Skip to main content

O País – A verdade como notícia

Longas filas e várias reclamações caracterizam, esta quarta-feira, algumas bombas da Cidade de Maputo, devido à escassez do produto. As longas filas resultaram em tráfego em algumas vias da cidade. 

Pelo segundo dia consecutivo, o “O País” fez uma ronda pela Cidade de Maputo e o cenário mantém-se. Longas filas nos postos de venda de combustível e tráfego nas vias. Automobilistas reclamam do longo tempo de espera. 

“Estou aqui desde às sete horas da manhã e agora estou a ouvir que já não tem combustível e não sei o que fazer, porque eu uso o carro para trabalhar. Estou aqui desde de manhã. Fui a Galp, mas disseram que estava muito cheio e que aqui estava melhor, mas até agora nada”, reclamou Otília Mulhanga que buscava por combustível nas bombas da Praça dos Combatentes. 

Além das longas filas de viaturas, há também muitos cidadãos que levam galões para tentar comprar combustível e levar até a sua viatura. Refira-se que algumas bombas recusam-se a abastecer em galões. 

“Estou aqui desde as 10. Esta não é a primeira bomba que visito. Primeiro fui às bombas de Magoanine, mas só estavam a abastecer diesel. Depois vim aqui. A minha actividade está parada hoje, porque tenho que ficar nesta bicha”, reclamou Danilo Pedro que também buscava por combustível.

Há cerca de um mês que se regista uma acentuada escassez de combustível na cidade de Manica. Na única bomba onde ainda há disponibilidade, o abastecimento de meios circulantes está a ser feito de forma limitada, permitindo-se apenas cinco litros para carros e um litro para motorizadas, numa tentativa de garantir que mais utentes tenham acesso ao produto.

Vários automobilistas e motociclistas acorrem à única bomba que ainda fornece combustível na esperança de adquirir o líquido. Odete António, por exemplo, está na fila já há algumas horas, aguardando pacientemente. 

“Está muito crítica a situação de combustível, desde que chegamos aqui ainda não abasteci. estão a dizer que só estão a abastecer 500 Meticais para carros”, reclamou. 

Para motorizadas, o valor disponível baixa para 100 meticais, o que começa a complicar seriamente as contas dos mototaxistas, que vêem a sua actividade cada vez mais prejudicada devido à persistente escassez de combustível, afectando directamente o seu rendimento diário.

“O que está a acontecer em Manica é muito terrível, aqui estamos a sofrer, nem dinheiro de receita estamos a conseguir. Combustível de 100 não serve para chegar longe, se pelo menos fosse de 100 ou 200”, reclamou um mototaxista. 

O problema da escassez de combustível na cidade de Manica já se arrasta há vários dias, sem uma solução imediata à vista, aumentando a preocupação dos residentes e operadores de transporte.

“Combustível em Manica está muito mal, a bomba que sempre teve combustível é essa bomba só, outras bombas não têm. A situação está assim há um mês”, queixou-se outro mototaxista. 

Até o fim do dia de ontem, mais uma bomba, localizada na região de Nhakoza, já tinha combustível, totalizando duas bombas com combustível, das cinco existentes na cidade.

Vinte e seis pessoas foram assassinadas em apenas três meses, na província de Inhambane.  As causas são, geralmente,  linchamento e  motivações passionais. O episódio mais recente ocorreu no distrito de Morrumbene, onde um jovem foi torturado e atirado ao rio, acusado de ter roubado 10 galinhas.

Um vídeo amador expõe mais um caso brutal de justiça pelas próprias mãos na província de Inhambane. Na localidade de Malaia, no distrito de Morrumbene, moradores torturaram, amarraram e atiraram um jovem ao rio, onde acabou por morrer. A justificação é que a vítima terá roubado 10 galinhas.

“O corpo encontrava-se a mergulhar no rio local. As informações foram colhidas através de um trabalho entre o SERNIC e a Polícia, no qual se constatou que o corpo tenha sido torturado por indivíduos, a data dos factos desconhecidos.   Diligências foram desencadeadas que culminaram com a detenção, até este momento, de três cidadãos que estão envolvidos na prática deste tipo legal de crime”, disse Alcéres Cuamba, porta-voz do SERNIC.  

O Serviço Nacional de Investigação Criminal descreve um cenário ainda mais alarmante. Em apenas três meses, mais de 25 pessoas foram assassinadas na província, grande parte vítimas da justiça popular.

“Só de Janeiro a esta parte, o Serviço Nacional de Investigação Criminal registou 26 processos deste crime de homicídio agravado, sendo que os distritos de Morrumbene, Maxixe, Zavala e Inharrime lideram o maior volume processual”, avançou Cuamba.  

Segundo o porta-voz da instituição, a média ocorrem cerca de dois homicídios por semana, com destaque para crimes motivados por ciúmes e, sobretudo, por actos de justiça popular.

A Fidelidade Ímpar Moçambique distinguiu, hoje, os vencedores da 1ª edição do Prémio Fidelidade Ímpar Comunidade, em Maputo. O evento reuniu organizações da sociedade civil, parceiros e órgãos de comunicação social.

Nesta primeira edição, foram distinguidas iniciativas nas áreas de Inclusão Social de Pessoas com Deficiência ou Incapacidade e de Prevenção em Saúde, com um apoio total de Um milhão e quinhentos meticais e  750 mil por organização vencedora.

Segundo o comunicado da organização, foram recebidas um total de mais de 216 candidaturas. As propostas foram avaliadas por um júri independente, composto por Jorge Ferrão, Terezinha da Silva, Mércia Viriato, Stewart Sukuma e Vitor Bandeira – PCE da Fidelidade Ímpar Moçambique. 

Os projectos vencedores são: NutiFamily+ (Programa Comunitário de Nutrição, Inclusão Produtiva e Resiliência Alimentar), desenvolvido pela Associação Nutrição em Desenvolvimento (ANDMoz); Prevenção em Saúde Projecto: Empoderamento das Raparigas em Situação de Vulnerabilidade por meio da Promoção e Acesso à Higiene e Saúde Menstrual da Associação Missão Moçambique (MiMo) em parceria com a Be Girl.

Para Víctor Bandeira, PCE da Fidelidade Ímpar Moçambique, o Prémio Fidelidade Ímpar Comunidade é a forma de tornar concreto o compromisso da organização com o país.

Fidelidade Moçambique é a seguradora de referência em Moçambique, oferecendo uma vasta gama de produtos nos ramos Vida e Não Vida. Guiada por valores como a Experiência, a Inovação, a Superação e o Valor Humano, a Fidelidade Moçambique disponibiliza soluções ajustadas às diferentes necessidades das famílias e das empresas moçambicanas.

A Fidelidade Moçambique é a única seguradora moçambicana com uma classificação internacional de robustez financeira (Financial Strength Ra/ng – FSR) elevada, atribuída pela agência de notação AM Best, que conferiu à seguradora a classificação ‘B’ em 2022 e 2024.

A asseguradora integra o Grupo Fidelidade, cuja história começou em 1808, em Portugal, onde é líder de mercado com 2,3 milhões de clientes. A nível global, o Grupo Fidelidade está presente em 13 países.

O Presidente da República, Daniel Chapo, afirmou que o aumento dos preços dos combustíveis pode tornar-se inevitável devido à escalada de tensões no Médio Oriente, defendendo que Moçambique deverá preparar-se para os impactos económicos dessa conjuntura global.

Falando em declarações públicas, o Chefe de Estado associou a subida dos preços à instabilidade internacional, sublinhando que o país não está isolado dos efeitos do mercado energético mundial.

“Com a guerra entre o Irão, Israel e Estados Unidos, boa parte dos combustíveis sai daquela zona. Mais cedo ou mais tarde, os novos preços vão ter de chegar ao nosso país”, afirmou.

O Presidente classificou a situação como um desafio global, comparável ao impacto da pandemia da Covid-19, e garantiu que o Governo está a monitorar a evolução do mercado para tomar medidas de mitigação.

“É um desafio global, à semelhança do Covid. O Governo tem estado a atualizar a situação diariamente e vamos continuar a acompanhar”, disse.

Governo de Moçambique deverá, segundo o Presidente, adotar medidas para aliviar a pressão sobre o custo de vida, embora sem detalhar quais serão as intervenções específicas neste momento.

O Chefe de Estado apelou ainda ao combate à desinformação em torno dos preços dos combustíveis, defendendo que a comunicação social deve basear-se em fontes oficiais.

“Quando há desinformação sobre este processo, os órgãos de comunicação social devem atualizar com base em fontes fidedignas, que é o Governo da República”, referiu.

Apesar do cenário de incerteza, o Presidente assegurou que o Executivo está a tentar atrasar o impacto imediato das subidas.

“Estamos num processo de controlo para que este assunto possa continuar a ser retardado. Mas enquanto a guerra continuar, não será possível esticar a corda por muito mais tempo”, alertou.

As declarações surgem num contexto de crescente preocupação com o custo de vida no país, especialmente nos setores de transportes e bens essenciais, fortemente dependentes da variação dos preços internacionais dos combustíveis.

A Cornelder de Moçambique, gestora dos terminais de contentores e carga geral do Porto da Beira, procedeu, recentemente, à entrega de kits escolares a 300 crianças da Escola Básica Heróis Moçambicanos, naquela cidade, capital da província de Sofala, numa iniciativa que visa contribuir para a melhoria das condições de aprendizagem e promover a inclusão escolar.

A acção enquadra-se no programa de responsabilidade social da Cornelder de Moçambique, que tem como objectivo apoiar o desenvolvimento das comunidades onde a empresa opera, com especial enfoque na educação.

Os beneficiários foram identificados pela direcção da escola como sendo crianças pertencentes a famílias de baixa renda, provenientes dos bairros Praia Nova, Goto e CFM.

“A educação constitui um pilar essencial para o desenvolvimento das comunidades. Na Cornelder de Moçambique, acreditamos que apoiar as crianças e investir em melhores condições de aprendizagem é investir no futuro da cidade da Beira. Por isso, continuaremos empenhados em contribuir para o fortalecimento da educação e do desenvolvimento das crianças”, afirmou Chabelli Gonçalves, do Departamento de Marketing e Comunicação da Cornelder de Moçambique.

Por seu turno, o director pedagógico da Escola Básica Heróis Moçambicanos, Josefa Elias, enalteceu o gesto, destacando o impacto positivo da iniciativa no percurso escolar das crianças.

Na ocasião, Josefa Elias manifestou a expectativa de que acções desta natureza possam inspirar outras organizações e indivíduos a apoiar a educação em Moçambique, em geral, e na cidade da Beira, em particular.

A Escola Básica Heróis Moçambicanos integra o conjunto de instituições de ensino apoiadas pela Cornelder de Moçambique, que tem vindo a implementar diversas iniciativas de carácter social na cidade da Beira.

Oito estudantes ficaram feridos esta terça-feira, um dos quais em estado grave, na sequência da explosão de uma granada numa escola do posto administrativo de Maluana, na Manhiça, província de Maputo, avançou a polícia.

Segundo o chefe das operações no comando distrital da Polícia da República de Moçambique da Manhiça, Deoclésio Maiela, o incidente ocorreu durante a tarde, quando um grupo de estudantes entrou em disputa, no recinto escolar, por uma granada na posse de outro aluno.

Um dos alunos terá arrancado a granada das “mãos dos colegas” e lançado contra as pessoas que se encontravam nas proximidades daquele recinto da Escola Secundária Filipe Jacinto Nyusi.

“Um deles arrancou nas mãos do outro e lançou onde havia outros alunos no recinto escolar e aquilo explodiu. E outros alunos que estavam lá no local ficaram feridos”, disse Deoclésio Maiela.

Sem avançar mais detalhes, o chefe das operações garantiu que as oito vítimas, uma das quais em estado grave, foram encaminhadas para o centro de saúde distrital, onde se encontram a receber cuidados médicos.

O Mercado do Maquinino, o principal mercado da cidade da Beira, voltou a registar focos de lixo em várias áreas, com maior incidência nos espaços onde são confeccionados e vendidos alimentos, levantando preocupações sobre riscos à saúde pública.

A situação repete-se após um período de aparente melhoria, com vendedores a denunciarem falhas na recolha de resíduos sólidos e o agravamento das condições de higiene. Em alguns pontos, o lixo permanece acumulado durante dias, sobretudo em zonas de maior movimento.

Segundo comerciantes, a recolha não tem sido regular, o que contribui para a degradação do ambiente de trabalho.

“A recolha de lixo não tem sido frequente. Chegamos cedo, cozinhamos, mas o lixo só é retirado muitas horas depois”, afirmou Ana Maria.

Outras vendedoras relatam que a situação se prolonga por longos períodos sem intervenção das equipas de limpeza.

“Às vezes passam uma ou duas semanas sem recolha. Não é fácil trabalhar assim”, disse Luísa Tomé.

Além da acumulação de resíduos, há relatos de uso indevido dos espaços do mercado como sanitários improvisados, agravando ainda mais as condições de salubridade.

“As pessoas bebem aqui e usam o espaço como casa de banho. O lixo fica dias sem ser removido”, denunciou Marta Zacarias.

Os vendedores também criticam a cobrança diária de taxas, que, segundo dizem, seriam destinadas à gestão e tratamento do lixo.

“Pagamos 26 meticais por dia. Mesmo assim, o lixo não é tratado como devia”, afirmou Albertina Ursul.

Entre os utentes, cresce a insatisfação com as condições do mercado, considerado um dos mais importantes centros de abastecimento da cidade.

“É uma situação muito difícil, há falta de organização”, lamentou Gabriel João.

A gestão do mercado reconhece a existência do problema, mas aponta dificuldades em impor mudanças de comportamento entre os vendedores. O responsável do espaço, Albano Chone, atribui parte da responsabilidade aos comerciantes, defendendo que têm sido feitas campanhas de sensibilização.

“Temos feito sensibilização, mas nem sempre há colaboração. Cada um deve cumprir as recomendações”, afirmou.

Apesar das críticas, existem algumas áreas do mercado onde a situação é considerada controlada, devido à organização interna dos próprios vendedores, que conseguem manter melhores níveis de limpeza.

O cenário reacende o debate sobre a gestão de resíduos urbanos e as condições de higiene nos mercados municipais, considerados pontos críticos para a saúde pública na cidade da Beira.

A Associação Nacional dos Professores quer que a idade máxima dos dirigentes seja 70 anos e sugere que a sociedade civil passe também a fazer parte da Assembleia da República.  Já as associações de Restauração, Catering e Eventos querem mais estratégias de promoção da inclusão económica.  As ideias constam das contribuições ao Diálogo Nacional Inclusivo.  

A comissão técnica continua a receber contribuições no âmbito do Diálogo Nacional Inclusivo e, esta terça-feira,  foi a vez de quatro organizações da sociedade civil. 

A Associação Nacional dos Professores foi a primeira, que além de pedir que haja aumento do orçamento direcionado ao sector da educação e mudanças curriculares, falou de mexidas em alguns órgãos de soberania. 

A ANAPRO propõe um modelo parlamentar misto, com representação direta da sociedade civil. Isto é, nós achamos que o nosso parlamento não deve só ser constituído pelos partidos políticos, deve também ter a representação da sociedade civil. Ponto número dois é a limitação da idade máxima dos altos dirigentes do Estado. A proposta é estabelecer a idade máxima como 70 anos para a ocupação de altos cargos políticos e administrativos. O terceiro ponto é a proibição de elementos da mesma família em altos cargos”, explicou Carlos Muhate, representante da ANAPRO. 

As associações Moçambicana de Catering e de Eventos falam de medidas para impulsionar o turismo e alavancar a economia. 

Entendemos que o alargamento do acesso a atividades geradoras de rendimento por parte, elas contribuem para este alargamento e a integração progressiva dos operadores informais, e estimula o empreendedorismo sustentável.Então, pretendemos aqui, neste diálogo, através de propostas que nós vamos aqui apresentar, que haja mais valorização do emprego da juventude”, disse Aurélio Mausse.

A Associação da Aliança Jovem para Escrita e Consciência também apresentou o seu contributo.  

“Propomos a criação de um conselho nacional consecutivo da juventude, com poder vinculativo nas políticas públicas. Propomos a imposição de uma cota mínima de 30% nas listas partidárias, nos órgãos de Estado e nos projetos estatais”,explicou o secretário Geral da AJEC

O presidente da COTE realçou que todos devem estar envolvidos no Diálogo Nacional Inclusivo. 

“Está a ocorrer em todas as províncias, as mesas redondas, onde membros da academia, da sociedade civil, do setor privado, das confissões religiosas, são chamados a participar em cada uma das províncias, apresentando suas contribuições, seus pontos de vista para o diálogo nacional inclusivo”, apelou Edson Macuacua. 

Edson Macuacua anunciou, na ocasião, o término das auscultação pública nas zonas rurais.

+ LIDAS

Siga nos