmissão de informação meteorológica local para a sede de análise e previsão do tempo, mas também, permite, por exemplo, que o avicultor local tome as melhores medidas para evitar que a sua produção se perca em caso de situações de calor excessivo. Permite também que, ao se prever o arranque das chuvas no distrito, essa informação chegue aos agricultores para que possam preparar a sementeira. Em suma, permitirá que os administradores locais planeiem melhor as suas actividades”, reiterou.

Trata-se de um investimento orçado em mais de 700 milhões de Meticais. Mas isso não é tudo, o INAM defende que o país precisa de instalar estações meteorológicas em boias marítimas, ao longo do Canal de Moçambique, dispositivos que possam, entre outras funções, auxiliar na medição das temperaturas das águas do mar, indicar a direcção e velocidade do vento, medir a radiação solar, entre outras funções.

 

CIDADE DA BEIRA TERÁ RADAR METEOROLÓGICO ESTE ANO

Outra frente é a montagem de pelo menos sete radares meteorológicos, instrumentos, que têm a capacidade de fornecer informação meteorológica precisa em curto espaço de tempo, num raio de 400 quilómetros. Para ter todos esses equipamentos, seria necessário fazer um investimento de 50 milhões de dólares, valor de que o país não dispõe. Neste momento, existe a garantia de cinco milhões de dólares do Banco Africano de Desenvolvimento para a montagem, ainda este ano, de um radar na cidade da Beira. “É um equipamento de alto investimento, o que quer dizer que 10 por cento do valor será para garantir a sua manutenção”, disse Aramuge.

Com o radar, será também possível perceber, com antecedência, a localização da chuva, sua intensidade, até a estrutura da nuvem. Essa informação é captada em tempo real por uma antena parabólica que faz movimento giratório dentro de uma bola protectora da antena.

 

“REASSENTAMENTO DEVE SER PLANIFICADO”

Quem também depende da informação meteorológica para a sua actuação é o Instituto Nacional de Gestão de Riscos de Desastres (INGD), que tem a missão de gerir e mitigar os efeitos dos eventos climáticos severos. É em resultado dessa informação que a entidade diz já ter mapeado todas as zonas vulneráveis. Entretanto, questionada sobre as mortes sistemáticas nas regiões já identificadas, a porta-voz disse que a instituição vem alertando, mas não cabe a si a responsabilidade de gerir os territórios.

“Nós já mapeamos as zonas que sistematicamente sofrem, cabe aos administradores e governos locais não permitirem que as pessoas construam nesses locais”, distanciou-se Nelma de Araújo, porta-voz do INGD, para, em seguida, defender que, em caso de reassentamento, “na nossa actuação, o mais importante é tirar as populações das zonas de risco, logicamente que entra para o plano da nova zona a colocação de serviços básicos, cabendo a cada sector fazer o seu papel”, defendeu Nelma de Araújo, porta-voz daquela entidade.

Entretanto, essa posição é criticada por académicos. Para o académico Agostinho Vilanculos, “não podemos querer fazer bairros de reassentamento quando estamos perante uma emergência. Esse é um erro! Um bairro de reassentamento deve ser previamente planeado, para que sejam colocados os serviços básicos, determinar o tipo de parcelamento a ser feito, colocar jardins, árvores, esquadras, entre outras infra-estruturas, de modo a criar um polo de desenvolvimento e convidar a população a não sair do local”, defendeu Vilanculos.

Para Vilanculos, é essa forma de actuação do Estado que faz com que haja transferência dos problemas da zona vulnerável para os bairros de reassentamento.

 

EM TRÊS CICLONES, EDM TEVE PREJUÍZOS DE 600 MILHÕES DE MT

Criticada por colocar algumas das suas infra-estruturas em locais que não se deveria habitar, a empresa Electricidade de Moçambique também lança a culpa aos gestores do território. A empresa reconhece a gravidade da situação, pois tem impactos na sua gestão. Nos últimos três ciclones, teve que investir mais de 600 milhões de Meticais para repor as infra-estruturas danificadas. O “Gombe”, o último a atingir o país, danificou boa parte da rede de distribuição da zona Norte.

“Com o dinheiro gasto na reposição das infra-estruturas afectadas, poderíamos ter feito 600 quilómetros de linha de média tensão. Isso seria um investimento de dois anos”, lamentou Luís Amado, porta-voz da empresa.

O ciclone Gombe, que afectou, recentemente as províncias de Nampula, Sofala e Zambézia, causou a morte de mais de 60 pessoas, maior parte por desabamento de casas, o que voltou a reacender o debate sobre a resiliência das casas. A Ordem dos Arquitectos defende que há fragilidades na difusão de boas práticas.

“Entendemos que não é só reduzir os materiais de construção, é preciso ensinar às populações as técnicas de manusear esse material. Uma casa de pão a pique pode ser melhorada para que não caia com o vento. Isto é, ela pode ser construída para que resista a essa situação, mas essa informação deve estar sob domínio das comunidades”, reiterou o arquitecto Anselmo Cani.

Entretanto, o INGD garante que já difunde essas boas práticas, mas o certo é que, apesar dessas acções, mais pessoas morrem e, se algo não for feito neste ano, no próximo ano voltaremos a debater os mesmos problemas.

A gestão de processos na Administração Pública passará a ser feita através de um sistema electrónico, ainda no mês de Abril. Para a Ministra da Administração Estatal e Função Pública, Ana Comoane, este sistema vai reduzir os custos de gestão do papel e flexibilizar o atendimento ao público.

A gestão de documentação na função pública tem sido um grande desafio na gestão dos conteúdos, o que automaticamente incorre na má prestação de serviços. Ana Comoane reconhece o problema.

“Temos ainda grandes desafios por ultrapassar, por exemplo, as perdas constantes dos documentos, por vezes sigilosos, a demora e dificuldade na localização de informações, sobretudo em casos de urgência e a dificuldade de partilhar documentos que, pela natureza, podem ser partilhados com o público”.

Comoane disse que estes factos concorrem para as inúmeras vezes em que cidadãos são vedados o acesso a alguns documentos, o que constitui uma violação legal.

“Muitas vezes, a desculpa de não disponibilizarmos é um pretexto que encontramos quando não localizamos os documentos e a forma como gerimos os nossos arquivos não é eficiente”, disse.

A plataforma de gestão documental está, neste momento, na fase de validação e prevê-se que entre em funcionamento ainda neste mês de Abril, depois da verificação do cumprimento da base legal de cada instituição abrangida.

Carlos Manhique, Director Nacional da Transformação Digital no Instituto Nacional de Governo Electrónico (INAGE), explica que se trata de um instrumento que “permite a sistematização de processos e vai colmatar a tramitação de expediente físico. Nós agora estamos a entrar na fase-piloto, já que traçamos um plano para operacionalização, uma vez que se trata de instituições de todo o país”.

A fonte acrescentou, ainda, que há instituições já eleitas para gerir o processo, nomeadamente o Centro Nacional de Documentação e Informação de Moçambique (CEDIMO), Gabinete de Informação (GABINFO), Instituto Nacional de Governo Electrónico (INAGE) e alguns Ministérios.

O sistema deve passar pela aprovação do conselho técnico e consultivo do Ministério da Administração Estatal e Função Pública e prevê-se que o processo permita a sua entrada em funcionamento a partir dos finais do mês de Abril.

Sobre o risco de invasão de websites, a semelhança ao que aconteceu a 20 de Fevereiro, onde quase todos os portais do Governo haviam sido tomados por ciber terroristas, revelando alguma fragilidade, Manhique garante impenetrabilidade do sistema.

“Nós estamos bem cientes disso, tendo em conta que o instrumento vai aglutinar processos de todo o país, nós garantimos o sistema de backups e replicagem de dados a nível nacional. Refira-se que este sistema está assente a nível de centro de dados do Governo, que é o mesmo local de onde foi possível restaurar os sites hackeados em Fevereiro”.

Os gestores falavam, esta segunda-feira, durante o 1º fórum de chefes de secretarias, coordenadores das comissões de avaliação de documentos e gestores de informação classificadas.

O objectivo desta reunião é capacitar os gestores de informação e, na mesma ocasião, foram debatidos temas como “Importância do segredo de Estado na movimentação de materiais classificados e evolução da gestão de documentos e arquivos na Administração Pública.

Dezenas de casas estão inundadas com água suja proveniente de uma empresa vocacionada à reciclagem de plástico no bairro Zimpeto, na Cidade de Maputo. Para pressionar no sentido de o problema ser resolvido, várias pessoas amotinaram-se defronte à firma chinesa, que não quis falar à imprensa sobre o assunto.

Nádia Nhabinde é proprietária de uma casa que está inacessível devido à água que inundou os acessos e o seu quintal. Ela foi obrigada a abandoná-la. “Estou a viver de favores em casa da minha cunhada, porque a minha casa está no meio de água suja. O chinês (proprietário da empresa) diz que não consegue tirar a água, porque este local é uma zona baixa e é propensa a inundações”.

Foi na noite do último sábado que o muro de vedação desabou e a água da lavagem do plástico reciclado, naquela empresa, escapou e atingiu as casas nas proximidades.

A casa de uma outra senhora foi afectada e ela não consegue conter a emoção, corriam-lhe lágrimas no rosto e não parava de soluçar. “O muro de vedação da minha casa caiu e toda água entrou, até no meu quarto tudo está molhado”.

E na manhã desta segunda-feira, os moradores amotinaram-se junto à empresa para exigir a solução do problema que está a afectar a saúde pública daquela comunidade.

Em Setembro do ano passado, esta  empresa viu-se obrigada a encerrar as actividades devido à poluição ambiental.

No mês seguinte, a Agência Nacional para o Controlo da Qualidade Ambiental e a Inspecção Nacional de Actividades Económicas autorizaram a retoma de actividades por seis meses, isto é, até 30 de Abril corrente, como atestam documentos a que o jornal “O País” teve acesso. Em poucos dias para encerrar as actividades, mais um incidente abala a comunidade, que exige, pois, que a empresa seja encerrada imediatamente.

Os proprietários da empresa, Lisorte Recycled Plastics, Lda, de origem chinesa, não quiseram prestar declarações, e a Inspecção Nacional das Actividades Económicas diz que precisa de autorização para abordar o assunto. Já a Agência Nacional para o Controlo da Qualidade Ambiental avançou que precisa de aferir a situação para se pronunciar.

Persistem no país maus sinais da insegurança alimentar precipitados pelo conflito armado em Cabo Delgado, chuvas abaixo da média no sul e partes do centro de Moçambique, inundações e danos causados ​​pelas tempestades tropicais Ana e Dumako, e o ciclone tropical Gombe.

Os agregados familiares, nas áreas afectadas pelas cheias, com acesso a sementes de ciclo curto poderão começar o lançamento das sementes logo depois das inundações, com uma colheita prevista para Julho.

No entanto, é improvável que a maioria das famílias pobres tenha bons resultados na campanha 2021-2022 em curso. O atraso na colheita provavelmente prolongará a temporada de escassez e impedirá que os preços dos alimentos caiam sazonalmente.

As restrições da COVID-19 estão a aumentar o baixo envolvimento das famílias em actividades típicas de subsistência, com muitas famílias pobres permanecendo estressadas e em crise, isso nas áreas urbanas e periurbanas.

Prevê-se, ainda, que o início da colheita seja adiado em um mês na maior parte do país, à excepção da Província de Maputo, onde a colheita principal já começou.

Espera-se uma colheita próxima da média nas áreas de maior produção de Moçambique, incluindo o norte de Tete, os planaltos de Sofala, Manica e Zambézia, grande parte do Niassa, e o interior de Nampula e Cabo Delgado.

Porém, a maior parte do sul de Moçambique, incluindo partes das províncias de Sofala e Manica, provavelmente terá colheitas bem abaixo da média devido a chuvas abaixo da média e períodos de seca prolongados.

As áreas baixas das províncias de Nampula, Zambézia e Sofala também perderam colheitas devido às cheias, mas a plantação pós-cheias é possível se os agregados familiares tiverem acesso a sementes de ciclo curto.

No geral, a produção nacional deverá ser inferior a do ano passado e abaixo da média de cinco anos após várias complicações ao longo da campanha agrícola.

 

O DILEMA DOS PREÇOS DE PRODUTOS

Os preços do milho de Fevereiro de 2022 tiveram uma tendência mista, variando de 15 por cento abaixo a 8 por cento acima dos preços de Janeiro.

O atraso no início da colheita pode fazer com que os preços atinjam o pico em Abril, relativamente ao que aconteceu em Março passado. Os preços do grão de milho em Fevereiro de 2022 estavam entre 13 e 52 por cento abaixo do nível do ano passado, excepto em Chókwè e Montepuez, províncias de Gaza e Cabo Delgado, respectivamente, onde os preços do milho estavam estáveis.

Em todos os mercados monitorados, os preços do grão de milho estavam entre 5 e 42 por cento abaixo da média de cinco anos, excepto em Montepuez, na província de Cabo Delgado, e Manica, onde os preços do produto estavam 39 e 6 por cento acima da média de cinco anos.

Os preços do arroz e da farinha de milho ficaram estáveis ​​na maioria dos mercados monitorados.

Em 17 de Março de 2022, o Governo aumentou os preços dos combustíveis domésticos de 5 a 15 por cento, devido ao aumento dos preços do petróleo bruto no mercado internacional.

Os preços da gasolina, óleo de cozinha e diesel aumentaram de 12 a 15 por cento, enquanto os preços da parafina aumentaram em 5 por cento. O aumento nos preços dos combustíveis resultou na paralisação da actividade de transporte de passageiros.

Além dos custos de transporte, o aumento dos preços dos combustíveis provavelmente aumentará o custo das transações de mercadorias e alimentos básicos.

O aumento dos preços do combustível e do pão poderá reduzir o poder de compra das famílias. Aliás, o custo do pão já está a ser agravado pelos panificadores, devido ao aumento nos preços globais do trigo.

As informações constam de um relatório da Rede de Sistemas de Alerta Antecipado da Fome (Fews Net). A Rede foi criada pela Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento (USAID), em 1985, para ajudar os tomadores de decisão a planear crises humanitárias.

Trata-se de um episódio que ocorreu, em Outubro de ano passado, em Inhambane, quando Polim Nhapossa, jovem de 19 anos de idade, manteve relações sexuais com uma menina, à data dos factos com 10 anos.

Em sede do tribunal, o implicado contou que tudo começou quando estava num bar a consumir bebidas alcoólicas. Já por volta das 15h00, quando abandonou o local cruzou-se, pelo caminho, com a referida menor e foi aí que teve a ideia de “usá-la” como seu objecto sexual.

Polim contou, ao Tribunal Judicial de Inhambane, que conduziu a menina para uma casa abandonada perto do local em que estavam, onde, de seguida, mostrou à vítima um vídeo pornográfico que estava no seu celular.

Depois de ver o vídeo, o arguido obrigou a vítima a fizer o mesmo que acabavam de ver no vídeo, no caso, sexo oral. “Eu mostrei o vídeo, depois baixei as minhas calças e mandei a ela imitar o que se fazia no vídeo, ela não negou! Fez, mas depois colocou-se a chorar”, disse o arguido diante do tribunal.

Perante insistência do Ministério Público, o arguido recusou ter usado a força para obrigar a menina a manter relações sexuais com ele. “Depois de ela chorar, dei orientações para ela ir para casa. De seguida, cruzei-me com uns amigos, foi quando a menina apareceu com o pai e apontou-me”, acrescentou Polim, perante a assistência.

A previsão do tempo para este’a segunda-feira indica que as três regiões do país enfrentarão temperaturas entre 26 e 37 graus Celsius de máxima.  A cidade de Tete será a mais quentes de hoje.

Na região centro, as urbes da Beira, Chimoio, o Tete e Quelimane poderão registar temperaturas máximas de 31, 30, 37 e 31 e  mínimas de 23, 20, 24 e 24 graus Celsius, respectivamente.

De acordo com a Meteorologia, as cidades de Nampula, Pemba e Lichinga poderão registar temperaturas máximas de 31,31,26 e mínimas de 21,23 e 15 graus.

Para as cidades de Maputo, Xai-Xai, Inhambane e Vilankulo, no sul do país, prevêem-se máximas de 35, 35, 32 e 31 e mínimas de 23, 24, 25 e 26 graus Celsius,

Adicionalmente, o INAM prevê ocorrência de chuvas e ventos asoprarem, por vezes, com rajadas em algumas capitais provinciais do país.

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