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O País – A verdade como notícia

Uma delegação Angolana do Comité de Coordenação da Iniciativa de Transparência na Indústria Extrativa está em Moçambique para uma reunião de intercâmbio, onde a fiscalização dos benefícios às comunidades abrangidas pelos projectos está no centro do debate.

Moçambique e Angola são membros da Iniciativa de Transparência na Indústria Extrativa, e em uma semana, vão trocar experiências sobre a gestão e assistência às comunidades abrangidas por projectos minerais.

Moçambique tem 15 anos de experiência no Comité de Coordenação da Iniciativa de Transparência na Indústria Extrativa e usará da mesma para transmitir conhecimento a sua congénere, Angola, que está há dois anos na organização.

O benefício das comunidades face a descoberta dos recursos tem sido um dos grandes problemas em países em desenvolvimento, e Moçambique diz estar a seguir à risca a legislação desde 2013.

Angola espera a validação do seu primeiro relatório de transparência e diz estar melhor encaminhado na fiscalização do sector que contribui em mais de 90 por cento no Orçamento Geral de Estado.

A reunião, que termina sexta-feira, junta também os técnicos e investigadores na área de gás e petróleo.

Afinal, a viatura de escolta do edil de Maputo está pintada com cores da Polícia da República de Moçambique e não da Polícia Municipal. O carro em causa é o mesmo que devia ter sido pintado num valor de quase 300 mil meticais, mas o concurso foi supostamente cancelado por motivos económicos.

O polémico concurso público para a pintura de uma viatura da Polícia Municipal de  Maputo para efeitos de escolta consta do Jornal Notícias do dia 13 de Junho de 2024. 

A pintura do carro com a chapa de matrícula AHS-770-MP custaria 290.232,00 Meticais e seria por ajuste directo à empresa Karam Car, LDA, localizada na Rua da Beira, Cidade de Maputo. 

O concurso foi quase criticado por quase todos devido ao valor que seria aplicado para a pintura de um carro. No dia seguinte, o Município de Maputo retratou-se e anunciou o seu cancelamento. 

Usando o mesmo canal, o Jornal Notícias e a sua página de internet, o Município de Maputo cede à pressão das críticas e recua. 

“[…] fica a adjudicação, por ajuste directo OM-01/CMM/PM/S/2024, cujo objecto é a pintura da viatura AHS-770-MP, cancelado por motivos económicos e financeiros”. 

Nisto tudo, há um facto curioso. A viatura, cujo concurso público foi cancelado, está pintada com as cores da Polícia da República de Moçambique e está a escoltar o presidente do Município de Maputo. E mais: desde o cancelamento do referido concurso, nunca mais se lançou um outro para a pintura do carro de escolta. 

A prova de que se trata da mesma viatura é a matrícula AHS-770-MP, que consta do concurso público para a sua pintura, ainda estampada nos espelhos retrovisores e vidros. 

É esta a viatura, com as cores da PRM, que está escoltar o presidente do Município de Maputo, Rasaque Manhique. 

“O País” sabe que este carro, aquando da sua aquisição, era todo ele de cor branca. 

A nossa equipa de reportagem leu as edições do Jornal Notícias desde o dia do anúncio do cancelamento da pintura do carro AHS-770-MP para efeitos de escolta e nenhum outro concurso do gênero foi lançado. 

E nós conversamos com alguém que se dedica à pintura de carros há quase 60 anos. Chama-se Marcelo Dgedge. No seu percurso, Dgedge já pintou muitos carros da Polícia. 

“Eu já pintei muitos carros do Comando-Geral da Polícia. Eu não me lembro muito bem da quantidade, mas foram muitos que passaram pelas minhas mãos. Os que apareciam aqui (na sua oficina) era mais para pintar toda a viatura. A chamada pintura geral”, contou Marcelo Dgedge, pintor de carros na Cidade de Maputo. 

E Marcelo Dgedge revela quanto custa pintar um carro da corporação. “A pintura de um carro da Polícia, só o exterior, custa 60 mil”, revelou.  

Já a Associação Moçambicana de Polícias explicou que nada justifica que a pintura de uma viatura de escolta chegue a custar quase 300 mil Meticais. 

“São tintas normais como quaisquer outras. A diferença é que se escolhe cores que não podem confundir o público. Geralmente, são cores específicas, que são da Polícia da República de Moçambique, Polícia Municipal ou de um cidadão comum”, explicou Nazário Muanambane, presidente da Associação Moçambicana de Polícias. 

E colocar cores específicas da Polícia numa viatura não chega a custar tanto dinheiro. “Não quer dizer que a pintura, por si só, tem uma especificidade até ao ponto de ter um custo adicional. Estamos a falar de uma cor diferente das outras cores. Não há uma particularidade específica nem uma oficina que possa pintar esse tipo de carro. Qualquer oficina que exerce uma actividade de pintura com qualidade, pode pintar a viatura da polícia”, detalhou o presidente da Associação Moçambicana de Polícias. 

Neste momento, o edil de Maputo está a ser escoltado pela viatura, cuja pintura custaria quase 300 mil Meticais. 

O concurso público lançado pelo Município de Maputo fazia referência à pintura do carro, que custaria 290.232, 000 Meticais, e não à mudança das cores da PRM para a Polícia Municipal.  

O Presidente da República, Filipe Nyusi, efectua, hoje,uma visita de trabalho à província de Sofala, onde vai proceder à inauguração do Edifício do Tribunal Superior de Recurso da Beira.

O Presidente Nyusi vai igualmente visitar os distritos de Machanga e Muanza, para proceder à inauguração dos novos edifícios dos Tribunais Judiciais Distritais, erguidos no âmbito da Iniciativa Presidencial “Um Distrito, Um Edifício Condigno para o Tribunal”, que visa dotar os Distritos de edifícios condignos para o funcionamento dos tribunais, através de construção de raíz ou sua requalificação

Mais de 50 crianças acolhidas no Infantário da Matola beneficiaram-se hoje de ajuda alimentar de cerca de uma tonelada e meia de produtos diversos, entregues pelo embaixador do Ruanda em Moçambique.

São no total 54 crianças abandonadas pelos seus progenitores e que encontraram um novo lar no infantário da Matola. Com o défice orçamental que a instituição gerida pelo Instituto Nacional de Acção Social enfrenta, espera-se que o apoio dado pela comunidade ruandesa, este domingo, minimize a fome.

A directora da Instituição, Domingas Marumbe, disse que “vai ajudar muito porque estamos sem fundos. Alguns fornecedores já não aceitam dar os produtos a crédito porque estamos com dificuldades econômicas desde o ano passado” explicou.

O apoio em cerca de uma tonelada e meia de produtos alimentares diversos é fruto de uma doação da comunidade Ruandesa em Moçambique e foi entregue pelo embaixador daquele país africano.
“ Trouxemos vários artigos, desde açúcar, farinha de milho, óleo, produtos de limpeza, avaliados em 200 mil meticais” disse o alto comissário do Ruanda, Donat Ndamage.

Os donativos foram feitos no âmbito do encerramento das celebrações da independência do Ruanda, data que se assinala a cada 1 de Junho.

O Município de Maputo está a falhar em recolher lixo em alguns bairros devido à falta de dinheiro para pagar dívidas a empresas prestadoras do serviço. Devido à situação, munícipes de Chamanculo, Maxaquene e Munhuana convivem com moscas e mau cheiro.

Trata-se do bairro do Chamanculo “B”, na cidade de Maputo. Uma zona histórica atravessada, neste ponto, pela rua Marcelino dos Santos. Lixo e cheiro nauseabundo tornaram-se o cartão de visita deste local.

“Isto é recorrente, o cenário que você vê agora é minimizado porque vieram diminuir ao invés de tirar todo lixo” disse Idelson Chongo, Residente de Chamanculo “b”.

Há mais de um mês que os residentes de Chamanculo “B” convivem com imundice e a edilidade de Maputo é indiciada de se ter demitido das suas responsabilidades.

Carmina Vidal vende vegetais e legumes numa banquinha em frente ao seu quintal e divide o espaço com o lixo.

Outro desafio, são as moscas dentro do quintal, que chegam a invadir utensílios domésticos.

“Enfrentamos muitas moscas e mau mesmo quando estamos a cozinhar. Se não prestares atenção és capaz de comer moscas nas refeições” explicou Carmina Vidal.

Ainda no mesmo bairro, Tânia José trabalha num estabelecimento comercial que confecciona refeições, mas o negócio não tem passado por bons dias, devido ao lixo.

“Está muito complicado conviver com este lixo, principalmente tendo este estabelecimento. Esta situação espanta nosso clientes” disse.

A saúde das crianças do Chamanculo “B”, também está em risco, porque usam o mesmo espaço para brincar, segundo Idelson Chongo que explica que “
”Nestas condições não há como as crianças estarem à vontade, as nossas casas também estão afectadas pelas moscas e ficamos expostos a várias doenças.

No chamanculo “C”, o cenário não é diferente. Entre o posto policial e o campo Lurdes Mutola, a edilidade quase não recolhe o lixo.

“Quando reclamos dizem que o carrro que remove lixo está estragado. Ontem crianças não dormiram por comichão, quem sabe, é por causa do lixo” contou ao O país Josefina Vilanculos, residente de Chamanculo “C”.

Mais agravante, neste bairro, vermes e mau cheiro tiram a paz dos moradores.

“Ali em casa da minha avó não entramos por causa dos vermes, mesmo se fores agora podes ver. Não comemos e não dormimos. Para tomar chá é preciso levar um objecto e sacudir” descreveu Marinela Henrique.

O mesmo cenário vive-se no Bairro Maxaquene “c”, concretamente no muro do mercado Carimbo. A situação tem repelido clientes.

Manuel Pedro reside nesta parcela do município de Maputo há mais de 30 anos, sente na pele o desafio de ir comprar produtos infestados por moscas.

“É uma situação muito complicada e ninguém pode aguentar com o cheiro. Está ao lado do mercado e nós vamos comprar verduras e vegetais e possamos com moscas” desabafou o ancião.

O drama da deficiente recolha de lixo na cidade de Maputo é também vivido pelos residentes do bairro da Munhuana.

Entre o muro de vedação do Instituto de Formação de Professores e a igreja Católica, os resíduos sólidos estão espalhados pela rua.
Islan Mussa, diz que “esta rua estava fechada, vieram limpar com uma pá escavadora mas não puseram contentor, os moradores voltaram a jogar o lixo no chão” concluiu.
O cheiro nauseabundo do local chega a invadir as salas de aulas do Instituto de Formação de Professores e os alunos têm as suas aulas perturbadas.
O ambientalista Rui Silva alerta que “a decomposição do lixo em locais impróprios prejudica o meio ambiente e pode contaminar água dos furos” alertou.

O Município de Maputo assume o problema e diz que em causa estão algumas dívidas que a edilidade não paga às empresas de recolha.
“Apesar de reconhecermos essa dívida temos também despesas correntes, além de gerir dívidas antigas, temos que arranjar orçamento para gerir contas actuais e anteriores” esclareceu João Munguambe, vereador de Infra-Estruturas e Salubridade.

A edilidade diz ainda que o dinheiro pago pelos munícipes na taxa de lixo é pouco para cobrir as despesas de recolha dos resíduos e acrescenta que os munícipes têm criado demasiado lixo, o que demanda novas estratégias de recolha.
Durante a sua campanha eleitoral, o actual edil de Maputo, Rasaque Manhique, prometeu apostar na educação cívica dos munícipes sobre a gestão do lixo e garantir a reciclagem dos resíduos sólidos, uma promessa a ser exigida pelos munícipes até ao fim do mandato.

A direcção da Educação diz já ter mais de 160 milhões de Meticais para erguer nova infra-estrutura, no espaco onde funcionava a Escola Primária Unidade 24, na Cidade de Maputo. A ruina foi destruida no ano passado, mas o espaço continua a albergar malfeitores e a acumular lixo.

O capim alto tornou-se a principal característica do local onde, até 2016, funcionava a Escola Primária Unidade 24, na cidade de Maputo.

É que mesmo depois de destruída a infra-estrutura, que já se encontrava degradada, em Março do ano passado, os moradores dizem que o espaço continua abandonado e está a tornar-se numa lixeira.

“Às vezes as pessoas deitam gatos mortos, ratos e lixo caseiro. É triste ver um cenário destes logo no interior da cidade”, lamentou Pedro Machel.

O espaço tem servido também de esconderijo para malfeitores, sobretudo, à noite e nas primeiras horas do dia, segundo relatam os munícipes. Estes dizem não entender as razões para ainda não ter sido erguida outra infra-estrutura no local.

“As pessoas que saem para trabalhar muito cedo são assaltadas aqui”, lamentou Josina Mabote.

A direcção da Educação da Cidade de Maputo explica que vai reconstruir a escola e as obras estão avaliadas em 160 milhões de meticais, financiados pelo Banco Mundial.

“É provável que este ano iniciemos, mas não vamos conseguir terminar por se tratar de uma construção em altura e também devido à aproximação da época chuvosa que impede o desenvolvimento que gostaríamos”, explicou Samuel Menezes, porta-voz da direcção da educação na cidade de Maputo.

Depois de reconstruída, a nova escola poderá ter três pisos, 20 salas de aulas, contra as anteriores dez, bem como, sanitários e um bloco administrativo.

“O projecto já foi submetido a direcção de infraestruturas e equipamentos escolares, estamos à espera que se lance o concurso. Por ser uma obra complexa, esta estará sob a alçada do Ministério da Educação e Desenvolvimento Humano, com o nosso acompanhamento”.

A escola primária Unidade 24 foi encerrada em 2016 devido a problemas de infiltração.

Sector da educação, na província da Zambézia, regista défice orçamental para efectivar suas actividades. Neste momento, o sector precisa de 50 milhões de meticais para intervencionar pouco mais de 500 escolas, dentre as quais, são afectadas por fenómenos naturais, no entanto, o sector não tem dinheiro para suprir as suas necessidades.

Inicialmente, um total de 900 escolas estavam a precisar de uma intervenção, deste número, 810 danificadas pelo ciclone Freddy. Mais tarde, algumas intervenções foram feitas em cerca 400 escolas, restando ainda um número de 500 escolas que ainda careciam de intervenção.

Todavia, para colocar todas as escolas funcionais o sector precisava, antes, de 9 mil milhões de meticais, a explicação para o efeito vem do director provincial da educação.

“Aquando da passagem do ciclone Freddy, nós tínhamos perto de 900 escolas mas, quando foi feito o estudo, depois da depressão, concluímos que tinham sofrido severamente 810 escolas. Daquele número 400 escolas estão completamente intervencionadas e as restantes não, devido a exiguidade de fundo” disse Joaquim Casal.

“Mas esse dinheiro acabou sendo criticado em sede própria, na altura, o comitê operativo de emergência provincial viu que era muito dinheiro, mas nós precisávamos daquele vcalor para intervir em todas as escolas, Ou seja, onde havia uma escola precária queriamos construir uma mais convecional. Mas a abordagem foi de que a aposta era de intervir apenas nas danificadas. Ora, no momento, a nossa indicação é de que se tivéssemos 50 milhões de meticais interviríamos em todas as escolas da província. Neste momento, estamos a remover as cobertas antigas e substituir por novas e com resiliência necessária face as mudanças climáticas” disse.

Um outro grande problema que o sector está a atravessar está relacionado ao processo de contratação de professores. Zambézia precisa de contratar, anualmente, cinco mil professores, dentre primários, mas devido à falta de dinheiro os números de contratações por ano não vão para além de 400.

“Nós estamos a crescer em termos de subida de número de ingresso de alunos, anualmente, mas isso não está directamente proporcional em relação ao recrutamento de professores. Isso tem vindo a implicar na excessiva subida de número de alunos por causa de exiguidade de professores. Vejam que este ano só contratamos perto de 400 professores das categorias de docentes N1, N2 e N3, e os números são muito aquém das necessidades” precisou o Director provincial da educação, Joaquim Casal, dando indicação que docentes de N4 não foram contratados por falta de proposta do ministério.

Joaquim Casal disse que o sector já tem um plano que prevê a contração de cinco mil professores por ano. O governante entende que se a província contrata cinco mil professores por ano, num ciclo governativo de cinco anos, Zambézia baixa o nível de racio aluno professor que está em 72 para no mínimo 50, que é recomendável. Isso implicaria igualmente mais salas de aulas para formar mais turmas.

Semana Finda Quadros da educação na Zambézia estiveram em reunião de planificação, onde discutiram diversos assuntos que preocupam o sector.

Mais de 20 casas correm o risco de desabar no bairro de Albazine, na cidade de Maputo. Os moradores daquele bairro dizem estar preocupados, e temem que a próxima época chuvosa agrave a situação e destrua as suas casas.

Quem passa pelo bairro de Albazine, na Cidade de Maputo, depara-se com grandes crateras, em algumas ruas, cuja profundidade agrava-se sempre que chove. Com as crateras a aumentarem, os sinais de destruição, nas casas, tornam-se cada vez mais visíveis. Como consequência, há vedações a caírem aos pedaços, o que desespera os moradores.

“Esta situação já dura mais de cinco anos e quando chove a situação agrava-se. Por exemplo o murro do vizinho ao lado desabou”, disse um morador do bairro de Albazine.
Não é só um muro que desabou e teve de ser reconstruído, mas também há quem tem o seu estabalecimento comercial em risco iminente. Devido ao problema, Tafi Edson teve de fechar a entrada de viaturas da sua residência.

“A rua não está boa, os carros não tem como passar por aqui. Outro dia acordamos e vimos que um murro havia caido”.

O chefe do quarteirão, Frederico Macamo, diz que a falta de condições das ruas tem colocado em causa vários projectos. “Temos tanta coisa que parou, tanta coisa que não conseguimos fazer, não conseguimos ir mais a frente nas obras”.

Para tentar proteger as suas casas, os moradores do bairro das Mahotas recorrem a sacos de areia e pedras, o que não tem trazido os resultados desejados.
Ainda na tentativa de minimizar os impactos da erosão, os moradores depositam lixo nestas crateras para encerrá-las, entretanto, esta acção tem criado um outro problema, um cheiro nauseabundo.

Só no quarteirão 84 do bairro Albazine há mais de 20 casas em risco de desabar. As autoridades locais dizem já ter encaminhado o problema ao município de Maputo, mas ainda não há uma solução.

Os moradores do bairro das Mahotas clamam pela construção de valas de drenagem para escoar as águas da chuva, antes que as crateras engulam completamente as suas casas.

Sobre o assunto, o município de Maputo mostrou indisponibilidade para se pronunciar.

Mais de dois anos depois de a STV ter exposto a situação caótica em que viajam os camiões de Maputo para Cabo Delgado, a Estrada continua a ser fonte de martírio. Foram mobilizados pelo menos 1.2 mil milhões de dólares, mas as obras de reabilitação continuam invisíveis e sem datas para o seu arranque.

Há dois anos, a STV mostrou o cenário que vivem todos aqueles que tentam sair de Maputo a Cabo Delgado via terrestre. Na altura eram mais de 800 quilómetros de estrada degradada, outros vários sem sinalização; havia situações também em que as casas estavam ao lado da estrada, o que significava um iminente perigo.

Depois da veiculação da reportagem, o Governo começou a procurar financiamento para reabilitar a via. O dinheiro até encontrou, mas a resolução do problema, não.
Comecemos pelas necessidades. Na reportagem, falava-se de 750 milhões de dólares. Dados que tinha sido disponibilizado pelo Governo na Assembleia da república. Mas, depois da sua exibição, o Noite Informativa discutiu o assunto e a Administração Nacional de Estradas disse que, na verdade, para pôr a Estrada Nacional Número 1 transitável, eram necessários mais de mil milhões de dólares.

A primeira fonte que se abriu foi do Banco Mundial, que assumiu 400 milhões de dólares. O plano com este valor era reabilitar os 508 quilómetros troços mais críticos. Depois desta garantia, o que todos queriam saber é: para quando a reabilitação desse troço?

O Primeiro Ministro disse que o que importava mais não eram os prazos e, sim, “encontrar o dinheiro e isso já está”. Aliás, Maleiane sabia bem o que se seguia. “Abrir concursos para ter empreiteiros e depois faz-se o processo de concurso e fechar as propostas. Menos de cinco ou seis meses não tem sido, mas o importante é que já temos o dinheiro, isso é e,então, o passo seguinte é só implementar”.

Uma implementação que, para o Ministro das Obras Públicas, Carlos Mesquita, não levaria tanto tempo assim, tal como ele mesmo garantiu ao “O País”. Até porque alguns dos trabalhos preliminares supostamente já tinham sido feitos.

“Com esse desenrolar todo, com os concursos, penso que em finais do primeiro semestre do próximoano as obras iniciam”, assegurou.

Mesquita tinha todo o cronograma na ponta da língua. O ano apontado era mesmo 2023, o ano passado! O Governo informou ao deputados sobre os passos a serem seguidos em Dezembro de 2022.

“Fase 1 – compreenderá a reabilitação de 14 quilómetros dos troços Inchope-Gorongosa, 70KM, Gorongosa-Caia, 168 KM, e Chimuara-Nicoadala, 176KM”. Aqui, o prazo já se tinha elasticizado um pouco; de finais do primeiro, tinha passado para o segundo semetre de 2023.

Bom, podemos trazer vários momentos em que, em 2022, o Governo apontou o ano seguinte como sendo o fim do martírio na EN1, mas levaríamos muito mais tempo. Quando o novo ano chegou, antes mesmo que houvesse espaço para começar a cobrar do Governo, chegou mais uma promessa de dinheiro para a reabilitação da Estrada.

Filipe Nyusi foi aos Emirados Árabes Unidos pela segunda vez em menos de quatro meses e trouxe a promessa de um valor de 800 milhões de dólares.

“Iniciámos,na visita anterior a negociação para 25 milhões de dólares de financiamento e penso que o acordo poderá ser assinado em Março [de 2023] e daí passar para a fase de desembolso”, assegurou Filipe Nyusi, falando que o valor já era de 800 milhões de dólares e não 25 milhões.

As promessas continuaram na mesma direcção, principalmente quando eram os políticos a intervirem. Só que, em Junho veio um técnico falar sobre o assunto. O director-adjunto da Administração de Estradas apontou para um novo prazo.

“2024,na melhor das hipótese, que nós possamos ter o processo de contratação de empreiteiros a acontecer e nessa altura dar arranque da reabilitação da espinha dorsal, neste caso a fase 1”, disse Miguel Coanai.

Pouquíssimo tempo depois, Carlos Mesquita explicou o porquê de ter havido mudança de plano sobre o prazo da reabilitação da EN1. “Temos estudos e estamos a actualizar porque, ao longo desse período, a estrada foi-se danificando e, principalmente agora que saímos da época chuvosa, houve danos adicionais; isso requer uma apreciaçãomais profunda”, informou.

A época chuvosa parece ter afastado a hipótese da melhor das hipóteses anunciada pela ANE. É que não se vislumbram sinais de reabilitação propriamente dita.

Hoje, a STV sabe que há alguns trabalhos a serem feitos no terreno, nomeadamente de tapamento de buracos em alguns troços entre Gorongosa e Inchope. Mas, é um facto: de Inchope até Caia, o martírio continua e está tudo ainda refém de datas que ninguém conhece.

Ninguém conhece as datas, mas contas simples mostram que pelo menos 1.2 mil milhões de dólares foram anunciados como apoio para a reabilitação da EN1. Mas até agora nada dela. E este ano, o Ministro Mesquita fez mais uma promessa de datas. Apontando para finais do mês passado para o arranque das obras. Nessa altura, Mesquita deu a entender que o financiador, no caso o Banco Mundial, estava a ser exigente, o que levava a que o processo não fosse tão célere.

O tempo avançou e as certezas recuaram. Questionado sobre os arranque das obras, Mesquita disse: “Espero bem que seja mesmo em Maio e, se não for em Maio, será em Junho, mas vamos arrancar ainda este ano”.

Ou seja, de início de 2023 que se apontou em 2022, a única certeza que havia agora era que o arranque seria este ano. Bom, até com um ar de celebrativo, o mesmo Ministro das Obras Públicas deu a boa nova que muitos moçambicanos queriam ouvir.

“Na segunda-feira, iniciaram os trabalhos,no terreno, da EN1. Refiro-me aos troços Inchope-Gorongosa e Muera-Caia e, depois, Chimuara-Nicoadala e Metoro-Pemba;o que é conhecido como a Fase 1 do Banco Mundial. ”CARLOS MESQUITA (Março de 2024) – Ministro das Obras Públicas.

Curiosamente, o mesmo Ministro, que tinha anunciado o arranque das obras, indicou outras datas para o início do que já tinha começado. Desta vez, o horizonte era lá para o fim do ano.

“Agora entregaram-nos o primeiro draft do concurso para o arranque das obras, já estivemos a coodenar com o Banco Mundial e ele está confortável, portanto, dentro já se vai lançar o concurso, que vai levar cerca de 45 dias, depois avaliação das propostas, se temos reclamação ou não, e logo a seguir começam as obras físicas.”, explicou apontando Outubro ou Novembro como o horizonte.

Só foi um optimismo que não passou disso. Uma vez mais, a suposta grande exigência do Banco Mundial, que é o único financiador que agora o Governo menciona, voltou a retardar tudo. As duas semanas para o lançamento do Concurso não foram cumpridas.

“Não chegámos a lançar pos concursos públicos como pretendíamos porque houve um outro requisito que era necessário observar, sob o ponto de vista de regras do Banco Mundial, que é o financiador, porque estávamos a lançar projectos de salvaguarda social e do género e estávamos a empacotar isso numa única especialidade e, depois, o Banco disse que era preciso separar e, quando é assim, requer mais algum tempo para a consideração”, explicou.

Ou seja, as datas agora estão todas comprometidas e já não há horizonte de datas por via do qual se vai interpelar o Governo, daqui para frente.

Quando a reportagem da STV foi veiculada há dois anos, o segundo mandato, liderado por Filipe Nyusi, ainda tinha dois anos e meio pela frente. Agora, apenas meio ano. Aqui só fizemos as contas de datas e tempos, mas os camionistas fazem contas dos gastos que têm com a manutenção dos seus carros que se estragam nas viagens

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